Há algo no jeito que você
Sempre olha pro lado positivo
Ignora toda a bagunça esparramada
Sempre parecendo que isso é fácil
E ainda assim você, ainda assim você me quer
Imagine Dragons — Next To Me

Pousei navio com menos prática do que gostaria. Thor com Clint veio logo depois, seguido do meu pai, Natasha e Steve. Estávamos na costa da africana, mais especificamente, no navio de Ulysses Klaue, onde o Vibranium roubado de Wakanda estava. Ultron sem dúvidas buscaria por ele.

Para ser honesta, gostaria que estivéssemos aqui para passeio. Sei que a África tem umas das praias mais bonitas, mas infelizmente, esse não é o caso.

Entramos silenciosamente no local e nos separamos. Clint, Natasha e eu seguimos por um lado, enquanto Steve, Tony e Thor foram por outro.

— Traje maneiro. — murmurei para Romanoff, enquanto andávamos atentos a qualquer sinal de ataques.

Podiamos até mesmo ouvir os nossos pés baterem no chão de metal, mesmo com a tentativa de manter silêncio.

— Tony quem fez.

— Aquele traidor. — fiz muxoxo, dando uma breve olhada no meu simples uniforme.

— Você sabe… — ela disse, lançando-me um olhar. — Ele não gosta de você aqui, no meio do fogo cruzado.

Não respondo. Não sei o que dizer ou fazer a respeito do que ela disse. Tony é um caso perdido para mim. E eu sou um para ele.

Encontramos Ultron, depois das caldeiras. Iremos iniciar abordagem. — Steve avisa através do comunicador.

A ruiva e eu encaramos uma a outra, então nos unimos a Clint, seguindo na mesma direção que os três heróis haviam tomado antes. Chegamos ao local indicado e ficamos um piso abaixo de onde uma discussão acalorada ocorria. O de sempre, sabe? Tony soltando umas piadinhas. Ultron imitando as piadinhas do meu pai e os gêmeos Maximoff, com os seus sotaques, destilando raiva e rancor pelo que um dia aconteceu a eles.

— Eu sei que sofreram… — Steve é interrompido pelo robô psicótico.

— Ah! Capitão América, o homem santificado, fingindo que consegue viver sem uma guerra. Olha, eu não consigo vomitar, infelizmente, mas…

— Se você acredita em paz, deixe-nos mantê-la. — a voz firme de Thor se propagou.

— Acho que está confundindo paz com silêncio.

— Aham, pra que quer o vibranium? — reconheço a voz do meu pai.

— Que bom que você perguntou, por que eu queria mesmo esse tempo para explicar o meu plano maligno. — então o som de luta nos deixou ainda mais atentos, preparei-me para seguir naquela direção, quando passos foram ouvidos.

Destravei a minha arma. Homens armados desceram por uma escada à minha esquerda, correndo e atirando na gente. Natasha, na minha frente, também revidou e foi para cima deles. Segui o seu exemplo, derrubando a linha de frente.

Encostei-me na parede, dando tempo para a mulher tomar um espaço ao meu lado, então peguei outro pente e carreguei a arma.

— Uma coisa a gente não pode negar. — comentei, chamando a atenção dela por um curto instante. — O robô puxou o péssimo senso de humor do Tony. — sorrimos em meio o momento de tensão, antes de partir para cima dos idiotas que pensavam que podiam nos matar.

Atirei no primeiro que vi e isso deu tempo para outro idiota vir para cima de mim. Ele bateu o cabo da sua AK na minha mão, o que me fez soltar a arma por causa do impacto. Agarrei a ponta do rifle que ele carregava e o forcei para o lado, bem a tempo dele apertar o gatilho, depois, o desarmei e bati o meu cotovelo contra a sua garganta.

O homem ofegou e agarrei sua cabeça e bati contra o ferro, em seguida, pude recuperar a minha arma, atirando em outro palhaço que se preparava para atacar Romanoff.

Ela me olhou agradecendo, soltando o corpo desacordado de outro idiota sem nome.

— Você também. — a sua voz soou ofegante.

— O quê?

— Puxou o humor do Stark.

— O que?! — franzi o cenho e corri na direção de dois caras. Pulei contra a parede, ganhei impulso e girei, chutando o rosto do primeiro, que caiu desmaiado. — Eu sou muito mais engraçada! — gritei, evitando o punho do segundo brutamonte, que se encontrava desarmado.

Logo, uma sequência de socos e chutes foi iniciada entre nós.

— Tony diria o mesmo. — gritou de volta.

Ele atingiu-me e me prensou contra a parede com um sorriso nojento. Fiz uma careta e chutei, com o joelho, as suas partes baixas. Ele afastou-se com uma expressão sofredora e eu sorri com satisfação. Cretino. Dei um soco no seu estômago, bati na sua perna e quando ele caiu de joelhos, eu bati o cabo da minha arma contra a sua cabeça.

Afastei-me e agarrei num cabo de aço, inclinando o meu corpo e lançando-me contra um distraído. Thor deu um alerta:

A garota tentou invadir minha mente, tenham cuidado. Duvido que um humano consiga evitá-la. — enruguei o nariz.

— Por que ele tem que ser tão arrogante?

Romanoff não teve tempo de me responder. Foi tudo muito rápido. Como um fantasma, Pietro Maximoff surgiu e derrubou-me no chão. Ergui o olhar nem um pouco impressionada. Eu tinha um amigo assim, ligeiro.

— Natasha, cuidado! — exclamei, tentando avisar a mulher dos irmãos, mas ela também já tinha sido pega de surpresa e jogada para longe. O seu corpo inerte caiu no chão.

Voltei-me para os Maximoff, que pararam a minha frente.

Eles não eram nada parecidos, apesar do parentesco, e tinham uma aparência atraente. Eram tão jovens como eu. O garoto, a esquerda, era loiro, não um loiro escuro como o de Steve, mas platinado… melhor dizendo, branco. Já a garota, a direita dele, era ruiva. No entanto, apesar de toda a beleza dos Maximoff, permaneci desconfiada com a presença deles, Thor tinha avisado sobre jutsu de ilusão que ela gostava de mandar nas pessoas. Eles também não gostavam do meu pai, portanto, não gostavam de ninguém relacionado a ele. E bom… os olhares repletos de fúria dizia, e muito, que eles não foram ali apenas para bater um papinho.

— Vocês quase me assustaram. — abri um sorriso falso. — Mas deveriam treinar mais a cara de mal, não foram muito convincentes. Só uma dica.

— Pelo humor sem graça, posso adivinhar que seja a filha do Stark. — o loirinho desdenhou, aquele sotaque forte presente na sua fala.

— E pelo desprezo, posso adivinhar que fizeram a lição de casa. — debocho, puxando bem o R numa tentativa de imitar o seu jeito de falar. — Sabiam que guardar rancor faz mal para o coração? Perdoar é bom. Traz paz, harmonia…

— Você fala demais. — a garota ruiva me cortou, erguendo as mãos e movimentando-as. Também ergui a minha, bem a tempo em que uma espécie de nuvem vermelha atravessou todo o espaço que nos separava, até atingir a parede invisível de proteção diante de mim.

— Sem conversa? Okay. Mas deixa só eu avisar: não fizeram toda a lição de casa. — abri um sorriso provocativo, mesmo sabendo que não controlava minhas habilidades bem o suficiente a ponto de ser arrogante.

O que posso fazer? É mais forte do que eu.

Assisti à ruiva encarar-me surpresa, mas havia algo há mais em sua face. Raiva. E esse sentimento pareceu um combustível, pois, fez o seu seguinte ataque ser muito mais poderoso.

Wanda Maximoff lançou uma forte rajada de poder sobre mim. Poder esse que, dessa vez, não consegui impedir.

Tentei me proteger e criei um campo de proteção ao meu redor, mas voei para trás, caindo em meio a ferragens.

Qual o problema de cair num chão limpo e sem peças perigosas? Inferno!

Soltei um suspiro dolorido. Vamos concordar que até ontem eu mantinha os poderes muito bem reprimidos, — eu ainda o fazia, mesmo aqui, mesmo sem querer fazer — então não me culpem pela falta de jeito, okay? Eu já o faço.

Ergui-me o mais rápido que pude, mas algo me levou ao chão novamente, me fazendo bater a cabeça no processo. Meu ouvido zuniu e eu praguejei. Desgraçado. O ligeirinho parou a minha frente com um sorrisinho triunfante e tentei lhe dar uma rasteira. Algo inútil, pois o metido a Barry Allen desviou e parou do meu outro lado, com a mesma expressão irritante no rosto.

Fiquei muito puta. Com raiva do mesmo, me concentrei e senti quando ele tentou se mover, outra vez. Mas agora ele estava preso por amarras invisíveis que eu mesma criei. Sua expressão feliz se apagou, o que me fez erguer as sobrancelhas.

— Vai se ferrar. — com um forte impulso da minha mão, eu o lancei pelo ar e ele caiu a metros dali.

Em seguida, virei para procurar pela outra gêmea do mal, e tive reflexo para impedir a sua mão no ar, próximo a minha cabeça.

— Desculpe, querida, mas não vai mexer com a minha cabeça. — encarei ela que me olhou com o cenho franzido.

Momentos depois e tudo ao meu redor desapareceu.

Minha vista apagou e então eu estava envolvida pela mais completa escuridão. Meus olhos abertos não conseguiam ver nada e isso me deixou um tanto preocupada.

Senti algo me empurrar e o meu corpo oscilou, antes de cair em direção ao desconhecido. Abri os lábios para gritar, mas nenhum som saiu da minha boca. Atingi o chão com a respiração pesada e os batimentos cardíacos acelerados. Balancei a cabeça para desanuviar aquela confusão, buscando entender o que estava acontecendo.

Que merda é essa? Pensei, piscando os olhos sem conseguir enxergar um palmo à minha frente. Andei de um lado para o outro, mas bati em paredes sem portas. Eu estava presa dentro uma espécie de sala escura, e não sabia se havia formas de sair.

A partir daí que comecei a respirar com dificuldade, devido à aflição. Nunca gostei do escuro, muito menos de lugares fechados. Andei em círculos, de um lado ao outro, parando quando não consegui mais levar ar aos meus pulmões.

Agachei e iniciei o meu treino de respiração, quando uma voz foi ouvida:

— Você sempre foi muito fácil de quebrar.

Assustei-me, erguendo o rosto, mas enxergando apenas a mais profunda escuridão me cercar.

— Quem está aí? — virei-me, sentindo algo passar ao meu lado.

— Sempre foi insegura.

— Quem. Está. Aí? — fui mais firme, ignorando o que dizia.

— Duvidando de si mesma.

Pressionei os olhos firmemente, não querendo estar com eles abertos se não enxergava nada, então me questionei. O que está acontecendo? Primeiro, eu estava com… Wanda Maximoff. Seu nome piscou como uma lâmpada na minha cabeça. A filha da mãe estava mexendo com a minha mente.

Isso não é real.

Respira.

Inspira.

Vai ficar tudo bem. Disse a mim mesma, tentando ser firme.

— Não, Sofya, não vai ficar tudo bem, não com os problemas que carrega. Acha mesmo que ao ignorá-los eles irão desaparecer? Você sabe que não. Eu sei. Como pode gostar tanto de se enganar? — a sua risada fez eco dentro daquele lugar soturno.

— Quem é você?! — bradei, virando com impaciência, abrindo os olhos e finalmente notando uma forma se iluminar naquela escuridão.

— Ora, Sofya, olhe-me com mais atenção e verá. — eu não queria dar crédito a uma ilusão. Não queria que o quer que eu visse, tivesse poder sobre mim, mas não consegui controlar as minhas ações e semicerrei os olhos para enxergá-la. — Eu sou você. — fiquei sem palavras. — Agora… que tal conversarmos sobre essa insistência em mentir para si mesma?

Não respondo, pois, sei que não é real. Ao contrário, observo ao redor, reparando que não estava mais na sala escura, mas sim, na mansão de Malibu. A antiga versão dela, antes do bombardeio que a destruiu.

Ando pelo Hall de entrada, caminhando em direção a sala. Reconheço os imóveis, os enfeites, mas algo me leva até um aparador colado a parede. Minhas mãos, automaticamente, seguem em direção ao porta-retrato. Nele, continha uma foto de Tony e Pepper, em uma simples comemoração, de um dos aniversários do meu pai. Eu me lembrava daquele dia. Foi quando o presenteei com a camiseta estampada dele dentro de uma lata de sardinha.

Lembro até hoje da sua risada ao ver sua imagem na camisa. De Pepper brigando com a gente quando começamos a nos provocar.

No entanto, tinha algo faltando naquela imagem.

Eu.

Franzi o cenho, por que lembro nitidamente de estar nesta foto em questão, junto deles.

— É isso que vai acontecer. — o meu lado negro da força, murmurou.

— O que vai acontecer? — a olhei, cansada de tudo aquilo.

— Eles vão esquecê-la, como tanto teme, por que você é esquecível, Sofya. Ninguém se importa com você.

Neguei com um manear e dei as costas para o local. Ignorando, mais uma vez, o que me disse. Ela — ou eu? — seguiu-me e continuou ao meu lado, acompanhando-me para fora da mansão.

Isso não é real.

— É só aceitar, Sofya. Apenas aceite o inevitável.

— Tem como você parar?! — perdi a paciência, virando-me para ela, pronta para tirar aquele sorriso debochado da sua boca.

Como nunca reparei nesse meu rostinho presunçoso? Ele é um porre! Coisa chata.

— Não. — respondeu-me, sorrindo provocativa. Inferno, como sou irritante! Tudo bem. Isso não é real, não é real. — Vou te mostrar o quão real posso ser, Sofya.

E então eu já não estava do lado de fora da mansão. O cenário tinha mudado.

Estávamos paradas no meio do corredor do antigo prédio que Steve morou, em Washington.

Eu não entendi o que estava fazendo ali.

Que lindo, isso é tão legal. — Sharon Carter, uma ex-agente da SHIELD, que se fingia de enfermeira a mando de Nick Fury, saiu pela porta do seu apartamento com uma cesta de roupas nas mãos, o que não me deixou surpresa. Ela vivia assim, toda falsa. Steve se situava dois apartamentos após o dela, frente a frente com a porta do seu. — Oi. — Sharon sorriu para Steve e ele retribuiu, me deixando muito incomodada. — Ah, eu tenho que ir. — disse ao telefone e pausou. — Tá bem, tchau. — desligou o telefone e então o olhou. — Minha tia… — deu de ombros. — Sofre de insônia. — arregalei os olhos quando reconheci aquele momento.

— Espera… eu estava aí! — exclamei contrariada, mas o meu escândalo não os interrompeu, muito pelo contrário. Steve e a Carter não pareciam ter noção da minha presença.

Era como se eu nunca tivesse estado lá. A outra eu riu, observando minha face tomar um tom avermelhado pela raiva, enquanto via-me assistir à interação entre Steve e Sharon Carter, sem poder fazer nada.

— Ve? Você não teria feito diferença na vida deles e poderia até mesmo desaparecer. — deu de ombros, falando com acidez.— Eles ao menos sentiriam a sua falta, vamos… pra que mentir pra mim? Eu sei o que acontece dentro de você, querida, e mesmo que tente evitar, sabemos que a sua linha de chegada termina assim. Você e você. Sozinha, como sempre foi.

— Cala a boca. — empurrei o seu ombro, sentindo uma pressão no meu.

— Não dá. É mais forte do que eu. — ela riu. — É divertido assistir você tentar ter essa vida, tentar ser essa pessoa forte que, convenhamos, você não é. Fraca, idiota, nem mesmo a mamãezinha a quer. — provocou, e esse foi o estopim para que eu pulasse em cima dela. O meu punho foi certeiro no seu rosto.

Ela se desintegrou, enquanto eu sentia o impacto na minha bochecha. O sabor metálico invadiu o meu paladar.

Então um par de mãos me segurava firmemente, enquanto o frio do aço ultrapassava as camadas da minha roupa.

Vi Steve em minha frente.

— Sofya. — me chamava. Isso é real? — Sofya. — segurou meu rosto, cuidadosamente.

— Steve…? — puxei os meus cabelos, muito perdida.

— Sim, sou eu. Wanda entrou nas nossas mentes. O que você viu... foi tudo uma ilusão.

Nao foi apenas uma ilusão. Pensei. Foi o medo que costumo manter oculto. Abaixei a cabeça entre os joelhos, fechei os olhos e iniciei o processo de respiração.

Passaram-se poucos minutos, e no decorrer deles eu ouvi a voz de Clint mais adiante, também ouvi Steve murmurar que não era real. Depois, ele me ajudou a erguer-me do chão, enquanto eu tentava me libertar daquela ilusão filha da puta.

— Temos que ir. — assenti desnorteada e o segui em direção a saída do navio.

Lá fora, o Quinjet planava, esperando-nos no ar.

Entrei reparando na figura cabisbaixa de Bruce encolhida em um canto. Ele vestia apenas um moletom e eu não precisei de muito para deduzir que o Hulk havia acontecido.

Tony e Clint, os únicos que pareciam menos afetados com tudo isso, seguiram até o controle, enquanto eu sentava, calada e afastada de todos. Os outros também permaneceram em silêncio e eu considerei k quão ferrados estamos.

Perdemos o Vibranium, assim como Ultron. Não temos pistas de seus seguintes passos. Não podemos fazer nada, principalmente, porque Wanda Maximoff havia fodido com nossa mente.

Me senti mal.

— Você sempre foi muito fácil de quebrar.

Balancei a cabeça e pressionei os meus lábios em uma linha fina, desejando esquecer, tentando não dar crédito ao que vi.

Tão cabisbaixa quanto todos os outros, eu observei a porta traseira do Quinjet fechar, enquanto a nave levantava voo e nós levava para longe dali.

Momentos depois, Tony avisou de Mari na linha, que falou da situação de Banner, o que parece ter sido mais sério do que previ. Ela aconselhou a nos esconder, desagradando Tony que não pode retrucar, somente aceitar.

Não havia muito mais o que fazer.

Após a ligação, eu levantei. Não aguentava ficar parada. Isso significava que eu teria tempo para pensar e eu não queria pensar, por isso, tratei de me movimentar.

Minha primeira ação foi procurar algo pro Banner vestir. Meu pai não tinha encontrado nenhuma camiseta para o mesmo, — e não foi novidade pra mim. Pepper sempre reclama da mania de Tony em não procurar as coisas direito. — e eu tinha certeza de que Mari tinha falado pra alguém pôr roupas extras para todos. Comentei isso com Steve e ele disponibilizou-se para ajudar, tão sedento por uma distração quanto eu.

Logo, iniciamos uma pequena busca no jato.

Estava mexendo em alguns armários minúsculos, quando ele parou ao meu lado.

— Eu não achei nada no outro lado. Encontrou alguma coisa? — perguntou.

— Ainda n… achei. — disse, tocando o tecido macio. — Acho que dá. — dei um sorriso fraco, penso que mais pareceu um careta. Separei uma peça, entregando-a para Steve

— Quer água? — perguntei, indo até o frigobar e agarrando a primeira garrafa de água que encontrei.

Sua resposta foi um aceno negativo, seguido de um murmuro baixo. Concordei. Abri o lacre da garrafa e tomei um gole, esperando Steve ir, mas ele permaneceu em seu lugar.

— Tudo bem, Steve? — perguntei, porque o herói parecia esperar um empurrão para poder dizer o que quer que passava pela mente dele.

— Não, mas vou ficar. E você? Está silenciosa desde que chegamos. — ponto, meu silêncio o instigava.

— Quem não está? — disse entre um suspiro e outro, desviando meu olhar. — Ela… eu tô muito nervosa com aquela garota. Quando nós a encontrarmos, juro, vou dar um soco nela. — falei com rancor.

Steve assentiu e seus lábios ensaiaram um sorriso que não apareceu. Penso que nós dois tínhamos aquela necessidade de mostrar que estávamos bem, mesmo não estando. Mas o meu caso é diferente. Sei o porquê de minhas ações e sorrisos amarelos. Não quero preocupar ninguém com uma possível crise existencial, já Steve… bom, eu não faço a menor ideia do que a bruxa usou para perturbá-lo. E, sinceramente, não sei se que quero saber.

Estou perturbada o suficiente por mim mesma.

— Vamos achá-los. Apenas não posso garantir o soco.

— Pode deixar, eu o garanto. — eu disse, dando outro gole.

Steve me encarou com uma expressão indecifrável. Suspirei, afastando-me e lançando aquele sorrisinho.

— Você vai entregar? — o apontei. — Se não, eu posso deixar com Bruce.

— Não, tudo bem, eu levo.

— Então tá. — movi a cabeça concordando, depois, peguei uma garrafa e a entreguei ao herói. Ele ergueu as sobrancelhas. — Para o Bruce. Tem certeza que não quer?

— Tenho. — confirmou, mirando-me com outro olhar avaliativo, antes de ir.

Fitei o homem se afastar, agarrei outra garrafa e segui em direção a Romanoff. Parei, deixando a água na altura dos seus olhos. A ruiva olhou-me, embora a sua expressão dissesse que ela ainda se encontrava perdida em pensamentos.

— Sede?

— Obrigada. — disse, pegando-a da minha mão.

— Não por isso, só retribuindo um favor.

— Que favor?

Natasha não parecia realmente curiosa, mas sentei ao seu lado para falar.

— Steve me contou da conversa que tiveram sobre treinar novos Vingadores.

— E você ainda quer fazer parte disso?

Havia um pouco de amargura no seu tom de voz. Eu não sabia o que se passava na mente da mulher, mas seja o que for, a deixou muito transtornada.

Entendi a questão que Natasha jogou em mim. Contudo, apesar do que passei, do que a bruxa me fez ver… eu apenas não estava disposta a dar mais um passo atrás.

Sim, ainda tinha aquele medo irracional pelo meu futuro incerto, e talvez sempre haverá o receio por um dia estar sozinha, novamente. A insegurança pelo abandono. Mas estar junto deles, mesmo que naquele instante, era importante para mim.

Quantas vezes não cheguei a considerar a possibilidade de seguir uma vida normal? Sem heróis, sem poderes.

Mas não tem como. Estou rodeada disso, aonde quer que eu vá.

Dou um sorriso fechado. Julgo que era hora de parar de lutar contra mim mesma.

Meu lábio inferior que o diga.

— Não acho que eu seja feita para outra coisa, além disso. — digo, reparando, através da minha visão periférica, Natasha me encarar. — Mas… sim, é. — movi os ombros. — Mesmo depois de tudo, eu ainda quero. — dou de ombros.

— Isso é bem idiota. — avisou.

— Eu sei.

Eu sabia muito bem.