Notas iniciais
Hey, amores! Recentemente, eu me disponibilizei a criar um book trailer para a fanfic, agora, vim aqui divulga-lo a vocês. O link está disponível na minha bio. Assistam e me deem um feedback. Obrigada, beijos e boa leitura

Você não tem que se sentir

Como um desperdício de espaço

Você é original

Não pode ser substituído

Se você soubesse

O que o futuro guarda

Depois de um furacão

Vem um arco-íris

Katy Perry — Firework

Apesar de estar acordada, meus olhos insistiam em fechar, novamente. Eu estou morrendo de sono, isso sendo resultado das poucas horas dormidas. Suspiro antes de forçar meu corpo a levantar, e caminho até meu guarda roupa, escolhendo um par e indo direto para debaixo do chuveiro. Depois de tomar banho, escovar os dentes e me arrumar, eu estava pronta para sair de meu quarto. Mas antes...

— Jarvis. — chamei.

Bom dia senhorita Stark.

— Pode me dizer se Tony e Pepper estão em casa?

A senhorita Potts está em seu escritório, e o senhor Stark pediu para que a senhorita o encontrasse no laboratório do senhor Banner, assim que acordasse.

Sem imaginar o motivo de meu pai me chamar, apenas concordei, e pedi que avisasse que eu logo chegaria. Antes, passei pela cozinha e comi um pedaço de bolo de laranja, logo depois, caminhei até o elevador divagando sobre minha vida. Especificamente, minha faculdade, faltei três dias seguidos e perdi algumas matérias. Tristonha, percebi que teria de pedir o conteúdo para alguém.

É, nem tudo são flores.

Cheguei ao laboratório ainda chateada com aquele pequeno imprevisto, e encontrei meu pai e Bruce conversando.

Eles pararam assim que me viram, estranhei:

— Por que eu sinto cheiro de segredo? — perguntei, encenando uma expressão confusa, em seguida, estreitei meus olhos, desconfiada e com uma suspeita cutucando minha mente.

— Deixe de ser tão desconfiada, e põe um pouco mais de fé em seu pai, filha. — Tony pediu, daquele jeitinho dele que todo mundo conhece.

Dramático, brincalhão e que não leva nada a sério. Encarei o doutor que ajeitou seus óculos, desviando o olhar de mim, assim que minha atenção voltou para o mesmo.

— O que tá rolando? — insisti, o modo caladão do doutor e o jeito nervoso de meu pai, não me convencendo da inocência de ambos.

Tony suspirou e maneou a cabeça.

— Eu vou ter que falar de todo jeito, para que drama? Não é. — ele comentou. — Desnecessário, dispensável, prescindível, supérfluo, inútil, vão, irrelevante...

— Pai. — reclamei.

— Que foi filha? — prestativo, ele perguntou.

Besta.

— Seu pai me falou sobre os seus... poderes. — Bruce Banner falou, acabando com aquela palhaçada, e matando minha curiosidade. Não tive espaço para me vangloriar por estar certa em relação à minha percepção. Ergui as sobrancelhas, olhando de um para o outro. Tony se remexeu e me olhou um tanto hesitante.

Entendi um pouco da situação.

Meu pai havia ido conversar com Banner, talvez na esperança de que ele pudesse me ajudar com meus problemas, e provavelmente, achou que eu ficaria irritada com sua intromissão. Se fosse a tempos atrás, talvez, mas hoje quero apenas que ele participe da minha vida. Em tudo, até meus problemas.

Suspirei.

Ainda assim, não gostaria que ele pusesse fé em algo que não acontecerá.

— Pai. — comecei suavemente. — Eu já tentei antes: reverter o processo, minimizar os sintomas, qualquer forma para que eu pudesse ter minha antiga vida, novamente. Meus amigos e eu... apenas não encontramos nada. — dei de ombros, indiferente.

Antes, este fato me afetava mais do que atualmente, hoje, apenas quero seguir em frente, tomando cuidado para não machucar ninguém, e principalmente, evitando usar meus poderes. Não que eu esteja sendo bem-sucedida neste último quesito, mas com o tempo vou melhorar, eu acho. Se tenho medo de machucar as pessoas que amo? Com certeza, mas venho me esforçando: tomando os remédios, tentando não usar minhas habilidades com coisas bobas, como pegar meu celular que está longe demais para eu levantar, — o que é muito útil, aliás. — mas acho que tenho lidado bem com toda a situação. Melhor do que antes? Sem dúvida alguma.

E isso me motiva cada vez mais.

Banner me encarou antes de falar:

— A ideia é apenas analisar, não vamos ter falsas esperanças. De início, iremos apenas... tentar estudar seu DNA, ver que tipo de mutação ocorreu com você quando foi atingida...

Ele foi explicando e quando observei o olhar do Stark, o quão disposto ele estava em me ajudar. Percebi que ainda que eu não tenha esperanças sobre aquilo, não poderia tirar as dele. Contudo, não contive o receio sobre como seria, quando ele descobrisse que não há maneiras para reverter minha permanente situação.

— Tudo bem. — eu cedi às argumentos dos dois homens. — Okay. Como vai acontecer?

Tony pareceu aliviado, e eu me voltei para o doutor.

— Na verdade, irei precisar de uma amostra de sangue... não precisa ser muito. — ele correu em explicar, quando viu a careta que fiz.

Droga.

— Humm, precisa mesmo tirar meu sangue? — perguntei hesitante.

Droga, droga, droga!

Banner assentiu sem notar minha resistência, e foi logo em direção ao seu armário, tirando de lá algumas coisinhas, entre elas, agulhas.

— Está tudo bem com isso? — meu pai perguntou, aproximando-se.

—Eu... — encarei Tony, seu olhar preocupado, sua expressão tensa.

Acho que ele ainda espera por algo negativo vindo de mim, não me magoei. Entendi aquela reação e não tive como culpá-lo. Desde o começo eu tenho sido reticente em deixar ele me ajudar.

— Estou bem. — concordei, mas fiz uma careta. — É que.... agulhas não me deixam confortáveis. — confessei e Tony sorriu.

— Tem medo de agulhas?

Seu olhar divertido me fez revirar os olhos:

— Muita gente tem medo de agulha. — eu digo na defensiva. — Mas não, eu não tenho. Chamem de um pequeno desconforto.

— Claro. — ele desdenhou.

Bufei, voltando a ficar temerosa quando o doutor aproximou-se de mim com aquela coisa. Sob o olhar de meu pai, deixo o doutor perfurar meu braço, ouvindo uma risadinha ao meu lado.

Sem dúvida, Tony rindo da minha careta. Terminado, eu levanto de meu lugar.

— Precisa de mais alguma coisa, Banner? — perguntei, no fundo, torcendo para que ele negasse. Acho que Deus ouviu minha prece.

— Não agora, amanhã você poderia passar aqui. Por enquanto, irei estudar apenas o seu DNA.

— Claro, passo sim.

Meu telefone tocou no instante que eu terminava de falar, meu primeiro pensamento, foi Steve. Me decepcionei um pouquinho ao ver que não era, e me bati mentalmente por que eu sabia que o herói não poderia me ligar toda hora, afinal, ainda tinha muitas coisas para resolver.

Suspirei e atendi a chamada, preparando meus ouvidos para as reclamações que eu sabia que viria:

— Oi, melhor amiga de todos os tempos. — eu bajulei.

Tony sorriu para mim, e eu indiquei que já iria recebendo um sinal afirmativo.

— Aonde você estava!? Eu te liguei, liguei e liguei de novo, e nada.

— Sério? Provavelmente, porque meu celular estava descarregado. — comentei, jogando o algodão que estava pressionado em meu braço no lixo e saindo do laboratório.

— Nós tínhamos hora marcada com a costureira, ontem. — Lúcia suspiro do outro lado.

Apesar de eu não estar realmente arrependida pelo atraso ao voltar para New York, me senti um pouco mal, pois, sei o quanto minha amiga está animada para o tal baile que viria, e que eu havia prometido ir. Parei em frente ao elevador, suspirando e encostando minha cabeça na parede, esperando que ele chegasse ao meu andar.

— Desculpa Lúcia, eu não consegui chegar mais cedo, e tive problemas para resolver. — o momento de silêncio por parte da garota não me é previsto, e eu começo a desconfiar. — Lúcia?

— Tô aqui. — falou. — E sabe, você tem sorte por eu ter alguns contatos, me encontre na lanchonete da July em vinte minutos.

Entrei no elevador, e murmurei para ela sem entender:

— Vinte minutos? Lúcia....

— Estou te esperando... — cantarolou, e desligou a chamada, sem dar-me a chance de contradizê-la.

Mas.... mas.... louca!

Bufei e ri. Ao chegar em meu andar corri em direção ao meu quarto e mudei minha roupa atual, para algo menos dona de casa. Acabei escolhendo um vestido que batia cinco dedos acima do joelho, colado e com um sapato bonitinho e muito confortável. Deixei os cabelos soltos e joguei uma grande parte para um lado, passando um batom rosa fraquinho, e guardando meus documentos em uma bolsa.

Pedi que Jarvis ligasse para Tony que atendeu imediatamente.

— Aconteceu alguma coisa?

— Eu saí daí a poucos minutos, sabia? Mesmo se eu quisesse, não conseguiria ter aprontado algo. — reclamei, como de costume.

Não ouvi, mas apostava cem dólares que meu pai ria do outro lado da linha.

— Não?

— Você é muito irritante, Tony, incrível. — revirei meus olhos, aliviada por ele não ver meu sorriso. — Eu preciso de um carro. — avisei.

— Precisa de um carro?

— Sim! Eu vou sair.

— Não me lembro de você ter uma carteira.

Eu não tenho uma carteira, mas sei dirigir, isso é o mais importante. E seu tom de voz não foi realmente preocupado, Tony, com certeza, estava se fazendo de difícil. Apelei em outra direção.

—Então pede para o Happy me levar, Tony, eu tô atrasada.

— Happy tá de folga com a namoradinha dele.

Me surpreendi um pouco por meu pai estar a par das coisas, e sorri. Happy estava em um relacionamento com uma enfermeira, se eu não me engano, desde de seu incidente com o Mandarim. A mulher cuidou dele quando estava desacordado, e após despertar também. Achei fofo, mas o segurança nunca me deixa tocar no assunto, acho que ele pensa que eu brincaria com a situação, e talvez, ele não esteja assim tão errado.

—Pai, eu sei dirigir. — choraminguei de modo dramático e eficaz.

—O que você não me pede sorrindo, que eu não faça chorando, garota?

Balancei a cabeça sorrindo, e após suas seguintes palavras, fui em direção ao estacionamento animada até a medula. Não quis chamar muita atenção, então escolhi um carro preto, simples e muito lindo. Como todos os carros da garagem de meu pai, claro. O Stark tem um gosto para veículos que nem eu posso contestar. Entrei e toquei o volante, lembrando a última vez que fiz isso e pensando em como eu deveria ter pedido aquilo antes. Liguei o motor, e coloquei uma trilha para me animar. Ganhei as ruas de New York soltando um gritinho, e dirigi até a lanchonete da July cantando as músicas conhecidas que passava na rádio.

Minutos depois, parei o carro no estacionamento em frente a lanchonete, e sai do automóvel um tanto exibida.

Suspirei e voltei meu caminho para dentro da lanchonete. Mega feliz, mas tentando passar uma imagem de mulher bem decidida. Todos já estavam mais que habituados com a presença de uma Stark no local, então, eu não chamei assim tanta atenção como antigamente. Graças a Deus.

Ufa!

Caminhei até a mesa, observando minha amiga acenar para mim conforme eu me aproximei, cheguei e sentei, agitada e com um sorriso no rosto.

— Qual é a boa?

Lúcia estranhou, e me avaliou por instantes antes de falar:

— Eu que pergunto, toda essa animação... já te imaginava com cara de enterro ao me encontrar. — comentou zombando, ao ponto que eu revirei os olhos, mas sorri ao dar a notícia.

— Meu pai me deu um carro. — comentei. — Não me deu, propriamente, mas sim, ele me deu um carro. — expliquei o motivo de minha euforia. — Ele me fez prometer não fazer nada que ele faria. — comentei.

— Ou seja, tudo.

Dei de ombros, rindo.

— Eu tenho mais juízo que ele, sei me cuidar.

Lúcia sugou sua bebida pelo canudo, e estalou a língua com uma olhada matreira.

— Tem é? Tô sabendo disso não.

— Calada, Keint! — mandei e rimos.

Passamos os próximos minutos colocando o papo em dia, obviamente, comigo retendo algumas informações que não lhe seria de benefício algum. Lúcia me contou a loucura que foi os últimos dias, e eu mudei de assunto assim que a conversa fugiu para o meu lado. Ela não precisa saber que estive no meio de uma luta entre duas organizações, sendo uma delas, a Hidra.

— Então... você me mandou mensagens de segundoem segundo desde que me ligou de manhã, quais os planos para o dia? — perguntei, convicta de que nada abalaria o dia maravilhoso que hoje prometia ser.

Claro, me enganei.

— Com o baile de fim de ano chegando, o que você pensou que seria? — ela perguntou. Ali, sentada de frente aquela garota de olhos castanhos, eu tive um mau presságio. — Compras! — cantarolou a morena, muito animada e me fazendo murchar instantaneamente.

Compras?

Demais!

***

— Estou cansada. — murmurei uma hora depois, chateada e rabugenta demais para não reclamar da vida. — Não aguento mais. — falei novamente. — Cara... hoje era para ser maneiro. — comentei comigo mesma, balançando a cabeça e me negando a me conformar com aquela situação.

Eu sou uma Stark, e aparentemente, não faço tudo o que eu quero, não quando uma baixinha chata como o inferno entrava na reta.

Saco!

— Para de fazer corpo mole. — reclamou a maldita, me apressando para chegarmos logo ao ateliê de costura.

— Corpo mole? — resmunguei, novamente, indignada. — Corpo mole o ca...

— Chegamos! — Lúcia exclamou com animação, e eu larguei algumas sacolas que eu carregava, vendo minha amiga me seguir no ato.

Observei a frente do lugar, me atentando em apenas um fato.

— Sério? Eles tem estacionamento? Por que não me avisou antes? Teríamos vindo de carro. — reclamei.

— Sedentária.

Encarei Lúcia com certo rancor, ela me arrastou como louca de loja em loja e ainda fica jogando essas verdades na minha cara.

— Eu apenas... evito esportes violentos e arriscados.

— Grande maioria dos esportes são violentos ou arriscados. — Lúcia comentou.

— Viu? Um perigo.

— Se pensar assim, ficará o resto da vida parada. Vai ficar contando com o fato de ser magrinha agora? Você só come besteiras e não faz nenhum exercício físico, isso faz muito mal. — Lúcia falou em tom de reprimenda. — Pareço minha bisa agora. — resmungou, logo depois.

Seguimos para dentro do local.

— Eu pretendo praticar alguma coisa. — falei, sentindo-me como uma criança levando bronca dos pais, o fato de Lúcia ser mais velha, contribuindo muito neste sentimento.

— Sei... você vai esquecer este assunto assim que deitar a cabeça no travesseiro, Stark.

— Quando foi que essa conversa virou um sermão mesmo? — perguntei ironicamente.

Uma mulher apareceu de repente, impedindo Lúcia de responder e me assustando com sua repentina aparição.

— Boa tarde. — falou animadamente, e se aproximou até que estivesse frente a frente conosco. — Bem vindos ao ateliê...

Bloqueei as seguintes palavras da mulher, não propositadamente, mas por que minha atenção subitamente ficou presa em outra coisa. Foi o momento mais estranho da minha vida.

Ta... não o mais estranho, mas que entra no ranking de momentos mais bizarros, ele entra.

Foi como se eu entrasse em transe.

— Ei. — Lúcia estalou os dedos a frente dos meus olhos. — Planeta terra chamando Sofya.

— Tô aqui. — resmunguei, piscando demoradamente e voltando a olhar a dona do local, que já passeava pelo lugar pegando algumas coisas que não me importavam no instante.

— Bonitão.

Revirei meus olhos, mas ainda presa por uma força invisível. O bonitão em questão, foi o que prendeu tanto minha atenção, não apenas pelo fato dele ser gatinho — já estou acostumada a ver a beleza todos os dias no espelho, okay. — mas porque eu tinha uma impressão de tê-lo visto antes. O homem, alheio ao meu embate interior, continuou a conversar com uma mulher refinada e bonita.

De onde eu o vi antes? Foi minha dúvida.

Minha amiga esqueceu o desconhecido por um instante, assim que a mulher passou a tirar suas medidas, dando idéias para o seu vestido e me perguntando o que eu achava de tudo.

— Legal. — falei pela milésima vez, quando outra indagação foi feita. Lúcia me olhou com as sobrancelhas arqueadas.

— Pede o número dele ao invés de ficar babando. — ela me provocou.

Desviei minha atenção do homem, virou-se em nossa direção, olhando-nos com curiosidade, como se soubesse que era assunto da conversa, como se tivesse ouvido o que Lúcia falou. Fiquei envergonhada e fuzilei minha amiga com o olhar.

— Não quero o número dele. — murmurei.

Ele se aproximou, e bati mentalmente em Lúcia enquanto permaneci com cara de paisagem, tentando ignorar aquela sensação estranha que ele me passava.

— Senhorita Margaret. — ele chamou a dona do lugar.

Senhorita?

Quem em pleno século vinte e um, chama uma mulher assim?

— Ah sim, querido?- a mulher tirou o olhar de seu trabalho, para encarar o homem com encantamento.

Parecia hipnotizada.

Franzi o cenho, incomodada com aquela reação estranha. Em meio a tudo isto, Lúcia e eu apenas assistimos. A garota também presa aos movimentos do homem.

Talvez não fosse apenas eu que tivesse aquela sensação.

— Tá sentindo isto? — perguntei baixinho, próximo ao seu ouvido, minha amiga me olhou sem entender.

— Sentindo o que?

O homem sorriu para a dona do local.

— Minha prima está tendo problemas em experimentar a roupa, poderia nos dar uma assistência?

— Claro, claro... — Margaret nos olhou. — Um instante meninas. — pediu, deixando-nos para trás.

— Desculpe por isso. — pediu o homem, dirigindo-se a nós pela primeira vez, mas olhando dentro de meus olhos, sorrindo ao mesmo tempo que fazia uma mesura.

Sim, uma mesura.

Afinal, de onde ele veio?

— T-tudo bem. — Lúcia suspirou.

— Minha tia não é conhecida por sua paciência. — ele explicou. — Espero que seu pedido não tenha grande urgência.

— Não é assim tão importante. — a garota voltou a falar com rapidez, e eu ergui minhas sobrancelhas sem acreditar. — Apenas um baile de fim de ano. Nem um par nós temos. Quero dizer, eu com certeza não tenho. Você tem Sofy? Não, com certeza não tem também...

Ela continuaria com aquele monólogo até que dissesse algo que a fizesse se arrepender, então eu a parei:

— Eu tenho.

— Tem? — sua boca se abriu com a surpresa. O homem ainda sem nome, continuou a me olhar com curiosidade.

Me voltei para Lúcia, tentando lembrar o que eu responderia.

Ah sim, o baile.

Eu não tenho a absoluta certeza de que Steve aceitará ir comigo. Mas eu gostaria que ele aceitasse, então pedirei.

— Sim, tenho.

O olhar de Lúcia deu idéia do interrogatório que viria, ela vai querer saber tudo.

—Legal, neste caso, eu não tenho um par. — deu de ombros, e olhou o homem com um sorriso sem graça.

— Não sei se isto é verdadeiro. — o homem falou. — Quando será?

— Lúcia. — eu chamei, e fui ignorada com sucesso.

— Sábado.

Encarei Lúcia um tanto alarmada. Sério que ela está dando informações para um desconhecido, que nem o nome sabemos, sem ao menos desconfiar?

— Quero dizer, o próximo sábado... não este, o próximo, isso. — ela se remexeu, parecendo estar envergonhada. — O próximo sábado.

Abri a boca para acabar com aquilo, quando o homem falou, e me deixou sem palavras.

— Sendo assim. — ele sorriu. — Christian Black. — se apresentou, tomando a mão de Lúcia e tocando levemente com a boca. — Aceitaria que eu fosse seu acompanhante?

Que loucura! Claro que não.

Abri a boca para responder no lugar de Lúcia, entretanto, ela foi mais rápida:

— Sim.

— Lúcia. — agarrei o braço da maluca, e comecei a arrastá-la para longe daquele homem. — Um minuto. — avisei ao cara, lançando um sorriso falso.

Tirei a louca de dentro do ateliê, com a ideia de nunca mais voltar.

— Está maluca? — perguntei, assim que paramos no estacionamento vazio. — Não acredito que você disse sim.

Lúcia sorriu e deu de ombros.

— Ele parece legal.

— Você nem o conhece. — resmunguei.

O tal Christian, aparentemente, conseguiu a confiança de minha amiga, e ela está mais do que feliz com o fato de ter um par para o baile, será difícil convencê-la do contrário.

— Ele é gato, é um cavalheiro... você viu ele beijando minha mão. — ela deu um pulinho animada. — Com toda certeza, eu vou ao baile com ele.

— E o Miles? — tentei outra abordagem.

— O que tem ele?

— Achei que gostasse dele e...

— Passado, Miles é passado. — disse em um tom magoado.

Epa!

Encarei Lúcia atentamente, sabendo que ela não havia me contado tudo. Eu também não, então eu não posso ficar chateada com a omissão.

— O que aconteceu?

Lúcia balançou a cabeça em negação, e suspirou antes de falar:

— Miles, sem dúvida, vai levar a namorada jornalista. — revirou os olhos, fingindo não se importar. — Não importa mais.

Importa sim. Lúcia é afim de Miles desde sempre, disso eu tenho certeza, mas o cara é um idiota que nunca deu bola para os sentimentos dela. E agora, está magoando uma pessoa tão especial como Luci.

Fiquei irritada, e mesmo não gostando da idéia do baile, e menos ainda dela saindo com alguém sem ao menos conhecer, naquele momento, senti que deveríamos fazer isto. Espero apenas não me arrepender desta decisão.

— Acho que esse baile não vai ser assim tão ruim. — comentei, mudando de assunto, como eu sei que ela desejava internamente.

Lúcia sorriu, agradecendo-me com o olhar. Mas depois do assunto tenso, mudando sua expressão de triste para animada, Luci tentou arrancar informações de mim.

— Pois é... estou curiosa sobre seu par. Quem é? — balançou as sobrancelhas, provocando.

— Ele ainda não sabe. — dei de ombros, e sorri. — Mas vou convidá-lo.

— E esse olhar! — minha amiga riu. — Eu diria que está apaixonada.

— Eu estou. — confessei.

Lucia ficou boquiaberta, e puxou meu braço.

— Sua danada! Como você me conta isso somente agora! Quero histórico! Nome, idade, signo, altura…

Ri alto e comecei:

— Stev...

O som de guitarra espalhou-se por todo o local, e me fez parar e constatar ser meu celular tocando.

— Quem sabe mais tarde? — perguntei, balançando o aparelho, olhando a tela quando ele parou de tocar. Lúcia fez muxoxo.

— Sério? Você vai me deixar só na curiosidade? — fez bico, cruzando os braços.

Ri e concordei, dando uma olhada na tela e erguendo as sobrancelhas, surpresa.

— Importante?

Uma mensagem chegou no momento que ela perguntou, e eu a li, ainda mais surpresa com o assunto.

Assenti concordando.

— Tenho que ir.

— Já reparou que você sempre foge dos compromissos. — Lúcia apontou para o ateliê.

— Só quando eles são chatos. — sorri e minha amiga me impurrou levemente com o braço. Nós rimos. — É muito mais fácil eu pedir para minha madrasta arrumar alguma coisa pra mim. — comentei, preguiçosamente. — É mais rápido, prático e Pepper tem um ótimo senso de moda. Fora que ela adora me vestir.

— Eu desisto de você, Sofya Stark. — Lúcia ergueu as mãos, encenando uma cara cansada e eu ri.

— Vai logo pedir o número dele. — falei com uma careta.

— Fica pensando que você vai fugir das minha perguntas… — ela apontou o dedo, ameaçadora.

— Entendi seu ponto, mãe. — ironizei.

— Não esquece que temos de ir ao cabeleireiro.

— Isso é semana que vem.

— Só lembrando. — comentou e se afastou com um sorriso.

— Anotado. — falei. — Vai voltar como?

— Não se preocupe, arrumarei uma carona. — mandou uma piscada e eu me preocupei.

— Acho melhor te esperar.

— Não se preocupe. — insistiu. — Vou voltar de táxi, juro. — falou e fiquei mais calma. Assenti tranquila e me afastei acenando. — Tchau, mãe.

— Touché. — exclamei, sendo acompanhada em uma risada.