EU AINDA NÃO CONSIGO ACREDITAR! Simplesmente não estou acreditando que ele fez isso! Tudo bem, eu entendo, Happy está em coma por causa de uma maldita bomba enviada pelo desgraçado do tal Mandarin.

E eu sei que ele se importa com o segurança, todos nos importamos, mas isso não é motivo para nos colocar em risco, pior, colocar Pepper em risco!

Tony quer acabar com a raça do desgraçado que machucou seu amigo?

Okay, eu super entendo e apoio!

Mas é necessário entregar de bandeja o endereço da residência na qual moramos em rede nacional?

Não, não é!

Respiro profundamente enquanto arrumando minhas coisas.

Tentei conversar com Tony, mas está claro pela minha atual indignação que não obtive êxito em convencê-lo de que é loucura permanecermos aqui.

Não cheguei a quebrar tudo à nossa volta como gostaria, mas faltou pouco para que isso acontecesse, se Pepper não tivesse intervido...

Horas atrás

Quando eu acordei hoje pela manhã, parei na sacada do meu quarto apenas para observar a vista que era privilegiada de ter. O sol estava no alto. O mar agitado. As ondas batiam na pedra em um splash poderoso, e o cheiro de sal exalava no ar em uma brisa refrescante que fazia meu cabelo voar. Eu amava isso.

Inclinei o pescoço para trás para ver o relógio digital em cima da mesa de cabeceira, e ele me informou ser exatamente 8:30 da manhã. Então, eu me aprontei. Tomei banho e fiz tudo que tinha que fazer para sair do meu quarto apresentável. Sabia que não encontraria Tony, nem Pepper; o Stark, porque não consegue dormir de manhã como eu, depois de uma noite de insônia, o que normalmente o faz descontar isso na sua enorme criação de Mark's; Potts, por outro lado, provavelmente já deve estar na empresa. Por isso fiquei levemente surpreendida ao ver a ruiva parada no meio da sala. Andava de um lado ao outro, parecendo nervosa enquanto parecia discutir com alguém ao celular. Franzi minhas sobrancelhas e adentrei no cômodo. A mulher falou mais algumas coisas e desligou o telefone com uma expressão tensa. Eu a observei com cautela.

— Bom dia — eu murmuro — Éééé, não é querendo me meter não, mas você me parece chateada…

Ela suspirou: — Bom dia, Sofya. Eu… Happy está no hospital — soltou, de uma só vez.

Espera...

— Happy está no hospital? — repeti, crispando os lábios — O que houve? Ele estava com a gente ontem e então… — parei, me sentindo confusa.

Como em um dia de folga do segurança, ele conseguiu ir parar no hospital? Eu me perguntava. E foi então que Pepper me explicou. Uma explosão. Happy estava em coma e tudo por culpa do maldito Mandarim. Eu gostaria de poder visitar o Happy, mas Pepper diz que ele não está podendo receber visitas, e que só quem é da família tem permissão de entrar. Foi assim que eu fiquei sabendo que Tony, sem surpresa alguma, estava no hospital com o segurança. Ele tinha recebido a ligação hoje de manhã e tinha corrido direto para lá. Sem nada que pudéssemos fazer além de esperar, Pepper teve que voltar para empresa para resolver alguns assuntos e eu passei a tarde vendo as notícias, mandando mensagem para o Stark e pesquisando universidades para eu me inscrever no início do ano que vem.

Não vi o tempo passar enquanto selecionava as melhores universidades. Eu comparei umas com as outras, catalogando qual era melhor em todos os aspectos, seja em salas de aulas, grade curricular e a própria opinião dos alunos que se formaram nela. Tudo para que eu não me arrependesse depois de já estar estudando. Quase duas horas da tarde e os meus olhos já estavam cansados, então fui até a cozinha para esquentar o almoço que estava pronto e preparado para mim. Eu estava esperando Tony voltar, mas ele ainda não tinha. E mesmo preocupada por ele não responder minhas mensagens, eu obriguei minha mente a relaxar.

Enquanto almoçava, eu ouvi os primeiros aviões ao redor da mansão. Então o barulho de portas batendo. E eu estava mais perdida que o Stitch pela primeira vez na Terra. Fui até a sala e vi pelas paredes de vidro a casa cercada. Acho que até mesmo peguei um flash de câmera virado na minha direção, no meio de um arbusto. Que merda…

Seguindo meu instinto, eu liguei a tela do meu celular. E vi a única mensagem de Anthony.

Não liga a TV.

Eu liguei.

E gritei seu nome pela casa.

Jarvis me avisou que Tony havia chegado e que estava no laboratório, mas depois disso, se a IA me informou de algo mais, eu realmente não ouvi.

Estava muito ocupada ao descer em direção ao laboratório, com pensamentos negativos demais para serem compartilhados. Pisei duro, descontando minha aflição no chão. Não sei como meu pé ainda não afundou no pobre coitado.

Ele é um idiota! Não tem como objetar contra este fato mais que comprovado. Colocando a gente em risco! Colocando Pepper em risco!

Que vontade de esganar o Tony.

A porta se abre e eu o encontro mexendo em algo que, no momento, não faço questão de saber. No entanto, aposto dez dólares que era algo relacionado a suas armaduras.

Não importa o que seja, meu alvo do momento é Tony. Somente ele.

— Tony! — bradei.

— Sofya — ele ergueu o rosto e olhou em meus olhos, com a maior inocência do mundo. Cínico.

— Você nasceu idiota ou fez faculdade?

Ele sabia exatamente do que eu falava. E estava muito calmo. Tão calmo que chegava a irritar.

— Você quer morrer? — eu continuei — Estou falando sério, como assim você diz o endereço da casa na qual moramos em rede nacional? — enquanto eu entrava em histeria, Tony permanecia pleno, observando-me com a maior cara de paisagem. Isso me deixou puta da vida — E o pior, ameaçando um terrorista. Você é louco! — praticamente grito, gastando todo o ar de meus pulmões e colocando pra fora toda incredulidade de uma só vez. Eu esperava que o Stark começasse a explicar ou se desculpar por colocar todos em risco.

Porém, ele permanece sério e calmamente diz:

— Está tudo sob controle.

Está tudo sob controle.

Está tudo sob controle.

Oh céus, dai-me paciência!

Zeus, Alá. Por favor, não me dê forças, pois eu definitivamente não tenho controle sobre meus atos.

— Controle? — dei um riso nervoso. Nós estávamos sendo alvos de terroristas, e ele estava sentado, dizendo que estava tudo sob controle. Calma, calma… — Você viu o tanto de helicóptero que tem lá fora, estamos ao vivo nos jornais e, talvez, você tenha esquecido da parte em que você ameaçou um terrorista maluco. E agora ele tem o nosso endereço, nem sabemos... — parei por um momento e respirei beeem fundo, tentando me acalmar.

Respira, inspira.

Não posso me descontrolar.

— Acho que você entendeu — disse um pouco mais calma — Temos que sair daqui.

Tony, que até instantes atrás me observava explodir, estranha minha calma repentina. Contudo, ele não tem tempo de fazer qualquer comentário, pois Pepper entra no recinto como um foguete e tenho certeza que seu alvo é Tony. Dou um passo para o lado para dar espaço total a ela, caso queira usar o homem para passar e descontar toda a sua raiva.

Eu não podia me livrar daquele turbilhão nervoso, mas talvez ela pudesse. E de quebra, talvez pusesse algum juízo na cabeça do Stark.

Fiquei particularmente torcendo para que ela desse uns bons e merecidos tapas no homem — ou talvez, até mesmo uma voadora?

— Tony, você é louco!

— Pepper... — Stark tentou falar. Ênfase no tentou. Pepper o cortou antes que ele dissesse algo mais.

— Vamos sair da cidade.

— Apoiado — me manifestei.

— Não apoiado.

— Tony! — ela estava vermelha, e muito irritada.

Putz. Esse olhar mortal deu medo até em mim.

— Vocês não percebem que eu só conseguirei protegê-las aqui? — ele exclama, parecendo finalmente ter alguma reação.

— Se não tivesse nos exposto, não iria precisar proteger — resmunguei, criticando a atitude do mesmo.

— Calada!

Bufei em irritação.

— Vamos sair da cidade. Sofya pode ir arrumando as malas? — Pepper insistiu e me olhou ao perguntar.

— Okay — balancei a cabeça ao concordar, muito aliviada de alguém estar pensando com racionalidade.

— Sofya! Nem mais um passo — eu sorri sarcasticamente, então dei um passo desafiando o homem com o olhar. Sai do laboratório logo em seguida e fui para o quarto para arrumar minhas coisas, ainda ouvindo Pepper tentando convencê-lo.

Agora

Ainda estou brava por Tony ter sido tão impulsivo.

Quero dizer, ameaçar e falar seu endereço para um terrorista maníaco assassino? Puff, coisas normais do dia-a-dia.

Sinceramente Tony.

Terminei de arrumar minhas malas, guardando apenas o essencial que, ainda sim, resultou em uma mala enorme, junto de uma mochila com roupas de rápido acesso que eu levava nas costas.

No corredor, Pepper me esperava para irmos.

— Pronta?

Assenti com a cabeça e andamos até a escada que nos levaria ao primeiro andar. Entretanto, quando estamos próximas que ouvimos vozes, sendo uma feminina.

— Tony... tem alguém aí? — Pepper gritou enquanto jogava suas malas no andar de baixo.

— Tem! É Maya Hansen, uma colega botânica que eu conheci... vagamente — ouço Tony dizer, a voz abafada pela diferença de andar.

Hm, amiga? Sei...

Depois de jogar as malas, minha madrasta desce as escadas com elegância.

— Desculpa, com o Happy no hospital não sabia que esperávamos visitas — ela encara os dois, a voz cheia de cinismo.

— Não estávamos.

— Não, olha eu... — a voz feminina tenta explicar, instantes depois consigo vê-la.

Tenho que admitir, ela é bonita: alta, magra, cabelos castanhos escuros. Puxei minha mala, fazendo ela bater em cada um dos degraus enquanto descia rapidamente. Ao alcançar o mesmo andar que os outros, enfim percebo que toda a atenção está voltada pra mim.

— Não, podem continuar ai... com a conversa de vocês — abanei as mãos exageradamente na frente do rosto.

— E ex namoradinha — Pepper continua.

— Não foi namorada — Anthony se defende rápido.

— Não... de jeito nenhum, foi só uma noite — a amiga de Tony explica sem jeito.

Típico do Stark.

— É — ele confirma na maior cara de pau.

— Era assim que você fazia, não era....

— Foi uma noite ótima — Tony diz.

— Isso aí, acho que você se livrou da maior furada... vai por mim — Pepper fala e eu deixo uma pequena risada escapar, enquanto Tony solta um "O que!?"

— Com certeza — a tal Maya concorda.

Inclinei a cabeça para o lado e observei a mulher, um tanto desconfiada com sua presença repentina: — Você não está aqui para dizer que eu tenho um irmão, né? — pergunto, apenas para ter certeza.

— Não! — Maya Hansen arregala os olhos, balançando a cabeça.

— Vamos sair da cidade — Pepper avisa, agora virada para o Stark.

— Já falamos sobre isso. É não.

Teimoso.

— Vamos sim.

— Podemos arrastá-lo. Somos três e ele é apenas um — eu proponho, e admito que me sinto um pouco animada ao imaginar a linda imagem de Tony Stark sendo arrastado para fora de sua própria casa.

Ele me fuzila ao me encarar. Seu olhar transmitia uma clara mensagem: Traidora.

Mandei de volta um sorriso cínico.

— O homem da casa disse não!

— Imediatamente e definitivamente — Pepper fala em um tom de comando.

Isso ai Pepper, bota ordem!

— Ótima ideia, eu pego as malas dela — Hansen disse, depois me olhou. Ela foi até as malas de Pepper ainda jogadas no chão.

— Desculpa amor, essa é uma péssima ideia — Stark disse e virou-se para Maya — Por favor, não toque nisso.

Suspirei com cansaço desse jogo quem tem a última palavra e me joguei no sofá.

— Tony, é assim que pessoas normais se comportam.

— Ele não é uma pessoa normal — digo alto.

Eles me ignoram.

— Eu não posso protegê-las lá fora! — Tony exclama.

— Vem cá... isso é normal? — Maya que até então mantinha-se calada, perguntou apontando na direção do bicho estranho que tomou conta da nossa sala, depois que o Stark mandou trazerem para dentro.

— Não mesmo — disse e soltei uma alta risada.

— Para com isso — Anthony me lançou um olhar irritado, antes de se voltar para a mulher do outro lado da sala — Isso é normal sim! É um coelho... Quer ficar na sua? — seu semblante me faz incapaz de evitar mais uma risada.

— Tony... não sei se te contaram, mas é natal não pascoa — zombei dele, colocando mais lenha na fogueira enquanto Pepper pedia para que ele ficasse calmo. Não preciso dizer que fui alvo de seu olhar mortal depois da ruiva ver que eu não estava ajudando em nada.

— Eu comprei pra você....

— Eu sei disso — ela falou, tentando acalmá-lo.

— Você ainda nem me disse se gostou — reclama.

— O que eu não tô gostando... — Pepper parecia ter perdido a paciência, e eu permaneci no sofá, assistindo tudo de camarote.

Uma pipoca caramelizada até que cairia bem.

Os dois discutiram por mais um tempo, até Maya interrompê-los chamando a atenção de todos nós.

— Pera ai.... é pra se preocupar com aquilo?

Todos paramos — eu não contava, já estava parada — e olhamos na direção em que Maya apontava. Na Televisão passava imagens ao vivo da mansão, mas a questão é que algo parece vir em nossa direção. E estava muito perto. Perto demais para fugir.

Tudo pareceu desacelerar e eu virei para a parede de vidro para ver através dela. A compreensão chegou segundos antes do míssil nos atingir.

Levantei do sofá e corri na direção do meu pai.

Ah mer...

A explosão veio e levou tudo pelos ares.

Sou jogada para longe deles. Encolhi meu corpo em posição fetal numa forma de me proteger. A bolsa ainda presa em mim amorteceu minha queda, no entanto, bati com a cabeça no instante em que alcancei o chão. Sinto um líquido viscoso escorrer na lateral do meu rosto e me toco, apenas para constatar ser meu sangue a manchar minha pele. Meu desespero é grande demais para me importar com sangue ou dor. Me levanto intacta — ou quase — e corro meus olhos por todo o local, vendo que fui jogada próxima à saída.

Em qualquer outro momento eu agradeceria, mas não é o lugar onde minha família está, assim, ignorado a luz do lado de fora eu caminho para a destruição que me aguarda no lado de dentro da casa.

Mais a frente vejo Tony caído no chão e o chamo, esperando que ele me ouça. Sua cabeça vira na minha direção. E então ele grita alguma coisa e acena. Dou mais um passo à frente e sinto o chão tremer. Ai meu Deus, a casa estava cedendo em direção ao mar. Escorreguei com a inclinação e tive que me jogar numa parede ainda de pé, respirando o ar pesado de poeira.

— Tony! — eu gritei em desespero.

Ele gritou novamente e dessa vez eu ouvi. Saia daqui.

Merda, cacete! Tudo bem, Sofya. Ele sabe se cuidar. Você não está vendo a Pepper em nenhum lugar? Não está, eu sei, mas ela também vai ficar bem, okay? Respira, inspira. Tusso engasgada com o ar. Porra, não respira. Agora você precisa dar o fora daqui, beleza? É isso. É isso. Balançando a cabeça para mim mesma, dou alguns passos para trás, na direção que anteriormente ignorei.

Então tropeço no instante em que parte do teto desaba sobre mim.

Eu vou morrer, eu vou morrer, EU VOU MORRER!

Por um breve momento, minha respiração parou.

Eu assistia em choque enquanto aquele grande e enorme bloco de cimento se desprendia do teto, pronto para esmagar o meu belo corpinho. No último segundo, por puro instinto, eu levantei minhas mãos na altura do rosto e esperei pelo impacto.

E tudo o que eu senti foi poeira caindo sobre meu rosto.

Abro meus olhos para ver aquela parte do teto flutuar acima de mim, e está tão perto que eu chego relar as pontas dos dedos nele. Encarei minhas mãos com um pouco de choque, mas, dessa vez, agi com mais rapidez e com apenas um movimento rápido, o bloco voou para o outro lado da entrada.

Caída no chão, eu me permiti um segundo, apenas um segundo de atordoamento. Faz tanto tempo que usei meus poderes que até mesmo me esqueci que existiam. Não, eu escolhi ignorá-los, porque era mais fácil para mim fingir que eles não fazem parte de mim.

Balanço minha cabeça. Não há mais tempo para refletir. Levantei-me do chão e continuei a ir em direção a saída. De tempos em tempos, chamando por Pepper na esperança de encontra-la.

— Pepper! — gritei, sentindo o chão se estabilizar debaixo de mim, assim que consigo sair de dentro da construção — Pepper!

Ouço uma explosão seguida de tiros, fazendo-me gritar ainda mais alto. O medo que eu sinto é tão grande que beira a histeria. Eu não posso perder mais ninguém. Não posso. Não posso.

Enquanto pensava nisso é que vejo uma luz, no meio de toda aquela fumaça e pó, saindo velozmente de dentro da mansão. Reconheço uma das armaduras carregando Maya Hansen. Seu voo é tão desequilibrado e faz com que ambos caem de mal jeito. A máscara abre e o rosto de uma Pepper muito assustada aparece. Fico muito aliviada em vê-la viva e bem, mas meu pai ainda está lá dentro, e talvez sem uma armadura. Isso é o suficiente para fazer meu medo voltar com força total.

Mais uma explosão ocorre e toda a frente da mansão começa a ruir. E eu observo o lugar que foi meu lar pelos últimos meses, ser completamente destruído.

— Meu Deus! Tony! — Pepper gritou, assustada.

Assisti aquilo tudo ruindo, atônita, totalmente sem ação.

A armadura começa a desprender de Pepper — Tony a estava chamando — e entendo isso como um sinal de vida do mesmo. Me deixa um pouco mais aliviada. Ele está vivo, e agora contra-atacava.

O barulho dos tiros não cessa enquanto mais uma explosões ocorre. Um dos helicópteros cai no mar e entendo que o Homem de Ferro entrou em ação.

Okay, tudo vai ficar bem. Tento me convencer, mas meu subconsciente insiste em me contradizer.

O chão treme conforme a casa desaba e dou uma passo hesitante à frente. Sinto uma mão segurando a minha e levanto o rosto para Pepper. Dou-lhe um aperto e ela me lança um olhar de volta. Mais um helicóptero do inimigo cai, desta vez, indo diretamente em direção a casa e levando-a consigo até o mar.

Ainda sem sinal de Tony.

— Não, não, não, não... — repito várias e várias vezes, sem aceitar o que pode ter acontecido para que Tony não voltasse.

Quando não resta nada. Pepper me solta e corre na direção do penhasco, gritando por seu namorado e eu não fico para trás. Observo os sinais dos últimos escombros mergulhando no mar. De alguma forma, espero que Tony apareça voando para me fazer soltar um suspiro de alívio por vê-lo bem.

Isso não acontece.

— Tony! — Pepper grita ao meu lado.

Um nó se forma em minha garganta e o pensamento de que ele está preso em algum lugar lá embaixo, me machuca.

A dor tão familiar se apossa de mim.

— Pai? — chamei com voz embargada.

Pude ouvir minha voz ecoando, mas não obtive respostas.

***

Estou sentada e encarando minhas mãos enquanto um paramédico cuida do meu machucado. Segundo poucas coisas que consegui ouvi-lo dizer: é um machucado superficial, não vai deixar cicatrizes e nenhuma concussão.

Minha mente está em outro lugar. Tudo em que eu consigo pensar é: eu não fui ajudá-lo. Ele pode ter morrido por causa de um medo idiota. Por que eu não sei usar essa merda de poder e tenho medo de machucar as pessoas ao meu redor. Eu deveria ter tentado. Mesmo que me machucasse no processo. Mesmo que corresse o risco de não saber o que diabos fazer. Eu deveria ter tentado mesmo assim. Pepper me assusta ao colocar a mão em meu ombro, fazendo com que eu pule do meu lugar.

— Desculpe, não quis assustar — Pepper tem um pequeno e esperançoso sorriso em sua boca. Eu fixo meu olhar nela, agora sentindo meu coração errar uma batida apenas de imaginar que ela tenha alguma notícia para mim.

Pepper abre um sorriso suave para mim e então me mostra a mensagem que Tony lhe enviou. Tenho que reprimir a vontade de gritar e me limitando em apenas sorrir com alívio.

Alívio purinho.

Acompanhei Pepper para ser examinada e fiquei em silêncio enquanto ela respondia as perguntas do médico, para logo em seguida ser liberada.

— Vamos passar a noite em um hotel — ela disse, levantando da maca depois que o doutor sai, dando privacidade a nós duas. Ou ao menos a ilusão de uma, visto que estamos na traseira de uma ambulância enquanto, do outro lado, um grupo de pessoas parece nos fotografar sem qualquer pudor — Amanhã a gente vê o que vai fazer.

Eu concordo com um manear, pronta para dar fim a esse pesadelo. E então eu vejo Maya Hansen caminhando em nossa direção. Troco um olhar com Pepper e volto-me para a mulher em nossa frente.

— Oi, eu sei que esse não é um bom momento, mas eu realmente preciso falar com vocês — ela olha de mim para Pepper, uma expressão grave em seu rosto.

Pepper a encara com desconfiança: — O que está havendo, senhorita Hansen? Você chega a nossa casa minutos antes de sermos atacados e…

— Eu não sabia que isso ia acontecer. Ou você acha que eu voluntariamente entraria na sua casa para correr risco de vida, contando apenas com a sorte de ser salva pelo homem de ferro? — ela zomba e cruza os braços — Não! — balança a cabeça e franze a testa, parecendo muito determinada — Eu vim porque vi o… Stark na TV. E tinha uma informação importante para entregar. Quero dizer, pensei que ele estivesse interessado depois que ele ameaçou o Mandarim em rede nacional. Não me senti segura o suficiente para falar por ligação — admite com um encolher de ombros e eu a analiso, tentando ver se dizia a verdade. Para falar a verdade, Maya Hansen me parecia nervosa — Sei que ele ainda está vivo — eu não reagi ou sequer pisquei quando ela me encarou — E talvez vocês possam estar em contato com ele para dar essa informação.

— Que informação? — eu perguntei.

Ela hesita, antes de respirar fundo e dizer as seguintes palavras: — Acho que o meu chefe é o Mandarin.

CE