Notas iniciais
Vinte anos, tô ficando velha Simmm, hoje é meu aniversário! Mas quem tá recebendo o presente são vocês. Ou não, levando em conta o desfecho deste capítulo Boa leitura

Como eu afundo na areia

Assisto você escorregar pelas minhas mãos

Oh, como eu morro aqui outro dia

Porque tudo que eu faço é chorar por trás desse sorriso

Labrinth — Jealous

FINAL 2/2

Muita coisa pode acontecer em questão de segundos, em um momento você pode estar sorrindo e em outro chorando. Em um vivo e em outro morto... tá, pesado demais. O que eu quero dizer é: em um momento discutiamos e então nos amávamos. Louco, sim, eu sei que pode parecer estranho a forma como as coisas mudam entre Steve e eu, como esses curtos intervalos de tempo — que as vezes quase não dá para acompanhar — são confusos. No entanto, tudo relacionado a nós parece certo pra mim. Como a forma como meu corpo se encaixa ao seu, ou o jeito como ele me olha quando está dentro de mim e a maneira que geme meu nome no meu ouvido. Eu amo, amo a forma que fazemos amor. E amo ainda mais seus sorrisos, sua expressão concentrada. Seu jeito tímido e conservador. Seus pensamentos simples. Sua sinceridade. Cada uma de suas facetas me atrai.

Meu maior desejo era sair por esse mundo a fora, vivendo minha vida, plena e feliz, sem que eu tenha que olhar para trás com medo de estar sendo seguida.

Eu nunca disse que não havia desvantagens em ser eu.

— Ainda tá bravo comigo? — sussurrei no seu ouvido e Steve riu baixinho. Seu peito tremeu embaixo de mim e eu beijei sua mandíbula com um sorriso no rosto.

Era como eu dizia, Steve tem a risada mais linda desse mundo.

— Não — ele afirma divertido, arqueando a sobrancelha e esperando por minha resposta. Steve me conhece o suficiente para saber quando vou fazer alguma piada suja para vê-lo constrangido. Eu não o decepciono.

Levanto a cabeça e o fito presunçosa: — Hmmm, o poder de uma bu...

Ele aperta minha coxa antes que eu possa terminar. Eu pressiono os lábios em uma linha fina tentando manter uma expressão séria.

— Não diga uma palavra — Steve ordena.

E revira os olhos logo que eu começo a rir.

Ele me aperta um pouco mais. Me inclino até estar toda em cima dele e ofego baixinho, seguido de um resmungo quando sua boca desce por meu busto me provocando. Por Deus, como ele conseguia ser tão gostoso me mandando e acariciando desse jeito? Às vezes, eu tinha que me conter quando Steve ficava assim todo sério, porque olha... não é fácil, okay? Eu já disse isso antes e digo de novo, sou uma guerreira. Meus mamilos intumescido praticamente imploravam por atenção, mas ele volta o caminho pelo meu pescoço e eu suspiro profundamente, sentindo, de alguma forma, que ele me punia por zoar com a sua cara.

Mordi meu lábio inferior e os soltei quando seus dedos seguiram o desenho da minha boca. Beijei sua palma tornando a ficar seria, ainda que meus olhos estivessem obviamente sorrindo. Esses traidores, eu nunca conseguia esconder as coisas de Steve quando o encarava.

— Nós temos que sair logo, Clint deve estar para chegar se não chegou ainda — Steve murmurou no meu ombro, alisando minha costa desnuda.

Eu suspirei e afirmei com a cabeça. É claro que havia uma vida fora desse quarto, um rio de merda jogado em nosso quintal pra gente limpar.

— Eu vou pegar outra roupa — eu disse, toda melosa dando vários selinhos naquela boca gostosa e Steve sorriu fraco. Deixando claro que eu não estou tentando comprá-lo depois da discussão anterior, de maneira alguma — Você rasgou as minhas e estourou o botão do meu jeans, aliás — resmungo e me afasto do seu corpo, arrastando-me até beirada da cama.

Senti sua respiração controlada antes dele me agarrar por trás. Seus dedos segurando minha cintura de um jeito firme e me puxando para seu peito. Aí aí, eu reclamo e reclamo, mas quero ver eu resistir a Steve.

— Você estava absolutamente linda naquela roupa... e ainda mais linda sem elas — ele murmurou no meu ouvido e eu me arrepio enquanto meu estômago dá cambalhotas — Prometo comprar outra.

Ri baixo:

— É bom mesmo e eu vou cobrar. Aquela era uma das minhas camisetas favoritas e você sabe como eu fico bem de azul — abri um sorriso brincalhão e Steve balançou a cabeça fingindo uma seriedade que não existia naquela conversa. Inclinei a cabeça para lado e ele se encaixou ali para deixar um beijo na dobra do meu pescoço — Eu vou tomar um banho rapidinho, sozinha — falo e Steve balança a cabeça rindo. Levantei o rosto e juntei nossas bocas. Sua língua se uniu a minha enquanto o beijo exigente arrancou meu fôlego, todavia, eventualmente eu tive de levantar — Eu te amo, como nunca imaginei amando alguém — sinto a necessidade de dizer a ele, não por causa da briga, repito.

Próxima da sua boca, tenho o prazer de ver de perto aquele sorrisinho lindo que ilumina meu dia.

— E você é o estresse da minha vida — Steve disse e me beijou rápido, rindo quando eu arregalei os olhos e exclamei seu nome.

— Eu aqui, toda linda me declarando...

— Tão narcisista, meu amor.

— Steve! — eu disse, com os olhos espremidos em fendas e as sobrancelhas franzidas.

— Eu quis dizer, você é amor da minha vida, querida, erro meu — um sorriso singelo e eu bufei, tentando fazer uma cara aborrecida quando obviamente eu me divertia e o idiota sabia. Argh, que raiva — Eu te amo — disse mais sério, olhando-me intensamente e, pela milionésima vez, seu olhar me hipnotizou.

Viro o rosto para que ele não veja o sorriso relutante que abri. Estou perdida com esse homem. Levanto da cama, indo em direção a minha mala para buscar algo para vestir e caminho direto para debaixo do chuveiro. Meu banho foi rápido e eu não molhei o cabelo dessa vez. Entretanto, colocar a roupa foi uma história diferente. Eu teria me arrumado mais rápido se Steve não me puxasse toda hora para me beijar depois que eu fingi um aborrecimento que não existia, o que fez ele levar mais tempo para entrar no banheiro e tomar a sua vez no chuveiro.

Mas também quem sou eu pra falar alguma coisa? Eu briguei e briguei, mas ri como uma idiota toda vez que ele me agarrava e esperava pelo momento que o faria novamente. As coisas não estavam perfeitas entre a gente e eu sei que, futuramente, iamos discutir sobre meu jeitinho de tentar fazer tudo sozinha, mas elas estavam mais leves e isso me dava esperança.

Steve tomou o seu banho e se trocou no banheiro mesmo enquanto eu o esperava no quarto. O que eu achei inteligente e igualmente injusto. Futuramente, discutiremos também a minha exigência dele se trocar na minha frente, também. Assinto com a cabeça. Direitos iguais, afinal.

O som da torneira do banheiro para e me tira da minha lista mental de exigências. Eu torno a focar na tela do celular, nenhuma mensagem da Lúcia ainda. Respiro fundo abrindo a aba de pesquisa. A história do Arthur era daora e tals, mas Thor é muito metido por si só, não... Eu tenho que mudar isso antes dele voltar, mas nada parece bom o suficiente. Solto um suspiro frustrado.

Senhorita Sofya

A voz robótica de sexta-feira ecoou pelos auto falantes do quarto e eu desvio os olhos da tela por um instante, como se ela fosse surgir na minha frente. Balanço a cabeça e fixo minha atenção no visor do meu celular ao comprimentar a inteligência:

— Ei, Friday! Pode falar.

O Robin Hood acaba de atravessar os portões do complexo com a autorização de Cabelos de fogo. Estão todos se encaminhando para a sala de reuniões.

— Beleza, obrigada por me informar, você é sempre muito prestativa Friday.

É um prazer ajudá-la, Sofya.

Mal reparo que Steve está de volta até ele falar:

— Você sabe, ela ficará furiosa.

Steve não precisa citar nomes. Eu já sei de quem fala e dou de ombros, tranquila.

— Temos problemas maiores e Natasha terá que entrar na fila se quiser tirar alguma satisfação — dou uma risada metreira para o olhar curioso presente no semblante do meu herói, e peço para sexta-feira dizer o codinome de cada integrante dos Vingadores.

Sofya Stark, Tinker Bell, Bruxa do 71, Flash Pirata, Skynet do Bem, Cabelos de Fogo e Capitão Cornetto são os atuais integrantes da equipe Vingadores. Robin Hood, Rei Arthur, Brutos e Lata de Sardinha como integrantes não oficiais.

Cai na cama gargalhando ao ver a expressão no rosto de Steve. Ele se recupera rápido, mas eu não consigo parar de rir.

— Capitão Cornetto?

Steve não parece achar graça e, em meios as risadas, eu explico:

— É meu sorvete favorito — meu namorado ergue a sobrancelha e eu torno a falar: — E você é a minha pessoa favorita, ambos ficaram geladinhos e ele é gostoso que nem você — eu ri mais um pouco quando Steve parece desacreditar. Ele revira os olhos vendo-me zombar e eu tenho que pôr a mão bem pressionada nos lábios para conseguir parar de rir. É engraçado como estar com ele deixa tudo mais leve. Eu amava como Steve me fazia bem — Eu ainda vou mudar o do Thor já que eu não tive nenhuma outra ideia e Barbie Asgardiana já tá pegado — divaguei, sentindo a mão de Steve segurando a minha e ele me puxando para cima.

— Como convencê-la a mudar o meu?

Eu levanto da cama entrelaçando meus dedos nos seus.

— Não é muito difícil, lindo — dou um sorriso.

Steve finalmente solta uma risada alta. Seguimos para fora do quarto comigo dizendo algumas ideias para o novo codinome de Thor e ele argumentando sobre o porquê do seu ser escrotinho. Steve não disse nessas palavras, óbvio, mas é subjetivo.

Quando chegamos a sala de reuniões, o som das vozes num tom baixo é a primeira informação que recebo. Até a minha linda pessoa pisar os pés sobre o cômodo e eu ter uma visão geral da sala de onde estou. Todos estão presentes. Wanda, seu irmão e Visão um pouco mais afastados enquanto Natasha conversa com Clint. Noto a falta de Sam, mas o pensamento logo é descartado quando ele surge atrás de nós. Nas suas mãos ele carrega um prato branco contendo um pedaço de bolo.

O meu pedaço de bolo.

— Eu perguntaria o porque da demora, mas acho que ninguém aqui gostaria de saber — Sam abriu um sorriso ladino e segurou um pedaço do doce no garfo e comeu na minha frente quando notou que eu babava. Idiota. Eu encarei ele com a sobrancelha arqueada.

— Engraçadinho — murmurei. Então eu sorri — Friday, mude o codinome do Tinker Bell para Palhaço.

Codinome modificado, olá Palhaço.

Algumas risadas ao fundo e até o doce dele é deixando de lado.

— Que sem graça, Friday, mude meu codinome de volta para Falcão.

Reconhecimento de voz: voz não autorizada. Ação indisponível.

Abri um sorriso arrogante com um olhar que eu sabia ser exageradamente prepotente.

— Qual é, serio? — Sam me olha sem achar graça e volta-se para Steve quando repara que o amigo também está rindo dele.

Steve tosse sem graça após ser pego no flagra:

— Vou dar uma palavra com os Maximoff e o Visão. Você não será único a tentar convencê-la, meu amigo — ele se afasta e bate nas costas do Wilson que resmunga alguma coisa sobre amizade.

Eu cruzo os braços com um sorriso no rosto. Sam me encara, o semblante sério e fechado.

— Na real, Stark. Muda isso.

— Não estou muito a fim não — eu disse preguiçosamente — Tem algo pra mim? Vamos barganhar.

— Tá falando...? Você tá falando sério — o Falcão suspira.

Eu fecho meu sorriso e encaro o Falcão com o meu melhor olhar cansado.

— Tudo bem, me dá esse bolo e eu prometo pensar com carinho.

Bobinho.

Sam bufou quando não conseguiu nada mais do que uma promessa e meus olhos brilharam após o homem levantar o braço que segurava o prato e o oferecer a mim. Que gentil. Então ele estendeu a outra mão que levava o garfo e — meu coração doeu com a ação seguinte — tomou uma quantidade generosa do meu bolinho, acho que como forma de protesto. Fito o prato e vejo que ele comeu quase ele todo, então retornei meu olhar para o Wilson e o fuzilei com o olhar. O homem deu de ombros.

— É você quem está roubando a minha comida.

— Não se fazem mais homens como antigamente — resmungo ao me afastar com o restante do doce.

Ele tinha razão, claro, mas não me importei com sua expressão azeda e me deliciei com o bolo de chocolate recheado com prestígio e calda. Geladinho. Talvez eu esteja de TPM. Divago comigo mesma quando penso na quantidade de açúcar que eu tenho ingerido por esses dias. Eu sigo comendo enquanto caminho até a dupla de ex agentes e sou recebida por um abraço dá parte do Barton e uma olhada séria da Romanoff.

— Stark, por que somente você está sendo chamada normalmente? — Natasha é irônica e eu preciso controlar o riso.

— Talvez eu tenha feito… algumas modificações — encolho os ombros — Uma forma de demonstrar meu afeto por cada um — não evito o sorrisinho, desta vez.

Natasha revirou os olhos, mas não parecia tão irritada como eu imaginei que estaria. Ela admitiu em seguida: — Gostei do Bruxa do 71.

Eu sabia que sim. Steve comentou que a mulher tinha algum rancor contra a bruxa e estava pegando pesado no treinamento. Eu adorei, claro. Talvez qualquer dia pudéssemos as duas... Não que eu ainda esteja irritada com Wanda Maximoff.

— Robin Hood, hein? — Clint deu-me uma olhada e eu volto pra terra.

— Gostou? Eu prefiro o original, mas a gente faz o que pode com o que tem — um sorriso debochado meu e uma olhada divertida dele e logo estamos os dois rindo.

Eu adoro Clint por que ele sempre leva minhas merdas na esportiva.

— Obrigada pela consideração, de toda forma, é melhor que Cabelos de Fogo — tusso tentando disfarçar uma risada, enquanto Natasha discute com o amigo de um jeito leve que eu nunca vi.

Caminhamos até a mesa enquanto eu pergunto ao gavião de Laura e as crianças, o que ele responde com um olhar penoso e um "terríveis" e me mostra algumas fotos do bebê que me faz sorrir encantada. No entanto, as risadas e conversas suaves desaparecem quando estamos sentados. Ah, pessoal, as coisas podem ir pelos ares. Sabem disso, não é? O pensamento tira qualquer sentimento bom que me acompanhava e eu deixo o prato vazio sobre o móvel. Todos em volta da mesa logo estão discutindo e eu não consigo deixar de lado a sensação de loop, pois lembrava-me de quando estivemos nesta mesma posição um mês atrás.

E a gente não tem um minuto de paz.

Os proximos minutos são usados para Steve explicar, com riqueza de detalhes, o que houve no centro. E eu vou complementando sua versão em certos momentos.

— Talvez o manipularam e ele tenha reagido assim.

Wanda Maximoff diz ao ouvir que o homem dentro do restaurante estava sendo totalmente controlado. Parte do que ela conhecia de seu poder era a capacidade de trazer ilusões a mente das pessoa. Sua reação, por outro lado, não poderia ser controlado por ela. É apenas suposto a forma como pode acontecer e foi parte do seu trabalho na época em que trabalhou ao lado de Ultron. Distrair. Agora, haver alguém que pode ter o controle total da mente de uma pessoa é assustador, eu sei, e toda a junção de corpos e expressões tensas dentro daquela sala dizia isso sem precisar pronunciar uma palavra.

— Não é a primeira vez que vamos enfrentar alguém que é capaz disso — Clint comenta sombriamente, depois de um momento. Eu tinha ouvido um pouco a história do que houve no ataque de Nova York através do meu pai e um pouco por Steve. E não quero lembrar o quão ruim é ter alguém sobre o controle total de seu corpo e mente. A ideia me assusta ainda mais quando a possibilidade disso está tão perto. Eu ainda podia sentir aquele aperto invisível na minha mente, não deixando eu acessar meu poder. Foi desesperador — Mas a ideia de mais de um inumano com tal poder... Não vou mentir, é preocupante.

— Acho que é como minha habilidade de ler mentes — começo.

— Você pode ler mentes? Espere, você pode ler a minha mente? — Pietro Maximoff fala subitamente e eu encaro seus cabelos platinados antes de voltar-me para seus olhos. Ele parece mais nervoso do que curioso.

— Eu posso — balanço a cabeça em confirmação.

— Agora?

— Eu não costumo fazê-lo — o tranquilizei quando reparei seu olhar... alarmado? Não importava — É uma invasão de privacidade que eu não pretendo cometer, ainda — dou de ombros quando recebo alguns olhares — Tem certas linhas que eu prefiro não cruzar voluntariamente, na verdade, é um incomodo na maioria das vezes. Sempre me dá enxaqueca. A primeira vez que meu poder se manifestou eu estava dentro de uma sala com mais de trinta alunos cheios de hormônios, revoltados com a vida e todo esse drama adolescente.

Na época, a situação não foi das melhores, mas a lembrança trouxe um sorriso fraco ao meus lábios.

— Deixe eu adivinhar, rolou um exposed geral — Clint comentou me encarando com um sorriso.

— Se eu pudesse fazer isso no colegial... — Wilson divagou e eu inclinei a cabeça, desta vez, com um sorriso verdadeiro.

Natasha negou com um manear chamando o Falcão de criança, o que gerou um protesto da parte do homem que foi ignorado pela ruiva.

— Só para constar, eu fugi da escola naquele dia — me defendo.

Wanda e Visão permanecem calados assistindo o desenrolar, enquanto Pietro parece relaxar significativamente na cadeira, o que me faz franzir a testa curiosamente em sua direção. Ouço Steve pigarrear para chamar a atenção do amigo ao assunto sério. Eu volto meu olhar para meu namorado que tem a sobrancelha franzida em concentração.

— Você dizia que ler mente tem relação ao controle, acredita que estar em contato com os nossos pensamentos pode abrir brechas para nos controlar? Talvez haja uma maneira de bloquear — Steve me pergunta.

— Não posso dar certeza já que eu nunca tentei. Eu poderia te encontrar no meio de uma multidão se me concentrasse o suficiente em você — eu disse, franzindo o cenho e abaixando a cabeça ao pensar — E é muito mais fácil por que, como eu te disse uma vez, é como se as palavras pulasse para fora da mente — ergo o rosto para ter certeza de que ele está entendendo e tento explicar de maneira simples — Embora seja mais complexo descobrir uma informação quando a pessoa se esforça em esconder — hesito um pouco em continuar, sentindo olhos atentos em cima de mim.

Pois, mesmo prezando por privacidade, eu nunca neguei ter me aproveitando de minha habilidade antes. Foi assim que eu quase fugi de Fury quando nos conhecemos e que eu soube que o mesmo tem uma filha. Foi assim também que descobri que a Hidra atacará a torre Stark, uma vez

— Às vezes... — comecei lentamente — É preciso estar em contato direto, um toque e eu consigo acessar memórias inteiras. Como aconteceu na noite do ataque a torre — e eu me apresso em continuar — Mas eu nunca tentei controlar ninguém e, como eu disse, preciso tocar o meu... alvo. Não foi o que houve no restaurante, Steve — eu balancei a cabeça de um lado a outro, mechendo em uma mexa de cabelo para não encarar ninguém — Nada tira da minha cabeça de que aquele cara, Ito... — Steve acena reconhecendo — Controlou o pobre homem, eu vi, ele não estava no controle de suas ações. Você também viu. Me faz pensar se eu não poderia fazer o mesmo com algum treinamento — a última parte não era para ser dita em voz alta, mas me escapa e eu me remexo incomodada.

O pensamento de que eu não atingi nem metade do meu potencial me assusta a um nível alarmante. Puxo o ar bruscamente e levanto a cabeça novamente, encontrando oito pares de olhos sobre mim. Engolindo seco eu foquei-me nele. Steve me encarou com uma tranquilidade que eu não tinha.

Até Romanoff levantar uma questão importante.

— Talvez até haja uma possibilidade deles saberem nossa localização — Natasha supõe de repente e a ideia que não tinha passado pela minha mente antes, me faz arregalar os olhos agora.

— O líder, Jon, fugiu quando fomos procurá-lo — Steve me olha sério. Estarrecido seria a palavra certa, como se a idéia também o tivesse incomodado.

— De toda jeito, eu não acho que ele vá chegar aos seus superiores com mãos vazias.

— Não dá pra contar com isso — Barton rebate minha afirmação e eu suspiro.

— Concordo — Natasha acena.
E todos voltam o olhar para Steve.

Sempre fazíamos isso sem nem perceber. Steve sempre foi um tipo de líder para os Vingadores e isso não mudou com as novas adições.

— Ligue para seu pai — ele pede, levantando-se — Diga que estamos nos movendo.

Franzi as sobrancelhas e acenei logo depois. Peguei meu aparelho celular no bolso, uma vez que eu esperava uma ligação do Tony avisando que havia chegado. Nenhuma mensagem. Ele disse no máximo cinco horas, mas sei que de Quijet meu pai levaria um tempo muito menor. Fizemos essa viagem mais de uma vez antes. Ele já deveria ter chegado. Enquanto Steve lança algumas palavras aos outros, eu prendo a respiração discando o número do meu pai.

Eu não estava precipitada em pensar que algo estava errado.

No primeiro toque do celular, Sexta-feira se anunciou avisando que Tony estava na entrada do complexo acompanhado de três pessoas. Meu coração quase pulou do meu peito e eu levantei tão rápido da cadeira que suspeitei de uma super velocidade secreta.

— Eu estou indo — eu aviso a ninguém especial.

Porém, a mão de Steve me para no meio da ação de sair da sala e ele me lança um olhar, antes de pedir a inteligência as imagens do lado de fora. Eu tenho que respirar fundo várias e várias vezes em poucos segundos para evitar as milhões de teorias que correm pelos meus pensamentos, furiosamente. Quem estava acompanhando meu pai? Eu tinha uma sensação estranha no fundo do meu estômago que dizia que eu não iria gostar da resposta. E minha intuição não falhou quando reconheci o rosto dos três através da tela do computador. A teoria de estarmos sendo atacados e de Tony estar sendo usado como refém desaparece por uma realidade ainda mais... incogruente.

Olho seu rosto em alta resolução transmitido através dos milhares de megapixels. Ela estava aqui.

— Mãe! — eu disse com a voz trêmula e encaro Steve com os olhos esbugalhados.

Steve me fita surpreendido com o que falo e eu não aguento a pressão de ficar aqui dentro enquanto uma discussão — pois eu podia reparar de longe ser uma discussão — acontece no lado de fora, sendo eu o provável assunto em questão. Eu largo tudo e todos dentro do complexo e não consigo me focar em nada, nem mesmo em Steve ao meu lado. Ele ordena algumas coisas para o restante da equipe antes de me seguir e eu acabo aumentando o ritmo deixando-o para trás. Quando alcanço o Hall de entrada e atravesso a porta da frente, ele já está ao meu lado novamente murmurando algo consigo mesmo que não consigo entender, mas parece aborrecido. Talvez comigo, talvez com a situação. Não importa, nada importa.

Apenas uns segundos e toda a ordem da situação mudou bruscamente, de novo. Eu ainda não sei como aguento esse turbilhão de emoção e mudanças repentinas. Talvez eu contraia algum problema do coração ainda jovem, por que porra...

Tudo parece correr muito rápido e semelhantemente devagar. Como se eu estivesse em alta velocidade, mas não conseguisse alcançar meu objetivo mesmo com todo o meu esforço. Finalmente, pelo que pareceu horas, eu chego ao portão prontamente aberto e lanço um olhar a Steve sabendo que tinha dedo dele nisso. Ele apenas retribui meu olhar antes de voltar-se para frente, como sempre, sem parecer que correrá nos último minutos. Eu não preciso olhar no espelho para saber de minha aparência e não me importo muito com ela quando Tony vem andando na minha direção com passos longos e rápidos. Ele me abraça e eu retribuo, fechando os olhos, protelando os momento seguintes.

Meu pai tá aqui e está bem. E isso é tudo que me importa naqueles segundos.

— Você não me ligou — ralhei com o cenho franzido quando nos afastamos.

Tony segura meus ombros com o olhar cheio de preocupação e ignora a bronca.

— Como você está?

— Eu tô bem, pai, já disse.

Meu pai mantém uma mão no meu ombro e se move até estar ao meu lado. Ele e Steve um pouco mais a frente de mim, um ao lado do outro como se apresentassem uma frente unida. Mordo minha bochecha interna quando finalmente encaro o trio de Judas.

Minha mãe, Christian e... Lucia Keint.

Tava difícil assimilar os três juntos e eu tentava e falhava em entender a ligação deles três. Minha mãe trabalhava com eles desde sempre? Christian Black sabia que ela estava viva quando falou comigo pela primeira vez? É claro que sim. Por que mais ele viria até mim pra começar? E Lúcia... Puta merda, era ainda mais complicado encarar a garota que eu chamei de amiga sem demonstrar a onda de raiva, traição e decepção. Ela tinha um olhar de desculpas e eu desviei dela para a mais velha daquele grupo estranho. Lígia Denova, minha mãe.

— O que vocês estavam discutindo? — dou uma olhada de esguelha no meu pai, esperando que ele responda, mas ele não o faz.

Muito pelo contrário, seu corpo está tenso e sua mão mantém-se rígida em meu ombro, como se eu fosse fugir a qualquer momento. E ele não se digna a retornar minha encarada o que me preocupa, muito. O Stark mantém a total atenção na minha mãe e os dois trocam um olhar estranho. Tudo era singular e confuso naquela situação. Quando criança e eu via de longe os pais de algumas das minhas coleguinhas acompanharem elas até a escola, imaginava uma vida assim para mim. Uma vida na qual eu tivesse um pai. Em que ele minha mãe e eu fôssemos uma família feliz. Em que eles fossem um casal apaixonado e eu a filha amada. Acho que toda criança que cresceu sem um dos pais deve ter fantasiado coisa similar. Entretanto, no momento atual com nós três cara a cara, toda aquela circunstância apenas me passava um sentimento bizarro. Era estranho imaginar meu pai com alguém além de Pepper, mesmo que esse alguém seja a minha mãe.

— Ninguém vai falar nada?

— Tony, o que houve? — Steve virou-se após um tempo observando o trio, com o que eu imaginei ser suspeita no olhar.

— Nós estamos entrando... — Stark ignora a indagação. Eu bufo mirando Steve que ainda está com a atenção presa em Tony, as sobrancelhas franzidas — E vocês... estão indo.

— Para um homem que se denomina um gênio, você tem se provado bastante estúpido, homem de ferro — Black fala pela primeira vez — Pode pensar que sim, mas você não entende a gravidade da situação em que estamos apenas por sua relutância.

Eu inalo uma respiração profunda e sinto uma veia pulsar na minha testa. Acho que eu poderia explodir a qualquer instante... Não literalmente.

— O que...? Vocês...! — apontei dele para Lúcia, que se encolhe — Que inferno, porra! Alguém pode me explicar essa merda?! Foi você quem enviou os dois? — agora eu aponto minha mãe — E o que estão fazendo aqui logo após...? O ataque.

Parei por um instante e pensei. Tony tenso. Miro o rosto do pai e ele finalmente me encara. Expressão cheia de teimosia, mas também... Temerosa. As trocas de olhares com a minha mãe. Lígia me devolve o olhar quando minha atenção recai sobre ela, a mesma expressão suplicante que vi da última vez revestia seu semblante. O comentário áspero de Christian Black. Os olhos castanhos do homem são impacientes em cima de mim e Lúcia parecia uma adição estratégica ao lado dos outros dois.

O que eu estava perdendo?

— Não posso mais te esconder deles, querida — minha mãe murmura.

— Não! — Tony grunhe soltando-me e dando um passo a frente e eu ofeguei com a rapidez que ele reagiu. Que diabos!

— Eu não estou mais guardando as coisas dela, Tony — minha mãe dirige-se a meu pai com raiva

Igualmente zangado, Tony ri com sarcasmo:

— Um pouco tarde para isso, não acha? — ele toca um nervo e eu reprimo uma careta.

Tony nunca expressou o que sentia pela minha mãe. Não raiva por ela ter me escondido, talvez um pouco de tristeza por eu tê-la perdido, mas ele ficou realmente furioso quando soube que ela estava viva. Ele não expressou, no entanto. Então seguimos em frente e entramos num acordo mútuo de ignorar o assunto minha mãe está viva. Imagino que tudo o que houve se acumulou e esteja se libertando ao estar de frente com ela.

— Como você ousa...? — Lígia o fuzilou com o olhar dando um passo a frente e eu me remexo inquieta.

— Não! Como você ousa querer me afastar dela de novo? Isso não está acontecendo.

— Mimado, como eu pensei que fosse — ela desdenhou — Você não tem a proteção que minha filha precisa!

— Sofya é minha filha também! E eu tenho uma equipe inteira ao meu lado. Tenho os Vingadores.

— E vamos proteger Sofya — Steve tomou voz.

Embora. Eles estavam aqui para me levar embora. Por que imaginam que não podem lutar contra o que viria. Não sinto choque, apenas um sentimento temeroso e aquela resolução que eu relutantemente ignorei. Uma mão quente aperta a minha e então eu reparo que estava congelada no lugar. Ergo o rosto, do toque até o autor e Steve me lança um olhar cheio de promessas, tanto que eu tenho que engolir seco.

Horas atrás planejamos um futuro que talvez não fosse possível realizar tão cedo.

— Não duvido de que queiram protegê-la — minha mãe suavizou a voz e olhou meu namorado — Mas seriam incapacitados em questão de segundos, não importa quão rápido ou se estão em posse de uma jóia do infinito. O melhor a se fazer é Sofya vir comigo e então poderemos escondê-la, ensinar a ela como usar seus poderes e...

— Isso não está em cogitação.

— Senhor Stark — a voz murmuriante de Lúcia faz eu voltar meus olhos para ela — Precisa nos escutar, a Corte Inicial não é um inimigo na qual se possa lutar e sair como vencedor — Lúcia então retorna sua atenção a mim que permaneço calada tendo muito a pensar — Sofya, sei que você deve estar pensando em mil e uma maneiras de acabar com a minha vida e não te julgo, mas você precisa acreditar em mim quando eu digo que precisa vir conosco. Fui sua amiga, mesmo que não acredite e me preocupo com você, por favor...

Usando alguém na qual eu tinha um elo para me fazer aceitar. Estavam tentando me manipular. Christian Black me lança um olhar:

— Não estamos te manipulando...

— Pare! — avisei o Black que tinha essa mania irritante de ler a minha mente.

Ele bufa: — Estamos ficando sem tempo — e olha minha mãe como se esperasse algo dela.

— Vocês vão perder — ela avisa — E então eles terão Sofya.

— Não permitiremos que aconteça — Steve negou.

— Como se você se importasse, né? — ignoro o comentário corajoso do meu namorado e murmuro com um sorriso amarelo, com a atenção presa em Lígia. Minha mãe me fita com um olhar cheio de tristeza.

— Eu me importo, filha — Tony zombou ruidosamente. Ela o ignorou e continuou: — Embora eu sei que não tenho sido a melhor mãe, é essencial que confie em mim e acredite que eu desejo sua segurança.

E eu considero o que ela diz em palavras não ditas, afinal de contas, mesmo com suas mentiras e segredos — as mudanças intermináveis, eu nunca poder visitá-la no trabalho e muito mais... — isso, tudo isso. Em meu íntimo sei que foi uma tentativa da minha mãe me proteger. Ela sabia que eu tinha ciência disso, mesmo não querendo qualquer contato com a mesma. E é certo que eu nunca a perdoarei por me fazer acreditar que estava morta, foi cruel e me machucou infinitamente, mas, no fim, era eu quem teria a palavra final, seja qual fosse minha escolha.

Ir ou ficar.

A escolha dói quando a decisão já foi tomada. Ouvi isto uma vez e, neste momento, eu experimento um misto de sensações angustiantes.

Minha vontade era de estar com a minha família. Implicar um pouco mais com Wanda Maximoff e apelidar a todos. Divertir-me com Clint e sorrir com Steve. Provocar Sam e, talvez, lutar com Natasha. Visão eu não tive tempo de conhecer, mas eu também gostaria por que ele já era parte disso. E tinha meu pai e Pepper e nossos programas em família que minha madrasta fazia questão que todos participássemos. Pois é, familia. Foi isso que os Vingadores se tornaram no decorrer desses últimos dois anos. E, sim, se fosse a meses atrás e minha mãe e sua equipe de traíras viessem até nós, eu teria me negado mais do que de imediato em me afastar, mas eu cresci. É óbvio que tenho algo a perder aqui.

Engraçado como ter perdido o controle mexeu com a minha mente. Eu estava temerosa desde o incidente no centro. Steve me fez esquecer por alguns instantes, mas a ideia de que os meus amigos se machucariam tentando combater um inimigo que não conhecíamos, quando eu poderia me afastar e mantê-los a salvo... Apenas me parecia egoísta demais ficar.

— Ao invés de discutirmos isso, por que não chegamos a um consenso?

Respirei fundo e me senti tão... Estavam todos discutindo sobre meu futuro como se eu não estivesse aqui e eu apenas queria entender a real importância de inciar uma guerra contra todo um povo quando... Não, me entregar não era uma opção. Eu já desisti antes e não posso mais fazer isso. Não mais. Abandonar as pessoas que eu amo não é uma opção.

Sim, você tem razão, lindo. Como de costume quando a merda é jogada no ventilador. Um consenso.

— Quanto tempo? — dois pares de olhares incrédulos é o que eu recebo e tenho que resistir o ímpeto de encolher os ombros — Quanto tempo me escondendo é preciso até eu ter... — uma pausa para respirar fundo — Controle sobre meus poderes?

— Sofya...

— Absolutamente não!

— Não posso dizer exatamente — disse minha mãe enquanto me olha cuidadosamente — Teremos um longo trabalho pela frente.

Assisto com a cabeça, não muito satisfeita.

— Quero estar em contato com a minha família.

— Você... — Tony deu-me um olhar que eu evito.

— Nos dê um momento — peço ao trio de Judas e eles acenam ao se afastar. Aparentemente, notaram que eu chegara a uma conclusão que era da vontade deles, afinal. E, naquele instante, sinto meu lado rebelde na superfície, querendo se revoltar, mas chego a uma conclusão espantosa de que eu já não sou a mesma garota de antes, que batia o pé quando não gostava de algo.

Não sou mais aquela Sofya que rejeitou Tony com medo de ser rejeitada, ou que mentiu e o evitou quando o passado pareceu difícil de ignorar. Eu não havia mudado completamente, óbvio, mas algumas coisas estavam diferentes. É quase engraçado lembrar de atitudes que eu tive e que não faria hoje.

Sou tirada da minha reflexão pelo olhar irritado do meu pai.

— Não — Tony aponta meu rosto — Você não está indo.

Eu respiro fundo. Certo, eu tinha de convencê-lo que eu precisava me afastar por um tempo, mesmo quando mesmo eu não parecia convencida daquela decisão.

— Pai, o que temos sobre a Corte? Que informações que podemos usar para combatê-los? Nada, nada! — sinto meus olhos se enchendo quando a onda de frustração me atinge. Por que as coisas tinham que ser assim? — Vamos dar um jeito nisso, podemos manter contato e...

— E então você sai pelo mundo a fora fugindo enquanto eu fico aqui sem saber se você está bem... e o que!? — Tony ri nervoso como faz quando está bravo — Passar o resto da sua vida assim, é isso que você quer? Fugir? — eu não quero fugir, mas também não quero perder ninguém, você não entende? Pensei, no entanto, não tenho a oportunidade de me expressar — E você, não vai falar nada!? — ele volta sua raiva a Steve e eu respiro fundo.

Steve me encara com um olhar tão sério que eu tenho de apertar minhas mãos em punhos para não desviar o olhar. Sua expressão impenetrável me causa uma agonia e eu temo tê-lo decepcionado. Entretanto, mesmo que sim, eu não mudaria de opinião. Sem luta por hoje. Era a minha escolha.

— Ela claramente tomou uma decisão, Tony — Steve finalmente falou, o que resultou nele recebendo um olhar furioso do meu pai. Eu encaro seus olhos com cuidado quando não consigo ler nada de suas emoções — E eu também — ele me confundiu com sua frase final, até... — Mas, se é assim que você quer fazer as coisas, então você não estará indo sozinha.

Então eu arregalo os olhos com a constatação. A ideia de um deles vir comigo nem havia passado pela minha mente. Meu pai tinha Pepper, empresa e eu nunca permitiria que ele abandonasse tudo para tornar-se um foragido. E Steve. Ele tinha os novos integrantes para treinar. Um amigo desaparecido. Os motivos para o meu herói ficar passa pela minha mente e eu continuo a assinalar aquilo antes de me pronunciar:

— Os Vingado... — sou interrompida em meio a frase, como se ele se soubesse exatamente o que eu diria.

— Natasha pode dar conta do recado.

— A busca por Buc...

— Isso não vai parar, Sofya. Seja qual for o motivo que esteja passando por esse cabeça confusa para que eu não vá, afirmo, você não está passando por isso sozinha. A não ser que não queira eu contigo — ele diz erguendo o canto dos lábio, num murmúrio baixo para que somente eu ouça.

Embora eu acredite que meu pai tenha ouvido sim, uma vez que ele nunca deixou de lado a mania grosseira de nós vigiar. Eu dou uma risada fraca e, percebo, aliviada. A ideia de ir e deixar todos para trás doía, e eu sei que sentiria uma falta infinita de Tony, porém, com Steve ao meu lado... eu poderia suportar.

— Vai abandonar tudo por mim? — eu insisto, num misto de felicidade e descrença.

Eu não tenho dúvidas que ele me ama e eu o amo muito, mas pensar em tudo que Steve conquistou desde que acordou neste tempo. Sim, eu estava receosa de que ele se arrependesse futuramente.

— Não estou abandonando nada — ele murmurou segurando meu rosto com ambas as mãos, seu polegar alisando minha bochecha e eu fechei os olhos por um momento, somente para abri-los novamente quando ele continuou — Você é meu tudo — sorri emocionada ainda que muito autoconsciente da presença de Tony — Esperei muito tempo tempo por você, não achou que eu a deixaria ir tão facilmente, hm? — ele ergueu os canto dos lábios, divertido, e eu neguei sorrindo junto dele.

— Lindo — meu pai resmunga num tom baixo e sarcástico e eu me afasto de Steve para o encarar, que ainda mantém o cenho franzido — Mas eu ainda não concordo.

Eu suspiro.

Nós dois fomos pegos no momento, mas ao nos observar, Tony pareceu bem menos surpreso do que eu e até mesmo abrandecido. E isso dizia muito sobre como ele via meu relacionamento com Steve. Mas o fato mais espantoso foi a facilidade com que ele foi convencido depois disso. Tony ainda não parecia satisfeito com o rumo das coisas, mas não estava mais disposto a me trancar no quarto para impedir-me. Pedi para ele conversar com Pepper e prometi estar em contato, sempre. Mesmo eu não sabendo para onde iria. Tudo bem, eu tinha um plano. Eu iria me esconder, aprender a controlar meus poderes e tomar toda a informação que fosse preciso de nossos inimigos. E quando tudo estiver preparado, voltarei e da próxima vez que viessem até mim, eu estarei preparada para retaliar.

Parecia bom o suficiente para mim.

Me afastei para falar com Lígia, mas ainda pude ouvir Steve fazer uma promessa a Tony, algo que eu não pude deixar de me atentar em ouvir. "Eu farei de tudo para proteger sua filha" no que meu pai respondeu um "Eu sei" sério e surpreendentemente confiante.

Era o começo da amizade deles, eu sabia.

Pedi a qualquer divindade existente que que tudo terminasse bem.

Tinha que acabar bem.

***

Me despedir dos outros foi muito mais difícil do que eu pensei, mas não tínhamos muito tempo, tanto para apresentações daquele trio estranho quanto para conversas motivacionais. Foi tudo muito rápido e eu achei melhor assim. Não sei lidar com despedidas... nunca soube. Podia ver Steve em uma conversa séria com Natasha por cima do ombro de Clint e me afastei de seu abraço.

— Vá pra casa, gavião. Sem ação por hoje.

Eu estava mais do que aliviada. Tinha o presentimento de que as coisas não terminariam bem e ainda estava um pouco insegura sobre nossa segurança, mas bem mais calma da integridade física de meus amigos.

— Por que eu tenho a impressão que você está me expulsando? — ele brinca para aliviar a tensão e eu tento abrir um sorriso, mas acho que mais sai como uma careta.

— Não é apenas impressão.

— Como eu imaginei — acabo rindo para seu olhar e Barton aperta meu ombro — Tem certeza disso?

— Isso não é um adeus, Barton. Você vai me ver de novo.

— Droga — lamenta falsamente e e eu reviro os olhos. Ele me dá um aperto com um sorriso que eu nomeio encorajador —Se cuida, Stark.

— Digo o mesmo. E cuida do mini gavião.

Clint acena e há aquele olhar naqueles olhos como acontece sempre que sua família é o tópico da vez.

— O garoto é um lutador, já tem o próprio arco — o papai babão.

Eu balanço a cabeça em negação:

— O moleque nem sabe andar.

— Ainda.

Ele me faz sorrir de novo e meus lábios ainda estão levemente erguidos quando me aproximo de minha mãe. O que desaparece tão logo eu a olho e aceno com uma confiança que não existe dentro de mim. Lígia não pareceu muito surpresa quanto as minhas condições, mas também não pareceu muito a vontade. Não me importei. Steve ia comigo e eu teria contato com a minha família. Ela conseguiu se esconder por todo esses anos e aparentemente era a única pessoa que conhecíamos que poderia me ajudar, e somente por reconhecer isso que eu estava indo.

— Vou abrir um portal — ela explicou depois que eu me aproximei e Christian, ao seu lado, acenou para mim — Mas, primeiro, eu preciso reter seus poderes para que você passe despercebida — continuou e eu não sei por que hesitei. Lígia havia explicado que para me camuflar eu tinha que ter minhas habilidades bloqueadas. Elas são parte de mim e sem a assinatura que me destaca, será mais difícil encontrar-me. Ela não falou direito como o fazem para me rastrear, entretanto, a menos que ela esteja o tempo todo comigo, a melhor maneira deu passar despercebida era me tornando... o mais normal possível.

Pensei que a ideia de prender meu poderes seria reconfortante, mas me deixou mais nervosa do que o esperado.

Sinto uma mão na minha coluna e o perfume masculino de Steve invade minha narinas. Eu ergo o rosto para o encara-lo e franzo o cenho quando sinto minha expressão relaxar o suficiente para transmitir o misto de ansiedade e medo que me acometia, dado o olhar tranquilizador que meu namorado lançou, em seguida.

Estou nervosa. Falei na sua mente, não querendo que mais ninguém ouvisse aquela admissão relutante.

Eu sei. Ele acenou. Mas estou aqui e não vou sair do seu lado. E lembre-se, a coragem está sempre um passo a frente do medo.

Você leu isso em algum biscoito da sorte?

Não. Um olhar cético meu. No Google.

Bufei evitando uma risada e olhei pra frente quando minha mãe chamou minha atenção, arqueando a sobrancelha com um olhar de quem sabia das coisas. Eu assinto com um manear e movo a cabeça a tempo de meu pai tomar um lugar ao meu lado.

O restante do pessoal se espalha entre o cômodo assistindo quando eu dou um passo a frente.

— Estou pronta — eu disse.

Observo quando minha mãe ergue a mão e toca ambos os lados da minha cabeça, o polegar sob minha tempora e eu escolho não fechar os olhos. Passa alguns instantes sem nada acontecer, até que eu sinto uma sensação estranha como de paredes sendo levantadas dentro do meu subconciente, altas e fortes. Um ofegar escapada da minha boca e um nó estranho se aloja na minha garganta quando a sensação passa de um incomodo a uma necessidade de me afastar. Sinto uma mão no meu ombro e uma voz masculina falando, mas nada ouço. Eu tento dar um passo para trás enquanto algo em mim reage. Respira, inspira. Calma, calma.

A testa de Lígia contrai.

— Não reaja — ordenou.

— Não é proposital — retruco com dentes trincados quando a sensação de ser presa toma conta de mim. Eu levanto a mão e seguro em algo, apertando-o e usando como alavanca para permanecer no lugar. Eu balanço a cabeça — Eu não....

— Estou quase acabando... — ela avisa, baixo e ofegante. Franzindo mais a testa com o esforço.

Eu encolho os ombros e aperto a outra mão em punhos quando a sensação aumenta e aumenta. A ação leva quase cinco minutos, mas me parece uma eternidade. Quando Lígia finalmente abre os olhos e me solta, ela parece cansada. Fadigada, seria a palavra certa.

Eu cambaleio um passo para trás, sentindo as gotículas de suor escorrendo pelo meu pescoço.

— Como está? — meu pai perguntou, preocupado.

— É estranho.

— Não force sua mente contra — Lígia murmura — Você está mais forte.

— Mas eu sinto meu poder — eu disse numa indagação e sentindo-me fora do lugar — Só... não consigo acessar. É diferente de antes — olho minha mãe e ela acena fracamente.

— Você era muito pequena para localizar a discrepância.

Apesar deu ter perguntado aua resposta me irrita. Todavia, deixo de lado o sentimento e o ignoro como tenho feito com tudo relacionado a Lígia desde que ela apareceu na minha vida, novamente. Sua próxima ação é abrir o portal e eu observo enquanto um brilho esverdeado nasce nas suas mãos enquanto um redemoinho cresce no meio da sala. O portal é de um verde translúcido e uniformemente brilhante. Ouvi alguns suspiros e acho que eu mesma suspirei. Troco um olhar com meu pai e então eu sei que chegamos ao ponto final.

— Vá na frente — Lígia falou para Lúcia que assente com a cabeça.

Observo quando ela dá um passo a frente. No entanto, antes de atravessar o portal, a garota para e olha para mim. E eu que evitei encarar ela até agora, fixo minha atenção em seus olhos castanhos enquanto ela sorri fraco.

— Apesar de tudo, espero que continuemos amigas.

Amigas. Como poderíamos se ela mentiu e fingiu durante todo esse tempo? A noite do baile, fico repassando aquela noite na minha mente, na verdade, penso em todas as vezes que interagimos e... apenas não consigo acreditar. E eu posso estar sendo hipócrita, mas é como eu me sinto no final. Eu, iludida, mantive ela no escuro para deixar ela longe da bagunça que cerca minha família. Esperando que ela fosse apenas uma garota normal. Lucia, no entanto, me manteve no escuro sabendo quem e o que eu era durante todo esse tempo. Sabendo que minha mãe estava viva. Amigas, sério?

— E a gente foi? — falei em retorno.

Lucia assentiu e eu prendi o riso seco.

— Sim, eu fui sua amiga.

Abro a boca, mas então ela desaparece atravéz da forma transluzente. Ótimo, e ela ainda sai com estilo. Vaca.

Deixei de lado aquele assunto. Por hora. Virei para abraçar meu pai e ele me recebeu em seus braços.

— É bom que você entre em contato ou eu irei atrás de você — falou no meu ouvido em um tom leve, mas sei da verdade atrás de suas palavras, assim como o receio.

— Eu prometo — digo de volta e ele me aperta um pouco mais antes de me soltar.

A minha mão se conecta com a de Steve e eu encaro sua face séria. Então dou uma última olhada e um sorriso fraco para aquela família que começou como uma equipe de pessoas cheias de problemas internos, assim como uns com os outros e... ainda não mudou muita coisa, porém, era o que fazia do Vingadores tão especiais. Tony Stark, meu pai. Steve ao meu lado. Bruce e Thor, ainda que os dois homens não estejam presente, eles são parte disso. Natasha, Clint, Sam, Pietro, Wanda, Visão... e eu, Sofya.

Assenti com a cabeça para os olhares de apoio com o que eu torcia ser um adeus temporário. Me virei e dei o primeiro passo para longe da minha casa.

"Muita coisa pode acontecer em questão de segundos, em um momento você pode estar sorrindo e em outro chorando. Em um vivo e em outro morto..."

Tempo. O mundo, nosso dia a dia... a vida se resume ao tempo. E tudo desabou em questão de segundos.

As coisas saíram do controle, como acontece quando não sabemos o que está por vir. Todos caíram como dominó e eu escutei minha voz ecoar, ainda que o sonido em meu ouvido não me desse certeza. Minha mãe gritou ordenando a Christian que me levasse, enquanto eu observava catatônica ao lado do corpo de Steve. Não. Não! Acordem, acordem! O que está acontecendo? Respira... continue respirando.

Black gritou algo que não fiz questão de entender, então eu senti quando ele segurou meu braço e levantou-me de onde eu jazia para levar-me com ele, mesmo eu me negando. Minha família precisa de mim. Seja o que for que esteja acontecendo, eu trouxe isso, eles precisam de mim. Mas não consegui dizer uma palavra enquanto Christian Black me arrastava com ele.

Eu nunca cheguei ao outro lado.

Nós perdemos a batalha antes que pudéssemos lutar.

Notas finais
Não me matem que ainda tem cenas pós créditos, calma