Notas iniciais
Antes de começar este capítulo, não posso deixar de enaltecer esse hino da maravilhosa Dove. É isso. Boa leitura ❤️

Quem vai me dizer que estou fora de alcance
Quando as luzes se acendem e eu ainda estou louca?
É verdade
Espero que seja você
Dove Cameron — Out Of Touch

Um… Dois… Três… Quatro… Cinco segundos…

Sabia que gritar não adiantaria de nada, mas meu cérebro fazia questão de trazer-me uma sequência de pensamentos desesperados, enquanto eu buscava uma forma de sobreviver àquela situação. E naquele curto período de tempo, um milhão de coisas passaram por minha mente. Primeiro eu me odiei por ter sido pega de surpresa. Você devia ter conferido se não havia mais nenhum convertido filho da mãe. Meu subconsciente acusou.

Que inferno! Eu havia sido arrastada por uma máquina comandada pelo desgraçado do Ultron. Uma maldita máquina me lançou ladeira abaixo de uma maneira literal demais para o meu gosto. Argh!

E foi em meio a muitas lamúrias e um sentimento de impotência que deixei o desespero dar lugar a determinação. Precisava me situar, pois, nunca aceitaria que minha história terminasse comigo virando pasta em asfalto.

Então notei o aperto da armadura se afrouxar e essa foi a minha deixa para reagir. Parei de me debater no ar, sentindo o meu coração pulsando forte como uma marreta em meu peito, e tomei as rédeas da situação. Impulsionei o meu corpo na direção da máquina que iniciava voou para longe de mim.

Não tão rápido, bitch.

Baixei a guarda, e com brusquidão, meu corpo parou de cair. Ofeguei, tendo a sensação de estar sem ar. Ainda sim, concentrei-me e com o meu comando a máquina parou no ar.

Uma pontada de dor atingiu-me e levei minha mão até a cabeça. Um líquido escorreu por meu nariz e eu não precisei tocá-lo para saber que era sangue ali.

Foi estranho fazer aquilo, sentir meu corpo levitar. Quase que não lembrava da sensação de usar minhas habilidades e fora a vez que ajudei Nick, mantive a minha palavra — por mais incrível que pareça — em não usar os poderes.

Levitei meu corpo até a máquina, toquei sua superfície fria e infiltrei-me na rede, desligando a mesma. Os braços e a cabeça de metal caíram derrotados e eu o olhei, aproveitando o instante para tomar uma golada de ar.

Eu tremeria se pudesse.

— Sofya! — ouvi meu pai me chamar e esperei ele me alcançar. Tony parou no ar a minha frente, obviamente vestido com sua armadura. Sua máscara abriu e ele me encarou.

Seu olhar era uma mistura de alívio e estranhamento e eu até entendi. Não é todo dia que sua filha cai de uma torre gigantesca como a nossa. Também não é todo mundo que tem uma filha com poderes. E é assim que tenho mais uma prova de que não nasci para ser uma pessoa normal.

Era para ser apenas mais uma festa, mas que terminou de forma desastrosa.

— Você tá voando.

— É, eu tô. — pressionei meus lábios, também estranhando a situação. Tony suspirou e eu imaginei o que ele pensava. Só mais um dia normal na nossa vida. Em seguida, Stark perguntou se estou bem.

— Eu tô legal. — respondi.

— Tá bom, vamos sair daqui. — disse com preocupação e ergueu a mão para me segurar. Balancei a cabeça em negação e fui por mim mesma, me sentindo o próprio Clark Kent.

Voamos até onde, antes, existia uma parede de vidro. Levitei a armadura junto da gente e, instintivamente, olhei para baixo. Foi questão de milésimos de segundos, mas o bastante para o medo voltar a bater na minha porta.

— Opa! — exclamei. Meu pai me olhou e foi até mim, mas neguei ajuda. E lá se foi o meu espírito de herói. O Superman tem medo de altura, certo? — Tudo bem, tudo bem. — falei com a garganta seca. Ergui as mãos como para manter o equilíbrio e não olhei mais para baixo. — Não olhe para baixo, não olhe para baixo. — sussurrei pra mim mesma. Eu não estava a fim de perder a proteção mental que me mantinha flutuando.

De longe, meu pai e eu enxergamos a equipe próxima ao parapeito e tentei ignorar os olhares. Lancei a maldita armadura para dentro e ela caiu em algum canto do cômodo e então pisei em terra firme, sentindo minhas pernas fraquejarem. Puta merda.

Senti os braços firmes dele ao meu redor e o usei de apoio.

— Graças a Deus. — Steve murmurou me apertando e eu retribui o carinho. — Você se machucou? — ele afastou-se, tocando meu rosto e braços, onde eu tinha alguns sinais de escoriações.

— Eu tô legal. — tornei a dizer o que já tinha dito a Tony.

— Talvez a doutora possa dar uma olhada no seu braço. — meu pai falou.

— É uma boa ideia. — o loiro concordou e eu senti minha cabeça ferver, mas suspirei e acenei, escolhendo não discutir.

Respirei fundo enquanto observei o lado de dentro da torre. Tudo estava destruído. Mais uma vez.

A equipe se separou. Maria, Rhodes, Natasha e Clint ficaram para confirmar se não tinha mais nenhuma armadura possessa perdida por aí, como também para pegar o que restou da carcaça de Ultron, — Thor eu não vi em lugar algum, mas não tive cabeça pra perguntar do paradeiro do deus — enquanto Tony, Bruce, Steve, Helen e eu subimos até o laboratório de Banner, onde a doutora estava instalada, para que eu fosse examinada. O caminho até lá eu fui em silêncio e todos seguiram o exemplo. Nenhuma palavra dita. Mas aposto que uma pergunta rondava os pensamentos de alguns de nós. Que merda foi essa que aconteceu aqui?

Bom… sei quem poderia explicar.

No fim eu estava bem, como já tinha garantido anteriormente, e Helen logo me liberou. O restante da equipe entrou no laboratório quando eu descia da maca. Cruzei os braços e permaneci parada, assistindo Clint jogar o que outrora foi Ultron na mesa. Stark e Banner aproximaram-se da sucata e neguei com um manear. Vi Steve em uma conversa baixa com Natasha, mas não prestei atenção, pois Mari aproximou-se para confirmar o meu bem-estar físico. Então o silêncio voltou e continuei parada. Esperando.

— Ta. Ninguém vai dizer o que foi que aconteceu aqui? — Natasha se cansou.

— Acho que Tony e Bruce podem responder essa pergunta. — eu disse alto, chamando a atenção geral. Encarei meu pai e então Banner. Os dois olharam-se e eu bufei. — Acham que não reparei nas trocasinhas de olhares entre vocês dois? — foi a vez deles serem os alvos.

— Bruce. Tony. — Steve pressionou.

— Ultron era um projeto em andamento. — meu pai falou.

— Um projeto? — dei risada. — E pra qual finalidade. Acabar com os Vingadores? Sério?

— Algo deu errado. — Bruce explicou mansamente e eu ergui as sobrancelhas. Jura? — O que vocês devem ter notado. — completou.

— O que houve? — Steve questionou.

Meu pai encarou o doutor, que desviou o olhar:

— Estávamos usando o cetro de Loki. — Tony pigarreou, mas Bruce continuou. — O plano era aprimorar o nível de racionalidade da inteligência artificial. — termina, falando as palavras devagar e com calma, sabendo do poder da informação.

Arregalei os olhos e senti a tensão na sala aumentar. Ninguém abriu a boca e eu não suportei segurar o riso, o que acabou por chamar a atenção pra mim outra vez. Toda a situação era hilária e eu estava tão nervosa que só conseguia rir da nossa desgraça.

Ótimo. Então agora temos a porra de uma inteligência artificial doida pelo sangue dos Vingadores a solta. Legal! Demais!

Saudades de ontem.

— Aposto que mais ninguém sabia disso né? — perguntei com raiva, fuzilando-os com o olhar. Eles ficaram em silêncio. Passei a mãos nos meus cabelos e os puxei. Mais segredos. Mais mentiras. Considerei a possibilidade de estar fadada a esse tipo de situação.

— Pode apostar que não. — foi Romanoff quem confirmou com mau-humor.

Steve suspirou balançando a cabeça. Clint bufou, enquanto Mari e Rhodes continuaram silenciosos.

— Sabíamos do risco… — meu pai começou.

— Sabiam e ainda assim o fizeram pelas nossas costas. — Clint pareceu decepcionado. Eu não. Eu estava puta. — Era um pouco óbvio como isso iria acabar. — disse o arqueiro.

— Você ajudou a tirar o cetro das mãos de Strucker para impedi-lo de usar essa tecnologia e pra que? — disse lembrando de todo o trabalho que tivemos. Todas as invasões. Todas as noites em claro. Pensei que tudo tivesse acabado, mas olha estávamos. — Qual o problema de vocês, afinal? — me exaltei vendo Bruce sem fala e meu pai com a maior cara lavada.

— Isso não vai ajudar em nada. — Steve interrompeu a sequência de reclamação que provavelmente viria. — Precisamos encontrar Ultron. — salientou ao me olhar e eu bufei encostando-me na maca. O loiro então voltou-se para Banner. — Qual o status?

Bruce suspirou ajeitando o óculos no rosto:

— Todo o nosso trabalho já era. Ultron usou a internet para fugir.

— Ultron. — o alfinetei inconformada. Steve me lançou outro olhar e eu o ignorei.

— Ele examinou tudo. Arquivos, câmeras. Provavelmente sabe mais sobre nós do que nós mesmos. — Romanoff cruzou os braços.

— Ele está nos seus arquivos. Está na internet. — Rhodes andou pela sala. — E se decidir acessar algo mais interessante? — o patriota nos observou, esperando por uma resposta.

— Códigos nucleares. — Mari concluiu.

— Códigos nucleares. — ele concordou. — Olha… temos que fazer algumas ligações. Se ainda for possível.

— Bombas? — Natasha franziu o cenho. — Ele disse que nos queria mortos.

— Ele não disse “mortos”. — Steve negou com um manear. — Disse extintos.

Respirei pesadamente, cansada daquele diálogo:

— Talvez isso seja uma distração. — falei. — Talvez ele soubesse que terminaríamos aqui, discutindo a situação enquanto age. — minhas palavras são o bastante para os fazer refletir.

— Ele também falou que matou alguém. — Barton pontuou, instantes depois.

— Não havia mais ninguém no prédio. — Mari disse.

Há mais silêncio, todos tentando imaginar de quem a inteligência maluca falava.

— Havia sim. — Tony proferiu.

Embora eu estivesse com raiva dele, não pude ignorar suas seguintes ações. O Stark andou até o centro da sala e fez com que um holograma se materializasse a nossa frente. Um holograma totalmente destruído, de uma forma que eu nunca vi. E mesmo assim eu o reconheci. Dei um passo a frente soltando a respiração presa.

— Jarvis. — murmurei.

— O que? — Bruce se aproximou do holograma com um semblante confuso. Assustado até. — Isso é loucura.

— Jarvis era a primeira linha de defesa. — disse Steve. — Deve ter tentado desativar o Ultron. Faz sentido.

— Não. — o doutor balançou a cabeça, ainda encarando o que um dia foi Jarvis. Com tristeza, permaneci com os olhos presos na interface destruída do nosso mordomo virtual. — Ultron poderia ter assimilado Jarvis. Isso não é estratégia, é raiva.

Bruce exprimia uma expressão preocupada, o que acabou espelhando em mim também. Abri a boca para indagá-lo sobre o que teria sido o pivô para Ultron ter tanta raiva, quando Thor, o desaparecido, passou por mim como um furacão, indo até meu pai e agarrando-o pelo pescoço.

— E tá se espalhando.

— Epa, epa, epa! — corri até os dois com os olhos arregalados. Eu estava com raiva do meu pai? Claro que estava! Mas isso não significa que quero ver Thor fazer purê de Tony.

— Use palavras. — Tony pediu, quase sem voz, e eu me indignei com o seu senso de humor destrutivo.

— Tenho muitas palavras para descrevê-lo, Stark.

— Thor! — Steve e eu o chamamos em uníssono. Quero dizer, eu gritei. — O legionário? — Rogers completou e eu não sei do que ele falava, mas foi o bastante para fazê-lo soltar Tony.

Meu pai tomou uma golfada de ar e eu o voltei a virar a cara ao ver que ele estava bem.

— O rastro esfriou a mais de cento e cinquenta quilômetros, mas está indo para o norte. E está com o cetro. — Thor respondeu.

Me senti nervosa por não entender do que o homem falava, ainda que uma ideia muito ruim tivesse passado por minha cabeça.

— Como assim está com cetro?

— Um dos legionários o levou. — Steve me explicou e eu segurei o ímpeto de xingar.

Mais essa.

— E de novo temos que recuperá-lo. — continuou o deus com uma expressão insatisfeita.

— O gênio saiu da garrafa, está vivo e se chama Ultron.

— Não consigo entender. — Cho virou-se para nos olhar, melhor, para olhar o causador de tudo. — Você construiu esse programa, por que quer nos destruir?

— É uma boa pergunta. — acenei, pois essa questão também me instiga e, assim como todos, aguardei uma resposta do Stark.

Então ele começou a rir. Neguei um manear, incomodada com o fato de sermos tão parecido a ponto rirmos em momentos sérios.

— É engraçado pra você? — Thor ficou irritado.

— Não. — meu pai debochou. — Provavelmente não é, né? Isso é terrível, isso é tão… — ele deu outra risada. — … é tão, é terrível sim.

— Poderia ter sido evitado se não tivesse brincando…

— Não, desculpe. — Stark interrompeu.

— … com uma coisa que não entende. — completou.

— Desculpe. — Stark repetiu. — É engraçado. O mais engraçado é não entenderem porque precisamos disso.

— Tony. — Banner o chamou desaprovando o que meu pai estava dizendo ou ia dizer. — Talvez essa não seja a hora certa.

— Sério? — ele mirou o doutor — É isso? Você vai rolar e mostrar a barriguinha sempre que alguém rosnar?

Inspirei e olhei para cima, então baixei a cabeça e encontrei o olhar de Natasha Romanoff e compartilharmos de nosso cansaço com aquele assunto.

— Só quando eu crio um robô assassino.

— Não criamos, nem chegamos perto. Estávamos perto de uma interface? — indagou ao doutor que deu de ombros.

— Alguma coisa certa você fez. — Steve o interrompeu. — E fez bem aqui, mas os Vingadores deveriam ser diferentes da SHIELD. — Steve estava tão incomodado quanto eu com aquele segredo.

— Alguém lembra que levei uma bomba nuclear para o buraco de minhoca. — Stark insistiu.

— Não, ninguém fala disso. — Rhodes falou.

— Salvei Nova York.

— Nem disso também.

— Vocês lembram? — ele ignora o amigo. — Um exército alienígena hostil invadiu por um buraco no espaço. Estávamos cem metros abaixo. — ele faz uma pausa dramática. — Somos os Vingadores. Podemos acabar com traficantes de armas o dia todo, mas… aquilo lá em cima. — apontou o dedo para o teto. — Iria acabar com tudo. — eu sabia o quanto a batalha de New York ainda abalava meu pai, mas nunca imaginei que isso o levaria a mexer com tecnologia alienígena. — Como dariam um fim naquilo?

— Juntos. — Steve foi irredutível.

Meu pai deu dois passos a frente, encarando Rogers de um jeito sério, quase agourento:

— Perderemos.

— Faremos isso juntos também. — retrucou e Tony desviou sua atenção e balançou a cabeça ao se afastar, parecendo decepcionado. O segui com os olhos, mas voltei-me para Steve quando ele a tornou a falar. — Thor e Sofya estão certos. Ultron está claramente nos desafiando e tentando nos distrair. Gostaria de encontrá-lo antes que estivesse pronto para nós. O mundo é um lugar enorme, vamos torná-lo menor.

E então a equipe se dividiu mais uma vez. Cada um foi saindo, por vez, da sala. Mas continuei parada, esperando até que restasse meu pai e eu.

— Ainda não cansou de dar sermão? — ele não me olhou, focado em alguma coisa sobre a mesa.

— Não te envergonha o fato de precisar de um? — retruquei ainda parada. — E da filha, devo acrescentar.

— Ué, tem que idade certa pra errar agora? Não tô sabendo disso não.

Chacoalhei a cabeça, encarando o meu pai depois de mais um treino de respiração que normalmente faço quando estou nervosa. Eu não queria mais brigar. Estava cansada, por isso, tentei manter a calma durante a conversa.

— Por que fez isso Tony?

— Eu já falei.

— Você estava com medo antes também, em Malibu, lembra? — comentei e Tony pareceu incomodado por aquele assunto ter sido tocado. — E tudo bem, eu sei como você é impulsivo, muito mesmo, mas isso… fazer esse tipo de coisa sem falar com restante da equipe… — neguei com um manear.

Tony me mirou fixamente antes de falar:

— Você lembra da semana após o baile do ano passado? — fiquei um pouco surpresa por ele tocar no assunto, tanto que nem consegui respondê-lo. — Você ficou dias sem falar direito e sempre dizia que estava bem, mesmo sabendo que eu sabia que não estava. E acredite, eu tinha certeza que alguma coisa tinha acontecido. E estava certo.

— Tony. — me mexi incomodada.

— Fiz isso para te proteger.

— Tá tentando fazer eu me sentir culpada?

— Não tô. — ele se aproximou. — Eu não tô. Mas entenda que tudo o que faço é pensando em você. Na Pepper. Nas pessoas que precisa de gente como nós. Quero nos proteger do que tem lá fora. Você mais do que ninguém deveria entender Sofya. É a prova viva de que nosso mundo é bem maior do que podemos nem sequer imaginar.

Franzi o cenho, pensando no que ele disse. Meu pai sabe que eu também desejo uma solução para os nossos problemas, para o meu problema e não nego que é atraente a ideia de que algo possa lutar contra essa ameaça que ronda nossas cabeças, como uma nuvem negra. Mas eu bem sei que o caminho para a vitória não é através da mentira. A mentira não nos leva a lugar nenhum.

Nem o medo.

— Eu sei e te entendo, mas não é assim que funciona, Tony.

— Prometi estar do seu lado. Protegê-las. — continuou teimosamente.

— E como já disse, eu acredito e confio em você, pai. — fui categórica, assentindo com a cabeça e pressionando os lábios. E mesmo expressando confiança, por dentro meu coração acelerava. Eu não sabia o porquê, mas estava tendo um pressentimento ruim. E a minha intuição nunca errou. Bom, na verdade ela errou uma vezinha, porém isso é outra história. — Mas entenda que nem sempre você vai conseguir e por mim tudo bem, não será a sua culpa. Não aprendeu nada com a última vez? — falei em um tom cansado.

Nós nos olhamos e eu acho que quase consegui convencê-lo, mas o Stark é o cabeça-dura mais chato da terra, e apenas por isso que ele negou, afastando-se de mim. Expirei e rolei os olhos.

— Alguns erros não vão me impedir de tentar. Ficar preso ao passado também não vai me levar pra frente.

— Cacete, como você é teimoso. — bufei, sem conseguir manter a merda daquela coisa zen.

— Você não acha que tá com a boca muito suja não?

— Tony! — chamei sua atenção e meu pai voltou e apertou os meus ombros, olhando no fundo dos meus olhos.

— Nós vamos resolver isso. — afirmou e eu inclinei a cabeça para o lado.

Eu sei o que fazer com um Anthony Stark tão renitente.

Minha maior vontade era de dizer muitas coisas à ele. Gostaria de brigar pelo que fez, contudo, como já disse antes, estou muito cansada de tantas discussões. Os últimos dias já tinham sido o bastante e eu não quero estar brigada com mais uma pessoa importante pra mim.

Também reconheço que o Stark também já teve que ouvir o suficiente, nas últimas horas. Embora eu tenha que lembrar a mim mesma de todos os momentos em que meu pai apoiou-me, das vezes que me abraçou quando precisei de um aconchego e, principalmente, da vez que me perdoou quando eu precisava de uma redenção para mim mesma.

— Eu só quero que pare de mentir para si mesmo. — pedi logo depois. — Você afirmou não estar preso ao passado, mas foi o seu medo pelo que aconteceu naquele dia que te levou a fazer o que fez. Então apenas o deixe ir. O que quer que vier, lutaremos.

— Juntos? — zombou.

— Isso foi bem dramático mesmo. — concordei, evitando um sorriso. — Mas sim, juntos.

— Certo. — meu pai assentiu antes se afastar. — Então se vamos lutar juntos é melhor vocês conversarem e pararem com essa briguinha tosca — encarei o Stark com a boca aberta. Eu tinha certeza que estava enganando bem sobre o meu incômodo. Pensei. — Você não é a única que repara nas coisas. — sua expressão foi quase triunfante.

— Quê?

— Você e Steve.

Ignorei o fato dele ter reparado no climazinho chato entre mim e Steve, focando no que me deixava mais curiosa.

— Tá, entendi, mas desde quando você se importa com meu relacionamento com Steve? — cruzei os braços e repuxei o canto dos lábios.

— Não me importo, mas já é difícil aguentar vocês bem. Brigados então… ninguém tem que aturar os dois cheios de trocas de olhares um para o outro.

Revirei os olhos para o sorriso irritante que o Stark lançou.

— Que nem você é Bruce? — alfinetei virando de costas para sair do laboratório, fugindo de me irritar com outro comentário impertinente que o Stark fizesse.

— Hey, me respeita que sou seu pai. — reclamou alto e da porta eu lancei outro olhar, debochando dele.

— Azar o meu. — e fui embora ouvindo o riso de Tony.

Dez passos depois e eu parei no meio do corredor, longe das vistas de qualquer um, e somente então que deixei a expressão leve sumir de meu rosto, restando apenas a minha preocupação por meu pai.

Aí, Tony. O que fazer para mudar essa sua cabeça? Por que precisa estar sempre bancando o herói? Até onde você iria para proteger as pessoas?

Voltei a caminhar transtornada com a resposta incontestável que eu não precisei de muito tempo para pensar.

Tony morreria.

Sim, ele morreria para proteger a todos, e isso me deixou muito perturbada.

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Estão todos se arrumando para sair. Aconteceu de Strucker, o palhaço que fazia experimentos em humanos e que foi capturado durante a invasão a base de Sokovia, ter sido morto. Isso nos levou a fazer outra reunião e logo foi deduzido o próximo paradeiro do robô maluco, como também o seu seguinte grandioso passo.

Uma dica: começa com Vi e termina com branium. Até onde sabíamos, Ultron planejava criar uma armadura muito poderosa e isso nós não podemos deixar acontecer. Nenhum pouco animador, não é mesmo?

E este é o motivo da sala daquele andar estar no mais completo silêncio, já que fui a primeira a estar pronta.

Sim, eu também iria. Acredite quando digo que não foi fácil. Tony queria que eu ficasse com a doutora Cho e tivemos uma discussão onde eu saí como vencedora.

Pois é, desta vez eu não irei ficar de escanteio, então aqui estou.

Ando pelo local mexendo na luva em minha mão e então paro em frente a buraco, na qual eu caí horas atrás.

Fico olhando a cidade, deixando de pensar em tudo que virá pela frente. Esqueço do que aconteceu até agora e apenas tento ter um momento de paz, entregando-me a boa sensação da brisa soprando meu rosto e contemplando aquele belo céu azul.

Eu já disse que adoro essa cor? Me faz pensar no mar, obviamente no céu, embora o pensamento mais predominante sobre ela seja Steve.

Mas shiu, não conta nada pra ele.

— Vejo que o convenceu a ir. — falando do diabo.

Viro e encontro aqueles azuis, mas não dou um passo à frente. Não sei se Steve ainda está chateado comigo e nós não nos falamos desde… bom, quando ele me abraçou aliviado e… é, foi isso. Nosso último contato.

Eu sei, eu sei. Meu jeito de expressar faz parecer que não nos vemos a séculos, porém é assim que me sinto. Principalmente quando recapitulo aquela discussão e considero que ela poderia ter sido evitada se eu não estivesse tão decepcionada com tudo e todos.

Merda. Acabei por descontar minhas frustrações por minha mãe, Barry e Cia em Steve. E mesmo discordando com o fato dele não ter contado antes o que houve, também sei que, diferente de alguns, Steve Rogers jamais faria nada na intenção de me magoar. Eu o afastei, enquanto ele apenas quis me proteger.

Irritante? Sem dúvida alguma. Mas não um motivo ruim o bastante para afastá-lo.

— É, Tony está bravo comigo por causa disso. — dei de ombros. Steve assentiu sem comentar. Olhei para o lado e mordi meu lábio inferior. — Agora vocês dois tem mais um motivo para aquelas conversinhas às escondidas: Sofya é irritante e completamente birrenta quando algo não sai, ou é da forma que ela quer. — não consigo prender a língua.

Ótimo, Sofya. Nem tentar conversar tentou, mas na primeira oportunidade que tem o que você faz? Provoca ele! Muito bem! Muito bem.

— Não estou bravo. — Steve cruzou os braços e em seguida arranhou a garganta, fazendo-me desviar o olhar de seus músculos um tanto encabulada. — E muito menos fico falando de você pela costa, mas eu sei sobre o que está dizendo e antes que possa me acusar de mentir. Tony e eu tivemos uma única conversa sobre. Na noite que nos contou sobre a Corte.

— Me sinto melhor, obrigada. — fui sarcástica. — Vocês dois combinam, sabia?

Steve suspirou e massageou a ponte do nariz. Como se eu tivesse exagerando ou coisa assim! Eu estava, mas ainda sim fiquei muito puta.

— Até quando ficaremos dando voltas e mais voltas sem nos resolver? Você não fala o que sente, mas fica nervosa por algum motivo que eu não entendo. E quando tento melhorar as coisas, acabo te irritando. Quer ficar nisso pra sempre, ou vai me contar o que está havendo para podermos conversar realmente?

— A segunda opção. — fui chata e profundamente orgulhosa, admito.

— Sofya. — suspirou cansado.

— Eu sei, Steve. Eu sei. — também suspirei.

Seu tom, o sermão — pra quem tava dando um em Tony antes, até que eu tô bem sem moral — e seu olhar de cachorrinho fez eu me bater mentalmente. Claro que o orgulho me corroeu por dentro por ter que admitir que eu estava, em partes, errada. Porém, decidi parar com aquela palhaçada e finalmente baixei a guarda, principalmente por que Steve estava com a dele baixa a muito mais tempo que eu.

— Eu… só quero que você pare com esse jeito de tentar me proteger.

— Está brava porque tento te proteger? — perguntou surpreso e isso me fez bufar.

— Não. Estou brava por que parece que não confia em mim para cuidar de mim mesma, e poxa Steve, cuidei de mim por um ano. — dou alguns passos na direção dele. — Daquele jeitinho fuleiro, mas me cuidei. — mexi em meus cabelos, chateada. — Me faz parecer que não sou capaz e eu não aceito me sentir assim.

O homem ficou em silêncio e eu não soube dizer com exatidão o que ele pensava, mesmo através de sua expressão, mas também não fiz questão de tentar. Eu queria que ele me dissesse, assim como eu disse.

— Eu não… — Steve engoliu. — Eu nunca pensei que você fosse incapaz de algo. — ele olhou para o nada por alguns instantes. — Por Deus… — suspirou. — Meu Deus Sofya. — balançou a cabeça. — Eu sempre te achei uma das pessoas mais forte que conheci. — se aproximou. — De onde tirou isso?

— Suas ações, seu jeito. Sempre tentando me proteger como se eu não fosse capaz.

— Não a protejo por pensar ser incapaz, protejo por amá-la. — falou incrédulo, então levantou a mão e tocou meu rosto e eu me senti inclinada a beija-lo e esquecer todo aquele assunto. Céus, eu queria muito fazer isso, no entanto, tive que admitir a mim mesma que não poderia fugir para sempre. E aquele era o momento de parar de brigar. — Por que não me disse isso antes?

— Eu… sei lá. — dei de ombros, desviando o olhar. — Pensei que podia ignorar isso, que podia seguir e continuar, mas não dá Steve. — o olhei mais uma vez. — Penso que se vamos ser um casal, quero que sejamos iguais.

— E eu não esperaria menos. — refutou. — Mas devemos concordar que você precisa me falar quando eu fizer algo errado. Eu nem sempre vou entender, Sofya. Converse comigo. Não me afaste como estava fazendo.

— Desculpa por isso. — pedi com um sorriso amarelo. — Estava muito brava e não queria mais brigar. — lembrei do episódio no open bar.

Ele acenou em concordância, mas segundos depois voltou a tocar no assunto:

— Não pareceu brava conversando com o rapaz no bar. — lembrou-me, erguendo as sobrancelhas.

Encolhi os ombros, sorrindo brevemente ao lembrar dos momentos calmos e engraçados, antes do desastre que se seguiu.

— Isso porque Jack é muito engraçado. Você precisav… — parei de falar quando notei uma expressão estranha passar pelo seu rosto. — Pera aí, o que foi?

— Nada.

Eu não acreditei naquele nada e, por isso, pesei suas últimas palavras tentando entendê-lo. Uma constatação logo me atingiu e eu ri, finalmente entendendo aonde Steve queria chegar com aquele papo de “o rapaz do bar”

— Tá com ciúmes? — ele permaneceu em silêncio, mas o cenho franzido e o olhar semicerrado disse tudo. — Você tá com ciúmes. — dei risada, achando a situação absurda.

— Só comentei o fato de você dizer que ia falar com Tony, sendo que passou todo aquele tempo conversando com ele.

— Steve… — tentei prender o riso que insistia em sair. — Primeiro, eu amo você, mesmo sendo uma Idiota de vez em quando. Segundo, nem precisa se preocupar com o Jack. Ele deu a entender um milhão de vezes que é mais fácil você conseguir algo com ele do que eu. — dei outro risinho e assisti o homem arregalar os olhos, totalmente boquiaberto com a informação. — Pois é lindo, eu disse que você chamava a atenção. — não consegui deixar de provocá-lo. Seu rosto ficou envergonhado e eu babei um pouco no meu namorado. Que obra divina! — Aliás, eu super apoio se você quiser o contato del…

— Sofya. — resmungou, me olhando torto. Eu ri mais ainda.

— Desculpa, desculpa. Eu não consegui aguentar. — admiti ao me aproximar. Passei meus braços por sua cintura e Steve me abraçou. — Foi mal por te afastar. Sei que fui uma chata esses tempos e vou tentar melhorar. Prometo. — Steve me olhou desconfiado. — É sério, tô falando muito sério mesmo. — olhei no fundo dos seus olhos e observei ele assentir.

— Você é forte e eu nunca quis fazê-la pensar diferente disso. — ele disse preocupado. — Nunca, Sofya.

— Eu sei, eu sei. — voltei a encostar minha cabeça em seu peito, suspirando profundamente. — Será que estamos fazendo certo?

O homem ficou em silêncio. E eu cheguei a pensar que o mesmo não havia entendido o meu questionamento, mas senti Steve me afastar e tomar o meu rosto com as ambas as mãos para olhar-me fixamente.

— Sinto que vamos errar muito ainda. — disse me encarando com o cenho franzido. — Mas sim. — assentiu. — Acredito que estamos fazendo certo.

— Às vezes fico insegura sobre a gente. — admiti timidamente.

— Porquê? — um vinco se formou entre suas sobrancelhas.

— Por que… — enrolei um pouquinho, sentindo meu rosto esquentar. — Nunca gostei tanto de alguém antes, então me preocupar com as consequências do que fazia não era uma prioridade. E agora… — suspirei. — Eu vivo pensando no dia em que um dos meus surtos fará você ir.

No mesmo instante que eu disse aquelas palavras, eu me arrependi. Tive a mesma sensação de quando eu estava numa semelhante situação, com Tony, tempos atrás. A única diferença é que Steve não tem o mesmo sangue que eu. O que, aliás é muito bom, vale destacar. Steve me encarou por alguns segundos.

— Sofya. — finalmente se pronunciou, me fazendo respirar. — Você é uma montanha-russa.

Opa! Franzi o cenho e o olhei quase aborrecida. Eu aqui falando de minhas inseguranças e ele me julgando?

— Era para ser um elogio?

— É um elogio.

— Jura? — sorri irônica. — Não parece. — cruzei os braços e ele riu.

— Viu? — me apontou com um sorriso.

— O quê?

— Posso falar?

— Tá, continua aí… — acenei com a mão. — … a me caluniar.

Steve balançou a cabeça rindo, mas continuou:

— Como eu dizia: você é uma montanha-russa. — disse e eu murmurei um “uhum” que foi repreendido pelo seu olhar. — Você consegue ser engraçada, irritante… — Steve sorriu mais uma vez quando me viu fazer uma careta. Hoje era dia de citar meus defeitos? Sabia que ele não havia me desculpado. Onde já se viu! Eu dizer isso é uma coisa, agora ele… — Calma, nervosa, tímida, confiante, feliz, triste. Tudo isso em uma porção de segundo e sem deixar de ser você mesma. — tá, agora eu vejo algum benefício. Um bem pequenininho, menor que o sorriso que nascia em meu rosto. — E foi assim que me conquistou, somente pelo jeito que é. Lembra quando falei que nós lidaríamos com o viesse depois, então.

Tentei esconder meu sorriso, mas ele já se encontrava perdido em meu rosto. Sou uma idiota mesmo.

— Eu te conquistei é? — brinquei sorrindo.

— Tem alguma dúvida?

— Nenhuma. — sorri, voltando a colar meu corpo no dele.

O homem também sorriu e inclinou-se para me beijar bem no momento exato que alguém coçou a garganta altamente.

Filho da mãe!

— Sinto atrapalhar os pombinhos… — Clint estava com um sorrisinho no rosto. — Mas o jato está pronto.

O jato está pronto, íamos sair. Íamos lutar contra Ultron. Senti-me ficar ansiosa pelo que viria e isso fez eu me afastar de Steve. Aquele breve momento de paz sendo deixado para trás.

— Estamos indo. — o homem avisou e o gavião se foi assobiando. Em seguida, ele virou-se para mim, talvez notando o nervosismo encoberto. — Pronta?

Traguei uma forte lufada de ar e acenei:

— Sim, estou.

Notas finais
Gente, quero lembrar que a proteção do Steve em nada tem haver com o fato de Sofya ser mulher — até porque, no tempo dele temos uma Carter para representar geral — ou coisa do tipo. Ele não percebeu que aquilo incomodava a garota, um bocózinho. Sofya também não falou antes o que a incomodava e Steve não pôde mudar sobre isso, já que — novamente! — não sabia. Ninguém tem bola de cristal, né? Agora Steve vai ter que aprender a dar mais espaço para a garota, assim como Sofya têm que aprender — esperamos! — a compartilhar seus incômodos e preocupações. E assim os dois vão aprendendo a lidar com suas diferenças, mas conversando! Sem diálogo nada vai para frente e a nossa Stark adora tirar uma conclusão por si mesma, kjkj. Vamos ver no que vai dar. PS: Estou tendo grandes problemas para escrever. Um desânimo enorme, insegurança e um desgosto por cada palavra que ponho no papel. Seríssimo! Então desculpa se os capítulos não estão tão bons. — pois as minhas expectativas sobre eles esta bem baixa e eu me sinto horrível admitindo isso, mas é como eu tenho me sentido — Mas, calma, não vou parar. Vocês precisam saber que eu não vou parar, — prometi jamais desistir dessa fic e ao contrário da Sofya, promessa pra mim é dívida! — e me perdoem se as coisas não saírem tão boas. PSS: Obrigado a todos que tem comentado. Vocês não sabem, mas cada comentário é uma pedaço do céu pra mim, me incentiva muito, muito, muito, muito, kkkkk. Por causa disso e mais um pouco, um enorme OBRIGADO mesmo. ❤️ Até a próxima. Beijos seus lindos. SaahAlyne.