NEW STARK | the avengers [1] ✓
33 Dilemas
Sittin 'waitin' mesas enquanto ela está sentada esperando por ele para mostrar
Qual o seu nome ou história, talvez eu nunca soubesse
Ela não está tentando esconder o que está acontecendo dentro
E eu sei que já estive lá antes
Esperando por alguém no único lugar
Você os verá mais
Alex Roe — Smokin' And Crying'
Steve Rogers
Sempre é muito fácil sentirmos muito por alguém, sem termos passado por algo. E vemos isso quando esse algo acontece conosco.
Não estava, realmente, preparado para a morte da minha mãe. Sim, eu sabia que ela estava doente e que era questão de tempo até que partisse, mas isso não significava que a dor foi menor ou que a notícia não me impactou. Entretanto, estava seguindo em frente, depois de muita dor e tristeza, mas seguindo em frente. Sabia que demoraria até tudo cicatrizar, mas ela prometeu que um dia restaria apenas as boas lembranças.
Minha mãe sempre fora uma mulher sábia, por isso, acreditei em suas palavras.
— Meus pais queriam te dar uma carona até o cemitério.
James correu até me alcançar, não havendo necessidade de fazer grande esforço, dando-se que Buck é muito mais alto que eu, o que resultava em sempre eu ter que alcançá-lo. Após estar ao meu lado, Buck manteve um ritmo lento, para que, assim, eu pudesse acompanhá-lo.
Continuei a caminhar:
— Eu sei, me desculpe. Queria ficar um pouco sozinho. — falei enquanto subíamos os poucos degraus de minha casa.
— Como foi? — Buck perguntou.
Doloroso.
No entanto, não gostaria de falar sobre o assunto, nem citar o quanto me doeu enterrar a pessoa que eu mais amava, assim sendo, eu simplesmente o respondi com algo mais afável:
— Tudo bem, ela está com meu pai agora.
Os degraus se esgotaram no momento em que meu amigo iniciou aquele mesmo assunto:
— Eu ia te perguntar....
Soube da intenção de Buck assim que ele olhou-me, mas ele tinha que entender. Eu precisava me virar sozinho.
— Eu sei o que vai dizer Buck. — falei, parado em sua frente. Acredito que meus olhos responderam seu pedido.
Ainda sim, Buck insistiu:
— Arrumamos um cantinho pra você, como quando éramos criança. — ele falou. — Vai ser legal, é só você engraxar meus sapatos e levar o lixo pra fora.
Ele se abaixou e empurrou a pedra no chão, tirando a chave da minha casa, entregado-a em minha mão. Suspirei enquanto tocava o objeto gelado.
— Obrigado Buck, mas sei cuidar de mim mesmo.
Eu daria conta, iria me alistar e sabia que uma hora ou outra eu conseguiria. Eu apenas não podia desistir, isso eu jamais faria. Buck pôs a mão sobre meu ombro, olhando-me enquanto parecia ler todos aqueles meus pensamentos.
— Acontece... que você não precisa, estarei aqui até o fim parceiro.
Eu sabia que ele estaria.
Olho pra frente sem desviar minha atenção para mais nada, focando apenas em minha respiração, deixando minha mente levar-me para o passado. Minha antiga vida podia ser rotulada como monótona, e exceto pelas surras que eu levava em cada beco, o resto dos meus dias resumiam-se em tentar me alistar ao exército e manter minha casa e de Buck, meu amigo, o melhor. James era alto, engraçado e companheiro. Estava comigo em tudo que eu precisasse, e de vez em quando, eu sentia-me pequeno e inseguro próximo dele.
Depois de tanto apanhar, eu parei de me encolher e esconder. Passei a enfrentar os valentões, ainda que eles continuassem a me bater. Então, tentei dar uma chance ao romance e aceitei sair algumas vezes com Buck, mesmo que minha aparência não chamasse a atenção feminina e, finalmente, fiz a maior loucura da minha vida, aceitei ser cobaia de um experimento, tendo a noção que tudo poderia dar errado.
Não deu.
Lutei contra o caveira vermelha, perdi meu amigo e sacrifiquei minha vida pelo meu país, para abrir meus olhos em outra época sem entender absolutamente nada, sem noção, sem foco e descobrir que todos a qual eu conhecia havia morrido. Acreditei que nunca mais veria um rosto conhecido.
Então Buck aparece para provar que eu estava errado.
Durante as últimas vinte quatro horas nada me afetou tanto quanto as surpresas que eu tive.
Buck vivo.
Fury vivo.
A HIDRA escondendo-se entre a SHIELD.
E Sofya, que de maneira alguma é um problema, mas não há como evitar a preocupação pelo seu envolvimento em tudo que está acontecendo. Mesmo que Sofya assegure estar bem.
Portando, essa é minha atual situação.
Enclausurado em um dilema continuo, sem respostas e sem a certeza de querer mesmo entender os problemas que me cercam.
— Oi.
O passado desaparece e eu volto para o presente, volto para encontrar Sofya mancando em minha direção. E esse outro dilema volta-se formar em minha mente, a mulher pelo qual estou apaixonado metida nessa guerra, realmente me assombra.
Gostaria que Sofya estivesse segura, e a culpa por não acompanhá-la me envolve.
—Oi. — falei e virei-me para olhar em seus olhos.
É um mistério, mas Sofya consegue me tirar o foco, ela faz eu esquecer meus problemas, com ela eu sinto que conseguirei viver normalmente, me habituar-me a este mundo caótico, sem todo o fardo do passado. Contudo, neste momento os problemas estão pesados demais para ignorar.
— Como você está?
Eu sorri.
— Sabe que é você quem está machucada, não é? — tentei de alguma forma aliviar a tensão no ar. Quando foi que passei a brincar em momento sérios? Acho que Sofya tem mais influência em minha vida do que eu previra.
— Faz parte do pacote. — ela respondeu e meu olhar confuso bastou, para ela compreender que eu não havia entendido. — De sermos... de estarmos juntos. — ela se atrapalhou, terminando a frase de maneira hesitante. — Nos preocupamos um com o outro.
— Tem razão.
— Soube sobre seu amigo. — Sofya falou, parando ao meu lado.
Suspirei voltando a pensar em Buck, tentando imaginar onde ele está, como está. O que a Hidra fez com meu amigo? Como é possível ele estar vivo?
— Pensei que nunca mais o veria. — murmurei.
— Sabe que irá encontrá-lo amanhã, não é? Que talvez você precise lutar. — Sofya lançou-me um olhar cauteloso.
— Sei, mas talvez eu consiga falar com ele, fazê-lo lembrar. — falei, sem deixar de ter esperança.
— Queria poder fazer algo mais. — ela cruzou os braços e franziu as sobrancelhas, incomodada. — Não gosto de ir embora, com você correndo riscos aqui.
— Mas você fez, e muito, é por sua causa que temos uma chance contra a HIDRA. — falei consolando-a, sabendo que ir embora lhe incomodava. Eu a entendia, no entanto, não resguardei o meu alívio aquela decisão. — Estará mais segura em Nova York.
Sofya virou-se, me olhou indignada e retrucou:
— E você ficará aqui, no meio do fogo cruzado.
Semicerrei meus olhos tentando entendê-la, e balancei a cabeça quando não consegui:
— Achei que estivesse de acordo.
Sofya ficou em silêncio e suspirou altamente antes de falar:
— Não estou. — ela inclinou a cabeça para o lado e fechou os olhos por um breve instante, então os abriu. — Mas entendo, desculpe. Não sou o tipo de pessoa que abandona uma boa briga. — e sorriu.
Eu sei muito bem disto. Essa personalidade na mulher, com certeza, não passará despercebido por mim.
— Sei disso. — dei uma breve risada. — Vai ficar bem? — perguntei.
— Vou. — respondeu. Concordei a contragosto, e observei ela estreitar os olhos em minha direção.
— Eu vou ficar bem. — insistiu na defensiva.
— Não falei nada.
— Esses seus olhos, Steve. — Sofya sorriu. — Dizem tudo o que você não fala.
Passei meu braço sobre seus ombros, puxando a mulher para perto de mim.
— O que mais eles dizem agora?
Ela tocou minha face e murmurou:
— Preocupação. — ela então sorriu. — Carinho, respeito.
Pude ver aqueles sentimentos refletidos em seus olhos também, e toquei nossas testas aproximando-me ainda mais.
— Tem razão. — eu repeti. — Preocupado com toda essa situação, com você. — admiti. — Carinho pela mulher pela qual estou apaixonado. — retardei a verdade por um tempo, mas agora, após admitir, apenas não consigo parar de dizer que estou apaixonado por alguém... alguém que não é Peggy. Sofya Stark. — Respeito pela pessoa forte que é.
Sofya sorriu com o rosto corado, e os olhos brilhantes que me fascinam. Eu a beijei, levemente, encostando meus lábios nos seus de maneira delicada, com carinho.
Sofya afastou-se instantes depois, e eu abri meus olhos para encará-la, agora com uma expressão insegura.
— Sobre a situação em seu apartamento, — Sofya iniciou, deixando-me um pouco atordoado com a mudança repentina. — Eu não li a sua mente propositadamente. — continuou. — Acontece sem querer quando eu fico nervosa.
Franzi minhas sobrancelhas:
—Por que está dizendo isso agora? — não entendi aonde ela quis chegar com aquilo.
Sofya deu de ombros, aproximando-se novamente.
— Eu só não quero que pense que eu fico bisbilhotando sua mente. — ela revirou os olhos. — Eu tenho facilidade para ler os olhos das pessoas que conheço, e meus amigos sempre achavam que eu estava olhando dentro da mente deles.
Fiquei um instante em silêncio, antes de assentir.
— Não penso isso. — toquei seus cabelos. — Confio em você.
— Mesmo depois de esconder sobre o projeto e...
— Confio em você.
E novamente, a puxei para mim. Sofya tocou meu rosto com suas mãos, e sorriu. Desta vez, ela quem aproximou nossos lábios, sendo retribuida no mesmo instante. Sofya é doce, ansiosa e carinhosa e, somente sua presença, é capaz de fazer meu coração bater tão rápido em meu peito. Acho que nunca senti algo do tipo neste tempo, e talvez, nem no outro. Estávamos tão envolvidos em nosso momento que não percebemos a presença de mais uma pessoa conosco.
Nos afastamos quando ouvimos um pigarrear.
Sam encontrava-se parado, com os braços cruzados e um sorriso no rosto.
— Foi mal. — fiquei um pouco constrangido, mas prestei atenção nas próximas palavras de Sam, deixando de lado o fato de termos sido pegos no flagra. — Mas o cara do tapa olho mandou avisar que já está tudo pronto.
Sofya, ao meu lado, soltou uma risada pelo apelido dado a Nick, e enquanto eu acenava em concordância e nos guiava para dentro da construção, pude ouvi-la comentar com meu amigo:
— Eu prefiro, caolho. Mas o cara do tapa olho também é legal.
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