NEW STARK | the avengers [1] ✓
44 Mortos podem falar
Todas as estradas que estive antes
Os mesmos erros sempre me fazem tremer
E todos os sinais que uma vez ignorei
Na minha negação, eu não queria enfrentá-los
Grace VanderWaal — Clearly
— Sim, eu reconheço. Este é o cetro de Loki, o mesmo ser que atacou New York.
Natasha identificou a imagem que mostrei. O cetro de Loki. Sob o poder de pessoas perigosas. Acredito que fiquei um tempo olhando a imagem do cetro, não muito surpresa por ser uma arma perigosa, afinal... é a Hidra. E, se está a poder desta maldita organização, inofensivo que não é!
— É claro que sim. — comentei. — Não tem como ser o contrário. Esses idiotas estão sempre procurando algo para usar, a fim de governar esse mundo. Como se fosse grande coisa. — reclamei, como uma velha resmungona.
Natasha riu, me assustei. Não esperei causar essa reação na mulher.
— É... bom, eles nunca conseguiram tal feito, então não devem saber a merda que é, ter o poder de tantas vidas nas mãos. — replicou com um humor negro, apreciei aquilo nela. — Na verdade, eles não se importam com as vidas. — adicionou, franzindo as sobrancelhas e dando de ombros, levantando do sofá, onde sentou instantes antes, para retirar-se da sala.
— Neste caso, não podemos deixar eles ganharem. — falei alto, para que me ouvisse.
Em seguida, joguei o pacote de ervilhas — mais não tão congeladas. — sobre a mesa do centro, bocejando entre uma ação e outra.
— Não, não podemos. — confirmou a mulher, próxima à saída da sala. — Vá dormir, Stark.
— Não posso. — neguei. Não foi minha intenção justificar a resposta, mas acabei por fazer. — Tony e Steve logo vão sair e quero me despedir.
A mulher me olhou, ao longe, avaliando-me de uma forma estranha, o que me fez arquear as sobrancelhas, genuinamente curiosa sobre o que se passava em sua mente.
— Eu aviso que esperou, agora vá dormir ou vamos todos encontrar você babando no sofá, daqui a algumas horas. — pensei em tal situação e não gostei de imaginá-la. Somente por isso, que agarrei meu aparelho, até então notando a fadiga do dia sobre mim.
— Você está sendo... — não encontrei palavras para descrever a mulher. — Simpática. — falei, por fim.
— Eu te dei uma surra, garota. É o mínimo que posso fazer. — disse. Senti um toque de zombaria, não gostei.
— Eu me lembro de ver você caindo, após bater em seu joelho. — comentei.
— E lembro de te derrubar, em seguida. — retrucou.
Sorri e meneei a cabeça, aceitando minha derrota. Tornei a me virar ao corredor, rumo ao caminho que me levaria até meu quarto, mas parei, considera pedir a Romanoff que deixasse uma mensagem aos dois homens da minha vida.
No entanto, imaginei a situação e o quão estranha soaria. Balancei a cabeça, negando e desistindo de tal coisa.
— Não se preocupe, Stark. — sua voz soou ao fundo, mostrando que a mulher ainda me observava, mesmo afastando-se na direção oposta a minha. Então, notei que eu me encontrava parada no meio do caminho, enquanto ainda analisava a possibilidade de pedir o favor a Natasha Romanoff. Isso é muito mais que estranho. — Eles voltarão inteiros, então você dirá o que tanto quer. — desconheci sua amabilidade.
— O que há com você?
Natasha me encarou e mirei seus olhos em desconfiança.
— Você é muito desconfiada, já te disseram isso?
— Sim, agora responda minha pergunta.
— E audaciosa também. — replicou, parecendo mais divertida do que descontente com minha educação, ou a falta dela.
Revirei meus olhos, impaciente com sua enrolação:
— Pare de procrastinar.
A ruiva me olhou por mais alguns instantes, antes de responder com seriedade:
— Steve está feliz. — foi o que disse. Não compreendi. E qual é a ligação, entre sua reação a mim, e Steve? Ela me respondeu, entendendo meu olhar confuso. — Depois de você, ele está mais feliz. — sanou minhas dúvidas, e eu senti meu coração aquecer com sua observação, mas a sensação desapareceu logo depois, com seu seguinte comentário. — Então, se você, uma garota debochada, faz meu amigo feliz, tenho que ficar também. — pisquei, sem esperar por aquelas palavras. Natasha continuou. — Obviamente, você não seria minha primeira opção. — Primeira opção? Incomodei-me com sua ousadia. — Fazer o quê, cada um com o seu gosto. — deu de ombros.
Sorri com deboche:
— Obrigada pela parte que me toca. — sintam minha ironia...
— Não há de quê.
Balancei minha cabeça, virando-me ao sentido oposto, pensando no que a mulher disse. Ergui uma perna para voltar a caminhar, mas sua voz me parou.
— Não o magoe, Stark. Steve é bom demais para você, por isso, continue fazendo-o feliz. — foi suas últimas palavras, antes de deixar o cômodo.
Voltei a caminhar, ainda inerte na conversa. Foi só eu que senti um tom de ameaça na voz dela? Puta merda! Por essa, nem eu esperava.
***
Após a notícia — pra lá de encorajadora. — sobre o cetro nas mãos da Hidra, da conversa estranha e da possível ameaça de Natasha, acabei por passar o restante da minha noite tentando entender os esquemas da Hidra, em relação a tal objeto.
Aproveitando-me da situação para me distrair, mas também com o intuito de sair do escuro, afinal, ainda não se sabe a extensão dos planos da organização nazista e muito menos suas estratégias.
E, foi assim, que lá pelas duas da manhã, entre um documento e outro, que acabei por não suportar a pressão do tempo acordada e adormeci, contudo, me arrependi, pois, no meio da noite, meu sono tranquilo tornou-se um pesadelo turbulento.
Um pesadelo real demais:
Eu estava deitada sobre o chão gelado. Foi minha primeira impressão.
Em seguida, abri meus olhos, entreabrindo os lábios em um arfar. Estranhei o contato de minha pele contra o tecido incomum sobre meu corpo, muito como uma roupa EMU, o famoso traje usado por astronautas.
Sem consciência do porquê, eu me levantei sobressaltada, iniciando uma corrida em uma espécie de corredor; cheio de curvas e elevações, totalmente branco, — tão claro que doía as vistas. — sem porta de saída ou sinais de como eu viera parar ali.
O que estava acontecendo?
Mesmo sem entender os acontecimentos que me levou até a situação, meu instinto dizia-me para continuar a correr, o obedeci, até não aguentar dar mais um passo, até não haver forças para mover meu corpo.
Um cansaço desmedido abateu-se sobre mim e eu cai, esgotada e ofegante. Tomei fôlego, sentindo as gotículas de suor escorrerem pelo meu rosto e pescoço, mas estranhamente, não me importei.
Ainda que com a respiração acelerada, pude dizer o momento exato que meu coração passou a latejar fortemente, com o pressentimento de um iminente ataque. Com aquela sensação enraizada em meu subconsciente, juntei forças para erguer o olhar e vi, ao longe, uma sombra esgueirar-se, aproximando-se de mim.
Arquejei temerosa, tentando me levantar para iniciar uma nova corrida, porém, não consegui mover um milímetro de meu corpo.
A sombra tomou a forma de um homem sem rosto, sua expressão totalmente desfocada, mas que trazia consigo a sensação de perigo. Poucos segundos depois, e eu já não conseguia respirar, entrei em desespero, mas não consegui, ao menos, me debater.
O ar parou de atravessar minhas narinas e meu peito parou de subir...
Acordei assustada, sentindo meu rosto empapado, enquanto eu engasgava com... água?
Levantei-me em um pulo, olhando ao meu redor e me deparando com o olhar desapiedado de Maria Hill.
— Dormiu bem, Stark? — perguntou-me em uma falsa apatia, um sorriso divertido escondido tão rapidamente, que eu não teria notado se não estivesse olhando-a tão fixamente.
Fiquei indignada e me joguei sobre a cama, novamente.
— Qual o seu problema? — exclamei, desperta e enraivecida. Passei minha mão sobre o rosto.
— Acho que você deveria dar uma olhada em seu relógio. — falou e eu o fiz. 7:15 da manhã. Mas que inferno! Eu me atrasei, okay, mas é necessário acordar-me de forma tão insensível? — Você sabe, sem atrasos. — não consegui replicar sua ordem. Apenas assisti, sem reação, a mulher deixar a jarra vazia sobre a mesa de cabeceira, não acreditado que ela havia acordado-me, daquela forma. — Portanto, eu te dou cinco minutos para se arrumar e aparecer naquela academia. — mandou, deixando meu quarto, logo em seguida, e fechando a porta atrás de si.
Nunca me senti tão arrependida por ter iniciado aquele treinamento, como agora.
Contudo, ponderei que minhas chances contra as futuras ameaças que ameaçam vir, imaginei-me em uma batalha sem preparo físico, sem treinamento. Meus pensamentos levaram-me as imagens do pesadelo que me assolou nos últimos minutos, antes de eu ser acordada de maneira tão delicada. A mesma sensação de perigo voltou, e eu soube que precisava me preparar.
Cinco minutos.
Toquei os fios úmidos de meu cabelo e suspirei.
Primeiro, o soco; agora, mais essa. A semana tem se mostrada promissora.
Levantei-me de minha cama e fui direto para debaixo do chuveiro. Tomei um banho rápido e me arrumei, pondo uma roupa confortável. Passei pela cozinha, antes de descer até o andar da academia, pegando um pedaço do bolo de chocolate — o mesmo da noite anterior. — e encaminhando-me em direção ao meu local de tortura.
A manhã foi um inferno.
Hill me obrigou a fazer cem abdominais antes do nosso corriqueiro combate, e então mais cem flexões, para, em seguida, me fazer de seu saco de pancada. Ao desviar de seu punho, que quase atingiu meu lindo rostinho, ainda dolorido, julguei e conclui que sua ruindade comigo, é um castigo, apenas por ter passado dos cinco minutos, estipulados pela mulher, na porta do meu quarto.
Vaca.
Arfei, quando Hill me derrubou no chão, novamente, encerrando nosso treinamento com mais uma vitória no placar dela. Inspirei o ar, lentamente, tentando não me irritar, depois de ter perdido outra luta.
Uma ideia, a muito tempo, enraizada em minha mente, que passou pelos meus pensamentos após a conversa que tive com meu pai, Pepper e Steve, padeceu lentamente, levando consigo o pouco da minha esperança em poder ajudar as pessoas que amo.
Respire.
Inspire.
Respirei fundo, mais uma vez, ainda caída sobre o mesmo lugar que a ex agente me deixou. Persevere, Sofya! Aquela vozinha, dentro da minha mente, gritou, desta vez, não me desanimando, mas encorajando-me.
— Vai ficar aí? — Mari perguntou. Me surpreendi, pensei que já tivesse ido embora.
Abri meus olhos, virei o pescoço e encontrei o olhar da mulher, estranhando a situação.
Não a culpei, pois, normalmente, logo após nosso treino diário, tenho o costume de fugir para o meu quarto, como o diabo foge da cruz, apressando-me a tomar um banho, pois odeio ficar coberta de suor. — o que não mudou.
Contudo, por um momento, isso tornou-se irrelevante mediante a todos os dilemas de minha problemática vida, — acentuando-se desde meu encontro com Christian Black. — que insistem em me perturbar.
Isto resultou no meu corpo ainda jogado sobre o chão do ringue, com minha cabeça pensando em um milhão de coisas ao mesmo tempo.
Inclusive, na última derrota nenhum pouco animadora.
— Estava procurando meu ego, ele se perdeu em meio a um soco e outro. — brinquei com a situação, não mais melancólica. — Quem te tornou esse ser perverso, Mari? — a mulher balançou a cabeça, acostumada com meu drama, então aproximou-se, sem se dar o trabalho de reclamar do apelido que lhe dei, o que é algo bom. Nós sabemos que eu não a chamarei de outra forma. — Fury sei que não foi. De mal, o diretor só tem a cara. — zombei, sem me importar em zoar com o ex diretor da SHIELD, na frente da sua ex mão direita.
Desta vez, ela riu, mas parou logo em seguida:
— Que Fury não saiba que eu ri disso. — me olhou com as sobrancelhas erguidas, levantei meus braços em rendição.
— Captei a ameaça.
— Esperta como sempre, Sofya.
Dou um sorriso, a conversa descontraída me deixando pronta para outra.
Sinto-me melhor e estou disposta a dar um tapa na cara da vida, que adora me fazer de gato e sapato.
— Você está indo bem, sabe. — ouço-a dizer.
Olho a mulher um pouco surpresa, não conheço Mari o suficiente, mas sei que ela não tem o costume de elogiar, e essa é a segunda vez nessa semana que ela o faz.
A primeira foi antes do baile, e então agora. Me pergunto o que houve com a agente séria de olhar desconfiado.
— Você está bem?
— Estou, porque a pergunta?
— É a segunda vez que elogia meu desempenho em menos de uma semana.
— É verdade. — concordou, mas não me ofereceu uma explicação. Suspirei, não entendendo o seu silêncio. — Eu tinha a sua idade quando me alistei às forças armadas. — encarei ela, um tanto surpresa por vê-la me contar sobre sua vida, mas não a interrompi. Vai lá saber o que está acontecendo com essas agentes fodonas que me cercam! — Ficar em casa era um inferno, eu odiava a escola e não conseguia me prender a ninguém. Então, eu cheguei no meu pai e disse que ia me alistar.
— O que ele fez?
— Nada. — deu ombros. Eu franzi um pouco a sobrancelhas, por que não imagino eu nesta mesma situação. Tony surtaria se eu dissesse algo do tipo... não, ele riria. Sim, ele riria e então me envergonharia até que eu desistisse de tal decisão. — Ele não era o melhor pai. — justificou a mulher, interpretando meu olhar. — Então eu fui. — ela deu um sorriso nostálgico. — A primeira semana foi um inferno. — eu ri, ela também. Mas acredito que rimos por motivos diferentes, pois eu dei risada do fato de eu ter intitulado esta manhã, como um inferno. — E a próxima, e a próxima, e a próxima.... Ser uma mulher em combate é complicado, é difícil, desgastante. Algumas mulheres são muito reprimidas até desistirem.
— Você não desistiu.
— Isso por que eu sou chata pra caralho. — abri a boca, surpresa com o palavrão, mas Hill apenas deu um pequeno sorriso, divertindo-se com minha reação. — Eu chamei atenção por minhas habilidades. — continuou. — Então Fury veio, assim como veio a você.
— Ele foi dramático?
— Quê?
— É... tipo, engrossando mais a voz e falando seu nome completo. Maria Hill... — engrossei a voz, tentando imitar Nick.
Mari me olhou com diversão e assentiu.
— Fury também me apavorou.
— Ele nunca me apavorou. — retruquei.
— Não duvido. — respondeu minha réplica. — O que eu quero dizer é, eu sei o que está fazendo, Sofya. — me olhou sabiamente.
— O que eu estou fazendo...
— Não se faça de desentendida. — mandou, parei de falar. — Sei que seu envolvimento nos assuntos dos Vingadores não é apenas uma simples coincidência.
Fiquei em silêncio, antes de admitir:
— Quero ajudar de alguma forma.
— É... sei que sim. — respondeu e levantou de seu lugar. — É por isso que estou te ensinando tudo que sei.
— Achei que isso fosse uma troca de favores. — apontei para o local com um olhar insatisfeito. — Você precisava de um porto seguro e eu te apresentei a um. — fui despretensiosa ao falar do favor que fiz.
Afinal de contas, eu a apresentei a Pepper, dando-lhe uma oportunidade de emprego, fazendo assim com que não sofresse as acusações que ocorreria, — após a queda da SHIELD. — sem a proteção do sobrenome Stark.
— Isso também. — ela continuou, impassível.
Dou um sorriso, acenando.
Minha tentativa de intimidá-la falhou, só me resta saber o que a mulher quer comigo.
— Neste caso, qual o outro motivo de você estar me ajudando?
— Porque Fury viu potencial em você e, agora, vejo que ele não estava errado. — respondeu e ergueu a mão, pedindo, em silêncio, que eu a pegasse. — E por que eu preciso de mais um favor.
A olhei serenamente. Como eu sempre digo, nada vem de graça. Me levantei, voltando a minha habitual desconfiança, ignorando sua ajuda.
— Depende do que precisa. — comuniquei, reparando na satisfação que seus olhos mostraram ao meu descaso em relação a sua mão, não mais erguida.
— Já ouviu falar do cetro de Loki?
Ergui uma sobrancelha, assentindo com a cabeça.
Não é coincidência eu ter encontrado uma pasta com a imagem do tal cetro, para então Hill me falar sobre ele, no dia seguinte. O pressentimento que tive, após ouvir Romanoff identificar o objeto, teve mais sentido para mim.
— Encontrei algumas informações sobre ele nos documentos que Fury deu a Steve. — falei. A mulher concordou.
— Venha comigo. — pediu, passando a andar para fora do cômodo, mas permaneci em meu lugar, ela notou. — Você se importaria se nosso treino se estendesse para fora dessa torre?
— Isso também vai depender de para onde você vai me levar. — avisei.
— Quero que conheça um amigo de seu pai.
***
Seria engraçado, se não fosse cômico! Já ouviu essa expressão? Bom... ela se habilita a mim, neste momento. Por que estou olhando nos olhos de duas pessoas dadas como mortas.
Vou explicar como isso aconteceu:
Havia um BMW preta nos esperando, após Mari e eu sairmos da Torre Stark. Mari e eu não conversamos durante a viagem, mesmo com minha curiosidade em alta, o que acabou fazendo com que eu comesse minhas unhas durante todo o tempo. Foi uma viagem relativamente longa, e nos levou para fora de New York.
No decorrer da caminho, eu senti a ansiedade tomar conta de mim. E eu não consegui evitar planejar estratégias de fuga, simplesmente não consegui, mesmo gostando muito de Mari.
Mas... enfim, chegamos ao local e eu soube disso, pois o carro entrou em um estacionamento subterrâneo.
O carro estacionou e acompanhei a Maria Hill para dentro da construção, que me lembrou um pouco a base da SHIELD que a mulher levou-me, após sermos atacadas no aeroporto. Antes da organização cair.
Entramos em uma sala rodeada de computadores, havia apenas uma pessoa presente no local, não o reconheci.
Parei de andar e fiquei ao lado de Mari, sentindo o olhar dele sobre nós.
— Pensei que não fosse voltar. — comentou o homem de terno, aproximando-se de Hill. Reparei na felicidade, encoberta por seu olhar profissional. Um Agente.
— Você sabia que eu ia voltar. — refutou Mari.
— Tem razão. — ele admitiu, e fiquei sem saber o que fazer. O que eu tô fazendo aqui? Ele virou-se para mim e sorriu. — Olá Sofya. É um prazer finalmente conhecê-la.
— Sim, prazer... mas eu ainda não faço a mínima ideia de quem é você. — murmurei, impaciente.
Ele não se deixou abalar pela minha agitação.
— Meu nome é Phil Coulson, sou o atual diretor da SHIELD. — a SHIELD está de volta, que beleza! Foi meu pensamento. — Talvez Tony já tenha falado sobre mim.
— É... ele falou sobre um homem com o mesmo nome que o seu, a diferença é que ele está morto. — e mortos não falam.
— Eu estive morto.
— Interessante. — virei-me para Mari. — Afinal, quando vocês iam contar isso? — ninguém responde e levo o silêncio deles como um nunca. Reviro os olhos. Agentes e seus segredos... — Isso é algum tipo de costume? — mudei de assunto. — Um rito de passagem? — perguntei dramaticamente, Mari e Phil Coulson não entenderam. — Os diretores da SHIELD morrerem e voltarem a vida. — especifiquei.
Mari sorriu junto de Coulson. Esperei por uma resposta, mas a recebi através de outra pessoa:
— É, cortamos nossas mãos e selamos o pacto com sangue. — ele diz. Nick Fury. Dou um giro para encontrar o ex-diretor encarando a mim, não mais todo enfaixado, como eu o vi da última vez. — Toda sexta-feira. — completou.
Faço cara de paisagem, evitando um sorriso. É claro que tem dedo dele nisso, dedo não, a mão toda!
— Há certas coisas que somente os mortos podem fazer... — Phil Coulson se expressou.
— Caolho. — o cumprimentei com um sorriso de canto. Ouvi uma tosse fingida a minhas costas, mas não me virei.
— Como tá a perna, Denova?
— Bem, e o pulmão?
— Ótimo, obrigado.
Assenti, fingindo seriedade. Coulson tomou a palavra:
— Podemos começar?
Encarei o homem elegante, depois olhei Mari e voltei-me para Fury, outra vez.
— Se eu souber do que se trata. — me faço de difícil.
Pois, mesmo com a expressão insatisfeita, na qual faço questão de demonstrar, a verdade é que eu já estou dentro do que for que Nick tenha a me pedir.
Diabos, juro que não sei quando passei a gostar do diretor.
— Estamos atrás de um homem chamado Jonathan Garrett. — foi Coulson quem falou. — Acreditamos que você possa encontrá-lo.
Eu não gosto de você, querido... Pensei, reparando no tom confiante que Coulson usou para se dirigir a mim. Olhei Fury, erguendo uma sobrancelha:
— Quem é Jonathan Garrett? — perguntei, ignorando Coulson, sem me importar com o fato de estar sendo grosseira.
Eu simplesmente não fui com a cara de Phil Coulson. Lembro nitidamente de meu pai contando-me sobre as perdas que tiveram na luta contra Loki... e eu vi, nos olhos de Tony, eu vi a tristeza pela morte de cada pessoa, sendo Coulson uma delas.
Verdade seja dita, Tony não sabe lidar com a perda, — acho que puxei isso dele. — e mesmo que o Stark mostre a todos que está bem, somente quem o conhece enxerga o que há por baixo daquela máscara de "sou o rei do mundo". Pepper disse isso a mim uma vez, e eu não posso deixar de concordar. Portanto, saber que esse homem está vivo e que esconde isso da equipe que lutou ao lado dele, me irrita e muito!
E é por isso que eu não consigo gostar dele. Ponto.
Fury andou em nossa direção, explicando a situação a mim.
— Após a queda da SHIELD, encontrei-me com Phil... — o caolho falou, acenando na direção do homem de terno. — ... que estava comandando uma equipe sob minhas ordens.
— Como ninguém sabia disso? Steve? Natasha? — indago.
— Porque esta operação está bem acima do nível deles. — explicou. Claro, o nível deles... Grande bobagem! — Sendo assim, poucas pessoas sabem que Coulson está vivo, ou que uma nova SHIELD está se reerguendo das cinzas.
— Vocês não tinham um acordo de que a SHIELD já era? — cruzei os braços com a sobrancelha franzida.
— Tínhamos. — afirmou Mari, mostrando sua posição em relação aquilo. Ela também estava de acordo com o fim da SHIELD, mas Fury sempre se mostrou insatisfeito.
— A Hidra ainda está a solta. Pronta para pôr em prática seus próximos planos. — Fury desdenhou. — Precisamos da SHIELD.
Não argumentei contra, não quando havia certa verdade nas palavras dele.
— O que você quer, Fury? — perguntei suspirando.
— Quero que use suas... habilidades, para encontrar Jonathan Garrett.
— Se você me pedisse para hackear o celular dele ou sei lá... alguma câmera de trânsito, eu o faria. — comuniquei. — Mas eu tô evitando usar os poderes Fury. — balancei a cabeça, hesitante ao negar o pedido de Nick.
Mari olhou para mim e acenou.
— Está tudo bem. — recebi seu apoio.
No entanto, não me senti bem. Momentos atrás eu havia dito a ela que queria ajudar, mas não posso fazer nada quando meus poderes entram na reta. Me senti inútil.
— Não, não está. — negou o ex-diretor, fazendo o papel de diabinho. Mari olhou ele em reprimenda. Nick a ignorou. — John Garrett sabe de todos os nossos passos antes mesmo de dá-los. Ele tem uma espécie de Visão do futuro e não vamos conseguir encontrá-lo desta forma.
— Ele vê o futuro? — eu repeti sua fala, admirada.
— Sim. — Coulson confirmou. — John é um agente da Hidra que se manteve infiltrado na SHIELD por muito tempo. Ele aproveitou, e em uma de suas últimas missões, roubou uma quantidade considerável de GH.325, injetando a droga em si mesmo. Até onde sabemos, a substância o deu certas habilidades, e ele a têm usado para machucar pessoas. Garrett tem acesso a armas, prisões... só Deus sabe o que ele deve estar planejando agora.
— Okay, okay. — ergui minhas mãos, abaixando os ombros e me encaminhando para uma cadeira. — Parabéns, foi um ótimo discurso, vou ajudar vocês.
— Inacreditável. — ouvi o sussurro baixo de Mari. Ela olhava os dois homens, mas não tentou impedi-los na tentativa de me dissuadir.
Respirei fundo, fechei meus olhos então os abri, novamente, virando meu corpo para o computador e encostando minha mão no mouser sobre a mesa. O aparelho, antes desligado, acendeu. E deixei minha mente fazer todo o trabalho pesado, pesquisando o paradeiro do homem procurado, tentando descobrir seus passos.
— Minha nossa... — ouvi Phil Coulson murmurar, encarando toda a informação da vida de John Garrett correr pela tela, na velocidade da luz. — O que você está fazendo?
Não me virei, mas o respondi apenas porque... ah! Sei lá.
—Eu possuo poder sobre alguns eletrônicos. — respondi. — Tudo que você precisa saber sobre Jonathan Garrett, posso descobrir.
— Não é atoa que demoramos meses para conseguir vestígios de seu IP. — Mari comentou.
Dou de ombros, sorrindo:
— O que posso fazer? Eu sou boa. — parei, encontrando algo em meio ao turbilhão de dados. — Acho que encontrei algo. — demorou cerca de dez segundos, para que o que precisássemos aparecesse. — Achei ele. — falei. Encarando uma imagem borrada. Mandei um comando mental ao computador para que ampliasse e limpasse a imagem. — Essa foto foi tirada a cerca de meia hora. — comuniquei.
Me virei para Nick, Phil e Mari, assistindo a expressão tensa em suas faces. Franzi as sobrancelhas, estranhando o local.
— Por que ele está no meio da Antártica? — ninguém respondeu. Pigarreei, querendo uma resposta.
— Esse é um dos locais que a SHIELD usa como prisão. — respondeu Fury.
— Próximo de uma "ex" instalação de pesquisa da União Soviética. Caramba, estou surpresa. — comentei. — O que é tão perigoso para vocês guardarem de forma tão precavida?
— Acredite, você não vai querer saber. — respondeu Coulson. Revirei meus lindos olhos. Eu perguntei, idiota, o que significa que, sim, eu quero saber. Não tive tempo de dizer essas palavras,e o homem de terno logo estava mandando ordens através de comunicador. — Simmons, Fitz... — enruguei o nariz para o nome pronunciado. — ... e Skye. Tenho uma possível localização do Clarividente, quero um Quinjet pronto em dez minutos. — ele recebeu uma resposta, mas não prestei atenção.
— Possível... — murmurei, rolando os olhos. — Idiota.
— Ele é sim. — confirmou Mari, parando ao meu lado e lançando-me um sorriso discreto.
Sorri de volta e ficamos paradas, esperando por Nick e Coulson, que iniciaram uma conversa séria.
— Como você conseguiu as imagens tão rápidamente? — a mulher perguntou curiosamente, tentando disfarçar o interesse em minha resposta.
— Não conta para o Tony. — pedi. — Mas eu tenho usado o satélite dele. — dou de ombros, sorrindo. — É melhor que o do governo.
Ela assentiu, com obviedade:
— Claro que o Stark tem um satélite próprio. — ela comentou consigo mesma.
Olhei os dois homens ainda imersos no assunto e bati o pé contra o chão, repetidamente:
— Acho que já terminei por aqui. — falei a mulher, ela assentiu em concordância. — Então por que ainda não fomos embora?
—Por que eu tenho algo para você. — Nick falou, brotando do chão. Pisquei, fingindo que não fui pega de surpresa com sua chegada repentina. — Aqui. — ele me entregou uma pasta.
— O que é isso?
— Os dados que dei a Steve não vão levar vocês muito longe. Esses vão.
— Sempre foi plano seu trazer os Vingadores de volta ao trabalho. — constatei, semicerrando os olhos. — Não ajudar Steve a encontrar Bucky Barnes.
— James Buchanan não está mais com a HIDRA, mas foi treinado para desaparecer. — falou o ex diretor. — Steve somente o encontrará, quando ele quiser ser encontrado. Enquanto isso, acho bom dar um jeito nesse malditos nazistas.
— Alguém já te falou que você é um maldito manipulador, Fury?
— Não, essa é a primeira vez. — retrucou. Bufei desacreditada, maneando a cabeça em negação. Steve tem procurado tanto por algo que pudesse ajudar a encontrar seu amigo, e no fim... — A HIDRA tem feito experimentos em humanos usando o cetro de Loki. — anunciou, sabendo que chamaria minha atenção, assim como fez comigo quando ainda comandava Triskelion. — Barão Wolfgang von Strucker está por trás disso, acredito que vá querer as informações necessárias para encontrá-lo, mas se não...
— Você sabe que não irei devolver essa merda de pasta a você, Fury. Pare de showzinho. — falei, irritada. Ele não se incomodou com minha irritação.
— Bom, então acho que terminamos por aqui. Foi bom revê-la, Sofya.
— Uma péssima semana a você, Fury. — falei, acenando a Mari. Desta vez, nós íamos realmente embora.
— Voltamos as formalidades?
— Adeus, Caolho.
Fomos embora, comigo segurando a pasta firme sobre meu peito. Fiquei em silêncio durante a viagem. Mari também não falou nada na volta.
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