NEW STARK | the avengers [1] ✓
10 Noite Agitada
El Matador State Beach tinha o tipo de vista que arrancaria o fôlego do Eminem.
O que considero um grande feito.
Sério.
A visão daquela praia era tão linda que, caramba! Me deixou com o queixo no chão por um bom tempo. Acho que valeu a pena eu passar quase cinquenta minutos, sentada sem saber para aonde iria. Pepper estacionou o carro em uma vaga e eu fiquei com os olhos presos no lado de fora da janela.
— E então? — ouvi ela perguntar, e voltei meu olhar a ruiva.
A mulher tinha uma expressão convencida no rosto.
— Como você conheceu esse lugar? É maravilhoso!
Ela sorriu da minha animação e assentiu, encostado os braços no volante: — Venho aqui para espairecer. Trabalhando para seu pai, você deve imaginar que eu preciso disso — demos risada e eu balancei a cabeça em concordância.
Era lindo, absolutamente perfeito.
— Vamos lá! — Pepper me chamou, retirando seus saltos e deixando eles no assoalho do carro.
Eu segui sua liderança com um sorriso no rosto.
Desci do carro tendo que me arrastar no banco, resultado de eu comer um prato de Macarrão a Bolonhesa e aquela taça enorme de Gellato. Juro por Deus, não sei como ainda consigo respirar. Sinto como se meu estômago estivesse sufocando meus pulmões.
Vida difícil.
Caminhamospela areia após atravessar uma ponte de madeira. O sol ainda estava no alto o que dava a impressão de que a areia era feita de diamantes. De onde estávamos, eu podia ver toda a extensão do mar em riqueza de detalhes. Até tirei algumas fotos pelo meu celular. Pepper ainda caminhava ao meu lado, calada, presa no seu próprio mundinho. Fiquei meio encucada dela ainda estar pensando naquele Aldrich, mas não tinha intimidade o suficiente para perguntar, então fiquei na minha.
— Isso é muito bom — admito, me aproximando mais da água e a ruiva voltou a me olhar.
Seu rosto estava levemente avermelhado pelo sol, mas ela não parecia se importar. Pepper parou e decidiu sentar na areia, com sua roupa social branca e tudo. Nem ligou de sujar. Eu sorri com isso.
Gostava dela, de verdade. Desde que cheguei, ela mostrou ser uma pessoa gentil, atenciosa e humilde.
Sentei-me ao seu lado.
— Sabe como comecei a trabalhar pro Tony?
— Não — disse num tom óbvio; ela riu fraco.
— Quando terminei a faculdade, nunca imaginei que trabalharia na Stark. Quero dizer, eu tentei na época, mas nunca tive resposta. Então eu me candidatei para um cargo administrativo nas Indústrias Hammer…
— Espera aí, aquela empresa daquele idiota que…
— Deu patrocínio a Ivan Vanko? Sim.
Ergo minhas sobrancelhas:
— Caramba.
— Pois é — Pepper soltou uma risada nasalada.
— E como você terminou como assistente do Tony? — perguntei, agora curiosa.
— Primeiro, Tony é um babaca.
— Nada a declarar.
— Ele tinha essa rixa estranha contra o Hammer.
— Que fez o palhaço tentar matá-lo — completei com um aceno, e a mulher me olhou feio — Certo, continue.
— E eu lembro de estar passando pela segunda fase do processo e tinha todos os candidatos sentados, ouvindo essa discussão horrível no escritório do Hammer. E então Tony sai pela porta com um sorriso presunçoso.
— Stark foi até a empresa do cara para provocá-lo? — eu perguntei apenas para ter certeza, mas não muito surpresa.
— Até hoje não sei o que Tony disse a Hammer para ele ter aquela expressão no rosto, depois que saiu da sala — Pepper disse com um sorriso — Mas de alguma forma, ele me reconheceu.
— Te reconheceu?
— Como eu disse, eu estava tentando uma vaga na Stark antes — ela respondeu — Tony lembrou de mim e eu sei que foi por causa dele que, um dia depois, eu estava sendo chamada para trabalhar diretamente com ele. Como sua assistente.
— Pra irritar Hammer.
— Pra irritar Hammer — ela confirmou.
— Que babaca! — eu disse e dei risada, enquanto negava com acenar.
— Eu tinha passado para ser secretária de Hammer, você vê? A Stark estava num patamar muito mais alto. Era e ainda é uma das empresas mais reconhecidas. Todos que trabalham lá só têm coisas boas para se falar e Tony estava me oferecendo uma oferta que eu nem pude pensar em recusar. Então aceitei — ela sorriu pra mim — E aqui estamos.
— Com você sendo a presidente da Stark, hein? — eu brinquei.
Pepper balançou os ombros:
— Ainda não são todos que me aceitam — comentou.
Imagino a situação. Ela é mulher e namora o dono da empresa. Não é difícil adivinhar o que se passa na mente de idiotas de mente fechada que não gostam quando uma mulher está no comando. Mas Pepper é a pessoa mais esforçada que eu conheço. E nenhum preconceito, inveja ou machismo poderia mudar isso.
— Que se dane esses idiotas! Eles podem falar o que quiser, mas no fim do dia, é você quem manda neles.
Pepper me encarou em um semblante divertido, então maneou a cabeça de um lado ao outro, negando: — Deus, como vocês são parecidos — ela disse numa respiração.
Eu ri disso, sem dizer nada e olhando para o mar à nossa frente.
— Você não ficou irritada? — perguntei, depois de um tempo — Com Tony. Por ele fazer isso. Te usar pra provocar o rival — revirei os olhos.
Por Deus, Tony.
— Fiquei e muito. Acredite, fiz ele se arrepender de me contratar — Potts sorriu com um olhar inteligente — Mas… aprendemos a conviver um com o outro.
— Não sei o que ele faria sem você — eu zombei; ela riu.
— Nada, ele não faria nada — ela afirmou numa rara demonstração de arrogância. Então suspirou, levantando-se de seu lugar e batendo a roupa para tirar os requisitos de areia — Vamos? Faltam poucas horas para o anoitecer.
Eu não queria ir. Estava muito confortável de onde eu estava. O sol aquecendo a minha pele e a brisa fresca do mar arrefecendo o calor que ele me trazia. Era tranquilo. Um pequeno momento de paz.
Entretanto, eu tinha que me levantar. E foi o que fiz, aceitando a mão que ela me ofereceu. Pepper e eu então seguimos até o carro e entramos para voltar para casa. Foi apenas cerca de vinte minutos depois, com Beauty Marks soando pelos auto-falantes do carro, que eu a questionei.
— Você poderia ter ficado e trabalhado para o Hammer — comentei, mordendo meu lábio inferior — Por que você aceitou a proposta do… De Tony?
Pepper pareceu ter sido pega de surpresa por eu trazer o assunto de volta. Ela me lançou um olhar rápido por trás do assento do motorista, uma vez que ela estava dirigindo depois de ter liberado Happy pelo restante do dia.
— Minha mãe estava doente. Como eu disse, pensei que a Stark estava me dando uma oportunidade maior e melhor, mas…
— Mas…?
— Mas talvez tenha sido Tony — admitiu, franzindo o cenho para a estrada à frente — Ele tinha esse olhar no rosto.
— Que tipo de olhar?
Há uma pausa. Potts tem o cenho franzido como se estivesse lembrando-se de algo.
— O tipo… — ela arrasta a fala — De quem está perdido. E eu sei, parece dramático, mas Tony… é complicado. Ele sempre foi uma pessoa complicada, desde que me lembro — Potts deu de ombros — Fiquei curiosa sobre isso. Sobre o que ele havia perdido. Ou quem. Não sei…
Ela ergueu os lábios e continuou a olhar para frente.
Não perguntei mais nada, pensando no que ela me disse durante toda a viagem de volta.
Só acordei para a vida novamente, quando a ouvi praguejar audivelmente.
— Mas o que é isso? — ela perguntou e eu levantei o pescoço para assistir uma expressão chocada tomar conta do seu rosto.
Assim, eu mudo a direção dos meus olhos para ver o que fez Pepper ter tamanha reação.
— O quê…? — estou confusa e então… — Whoa! — engasgo com a visão daquela coisa enorme do lado de fora da mansão.
Sei que meus olhos devem estar arregalados, unido ao sentimento de incredulidade que me invade.
Bem a nossa frente tem um urso gi-gan-te, que em minha sincera opinião, é muito estranho.
Não sei dizer se aquilo nele são os braços, ou os seios?
Pepper está com uma expressão tão engraçada que quase, quase dou risada da situação pra lá de inusitada.
Adentramos o Hall de entrada e seguimos em direção a sala. Vejo Anthony sentado no sofá, revestido de uma das Mark's. Pepper praticamente marcha na direção dele e sua expressão não parece muito satisfeita.
Com a sensação de que estou prestes a captar uma DR, eu escapulo pelas escadas com lentidão, tentando passar despercebida pelos dois que iniciam uma conversa que não faço questão de ouvir.
Eu já tive que presenciar aquela briguinha por causa da jornalista loira, então não quero estar presente em mais uma discussão de casal.
Vou para meu lugar favorito no mundo inteiro: meu quarto.
Surpresa!
Sentindo os grãos de areia pinicar a minha pele, eu corro direto para debaixo do chuveiro.
Ah, cara! Tomar banho é como lavar a alma, você sai até mais leve.
Sigo com meu plano e depois do banho maravilhoso e relaxante, ponho um pijama de moletom. A janela do meu quarto estava aberta quando saí do chuveiro e o céu, agora noturno, era um espetáculo de se ver. A brisa da noite estava bem geladinha, tanto que fechei a janela depois de poucos minutos com o olhar preso no lado de fora.
Pulei na minha cama, levando comigo o meu computador.
— Max.
Olá, Sofya.
— Quero que entre em contato com o laboratório Star.
Em questão de um minuto, a imagem de Cisco e Caitlin aparece.
Sinto um pouco de culpa ao notar o olhar surpreso, feliz e preocupado que ambos me lançam, mas ignoro o sentimento e ergo os lábios em um sorriso.
— Ora ora, lembrou que existimos? — O cabeludo se pronúncia.
Sei que Cisco está brincando, mas também sei que há verdade em suas palavras. Eu raramente ligo para eles e nossas conversas por mensagens são mais escassas do que gosto de admitir. Como sempre, ignoramos aquele pequeno problema e seguimos em frente, como se nada nos incomodasse.
Reviro os olhos e sorrio.
— Ela agora é famosa! Virou bilionária e esqueceu dos amigos. Acha que não vemos as manchetes nos jornais? — Caitlin entra na brincadeira.
— Ah, por favor, parem de ser dramáticos, esse posto é meu! — reclamo com um sorriso.
— Você não está aqui, perdeu bebê!
Cisco, quem chamo de amigo, manda uma piscadela que respondo com um belo dedo do meio. Permaneço firme com um sorriso no rosto, fingindo que não me incomodou a merda da culpa que insistia em me perturbar.
— Então… Você ainda não disse, como é morar com o famoso Tony Stark? — Cisco pergunta, todo curioso.
Ele é super fã do Tony.
— É normal — balanço os ombros com indiferença.
Cisco revira os olhos. Já até sei! O cabeludo trabalha com detalhes e odeia o fato de, às vezes, eu ser tão objetiva.
— Detalhes, bebê! — reclama.
Não disse.
— Se me chamar de bebê novamente, eu posto aquela foto maravilhosa que tenho de você dormindo, bonitão — ameaço o cabeludo, que fica mansinho na mesma hora.
— Pode me enviar essa foto, por favor!? Eu preciso de um meio para chantagem com pelo menos um desses dois! — Caitlin pede, suplicante.
— Não ouse!
Eu ouso! Dou risada e mudo de assunto. Antes, lançando uma piscadela para a doutora, recebendo como resposta um choramingo de Cisco e uma risada de Caitlin.
— Então, estamos nos dando bem, ele está sendo muito legal comigo. Vocês sabem, depois da minha surtada básica — conto com tranquilamente, tentando evitar preocupações excessivas e desnecessárias.
Bem, não adianta em nada.
— Como você tá? — Caitlin pergunta, preocupada.
— Tô bem — garanto. Ambos erguem as sobrancelhas, querendo mais explicações — Já disse, está tudo sobre controle pessoal, sem stress — lhes asseguro.
Voltamos a falar amenidades até minha curiosidade, que já é de lei, bater.
— E o Barry? — perguntei com quem não quer nada, o que não adiantou muito já que os dois me olham com malícia. Reviro os olhos — É sério, idiotas!
— Ele está bem e com saudades, muita — Cisco frisa bem o final.
Ergo as sobrancelhas. Eles amam me cutucar. Mas se o assunto é Barry, a provocação chega a outro nível, só porque eu tive uma paixãozinha platônica quando era mais nova.
Não é muito justo, na verdade.
— Cala a boca!
Eles zombam e riem da minha cara, como dois babacas.
— Sério, ele tá bem — Caitlin falou, tomando uma atitude séria — Atrasado e correndo atrás da Íris como um bocoió, como você o chamava — ela solta um riso culpado — Que ele não me escute dizendo isso.
— Droga! Deveria ter gravado como um meio de chantagem — Cisco comenta, tarde demais para pôr seu plano maquiavélico em ação.
Dou boas risadas com minha dupla favorita, antes de bocejar e ver que já está tarde.
— Gente, tenho que ir. Tô morta de cansada.
Eles entendem e mandam uma lista de recomendações antes de desligarmos.
— Okay, okay. Vou tomar cuidado e prometo ligar de novo.
— É bom mesmo, viu! — Caitlin Snow avisa e aponta o dedo em minha direção.
Ameaçadora. Dou risada e finjo medo.
— Tá bom, capitã, beijo pessoal!
— Beijos!
A chamada desliga, eu fecho o Skype e abaixo a tela do computador. Depois, deito na cama com um sorriso no rosto, feliz por falar com meus amigos. Mais do que isso, minha família. Por que era isso que eles eram. Não demora muito para que eu pegue no sono.
Assim que os abro, uma luz forte cega meus olhos. Piscando, aos poucos vou me acostumando com ela.
Eu estava muito confusa.
Sabia que havia ficado em coma, mas desnorteada como estava, tudo que pude dizer em minha mente naquele instante era: O que aconteceu?
Olho ao redor e deparo-me com equipamentos médicos à minha volta. Uma agulha era conectada a meu braço, enquanto enviava medicamento ao meu corpo.
Mas o que está acontecendo? Minha mente atordoada tornava a perguntar.
Tirei a agulha, observando uma gotícula de sangue saltar pelo pequeno furo na minha pele. Fiz uma careta. Eu simplesmente odiava agulhas.
Levantei da cama olhando a minha volta. Onde eu estava? Era outra questão que rondava minha mente.
Era um laboratório, eu acho. Minha visão turva talvez estivesse me enganando. Foi quando reparei que não estava sozinha.
— Ela acordou — falou uma voz fina e feminina.
A voz fez um alarme soar em minha mente, então lembrei-me de uma das vozes que eu ouvia enquanto estava desacordada. Logo, uma mulher de cabelos castanhos escuros apareceu em minha visão.
— Já estava na hora! — pronunciou uma voz mais grossa e masculina.
Um rapaz apareceu ao lado da doutora.
Doutora, pois, a mesma usava um jaleco.
A mulher lançou um olhar de advertência para o rapaz, e então me olhou.
— Não liga pra ele — me aconselhou, dando alguns passos em minha direção.
— Quê? — sussurrei, sem entender nada.
Um suspiro pesado escapou por entre meus lábios. Passei uma mão em meus cabelos, sentindo pontadas de dores surgirem na minha cabeça.
— O que está acontecendo?
Um desespero ameaçou tomar meu peito e o ar começou a faltar em meus pulmões.
— Houve um acidente, infelizmente, você estava aqui — explicou ela, olhando-me tristemente.
Acidente.
— Aonde eu estou?
— Você está no laboratório Star — responde, me examinando.
Surpresa, volto a olhar ao redor, reconhecendo o nome bem famoso para mim.
Enquanto ainda digeria a notícia, um garoto entrou na sala usando uma roupa estranha, toda vermelha, com um desenho de raio adornando seu peito. Ainda que confusa, não pude deixar de reparar. Ele era muito bonito.
— Ah... esse é o Barry — a voz da garota me faz parar de encará-lo.
Sinto meu rosto esquentar, e não tive dúvidas de que estava vermelha por ser pega no flagra. A doutora sorriu do meu constrangimento.
— Aquele é o Cisco — ela continuou, apontando para o garoto de cabelos longos que estava ao seu lado — E eu sou Caitlin.
[…]
— ..... atingida pela explosão, que resultou em seus poderes.
Ou seja, eles não sabiam como fazer aquilo parar.
Pisquei, atordoada.
— Poderes?
Eu não tinha poderes. Até onde eu sabia, isso era uma consequência de um projeto falho. Não poderia ser chamado de poderes.
— Sim, — respondeu Caitlin, alheia ao meu embate interior — Pelo que descobrimos até agora, você tem poder telecinético, o que te permite levitar objetos e até mesmo controlar certos eletrônicos. É como o doutor disse, ainda não entendemos a complexidade de suas habilidades. É preciso fazer mais exames.
[…]
— Você não manda em mim! — gritei com ira.
Minha mãe olhou-me com os olhos marejados, era visível o quanto havia ficado abalada. Eu nunca havia erguido a voz para ela, e me senti culpada por isso.
Eu sabia que não tinha controle sobre meus sentimentos, a explosão mudou todo o meu ser. Agora eu estava constantemente desestabilizada emocionalmente, contudo, mesmo assim, me culpo até hoje pelo que fiz.
[…]
— Me perdoa.
Olhei para ela, através da minha vista embaçada. Um soluço escapou por entre meus lábios e eu apertei de leve sua mão frágil.
Sua pele estava mais pálida que o normal, seus lábios roxos e ressecados. Tão diferente da mulher forte e destemida que era.
Seu rosto carregava um semblante triste. Tudo por minha culpa. Minha culpa.
— Eu juro que não quis fazer isso, eu não quis. Me perdoa, por favor… — chorei compulsivamente enquanto sentia uma dor forte no peito — Eles disseram que você tem grandes chances. Você vai ficar bem e eu vou embora pra nunca mais te machucar… Eu prometo, mamãe — prometi, enquanto meu peito tremia.
Abri os olhos e me sentei na cama, tentando controlar minhas lágrimas enquanto as imagens do meu sonho ainda passam em minha mente.
Se bem que está mais para lembranças, lembranças tão dolorosas. E é como se eu sentisse tudo de novo. O medo, a dor e a culpa.
Choro e tenho essa sensação de que há uma pressão no meu peito, que parece querer arrancar meu ar. Choro até minha garganta doer. Não importa quantas vezes eu lembre. Sempre dói. Como se arrancassem o meu coração do peito.
Não. Eu não vou passar por tudo isso de novo, não vou.
Balanço a cabeça e seco o rosto com pressa e brusquidão. Numa clara tentativa de afastar essas memórias da minha mente, eu me levanto da cama disposta a ir até a cozinha para tomar um copo de leite.
Descalça, eu caminho para fora do quarto.
Encosto a porta com delicadeza para não bater e acordar alguém. No entanto, antes que eu tenha a chance de dar um passo no corredor, eu vejo uma das armaduras de Anthony entrar em meu campo de visão, voando até o quarto do casal.
Arregalo os olhos e esqueço todo o resto, enquanto minhas pernas começam a ir naquela direção. O que está acontecendo? Um ataque? Alguém tentando matar ele enquanto o mesmo dormia?
Sem respostas para minhas indagações, me vejo correndo o mais rápido possível para o quarto de Tony e Pepper. Não penso em mais nada.
Entrei no cômodo a tempo de ver a armadura apontar os propulsores para Pepper. Meu pai, agora acordado, olhava para máquina com um olhar muito assustado.
Ele, sem pensar duas vezes, quebra a armadura com um objeto que não pude identificar.
Sem entender nada, eu observo Pepper brigar com o Stark. Ele balbuciava que iria arrumar as coisas, enquanto ela pegava um travesseiro e o lençol da cama. A mulher passou por mim como um furacão furioso e penso que nem sequer me viu quando saia do quarto.
Mas que porra aconteceu aqui?
Por um minuto, pensei que… Sei lá o que pensei!
Mais confusa do que nunca, encarei Anthony e esperei o momento em que ele finalmente reparasse em minha humilde pessoa.
Quando me viu, seu olhar assombrado deu lugar a uma expressão ilegível. Tarde demais, pois eu já tinha visto parte do sentimento que ele tentava esconder.
— Vim assim que vi sua armadura voando pra cá — explico minha presença ao seu olhar inquisitivo.
— Porque está acordada a esta hora? — perguntou, firme.
— O que aconteceu aqui? — devolvi com outro questionamento, querendo mudar de assunto.
Tony reparou, pois, me fita sem responder minha indagação. Um claro olhar desconfiado.
Suspirei com cansaço e respondi: — Pesadelos.
Ele assente com a cabeça, sabendo que eu não falaria nada além do que já foi dito.
— Pesadelos — ele disse baixo e em um múrmuro cansado, mesmo sofrido.
Ainda preocupada com o que houve, fico de pé e aguardo que ele explique algo mais.
Anthony permanece calado.
— Er… Acho melhor eu ir andando, então… — disse, sem jeito.
Começo a me mover, mas paro quando Tony começa falar:
— Isso acontece desde… Desde Nova York.
— Isso?
— Essas crises… tudo aquilo que aconteceu, mexeu com a minha cabeça — Stark balança a cabeça, olhar perdido em um ponto na parede — Deuses, alienígenas vindos de outro mundo. E eu sou apenas um homem vestindo uma armadura.
Neste momento, vejo um Tony indefeso e tão vulnerável, como eu jamais imaginei fosse possível. Não quando ele está sempre brincando e rindo e… Fazendo a mesma coisa que faço para não ter que dizer o que se passa dentro de mim.
Por Deus, Tony.
Respirei fundo e me sentei ao seu lado, na cama.
— Não sei se consigo dar conta disso — ele diz.
Balancei a cabeça em negação e segurei a mão dele:
— Está errado, você não é apenas um homem em uma armadura, Tony.
Stark respirou fundo:
— Não? — ele solta um riso baixo e sem graça — O Homem de Ferro quem tem o verdadeiro poder aqui, mas eu…? Eu nem sequer consigo lidar com meus demônios. Todos os dias vivo aquele mesmo momento, dentro do… — ele pausa, respirando pesadamente — Aqueles monstros destruindo tudo, estou sempre olhando para o céu, esperando que um portal se abra e… Não consigo mais me sentir seguro. E o pior é não ter a certeza de que você e Pepper estarão seguras. Por que se eu me for, quero ir tendo a certeza que vocês estão bem. Cada dia tenho menos certeza de um mundo sem aliens e tudo que outros mundos podem ter.
— Tony… — murmuro, sentindo meus olhos molharem e um caroço se formar na minha garganta.
— Não consigo lidar com isso — ele repete, parecendo cansando.
Meu coração bate forte em meu peito e sem pensar duas vezes, eu o abraço.
— Pare de dizer isso! Você consegue lidar com qualquer coisa. Qualquer coisa — eu disse com firmeza — Não há separação sobre isso, foi você quem criou o Homem de Ferro. O que ele seria sem Tony Stark? Nada — sinto ele me apertar e eu o aperto de volta — Não diga que não é forte, por que é! É o homem mais genial e corajoso que eu já conheci. Sempre achei isso, sempre te admirei como herói, ser humano e pessoa — me afasto, secando o canto dos meus olhos. Quero que ele esqueça esses pensamentos ruins, então sorrindo timidamente, eu o lembro: — Você sabe, eu adorei quando admitiu na frente de todos aqueles jornalistas. Eu sou o Homem de Ferro. Impactante.
Tony finalmente sorriu e eu quase suspirei de alívio:
— Sabia que era minha fã! — ele declarou, exibido.
— Não estrague o momento.
Nosso riso ecoou e eu respirei fundo antes de voltar a ficar séria:
— Você é incrível, Tony Stark. É o herói de muita gente lá fora. E é o meu herói — afirmei.
Ele me encara e pisca os olhos, pigarreando e tossindo fraco. Parece sem palavras. Ergo o canto dos meus lábios em um sorriso curto, achando engraçado ele tentando manter a pose de machão
— Tem muita gente acreditando em você, viu! Eu, Pepper, Happy.
— Sem pressão — ele brinca e eu inclino a cabeça para o lado, sorrindo para ele.
— Nah, estamos aqui só pra você saber que não precisa passar por tudo sozinho. Nós vamos estar aqui por você.
Tony segurou minha mão, mas então me puxou para um abraço e me apertou forte. Meus braços circularam seu tronco e repousei a cabeça no seu peito, ouvindo as batidas do seu coração.
— Você estar aqui por mim, é mais do que eu poderia pensar em pedir. Obrigada, filha.
Minha frequência cardíaca aumenta e parece que vai pular do meu peito. Solto um sorriso fraco, tentando me impedir de chorar. E se não mudarmos de assunto imediatamente, será isso que acontecerá.
— Hm… Não está esquecendo de nada não? — Tony me solta, olhando-me em confusão — Ah, e obrigado Sofya por ser essa garota linda, maravilhosa e incrivelmente inteligente. Por levantar minha estima que estava lá embaixo — engrossei um pouco a voz, tentando imitá-lo.
Stark ri, balançando a cabeça.
— Para sua informação, minha estima está nas alturas.
— Graças a mim — constatei com um sorriso.
— É claro — ironiza.
Rimos um do outro ao tempo que eu percebia…
Aquelas memórias que vinha lutando tanto para esquecer, naquele momento, não me perturbavam. Tony me protegia de sentimentos que me machucaram nos últimos anos. O buraco que estava aberto em meu peito, parecia apenas uma pequena cicatriz. Com meu pai do meu lado, sei que não preciso de mais nada para afastar os monstros do meu passado. Estou segura.
E depois de tudo o que passei, após tanto tempo...
Finalmente posso ver minha vida cinzenta, ganhar um pouco de cor.
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