NEW STARK | the avengers [1] ✓
43 Informações Valiosas
Não, eu não quero saber
Onde você esteve ou para onde está indo
Mas eu sei que eu não estarei em casa
E você estará por conta própria
Nelly (versão Christina Grimmie and Sam Tsui) — Just a Dream
Observei aquele grupo de pessoas conversarem seriamente. Não me pronunciei ou disse coisa alguma, apenas assisti enquanto discutiam estratégias para a invasão que ocorreria a uma possível base da Hidra, recentemente conhecida e localizada em Staten Island. O grupo não estava completo, mas penso que isso não os desmotivou. Após Steve, Sam e eu descobrimos sobre as coordenadas, presente em uma das pastas que compunha o arquivo, dado por Nick Fury aos dois homens, a nossa próxima missão foi reunir os Vingadores: o grupo composto pelas pessoas mais poderosas da terra; nele, temos a presença de um ex-soldado americano, geneticamente modificado, dois agentes altamente treinados, um homem vestindo uma armadura de ferro, um doutor que não pode se estressar e, por último, um deus nórdico.
Pois é, deuses existem. — aliás, o deus, é o atrasado em questão. Contudo, não devo ficar tão surpresa, afinal, sou de outra realidade, mesmo que ainda não consiga digerir tal fato.
Mas... voltando. Embora eu tenha incluído o deus nórdico — chamado Thor... sim, o deus do trovão citado na grande maioria das histórias vikings. — a lista dos super-heróis, não posso alegar ter visto o ser uma só vez na minha vida, além do que os tabloides ainda comentam, uma vez ou outra, sobre os heróis que salvaram New York de Loki, irmão de Thor. NÃO ME PERGUNTEM O QUE ACONTECEU! Eu não faço a mínima ideia, e Tony não gosta comentar sobre o assunto. O que me torna a pessoa menos indicada a explicar a situação, ainda mais, por evitar o costume de ler notícias sensacionalistas, principalmente, quando já fui o assunto em uma delas.
"Quando o dinheiro é demais, até filhos desgarrados aparecem."
Sim, essa foi a maldita manchete que a Paste Magazine, uma revista famosa, estampou, um dia após a coletiva de imprensa que Tony reuniu para declarar-me sua filha, publicamente.
Idiotas.
Mas... voltando, de novo!
Fixo a minha atenção no homem com barba de olhar debochado. Meu pai. Então, corro os meus olhos por cada integrante dos Vingadores. Reunir aquelas pessoas, não foi tão difícil como imaginei. Logo após a nossa descoberta, Steve ligou para Natasha Romanoff que, por sua vez, contactou Clint Barton. Falar com Banner e Tony também não foi um problema. Bruce, praticamente, vive dentro do laboratório, mesmo tendo para si um andar inteiro na torre Stark. Já o meu pai... bom, digamos que falar com Tony foi bem mais embaraçoso do que o esperado, com os seus olhares de desdém lançados a Steve.
Resumindo: foi tenso.
Em contrapartida, tenho que pensar positivo, afinal, depois de cinco horas após as nossas descobertas, o grupo agora está reunido, preparando-se para derrotar a Hidra e, seja lá o que for que ela estiver a aprontar.
Ainda lembro do olhar fulminante que o agente da Hidra lançou-me, após atacar-me naquele jatinho, antes de eu jogá-lo em direção ao desconhecido, deixando-o nas mãos do destino.
— A Hidra está de olho em você.
Não por muito tempo, querido.
Dispersei-me dos meus pensamentos ao notar a movimentação de todos, mostrando-me que a reunião havia terminado. Imagino o tanto de gente que gostaria de estar no meu lugar, presente numa reunião dos Vingadores, enquanto eu ao menos ouvi uma palavra.
— Durante a madrugada é o melhor momento. Estará escuro, teremos o elemento surpresa. — ouvi Steve dizer. — Eles não sabem sobre nós e não estarão nos esperando.
— É um bom plano. — Clint Barton anuncia.
— Ótimo. — disse Natasha. — Parece que temos trabalho a fazer.
Afasto-me do trio de ex-agentes da SHIELD, para me aproximar do meu pai. Bruce, que instantes atrás conversava com ele, já não está mais presente. O herói pedia a Jarvis para atender os hóspedes em tudo o que precisassem. É... Parece que a torre estará cheia, está noite.
— Pai. — chamei. Tony olhou-me. — Será que podemos conversar? — o observei franzir o cenho, atento às minhas expressões. Stark ao menos brincou com o momento. Acho que a situação com a Hidra e a minha face apreensiva, foi mais que o bastante para causar uma impressão e tanto no homem.
— Fala.
— Não aqui. Tem como me encontrar no seu laboratório? — como se fosse possível, o rosto de Tony franziu ainda mais, revelando a sua idade através das marcas de expressões ao redor dos seus olhos. — Por favor. — peço, insistentemente. Por um instante, achei que a impaciência do Stark, tão semelhante à minha, não deixaria com que ele fizesse o que eu pedia, mas curiosamente Tony assentiu. — Okay, isso foi bem mais fácil do que eu achei que seria. — admito, suspirando fundo.
— Se pudesse ver o seu rosto... — meu pai começou. — Entenderia o porquê de eu estar disposto a fazer o que me pediu. — Tony disse, seriamente. — Suponho que vai finalmente dizer o que há de errado com você nesses últimos dias.
— Supôs certo.
Tony assentiu, olhou por cima do meu ombro e tentou evitar uma expressão desgostosa. Sei exatamente para quem ele olhou.
— Não demore, sabe que não tenho paciência para essas coisas. — falou, rabugento.
— Sei muito bem. É por sua causa que eu também não tenho. Obrigada, aliás. — pela primeira vez nas últimas horas, os seus lábios subiram num sorriso e eu não evitei fazer o mesmo.
— Palhaça. — me insultou, afastando-se.
— Olha quem fala. — resmunguei, sorrindo. — Puxei você! — falei alto.
Tony deu de ombros rindo e seguiu caminhando em direção ao laboratório. Suspirei, balancei a cabeça e olhei a tela do meu celular por breves instantes, recebendo uma confirmação da chegada dela ao local.
Afirmei com um manear, mesmo que ela não estivesse ali para ver, e andei na direção do trio que conversava.
— Sinto muito por atrapalhar a sua folga. — Steve pediu, olhando Clint Barton, revezando o seu olhar entre ele e a Viúva. — Por vocês dois.
— Relaxa, Steve. — Romanoff falou. — Barton está mesmo precisando de alguma atividade. — provocou o amigo.
Clint riu:
— Acho que até mesmo perdi o jeito com o arco. — o arqueiro comentou, brincando, então encontrou o meu olhar por cima do ombro de Steve, que ainda não havia notado a minha presença.
— Mal chegou, e já está mentindo? — comentei, infiltrando-me na conversa dos velhos companheiros de batalha, com a maior cara lavada. Só após dizer aquelas palavras, que eu notei a ironia em minha frase. — Tudo bem, Barton?
— Stark? Não te disseram que ouvir a conversa dos outros é falta de educação?
— Ouvi alguém me dizer algo do tipo uma vez, mas ignorei. — dei de ombros.
Clint riu, outra vez; Natasha me ignorou e Steve olhou-me atentamente. Virei-me para ele, recordando-me do que vim fazer:
— Será que podemos conversar? — fui direto ao assunto.
Steve não teve tempo para me responder, antes, Clint tomou o seu caminho, levando a Viúva consigo.
— Ele é todo seu, Stark. — o homem sorriu para mim, e eu não consegui deixar de identificar a nota maliciosa no seu tom de voz.
Romanoff soltou um bufar, e eu poderia ter visto um sorriso no seu rosto, — derivado dos olhares constrangidos, o meu e de Steve. — não fosse seu rosto virado para o caminho em que ela e o Barton tomava. Engraçadinho. Pensei, sentindo meu pescoço esquentar, a medida que o calor subia e tomava todo o meu rosto. Não houve muita surpresa da minha parte pelos dois agentes saberem sobre Steve e eu. Não é que fossemos clamar aos quatro cantos da terra que estamos juntos, mas também não tentamos esconder. Sou discreta, não gosto de muita atenção, Steve também não.
Olhei em seus olhos e pude notar aquelas duas imensidões azuis fixas em cada reação minha. Steve sorria.
— Você fica encantadoramente linda, quando envergonhada. — aquilo foi o estopim para meu coração palpitar loucamente.
— Não diga isso, vergonha é o pior sentimento existente. — reclamei, ranzinza.
— Seu pescoço e rosto fica todo vermelhinho. — continuou, agora rindo.
— Muito engraçado. — não consegui olhar em seus olhos.
— E você desvia o olhar, fica correndo os olhos de um lado para o outro. Como está fazendo agora. — sua mão pousou sobre minha cintura e eu senti Steve me puxar para ele. — Como eu disse: encantadoramente linda. — voltei a direcionar minha atenção a Steve, tocando seus ombros e circulando meus braços por seu pescoço.
Sorri timidamente pelo elogio.
— Você é um bobo. — provoquei, repetindo o que ele disse a mim, hoje, ou ontem? Que seja! Quando ele me recebeu em seu apartamento, horas antes. O homem notou minha provocação, mas apenas sorriu, subindo sua mão até tocar meu rosto, delicadamente.
Fechei os olhos ao sentir seu afago, mas os abri quando o homem parou:
— Steve?
— Está tudo bem? — perguntou, seriamente, olhando em meus olhos, buscando por respostas. Buscando pela honestidade que prometi dar.
Toda a leveza anterior desapareceu e meu semblante caiu, respirei fundo antes de respondê-lo:
— Não, não está tudo bem, Steve.
Sua mão direita, presa em minha cintura me apertou, de modo reconfortante, e sua outra, em meu rosto, desceu para meu pescoço.
— Você quer me dizer algo? — indagou-me em um murmúrio cuidadoso, quando eu não disse nada.
— Quero. — afirmei, assentindo levemente. — Mas não aqui.
Assim, Steve se afastou de mim, para que pudéssemos andar lado a lado, até nosso destino. Porém, minha vontade interior foi de ficar ali, em seus braços. Quase desisti do meu plano inicial, mas respirei fundo, lançando olhares de canto de olho ao herói, diversas vezes durante nosso andar, sentindo que ele fazia o mesmo comigo.
Foi preciso poucos minutos para chegarmos ao local, e somente ao alcançar o laboratório de Tony, que o nervosismo decidiu me pegar. Ainda sim, eu abri a porta e entrei, seguida de Steve.
Encontrei meu pai e minha madrasta nos esperando. Os dois conversavam, mas pararam assim que nos ouviram. Ninguém disse nada, não até estarmos todos parados, um encarando o outro.
— Sofy, querida. — foi Pepper quem tomou a iniciativa de falar, após notar que a presença do herói ao meu lado, causou certa tensão em meu pai, considerando que o mesmo encarava Steve nem um pouco satisfeito. Contudo, isso não fez Rogers sair do meu lado. — Você nos chamou até aqui. — a ruiva afirmou, encarando-me preocupadamente. — Aconteceu algo?
— Antes, porque ele está aqui? Não sabia que fazia parte da conversa. — Tony indagou, hostilmente.
Senti meu corpo enrijecer e assisti minha madrasta tocar meu pai, em um claro sinal de "Cala a Boca", ao menos, eu interpretei assim.
— Eu o chamei. — respondi, olhando-o seriamente. — E sim, pai, Steve faz parte da conversa. — falei e suspirei, enquanto meu estômago embrulhava a cada palavra proferida.
Tony sorriu, revirando os olhos.
— Todos nos importamos com Sofya. — Steve afirmou e eu o olhei. — Portanto, penso que, ao menos, devemos fazer o máximo de esforço para uma boa convivência, Tony. — o herói encarou meu pai, que ainda sorria com desdém.
Stark olhou-me nos olhos, e viu ali o meu pedido, então suspirou aborrecido:
— O que é tão importante para você... nos reunir? — Tony inquiriu, e eu teria sorrido com sua tentativa forçada de paz, não fosse a pergunta dirigida a mim.
Os olhares voltaram-se a mim e o pânico ameaçou crescer em meu peito.
Como eu diria aquilo?
— Eu... — parei, molhei meu lábios secos e voltei-me para o ambiente, sem conseguir olhar para os olhos deles. Não consigo dizer o porquê de tanta hesitação por minha parte, mas acredito que seja medo, pois, a partir do momento que eu falar a verdade, a situação se tornará real, será sério. — Eu... — pigarreei, tomando uma golada de ar, com o intuito de me dar forças. — Encontrei uma pessoa. — falei, lentamente. Assisti os olhares confusos de todos a me encarar. — Alguém que tinha ligação com a minha mãe.
— Sua mãe? — meu pai perguntou, hesitante, tenso e um muito curioso.
A partir daí, as palavras simplesmente saíram de dentro de mim, e eu falei cada detalhe que ouvi da boca de Christian Black. Ao fim, pude notar as faces atordoadas de todos, e me senti um pouco melhor por não ser a única perdida naquela situação.
— Então há outras realidades por aí? — por um breve instante, Tony divagou, e eu não pude deixar de sorrir, pois seus pensamentos refletiam os meus quando eu ouvi aquilo pela primeira vez.
— E porque estão atrás da Sofya? — minha madrasta perguntou, preocupada. — Você não fez nada errado.
— Eu nasci. — respondi, lançando-lhe um sorriso fechado, dando de ombros, como se estivesse indiferente a tudo.
— Você sabe como encontrá-lo? — Steve perguntou-me, olhando em meus olhos com as sobrancelhas franzidas. — Este rapaz?
Neguei, desanimada. Então, lembrei-me do endereço no cartão. Mexi minha mão e abri a boca no intuito de falar algo, mas parei. Christian Black apenas tentou me ajudar, e mesmo com minha desconfiança inicial, existe algo nele que pede por um voto de confiança. Por isso, prometendo a mim mesma que diria a verdade assim que possível, eu menti:
— Não, — foi o que disse, evitando olhar nos olhos de todos. — Ele consegue... — toquei minha têmpora. — Acessar minha mente. É assim que nos comunicamos. — observei eles em silêncio, meu pai e Steve se encarando preocupadamente, minha madrasta caminhando até mim para me abraçar. — Talvez eles não me encontre, minha mãe garantiu que isso não acontecesse. — tentei ser otimista, apenas por eles.
— Talvez isso fosse antes. — meu pai falou. — Mas agora você é conhecida como minha filha. Cedo ou tarde eles te encontrarão. — seu rosto estava sóbrio, Tony encontrava-se muito mais sério do que eu já vi, em qualquer outro momento.
— Bom, seja como for... — Steve iniciou. — Nós sabemos que virão, e eles podem tentar... mas vamos estar preparados. — falou com intensidade. Steve e meu pai se encararam, mais uma vez, ambos assentindo com a cabeça levemente.
Franzi o cenho testemunhando aquela situação. Foi necessário um ameaça para que Tony consentisse a minha relação com Steve? É isso mesmo que estou vendo?
Homens...
Suspirei, ainda alisando as costas de Pepper, mais calma e leve por ter dito o que vim dizer. Me afastei de minha madrasta e sorri para ela, tentando confortar a nós duas com aquela ameaça desconhecida, que ninguém nunca viu ou ouviu falar. Estaremos preparados. Steve disse. Nós sabemos que virão.
Não temos certeza de quando, de como ou de quantos virão, mas sei que lutaremos.
No fim, o que eu disse a Christian Black tornou-se real, uma guerra está por vir e eu terei que lutar.
E... bom... eu preciso estar preparada.
Eu estarei preparada.
É, não há dúvidas de que, seja o que for que estiver vindo, nós iremos vencer.
Não vou cair sem lutar, e sei que terei pessoas para me ajudar a levantar. Pensei, encarando o olhar carinhoso de Pepper Potts, sentindo a bandeira branca ser levantada por meu pai a Steve, por minha causa. Sim, sei que tenho pessoas por mim.
***
Coço meus olhos, reprimo um bocejo e prendo minha atenção na tela do computador, ainda sim, minhas pálpebras insistem em fechar, não consigo mais reprimir e um bocejo escapa por minha boca. Respiro fundo e volto a teclar quando mais um dos arquivos é aberto.
Leio os documentos, sem realmente prestar atenção, meus olhos ardendo pelo sono, impedindo minha concentração. Pisco lentamente e sinto meus olhos fecharem, pouco a pouco. No entanto, toda a letárgica desaparece quando eu ouço um barulho estranho vir de um dos cômodos próximo a mim. A cozinha.
Meus olhos arregalam e eu levanto do sofá em um pulo, desperta e mais tensa do que nunca. Caminho na direção da cozinha, sem fazer qualquer barulho. O lugar escuro e iluminado somente pela luz da lua, me impediu de ver quem era o ser que invadiu minha casa, e eu mal tive tempo de piscar quando um soco atingiu minha bochecha.
Ofeguei assustada, mas reagi de imediato, me lançando no sentido oposto da pessoa que me atacou, chutando a costa de seu joelho, fazendo o desconhecido cair prostado, porém, ele me levou consigo ao me derrubar com uma rasteira.
Atingi o chão, e a dor irradiou por todo o meu corpo.
Desgraçado! Praguejei irritada.
Caída, acerto um chute em seu estômago, e me levanto. Rapidamente, o desconhecido faz o mesmo, assim, não dando-me tempo para conseguir tomar fôlego. Em seguida, recebo mais uma série de golpes que me fez dar diversos passos para trás, sem conseguir atingi-lo uma só vez. Isso me deixou puta, me deixou muito puta da vida.
Desvio de mais um chute, mas consigo bater meu cotovelo contra o rosto da pessoa, recebendo, em troca, um sobre o estômago.
Mas que diabos é você? Gritei em minha mente, desviando de outro golpe e batendo minhas costas contra a parede. No processo, a luz ligou, e eu pude me abaixar do iminente soco que atingiria meu nariz.
Dei um passo para o lado e virei-me, para olhar nos olhos de meu agressor. Instantaneamente, senti meu sangue ferver, reconhecendo o rosto de minha atacante.
Natasha Romanoff.
— Ah. É você. — ela disse, seu olhar tornando-se indiferente a minha pessoa.
AH, É VOCÊ?!
Que porra!
— Por diabos você estava atacando? — gritei, muito brava.
— Você chegou em silêncio, achei que fosse alguém invadindo o lugar. — Romanoff disse, calmamente, tomando seu caminho até a mesa central da cozinha, onde havia: um copo, uma jarra de suco e um bolo de chocolate. — Concordemos, esse lugar já foi atacado uma vez. — completou, serenamente.
— Você ia me dar um soco, mesmo quando a luz já estava ligada. — acusei, ainda irritada com a situação e, principalmente, com sua quietude.
— Eu não havia te reconhecido. — respondeu de pronto. Bufei com sua resposta. — O que foi Stark? Com medo de estragar seu rostinho?
Tive a certeza que a ex-agente estava me testando quando ela me provocou. O mais irritante em tudo isto é, ela falar de um jeito tão calmo e maduro, enquanto minha provocações soam como brincadeiras e provocações de uma criança.
Argh!
Sem respostas para suas perguntas e disposta a mostrar-me superior, naquela situação, eu sorri calmamente. Ela notou a mudança em minha expressão facial:
— Você quase me acertou. Sabe, tive até um flashback, você também me atacando e eu... você sabe. — comentei sorrindo, como se ela fosse uma velha amiga.
— Ah, sim. Como esquecer? — Romanoff me acompanhou num sorriso sarcástico. — Tirar vantagem sempre fez parte dos Stark, nós já deveríamos ter cogitado isso, na época. — comentou. Observei, com a testa franzida, a mulher falar, e prendi minha atenção nas emoções que seus olhos emitiam. Enfim, pude entender que não a incomodava o fato de eu tê-la nocauteado, não, isso não incomodava Natasha Romanoff, mas ter sido pega de surpresa... bom, digamos que isso sim, a deixa constrangida.
Pela segunda vez na vida, eu me senti mal pela Viúva Negra.
Ouvi meu notebook apitar, cogitei dizer algo a ela, mas pensei que a Romanoff não é adepta a palavras de conforto, muito menos vindas de mim. Portanto, apenas virei-me e deixei a cozinha para trás, sem nenhuma palavra a ser dita. Toquei minha bochecha, onde seu punho me atingiu, minutos atrás, mas afastei minha mão quando minha pele doeu. Sentei-me no sofá, peguei meu aparelho e vi que a decodificação estava completa. Mais um arquivo da Hidra em nossas mãos, sorri vitoriosa, mas parei o movimento quando ele me provocou uma dor incômoda.
Merda. Pensei aborrecida. Hill vai me encher o saco!
Ouvi seus passos silenciosos atrás de mim, desta vez, não me surpreendendo por ser ela ali.
Somente uma coisa me surpreendeu.
— Toma. — Natasha me ofereceu um pacotes de ervilhas congeladas. Os olhei desconfiada, ela ergueu as sobrancelhas. — Pega e põe no rosto. — mandou.
Pensei em negar, levando em conta que havia sido ela a autora do machucado, mas uma dor pulsou e eu descidi deixar meu orgulho de lado, pelo menos por agora. Peguei o pacote de maneira hesitante, em seguida, o pus sobre minha bochecha dolorida, franzindo o cenho e desviando o olhar para encara-la.
— Obrigada. — agradeci seriamente.
— Não agradeça, só não quero confusão com a duplinha disfuncional. — se explicou com indiferença. Dei de ombros, imaginando que ela falava de Tony e Steve.
Voltei minha atenção a tela, abrindo o arquivo e passando os olhos sobre, quando uma coisa chamou minha atenção. Franzi o cenho e levantei o rosto, somente então notando que Natasha já não estava mais em minha frente. Chamei sua atenção, minha voz soando mais ansiosa do que o esperado.
— O que foi? — ela voltou.
— Você reconhece este objeto? — perguntei, mostrando-lhe a imagem em questão. Esperei por uma resposta que tardou em vir, então ergui o olhar para avistar, em seu rosto, uma expressão de conhecimento.
— Sim, eu reconheço. — respondeu sombriamente. Seu tom de voz dando-me um pressentimento de mais problemas à vista. — Este é o cetro de Loki, o mesmo ser que atacou New York.
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