NEW STARK | the avengers [1] ✓
16 Novas Amizades
— ANTES DE TUDO, quero saber. Quantos já ouviram falar de Álgebra Linear? — todos levantaram as mãos. O professor acenou e continuou: — E quantos já estudaram Álgebra Linear? — incluindo eu, cerca de trinta ou mais alunos em uma sala de, aproximadamente, cinquenta levantaram suas mãos.
O professor parou e olhou para toda a sala, como se estivesse procurando alguém.
— Você — apontou para uma garota morena, sentada em uma das primeiras fileiras da frente, uma da qual levantou a mão em sua última pergunta — Nos explique, o que é Álgebra Linear?
Ela pigarreou: — É um ramo da matemática que surgiu do estudo detalhado de sistemas de equações lineares, seja elas algébricas ou diferenciadas — explicou em um fôlego só, parecendo ansiosa. Não a culpo, também teria ficado.
O professor balançou a cabeça em um aceno satisfeito, voltando mais uma vez a sua atenção para toda a sala.
— Para aprenderem sobre um assunto é necessário saber de onde ele veio, quando surgiu — explicou, e eu sabia que como eu, os olhos de todos estavam presos no professor — Muitas das ferramentas para a resolução das equações lineares vem da Antiguidade. Uma delas? Eliminação de Gauss. Que é nada mais, nada menos que um algoritmo para se resolver sistemas de equações lineares, citada pela primeira vez por volta do século II d.c....
O senhor Fitz passou a próxima hora ensinado a parte histórica da sua matéria. O que deixou sua aula interessante. Pelo menos para mim que sou apaixonada por história. Tenho quase certeza que vi alguns com cara de tédio e até um carinha que parecia estar dormindo.
A verdade é que uma matéria depende da outra. Cada uma delas engloba todas as outras. Para aprendermos Biologia, precisamos saber como ela começou. Ou seja, sua história. Para aprendermos Matemática, precisamos interpretar os problemas. E é aí que entra a literatura inglesa. Cada matéria completa a outra. É por isso que não dá pra aprender se nos focar apenas em determinado assunto.
Durante toda a explicação eu fui fazendo minhas anotações. Somente ao final da aula que eu percebi duas folhas do meu caderno todas rasuradas, com minha letra fazendo aquela bagunça que só eu entendo. Os alunos foram guardando seus materiais e fiz o mesmo. Ao terminar, eu caminhei em direção a mesa do professor.
— Hm... — limpei a garganta para chamar a atenção — Senhor Fitz? — o professor parou uma conversa que tinha com uma aluna para olhar para mim. Pediu um momento e eu concordei em silêncio. A garota me olhou estranho quando ele a dispensou, entregando a ela um papel, mas eu não dei muita atenção. Sabia que ia receber muitos olhares até o final do meu dia.
— Stark — ele me cumprimentou com um sorriso e eu retribui com outro de lábios fechados sem mostrar os dentes — Suponho que veio buscar seus documentos?
— Sim — confirmei.
Fitz fixou seu olhar no meu por alguns instantes, com certo interesse, me deixando até mesmo desconcertada com a atenção. Como se finalmente despertasse, ele piscou os olhos e voltou seu olhar em suas coisas, remexeu em uns papéis em cima da mesa até encontrar o bendito documento.
Graças a Deus!
— Aqui está — me entregou ainda sorrindo. E eu não sabia de onde vinha tanta alegria nele para estar sorrindo tanto aquele horário da manhã. Eu estava começando a ficar com sono da minha noite mal dormida e eu sempre fico com um humor péssimo quando estou assim — Espero que tenha gostado da aula — comentou.
— Gostei sim, o senhor tem um jeito interessante de ensinar —confirmei.
— Fico feliz em ouvir isso, e por favor, sem o senhor, me chame de Caleb — ele pediu dando uma risada nasalada e eu assenti.
— Tá certo, senhor Caleb — vi ele franzir a testa e me apressei em ir — Obrigado e bom dia — balancei o documento a minha frente para que ele entendesse, enquanto me preparava para me afastar.
— Que isso, acredite, foi um prazer.
Sorri amarelo e sai da sala. Eu senti mesmo um duplo sentido em suas palavras, ou foi apenas impressão minha?
Balancei a cabeça e prestei atenção no caminho que tomava. Meus olhos estavam pesados de sono e, naquele momento, tudo que eu queria era a minha cama.
O corredor estava cheio, então eu tinha que desviar das pessoas enquanto olhava no papel a minha próxima aula. Daqui vinte minutos ela ia se iniciar, então dessa vez eu tinha tempo para chegar primeiro e encontrar um bom lugar para sentar.
Era com esse pensamento em mente que eu fui arrastada até uma salinha escura e desconhecida por mim. Meu coração se acelerou de forma tão intensa que eu ouvi o som ecoar no meu ouvido e um ganido assustado escapou por entre meus lábios. Reagi rápido quando senti a mão soltar meu braço e bati o cotovelo contra o rosto do homem. Ouvi seu grunhido e me afastei, encostando em algo sólido e tateando a parede a procura da maçaneta da porta.
— Porra! — ele xingou — Precisava quase quebrar o meu nariz?
Parei de tentar fugir assim que reconheci a voz do merdinha que me assustou. Idiota!
— Ethan! É você! — eu disse num tom irritado, mesmo não o vendo em meio a escuridão do cômodo.
— Não, o papa — é estranho discutir com alguém no escuro. Pensei. E assim que o pensamento assou pela minha cabeça, o barulho do interruptor sendo acionado fez-se ouvir. A luz da sala de quem eu imaginei ser do zelador iluminou todo o lugar e eu estreitei meus olhos sensíveis — Claro que sou eu! Você sabia que eu ia entrar em contato. Precisava dessa violência toda?
Certo, então eu meio que tinha esquecido dele. Lembrei da conversa que tivemos dias atrás, após eu o encontrar naquela festa se fraternidade.
— Vou encontrar esse cara pra você, mas espero que isso não me meta em problemas.
— Não vai — afirmei com uma certeza que eu não tinha. Walker também não parecia acreditar — Presta atenção, tudo que eu preciso é de uma distração. Você mantém o contato, enquanto eu o rastreio. Eu faria isso eu mesma, mas não quero correr o risco de assustá—lo. Foi com você que ele teve o contato da primeira vez, tá? Vai dar certo.
— Não acredito que estou prestes a confiar na palavra de uma desconhecida — ele riu nervoso.
— Hey, não sou uma desconhecida. Sou sua colega — abri um sorriso tentando acalmar as coisas. Temia que qualquer coisa fizesse com que Ethan desistisse de me ajudar. E sem ele, então eu não teria ninguém que pudesse ter contato direto com o sujeito que me contratou meses atrás, pois, estranhamente, eu não havia conseguido nada dele ou dela. E, por mais que eu odeie admitir, isso meio me limitou um pouco — Trabalhamos muitas vezes antes, lembra? Foi tranquilo.
— É, mas a gente nunca tentou enganar um cara que tava procurando armas de guerra — ele devolveu, ansioso. Abri a boca para responder e o encorajar com um "Hey! Você é demais, cara!", mas o Walker se apressou em continuar — Olha, não importa. Já disse que vou fazer isso — fez uma pausa e suspirou — Eu posso te repassar tudo em dois dias. Como vai ser? Pessoalmente ou...
— A internet não é segura — o cortei — Prefiro que isso seja feito pessoalmente. Entre em contato quando tiver alguma coisa — ele acenou em concordância — Ah, e por favor, seja discreto.
— Você me assustou! — rebati, olhando com indiferença seu draminha quando eu nem forte bati. Não tava sangrando e no mínimo, ele sentiria uma breve dorzinha de nada — E eu disse para ser discreto, não pra me causar um ataque cardíaco.
— Tá, foda-se essa merda. Tá aqui as informações que você me pediu — com certo mau humor, ele me entregou um envelope e eu o peguei e abri. Na folha estava impresso a conversa dele com o desconhecido que ansiava tanto pelas armas Stark. Como eu já imaginava, ele não havia realmente desistido do seu plano. Pessoas assim não fazem isso tão facilmente. Bom para mim que procurava por ele/ela, mas péssimo para quem estava por trás de tudo isso. O Walker resolveu falar depois de um tempo: — Aliás, o que você pensou quando imaginou que ia conseguir esconder que é a filha perdida do homem de ferro? — disse com naturalidade.
Parei de olhar a folha com sua frase, suspirei fundo e revirei os olhos antes de voltar a ler. Ah, sim. Eu lembrava das manchetes que saíram na época que Tony assumiu a paternidade para todo aquele monte de abutres. Foram meses atrás, mas com o tanto de coisa que aconteceu, parecia que foram anos.
— Não pensei nada, por que eu não estava tentando esconder — menti descaradamente.
Ele sorriu e cruzou os braços, parecendo muito charmoso me olhando daquele jeitinho cheio de marra. Deus me livre gostar de outro cara metido a bad boy, não importa o quão atraente fosse. A maioria não prestava.
E não é disso que você gosta? Minha mente me lembrou e eu a mandei calar a boca, voltando a atenção a impressão das mensagens trocadas entre Levy e o desconhecido que queria tanto por armas Stark.
— Tá certo, então por que me dizer que se chama Katherine?
— Eu não menti, Katherine é meu segundo nome.
— Devo acreditar que é Denova é... — não deixei ele terminar.
— Meu sobrenome, isso mesmo — eu confirmei.
— Tá, mas não muda o fato de que você estava tentando esconder que é filha do senhor Stark.
Respirei fundo e tentei fingir que aquela conversa não me irritava. Deixei de lado os papéis para encarar o rapaz na minha frente.
— Afinal de contas, por que você está tão interessado, hein!?
Ele me encarava curioso e balançou os ombros antes de me responder:
— Nada, é só que eu acho muito estranho, sabe — ele parou e pareceu pensar bem, antes de continuar: — Você aceita hackear uma empresa e tempos depois se descobre que é filha do dono? E Tony Stark é o homem de ferro — disse com obviedade — Porque você não está falando pra ele sobre esse problema?
Eram duvidas plausíveis. Principalmente, para ele.
Foi somente com ele externando suas dúvidas que eu notei que Ethan Morris sabia mais sobre mim do que qualquer um de fora. Ele tinha me conhecido antes. E não é que fossemos íntimos, mas trabalhar com a mesma pessoa por mais de um ano cria um vínculo. Eu só não sabia se podia confiar nele. E sim, esse pensamento podia ser injusto levando em conta que ele tinha se arriscado por mim, mesmo depois de descobrir que eu havia mentido sobre minha identidade, mas... Só era muito difícil para mim confiar.
Olhei seus olhos castanhos e não vi maldade. Mas talvez eu tivesse enganada sobre ele, né? Ler sua mente poderia sanar todas as minhas dúvidas, mas eu também tinha prometido que só usaria meus poderes em casos de emergência. Os danos colaterais não valiam a pena o risco. Eu era como uma bomba instável quando os usava.
Pensei mais um pouco e bufei.
Afs, tá.
Um chance.
Eu ia dar uma chance dele se aproximar. E, quem sabe, talvez a gente criasse uma amizade? O pensamento me deixou meio agoniada e eu ri de mim internamente. Deuses, eu era péssima nisso. Porém, precisava também sair do meu casulo anti-social. Era por isso que eu estava aqui, não é? Para começar de novo.
— Eu sabia que o Tony era meu pai quando aceitei aquele trabalho — revelei de modo indiferente, vendo os seus olhos se alargar em surpresa — Minha mãe me disse quem era, mas nunca tive coragem de o encontrar, não até que você me ofereceu aquele trabalho — eu disse, guardando os papéis dentro do envelope — E sobre isso — balancei o papel marrom — Eu só não quero o Tony envolvido nisso — neguei com a cabeça — É problema meu, para eu resolver.
— Hm — ele me encarou fixamente, as sobrancelhas franzidas.
— Hm o que? — revirei os olhos.
— Nada ué, não posso mais dizer hm? — ele sorriu como se estivesse me provocando e eu balancei meus ombros, escolhendo não rebater quando ele visivelmente estava tentando me estressar.
— Ele não parece desconfiar de nada — voltei ao assunto inicial, balançando o envelope na mão. Ethan não tirou o sorriso do rosto, mas também não me interrompeu. Ele cruzou os braços e assentiu para o que eu disse, me observando com atenção. Ele era tão descolado que parecia errado ser tão nerd. Eu sabia que ele era bom no que fazia. Não foi a toa que eu o considerava um dos melhores. É como dizem, né, as aparências enganam — Mas é bom ficar esperto. Vamos esperar um pouco e então você manda a mensagem dizendo que conseguiu o que ele queria. Diz que esse tipo de coisa você não entrega virtualmente, enrola ele, se a gente não conseguir o rastrear, vamos precisar de um plano b.
— Legal — Walker concordou. E enquanto eu suspirava guardando o envelope na minha bolsa, pensava comigo mesma como eu ainda não tinha me acostumado a chamar ele por Morris — Quer almoçar comigo?
— Quê? — olhei ele, sem entender.
— Eu te busco na sua sala. Que horas você sai? Aí eu posso te levar pra comer alguma coisa.
Pisquei algumas vezes, ainda sem entender que ele tinha me convidado pra sair. Digo, não é que ele estivesse me convidando para um encontro, eu só não estava acostumada com pessoas de fora me dando atenção.
Eu ficava tímida.
Com a minha família eu era mais solta e brincalhona, mas quando o assunto era fazer amizades e convidar, ou ser convidada a sair... Puff, eu era o cúmulo.
— Eu... — comecei e olhei o relógio no meu pulso de relance, vendo que eu estava atrasada. De novo. Porra! — Merda! Estou atrasada pra minha aula.
Me apressei em sair de dentro daquela salinha e acabei trombando contra um corpo, tardiamente notando o uniforme e o carrinho de limpeza ao lado do senhor já de idade.
— Foi mal! — disse com uma careta, ajudando ele a levantar as coisas que eu tinha derrubado. Foi então que eu notei a expressão desconfiada dele, indo de mim a um ponto perdido a minhas costas. Eu não precisava olhar pra trás para saber que ele encarava o Walker, e que tinha suposições precipitadas sobre o que fazíamos lá dentro — A gente não... — tentei dizer, mas gaguejei. Ótimo pra dar credibilidade, Sofya. Continue! Tentei de novo: — Não estávamos...
— A gente estava conversando, sinto muito por ocupar sua sala, senhor Carlos — Ethan disse com um tom sério e eu senti sua mão segurar a minha, me puxando para longe dali e, felizmente, me ajudando com o que restava da minha dignidade — Não vai se repetir.
— Sei muito bem — o senhor ainda resmungava enquanto a gente se afastava. E eu até ouvi algo sobre os jovens de hoje não se contentar com um quarto. Enfim, que vergonha.
— Eu só me ferro — resmunguei, largando a mão de Ethan quando viramos o corredor.
— Não se preocupa, Carlos está acostumado a me encontrar com garotas naquela salinha. Ele nem vai lembrar do seu rosto amanhã.
Eu não deveria ficar surpresa, mas fiquei.
— O que? Você me levou pro seu cantinho de sexo? — disse na lata, virando pra ele como a menina do exorcista, muito puta da vida e enojada com ideia de ter tocado em algo daquele cômodo.
Caras de faculdades, como podem ser tão babacas?
Ele riu. Ele tava rindo da minha cara. Que filho da...
— Tô brincando — não acreditei que ele estivesse, mas dei um sorriso sem achar graça nenhuma e continuei a andar rápido. Eu torcia para que o meu professor não fosse daqueles ruins que te envergonham na frente da sala. Deuses, eu deveria saber que meu dia seria ruim quando acordei aquele horário da madrugada com o pensamento a mil sobre o passado — Hey, espera aí — sério que ele ainda tá aqui? Me perguntei, ouvindo Ethan dar uma corrida pra alcançar meus passos ligeiros — Não tava falando sério — ele afirmou e dessa vez não estava sorrindo — Só estava tirando uma com você, não me leve muito a sério.
— Tanto faz, cara — disse normalmente, olhando seus olhos com minha cara de paisagem — Só quero terminar esse dia, e... não vai dar pra gente almoçar. Já tenho companhia — menti sem nem piscar e dei de ombros, continuando rápido quando ele ameaçou falar — Então a gente se vê daqui uns quatro dias? Acho que é tempo o suficiente pra você entrar em contato com ele novamente, tudo bem? — não esperei o Walker me responder, nem me permiti analisar sua expressão, apenas acenei — A gente se vê. Bye.
E continuei a seguir em frente.
Eu sabia o que tinha acontecido e não fiz nenhum esforço em tentar me impedir. Tinha entrado na defensiva. Foi a mesma coisa que eu fiz com Tony quando nos conhecemos. Briguei com ele por que fiquei com medo de o perder e me machucar no processo. E afastei um garoto que parecia interessado em mim pelo mesmo motivo.
As vezes, não importa o quanto se tente, não dá pra abandonar antigos hábitos e traumas.
Só fingir.
É isso era algo que eu sabia fazer de melhor.
***
Pelo meu horário eu soube que toda segunda, quarta e sexta minhas aulas terminariam às uma da tarde, enquanto no restante dos dias eu iniciaria às duas e sairia as seis. Estava bom pra mim, eu apenas esperava que a faculdade não atrapalhasse em nada caso eu comece a trabalhar com Bruce Banner.
Quando eu saí da minha última aula, tendo comido só uma torradinha pela manhã, o meu estômago parecia uma espécie estranha de leão faminto.
Meu estômago roncou mais uma vez e eu toquei minha barriga com espanto.
— Minha nossa, calma, eu juro que já vou comer — eu disse, tirando rápido a mão da barriga quando vi uma garota me olhando estranho.
Deus me livre de sair uma notícia sensacionalista minha como manchete "filha do bilionário Tony Stark grávida". Há! Que pesadelo. Dou risada só de imaginar e... certo, recebo mais algumas encaradas estranhas.
Normal.
— Hey! — ouvi alguém gritando, mas ignorei e continuei no meu mundo da lua, sequer pensando que aquilo fosse comigo. Primeiro que aquele era o meu primeiro dia e, por excessão de Ethan Morris, eu não tinha conversado com mais ninguém ou feito amizade.
Bem, eu estava enganada.
Tive um sobressalto e dei um pulo surpreso ao sentir uma mão segurando meu pulso. Era a segunda vez que faziam isso comigo hoje, mas desta vez eu tive a sorte de não ser arrastada para a sala do zelador. Respirei fundo e ergui uma sobrancelha, enquanto encarava a pessoa que me assustou.
— Desculpa — pediu a garota baixinha de rosto bonito. Eu conhecia ela de algum lugar...
Ah!
A garota da festa!
Como era mesmo o nome dela?
Keint.
Isso! Lucia Keint.
Suavizei a expressão irritada de meu rosto.
— Não, tudo bem — dou de ombros um pouco mais calma.
Por um momento, eu tinha pensado que fosse Ethan ali.
Estava aliviada que não fosse.
— É que eu te chamei e você não me ouviu — ela se explicou e eu ergui minhas sobrancelhas. A pergunta que não quer calar é, por que me chamou? — Eu queria te perguntar se não queria comer um lanche, sabe? — ela respondeu minha pergunta mental. Comer um lanche... Meu estômago roncou de novo com a possibilidade de um hambúrguer bem recheado de bacon e cheddar. Eu podia até visualizar, mas ainda tava pensando se queria mesmo passar por toda aquela fase de conhecer alguém, fazer e responder perguntas sobre a vida e tudo mais que consistia em conhecer alguém — Fazer novas amizades, não que você não tenha amigos ou algo do tipo, mas eu vi você andando sozinha e pensei: Putz, tenho que mostrar a melhor lanchonete com o melhor lanche que ela já comeu na vida. Claro, você não é obrigada a ir, nem a gostar do lanche. Eu só... quer ir? Desculpa, eu falo demais quando tô nervosa — a garota soltou um sorriso trêmulo.
Ela nervosa e eu apenas observando um tanto imparcial, enquanto ela fala e fala. Talvez eu esteja intimidando a garota. Lembrei de dizer a certo alguém que já tinha companhia para comer, e até que aquela não era uma ideia de toda ruim sabe. Matar dois coelhos com uma só cajadada. Com isso em mente, eu abri um sorriso pequeno pra garota e assenti. Percebi que ela ficou instantaneamente mais calma. E foi estranho, por que eu também senti uma espécie de alívio. Acho que eu me sentia mais a vontade com ela do que com o Walker. Talvez por que ele me lembrava do passado ou porque ele me conhecia melhor do que eu gostaria, entretanto, foi mais fácil dizer sim para aquela garota do que para o rapaz.
— Aonde seria essa lanchonete? — pergunto quando um silêncio estranho de instala enquanto a gente caminha lado lado pelo campus.
— Ah! Eu não disse? Desculpa, eu me enrolo toda quando fico nervosa, não que você seja a causa, é que eu não sou muito de começar uma conversa, sabe. Acho que você deve ter notado o quão desconfortável eu tava na sexta — ela ri sem graça.
Dei uma risada anasalada com seu jeito espontâneo: — Acredite, não mais do que eu estava.
— Eu reparei mesmo você sem jeito, só que você é melhor do que eu em esconder — Keint disse e logo em seguida, do nada mesmo, ela bateu com a palma da mão contra a testa em um estalo alto — Esqueci de dizer. Eu tô com uma amiga. Tudo bem? Por que se não estiver... — ela ia começar todo o falatório novamente.
— Não, tudo bem — a cortei, sorrindo fraco.
Ela acenou mais aliviada.
— Legal!
Enquanto caminhamos, ela me disse o nome da lanchonete e uma história doida sobre como ela e a amiga tinha conhecido o lugar. Elas tinham entrado lá dentro fora do horário, tentando fugir de um ex babaca da amiga dela e conheceram um tal de Miles, filho da dona e outro estudante da universidade.
— E a gente se tornou amigo desde então, e apesar de estarmos afastados por causa de toda a rotina da faculdade, ainda somos muito ligados.
— Isso é muito legal, né? Eu tenho um amigo que mora longe, mas todas as vezes que nos falamos é como se o tempo nem tivesse passado — comentei e desviei com o pé de uma pedra bem grande no meio do caminho.
— É verdade. A única coisa ruim é que a gente se vê mais em festas e eu odeio ir a festas de fraternidade — a careta dela me diverte — Os garotos do time vive tentando levar alguma desavisada pra cama pra no outro dia ter alguma merda pra falar dela pro time. É nojento.
Homens.
E era por isso que eu não aceitei o convite do Walker. Eu sei reconhecer quando a pessoa não presta.
— Qual o seu curso? — perguntei curiosa e louca pra mudar o rumo dos meus pensamentos.
— Engenharia — ela respondeu com um sorriso de quem era apaixonado. Achei isso muito legal e acabei sorrindo junto. Eu amava o curso que estava fazendo e gostaria que todos que estudassem também o fizesse por amos, mas infelizmente nem sempre as coisas são assim, por isso era bacana alguém apaixonado por uma profissão como eu sou pela minha — Sonho em realizar um grande projeto, sabe? — olhou para mim com os olhos brilhando. Seu entusiasmo era contagiante — Como a Torre Stark — declarou obstinada, olhando para um ponto distante e eu olhei também. Mesmo de longe, era possível ver o enorme prédio que chamava a atenção de qualquer um que viesse visitar a cidade de Nova York.
— Nossa, que ambiciosa — provoquei ela com certa familiaridade.
Talvez eu seja mais estranha do que eu pensei, mas tinha a sensação de nostalgia com essa garota. Acho que ela me lembrava a Jess. Uma pontada de saudade bateu no meu peito, e eu tentei disfarçar olhando em frente.
Ela deu risada e olhou para mim, arqueando as sobrancelhas como se esperasse algo.
— O que? — questionei.
— E você, o que está cursando? — especificou o olhar que havia me direcionado.
— Robótica — abri um sorriso pequenino.
— Ah, nossa, que óbvio! — ela balançou a cabeça e eu ri de sua reação. Eu já imaginava que a esse ponto ela soubesse quem eu era, mas foi legal seu jeitinho sutil de lidar com isso — Seguindo o negócio da família.
— Não sou uma Winchester, mas é isso mesmo.
— Ah meu Deus, eu amo essa série, é perfeita — ela exclamou em animação e eu concordei totalmente.
— Sim, cara. E eu estou assistindo tudo de novo — disse. A gente ficou todo o caminho falando sobre uma série de monstros, demônios e todo tipo de coisa e eu ri mais do que pensei ser possível. Até que veio o questionamento que seria o divisor de águas em uma futura amizade.
— Tudo bem, pergunta importante. Quem dos irmãos é o seu favorito?
CE
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