NEW STARK | the avengers [1] ✓
38 Treino
Cara a cara, no meio da batalha
Mantendo-se firme, mantendo-se faminto
Eles criam dificuldades até que nós saiamos à rua
Para matarmos com a habilidade de sobreviver
Survivor — Eye Of The Tiger
A preguiça decidiu me pegar justo hoje pela manhã, mas foi obrigada a me abandonar depois que eu dei a louca e decidi virar uma ninja. Tenho estado com minha rotina bem mais movimentada do que o esperado, e estou na fase de adaptação, mas acredito que tenho me acostumado ao ritmo agitado.
No decorrer desta semana eu passei a acordar às cinco, treinava, tomava banho e ia para a faculdade com o corpo aos pedaços. Após as aulas era frequente minha presença no laboratório de Banner, mostrando-se empenhado em encontrar alguma informação em meu DNA que explique os sintomas causados por meus poderes. Em todas as noites, eu passei horas e horas conversando com Steve, enquanto, na maioria das vezes eu adiantava meus trabalhos da faculdade.
Suspirei, pensar em trabalhos cansou-me mentalmente, mas nada deixa-me mais nervosa que o baile. É a primeira vez que irei a um, e o fato de Steve estar lá já me deixa mais calma a um nível sobrenatural.
Sim, tomei coragem e finalmente pude convidá-lo a ir comigo, que após uma vaga explicação sobre o baile, o herói aceitou ir. Por fora, fui uma Lady de tão calma, mas só Deus sabe o quanto eu gritei por dentro à sua resposta afirmativa.
Evitei o sorriso que ameaçou aparecer ao relembrar minha falsa reação passiva, e acabei me distraindo sendo derrubada por Hill.
Grunhi quando meu corpo reclamou pela queda.
— Distraída. — o tom de censura na voz de Mari, mostrou que ela me derrubou por causa de minha distração.
Não poderia dar um aviso?! Apesar do pensamento indignado, eu sabia que a mulher não avisaria, Maria Hill constantemente diz: em um combate corpo a cor, uma distração pode te matar. Concentração! Você precisa analisar seu componente, para estar sempre um passo à frente, precisa prever seu próximo passo.
Venho resistindo bravamente ao treinamento, e tenho notado algumas diferenças em meu corpo, como o desaparecimento das malditas dores musculares que me acompanham dia e noite, também estava muito mais disposta fisicamente e juro! Minha barriga está bem mais sequinha, resultado das abdominais que Hill obrigou-me a fazer em todos os últimos dias. Ao todo, sinto que com o tempo estarei melhor, eu até mesmo consigo evitar muitos dos ataques da ex agente!
Estou muito mais animada com meu treinamento do que inicialmente, isto eu posso afirmar. Lembro-me de como eu me arrependi de pedir que a mulher me ensinasse, lembro-me também da primeira vez que entrei nesta academia.
Sorri com a lembrança.
Seis dias atrás
—Legal — murmurei, olhando tudo ao redor, familiarizando-me com o local. Era a primeira vez que pisava os pés sobre o chão daquela sala.
Respirei fundo e encarei os olhos da mulher, que observava minha reação com um pequeno e quase imperceptível sorriso, como se um pensamento divertido lhe viesse à mente.
— Bom dia, Mari. — desejei a agente Hill, sem muito ânimo.
Ou, devo dizer, ex agente.
Melhor... atual funcionária das indústrias Stark.
Sim, sim. Pois é.
A loucura após a batalha em Washington passou em todos os jornais, e o que a antiga sede da SHIELD se tornou... bom, apenas um fantasma do que um dia aquela organização foi, depois daquela luta, a mídia focou sua total atenção nos trabalhadores da organização.
Todos aqueles dados jogados na rede... informações, antes sigilosas, agora era de domínio público.
Acho que você pode imaginar a loucura que os EUA se tornou, não é?
Fora os agentes que ficaram sem seus empregos.
Maria Hill não se isentando das consequências que as ações dela, Steve, Fury, Sam e Natasha trouxeram. A única diferença da mulher para os outros agentes é que ela tinha seus contatos, eu sendo um deles. E com uma ligação e uma reunião com Pepper, a ex agente sem surpresa alguma fora contratada.
O que nos trazia a está academia. Como um pedido feito por mim, eu oficialmente iniciei minhas aulas com a mulher que me ensinaria a lutar. Tony achou uma ótima ideia, afinal, sou filha de um super-herói, e a Hidra ainda está por aí, então... todo o cuidado é pouco.
É isso, decidi sair de meu casulo confortável, para acordar todos os dias às cinco da manhã e treinar.
Sim, você não leu errado. Todos os dias eu teria que acordar MEGA cedo.
Triste, muito triste.
— Animada Stark? — reparei a nota de sarcasmo em seu tom de voz, e semicerrei os olhos.
O meu desânimo, pelo jeito, parecia divertir a mulher.
— Estou sim. — escondi tudo que eu sentia em uma caixinha bem escondida em minha mente, e fiz minha famosa cara de paisagem. Que para alguns, poderia ser confundida com uma expressão esnobe.
Eu não me importava.
— Tudo bem. — concordou, agora sorrindo. — Vamos começar. — declarou e caminhou até o centro da sala, pisando em um colchão fino, próprio para luta. E ao se encontrar no meio, Hill me chamou com um aceno. Caminhei até ela, sentindo-me bastante confortável com minha legging preta e top da mesma cor, completando meu look academia com um tênis confortável. — Primeiro.... me ataque. — pediu com uma expressão impassível.
Ergui minhas sobrancelhas.
— Quê?
— Me ataque.
— Você quer que eu ataque uma agente treinada...
— Sim.
— Eu ainda tenho amor a minha vida, obrigado.
Maria Hill, riu.
Merda, só eu que achei essa frase estranha?
— Oras... você atacou Natasha Romanoff. — declarou a ex agente, erguendo as sombrancelhas.
Pelo visto, a fofoca corria solta pela agência hein...
— No calor do momento. — eu refutei. — Além do mais, situações desesperadas pedem medidas desesperadas. E eu nem fui assim tão justa.
— Não foi justa? — Hill pareceu curiosa por minha última fala.
Por favor! Estávamos falando da Viúva Negra, então não me importei com a curiosidade, afinal, era mais fácil dizer que a ruiva não foi justa comigo por minha falta de conhecimento em artes marciais.
— Li a mente dela. — expliquei, dando de ombros. — Sabia seus próximos movimentos antes mesmo dela fazê-los.
Hill tinha uma expressão pensativa, e eu soube que ela também já sabia sobre minhas habilidades. Ambas viramos quando ouvimos uma risada.
— Essa é a minha garota. — falou meu pai. Tony parecia muito orgulhoso do meu feito, e se antes eu estava envergonhada, agora eu ria da reação de meu pai em relação a minha sabotagem. Imagino minha infância com Tony presente... se ele tivesse me criado, teria me estragado.
Por Deus, ele é um péssimo exemplo. Sorri com o pensamento.
— Stark.
— Tony. — ele corrigiu a ex agente. — Eu gosto do meu sobrenome, mas toda essa ladainha formal às vezes me enerva.
Maria nada disse e virou-se até estar de frente a mim, ignorando a presença de Tony e voltando de onde paramos.
— Não seja tímida, sabemos que você não é.
Isso não é timidez, é medo.
Respirei fundo e assenti lentamente. Ergui os braços e fiz uma tentativa de lhe dar um soco, sendo parada e imobilizada, antes mesmo de alcançar o meio do caminho. Em um movimento a mulher me girou e usou meus próprios braços para me prender, deixando-me de olhos arregalados por não ter conseguido acompanhar. Meu coração antes calmo, acelerou rapidamente, mostrando-se assustado com a reação da mulher a minha ação.
— Isso foi rápido. — murmurei, assim que ela me soltou e eu pude olha-la nos olhos.
— Seus braços estão na posição errada...
— Levante os braços! Acima do rosto, não abaixa a guarda, garota, não abaixa.
Balancei a cabeça em concordância, livrando-me daquelas lembranças.
—... mantenha as pernas separadas, assim... — ela arrumou minha posição. — Quando você atacar, olhe nos olhos de seu oponente, esqueça seu corpo. — explicou. — Ele sempre vai olhar onde atacar antes de fazê-lo.
— Certo.
Os próximos momentos seguiram-se comigo atacando-a, e Maria sempre bloqueando qualquer tentativa, deixando-me muito frustrada. Ao final do treino eu estava suada, cansada e aliviada com o fim da tortura. Maria explicou como seria nossas aulas, começaríamos com um aquecimento, então, inicialmente ela me ensinaria defesa, para somente depois me ensinar ataque.
Ainda suada e com o corpo doendo, eu me perguntava aonde eu havia me metido.
Agora
— Droga! Foi mal. — pedi, ainda caída no chão.
— Concentração Stark.
Ela estendeu a mão e eu aceitei, voltamos ao treinamento e eu tentei tirar Steve de minha mente, focando nos próximos passos da mulher. Maria Hill sempre quer ver o quanto eu estou progredindo, então todos os dias, aos fins de suas lições nós temos um pequeno combate.
Hill me venceu diversas vezes, mas nos últimos dois combates acabamos empatando, e bom... eu quero vencer. É um desafio, e eu não sou de recusar um. Eu poderia ler sua mente, seu que desta forma eu a venceria sem qualquer dificuldade, mas não gosto disso e não o fiz. No entanto, se eu estivesse em uma luta, realmente, não relutaria em fazer. Além disso, não gosto de ter nenhuma vantagem, quero vencer a mulher por mérito.
Há! Estou parecendo o Barry.
Apesar do pensamento nostálgico, desta vez, eu não me distrai e permaneci com os olhos fixos em Hill. Fiz meu primeiro movimento e tentei atacá-la com um soco, Hill desviou, mas não fez nenhum movimento para me atacar.
Droga! Ela estava complicando as coisas.
Ficamos em posição, olhando uma a outra, Maria então me atacou, dei um pulo para trás e ela veio para cima, e deixei a surpresa pelo ataque de lado para rebater. Em mais uma tentativa de atingi-la, Maria acabou interceptando meu punho e prendeu-me, com os braços ao redor de meu pescoço, como da primeira vez que lutamos. Respirei fundo e não me deixei vencer, bati meu cotovelo contra seu abdômen, forte o suficiente para afrouxar seu aperto, e joguei minha cabeça para trás, atingindo alguma parte de seu rosto. Contando com a distração da mulher com suas dores, eu me desvencilhei de suas mãos e girei seu braço, imobilizando-a.
Sorri vitoriosa, mas tarde demais vi quando ela se jogou contra mim, ainda de costas e com rapidez me lançou contra o chão. Eu pisquei e encontrei-me caída.
— Qual é! — exclamei indignada.
— Muito bem.
Droga!
— Muito bem? Fui derrotada... de novo.
A mulher riu e maneou a cabeça saindo de seu lugar, indo buscar suas coisas.
— Você aprende rápido, Stark. — foi o que ela falou. — Ninguém com um treinamento básico como o seu deveria ao menos conseguir me imobilizar. — Hill olhou em meus olhos. — Nick via talento em você, um dos motivos para que ele te quisesse na SHIELD.
Pensei sobre o que a mulher disse, e realmente, eu estou treinando por alguns dias e posso ver o quanto a ex agente se surpreendia com minha rapidez em aprender.
— É, eu sou demais! — sorri convencida, ainda que o fato de eu ter sido elogiada não mudar meu anseio pela vitória.
Maria Hill ainda iria trabalhar, então depois de se arrepender em me elogiar, ela foi se arrumar e eu também. Peguei o elevador até meu andar e corri para meu quarto, indo direto para debaixo do chuveiro livrando-me do suor que a esta altura me incomodava.
Após tomar banho e colocar uma roupa simples, pude então deitar em minha cama para dar uma mexida em meu celular. Ele tocou antes que eu tivesse a chance de abrir algum jogo qualquer.
— Bom dia, flor do dia!
— Acordou animada. — constatei ao ver que ainda era oito da manhã.
— Você é tão distraída, Sofy! Vou relembrar o porquê de minha felicidade. Baile!!
Baile... baile... sábado!
— É mesmo.
— Animação em alta, hein.
— Nem imagina. — ri e me levantei, abrindo o closet e olhando o bendito vestido protegido pelo plástico. — Minha madrasta está mais animada que eu.
Não disse uma mentira, Pepper está mesmo muito animada para o meu baile, mas isso não significa que eu não tenha expectativas sobre este baile. Não o baile em si, mas valia.
— Sua madrasta sabe como aproveitar a vida.
Revirei meus olhos com o comentário.
— Tá! — Lúcia gritou próximo ao auto falante, fazendo-me afastar o aparelho do ouvido. — Minha cabeleireira chegou!
O evento começaria às oito da noite, mas Lúcia faz questão de se arrumar doze horas antes. Evitei rir e concordei, desligamos o telefone quando ela começou a tagarelar sobre não esquecer o horário do baile. Respirei fundo e me ajeitei em minha cama, deixei o celular de lado e olhei para o teto nervosa, o pensamento de que algo daria errado deixando-me ansiosa.
Nada vai dar errado. Falei a mim mesma. Quais a chances de a festa acabar mal?
Hesitei em responder minha própria indagação.
Droga, eu sou uma Stark, então há sim altas chances de acabar mal. Balancei a cabeça, como se o pensamento fosse pular para fora da minha mente e me livrar de tal acontecimento.
Provável desses pensamentos serem resultados da minha falta de experiência no quesito, sair e dançar como uma jovem normal e despreocupada.
Eu ainda nem acredito que irei a um baile.
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