NEW STARK | the avengers [1] ✓
30 Omissão
Na história está escrito que tudo está o.k.
Uma raça de pessoas massacrada e outra escravizada
Agora nosso mundo está se desmoronando por dentro
Abra seus olhos e entenda
O mundo em que estamos vivendo
Camila Cabello — Consequences
Autora
Você sabe o que controla suas emoções? Sofya não sabia.... não até ser importante saber.
O sistema límbico é responsável pelo processamento e controle das emoções no cérebro humano.
Ele regula os processos no organismo humano; faz a manutenção dos níveis de produtos químicos, hormônios e outras substâncias em equilíbrio como também, manda um sinal, dizendo quando é a hora de dormir, comer e beber.
É responsável pelo sistema de dados de grande porte; onde os humores, pensamentos e memórias de curto e longo prazo são armazenados, e regula suas emoções de medo e excitação.
Estou explicando isso para você entender que quando Sofya sofreu o acidente que mudou sua vida, ninguém esperou pelas consequências de usar seus poderes.
Começou lentamente... uma discussão infundada, felicidade excessiva, raiva momentânea e por fim, ataques emocionais. Com o tempo foi descoberto que quanto mais poder usado, maior seria a instabilidade emocional dela.
Doutora Kaitlin soube que, de alguma forma, quando Sofya ganhou seus poderes, acabou por carregar o fardo de uma instabilidade emocional perigosa. Ler a mente das pessoas não requer tanto poder, bloqueá-las, por sua vez, exige um certo esforço mental. Os treinamentos excessivos em busca de controle à deixava fatigada e com o tempo, propensa aos descontroles. O sistema, responsável pelo equilíbrio de suas emoções, encontrou-se desestabilizado, e apresentou uma instabilidade elevada de acordo com a quantidade de esforço.
Porém, seus amigos descobriram isto tarde demais.
E após as consequências de seu último ataque, a garota amaldiçoou aquelas habilidades e prometeu nunca mais usar seus poderes.
É possível notar que Sofya não está sendo bem sucedida em sua escolha. E, não irá demorar para que os sintomas voltem, outra vez.
***
A moto passou pelo portão, após liberada pelos seguranças, e alguns metros depois, parou em frente ao centro executivo da SHIELD.
Do automóvel, Sofya Stark desceu seguida de Steve Rogers.
Foi uma cena inusitada, pois ninguém tinha conhecimento do envolvimento dos dois, e apesar dos agentes serem extremamente discretos, não foi difícil reparar que alguns encontravam-se surpresos em ver a Stark com Rogers.
Os dois entraram juntos na agência, ambos fingindo não notar certos olhares e então pararam em um corredor inabitado.
— Não tenho dúvida de que Tony já têm ciência de minha chegada.
Steve a olhou e trocou o peso da perna.
— Ele com certeza deve estar preocupado de você chegando comigo. — comentou o Capitão, franzindo as sobrancelhas, preocupado..
Sofya mordeu os lábios olhando o corredor.
— É.... — ela concordou.
— Irei com você.
— Steve. — a Stark sorriu tranquila. — Tony é temperamental quando quer, acho que será melhor se eu conversar com ele.
— Então falaremos juntos. — declarou o loiro.
— E só iríamos arranjar um grande alvoroço. — Sofya falou e suspirou. — Deveria ter dito antes, mas estava esperando o momento certo e acabei por deixá-lo passar. — admitiu.
Eles ficaram em silêncio sem ter o que dizer.
— Está arrependido de ter me convidado para sair? — a Stark perguntou, momentâneamente.
Insegurança era a palavra que a definia naquele instante, Sofya tinha noção de suas ações sem sentidos e até infantis, e o receio que levava consigo era do herói não saber lidar com esse seu lado.
Steve a encarou atordoado.
— Não. — ele aproximou-se da garota, tocando em seu ombro. — Acho que não vê, mas é uma mulher incrível. Errar não te faz menor e ter medo também não. Se não disse nada até agora, tem seus motivos, não posso julga-la por isso. Gosto de você Sofya, do jeito que é. — Aquilo foi o mais perto que eles chegaram de uma declaração, e o coração acelerado da jovem Stark falava por ela.
Sofya olhou nos olhos do herói.
— Steve. — ela se aproximou um pouco mais do herói. Iria dizer o que sentia, iria falar que estava ap...
Os passos interromperam os pensamentos dela, e ambos afastaram-se, ganhando uma distância que não havia antes.
Um homem passou e comprimentou o Rogers e a Stark, desaparecendo pelo corredor, logo em seguida.
Até parece que foi mandado. Refletiu a garota, frustrada com a interrupção.
— Você tem que ir trabalhar e eu te atrasando. — ela comentou, sorrindo hesitante, dando alguns passos aleatórios para longe do homem, toda a coragem anterior desaparecendo em um passe de mágica.
Ela só não esperava pelo gesto impulsivo de Steve Rogers que a puxou para perto de si, mantendo próximos os seus rostos.
Que pegada. Pensou a garota que ofegou encarando o homem surpresa, cogitando que ele a beijaria ali mesmo... e Sofya nem resistiria.
— Não fique nervosa.
Ela estava nervosa, não mais com a situação, mas com a aproximação repentina do herói.
— Tá. — murmurou atordoada.
E novamente se afastaram, para cada um seguir seu caminho.
Ele, teria que viajar em uma missão. Ela, iria finalmente dizer a seu pai o que escondia.
Uma das coisas que escondia.
— Fique bem. — Sofya pediu, resistindo a vontade de abraçá-lo
— Ficarei.
***
Sofya ainda não entendia a razão de não ter um mapa do prédio para o caso de visitantes. A garota tinha um senso horrível de direção, e não conhecia nada da SHIELD.
Deveria ter aceitado quando Steve ofereceu-se para me acompanhar. Se arrependeu por um ligeiro momento, mas então pensou na confusão que seria ao seu pai encontrá-la com Steve. Sofya lembrou do olhar incomodado de Capitão, sobre como ele não pareceu confortável em deixá-la ir resolver a situação sozinha.
Mas isso era algo que ela deveria fazer.
Foi necessário Sofya parar um agente mal encarado para que pudesse guiá-la até a sala que seu pai estava. E só quando encarou os olhos castanhos de Tony, — da mesma cor dos dela. — Sofya percebeu que aquela conversa não seria nada fácil.
— Tony.
—Oi Sofya.
Oi Sofya. Era sempre "Sofy" ou "Filha", mas se Tony Stark a chamava assim, era porque estava irritado.
Ela suspirou:
— Pai...
— Nã-nã-não, nem começa.
— Tony...
— Melhorou. — concordou o Stark, sem encarar sua filha.
Ela soltou mais um suspiro antes de falar:
— Sinto muito, por não dizer sobre Steve...
Tony estreitou os olhos para a garota, e a falsa calmaria em sua expressão desapareceu.
— Começou errado, garota. Você deveria sentir, por iniciar toda essa merda.
Sofya desviou o olhar, sentindo a raiva no tom de voz do pai.
— Isso não é algo que se escolhe!
— Isso? — Tony zombou.
— Eu... eu estou apaixonada por Steve. — Sofya admitiu, sentindo todo o rosto esquentar, era a primeira vez que dizia aquilo em voz alta e o sentimento parecia aquecer todo o seu coração. — E... eu sei que, provavelmente, isso não seja o que você queira... mas, eu gosto dele, de verdade. — ela suspirou, aliviada por falar. Exceto que sentia-se mal, observando a expressão do pai.
Tony Stark estava calado e boquiaberto, sem conseguir ao menos se mexer. O rosto congelado e a coloração avermelhada dele, quase a fez acreditar que sofria de um ataque do coração.
A sua filha estava...
— Quanto tempo?
Sofya encolheu-se ao responder:
— Uns meses. — respondeu, decidindo não detalhar. Apesar disso, a palavra meses foi como um baque para o homem de ferro, forte, como se tivesse voltado de uma batalha perdida.
Depois de quase cinco minutos em silêncio, o Stark perguntou:
— Porque nunca confia em mim? — ele tinha um olhar cansado.
Sofya desviou o rosto de seu pai e encarou o cômodo ao seu redor.
—Eu confio.
— Confia? — o Stark sorriu, sarcástico. — Então me conta, quero saber o que você tanto esconde, fala...
Ele não entendia, não sabia o que queria saber.
— Tony....
Ele a cortou:
— Está vendo! — apontou para a filha. — Você nunca fala sobre sua vida, sobre sua mãe, sobre nada! — Tony ergueu a voz, levantando da cadeira, balançando suas mãos.
Sofya balançou a cabeça, exasperada.
Ele não a entendia.
— Porque não é da sua conta — A garota exclamou, respirando pesadamente.
— Não é da minha conta? Você desapareceu por um ano, e eu nem sei o que passou, Sofya... um ano. Isso não é da minha conta?! Você sempre é evasiva sobre sua antiga vida, afastando todo mundo. Me afastando! — exclamou Tony Stark, dizendo tudo o que estava entalado. — Só... fala comigo.
Sofya engoliu a seco, sentindo um aperto no peito e uma vontade absurda de falar, ela respirou, abrindo a boca, desistindo logo em seguida.
Então deu as costas para o pai, prestes a sair da sala.
— Eu não tenho que falar tudo, e nem quero.
— Não entende que estou preocupado com você?! — Tony gritou, sem paciência.
Raiva, ela estava irritada com a insistência do pai, sobretudo, irritada consigo mesma, com sua mania de esconder as coisas das pessoas que gostava. Tony estava certo, ela não confiava em ninguém, porque não confiava em si mesma.
Sofya virou-se para encarar o pai, sentindo os olhos encherem.
— Não entende que tem coisas que não quero falar!? — retrucou, gritando ofegante. — E você, aparentemente, não parece querer um diálogo civilizado, então... — ela suspirou, encolhendo os ombros e virando-se novamente para a saída. — Estou indo embora.
Aquele momento a lembrou do começo do relacionamento dos dois, da insegurança continua que outrora ela sentia, acreditando que ele a abandonaria na primeira oportunidade que tivesse.
Circunstâncias diferentes, todavia, semelhantes em certos aspectos.
Sofya estava afastando-se novamente.
Desta vez, Tony não a impediu. E ela não olhou para trás.
***
A Stark reservou um hotel assim que saiu da base da SHIELD, e desnorteada como estava, não conseguiu se focar nos problemas maiores que aconteciam a seu redor.
Uma organização ainda queria aniquilação global.
Ainda sim, as mãos trêmulas da morena impediu de fazer o que deveria na SHIELD, e ela fora embora.
Entrando no quarto reservado, a garota correu até o banheiro, não preocupando-se em trancar a porta, e parou de frente a pia do banheiro, respirando pesadamente.
— Por que nunca confia em mim?
Ela buscou ar, não encontrando.
Calma...
— Sofya!
— Sofya?
Sofya ofegou, e se inclinou até que sua cabeça estivesse encostada no mármore da pia.
A menina caída, meio aos escombros levantou o olhar e gritou.
—Calma... calma querida. Vai ficar tudo bem, apenas respire.
Respire.
Sofya respirou fundo, puxando o ar lentamente até seus pulmões, depois, ligou a torneira criando uma concha com as mãos, para em seguida, jogar água em seu rosto levantando-o até encontrar seu olhar refletido no espelho.
— Droga. — murmurou, encontrando o vidro antes intacto, trincado.
Está começando… Pensou bufando, logo após, trancou a torneira fechando seus olhos.
— Vai ficar tudo bem, — cochichou baixinho. — Está tudo sobre controle.
Cansada mentalmente e fisicamente, a garota arrumou sua cama e foi deitar, mas antes que pudesse cair em sono profundo, o celular tocando a tirou de seu estado dormente.
Encarou através dos olhos cansados a foto da madrasta brilhando.
— Pepper? — ela murmurou, prontamente, ao atender o aparelho.
— Sofya? Oi querida.
— Oi.
Mesmo pelo telefone, foi possível ouvir a respiração profunda que sua madrasta tomou.
— Como você está?
— Falou com o Tony?
A jovem Stark se ajeitou na cama, de maneira que o celular ficasse em sua orelha sem que precisasse segurar.
— Sim, soube da discussão.
— O que acha?
— Acho que deveriam parar, respirar e conversar quando ambos estiverem calmos.
A Stark ficou brincando com o tecido da cama, enquanto sorria sem humor.
— Deveria ter contado antes, não é?
Houve um breve momento de silêncio, antes da mulher responder.
— Deveria, mas isso não significa que não pode fazê-lo agora.
—Agora ele já sabe.
— Não por você, não tudo.
—Eu tentei...
— Tente de novo, vocês são dois cabeças duras, mas vão se entender.
Nenhuma das duas disse mais nada, e Sofya pôde ouvir sua madrasta bocejar do outro lado da linha.
— Tenho que ir, e você tem que dormir.
— Quando volta?
— Se possível amanhã, mas não acho que vá acontecer.
— Me ligue.
— Eu ligo, boa noite Pepper.
— Boa noite, querida. Vai ficar tudo bem.
—Eu sei.
Era mais umas de suas mentiras, Sofya não tinha tanta certeza de que tudo ficaria bem.
Ela mal dormiu aquela noite e quando amanheceu, teve que avisar seus amigos do futuro problema, se não o resolvessem. Ela já havia negligenciado os sintomas uma vez, não o faria novamente.
E mesmo que não gostasse da ideia de voltar a tomar os remédios, Sofya fez um esforço, colocando o comprimido na boca e tomando um gole de água. Ela então se virou para a tela do celular, encontrado uma mulher de jaleco, e um rapaz moreno de cabelos longos.
— Satisfeitos?
— Por enquanto, sim. — Kaitlin respondeu, enquanto Cisco assentiu.
Ele concordaria com tudo que a doutora dissesse.
Ca-pa-cho.
A Stark soletrou com a boca, para o amigo do outro lado da tela, assistindo o mesmo fazer uma careta.
— Parem vocês dois. — Kaitlin reclamou.
— Parar com o que? — Sofya perguntou cinicamente.
— Men... Sofy. — disse Cisco, se auto corrigindo, após receber um olhar nada amigável da Stark, do outro lado da linha. — Ainda acho que deveria vir para Central City.
— Estou bem.
Ela acreditou que estava sobre controle, mas acima de tudo, Sofya não queria voltar para a cidade. Não estava pronta.
— Você disse que quebrou o espelho do banheiro. — A doutora apontou.
— Estava nervosa. — Sofya se defendeu.
— Exatamente!
— Tony estava muito bravo... bravo não, decepcionado. — Sofya suspirou, balançando a cabeça. — Acho que me abalou bem mais do que pensei.
— Tente manter a calma, tá bem? — a doutora suavizou a voz. — E fale a verdade.
— E então... — a Stark ergueu os braços, desamparada. — Ele não...
— Ele não vai te deixar, Sofya. — cortou a Stark, em um tom de voz firme. — Por que seu pai te ama.
A Stark desviou os olhos da tela, encarando aquela maleta em cima da cama, responsável por milhares de vidas.
— Parece Steve falando. — comentou Sofya, lembrando-se de uma vez o herói dizer-lhe algo do tipo.
— Humm... Steve pra lá, Steve pra cá. — Cisco provocou, e a doutora traidora, riu.
— Idiota! — a garota juntou-se a risada, enquanto o amigo a imitava, do outro lado.
Minutos depois, ela levantou da cama.
— Tenho que resolver um problema. — Sofya falou, preparando-se.
— Não esquece de... — Kaitlin começou, mas foi cortada em meio a frase.
— Eu sei, eu sei. Não vou esquecer. Estou bem, já disse.
Eles encararam céticos a garota, mas concordaram despedindo-se dela.
Com a tela desligada, Sofya suspirou segurando a maleta, guardando-a dentro da bolsa.
Tinha algo para entregar.
***
Sofya fechou os olhos, respirando lentamente, com calma. Não sentindo mais toda aquela montanha de stress que passou no dia anterior. O efeito do remédio começava a tomar conta, a sonolência e aquele estado zen, que não lhe era característico.
Pode parecer bobo e idiota, mas a garota sentia que a qualquer momento estava para explodir, e tinha medo. Medo de atingir os outros a sua volta, de machucar as pessoas que gostava.
Eu sou uma covarde. Pensou.
Abriu seus olhos, sentindo o movimento do carro diminuir, e enxergando-o descer até o estacionamento subterrâneo da base. Saiu do automóvel assim que ele parou, agradecendo o motorista e andando em direção ao elevador, apertando o botão e esperando pelo mesmo.
De manhã soubera pela madrasta que o pai havia voltado para New York, e ao que parecia, não havia se importado com a ausência dela na viagem de volta. Pepper quis saber se ela realmente voltaria naquele dia, mas a morena tinha que entregar os cartões para Nick Fury, por isso, recusou a carona de volta para o lar. Também estava magoada com o silêncio do Stark, mesmo que tentasse com todas as forças impedir o sentimento de tomar conta, pois, sabia que de certa forma, entendia o fato do pai estar tão irritado.
Era confuso e agoniante... do jeito bem Sofya.
A porta do elevador abriu e a garota sorriu surpresa. Steve Rogers saiu do elevador, ainda vestindo a roupa do Capitão América.
— Steve?
Ele a encarou confuso, para que depois, uma expressão de entendimento iluminasse seus olhos.
—Oi. — ele não parecia receptivo a presença dela.
Notando a tensão do homem, Sofya ficou alerta.
— Está tudo bem? — indagou, sorrindo hesitante. O herói não retribuiu, o que fez um alarme soar na cabeça da garota.
— Eu... — ele balançou a cabeça, sem expressão. — Tenho que ir. — e desviou-se dela andando pelo estacionamento.
Havia acontecido alguma coisa e aquilo deixara a Stark preocupada.
— Quê? — piscou sem entender, então correu para alcançar o homem. — Steve, você está bem? Acon...
Steve parou bruscamente, encarando ela com um olhar indecifrável.
— Sofya. — pronunciou o nome da garota, parecia querer dizer algo. — Agora... — então suspirou e negou com a cabeça. — Não é um bom momento. — murmurou.
Sofya estava tensa, mas queria entender o homem:
— Posso ajudar em algo? — insistiu.
Steve a olhou em silêncio, e andou na direção da morena.
— Ontem fui a uma missão. — Steve falou.
Ela concordou com um manear, não entendendo a razão dele estar falando sobre o trabalho.
Ele nunca falou, Sofya também nunca perguntou.
— A equipe STRIKE foi chamada para resgatar reféns... — continuou, Sofya encarou o homem fixamente, sentindo as peças encaixando em sua cabeça. — ... presos em um navio.
Uma breve expressão de entendimento passou pelo rosto da garota, e ele não deixou de nota-lá.
Steve sorriu, sem humor:
— Você realmente sabia. — constatou.
— Steve. — ela tocou o braço do herói.
E sem que pudesse impedir, flashs das últimas horas passou pela garota. O Capitão América pulando de um avião e lutando contra um homem grandalhão, depois salvando Natasha Romanoff, eles retirando as pessoas do Lemurian Star, e então a conversa com Nick.
— Deixe-me adivinhar? Stark. — Steve olhou todas aquelas armas, sentindo-se sufocado com a visão.
— Os Stark's tem nos auxiliado, em aspectos que precisamos de melhorias.
A atenção do herói voltou-se para o diretor, confuso com o plural.
— Os Stark's?
O diretor lançou um breve olhar para o Rogers, antes de voltar a encarar o local.
— Os Stark's. — afirmou o diretor, e completou em seguida — Tal pai, tal filha.
As imagens desapareceram e ela se afastou, chacoalhando a cabeça.
— Desculpa. — murmurou, desculpando-se por entrar na mente do herói.
Sofya sabia o que Fury faria, mas não imaginou que Steve estaria metido nisto, foi ingênua por não pensar na possibilidade.
— Está ajudando a... — Steve a encarou de uma maneira que Sofya não pôde descrever. — ... Isso — ele respirou. — Não é certo.
— Não é.
— Diz isso, mas está cooperando com a construção de algo que pode destruir nosso país, arrancar nossa liberdade... matar milhares de pessoas, que podem ser inocentes. — acusou. — Achei que pensávamos semelhantemente, mas vejo que estava enganando.
Sofya tentou falar:
— Não estou... — ela se aproximou, mas Steve voltou a andar, indo para longe da garota. — ...quer dizer, estou. — ela se confundiu. — Mas não nisto... não posso falar. — balançou a cabeça, novamente.
Eles aproximaram-se da moto de Steve.
— Esse é o problema. — Steve retrucou. — Tem parar de esconder as coisas das pessoas, tantos segredos... — o herói negou com a cabeça. — Como espera que confiem em você, como espera que eu confie?
— Engraçado você dizer isso. — o tom ácido na voz da morena, não condizia com sua calma anterior. — Mas foi você quem disse que me apoiaria, que não me julgaria. — ela jogou na cara do homem. — Gosto de você, do jeito que é. — repetiu, irônicamente.
— São coisas diferentes, pessoas estão correndo risco. — Steve insistiu.
A Stark suspirou, e negou afastando-se do homem.
— Não acho que seja uma boa ideia discutir isso aqui, Steve.
— Acho que concordamos em algo. — o herói replicou, secamente.
A garota maneou a cabeça cansada, e afastou-se.
— Tanto faz. — deu um passo para trás, sem mais nada a dizer.
E enquanto o homem ia embora, as palavras do herói ecoavam em sua mente.
A garota então parou para pensar em todas seus segredos. Sofya estava magoada com Tony por ignorá-la, mas naquele momento sentiu-se arrependida por esconder tantas coisas do pai.
Ela também não pensou em contar de seu trato com o diretor da SHIELD, até porque era importante que ninguém soubesse da desconfiança de Nick. A garota entendeu e concordou com diretor, mas olhando aquele assunto com outros olhos, Sofya viu que aquilo não atingia apenas a si.
Ela percebeu seu erro.
Por isso, desistiu da discussão. Estava cansada do peso que o passado impunha sobre seus ombros.
A Stark lembrou de, certa vez, dizer algo parecido à Nick Fury.
— Uma dúvida, Denova. Como espera que as pessoas confiem em você?
Na ocasião, aquela pergunta lhe pareceu tão tola... engraçado como sua situação mudou.
— Eu não espero. — Sofya respondeu na época. — Mas e você, diretor? Deveria fazer essa pergunta para si mesmo, afinal, tantas pessoas confiam em você e mesmo assim, lá está você mentindo de novo e de novo para elas. Agora me responda uma coisa, Fury. Consegue dormir a noite sem a consciência pesar? Não se sente culpado por mentir para pessoas que te consideram um amigo.
No final, o feitiço havia voltado contra o feiticeiro.
As palavras foram lançadas, e Sofya experimentava um pouco do próprio veneno.
Fale com o autor