NEW STARK | the avengers [1] ✓
12 Natureza
15 de novembro de 2013
Oi, você
Um filósofo, grego e famoso, acreditava que há felicidade ao se viver de acordo com a própria natureza, e não quando se é forçado a ficar contra ela. Com natureza, acredito que ele se referia à nossa maneira de pensar, sentir ou agir.
Meu nível de inteligência sempre foi muito avançado, o que fez eu me sentir diferente de todas as outras pessoas. Desde criança, eu tinha essa estranha sensação de que era especial, apenas nunca entendi o porquê.
E, bem... Talvez eu nunca realmente compreenda.
No auge da minha adolescência, cansada de mudar de escola a escola, eu era estranha o suficiente para não conseguir me conectar com muito de meus colegas. Não poderia haver garota mais excêntrica! E então, veio o acelerador de partículas que mudou tudo em mim. E garanto quando digo que, depois disso, as coisas pioraram muito mais.
De toda forma, aprendi a lidar com um mundo onde eu era apenas uma garota estranha e incomunicável, pois, mesmo quando cercada de pessoas que me apoiava, eu me sentia sozinha. Não era normal como os outros, mas, estranhamente, também nunca me encaixei mesmo quando pensei que tinha encontrado pessoas como eu. Meta humanos, éramos chamados. E, se um dia eu desejei uma vida simples como humana; agora, sendo uma garota inconstante com poderes na qual não podia controlar, as chances disso acontecer diminuíram em duzentos por cento.
Não é legal sentir que não pertence a um lugar, ou algo. Pensei que teria que conviver com isto por toda minha vida.
Um tanto dramático e tals, mas nunca fui menos do que isso, então não é agora que deixarei de ser.
Mas, vamos continuar de onde eu parei... depois de um longo tempo e depois de fazer muita merda, acho que posso dizer que aprendi um pouco sobre mim.
Sei que minha natureza sempre será muito egoísta. Tenho esse medo de estar sozinha, sabendo de que faria de tudo para evitar que tal coisa ocorresse comigo, mesmo que seja me afastar de todos. Insegura, pois sempre vou sentir que não mereço as coisas boas que tenho recebido. Sarcástica, uma vez que essa é a minha maneira de responder a um assunto na qual eu não tenho certeza de que posso lidar. Mas de tudo o que eu disse, é preciso um equilíbrio. E em contraste ao meu próprio egoísmo, no fundo, existe esse senso de abnegação que espero ter o suficiente em mim. Sinceramente, ainda não se sou tão boa assim, mas isso a gente pode aprender com o tempo, né? Eu me apego fácil,amo intensamente e de todo o meu coração, assim como tenho a mente e o coração aberto para tentar de novo, caso precise.
Você deve estar se perguntando: quem eu sou e por que diabos escrevi essa carta sem selo, destinatário ou remetente? Sem nenhum destino aparente? Por que eu estou te contando isso?
Na verdade, é muito simples... Eu sou muito inconstante, guardo muito de mim e minto demais, mas valorizo o que a vida me deu. Como o meu pai, que eu sei que faria de tudo por mim; Ou minha madrasta, que é tão boa e gentil. E eles dois me deram a única coisa que eu pensei que nunca mais iria ter: uma família.
Entretanto, não sou uma idiota e nem finjo ignorância a minha própria situação. Eu tenho problemas. Sérios problemas. E sei que haverá um dia em que se perguntarão os motivos de minhas escolhas.
Mas é por isso que eu quero que leiam o que está escrito aqui, para que saibam dessa parte dos meus pensamentos. Talvez não entenda o que vou dizer, mas quando chegar a hora, eu pretendo fazer o que acredito estar correto. Não quero fugir, e espero que não encarem isso dessa forma, mas vou lutar e seguirei em frente tendo em mente todos os meus propósitos.
E eu sei que tentar e continuar aqui, afetará não somente o meu futuro, mas apenas não posso deixar de dizer que lutei e que tentei e que vivi. Preciso disso. Faz parte de quem sou e não seria eu se não me desse essa oportunidade. É da minha natureza, entende? Tentar.
E, no futuro — desejo do fundo meu coração que seja beeem pro futuro —, é possível que eu tenha de tomar uma decisão. Uma decisão que talvez vá me machucar.
Mas sabe aquela parcela de abnegação em mim? Então, a essa altura, eu já estou envolvida emocionalmente demais para preferir machucar a mim, do que aos outros.
Não sei como a minha história vai terminar. Mas sei o que eu quero agora. E viverei de acordo com o que eu sou.
Quem sou eu?
Bem, podemos começar pelo meu nome: Sofya Katherine Denova... Stark.
É, eu sou Sofya Stark.
PS: Essa carta não deveria ser entregue a ninguém, mas se alguém a ler um dia, espero que seja você, pai.
PSS: Não, eu não estou com nenhuma doença terminal, sou apenas dramática. Quero dizer, não muito, tô apenas querendo cuidar de você e talvez você não esteja entendendo nada e... Melhor parar por aqui, estou fazendo papel de idiota.
Sofya
***
PISQUEI ALGUMAS VEZES, tentando enxergar onde estava. Aos poucos, meus olhos se acostumaram a escuridão. Puxei meus braços e os senti presos por algemas no chão, junto de meus pés que encontravam-se no mesmo estado.
Tento novamente, mas não consigo me soltar.
Então, eu finalmente entrei em pânico.
De automático, minha respiração se acelerou e eu senti meus batimentos cardíacos aumentarem, exponencialmente. Confusão. Eu estava muito perdida. Tudo bem. Respira e inspira, Sofya. Entreabri meus lábios, sentindo minha garganta seca clamar por água, então forcei minha mente a lembrar de como havia parado neste local.
A princípio, havia uma névoa que não me permitiu recordar dos últimos acontecimentos.
Nada, nada, nada. Fiz mais um esforço e tentei de novo, sentindo minha cabeça latejar durante o processo. E então...
Como um flash de uma câmera, uma imagem passou pela minha mente. Doeu como se inferno inteiro tivesse se mudado para dentro da minha cabeça e estivesse dançando macarena sob meu cérebro, mas pouco a pouco, eu consegui recordar do que houve.
Ataque. Destruíram tudo. Toda a mansão que eu ainda estava aprendendo chamar de lar.
Noticias do Tony. Ele não está morto, lembrei-me após um breve momento de pânico. Ele sobreviveu depois de tudo.
Hotel. Precisávamos de um lugar para passar a noite e pensar.
Maya revelando segredos. O metido a galã, de cérebro oco, no final era mesmo um babaca total.
Toque na porta e... Ah, merda.
Aldrich.
Bingo.
Pisquei mais algumas vezes e tentei reconhecer o lugar que me encontro, falhando miseravelmente. Novamente, puxei meus pés e mãos. Também falho nisso.
Soltei um suspiro irritado e fechei os olhos, batendo com a cabeça na parede. Tudo bem, plano B. Concentrando-me em abrir as correntes que me prendem, eu visualizei em minha mente a fechadura, suas peças e imaginei o ferrolho de dentro se abrindo. Como o esperado, ouço um click indicando que eu estou livre.
Sinto uma náusea subir pela minha garganta. Não me atrai em nada a ideia de usar essas habilidades. Sendo bem franca — algo que raramente sou —, é um verdadeiro incômodo ter comigo algo que me destruiu. Gosto da sensação de ser uma garota normal. Não é muito fácil, principalmente agora, mas mesmo o fato de eu ser filha do Stark é menos complicado do que esses poderes que eu nem sei como controlar.
— Por q-que isso está acontecendo comigo? E... p-por... — soltei mais um soluço, não sabendo mais o que fazer.
Chorei tanto que meus ombros tremiam. Eu simplesmente não conseguia parar de chorar. A culpa e o medo me acompanhavam fielmente. As incertezas sobre mim me deixavam desesperada. Meus sentimentos eram tão fortes, que minha única vontade era ficar prostrada. Estava encurralada, a beira do abismo, e a vontade de pular e acabar com meu sofrimento era grande. Não tive dúvidas que isso era o maldito efeito colateral daqueles poderes, e eu não poderia fazer nada para evitar ou parar. E isso me fazia odiá—los ainda mais.
— Desculpa — o tom de Caitlin, é o da mais pura decepção dela por si mesma — Não conseguimos achar mais nada que nos ajude a encontrar as respostas para o efeito colateral que está sendo causado em seu sistema. Nem como tira-los de você.
Minha vontade era de gritar e exigir uma resposta mais positiva. Um resultado real. Mas em meio a tanta dor, eu consegui manter a consciência de que tudo o que eu estou passando não é culpa deles. Além do medo de os perder que me assolava. Nenhum de nós poderia fazer nada para mudar o que estou passando.
— Eu- eu só quero uma vida normal.... — suspirei, tentando parar o choro — Você disse que nada, nunca assim, aconteceu antes.
— E não aconteceu! — Cisco diz em uma exclamação. Eu olho dele para Caitlin, tentando entender o meu caso raro.
— Então, por que comigo tem que ser diferente?
Eu não entendia, ninguém entendia o que ocorria em mim, e isso era o que mais me assustava.
— Essa é mais uma de várias perguntas, em que eu não tenho as infelizes respostas. Sinto muito, Sô.
Balancei a cabeça e levantei do chão, espantando aquelas lembranças. Dou um passo lento e grogue para frente, cambaleando no processo. Sentia meus pés descalços e corri as mãos pela pele fria dos meus braços, sentindo alguns pontos de dor como se eu tivesse sido picada por um inseto. Minha pele bronzeada esconde bem, mas na parte interna do antebraço, eu vejo uma marca de sangue sob a minha pele. Não entendo. Talvez tenham pego meu sangue? Mas pra que merda eles iriam querer isso? Ou devo dizer, o que Aldrich Killian gostaria com o meu sangue? Vou pensando nisso enquanto desço uma escada de metal. Parece que estou em um... Merda, não faço ideia de onde estou.
Estou com uma impressão como se eu tivesse dormido por uma semana inteira, e, mesmo assim, me sinto cansada.
Quando termino de descer as escadas, é que eu vejo a silhueta de alguém preso a uma espécie de mesa. Curiosamente, eu me aproximei para poder ver mais de perto e ofeguei quando a reconheci. Era Pepper.
— Meu Deus, Pepper — corri em sua direção, tropeçando poucas vezes. Iniciei uma tentativa de soltar suas amarras, de maneira lenta e irritante.
Meu corpo ainda não estava me respondendo corretamente.
De repente, o chão tremeu me desconcentrando por completo. Eu parei meu trabalho e depois de procurar rapidamente, encontrei uma porta, abrindo-a rapidamente e com um pouco de força, muito necessária. Meus olhos se arregalaram ao ver o caos de máquinas e pessoas em chamas que estava no lado de fora. Fechei a porta o mais rápido que pude, assim que vi algo vir direto até mim. Nem fiz questão de saber o que era, mesmo depois de ouvir um som alto de algo batendo na parede de ferro que me separava do lado de fora.
Eu corri até Pepper, mais desperta e nervosa, desfazendo suas amarras o mais rápido possível. Depois do baque que tive com a visão de lá fora, meu corpo está mais acordado. E com a confusão ocorrendo, eu deduzi o motivo de toda aquela guerra. Tony estava em algum lugar à nossa procura.
— Sofya? — ouço sua voz num sussurro.
Levanto o rosto e encontro Pepper me encarando, meio grogue e parecendo muito confusa.
— Hey — abro um sorriso que eu torci para que fosse tranquilizador, enquanto terminava de soltar um de seus braços e ia para outro. Ela se esforça em sorrir de volta — Vou nos tirar daqui.
— Onde estamos?
— Não faço ideia — respondi — Mas precisamos sair daqui, Tony veio nos buscar.
Senti tudo tremer fortemente, dessa vez, me derrubando no chão. Quando estou para me levantar, o chão embaixo de nós desaba, levando a gente em direção ao desconhecido. Gritei enquanto caia, mas consigo suspender meu corpo no ar, soltando um suspiro aliviado.
Vi Pepper ao longe e criei uma proteção à ela também e retardei sua caída. Na hora, eu nem sequer pensei que ela poderia descobrir sobre mim. Apenas pensei que tinha que salvar nossas vidas. Soltei uma respiração brusca pela boca, tentando me concentrar em deixar nos duas em segurança. Porém, tudo ao meu redor vai pelos ares. Parte do teto desaba sob mim e com minha outra mão, eu o impeço de me esmagar. Isso faz com que eu perca Pepper. E sem apoio, a única coisa que posso fazer é desviar aquela enorme de camada de ferro que me esmagaria. Paro de levitar e o restante da minha queda é incrivelmente rápida e dolorosa. Atingi o chão em um impacto doloroso, gemendo de dor enquanto sentia todo o meu corpo reclamar.
Respirei fundo e olhei em volta, encontrando Pepper embaixo de uma boa quantidade de ferros.
Porra. Em minha distração, acabei me esquecendo dela.
Ótima salvadora eu sou. Me martirizei.
Levanto com um ganido dolorido e vou até minha madrasta, imaginando como tirá-la daquela situação. Estico meu braço, mas não consigo alcança-la.
— Pepper! — chamei, preocupada — Está me ouvindo? — recebo uma resposta afirmativa, abafada pela distância.
Tudo bem, o que eu faço? Eu não poderia tirar aquele monte de ferragem de cima da mulher, sem ter a certeza de que ela está bem.
Através da minha visão periférica, posso ver o momento em que uma sombra adentra no recinto. Sua expressão está tão fingida como eu me lembrava. Aldrich me olha com sorriso na boca, causando-me uma ânsia inexplicável.
Argh!
Sabia que esse cara era problema. Sabia.
— Sofya Stark, vejo que acordou — comenta o óbvio.
— Não bobinho, ainda estou desmaiada e tudo isso não passa de uma ilusão — não sorrio, mas minha voz está carregada em sarcasmo.
Eu não entendo o motivo de todos os vilões terem essa coisa de conversar, antes de partir pra porrada. Não é mais fácil ir logo pro "vamo ver"? Será que eles não sabem que assim, eles apenas dão tempo pro mocinho ter uma ideia de derrota-los e salvar o dia?
Burros.
Killian ri, achando graça.
— Ah... os Stark's, sempre fazendo piada de tudo — Aldrich tem uma expressão estranha enquanto me encara, embora isso deva ser apenas a cara dele mesmo. Ele ergue as sobrancelhas — Hm, estou vendo que conseguiu se soltar.
— Olha, cara, se você não sabe o que dizer, então acho melhor ficar calado. Isso é tão obvio! Lógico que consegui me soltar, caso contrário, não estaria aqui — me irritei.
Meu humor já não estava legal e ele chega pra me fazer perder o restante de paciência.
O sorriso não sai do rosto do vilão e posso enxergar diversão em seus olhos. Não estou gostando disso.
— Tão rebelde. De certa forma, posso entender o interesse que eles tem em você — murmura, ao aproximar-se de mim.
Eles? Pergunto-me mentalmente.
Não compreendo, mas minha intuição diz que não vou gostar de entender. A medida que Aldrich se aproxima de mim, eu vou dando passos para trás, em uma tentativa de me manter o mais longe possível dele. Acabou por ficar encurralada no canto da parede.
Droga.
Killian abre um sorriso ainda maior, assistindo minha situação com satisfação doentia.
— Seus poderes são esplêndidos e você é intrigante — comentou e engoli em seco. Ele sabe! Mas como? — Junte-se a mim, Stark. Fiz uma proposta semelhante à Tony anos atrás, e ele recusou. Porém, vejo que há alguém com uma mente muito mais brilhante e mais humilde que ele.
— Bajulação não funciona comigo, cara — aviso, e ele dá risada como se fossemos velhos amigos e eu lhe tivesse contado uma piada.
— Que pena, não vou dizer que estou surpreso, mas decepcionado seria a palavra correta — ele falou, dando mais um passo em minha direção — Então vou ter que recorrer ao plano B.
Killian fica vermelho. Tipo, literalmente. Como a porra de um desenho animado. Oh, não. Ele está pegando fogo! Mas que merda!
Em pânico e com olhos arregalados, eu faço um leve movimento com uma de minhas mãos, que servia como apoio atrás de mim. Então, uma grande e pesada grade de ferro cai sobre o Killian, levando parte do piso com ele. Me aproximei do buraco com hesitação, e não o encontro em lugar nenhum. Não tenho dúvidas de que o mesmo ainda esteja vivo. Vilões normalmente tem essa mania irritante de voltar quando todos pensam que eles já morreram.
Respirei fundo e para não dar tempo pra minha mente pensar em tudo o que aconteceu comigo nas últimas horas, eu caminhei apressadamente até Pepper, procurando maneiras de tirá-la do meio das ferragens. Segundos depois, eu ouço a porta bater forte enquanto ela é aberta e passo pesado para dentro do local em estamos. Eu congelei, temendo algum inimigo, e levantei o rosto apenas para visualizar a máscara do homem de ferro se abrir e dar-me a visão de meu pai, mais conhecido como Tony Stark.
—Tony! — eu suspirei. Anthony entrou no cômodo trajando uma de suas armaduras. Não sei descrever o que senti neste momento, mas alívio foi um dos sentimentos que me tomou por vê-lo bem e vivo, embora também houvesse o desespero pela situação atual da minha madrasta.
— Sofya, você está bem? Como veio parar aqui?
— Explicações depois — eu peço, nervosa — Agora, que tal me ajudar a tirar Pepper daqui?
Nos encaramos por curtos segundos. Anthony foi o primeiro ao cortar o contato visual para poder ir até Pepper. Ela, que até então se mantinha calada, exclama pedindo para Tony pare de levantar o ferro que estava por cima dela.
Imaginei que algo do tipo poderia ocorrer.
— Viu o que dá sair com ex's namoradas? — Stark pergunta, esticando a mão para ela pegar.
Eu já havia tentado isso, mas meus braços eram curtos, então torci para que ele pudesse alcançar a mulher.
— Você é um idiota, Tony.
— Tirou as palavras da minha boca — Stark revirou os olhos com o meu comentário.
— Falamos sobre isso no jantar — ele fala — Vamos lá. Um pouco mais, querida.
Quando finalmente ele alcança sua mão, o braço avermelhado e em chamas de Aldrich agarra o peito do Stark. Em um movimento rápido, eu pego uma barra de ferro caída no chão e atinjo o maldito, fazendo-o soltar Tony que cambaleia para trás, caindo de costas no chão.
Corri até meu pai, procurando averiguar se ele estva bem. Me agachei ao seu lado, vendo sua armadura danificada. Abri a boca para o questionar e ter a certeza de seu bem estar, porém, não dá tempo nem de um som sair pelos meus lábios, pois, foguinho — Aldrich — abre um buraco no chão e sobe. Sua expressão era meio psicótica. Que medo.
— Esse cara está te incomodando? — pergunta a minha madrasta, e Pepper solta um suspiro baixo e infeliz.
Bom... com uma cara desse na cola, quem não ficaria infeliz?
Tentei ajudar Tony a se levantar, mas sou barrada por Aldrich que me puxa pelo ombro e me emprra para longe deles, logo em seguida, ficando em cima do latinha.
— Não levante!
Longe da luta e caída no chão, com Pepper ainda presa, eu engatinhei até onde minha madrasta está presa, tentando ajudá-la — mais uma vez — a sair dali.
Ouvi os dois mais atrás discutindo e os ignorei, tentando fazer minha parte.
— Pepper, segura essa barra e não solta que eu vou te puxar daí! — pedi a ela, esticando o máximo possível do meu braço. Minha madrasta faz um esforço e consegue pegar — Isso! Não solta!
Sinto o suor escorrer pelo meu rosto, enquanto puxo o peso do corpo da mulher para cima. Concentrava minha mente em afastar aquelas ferragens para que ela conseguisse sair, mas ela solta um grito dolorido e logo eu tenho que parar com minhas tentativas.
— Para! Minha perna tá presa! — Droga!
O peso se alivia quando a mulher solta a barra de ferro que estávamos usando para a puxar.
— Droga! — praguejei sonoramente, encostando a testa no chão enquanto mais a atrás, eu ouço um gemido de dor. Viro-me para Tony, tendo a certeza que não veio dele o som, então vejo Killian com apenas metade do braço. Não evito uma careta. A poucos centímetros de distância, encontro a parte decepada e assisto o membro do corpo derreter pouco a pouco.
Primeira lição: nunca corte a mão de um cara que pega fogo.
— Coisa nojenta... — eu disse com uma careta, ouvindo o som da mão derretendo os ferros. Ah porra, ferros esses que sustentavam o peso de Pepper — Não! — estiquei o braço, novamente — Pepper, segura-se! Tony!
Pepper caiu, e, por alguma obra do destino, ela caiu em cima de um ferro em movimento por um guindaste. Tony aparece ao meu lado, sem sua armadura.
— Ela está ali — apontei com o dedo indicador a localização de Pepper. Stark sai correndo comigo em seu encalço.
Somos parados por dois foguinhos. Ambos nos atacam na mesma hora.
Tomo um susto, mas pulo para o lado, evitando um soco. Consigo ver Tony dando um murro no foguinho um, e não me surpreendo em ver o Stark lutar bem sem sua armadura. Afinal, nem sempre ele vai tê-la para lutar. Claro que isso não o torna em um ninja ou coisa do tipo, mas que ele é bom, não tem como negar.
Foguinho dois avança em minha direção. Interceptei seu punho antes que pegasse em meu rosto, sua outra mão também vem em minha direção e seguro ambas pelos pulsos. Ele me encara sem acreditar e eu lhe dou um sorriso nervoso, levanto minha perna pra trás e com impulso dou-lhe uma joelhada que o atinge na parte mais vulnerável de seu corpo. Que dor. Pensei, enquanto foguinho dois cai ajoelhado e gemendo. Dou um soco no rosto e ele desaba no chão.
— Ai! Aí! Aí! — balancei minha mão, fazendo uma careta.
Que merda de cara dura... Quase quebrou as juntas da minha mão. Me movo a tempo de ver o Stark enfiar algo no peito do foguinho um. Eu desvio o olhar, rapidamente. Tentando não pensar muito nisso. Anthony vira-se em minha direção e olha o cara no chão.
— Salve a Pepper, eu vou ficar bem — ele assente com a cabeça, hesitante.
— Vou avisar Rhodes que está aqui, vo...
— Tony — corto ele — Avise Rhodes e vai. Eu vou ficar bem.
Foguinho dois, que até então estava caído, tenta se levantar para vir pra cima de mim. Eu bufei e lhe dei um chute no rosto, derrubando-o novamente
— Quietinho — resmungo para o corpo caído.
Encaro Tony e ergo as sobrancelhas. Tenho certeza que minha expressão está tipo. Viu? Ele parece aceitar.
— Cuidado — murmurou, antes de ir salvar Pepper.
Acenei com a cabeça, mesmo sabendo que ele não irá ver.
Sai correndo para longe dali, sem quaisquer problemas com o foguinho dois. Corri sem direção determinada, mas ao longe, posso avistar Rhodes tentar soltar o...
Semicerrei os olhos para ver melhor, e então... Que porra é essa? Aquele é o presidente dos Estados Unidos? O que aconteceu enquanto eu estava desmaiada? Tá certo, tudo normal, coisa do dia-a-dia: sequestros, pessoas pegando fogo e membros importantes para o regimento do país presos em uma armadura. Tá, super de boa!
Alguns esquentadinhos iam na direção de Rhodes para o impedir de libertar o presidente, e ali eu descidi que precisava ajudar.
— Eu sou louca — anuncio, correndo até a beirada da ponte e pulando.
Meu coração bate a mil por hora e temo que eu morra de ataque cardíaco e não pela queda. Mas eu não caí. Obrigada, Deus! Antes, sou pega por uma das Mark's, e eu suspiro aliviada.
— Valeu Jarvis — sussurro e digo em que direção me levar, então voamos pelo céu noturno, a armadura atingindo foguinhos que tentam nos derrubar, durante o percurso.
Por fim, a máquina me deixa no chão e levanta vôo pelo céu, tornando a fazer sua função. Um pouco mais a minha frente, Rhodes está agarrado ao presidente que se encontra preso na armadura. Dois caras brotam, do nada, e me assustando pra caramba. Eles caminham até a corrente uma ferro que prendem os braços da armadura, sem notar — ou fingir não ve — minha presença.
— Hey, idiotas! — lanço uma pedra, que nem eu sei da onde apareceu, na cabeça de um. Ambos viram para me olhar.
O atacado pela pedra, me encara com uma expressão muito aborrecida. Raivosa, até.
— Ops, foi sem querer querendo — eu disse com um sorriso medroso.
Desviei de um soco bem a tempo, e o empurrei pelas costas, afastando-o de mim e fazendo ele tropeçar sob os próprios pés. Olhos para minhas mãos e repuxo os lábios, um tanto empolgada com minha velocidade e pensamentos. Sou foda. Penso, mas sou puxada para fora dos meus pensamentos. Literalmente puxada, pois uma mão toma um punhado dos meus cabelos e meu corpo vai junto na direção que sou levada. Eu gemo de dor.
— Puto! — xinguei.
Ele me joga no chão e se prepara para me chutar, porém, mais rápida eu dou um chute do meu joelho e o barulho estranho do osso quebrando se une ao de seus gritos. Dou outro chute em seu estômago e ele vai ao chão.
— Vadia! — me xingou em um fio de voz.
— Isso é jeito de se tratar uma dama? — reclamei, dando uma última joelhada em seu rosto e levantando do chão.
Sinto algo quente em meu pescoço e viro no exato momento em que o foguinho raivoso me pega pelo pescoço, sua mão começando a tomar um brilho avermelhado. Abria boca, mas nada saia. Senti meu pescoço esquentar e o ar fugir, conforme o maldito brilhava e colocava pressão.
Tentando não me desesperar, eu forço sua mão me soltar e consigo me concentrar em uma coisa que não seja a dor em meu pescoço. Sem dar-lhe tempo de sequer pensar, movimento minhas mãos de forma brusca e ele voa para longe de mim, apenas ouvindo o som de um estalo seguido do silêncio.
Caí no chão, sugando ar para dentro de meus pulmões e tocando meu pescoço, sentindo a ardência comum de uma queimadura. Mesmo me encolhendo pela dor, eu engatinhei até o corpo imóvel daquele desconhecido apenas para ter a certeza de que ele estava morto. Seu peito não mais subia pela respiração e não havia nenhuma pulsação a ser sentida. Porra. Eu o tinha matado. Não há tempo de pensar em nada. Elebme atacou primeiro. Foi legítima defesa. Assenti comigo mesma, ao mesmo tempo que passos são ouvidos e eu assisto o outro foguinho correr na minha direção.
Eles não desistem nunca?
Ergo minha mão e uma enorme placa de ferro flutua no ar, batendo em seu corpo e o jogando da plataforma.
Respirei fundo e tentei me concentrar no problema, enquanto meu coração batia rápido pela adrenalina. Rhodes ainda tenta romper uma das correntes que prendem o braço da armadura, mas erra pelo esforço de estar se apoiando, ao mesmo tempo em que mirava no alvo. Entendo seu objetivo e uso minhas habilidades a seu favor. Segundos depois, ele e o presidente estão indo até o outro lado da plataforma, conseguindo alcançar o chão de ferro com êxito. Não penso muito quando corro até estar em terra firme, para então ir atrás de Tony. Eu o encontro, mas o momento é de desespero pois ele está olhando para baixo, enquanto Pepper caí. Fico em completo choque, sem saber o que fazer. Meu coração batia de forma descompassada e meus olhos lacrimejaram. Pepper tinha caindo no meio do fogo, de uma altura que era impossível de se sobreviver.
Sem reação alguma, pude ver o homem de ferro lutando. E como em um despertar, eu vou até o lugar da queda de Pepper. Acho que esperando algum milagre. Mesmo que tenha visto tudo com os meus olhos, eu não queria acreditar que Pepper Potts havia morrido. Mas com o fogo alto e a queda, não vi possibilidades de se sair ileso. Por quê? Ela era uma pessoa tão boa. Pepper foi tão gentil comigo e Tony... Tony a amava.
Senti uma mão em meu ombro. Sabendo quem era, eu o abracei, sentindo-me completamente impotente.
— Tony, a Pepper....
— Eu sei, está tudo bem, querida — sussurra em meu ouvido, alisando meu cabelo e tocando uma parte do meu pescoço que me faz pular de dor — O quê...
— Que lindo — Aldrich Killian zombou, ao se aproximar.
É claro. Como sempre, ele tinha que aparecer.
Seu corpo está brilhando e em chamas. Killian mancava conforme caminhava.
— Maldito — trinquei os dentes, sentindo o aperto de Anthony ainda mais firme quando eu ameacei dar um passo a frente.
Respiro o mais fundo possível, se não eu pularia em seu pescoço e o enforcava sem nenhum remorso.
Pensamentos positivos: Aldrich no espetinho.
Pensamentos positivos: Aldrich mortinho.
Tony não estava em suas melhores condições, mas, sem desistir, Aldrich vinha com fúria contra nós.
— Sem caras falsas! Você disse que queria o Mandarin. Está olhando pra ele! — seu olhar psicótico não suavizou. Pior. A cada momento, Aldrich mostrava o quão louco é — Sempre fui eu, desde o começo. Eu sou o Mandarim.
— Eu realmente não pensei que fosse você. Então o ator foi muito mais convencente — comentei, em provocação — Pra você ter noção que nem pra ser vilão, você serve.
O que eu digo parece o irritar. No entanto, antes de concluir seu pensamento de me atacar, ele é atingido por um pedaço de cano e voa longe. A autora desse ato magnífico joga o objeto utilizado no chão e nos encara com pânico.
Arregalei os olhos.
— Pepper! — abri um sorriso, mais do que aliviada. É claro que ninguém normal sobreviveria a uma queda como aquela, mas Pepper não estava exatamente normal. Ela brilhava em um tom avermelhado como os outros.
Extremis. Tony pensou. Ele estava muito feliz para um pensamento analítico da situação atual da mulher, mas o pouco que eu soube desse tal extremis, foi o suficiente para tirar qualquer dúvida que eu tinha sobre ela ainda estar viva.
Estou para abraça-la, quando uma das armaduras que matavam os foguinhos vem em nossa direção com uma velocidade alta demais. Não, não em nossa direção. Ele vinha por Pepper.
— Tony — alertei.
— Jarvis, sujeito à 12 horas não é um alvo, abortar — ele ordena. E como se não o escutasse, a armadura continuava vindo rapidamente.
Droga, cadê o ponto?Anthony pensou. Vendo que ele não poderia impedir a máquina de atacar, procurei me conectar com Jarvis para o impedir de machucar Pepper. Entretanto, algo inusitado ocorre. No momento em que a armadura alcança a mulher, ela desvia, pula por cima da máquina e enfia a mão no peito, jogando-a no chão com raiva. Com a mão dentro da armadura, Pepper encaixa em seu braço e atira com o propulsor no mais novo assumido, Mandarin — ele ia mesmo tentar atacar pelas costas? Bastardo covarde.
Ele é jogado para trás.
Ui.
Potts lança um dispositivo na direção do mesmo e atira novamente, causando uma pequena explosão e, acredito eu, desta vez matando-o de uma vez por todas.
Estou em choque e tenho certeza que minha boca deve estar lá no chão.
Ouço Tony lhe chamar, tirando-a de seu estado estático. Seu rosto demostra o quão chocada ela está consigo mesma.
— Aí meu Deus! Eu fui muito violenta!
— Ninja, você quis dizer, né — murmuro baixo o suficiente para que ninguém escute, ainda me sentindo muito perplexa.
— Você me assustou muito. Nos assustou. Pensei que estivesse... — Stark não consegue terminar.
— Estivesse morta? Porque? Por que eu cai de 60 metros? — ela pergunta com a voz regada em ironia.
— Claro, super normal cair no fogo de uma altura espantosa e continuar vivo — revirei os olhos — Ah... como minha vida é normal.
— Por que não se veste assim em casa? Top de ginástica e todo o resto? — Tony pergunta aleatoriamente, olhando Pepper que, de repente, fica pensativa.
— Sabe, entendo porque não desiste da armadura. Do que vou reclamar agora?
— Oras, de mim.
— Pode preparar uma garrafa de água pra quando a garganta secar — Stark revira os olhos para o meu comentário idiota, fazendo-me rir baixinho.
— Vamos pensar em algo, juntos — diz, aproximando-se dela.
— Não toque em mim — Pepper exclamou, fazendo-o recuar por um breve instante — Eu vou queimar você, qualquer um de vocês.
Contrariando-a, Anthony toca em seu braço e nada acontece.
— Você não está quente — ele a tranquiliza e abraça, logo em seguida.
Dando espaço a eles, eu me mantenho afastada, assistindo-os com um sorriso pequeno em meu rosto. Então Tony me chama com a mão e perto deles, ele me puxa e me aperta em seus braços. Mesmo sentindo uma dor absurda do pescoço, eu o abraço de volta. Engulo a vontade de chorar e me contento em respirar aliviada.
— Vou ficar bem? — ela indaga.
— Não, você namora comigo. Nada ficará bem — suspiro, concordando em silêncio. Pensando em minha própria situação como filha dele. Nada nunca mais séria o mesmo, mesmo que eu quisesse, mas tinha um tempo que aceitei isso — Mas acho que posso dar um jeito. Quase tive isso há 20 anos, mas acho que posso te ajudar, é o que eu faço, conserto as coisas.
— E todas as suas distrações?
— Eu vou cortá-las um pouco. Jarvis — Tony chama pelo ponto recém colocado. Eu encaro Pepper que me devolve o mesmo olhar confuso, mas descido esperar para ver o que ele quer dizer — Você sabe o que fazer — há mais uma pausa de tempo em que, a princípio, Tony parece hesitar, para logo depois balançar a cabeça e dizer: — Dane-se, é Natal. Sim, sim!
Imaginei do que ele poderia estar falando, mas a imagem de todas as armaduras explodindo como fogos de artifícios me prende e é uma coisa tão linda que, desta vez, não tenho nenhum comentário espertinho. Estou feliz em ver Tony e Pepper felizes. Isso me basta e não quero nada mais. Dou um suspiro em meio aquele abraço.
— Tudo bem agora? Vocês gostaram?
— Já é o suficiente — ela responde e Anthony olha pra mim.
— Se vocês estiverem feliz, também estarei — ambos assentem com sorrisos — Além do mais, a vista está muito bonita. Às vezes, é bom começar do zero — comento.
Ficamos abraçados, mas a dor em meu pescoço passou a se intensificar, todavia, meu foco estava na imagem a frente.
Talvez, aquele não fosse apenas um novo começo para Tony, mas para mim também.
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