Notas iniciais
Muito obrigado a Mia CullenStark por ter fovoritado a história e a todos que vem acompanhado. Beijos e boa leitura.

Como pode você ver dentro dos meus olhos, como se fossem portas abertas?
Levando-o até meu interior onde eu me tornei tão entorpecida
Sem uma alma, meu espírito está dormindo em algum lugar frio
Até que você o encontre lá e o leve de volta pra casa
Evanescence — Bring Me To Life

CENTRAL CITY10 Meses após a explosão do acelerador de partículas.

Meu corpo estava pesado, era como se eu sentisse um enorme peso em cima do meu peito, me impedindo de levantar, de respirar. Algumas vezes eu podia sentir o ar fugir de meus pulmões, em horas como essas, sempre pensava que iria morrer.

Eu não via ou ouvia nada, era um silêncio total, e um breu sem fim. Não sei dizer quanto tempo passei assim, mas foi tempo o suficiente para que às vezes, uma espécie de desespero passasse à se alojar em mim. Não conseguia me mexer ou falar. Sabia que não estava morta, mas também não estava necessariamente viva.

A última coisa que me lembrava era de Jess, me gritando, para então tudo ficar escuro.

Nunca mais sai da escuridão.

Tinha medo de nunca ver minha mãe novamente. Queria ter dito a ela que a amava mais uma vez. Queria não ter saído de casa. Queria tantas coisas e não podia fazer nada.

Depois de certo tempo, passei a notar curiosas mudanças em minha situação. As vezes sentia dores, não podia identificar aonde, mas sentia. Então eu passei a ouvir sons.

Vozes. Pude distinguir com o tempo.

Não podia entender o que falavam, mas sabia que eram vozes.

Fiquei de tempos em tempos nesse processo até, finalmente, acordar. Não sabia o tempo que passei desacordada, mas entendia minha situação. Entretanto, ter noção do que acontecera comigo não me deixou menos confusa.

Quando o movimento do meu corpo finalmente voltou, minha primeira reação foi abrir os olhos.

Assim que os abro, uma luz forte cega meus olhos. Piscando, aos poucos vou me acostumando a ela.

Eu estava muito confusa.

Sabia que havia ficado em coma, mas desnorteada como estava, tudo que pude dizer em minha mente naquele instante era: O que aconteceu?

Olho ao redor e deparo-me com equipamentos médicos a minha volta, uma agulha era conectada a meu braço enquanto enviava algum medicamento ao meu corpo.

Mas o que está acontecendo? Minha mente atordoada tornava a perguntar.

Tiro a agulha conectada em mim, fazendo uma careta. Eu simplesmente odiava agulhas.

Levanto da cama olhando a minha volta. Aonde eu estava? Era outra questão que rondava minha mente.

Era um laboratório, talvez. Minha visão turva talvez estivesse me enganando. Foi quando reparei que não estava sozinha.

— Ela acordou. — fala uma voz fina, feminina. A voz fez um alarme soar em minha mente, e me fez lembrar de uma das vozes que eu ouvia enquanto estava desacordada. Logo uma mulher de cabelos castanho escuros apareceu em minha visão.

— Já estava na hora. — uma voz mais grossa e masculina, se pronunciou. Um rapaz aparece ao lado da doutora.

Doutora, pois, a mesma usava um jaleco.

A doutora lança um olhar de advertência para o rapaz, e então me olha.

— Não liga pra ele. — ela me aconselha, dando alguns passos em minha direção.

—Quê? — sussurro não entendo nada.

Solto um suspiro pesado passando uma mão em meus cabelos, sentindo pontadas de dores surgir em minha cabeça.

— O que está acontecendo?

Um desespero ameaça tomar meu peito, o ar começa a faltar em meus pulmões.

— Ouve um acidente, infelizmente, você estava aqui. — explicou olhando-me triste.

Acidente.

— Aonde eu estou?

— Você está nos laboratórios Star. — responde me examinando.

Surpresa, volto a olhar ao redor reconhecendo o nome bem famoso para mim.

Enquanto ainda digeria a notícia, um garoto entra na sala usando uma roupa estranha, toda vermelha, com um desenho de raio adornando seu peito. Ainda que confusa não pude deixar de reparar. Ele era muito bonito.

— Ah... esse é o Barry. — a voz da garota me faz parar de encara-lo.

Sinto meu rosto esquentar, e não tive dúvidas que estava vermelha por ter sido pega no flagra. Ela sorri do meu constrangimento.

— Ele é o Cisco. — ela continua, apontando para o garoto de cabelos longos que estava ao seu lado. — E eu sou Kaitlin.

— Quero ir embora. — avisei, começando a levantar da cama.

— Ei, Kaitlin. — chamou o rapaz, a qual a doutora chamou de Larry. — Como eu.... oi, acordou. — me lançou um sorriso.

Um tanto envergonhada, eu sorri de volta.

— Acabou de acordar. — comentou a doutora Kaitlin. — E já quer ir embora. Por que isso me lembra você?

Ela lançou um olhar divertido para o tal Larry. Ele, por sua vez, soltou uma risada. Me sentindo uma intrusa eu volto a tentar levantar, e solto um gemido por causa da pontada forte que me atingiu.

— Tudo bem. — sinto um toque leve em meu braço — Você não pode fazer muito esforço....

— Eu quero ir embora, me larga. — me desviei de suas mãos levantando na marra, ainda que a dor em minha cabeça fizesse minha vista pesar.

— Tudo bem. — Larry disse, cauteloso. — Ninguém está te prendendo aqui.

— Ótimo. Não conseguiriam me prender por muito tempo mesmo. — retruquei impaciente. O tal Cisco, deu uma risada enquanto dizia que havia gostado de mim.

Já em pé passo a andar, procurando a saída daquele lugar, seja lá onde ela for. Mal dou três passos, eu paro.

— Cadê as minhas roupas?

Que vergonha. A doutora me olha, com toda a certeza tentando evitar rir de mim.

— Pode vir comigo? — a doutora perguntou.

Solto um suspiro e sem alternativas, a sigo.

Passo pelos dois rapazes evitando seus olhares e seguindo a doutora para seja lá qual for o lugar que ela esteja me levando. Descubro que era um banheiro, e lá ela me entrega um par de roupas. Uma calça, uma camisa e um tênis, acompanhado de roupas íntimas e um par de meias. Ela sai e eu me troco, tirando o avental ridículo que vestia. Vestida eu saio e a encontro me esperando.

— Sua mãe está à caminho. — avisa e consegue chamar minha atenção.

— Como...

— Depois de quatro meses em coma, o hospital onde você estava internada não acreditava mais em sua recuperação. — me explicou, enquanto íamos pelo caminho de volta. — Queriam desligar seus aparelhos, seu cérebro estava morrendo, estavam gastando dinheiro em alguém que talvez não sobrevivesse. Sua mãe não aceitava, então quando nós apresentamos a proposta de você ser cuidada com os melhores aparelhos que os Laboratórios Star podia oferecer, ela não recusou. Você passou os últimos seis meses em observação, aqui. Fico feliz que tenha acordado.

Dez meses. Meu coração retumbava em meus ouvidos.

Eu fiquei dez meses desacordada.

— Sua mãe vem te visitar sempre que pode. Deixou um número para caso seu estado mudasse. — ou seja, caso eu morresse. — Gostaria de perguntar, você se importaria se eu fizesse alguns exames, para termos certeza de que você está bem?

— Não.

Enquanto esperava minha mãe, eu observava a interação entre a doutora e os dois rapazes. Era interessante, o tal Cisco e Kaitlin tinham certo cuidado em relação ao Larry.

— Por que você usava aquela roupa estranha?

Minha bendita curiosidade não me deixou ficar calada.

Os três fazem uma troca de olhar bem suspeita.

— É uma roupa p..própria para exercícios.... físicos. — olho para ele. Eu não acreditava no que ele dizia.

— É?

— Sim. — ele sorri, quase aliviado.

— Acredito em você, Larry. — dou um sorriso cínico.

— Larry? — ele repete.

Cisco solta uma risada, achando algo muito engraçado.

Fecho a cara, não gostando de alguém estar rindo de mim.

— Não é Larry, é Barry — me corrigi, o cabeludo.

Reviro os olhos.

— Acredito em você, Barry.

Um alarme soa. E todos voltam as atenções para a tela do computador.

— É sua mãe, ela chegou. — me avisa, Kaitlin.

CENTRAL CITY — 5 dias depois.

Travis Grenne é simplesmente um tesão.

Vaca, não sei como suporto essa garota.

Ainda não sei o que essa pirralha faz aqui.

Droga, três notas baixas, minha mãe vai me matar.

Ana Müller é uma piranha.

Sinto minhas mãos soar, minha cabeça doía, sentia pontadas fortes que se iniciava em minha nuca e passava por toda minha cabeça até minha testa.

E tinha as vozes.

As vozes vinham altas, ainda que ninguém falasse.

Eu não aguentava mais.

Bruscamente eu me levantei, fazendo o barulho alto da minha cadeira arrastando ecoar, o que fez com que todos os alunos voltassem suas atenções para mim.

Louca.

O que essa menina tá pensando.

Tem que ser ela.

Ela não parece bem.

O que tá acontecendo?

— Sofya. — sinto uma mão tocar meu braço. — Sofya. Tudo bem, querida?

Não, não está nada bem.

Olho minha professora de biologia perguntar, lançando-me um olhar preocupado.

Tinha alguma coisa errada comigo.

Sem responde-la, eu pego meus materiais e saio da sala, mais rápido que um foguete. Ignorando os chamados da minha professora.

Tinha algo muito errado comigo, e eu sabia aonde ir. Sem me importar com a ligação que minha mãe receberia sobre minha fuga da escola, atravesso os muros da instituição de ensino.

Assim que peguei o táxi, fui diretamente para onde eu sabia que encontraria respostas.

O Laboratório Star.

O carro parou em frente a empresa e após pagar o motorista, desço do automóvel, indo até os portões. Sentia vertigens enquanto andava, e ainda que estivesse longe das pessoas, eu conseguia ouvir as vozes das pessoas da redondezas. A dor que assolava minha cabeça passou a ficar mais forte, eu soltei um gemido.

Caio com meus joelhos no chão, sentindo minha cabeça pesar.

O que estava acontecendo comigo?

— Sofya. — ouvi uma voz me chamar, no fundo. Entretanto, os pensamentos eram mais altos.

Aconteceu.

Eles se manifestaram.

Meta humano.

— Faz parar. — acho que gritei. Eu mantinha as duas mãos pressionando minha cabeça, ainda sim, eu senti minha visão ficar embaçada.

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— Sofya?

— Ela está acordando.

Abri meus olhos, minha cabeça tinha um emaranhado de idéias, mas já não ouvia mais nada.

Desperta e sentada pude ver que outra vez eu acordava, na mesma sala que estive aqui anteriormente. E pude perceber também que a doutora Kaitlin e Cisco me rodeavam, lançando olhares preocupados.

Eles sabiam de alguma coisa que eu não sabia.

— O que está acontecendo comigo?

Ninguém disse nada pelo decorrer de dez segundos, até uma voz diferente me responder. Uma voz que fez meus olhos arregalarem e meu coração parar de bater por um instante.

Harrison Wells.

Oh Mai God.

— Você foi atingida pela radiação do acelerador de partículas. — respondeu aparecendo em meu campo de visão.

Entretanto, ao contrário da última vez que o vi, doutor Wells agora se locomovia através de uma cadeira de rodas.

— Senhor Wells, é um prazer revê-lo. — cumprimentei, esquecendo por poucos instantes minha situação.

Espero que eu não estivesse fazendo cara idiota.

Ele assentiu com a cabeça, contido.

— Como se sente? — Kaitlin pergunta. Eu respondo, finalmente notando alguns fios ligados a minha cabeça.

— O que? — resmungo, levantando os braço prestes a arranca-los.

—Não faça isso. — me repreendeu.
Parei com a mão no ar.

— O que vocês fizeram?

Estava começando a ficar nervosa.

— Se acalme, por favor. — pediu, doutor Wells.

— Você precisa saber, me pedir calma, não vai me deixar menos nervosa. — avisei. — Quero respostas.

Afinal, foi por isso que vim até aqui.

— Tem certeza de que tem apenas quatorze anos? — Cisco pergunta.

— Quê? — olhei ele confusa, franzindo as sobrancelhas. — Sim, eu tenho. O que isso tem a ver com o fato de eu estar ouvindo vozes em minha mente. O que aconteceu no dia da explosão?

Encarei todos impaciente, esperando uma resposta.

Harrison Wells toma a dianteira, passando a me explicar o ocorrido:

— O acelerador de partículas foi um sucesso, infelizmente, não por muito tempo, ouve alguma desestabilização e antes que qualquer um de nós pudesse fazer algo, ele explodiu.

— Infelizmente, você estava aqui. — Kaitlin me olhou triste.

Vocês. Vocês estavam aqui. A corrigi amarga em minha mente.

Doutor Wells continuou:

— Nós éramos os que estavam mais perto, e admito, estou surpreso por você não ter nenhum dano físico. Ainda sim, acreditamos que haveria alguma sequela, por isso, nos disponibilizamos para arcar com sua recuperação. Você sofreu um baque muito forte na cabeça, e recebeu uma carga forte demais para qualquer um sobreviver.

Alguns flashes do acidente me volta a mente.

— Carga elétrica? Eu senti algo parecido antes de apagar. — comentei.

— Sim. A diferença é que seu cérebro entrou em contato com muito fios, a carga foi alta. Sua mente praticamente se uniu as redes.

— O que você quer dizer?

— Quando te encontraram, você estava quase morta. Milagrosamente, seu coração ainda batia. A equipe que te encontrou quase não acreditou, o fios estavam conectados a sua cabeça, tudo estava queimado. Não havia chances de outra pessoa ter sobrevivido, Sofya.

Fiquei em silêncio, absorvendo o que me foi dito.

— Por que eu ouço os pensamentos das pessoas? — perguntei, talvez houvesse uma forma de reverter. O que eu senti antes, não queria sentir novamente.

— Ainda estamos estudando a complexidade de suas habilidades, desde que você foi atingida pela explosão, que resultou em seus poderes.

Ou seja, eles não sabiam como fazer aquilo parar.

Pisquei atordoada.

— Poderes?

Eu não tinha poderes. Até onde eu sabia, isso era uma consequência de um projeto falho. Não poderia ser chamado de poderes.

— Sim. — respondeu Kaitlin, alheia ao meu embate interior. — Pelo que descobrimos até agora, você tem poder telecinético, o que te permite levitar objetos e até mesmo controlar certos eletrônicos. É como o doutor disse, ainda não entendemos a complexidade de seus poderes. É preciso fazer mais exames.

— Achei que vocês tivessem dito que estava estudando.

— Estamos, mas não podemos fazer muita coisa. Toda a resposta está em seu cérebro, mas todas as vezes que conectamos algum aparelho.... — Cisco fala, dando de ombro sem completar a frase.

Olho para eles, esperando alguém completar a frase do cabeludo.

— Qualquer eletrônico entra em curto, muito perto de você. Tivemos que te dar um sedativo, antes. Ainda sim, quando acordou... — Kaitlin apontou para o meu lado. Observei a maquina desligada.

— Eu desliguei ela com a minha mente?

Acredito que minha expressão facial, mostrava o quão perplexa eu estava com aquela situação.

— Não. — respondeu, Harrison Wells. — Você queimou a maquina com a sua mente.

Mal sabia eu, que aquilo era o menor dos meus problemas.

CENTRAL CITY — Um mês depois.

—Se concentra.

Fecho os olhos, tentando.

— Eu disse se concentrar, não fechar os olhos.

Bufo e volto a abri-los, encarando doutor Wells, lançando um olhar nada amigável.

— Estou tentando.

— Tente mais.

Volto a encarar a flecha e bem mais irritada que o normal, eu a levito, lançando em direção ao alvo acertando de certeira no meio dele.

— Satisfeito?

— Não, você usa sentimentos como combustível, fica tentando controlar seus poderes. Não tem que controlá-los, tem que trabalhar junto deles. Você e eles são um só.

Respirei fundo, então assenti.

— Okay, vamos tentar novamente.

Wells me mandou um olhar satisfeito. Então me voltei a outra flecha que tinha ali, pronta para ser laçada. Soltei o ar que segurava junto das amarras que me impedia de senti-lo. Então eu o senti, senti o poder fluir. Era uma energia que trazia um tipo de prazer, quase me fazendo flutuar. Foquei na flecha e com bem menos esforço que anteriormente, lancei ela em direção ao alvo, acertando e atravessando a flecha que havia acertado anteriormente.

Sorri, então pulei dando um gritinho de vitória.

— Quem é demais? A Sofya, é demais. — eu dizia, enquanto fazia uma dança bem constrangedora.

Doutor Wells me olhava com diversão, enquanto eu passava vergonha. Um pigarrear tira-me de meu momento de glória.

— Desculpa atrapalhar, Mental Girl. — Cisco pede, pronunciando aquele apelido ridículo. Faço uma careta. O nerd sabe que eu odeio que me chamem assim. Wells solta uma risada e eu reviro os olhos. — Mas sua mãe está te ligando.

Dou um tapa leve quando passo por Cisco, e vou atender minha mãe deixando o cabeludo e o Doutor para trás.

Ela queria saber aonde eu estava.

Obviamente, não revelei a verdade, mas acatei a ordem de voltar imediatamente para casa. Me despedi de todos prometendo voltar no dia seguinte para meu treino diário, e peguei um táxi que me levou para casa.

Minha mãe me esperava quando cheguei. Por fim, acabamos passando o resto da tarde juntas, assistindo séries e babando nos atores gatos. Mais a noite, antes de dormir, eu me preparava para o inferno que a escola provavelmente seria no dia seguinte.

Tudo que eu podia fazer, era agradecer por estar no último ano.

Logo tudo acabaria. A notícia me deixava mais confortável.

Entretanto, meus instintos não me enganaram em relação ao dia seguinte.

Ele foi, literalmente, um inferno.

CENTRAL CITY — Manhã seguinte.

Hoje teria aula de Biologia, sim, a aula que eu fugi como louca.

Ainda bem que eu estava mais controlada, conseguia segurar firme as rédeas dos meus poderes.

Tudo bem que as vezes eu acabo estourando uma lâmpada ou outra, mas é isso, só umas lampadinhas. Tadinha de minha mãe, até hoje tenta entender o que tanto queima as luzes de casa.

Entro na sala caminhando até meu lugar de sempre, a última carteira ao lado da janela. Aos poucos a sala vai se enchendo e aluno por aluno vai tomando seu lugar.

Subitamente, fico triste.

Por um motivo em especial.

Por minha melhor amiga não se sentar ao meu lado como era antigamente. Na verdade, desde do acidente a família dela me mantém a um kilometro de distância da rua deles. Com toda certeza me culpam pelo, qual seja for o problema que ela sofreu, no acidente.

Ela também nunca tentou entrar em contato comigo. Nenhuma vez.

Engoli o choro e voltei minha atenção para a lousa, a professora ainda não havia chegado. Então para passar o tempo, tirei meu celular do bolso pequeno em minha mochila e passei a jogar um joguinho qualquer.

O estrondo que se seguiu foi alto e rápido, e me fez pular da cadeira com o susto.

Ana Muller estava parada em minha frente, com as duas mãos em cima da minha mesa, seu olhar.... seu olhar dizia muito, ela não veio para me cumprimentar amigavelmente. Se tinha uma coisa que eu tinha certeza, é que ela nunca faria algo do tipo.

A Muller I nunca seria legal comigo, principalmente após o acidente.

— Pirralha. — falou lentamente, prolongando a fala. Ela sorria. — Fiquei sabendo que fugiu da aula da professora Judy.

Ela não estava no dia do meu ataque. Eu certamente comemorei na época, mas admito, estava esperando pelo momento em que ela tocaria no assunto

— E eu nem estava aqui. — continuou, soltando uma risadinha achando algo muito engraçado. — O que te assustou, pequeno cervo?

Sentia todos os olhares da sala em nós, e o silêncio me fazia ter certeza de que eles prestavam atenção na gente. Pior, que ninguém intercederia.

— Nada que seja da sua conta. — respondi calma e logo voltei minha atenção para a tela do celular.

Eu não iria brigar com ela.

Engoli a saliva disfarçadamente. Eu odiava ser o centro das atenções.

Senti o aparelho ser tirado das minhas mãos, violentamente.

— O que....

Então senti seus dedos enrolar ao redor do meu cotovelo, apertando meu braço fino, me machucando com sua grosseria. Sua expressão não era das melhores, e a maneira que me apertava dizia que estava muito irritada.

— Escuta aqui, sua cretina. A partir do momento que você se meteu com a minha família, tudo que você fizer, será da minha conta.

— Me larga!

— Que foi? Não queria se mostrar a corajosa. Hein, pequeno cervo.

Eu estava chocada. Mas acima de tudo, magoada. Pois ninguém dizia ou fazia nada para impedi-la.

— Foi um acidente, me ouviu! Um acidente.

— Ela está como está, por sua causa.

Senti vontade de chorar, e creio que tenha caído uma lágrima ou outra.

Me balancei tentando me soltar de seu aperto.

— Me solta.

Murmurei enquanto sentia meu autocontrole caindo por terra. O que eu senti não teve explicação.

Coitada.

Bem feito.

Ana Muller não tem coração.

Cadê o diretor numa hora dessas?

Primeiro os pensamentos de todos ao meu redor surgiram em minha mente, como se pulasse de suas respectivas cabeças. Depois eu senti a onda de raiva, tristeza e magoa que me deixou desnorteada.

Eu já não sentia o aperto forte da garota me segurar.

Somente o poder fluir como numa cascata, surgindo e surgindo junto de uma onda de raiva que me fez esquecer meus verdadeiros sentimentos.

Tudo que eu sentia era raiva, e só.

Mal percebi quando o aperto da garota se soltou, ou quando eu passei a asfixia-la somente com minha mente.

— Eu disse que não era da sua conta, não disse?

Quase não reconheci minha voz, e por mais que estivesse gritando comigo por fazer isto, meu corpo não obedecia meu lado racional.

Eu não ouvia os gritos dos alunos ao redor e pouco me importava com a garota que começava a se debater, passando a ter uma coloração roxa do pescoço para cima.

Ouvi uma movimentação estranha e em meio a nuvem de sentimentos que nublava todo o movimento ao meu redor, eu senti quando alguém me agarrou por trás e me tirou dali, mais rápido que um raio.

O susto me fez despertar e quando ele me soltou, pude finalmente perceber o que eu fazia.

Meu Deus.

— Que merda era aquela, Sofya?

Sua pergunta e seu tom de voz me fez encolher, seu olhar era severo em minha direção.

Não consegui responder pois estava estática com o que quase fiz.

— Barry...

Eu quase... eu quase.

Meu Deus.

— Você quase matou a garota. — acusou.

Me encolhi ainda mais, sentindo uma vontade absurda de chorar.

— Desculpa. — pedi em um fio de voz.

Eu sempre machucava as pessoas.

— O que aconteceu?

— E tudo culpa minha. — sentindo a primeira gota cair dos meus olhos — Eu sempre machuco todo mundo.

Era minha culpa. Nem dos meus poderes eu tenho controle.

Funguei em meio ao choro e percebi sua expressão suavizar.

— Tudo bem, que tal eu te levar para casa. Vou falar com J...

— Não.

— Não? — ele me encarou confuso.

— Não. — respondi, levantando e o olhando timidamente. — Quero ir para o Laboratório Star.

— Sofya, sua mãe já deve estar sabendo de seu sumiço e deve estar preocupada.

— Mas e o meu treinamento, Allen? — cruzei os braços, insistindo.

Eu precisava aprender a controlar.

—Hoje a Mental Girl está de folga — ele riu daquele codinome.

— E a escola? E Ana Muller? Todos viram....

— Vamos resolver isso depois.

Encarei ele por alguns instantes, e hesitante, assenti com a cabeça. Pegando ele de surpresa, eu pulo em cima do herói, lhe abraçando.

— Não foi por querer. — murmurei em seu ouvido sentindo ele me abraçar de volta.

— Tudo bem, acredito em você Sofy.

Funguei novamente, sentindo o vento em meu rosto conforme o herói corria. Fechei os olhos, tentando esquecer os últimos acontecimentos.

Notas finais
O passado de Sofya revelando-se aos poucos... Vocês estão gostando?