Notas iniciais
Hi guys! Mais um capítulo na área! Mas antes quero avisar que estou adotando uma nova maneira de escrever as falas, usando — travessão, a fic inteira vai passar por essa mudança, depois de terminada, mas a partir deste capítulo o travessão será usado. OKAY? Também quero avisar que o Natal está chegando mais cedo para os Vingadores. Eu queria esperar até dezembro, mas a fic passaria por um tempo muito longo sem capítulos, então... vamo que vamo! Boa leitura.

Passei tanto tempo procurando um caminho
Eu poderia fazer parte de outra casa
Eu tentei tanto bloquear as ondas
Mas meu coração do oceano nunca deixa ir
Ina Wroldsen — Sea

Como em todos os outros dias, hoje eu acordei, treinei e fui direto para debaixo do chuveiro, no entanto, apesar de seguir minha rotina matinal, sei que meu dia não será como os outros.

Pois, é Natal!

Nunca me senti tão animada para essa data como estou neste ano, e isso se dá ao fato de ser o meu segundo natal com Tony e Pepper, e o primeiro com Steve.

Aí, aí.

Juro que tenho tentado controlar a ansiedade, mas não consigo impedir o bendito frio no estômago, as mãos suando e o coração batendo mais forte.

O que a paixão não faz com a gente, hum?

Bom… e para comemorar esse Natal, Pepper e eu tivemos a ideia fazer uma pequena festinha íntima, somente entre os Vingadores e suas famílias. Falei com meu pai, conversei com cada um dos Vingadores, — antes de saírem em missão — e chegamos a um acordo com três condições básicas. Primeiro; sem exageros, o que deixou meu pai um tanto chateado. Segundo; sem pessoas desconhecidas, o que também deixou meu pai chateado. Terceiro (e último); sem ataques, o que fez todos rirem.

Sem dúvidas que nesta noite estaremos todos torcendo para que as coisas terminem bem, ao menos uma vez pra variar.

Todo mundo anda precisando de um momento de calmaria.

Principalmente meu pai.

Tony passa dia e noite tenso, — mesmo soltando piadinhas por aí, posso notar sua tensão. — preso naquele laboratório, trabalhando em algum upgrade de suas armaduras na qual ele não me deixa ver.

Sei que fiz o certo falando do povo querendo me caçar, — ainda não consigo entender o porquê de me quererem, sou mais inútil que o Matt em The Vampire Diaries — mas meu pai está tão… tão não Tony esses últimos dias.

Isso tem me deixado preocupada.

Steve é outro que anda todo cuidadoso comigo, e reparei que o restante do grupo notou esse clima estranho entre nós.

Respiro profundamente. Super entendo a preocupação dos dois, sei que se importam comigo, mas o que podemos fazer estressando-se? Poisé, nada. Portanto, há apenas uma forma de passarmos por essa situação: nos preparando.

Tive uma conversa com Tony antes dele ir. Joguei no ar a ideia de ajudá-los ativamente, em missão.

Sua reação ao meu comentário foi muito inesperada. Acho que eu esperava um pouco de drama, riso e um não bem frisado, que logo seria rebatido por minha teimosia e insistência, mas não, meu pai não negou.

Não, ele também não surtou.

Tony Stark apenas assentiu, pensando e me olhando atentamente, considerando a possibilidade. Então comentou que eu, praticamente, já fazia parte do time.

Eu fiquei muito chocada.

Estranho, Tony está muito estranho.

— Estamos atrasadas. — minha madrasta reclamou, me empurrando para que eu andasse mais rápido.

Apertei o passo, sentindo sua ansiedade refletir em mim.

— Estou andando Pepper, calma, ainda faltam algumas horas para eles chegarem. — falei rindo, entrando no carro, enquanto fazia a maior expressão fingida da minha vida. Também estou nervosa, e o olhar afiado de Pepper sob mim, mostrou que minha madrasta sabe disso.

Ainda não sei a mágica dela em saber tudo o que estou sentindo, mas um dia descobrirei.

— Sei, você não melhorou nada na arte de tentar me enganar, Sofy. — avisou.

Respirei fundo.

— Francamente! Não sei por que ainda tento.

— Me pergunto o mesmo. — ela retrucou, finalmente sorrindo para mim.

Minha madrasta arrancou com o carro e nos levou velozmente em direção ao shopping.

Nós nos encontramos em uma situação inesperada.

A empresa que Pepper contratou para arrumar as coisas da festa não pôde entregar as compras, por causa de um incidente na administração de estoque. Pelo que entendi, eles não tinham todo o produto que foi pedido e, com o fim do ano, não conseguiram um fornecedor a tempo.

Resultado: Pepper e eu indo às compras atrás de comida, bebida e decoração, tudo de última hora.

Já viu alguém tão irritado a ponto de ficar vermelho sangue? Pois bem, Pepper ficou furiosa com os donos da infortunada empresa. Deu medo.

Enfim, agora temos menos de sete horas para resolver tudo.

Tony e Cia estão a poucas horas daqui, — isso que tem deixado Pepper louca nos últimos minutos. — e logo estarão de volta de mais uma missão.

Sim, sim, os Vingadores têm botado pra quebrar.

E eu também tenho botado pra quebrar… tenho botado pra quebrar a minha mente de tanto ficar em frente a tela do computador.

Meus últimos dias têm sido resumidos em minha pessoa, tentando descobrir a localização do Barão Idiota Von Strucker, um palhaço que tem feito experiência com humanos usando o cetro de Loki, outro palhaço, mas continuando… tem sido um pouco difícil descobrir algo sobre o Barão Idiota.

O cara parece que mora no bueiro.

Não há uma foto dele desde dois mil e nove, seja em câmeras de trânsito, satélite e a merda toda.

Tem sido frustrante para mim não conseguir nada.

Mesmo Nick Fury não conseguiu muito mais do que já havia me entregado. Na qual foi basicamente nada: um dossiê do Barão e poucas informações de suas operações.

Ou seja, tenho um total de nadas em mãos.

Steve gosta de me animar e fala que já é algo termos o nome do cara e dos irmãos Maximoff, que se voluntáriaram para as experiências do nazista, mas eu o lembro que não tivemos progresso nenhum desde então. Assim, ele me abraça dizendo que vai dar tudo certo e que acredita em mim.

E é aí que sinto que as coisas vão realmente dar certo para nós. Por que Steve sempre consegue me passar essa sensação de segurança.

O automóvel para no estacionamento e tiro o cinto, olhando minha madrasta de canto e saindo do carro, em seguida.

— Vin Diesel que tome cuidado com você. — eu digo. — Se ele bobear você toma o lugar dele em Velozes e Furiosos. Já imaginou? Pepper Toretto. — dou risada, mas minha madrasta me olha seriamente, fecho o sorriso. Ela está mesmo bem pilhada com o assunto da festa. — Não? Tá bom. — sigo ela para dentro do prédio.

Passamos as próximas horas entrando em diversas lojas, o que foi um verdadeiro porre. Eu já não suportava mais ter que levar sacolas para o carro e voltar para buscar mais sacolas, para voltar e levar mais sacolas. Parecia um ciclo infinito.

— Por que mesmo que nós não trouxemos o Matthew… não, Mark?

— Julius.

Franzi o cenho. Caramba! Que diferença das minhas suposições ao verdadeiro nome do nosso motorista. Dou de ombros.

— Isso! Por que mesmo que não trouxemos o Julius para nos ajudar?

— Ele está de férias.

Assenti, suspirando fundo.

— E o Ca… Ca…

— Carlos. — Pepper me ajudou, e juro que a vi revirar os olhos.

Ouch!

— É! E o Carlos? — indaguei.

— É a folga dele.

— Droga!

— Você está parecendo seu pai. — Pepper comentou, parando de andar para me encarar.

— Obrigada? — perguntei.

— Não foi um elogio. — tenho uma sensação de nostalgia. Ignoro e cruzo os braços, erguendo as sobrancelhas.

— Você está muito estressada, Pepper. Acho que vou buscar um lanchinho para a gente. — sorri com minha brilhante ideia de fugir dela. Cara, por que eu não falei isso antes?

— Por Deus. O espírito do Tony te possuiu? — ela perguntou, agora rindo. Ergui uma sobrancelha, e quando eu estava para fazer uma pose indignada, Pepper decidiu que não está com paciência para meu melodrama e me pegou pelos ombros, arrastando-me até outra loja.

Não, não, não…

— Vamos passar nesta loja. — apontou para a fachada. Não, não, não… — E então vamos embora. — prometeu.

Encarei seu rosto, semicerrando os olhos, tentando ver se a mulher estava sendo sincera. Suspirei aliviada ao constatar que sim, e assenti concordando. No entanto, antes de entrarmos, resolvi usar um pouco da minha empatia.

Que empatia? Uma vozinha, no meu cérebro falou.

Cala a boca! Mandei.

— Quê? — Pepper me olhou. Arregalei os olhos e falei rapidamente.

— Eu perguntei se compramos realmente tudo, quero dizer, não quero ser a responsável pela falta de bebida…

Pepper sorriu para mim. Suspirei aliviada.

— Sim, na verdade, compramos tudo a duas lojas atrás.

— Quê? — a olhei indignada. — E o que estamos fazendo aqui ainda?

Que diabos eu levei para o carro na última viagem?

— Estou comprando os presentes de Natal. — Pepper respondeu, ignorando minha revolta. — Sei que nenhum deles vai lembrar disso, mas quero dar ao menos uma lembrança para cada um. — fiquei sem palavras.

Se Pepper não é o melhor ser humano, eu não sei quem é. Permaneci olhando minha madrasta por mais alguns segundos, muito embasbacada. Somente então, considerei a possibilidade e percebi que eu também gostaria de comprar algo para as pessoas daquele grupo.

— Okay. — tive uma reação. — Vamos às compras. — Pepper sorriu animada e entramos na loja.

Passando cerca de meia hora e eu já tinha comprado tudo para todo mundo, exceto Steve. Eu simplesmente não sei o que comprar pra ele. Inferno!

Estreitei meus olhos por toda a prateleira, sem saber o que levar. Então aquela bendita música passou a tocar pela milésima vez. Alguém poderia trocar o disco?

"Silent night, holy night!
All is calm, All is bright"

Balancei a cabeça e peguei um disco de vinil, em dúvida. Uma pessoa parou ao meu lado.

"Holy Infant so tender and mild
Sleep in heavenly peace
Sleep in heavenly peace"

— Sofya? — o tom surpreso me fez virar. Encontrei o olhar da minha amiga e colega de álgebra. Lúcia.

— Luci. Caramba! — sorri de lado e correspondi seu abraço animado. — Onde você se meteu doida? — perguntei.

Sei que ela ficou encrencada com os pais desde o baile, mas não nos falamos desde então. E passei os últimos dias tão focada em meus problemas, que não tive um segundo de descanso para indaga-la.

— Onde você se meteu, né. — retrucou, parecendo um pouco envergonhada. Ela então se explicou: — Meus pais estão em cima de mim desde o baile, foi mal. — desviou o olhar.

A olhei com atenção, estranhando um pouco sua reação.

— É, as coisas foram loucas. — comentei, as imagens do baile voltando em minha mente.

— Agora me explica o que você tá fazendo aqui? Você odeia compras! — mudou de assunto, sorrindo de um modo muito… forçado.

Franzi o cenho e respondi hesitante.

— É. — dei de ombros. — Mas minha madrasta me intimou a ajudá-la com os preparativos de Natal.

— Vai rolar festa Stark esse ano? — se interessou.

— Não, vai ser uma coisa mais íntima, de família.

— Entendi — falou balançando a cabeça. — Então vai ficar na cidade?

Abri um sorriso confuso.

— Para onde eu iria?

— Claro, claro. — ela riu. Ergui as sobrancelhas.

— Tem certeza que você está bem? — perguntei preocupada.

Lúcia parou de sorrir, me olhou e maneou a cabeça várias vezes.

— Eu… — ela então sorriu. — Sim, sim, estou bem, só alguns problemas familiares. Uma viagem que vou ter que fazer e não quero ir. — explicou-me incomodada.

Encarei ela por mais alguns instantes.

— Tem algo que eu possa fazer por você?

— Não, não tem, mas obrigado. — falou, sorrindo para mim, novamente. — Tenho que ir, eu só te vi e quis te abraçar e desejar um Feliz Natal.

— Feliz Natal, Luci. — desejei com um sorriso. Keint retribuiu o sorriso:

— Tchau, Sofy.

Ela se foi, deixando-me com uma sensação estranha. Fiquei olhando o nada por alguns instantes, mas balancei a cabeça e continuei minha procura que fora adiada pela presença de Lúcia.

Não dá pra ficar remoendo minhas paranoias, quando sei que Pepper deve estar surtando em algum lugar.

A procura por um presente para Steve foi inútil. Suspirei profundamente quando Silent Night voltou a tocar.

…Round yon Virgin, Mother and Child. Holy Infant so Tender and mild… — cantarolei baixinho. No entanto, não tão baixo assim.

— Você canta bem. — ela tocou meu ombro. No calor do momento, não reconheci a voz de Pepper. Me virei com o disco de vinil em mãos, pronta para usá-lo como arma.

— Deus! — exclamei, parando meu ataque. — Que susto!

— Você bate nas pessoas que te assustam? — minha madrasta perguntou com as sobrancelhas erguidas. Não respondi. — Esqueça. Você e Tony são iguaizinhos. Exceto a voz. Não conta pra ele, mas você canta muito melhor.

— Não canto, não. — neguei rindo, um pouco envergonhada. — Mas acho que vou usar isso, sim, para provocar meu pai.

— Querida, eu quem não canta. Nada... nada mesmo. Você canta e ponto final. — disse toda mandona. — Sobre provocar o Tony, ponho vocês dois de castigo por uma semana, caso isso aconteça.

Mandei um sorriso para Pepper:

— Tá, parei! — me rendi. Pepper riu.

— Ótimo.

Voltamos a ficar em silêncio, eu olhando o disco que quase usei como arma, instante atrás. Penso no que Pepper disse a mim, sobre cantar.

— Minha mãe cantava pra mim. — comecei, aleatoriamente. Minha madrasta me olhou em silêncio. —, Sempre…. a toda hora. Quando eu era bem pequenininha ela cantava The Lady In My Life pra que eu pudesse dormir. Bem estilo filme, sabe?

Pepper sorriu comigo.

— Sua mãe deve ter sido uma mulher muito especial.

— Ela foi. — concordei.

Às vezes, falar da minha mãe é como arrancar meu coração, mas às vezes — como hoje — não dói tanto. Sinto que, gradualmente, a dor e a culpa tem me deixado. Nesses últimos meses, quando penso em minha mãe, tudo o que me vem à mente são os nossos momentos calmos e felizes.

Isso me deixa mais leve.

— Tudo bem, o que está havendo?

— Não entendi. — inclinei meu pescoço para o lado, numa expressão confusa.

— Sofy, minha querida, você está olhando para esse disco como se fosse encontrar a cura para todos os males nele. — Pepper avisou.

Respirei fundo soltando uma risadinha.

— Tô em dúvida.

— Sobre o que?

Mordi o lábio inferior, olhando a loja.

— Não sei o que comprar para ele.

— Para ele… ah! Steve?! — minha madrasta riu, então me olhou com um olhar esperto, aquele que ela sempre lança para mim quando quer saber o que eu estou pensando.

Nem poderes ela tem, mas Pepper sempre consegue descobrir o que se passa dentro de mim.

— É... — confirmei, timidamente. — Não sei o que dar de presente para Steve. — suspirei altamente e coloquei o bendito disco de vinil no lugar. — Eu poderia comprar um pra ele — apontei para o objeto. — Mas acho muito subliminar.

— Subliminar?

— É, tipo, tome um disco de Vinil meu velhinho. — expliquei, mas senti minhas bochechas esquentarem ao repassar as palavras que eu disse em em voz alta. Pepper tentou manter uma expressão séria e eu desviei o olhar. — Eu só passo vergonha. — sussurrei comigo mesma.

Pepper tossiu, — aposto que foi uma tosse fingida. — então pôs uma mão sobre meu ombro. Não saber o que dar de presente a Steve está começando a me estressar.

— Talvez você deva deixar de se preocupar com o que Steve pode não gostar. Pare para pensar em alguma coisa especial para vocês dois. Dê a ele algo que também seja importante para você, presentes são bem mais especiais dados de coração. Se for importante para você, então será para ele e vice-versa. — Acho que eu a olhava boquiaberta. Eu não esperava por uma declaração como essa.

Ai ai.

— Okay. — assenti com a cabeça e olhei ao redor.

"Silent night, holy night!
All is calm, All is bright"

Encarei o teto do estabelecimento, fazendo uma careta, um som parecido com um bufar escapou da minha boca, e eu olhei cansada para minha madrasta.

— Vamos sair daqui? Não aguento mais essa música....

Pepper riu, mas concordou. Antes de voltarmos a busca pelos presentes, nós paramos para comer uns hot dogs maravilhosos. Entretanto, dentro da lanchonete, rindo de uma coisa besta que eu mesma falei, algo me chamou atenção do outro lado da rua, não sei o que era, mas meu sexto sentido estava me dizendo alguma coisa, e eu não estava afim de ignorá-lo.

— Vou ali rapidinho. — avisei, ao terminar de comer antes dela. — Acho que encontrei alguma coisa.

Ela me encarou.

— Encontrou?

— Talvez.

Pepper sorriu para meu olhar inseguro. Pressionou a mão sobre a minha, ainda sobre a mesa, e afagou em conforto.

— Vai lá. — me incentivou. E eu apenas consegui pensar em como Pepper é especial. — Eu vou fechar a conta. Vou ficar te esperando aqui.

— Tá bom. — acenei, lançando-lhe um sorriso fechado e fui.

Parei em frente a loja que me roubou a atenção, e acho que acabei encontrando aquela coisa especial que Pepper falou.

Sorri para o objeto do outro lado da vitrine.

Notas finais
Um momento de calmaria para a nossa Stark e é bom ela aproveitar! Por que a treta tá chegando! kkkkk. Próximo capítulo está sendo revisado e logo será postado. Beijos seus lindos. SaahAlyne