NEW STARK | the avengers [1] ✓
18 Segurança Particular
DEPOIS QUE EU desligo a chamada, viro para saber quem era a pessoa que senti próxima de mim.
— Tudo bem? — ouço Lúcia perguntar.
— Sim — eu respondi dando mais uma checada na tela do celular antes de apagar o visor.
— Desculpa por aquilo — ela pede como se tivesse tido culpa de uma adolescente me reconhecer — Nina e Miles concordaram de ir pra outro lugar, nós conhecemos alguns restaurantes... — ela estava nervosa, pois remexia as mãos inquieta. Eu acabo rindo dela que para de falar. Tento fingir não ligar para os olhos de alguns clientes que notaram toda a situação.
— Sério — eu sorri amigável — Está tudo bem. Não é como se você tivesse culpa de eu ser filha do Tony. Eu sabia que isso poderia acontecer. E tá, meio que me pegou de surpresa, mas posso lidar com isso.
Ou eu esperava que sim.
Depois de ver que eu não ria literalmente da sua cara, Lúcia suspirou mais tranquila e correspondeu o sorriso.
— Mas eu tenho que ir agora — falei ligando a tela do celular e checando as horas mais uma vez, o que não havia muita necessidade já que Happy me buscaria. Foi mais para ter o que fazer.
— Sério? — a morena fez muxoxo.
— É — confirmo segurando um sorriso. Ela é a pessoa mais fofa que já conheci — Vou pedir para a garçonete embalar meu lanche para comer na ida — continuei.
— Leva mesmo e depois me agradece por que eu sei que você gostou — ela me apontou e eu fiz cara cínica — Não tô brincando, pode me agradecer por te apresentar a melhor lanchonete da região — ela comentou com animação me fazendo soltar mais um sorriso.
— Eu só dei uma mordida então não tenho uma opinião formada ainda.
Eu disse com a intensão de ir até o balcão pedir para que embalassem meu almoço, no entanto, Lucia me arrastou dizendo que não precisava e eu logo entendi sua fala quando alcancei a mesa que estávamos antes encontrando uma mulher alta de cabelos negros presos em um coque. Ela vestia o uniforme local e conversava com os dois que tinham ficado para trás após eu levantar para atender Tony.
— Ei menina! — a mulher sorriu quando Lucia se aproximou mais da mesa.
— Tia Martha! — exclamou animada — Oi.
— Deixa eu adivinhar — ela inclinou-se sobre a mesa para olhar a garota baixinha de cabelos castanhos. Um sotaque presente na fala — X-Burguer triplo com tudo que si tem direito. Tô certinha?
Hm, ela havia pedido um x-bacon em vez disso. Penso enquanto Lúcia ri antes de me olhar.
— Na verdade tia, eu já pedi e nem terminei ainda — Ela apontou a mesa e me indicou — Eu trouxe uma amiga para experimentar o melhor lanche de New York. Sofya essa é a tia Martha, mãe do Miles. Tia Martha essa é a Sofya, uma amiga minha da faculdade — a mulher me olha e sorri carismática.
— Prazer — ergui a mão para a cumprimentar. Martha passa a mão na barra do avental, ainda que elas estejam limpas, para então me tocar.
— Tudo bem menina?
— Oi, tudo bem. Sulista?
— Do alabama — ela sorriu — Às vezes acho que vou enloquececô esse barulho. Menina, York é infernal.
Acabo sorrindo com o seu jeito de falar, é engraçado.
— Tia você viu o Miles? Ele surgiu das cinzas, quase nem o reconheci.
— Engraçada — o garoto sorriu sem graça — Eu venho ver minha velha, pô.
— Quando? Que eu nunca te vejo — Martha olhou ele cheia do deboche o que fez Lucia sorrir em vitória para o garoto. Meu Deus, aqueles dois era pura implicância. Alguém de dentro da cozinha chama Martha — O serviço me chama, crianças — ela me manda uma piscada antes de entrar, e eu lembro que eu devia ter pedido a ela sobre o lanche que queria levar.
— Vocês dois não conseguem dar um tempo? — Nina questionou com expressão entediada após a mulher ir. Coitada, eu não imaginava o que era estar entre aqueles dois diariamente.
— Eu não fiz nada — Miles falou.
— Imagine então se tivesse feito — Lucia retruca.
— Isso se chama paixão incubada — Nina diz para mim ignorando os sons indignado dos amigos — Eles se conhecem desde pequenos e não admitem que se gostam.
Faço que entendi, achando engraçado o súbito constrangimento dos dois que ficam em silêncio.
— Desde pequenos, é? Sabia que a chance de se apaixonar por um amigo de infância é de cerca de oitenta por cento, ou mais — comento como quem não quer nada. Lúcia bufa e me dá uma empurrada de ombro, comigo rindo da sua expressão mal-humorada.
— Você não vai se juntar a ela contra mim! Eu te conheci primeiro.
Senti um sentimento estranho e nostálgico. Anos atrás. Eu e Jess. Ali com aquelas pessoas eu me senti de volta aos meus 13 anos novamente, embora naquela época eu não fosse de muitas amizades. Bem, isso não mudou muito com o tempo. Uma lembrança antiga me faz voltar aquela época quando Jess e eu passávamos na lanchonete de esquina perto da escola, para logo depois seu motorista nos deixar em minha casa após quase nos intoxicar de muitas porções de batatinhas e Coca-Cola. Quase podia ouvir a voz da minha mãe brigando comigo por comer besteira antes de almoçar.
Saudades.
Saudades da minha antiga vida.
Senti uma mão em meu ombro e pulei com o susto. Estão sempre me pegando de surpresa, que saco. Viro-me dando de cara com Happy. Ele olhava ao redor em seu terno preto, todo pomposo, contrastando totalmente com o ambiente e a vestimenta das pessoas.
— Happy! — exclamei com a mão no peito. Meu coração voltando a bater normalmente aos poucos.
— Senhorita Sofya — ele puxou os lábios em um sorriso fechado, então me deu espaço para passar — O senhor Stark está lhe esperando.
Pisco e concordo com um maneio. Por um momento, eu havia me esquecido. Virei encontrando o olhar surpreso de Lúcia, Nina e Miles fixos no segurança logo atrás de mim.
— Tenho que ir — repuxo os lábios ensaiando um sorriso.
— Ah sim — Lucia concordou, voltando ao normal rapidamente.
Consegui pedir a garçonete Bea para embalar pra viagem meu almoço, também encomendei logo outros dois lanches. Um para o Tony e outro para o Happy. O segurança voltou para o carro quando eu disse que ia apenas me despedir e esperar os lanches saírem. Ele concordou e saiu, o que me aliviou um pouco pois ele estava chamando a atenção.
Me despedi de Nina e Miles com um sorriso mais simpático para ela, pois o garoto era meio atiradinho e queria beijar minha mão que nem aqueles filmes de época de romance. Eu hein. O que acabou resultando em Nina rindo depois que eu neguei. Prometi que a gente se encontraria mais vezes, embora eu não soubesse se cumpriria com a promessa mesmo que tivesse gostado deles.
— Ei menina — Martha chamou, balançando três pacotes com o emblema do estabelecimento.
— Obrigado — agradeço pegando meu pedido e lhe estendi uma nota — Aqui.
A mulher semicerra os olhos em direção ao dinheiro, como se não enxergasse bem.
— Espere um instante menina. Vo pegar teu trocado.
— Não precisa — nego suavemente. Ela arregala os olhos em minha direção.
— Tudo isso? Por....
— Por favor — interrompi ela mudando sua frase para o meus termos — Aceite, não é educado recusar uma gorjeta.
É com certa timidez que ela concorda e agradece. Apenas abano a mão à frente do rosto, como se um mosquito me incomodasse.
— Foi muito bom te conhecer, Martha — eu abro um sorriso pequeno que é retribuído. Logo ela tem que ir atender outros clientes e eu por fim viro-me para Lúcia — Obrigado por me convidar para comer com vocês.
— De nada, vamos marcar mais vezes. Quando você estiver com mais tempo — Keint comenta sorrindo.
Sem que eu espere, ela me abraça. Pisco atordoada, mas correspondo a forma de afeto. Antes de ir dou mais um tchauzinho para os dois amigos de Lucia que acenaram sorrindo.
Viro para ir embora quando avisto a mesa com os adolescentes todos me olhando, havia também algumas pessoas que disfarçavam bem, mas o carrão ali em frente me esperando meio que chamava muita atenção. Apenas sai do estabelecimento tentando não me importar muito com a exposição que estava passando e que provavelmente eu passaria mais ainda no futuro. Somente dentro do carro e protegida dos olhares é que eu me permito remoer curiosa o tal assunto que Tony citou anteriormente.
O que exatamente ele não pode me dizer por telefone?
***
Desço do carro tocando meus pés no chão da pista. O jatinho, com o nome Stark exposto na lateral, toma conta de minha visão. No entanto, não encontro meu pai ali.
— Tony está me esperando é? — pergunto à Happy tirando onda.
— Está te esperando, lá dentro, com uma bebida na mão. Sabe como Tony é — ele fala batendo a porta pela qual eu havia acabado de sair.
— É, eu sei.
Então ambos caminhamos em direção ao pássaro de ferro. Depois de um toc a porta foi aberta, eu entrei seguida por Happy. A primeira coisa que noto é Anthony sentado bem à vontade em um dos bancos com um copo de Whisky na mão.
SURPRESA!
Nossa! Caramba, o Stark bebendo? Não creio.
— Pode falar agora? —pergunto direta e reta. Tô curiosa, cara.
— Senti sua falta. Nossa! Como você cresceu querida. Sim, sim, eu também te amo — sorriso sarcástico, voz dramática. Eu definitivamente sou filha dele.
Tudo o que pude fazer foi rir da cara do Stark.
— Oi Anthony — meu tom cansado foi totalmente ensaiado, admito — Você não pode me culpar por querer saber o que me tirou do meu primeiro dia de estudos, sabe?
— Você não estava mais dentro da Universidade.
— Está me vigiando? E ainda é o meu primeiro dia — insisto seriamente.
— Teimosa — ele julga — E não, eu não estou te vigiando.
— Puxei você — retruquei.
— Ligia, definitivamente, era muito teimosa.
Fico surpresa pela rara menção a minha mãe. Quero dizer, eu nunca soube muito o que houve entre meus pais. Na versão dela foi apenas uma noite qualquer, mas e a de Tony?
Abro um sorriso. Sim, nessa ele tinha razão, minha mãe era a teimosia em pessoa.
— É, verdade.
Acabo ficando pensativa e o clima meio que parece esfriar. E não somente pelo ar condicionado que é ligado. Acho que deixo transparecer minha tristeza pelas lembranças da minha mãe. E Tony, bem, pelo olhar dele ele aparenta culpa por me fazer lembrá-la. Não quero que ele se sinta assim então trato de mudar de assunto.
— Happy vai conosco? — pergunto confusa enquanto tomo um assento em frente ao Stark, lançando uma olhadela no segurança. Pelo que me recordo ele estava trabalhando na empresa como chefe de segurança. Ah sim, o tal estava fazendo Pepper arrancar os cabelos — Pepper te demitiu, é? — eu disse dando risada da cara do segurança.
Happy parece não achar engraçado a minha zoação e me manda um olhar nada amigável. Foi impossível não rir ainda mais.
— Na verdade... — Anthony começou lentamente. Algo nele me avisou que eu não gostaria do que viria seguir. Minha risada cessa de imediato — Então, ele...
— Vou ser seu segurança particular a partir de hoje — completou o próprio, um sorriso orgulhoso.
No mesmo momento que o baque da notícia me atinge, eu sinto o jatinho içar voo. A turbulência inicial não me incomoda, isto porque eu estou ocupada demais digerindo a notícia anterior, esperando que Tony ria e diga que é apenas uma brincadeira.
— Tá brincando, né? — encaro bem o Stark para descobrir que sim, é verdade — Segurança?
— Sim.
— Segurança?
— É.
— Segurança?
— Éééé — ele alonga a palavra demonstrando impaciência.
— Para que eu preciso de um segurança? — pergunto exasperada — Sem querer ofender, Birthday.
— Ofendeu, com esse apelido ridículo.
Ignoro sua resposta e foco na do Stark. Ele se mantêm bem sério.
— Sou o Homem de Ferro, Sô — jura? Nem imaginava. Stark ignora meu olhar sarcástico — Tenho inimigos que vão querer atingir a mim através de você, da Pepper.
— Eu não preciso de proteção, Anthony — afirmo seriamente. Tenho poderes, quase falo.
— Você é de menor e eu cuido de você enquanto não alcança a maioridade, então sim, você precisa de um segurança — avisou ignorando minha careta.
— Por pouco tempo, em alguns dias faço dezoito — cantarolei, ainda que estivesse irritada com a situação.
— Só aos vinte e um.
— Pra beber, não para crescer. E mesmo assim, aposto que isso não te impediu na sua época — dou uma olhada no seu copo. Tony suspira e toma mais um gole.
— Veremos.
De cara fechada eu mantive minha boca calada. Ainda que tenha uma vontade absurda de dizer qualquer coisa aleatória, somente para ter a última palavra, mas madura como sou fico na minha.
Que raiva.
Segurança! Onde que eu preciso de um segurança? Cisco riria de mim se me visse nesta situação. Ele sem dúvidas me diria para revelar a verdade a Tony, mas se eu disser então terei que incluir todas as coisas que eu fiz. E com toda certeza eu não quero dizê-las a ele. Ao menos, não por enquanto.
Respiro fundo com um fundo de ansiedade somente de pensar no assunto. Talvez eu diga a ele um dia, quando não tiver tanto medo.
— Pai, você ainda não... O quê? — perguntei sem entender a cara estranha que Tony estava fazendo. Ele me parece quase emocionado.
Uma risada nos chama atenção.
— Eu vivi para ver isto — Happy disse, achando algo muito engraçado — Tony Stark sem palavras, parecendo um bobalhão.
— Isto? — estou realmente confusa.
Volto uns instantes tentando saber sobre o que ele fala.
Brigamos sobre minha segurança.
Eu perguntando sobre Was....
Oh.
Pai.
Eu estou tão acostumada a dizer pai em minha mente que não percebi que havia dito isso voz alta.
— Ah... — foi a coisa mais coerente que pude dizer no momento. Que embaraçoso.
— Os dois sem fala — Happy ainda ria — Ganhei meu dia.
— Idiota! — minha voz se une à de Tony ao xingar o segurança.
Então voltamos a ficar calados. Meu pai sorria hesitante e eu me sentia envergonhada demais para manter meu olhar. Envergonhada por não demonstrar mais. E principalmente por não saber o que dizer num momento como este.
— Por que você nunca pegou de volta meus aparelhos na SHIELD? — opto pelo caminho mais seguro que é iniciar iniciar um assunto aleatório. Sim, daqui alguns minutos esqueceremos toda essa situação.
Se o Happy deixar quando vez ou outra ele ainda solta algumas risadas do nada.
— Por que você podia fazer isso — Tony também vai pelo caminho mais fácil e eu suspiro aliviada.
— Sério? Que pressão — zombo de sua fé em mim. Não consigo acreditar que alguém que mal me conhecia, mesmo provado que eu sou sua filha, acreditaria na minha capacidade com tanta espontaneidade — Sinto em dizer que Nick Fury fez dos meus aparelhos objetos de desmanche antes de me devolver o sinônimo de sucatas. Que decepção, hein.
— Sabe o que eu acho? — Anthony inclina-se para frente — Acho que você recuperou tudo que tinha que ser recuperado, provavelmente a SHIELD não encontrou nada incriminador. A não ser mensagens inocentes de uma adolescente inocente.
Abro um sorriso admirado e atordoado pela dedução certeira. Em tão pouco tempo Tony já me conhece de uma forma...
Foi então que percebi. Que eu realmente abri meus olhos. Ele era parecido comigo. Não. Eu sou parecida com ele. A gente se identificava. Como família, mas também como pessoa. E... uau, é difícil se ter uma conexão assim com alguém hoje em dia. As coisas são tão estranhas. Ou as pessoas escondem o que sentem, ou mentem. Declarando palavras falsas e machucando umas as outras no processo. Eu não quero ser esse tipo de pessoa. Não com meu pai.
— Eu tive medo... Depois que o Fury confirmou o exame — admito — Antes mesmo dele confirmar, na verdade.
Após o descontrole eu acabei perdendo tudo, mas a perda da minha mãe foi o que mais me abalou. Principalmente por eu ter causado tudo. Era minha culpa, não importa o quanto dissessem o contrário. Quando vi Anthony e pensei na possibilidade de perder tudo de novo, eu surtei em medo e ansiedade.
Mas o passado não pode me impedir de mostrar à meu pai como me sinto, não posso esconder isso dele. Tony tem que saber ao menos uma parte, tem que saber que o amo.
Está na hora de me abrir para ele.
— Tive medo que me abandonasse. Pior, temi que um dia você saísse para salvar o mundo e não voltasse mais...
Tony comprime os lábios e olha para baixo. Ele sabe que meus medos são reais. Eu também. É por isso que eles me aterrorizavam tanto. Ainda aterrorizam, embora agora eu consiga me manter mais sob controle.
— Eu não tinha ninguém, então eu tinha você e não sabia se realmente o tinha — a essa altura minha voz já se encontra embargada pela emoção — O medo de terminar sozinha de novo falou mais alto, então eu te rejeitei antes de qualquer coisa. Não te dei uma chance.
— Tá tudo bem, filha — Tony levanta para sentar ao meu lado. Ele me puxa para ele e eu o abraço forte, como se fosse fugir a qualquer momento. Senti algo molhado escorrendo pelo meu rosto, mas não me preocupei em enxugar — Você não está mais sozinha, estou com você. Não vou te deixar.
— Eu sei, agora eu sei — funguei antes de continuar — Mas não sabia no começo. Sempre imaginei que havia me abandonado, abandonado a mamãe. Então quando ela morreu eu soube de você, mas estava com tanta raiva, de tudo, de todos. Não queria te conhecer e quando conheci tratei tão mal. Pra não me apegar — me explico — Sempre perco as pessoas que me importo — digo com a voz abafada em seu peito.
Ainda posso sentir a dor. Aquele sentimento de vazio, da perda. Deixei tudo para trás por não querer mais saber daquela cidade, tudo me lembrava mamãe. E eu só queria esquecer.
— Não te culpo, Sofya. Você era nova, havia perdido a mãe. Nunca te culpei, meu anjo.
— Deveria — murmuro.
— Não, não deveria — retruca me apertando.
Não me importo dele estar me esmagando e dou risada, choro. Tudo ao mesmo tempo. Tony sempre querendo a última palavra. Isso me irrita mais que tudo, mas neste momento foi meio que reconfortante.
— Me perdoa? — pedi sentindo minha garganta doer pelo choro. Solto-me de seu abraço e o obrigo a olhar diretamente em meus olhos. Tony não sabe, mas aquele pedido era bem maior, bem mais importante do que ele imagina. Eu não pedia perdão apenas por rejeitá-lo, pedia perdão por minha mãe que não podia mais me ouvir, pedia que me perdoasse por tê-la machucado.
Me perdoe, mãe.
— Sofya. Não tem o que perdoar — Tony afirmou. Podia ver que estava tão emocionado quanto eu.
Por favor, pai.
— Tem, tem sim. Me perdoa? — sou insistente. Tony seca as lágrimas que caiam pelo meu rosto. Depois de um minuto de silêncio comigo olhando-o fixamente, talvez ele tenha visto o quanto seu perdão era importante para mim, pois ele afirma com a cabeça.
— Sim Sô, eu te perdoo — eu concordo com um pouco do peso saindo de mim.
Tudo bem. Não era tudo, mas era um começo. Talvez fosse isso que me faltava para recomeçar, estranhamente eu me sentia completa ali, como um bebê no colo do meu pai.
Pepper estava certa.
Acho que agora estou pronta.
Depois de tanto esperar, eu me permiti dizer o que a muito tempo eu deveria ter dito.
— Eu te amo, pai.
Respiro fundo e permito-me sentir completa.
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— Que lindo — o comentário emocionado do segurança não nos passa despercebido.
Bufo baixinho.
— Tem certeza que eu tenho que ter um segurança? — pergunto baixinho no ouvido de Tony.
Meu pai me abraça e inicia um cafuné em minha cabeça, fazendo-me relaxar.
— Falamos disso depois, não estraga o momento.
Dou risada e me acomodo no banco confortável, sentindo uma paz inconfundível.
CE
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