Doces sonhos são feitos disso

Quem eu sou para discordar?

Eu viajei pelo mundo e os sete mares

Todos estão à procura de algo

Eurythmics — Sweet Dreams (Are Made of This)

Dois meses depois

Caminhei pelo local sendo guiada pela mulher, repassei em minha mente a última vez que andei por um corredor como esse. Não que fossem os mesmo, por que diferente da base que tinham em New York. Triskelion, o maior centro executivo de direção da SHIELD, apresenta uma aura de maior seriedade. Tudo fachada, pois, por detrás daqueles ternos, maletas e pessoas de negócios, existia a capacidade para te imobilizar em segundos.

A SHIELD é mestre em camuflar.

Ainda sim, tentei entender o porque da minha presença ali. Havia recusado sua oferta, havia dado uma joelhada no meio das suas pernas, eu tinha imobilizado sua melhor agente, — enfatizando que não houve objetivo nenhum em envergonhar a mulher, eu havia trapaceado? Sim, mas pela minha própria sobrevivência. — e mesmo depois de tudo, o diretor da SHIELD insiste em ter minha presença em Washington.

O motivo de eu estar aqui em nada influencia minha decisão anterior, eu ainda não quero fazer parte desses jogos de poderes, que agências com tanta influência com a SHIELD fazem questão de ter, no entanto, Nicholas Joseph Fury é um cara muito convincente, principalmente, quando o mesmo esforçou-se tanto para descobrir coisas sobre mim.

A mulher parou em frente a uma porta e pela parede de vidro, pude enxergar o diretor sentado em sua cadeira, todo pomposo. Ela bateu na porta, abriu e me indicou para entrar.

Passei por ela, olhando todo o local.

— Ei caolho! — observei seu rosto sério, sem qualquer sinal de humor. — Já te disseram que precisa sorrir um pouco mais?

— Denova. — me cumprimentou — Encantadora, como sempre.

Será que apenas eu senti que aquilo não fora um elogio?

— Ah, já sei. — o encarei com um sorriso brincalhão. — Você descobriu né? Que sorrir dá rugas. — assenti com a cabeça. — Por isso você é tão sério, espertinho. Tudo plano pra não envelhecer rápido.

— Acho que você não entendeu minhas palavras ao telefone, Denova.

Seu tom ameaçador fez-me erguer as sobrancelhas.

— Não? Explique-me.

— Se isso cair em mãos...

— Pula a parte que você ameaça revelar meu segredo e vai direto ao ponto, Diretor. O que você quer?

O que ele queria? Eu poderia descobrir.

Mas talvez você não esteja entendendo nada, não é.

Vou explicar desde o começo:

A três dias, fui contatada pela SHIELD, mais especificamente, por Nick Fury, ele ameaçou trazer a tona segredos que já não são apenas meus. Então, lindamente, Fury exigiu por minha estonteante presença em Washington. Perdi aula e ainda tive que cancelar uma maratona da minha série favorita, deixando-me muitíssima irritada, o caso é, ele conseguiu descobrir sobre meus amigos!

Erro meu, confesso. Estava tão preocupada em encobrir meus passos, e esqueci que o Flash também tinha que manter sua identidade em segredo.

Sim, o Flash.

E para quem está desatualizado desta parte da minha vida. Barry Allen, Kaitlin e Cisco, são meus melhores amigos e heróis de Central City, por isso, quando alguém diz que vai trazer a tona os segredos de uma cidadezinha, para o mundo saber da verdade, tudo que você pode fazer é imaginar-se estrangulando a pessoa enquanto obedece suas ordens.

Esse é o porquê de eu estar na base agora, tentando descobrir o porque dele me querer ali.

Agora, voltando.

— Pula a parte que você ameaça revelar meu segredo e vai direto ao ponto, Diretor. O que você quer?

Nos encaramos em um embate silencioso.

— A SHIELD está desenvolvendo um projeto. — começou. — Projeto esse que seu pai está envolvido.

Concordei, fez sentido para mim. Tony vinha constantemente a Washington e nunca disse o que tanto fazia. De certa forma, isto é até contraditório, meu pai deixa tão enfatizado que não trabalha para a agência de espionagem, mas guarda seus segredos, o quão irônico isso é?...

— E o que eu tenho a ver com isso?

— Tudo, quero que também faça parte deste projeto.

Fury me avaliou em silêncio, esperando. Acho que ficamos uns bons instantes assim.

— Essa é a hora que digo sim?

— Essa é a hora que você decide o que é realmente importante para você, seu segredo ou sua arrogância.

Tá, ele me irritou... mais.

Respirei fundo e balancei minha cabeça.

— Posso ao menos saber no que estou me metendo?

E assim, Nick me explicou sobre o projeto em questão, e quando terminou, não consegui fazer nada além de ficar boquiaberta. O projeto, segundo o diretor, seria garantir a segurança mundial, por meio de Aeroporta-aviões altamente armados que, aparentemente, podem detectar ameaças e aniquilá-las. Primeiro eles se infiltram na vida de cada cidadão; depois, desvendam cada segredo, cada segundo da sua vida, nada ficará encoberto. Então, aqueles com potenciais para voltar-se contra o governo será eliminado. Futuros terroristas, possíveis espiões, será uma carnificina.

E a SHIELD comandaria tudo.

Enquanto Fury me explica, minha mente fica dando voltas e mais voltas. Como um projeto desses foi aceito? Como nossos governantes se acham no direito de tomar decisões como estas, colocando tantas pessoas em risco?

Enquanto eles nos iludem, nos faz pensar que estamos em segurança, existem agências como a SHIELD, fazendo coisas por debaixo dos panos e deixando com que seus cidadãos, paguem o preço de suas decisões.

Engoli a seco e perguntei:

— Aonde eu entro nesta história?

— Seu trabalho é divergente ao projeto, quero que você construa algo capaz de hackear e tomar controle dos Aeroporta-aviões.

Novamente, o diretor conseguiu me surpreender, e eu já não sei se meu queixo continua colado em meu rosto.

Senti um alarme soar em minha mente.

— A SHIELD quer um aparelho capaz de hackear seu próprio sistema?

Eu soube que havia alguma coisa acontecendo, e o fato do diretor ter se dado ao trabalho de cutucar meu passado deixou-me alerta.

— Não a SHIELD, Denova, eu quero.

Observei o moreno enquanto minha mente trabalha rapidamente. Em passos rápidos, e eu estava inclinada sobre a mesa e sem que o homem espere, toco sua mão.

Tão rápido e a sala desapareceu, no instante seguinte, soube que estava dentro de sua mente, em uma de suas lembranças.

Ele tomava café... bem forte como gostava, mas sua atenção estava focada em outra coisa, a tela de um computador. Acompanhei seus movimentos enquanto ele digitava.

Fury conversava através de um email codificado.

No texto estava escrito uma junção de letras e números desgovernados, diversas vezes eles eram repetidos e com o pouco tempo que eu sabia que tinha, tentei decifrar a mensagem.

O som da campainha soou.

A determinação que o diretor sentia não fez sentido para mim. Não consegui obter mais nenhuma informação, pois, a tela desligou e ele levantou guardando o aparelho e indo até a porta de frente a sua casa.

Um lugar tranquilo, com vizinhos e crianças brincando no quintal, a casa tinha um jardim bem cuidado, e era enfeitada, como se uma mulher morasse ali.

Em seu quintal, de pé e sorrindo para o homem, uma garota morena o esperava:

— Nayla, o que faz aqui?

O diretor perguntou enquanto eu distinguia nele um sentimento... paterno, ao passo que ele ficava tenso.

A garota riu.

— Nós combinamos pai, que...

Fui expulsa de sua mente no momento que Fury livrou-se de meu aperto.

Lemurian Star.

As duas palavras ecoaram em minha mente. Era o que estava escrito no email que ontem a tarde, o homem escreveu.

Ignorando a revelação bombástica de que, aparentemente, o diretor tem uma filha, me foquei na informação que realmente me importava.

— O que é Lemurian Star?

Seu breve olhar surpreso disse muito, meu sexto sentido está mais que certo. Tem algo acontecendo.

Nick Fury estudou minha expressão, mas para sua decepção, não existe uma para ser estudada, todos meus sentimentos estão bem escondidos e ele não arrancará nada de mim.

— Ontem você mandou um email escrito, Lemurian Star. Eu senti, Fury, o que você planeja é muito mais do que uma simples insubordinação, é traição. Não pense que irá me deixar no escuro, diretor. Isso não vai acontecer.

Nunca pensei que veria, mas eu vi Nick Fury sorrir. Foi um sorriso minúsculo e quase imperceptível, mas ele sorriu.

— Como você fez?

— O que é Lemurian Star?

— Muito bem. — ele concordou, ao me ouvir rebater sua pergunta com outra. Eu não diria nada sem respostas. — Daqui a alguns meses, a equipe STRIKE será chamada para uma missão de resgate à reféns em um navio sequestrado, Lemurian Star.

Pisquei ao perceber as peças se encaixando.

— Sequestrado por você. — completei.

— Há informações que preciso ter.

— Por que?

Fury não me respondeu, entretanto, eu entendi.

— Você desconfia... desconfia da SHIELD.

O diretor voltou-se para sua janela, que na verdade é uma enorme parede de vidro que iluminava toda a sala.

— Ninguém ainda sabe de sua presença em Triskelion, Stark. Quando souberem, espero que sua visita não seja nada além de um pequeno infortúnio em meu dia.

— Assim você me magoa, querido. — sorri zombeteira.

Nick permaneceu em silêncio, e eu suspirei:

— Por que está confiando essas informações à mim?

Sou uma pessoa desconfiada, e sempre fico com um pé atrás quando a algo vem fácil demais.

— Não estou, a última vez que confiei em alguém, perdi o olho.

Ta.

Okay.

Eu não quero saber a história.

Não gosto de Nick Fury e menos ainda de seus métodos, mas ele havia conseguido minha atenção, e eu o ajudarei por que quero colaborar. Se a SHIELD não é mais dos mocinhos, gostaria de tentar impedi-la de destruir nosso não tão belo mundo.

— Muito bem, diretor. Parece que agora somos parceiros.

Balancei minha cabeça em um cumprimento, antes de me virar para ir embora, porém, sua voz me parou:

— Eu disse.

— O que?

— Disse que descobriria seus segredos, e costumo cumprir minhas promessas, Denova.

Não respondi, mas soube que o homem descobrirá bem mais do que dizia.

— E eu não costumo me intimidar com seu olhar Furyoso, diretor.

— Deveria, pois a próxima vez que entrar em minha mente, você não terá um corpo para onde voltar. — ameaçou.

Me virei, apenas para que ele pudesse ver meu sorriso irônico e voltei para o meu caminho, em direção a saída da sala.

Nick Fury havia falado sério, mas se eu tivesse que fazer, eu faria. Afinal, sou uma Stark, e Stark's costumam ser assim... inconsequentes.

— Vai ser legal trabalhar com você, Caolho.

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Bati em sua porta e esperei. Eu estou cansada? Sim, estou. Mas acima de tudo, quero vê-lo.

Ri baixinho. Eu tô muito lascada.

A porta abriu e seu corpo tenso apareceu, mas pude ver sua expressão aliviar-se ao me ver ali.

— Sofya.

Normalmente, Steve sempre me visita em New York, raramente eu vinha até ele, pois estudava, mas as poucas vezes que vim, nós quase não ficamos em seu apartamento, entretanto, eu já tinha noção de onde ele morava.

Sorri e o abracei sentindo Steve abraçando-me de volta.

— Oi. — minha voz saiu abafada, e me fez abraçá-lo ainda mais forte.

Fazia uma semana que não nos víamos, e depois do primeiro encontro, a gente sempre saia.

Senti falta dele, droga.

Eu estou tão perdida.

— Não sabia que estava na cidade. — comentou. — Se não teria ido buscá-la no aeroporto. — ele fez um carinho em meus cabelos enquanto tive que erguer o pescoço, para olhar nos olhos do herói.

— Cheguei a pouco tempo. — expliquei. — Fui resolver algumas coisas antes de vir aqui. Sinto muito por não avisar.

— Não precisa, gostei da surpresa.

Ter Rogers perto de mim, deixa-me... tonta, eu não consigo pensar com ele tão perto.

Toquei em seu rosto e senti uma vontade absurda de beijá-lo, vontade que eu sinto todas as vezes que estou com o herói. Mas havia prometido esperar pela iniciativa dele. Steve é diferente, não é como os caras do meu tempo, então eu terei paciência com ele.

Era o que passava pela minha mente, quando o herói levou seu olhar até minha boca.

Não faça isso, lindo.

Paciência.

Paciência.

O que eu pensava?

Me inclinei em direção aos seus lábios, sentindo minha respiração acelerar, cada nervo do meu corpo pedia por aquele contato.

Toquei seus lábios, porém, mal o toquei quando nos separamos abruptamente com o som de uma porta batendo.

— Steve... ah.... — disse uma voz feminina.

Steve?

— ... desculpa, não quis atrapalhar. — ela era loira, e muito bonita. Bonita demais, não gostei.

— Ahn.. não. — o loiro balançou a cabeça envergonhado, por ter sido pego no flagra com a.... com a... não importa.

Droga! E o cacete da paciência que prometi ter! Eu preciso parar de burlar minhas próprias promessas.

— Sofya, essa é minha vizinha...

— Katie. — ela o cortou, e sorriu para mim que retribui.

— Boa tarde. — desejou tardiamente. Eu disse um boa tarde a ela, que então levantou um cesto de roupas. — Bom... tenho que ir, essas roupas não levarão sozinhas. — nos mandou outro sorriso sem graça, e foi embora descendo pelas escadas do prédio.

E nós ficamos ali, parados, sem reação após o ato impulsivo da minha parte.

Continuei recriminando-me mentalmente.

— Desculpa por isso. — pedi, com o rosto queimando.

— Não peça. — ele finalmente me encarou. — Eu queria, ainda quero. — calma aí, acho que meu estômago não está muito bem. — Acho que foi apenas no lugar errado. — apontou para o corredor, onde qualquer um poderia passar.

Ele queria.

Tudo bem, respira.

1, 2, 3...

Concordei rindo um tanto sem graça.

Logo depois, Steve me convidou para entrar, mas o clima de antes desapareceu, e que me deixou frustrada por ter tido apenas uma amostra do homem.

Paciência.

Paciência.