Diamantes amarelos iluminados
E nós estamos lado a lado
Quando sua sombra cruza a minha
É o que basta para que eu ganhe vida
Rihanna (feat. Calvin Harris) – We Found Love

Na manhã seguinte, eu acordei ao som de passos e de portas sendo aberta e fechada, mas aquela preguiça matinal não me deixou fazer nada além de entreabrir os olhos e fechá-los, novamente. Despertei um tempo depois e demorou poucos segundos até que as imagens da noite anterior invadissem minha mente, fazendo com que um sorriso nascesse em meus lábios.

Passei a mão esquerda pela cama procurando por Steve, porém, não o encontrei. Então, abri os meus olhos e os corri por todo o quarto, franzindo as sobrancelhas:

— Steve?

Nada.

Prendi meus cabelos em um coque sentando-me na beirada e procurando pela minha pantufa, mas lembrei que a deixei na mala que ficou na sala. Droga. Me estiquei preparando-me para levantar, sem deixar de sentir uma ardência dolorosa e igualmente prazerosa no meio das minhas pernas. Meus lábios se esticaram em outro sorriso e eu sai da cama descalça mesmo, caminhando até o banheiro afim de fazer minhas necessidades. No fim, eu acabei por tomar um banho morninho, saindo pela porta soltando os cabelos e penteando-o com os dedos.

Não quis molha-lo por razões de preguiça, obrigado.

A porta se abriu de repente, me surpreendendo. Dei um passo pra trás num pulo e agarrei um abajur, ao tempo que a outra mão se encontrava sobre o meu peito, sentindo o coração palpitar acelerado. Me acalmei ao ver que era apenas Steve. Ele vestia uma calça jeans e regata branca e entrou no quarto segurando uma bandeja de café da manhã. Abri um sorriso e relaxei, então tornei a caminhada e sentei na cama, arrastando-me até o meio dela. Recebi uma olhada daquelas do meu namorado e quase realizei a vontade de pular nele. Contudo, Steve foi mais rápido ao se aproximar, com mais vigor do que previ, e não ouve necessidade de ataca-lo, uma vez que ele deixou a bandeja sobre a mesa de cabeceira, subindo na cama e se debruçando no intuito de me beijar.

— Bom dia, meu amor — ele sorriu.

— Bom dia — o abracei pelo pescoço e entreabri os lábios, deixando com que sua língua acaricia-se a minha. Então, apertei seu pescoço, o puxando para mais perto, e mordi seu lábio inferior antes de finalizar o beijo. O homem se afastou lançando-me um olhar cheio de desejo e riu fraco, balançando a cabeça em uma negativa — O que foi? — murmurei, inocentemente, como se não o estivesse atiçando.

— Você adora me provocar, não é?

O canto da minha boca se ergueu, levemente. E, sem dar-me tempo para responder, Steve tomou a minha boca com a sua, bruscamente, e arrancou o pouco de ar que eu ainda tinha em meus pulmões. Não consegui fazer outra coisa se não retribuir.

Sua pele estava fria, e a confirmação disso foi o meu corpo se arrepiando por inteiro ao primeiro contato das suas mãos em mim.

— Você tá gelado — reclamei, rindo.

— Eu mexi com água — explicou, sorrindo e correndo com seus beijos por todo o meu rosto.

— Primeiro esquenta as mãos.

Ele fingiu não ouvir ordem, subindo-as pelas minhas costelas.

— Steve! — ri alto, me contorcendo.

— O que? Estou aquecendo minhas mãos — devolveu em um sorriso, todo cheio de gracinha. Então, tomou um dos meus seios em sua mão. Até esqueci o problema da sua baixa temperatura quando o meu próprio corpo ferveu como brasa. Respirei fundo imersa nas sensações que o seu toque provocava em mim. E todo aquele sentimento se ampliou ao prazer de ter seus lábios descerem pelo meu rosto e pescoço e subirem de novo até parar em meu ouvido, onde ele respirou fundo. Arquejei, agarrando-o forte e fincando minhas unhas no seu pescoço — Trouxe café da manhã — ele avisou num tom rouco, grave e que me deixou úmida, instantaneamente.

Até esqueci de agradecer pelo gesto romântico quando o bonitinho aproveitou da minha fraqueza para tocar meu pescoço com os lábios. Meu ponto fraco.

Isso me deixou ainda mais rendida. Excitada pra cacete e o filho da mãe sabia disso. Pude ver isso através do sorrisinho convencido no rosto dele, muito feliz por ter devolvido minha provocação a altura. Desgraçado!

— Hm? — foi minha resposta, enquanto eu o incentivava a erguer os braços para retirar a regata, já doida por ele, descendo por seu pescoço com mordidas e beijos molhadinhos. O que também pareceu ter tirado o controle dele.

Nós dois esquecemos o café e fomos direto para o prato principal.

Steve arrancou a toalha que me cobria num puxão e a jogou para bem longe, deixando-me muito, mas muito ofegante. Obrigada deus dos homens santinhos, por não fazê-los santos na cama, amém. Desceu os lábios por minha clavícula, busto até os meus seios e fez a sua mágica. As coisas não foram como ontem. Na noite anterior nós estávamos desejosos, sim, mas queríamos fazer as coisas devagar, com amor, por que era nossa primeira vez. Hoje, no entanto... Queríamos devorar um ao outro e foi o que Steve fez ao abocanhar meu seio e chupar, me fazendo enlouquecer a cada toque da sua língua, e a cada mordiscar no meu mamilo. Gemi alto dessa vez e meu ventre se contraiu. O incomodo em minha intimidade me deixou ansiosa.

— Quero você dentro de mim.

Meu pedido foi o estopim, pois Steve logo tratou de tirar a calça e eu me ajeitei, abrindo minhas pernas. Ele parou e olhou cada parte de mim, então sorriu encarando meus olhos:

— Antes eu quero devolver a sensação maravilhosa que você me fez sentir ontem — avisou e eu não tinha entendido, não até Steve subir de joelhos sobre a cama e inclinar o tronco sobre mim.

Meu coração acelerou, instantaneamente, quando ele tomou uma das minhas pernas com as duas mãos e a elevou até a altura do seu rosto, onde ele beijou minha perna toda, bem lentamente. Sua boca macia em contato com a minha pele sensível enviou uma onda de choque que me fez querer me tocar, e eu quase fechei as pernas, num desejo insano de querer aliviar aquela agonia de querer ele logo dentro de mim, fundo e forte. Steve parou, mas depois de reparar minha expressão, prendeu minhas pernas e seguiu com aquela tortura deliciosa, tocando cada pedaço de mim com a sua língua.

Eu já nem mais fazia questão de me calar.

Steve subiu os beijos pelo meu corpo observando cada uma das minhas reações. Tocando e adorando meu corpo como eu nunca imaginei que alguém além dele pudesse me proporcionar. Não foi a primeira vez que Steve fez com que o pensamento de realização me preenchesse, pois, eu sei que eu jamais me sentiria tão perfeita como Steve me fazia sentir. Então, ele me tocou e... Meu Deus!

Arquejei ao contato da sua língua quente e macia no meu ponto mais sensível. Minha intimidade se contraiu e devo ter dito algo enquanto ele levantava minhas pernas, apoiava em seus ombros e puxava o seus poucos fios de cabelo. A sensação que eu obtinha naquele momento era tão intensa que eu não sabia o que fazer ou querer. Se desejava me afastar ou me pressionar ainda mais contra a sua boca... que entrassem em mim ou...

Mexi-me contra a sua língua, implorando que não parasse e o loiro pareceu incentivado pela reação alucinada que recebeu do meu corpo, aumentando o ritmo.

— Steve! — joguei a cabeça para trás e apertei os lençóis da cama, mas levantei a cabeça de novo quando aquele desejo desenfreado se acumulou em meu ventre, enquanto eu gemia sem controle.

Eu já não aguentava mais. Minha mente parecia um zunido distante e os dedos dos meus pés curvaram quando a onda de prazer me invadiu e arrebatou. E só pude ouvir meus gritos enquanto o meu corpo relaxava sobre a cama.

Steve subiu até estar de frente a mim. Estava suado e vermelho pelo esforço, mas exibia um sorriso tímido na sua boca que indicava algo. Sua língua percorreu o próprio lábio inferior e eu soube o que pensava, logo em seguida.

— Descobri que gosto disso. Provar você, cada parte do seu corpo — murmurou de maneira intensa. Eu ainda não tinha pleno controle do meu corpo ou mente, mas pude lhe enviar de sorrir, por que eu também tinha amado cada instante — Você é linda — afirmou, baixando a cabeça e me beijando. E trêmula ou não, eu segurei Steve pelo pescoço e o beijei. Sua língua se enroscou a minha e minhas pernas circularam sua cintura, puxando-o para perto. Steve apertou minha bunda e me ergueu, invadindo-me de uma só vez. Nós gememos em sincronia.

Ele investiu contra mim, olhando nos meus olhos, numa conexão que nenhum de nós queríamos desfazer. Estocou com mais força, do jeito que eu amava, e mexi meu corpo em sincronia ao dele. Segurei em seu pescoço, arfando. Gemendo como louca quando ele me tocava ou abafava os meus sons com a sua boca. Tão enlouquecida, que num rompante troquei nossas posições, girando na cama e ficando sobre ele. Apesar de ter sido pego de surpresa, Steve se deixou levar sem pestanejar, segurando minha cintura e relaxando com o corpo na cama. Ambos prendemos a respiração, pois, eu o sentia mais fundo dentro de mim, cada centímetro. Steve levou uma mão ao meu pescoço e me puxou, erguendo-se para me beijar. Subi e desci em seu membro, rápido e forte, arrancando um gemido alto de nós dois.

— Meu Deus — Steve jogou o corpo para trás com a boca toda vermelhinha e os olhos arregalados.

Seu peitoral era um convite explícito para a minha língua e eu não me segurei, beijando-o e lambendo, enquanto me movia para sobre ele num ritmo acelerado. Segurei os seus ombros sentindo nossos corpos ganhando vida própria.

Quase solucei de prazer quando ele impulsionou o quadril para cima, enquanto gemia grosso, deixando-me de cabeça pro ar.

Minha respiração escassa literalmente parou quando o clímax me alcançou, outra vez. Steve enrijeceu, gemeu e se jogou na cama, ofegante, um dos indícios de que também havia chegado ao seu ápice. Junto de mim. Cai sobre seu peito totalmente esgotada e sua mão acariciou minhas costas, enquanto eu erguia o rosto e deixava diversos selinhos em sua pele.

Ficamos calados, apenas ouvindo o som das nossas respirações ofegantes. Os últimos momentos ainda na minha mente.

Minutos depois, eu comentei: — Estou morta de fome.

Steve sorriu balançando a cabeça. Então, jogou uma mecha do meu cabelo para trás e acariciou meu rosto:

— É... bom, eu consegui esquentar os últimos quatro pedaços da pizza que nem chegamos a comer ontem. Mas acho que está tudo frio, de novo.

— Tudo bem, eu gosto de pizza fria. Mas e você, vai comer o que?

— Pizza? — sua expressão confusa.

— Só tem quatro.

— É, tinha suco de laranja pronto e um pedaço de bolo de chocolate.

— Lindo, com a fome que eu tô isso não vai fazer nem cócegas — Steve primeiro pareceu desacreditado e isso me fez sentir meio mal, por que o mesmo trouxe o café pra gente tomar juntinhos e eu, toda egoísta, querendo comer sozinha. Mas então ele riu, balançando a cabeça

— Que tal sairmos pra comer fora?

— Isso! — me animei — São... — levitei o relógio despertador até mim e o descartei na cama, em seguida — Quase onze horas, a gente podia ir naquele restaurante italiano que vimos uma vez, depois do central parque.

— Eu gosto dessa ideia — Steve concordou, sorrindo — Então, primeiro temos que tomar banho — balancei a cabeça em concordância, ainda que sem minha força total — Antes de comer, digo — continuou. O sorriso no seu rosto muito estranho, e mesmo assim eu concordei outra vez, ainda que morrendo de preguiça — Então vamos!

Entendi sua tática na hora. E principalmente pude discernir aquela expressão no rosto do meu namorado. Era um sorriso safado, um puta de um sorriso que me desestabilizou por inteira. Puta merda, acabamos de transar e eu já queria mais.

— A gente nunca vai sair desse banheiro — comentei, sem muita resistência em minha voz.

— Muito pelo contrário — Steve discordou, ainda me olhando todo safado. Gostoso, muito gostoso. Ele lançou as pernas para fora da cama, carregando-me em seu colo na direção do banheiro — Podemos ser mais rápidos uma vez que podemos ajudar um ao outro.

— Sei... — eu ri, desconfiada — Ajudar a encontrar a melhor posição?

— Eu não estava pensando nisso. É você quem está dizendo.

Dei um tapa estalado no seu braço, totalmente chocada com o fato de Steve estar sendo tão descarado.

— Você me enganou, hein capitão? Eu achava que você fosse todo certinho — zombei, abraçando-o pelo pescoço até entrarmos no box.

— Eu nunca disse que era — e seu tom de voz disse muito, tanto como suas palavras.

E eu amei o significado daquilo. Eu amei cada parte de Steve.

Mais de uma hora depois e saíamos do banheiro, eu, desta vez, com os cabelos inevitavelmente úmidos e limpos após Steve os lavar. Tomamos nosso café da manhã no quarto mesmo, comigo tendo que dividir minhas pizzas. Ninguém pode me acusar de não amar esse homem, puta merda.

Depois, nos aprontamos para sair. Steve se arrumou rápido e saiu do quarto comentando que iria ver como correram as coisas no treino com Natasha. Aproveitei para enrolar um pouco, mesmo passando apenas um delineador, rímel e gloss: as únicas maquiagens que eu realmente gosto de usar.

Encostei a porta quando sai do quarto e segui até a cozinha para deixar as louças sujas e beber um pouco de água, mas parei na entrada ao me debater com Wanda Maximoff. Ou bruxinha, que é a forma como eu carinhosamente gosto de chama-la.

— Ora ora se não é a invasora de mente.

Talvez eu tenha assistido muito Malévola, uma vez que eu me senti como a própria Angelina Jolie falando daquele jeito. Mas não pensei que eu soaria tão tosca, no filme, a mulher parece foda demais. Bom, agora já era. Não tinha como eu passar batido pela bruxa sem nenhum comentário idiota. Eu sou filha do Tony, afinal.

— Não que você seja diferente — ela rebateu e eu ergui a sobrancelha, sorrindo. De fato.

Vou até a pia e vendo tudo limpo, resolvo deixar de preguiça e lavo a minha louça também. Não que eu esteja procrastinando para continuar aquela conversa numa tentativa de ter a última palavra, jamais. Estou apenas de bom humor. É isso!

— Nós duas temos o poder de invadir a mente de outras pessoas — concordei, depois de um tempo. Embora eu nunca tenha aprendido fazê-las ver o medo mais profundo. Pensei, virando o pescoço para encarar a Maximoff — Mas eu sei diferenciar amigo de inimigo e conheço os limites que esse tipo de poder impõe.

— Eu já entendi, você não gosta de mim.

— Não é que eu não goste de você — parei e pensei — Mentira, eu realmente não vou com a sua cara — dou de ombros. Não era de todo mentira, porém, eu também não estava mais tão irritada. Em parte, por que socar a cara dela ajudou no meu humor — Não tô afim de ficar batendo nessa mesma tecla todas as vezes que olhar a sua cara, então... — suspirei e abanei um pano de louça a frente do rosto — Bandeira branca.

Inclinei o rosto e voltei a lavar a minha louça como se nada tivesse acontecido. Como se eu não estivesse dando o braço a torcer. Termino meu serviço e seco a mão no pano, sem ouvir nada mais da bruxa, no entanto, senti quando ela enfim resolveu sair da cozinha.

— Ah, Wanda? — chamei seu nome e ela parou — A próxima vez que invadir a minha mente, vai levar mais que um soco.

— Foi um belo punho de direita.

— É mesmo? — não dou muita bola.

— Não, minha vó bateria mais forte.

E ela se foi, me deixando muito perplexa mesmo, no entanto, no fim acabei rindo sozinha da audácia da garota, principalmente, por que eu tive uma professora foda pra caralho. Hill me mataria se ouvisse isso. Droga, Wanda Maximoff me fez gostar dela. Por um instante, bem pequeninho, mas fez.

— Sem nada quebrado e a Wanda saiu daqui sem um arranhão — Steve comentou da entrada, me surpreendendo já que eu estava como uma doida rindo sozinha.

— Eu disse que tinha esquecido aquele assunto.

— Eu estava esperando uma recaída com vocês morando sobre o mesmo teto.

— Pois então pode ficar tranquilo. Está tudo de boa — sorri, abraçando-o pela cintura — Meu Deus, lindo, eu vou morrer fome se você não me levar pra comer — fiz drama.

Steve riu, enquanto eu seguia seu caminhar até a sala onde ele pegou e me entregou um capacete que estava sobre o sofá, antes de abrir a porta para eu passar:

— Não se preocupe, nós vamos chegar bem rápido.

Sua Harley Davison nos esperava a frente do complexo e eu abri um sorriso animado. Coloquei o capacete rindo dos dedos de Steve cutucando minha barriga, o que aparentemente, também o fazia rir. Em seguida, subi na moto e colei meu corpo ao de Steve, falando no seu ouvindo conforme ele ligava o motor:

— Eu já mencionei o quando eu adoro andar de moto com você? — a pele do seu pescoço arrepiou, causando-me certa satisfação. Recebi como resposta a vibração do seu riso e a suas mãos, apertando as minhas. Instigando-me a abraça-lo mais forte.

— Acho melhor ir, antes que a gente mude de ideia.

— É um bom plano — eu ri, fechando os olhos quando a moto deu partida e saímos, praticamente voando pelas ruas de Nova York.

***

Steve deixou a moto estacionada a poucos metros do restaurante e ficou decidido irmos o restante do caminho a pé. Passávamos pelo central quando eu dei a louca e abri a minha câmera do celular. Passar por um lugar lindo desse e não tirar uma foto juntos, não aceito!

— Faz pose — mandei, me posicionando de frente a Steve.

Meu namorado franziu as sobrancelhas, primeiro sem entender e isso lhe custou uma foto. Eu ri e tirei outra, ao tempo de Steve fazer uma careta, negando-se a sorrir. Tanto que tive até de brigar com ele, nas tentativas seguintes, mas me diverti como nunca.

Pensando assim, é até engraçado imaginar toda essa situação. Pouco tempo atrás lutávamos contra uma organização nazista, depois, contra um robô lunático, e agora estamos aqui como um casal normal. E embora eu saiba que nunca terei uma vida simples como a de Lúcia, fico satisfeita de ter vivido tudo o que vivi, pois, todas as merdas que passei fizeram eu chegar até aqui. Tenho uma boa relação com o meu pai, amigos que eu sei que posso contar e sou completamente apaixonada pelo melhor namorado do mundo — sem modéstia, não sou disso mesmo. Acho que não poderia exigir mais que isso e, sendo sincera, não quero nada mais. Só...

— Sua vez — Steve pegou o celular e levei um susto, ao sair de meus pensamentos.

Disfarcei ajeitando o cabelo e sorri para a câmera. Depois, ficamos lado a lado para selecionar nossas favoritas e Steve me pede uma foto em que estou sozinha.

— Sério? — perguntei.

— Sério, tem como enviar, não é? Se não me engano, a Nat me disse um vez como fazer, mas não prestei muita atenção — admitiu um tanto sem jeito e deu de ombros.

Eu ri.

— Sim, dá pra enviar. Só perguntei por que não achei a foto tão boa assim.

— Eu gostei, você está sorrindo de olhos fechados.

— Horrível.

— Linda.

Abri um sorriso:

— Eu gostei dessa — mostrei uma foto em que Steve beija minha bochecha. Bem clichê mesmo, me julguem — Ficou bom, não acha? — virei para olha-lo, mas fui surpreendida, de novo.

Fechei meus olhos e abracei Steve, beijando-o com todo o meu amor. E talvez nós não estivéssemos sendo muito educados pela forma que agarrávamos um ao outro no meio de um lugar público, mas não me importei realmente. Entretanto, tive a plena certeza disso quando uma velhinha passou lançando um olhar feio a nós dois.. Desculpe, senhora, mas se você também tivesse um homem desse, não hesitaria em agarra-lo como eu. A lembrança de antigamente, da reticência dele em beijar-me em público me vem a mente e me faz rir fraco, encarando meu namorado com as sobrancelhas arqueadas.

— O que aconteceu?

— Nada, eu só... — Steve franziu as testa, coçando a nuca, lançando um olhar para o lado e tornando a atenção a mim — Só queria dizer que eu te amo.

Senti que ele queria me dizer algo a mais, mas Steve não se pronunciou e eu também não enchi o saco. Dei-lhe um selinho rápido:

— E eu amo você — sorri, então o puxei na direção que imaginei ser o tal restaurante italiano — Agora me leva pra comer por que eu quero voltar logo para o complexo. Ao quarto, para ser mais específica.

Steve sorriu, beijando minha cabeça e me abraçando pelos ombros.

— Vamos pedir para viagem?

— Com certeza.

Não demorou para encontrarmos o estabelecimento, e no fim, acabou que a gente almoçou por ali mesmo. Eu fiquei no típico risoto carbonara enquanto Steve experimentou um tal de ossobuco na qual eu não fazia ideia do que era. Ele comeu com gosto, então deveria ser muito bom. Como sobremesa, experimentamos juntos uma dúzia de cannolie pelo amor de Deus, era uma delícia.

— O que houve com o povo da casa? Não tinha ninguém além da Wanda quando saímos.

— Os irmãos estavam assistindo algum filme com o Visão. A Natasha tinha um assunto a tratar com Fury, acho que ainda está procurando Banner.

Não me preocupei com a ausência do Barton, uma vez que o homem resolveu, a pouco tempo, se aposentar dessa vida de herói para passar mais tempo com a família. Todos entenderam. Quase morremos em Sokovia e acho que isso faz qualquer um refletir sobre o que quer da vida. Já Bruce Banner... ou Hulk, como é mundialmente conhecido. Banner meio que desapareceu como mágica após a luta contra Ultron. Natasha comentou vagamente que eles planejavam sumir por uns tempos, mas, aparentemente, ele decidiu ir sozinho. Eu não sabia o que pensar sobre isso.

— Como ela tá?

— Ela finge estar bem.

Assenti, por que isso era bem a cara da Romanoff. A máscara que ela ainda fazia questão de usar. Mesmo ao amigo. Aposto que a mulher sabe que não engana Steve em nada, mas ela parece não se importar em fingir para ele também.

— Sam me contou da Romênia.

Comi o restante do meu doce, lambendo a ponta dos dedos, sem me importar com a etiqueta.

— Ele acha que encontrou uma pista — concordou.

— Eu não sei, Steve, James fugiu da Hidra. Por que iria a um de seus postos de controle? Não faz muito sentido pra mim.

— Sim, mas Sam acha que seria um lugar pra começar, no entanto, Tony explodiu tudo quando atacamos da última vez.

— Você vai pra lá?

— Não — beijou minha mão, puxando os lábios num sorriso — Além de que eu também tenho minhas dúvidas. Estou com o pressentimento de que Bucky não está tão longe assim.

O sexto sentido não erra! Pensando nisso, eu falei: — Os pressentimentos normalmente estão certos — balancei a cabeça.

— Eu concordo plenamente — Steve sorriu e levantou o rosto quando notou a aproxima do garçom. Aproveitei o momento para tirar o celular do bolso. Liguei o visor, sem prestar muita atenção na conversa, presa demais na tela do aparelho. Meu namorado teve que tocar meu braço para que eu o ouvisse — Sofya? Quer mais alguma coisa? — eu pisquei os olhos, negando com um manear — Está tudo bem?

— Sim, só a Lúcia que deixou umas dez caixas de mensagens e... droga, combinei de sair com ela hoje.

— Retorne a ligação — ele incentivou, levantando da cadeira — Você pode trazer nossa conta? — pediu ao garçom, que acenou afastando-se da nossa mesa sem mais nenhum piu — Já volto, tudo bem? — avisou, apertando minha mão e eu concordei.

Steve beijou minha cabeça e se afastou.

Enquanto isso, mandei algumas mensagens e disquei o numero de Lúcia umas três vezes, mas não consegui me comunicar com a mesma. Droga! Só dava caixa de mensagem — Oi! Não posso falar no momento, mas deixa seu recadinho que a gente bate um papo depois, byeee! — bufei, desistindo de tentar falar com a garota e guardei o celular de volta no bolso traseiro.

Steve retornou pouco tempo depois e sentou-se a mesa para aguardarmos a volta do garçom com a conta. Ainda meio preocupada, notei que ele mantinha uma das mãos escondidas atrás das costas. O olhei em indagação.

— Conseguiu falar com ela?

— Nada — dei de ombros — Depois eu ligo de novo — e repuxei o canto dos lábios, curiosa — O que é isso aí?

— Pedi algo — comentou e eu levantei uma sobrancelha.

— O que?

— Tente adivinhar.

— Sério? — ri, mas Steve não parecia estar zoando com a minha cara, então conclui que eu teria mesmo que tentar. Ele mexeu o maxilar e esticou os ombros, preguiçosamente, e eu suspirei: — Hmmm... chocolate?

— Não.

— Torta de limão?

— Não — meu namorado sorriu, inclinando-se para frente.

Bufei, por que eu não tinha a mínima paciência para surpresas e suspense e Steve sabia disso.

— É de comer — afirmei, num tom de pergunta.

— É — ele acenou, enquanto eu encarava suas iris com os olhos semicerrados — Sem ler mente, se trapacear não ganha — avisou, apertando os lábios num sorriso.

— Eu não estava lendo — me defendi — Pensei, mas não fiz — mais uma pausa e eu não consegui pensar em nada. Suspirei: — Não sei o que é... — ele continuou irredutível e eu tive que apelar — Me fala, por favor, amor — fiz minha cara de pobre coitada que normalmente quebrava meu pai e, como imaginei, foi infalível.

— Essa olhar também é trapaça — Steve avisou, negando com a cabeça e evitando um sorriso — Tudo bem, eu digo... É Cla... cla alguma coisa. Não sei a pronúncia, é um pouco difícil — e soltou uma risada nasalada, pondo o pote quadrado de doce na minha frente.

Juro que não acreditei no que meus globos oculares contemplavam.

— Ah, mas como você ainda lembra disso? — ri, meus olhos até brilhando de felicidade.

Uma curiosidade sobre mim: comida me quebra. Acho isso mais romântico do que flores e Steve me conhecia o suficiente para fazer aquele gesto.

Eu o amo, droga, como eu amo esse homem.

Principalmente, quando ele lembrava de algo que nem eu pensava mais.

Há pouco mais um mês eu estava assistindo um desses canais de receitas, e fiquei com muita vontade de comer um dos doces que tinha uma aparência pra lá de espetacular. Eu reclamei com Steve sobre o quão esnobe os degustadores eram de comer e fazer aquelas caras e bocas na frente da câmera, mas esqueci isso, bom, até agora.

— Eu lembrei do bico que você fez — brincou e eu revirei os olhos — Aqui tem todo tipo de doce e por acaso eu lembrei do programa...

I Could Kill for Dessert.

— Eu poderia matar por sobremesa — repetiu, rindo — Então, também lembrei da forma que babou na frente à tela e a sua expressão tristonha me comoveu.

— Cara, eu tenho o melhor namorado, me gabo mesmo — me inclinei e o beijei rápido. Steve sorriu sem graça e negou com a cabeça — E os jurados ficaram comendo na minha frente de um jeito tão bom! Achei muita covardia, você sabe — dou uma colherada no doce, fechando as pálpebras em apreciação, finalmente entendendo a reação daqueles degustadores. Aí, droga, que delícia. Abri os olhos com uma impressão e encarei Steve que me observava comer. Uma sombra de um sorriso em seus lábios — O que? Você quer? — a pele do meu rosto esquentou.

Deus, eu sou terrível. Meu namorado me compra algo e eu, olho grande, nem para oferecer.

— Não — Steve negou. Que bom, digo, okay — Só... — parou de repente e eu estranhei. Depois eu vi que o garçom retornava com a nossa conta. O homem parou frente a mesa e eu ergui a mão para tomar a nota, mas Steve foi mais rápido. Eu o encarei séria e ele sorriu fraco, retirando a carteira do bolso — Temos um acordo.

Argh, como todos os seus ensinamentos de homem de décadas atrás, Steve também não poderia deixar de lado essa coisa dele pagar sempre que saímos juntos.

Claro que conversamos sobre, por que eu tenho esse senso de independência desde que passei a morar sozinha e isso não é o tipo de coisa que dá para deixar para trás. Era um impasse que nenhum de nós estava muito disposto a abandonar, então ele sugeriu o acordo de racharmos a conta sempre que saíssemos. Óbvio que não deu certo e, depois, mudamos a tática de cada saída um pagava, o que nos leva ao aqui e agora, pois era a vez dele. Eu preciso dizer que ele sempre economiza quando sou eu a pagar? Não, né?

Pois é.

Dou mais uma colherada no doce e observo o lado de fora através da vitrine de vidro.

Estou distraída quando inconscientemente reparo no número de pessoas paradas, olhando a minha mesa, especificamente. Um arrepio involuntário subiu pela minha coluna e eu engoli em seco, tateando a mesa a procura da mão de Steve. Quando o alcancei, ele me apertou e eu levantei o rosto para encara-lo.

— Steve... — sua expressão fechada foi mais que o suficiente para dizer que ele também reparou na situação.

— Não precisa, obrigado — agradeceu o garçom que lhe ofereceu a nota.

Steve virou para mim e indicou com a cabeça, uma porta que imaginei ser a entrada da cozinha. Certo, eles devem ter uma saída por lá.

Assenti com um acenar e levantei primeiro. Steve veio logo atrás.

— Sorria — murmurou, próximo ao meu cabelo e eu virei para ele, sorrindo, mas sorrindo de nervoso mesmo.

Sorrie e acene, rapazes. Sorrie e acene. Mordi meu lábio inferior. Péssima hora para rir, Sofya.

Acho que meus olhos estavam arregalados. Senti Steve apertar minha mão num gesto reconfortante e isso foi uma afirmação não dita a mim. Okay. Respira, inspira. Meu subconsciente me fez lembrar do meu mantra, enquanto eu evitava olhar o lado de fora. Tentando não causar alarde. Agir naturalmente. O aviso de Mari ecoa no meu ouvido, junto de dúvidas e mais dúvidas.

Em seguida, sou agarrada por uma mão extremamente pesada que aperta meu pulso. Forte, tanto que gemi, em parte pela dor, mas também surpreendida pelo ataque. E eu não precisei de muito incentivo para puxar-me para longe, principalmente por que aquele grupo estranho de pessoas que estavam do lado de fora do restaurante, já não encontravam-se mais no mesmo lugar.

Por que eu fui sair hoje? Meu coração parecia querer pular para fora do meu peito, tamanha a intensidade dos meus batimentos cardíacos, com a sensação de um iminente ataque. Que diabos são essas pessoas? Inimigas do Homem de Ferro, talvez?

— Senhor, solte-a — Steve ordenou, tomando a frente.

Foi ignorado.

As mãos do homem tremiam, seus olhos eram vagos e distantes. Aquele desconhecido não pareciam querer fazer aquilo — Precisa vir comigo — no entanto, essa foi sua ordem.

Isso me fez deixar de lado aquela impressão estranha e reagir, jogando-me em direção contrária a dele.

— Que? Do que você tá falando, maluco?! — fiz careta e torci meu braço, mais uma vez.

Steve então o forçou a me soltar e o garçom de meia tigela cambaleou para trás. A gente apenas não esperava pela droga da arma que ele retirou de sua cintura. Ou talvez eu não tenha reparado. Não importa. Puta que pariu! Não era a primeira vez que me ameaçavam, mas a primeira que o dono do dedo no gatilho parecia perdido, desesperado. Louco.

Dei um passo para trás e puxei Steve junto, ao mesmo tempo que os gritos começaram.

As pessoas, que testemunhavam tudo de olhos arregalados, quase hipnotizados, emfim levantaram de suas cadeiras ao reconhecer a ameaça e todos, absolutamente todos, correram em direção a saída daquele restaurante.

Meu problema não foi eles estarem fugindo dali e nos deixando sobre a mira de um lunático, não, não foi, o problema foi que Steve e eu ainda estávamos próximos da entrada, o que significou que não somente éramos alvos de uma Glock, mas também de uma multidão desesperada que passava por nós como um bando de mamutes.

— Droga! — exclamei, desviando de alguns que me empurrava sem dó nenhuma.

O lado bom de tudo isso foi que o doído não tinha mais uma visão limpa da gente. O lado ruim foi que, no meio daquela multidão, eu acabei me separando de Steve.

Droga, droga, droga, droga... Ergui sobre meus pés para ver acima das pessoas, mas alguém me segurou por trás e me derrubou no chão. Até me surpreendi com a força anti natural que me fez deslizar pelo piso, abrindo caminho pelas pessoas. O Garçom.

Inumano? Tá de brincadeira, agora inumanos não vão com a minha cara?

— Sofya! — a voz de Steve ecoou de algum lugar no meio das pessoas.

— Sofya Denova, eu recomendo que não se mexa — o garçom ordenou, num tom tão mecânico quanto os movimentos.

— Cara, não precisa fazer isso...

— Não se mexa, ou serei obrigado a usar força bruta.

— Vai se ferrar — murmurei, encarando-o — Recomendação ignorada com sucesso — imito sei jeito estranho e chuto, em seguida, a barriga da imitação barata de Exterminador do Futuro.

Ele se curvou ao tempo que um corpo lançou-se contra o dele, derrubando-o no chão. Sua arma caiu próxima de mim e eu a recuperei, levantando-me do chão.

Os últimos clientes vão saindo do restaurante e me aproximei de Steve, avisando isso a ele. O som distante de sirenes são ouvidas. Steve se ergue de sua posição abaixada.

— Se machucou? Eu vi ele te derrubando e depois te perdi de vista — sussurrou, ao me abraçar.

— Tô bem, um pouco assustada, mas posso lidar com isso — afirmei, beijando a palma da sua mão que descansava em meu rosto — Mas, Steve, tô sentindo uma movimentação estranha do lado de fora.

— Onde? — ele questionou, o olhar sério tornando a pesar sobre o corpo desmaiado do garçom.

Franzi o cenho em concentração e balancei a cabeça, logo depois. Obriguei meu corpo a controlar a tremedeira que dava em mim, depois de todo o surto de adrenalina, enquanto minha mente trabalhava tentando achar explicações para essa situação maluca e formas de me livrar dessa briga.

Droga!

Steve me encarava totalmente tenso e me fez perceber que praguejei alto demais. Seus músculos enrijecidos. Esperando uma resposta enquanto eu engolia seco o bile que subia pela minha garganta.

— Em todo lugar... Steve, estamos cercados.

E, após dizer essas palavras, minha mente talvez tenha encontrado uma possível resposta para minhas perguntas.

Eles tinham me encontrado.