Lá vai o meu coração batendo

Porque você é o motivo

Estou perdendo o sono

Volte agora

Calum Scott — You Are The

O zunido em meu ouvido deixou-me alheia aos movimentos ao meu redor, e minha vista embaçada me impossibilitou de ver o que me cercava.

Respirei pesadamente, e levantei do chão me esforçando a enxergar por onde eu caminhava, parei, e pude então discernir onde estava, era um corredor que dá diretamente no campo de jogos. Por fim, concluo que estou bem longe do banheiro, onde eu estava instantes atrás, ainda sim, começo a correr em direção ao salão, tendo uma sensação ruim, uma necessidade de me afastar daquele lugar.

Como vim parar aqui? Não consegui encontrar razão para minha breve amnésia.

Senti meu coração bater desesperadamente em meu peito conforme corri, mas quando virei em um corredor, tive a ciência de que não havia saído do lugar. Parei com os olhos arregalados, vendo uma sombra tomar forma mais a frente.

— Quem é você? — eu perguntei alto, sentindo a adrenalina tomar conta do meu sistema.

— Alguém que quer te ajudar. — respondeu, e seu tom de voz foi imediatamente reconhecido por mim.

Uma hora atrás

— Tudo bem, não foi uma boa idéia. — admitiu o homem, alguns minutos após deixarmos o restaurante para trás. Steve e eu caminhávamos pelo Central Park, em busca de alguma substância comestível que não tenha nenhuma ligação com polvo ou algo do tipo.

— Que mico. — resmunguei comigo mesma, remoendo a cena de minutos atrás. — Ai, Steve, foi mal. — parei de andar e me voltei para o herói, envergonhada. — Eu achei sua cara tão engraçada, mas quando eu fui rir, bum! Fodi tudo! — expliquei-lhe, sem jeito.

— Bom, preciso cofessar que... — Steve pegou minha mão, e eu o olhei, refletindo sobre ele ter ignorado o palavrão. — Aquela expressão engraçada que notou... era de alguém desesperado, que procurava uma chance de fugir de um restaurante sem parecer mal educado.

— Claro, vamos pensar pelo lado positivo. — balancei a cabeça, dando um sorriso fechado, achando de certa forma, engraçado a tentativa de Steve em diminuir meu embaraço.

— Eu não diria positivo. — refutou o homem, franzindo as sobrancelhas.

Ficamos em silêncio por alguns instantes, pensando no momento constrangedor que passamos. Olhei Steve, lembrando da sua face desesperada, e do olhares de todos sobre nós. Então não aguentei segurar a risada que veio.

— Você... você viu... — falei, entre um riso e outro. — A cara do casal que estava sentado do nosso lado? — perguntei, morrendo de rir.

Steve parou e riu erguendo um pouco o rosto, em seguida, ele falou:

— Ou da senhora atrás de nós? — comentou, rindo altamente.

Nos divertimos por bons minutos, mas ao nos acalmarmos Steve interditou-me, — quando eu estava para retomar nossa caminhada em busca de alimento. — e virou-se para me olhar carinhosamente.

— Obrigada.

— Pelo quê? — perguntei, sem entender.

— Por me fazer sorrir, quando eu achei que nunca mais provaria desta sensação.

O olhei docemente e me inclinei. Acho que foi automático, totalmente sincronizado a forma que nos aproximamos um do outro. Como o níquel e o ímã, Steve e eu não conseguimos ficar afastados um do outro por muito tempo. Não importa o lugar, mas se o homem está presente, uma necessidade de estar ao seu lado me consome, e eu acredito ser recíproco.

— Steve... — sussurrei e ergui meus lábios, entreabrindo-os quando o ar não entrou em meus pulmões, segundos depois, e nós nos beijávamos.

Não vou mentir, esperei por esse beijo a noite toda.

Toquei seu rosto com suavidade, enquanto sentia o homem fazer o mesmo comigo. Meu coração pareceu pular de meu peito, tamanha a necessidade que eu sinto pelo herói. Encarei aqueles belos olhos, mergulhado em seu mar azul, e o senti se aproximar mais uma vez, tocando seus lábios nos meus, antes de nos afastarmos.

Sorrimos e senti sua mão em pescoço, alisando minha pele carinhosamente, e eu quis que aquele momento nunca mais acabasse.

No entanto, momentos bons não duram para sempre, a vida tem que seguir seu rumo, por mais triste que isso soe.

Então, encontramos uma barraca de cachorro quente, e se formos pensar pelo lado bom do meu mico anterior, vemos claramente meu desejo sendo realizado.

Steve e eu rimos mais um pouco, comemos um belo lanche, conversamos, nos beijamos e quando o horário se arrastou pra dar nove horas é que, enfim, decidimos enfrentar o bendito baile. Comigo exalando um poço de calmaria e felicidade.

Passamos a curta viagem conversando:

— ... minha mãe enlouqueceu quando viu. — eu ri, contando a Steve algumas bagunças de minha infância, enquanto o carro seguia em direção a faculdade. — E eu fiquei realizada, por que tinha finalmente um cachorro.

Por estarmos nas proximidades, não demorou até que o automóvel chegasse em seu destino, Steve parou o carro no estacionamento da faculdade, então se virou para me contar a sua história, visto que era a vez do mesmo.

— Buck quem me fez beber pela primeira vez. — o encarei animada com a história que se seguiria. Semicerrei os olhos na direção do herói, que sorriu brevemente. — A princípio, eu neguei, mas James podia ser bem convincente quando queria... — Steve mostrou-se saudoso ao falar do amigo. — Então eu fui, apenas para que ele parasse de insistir, nós bebemos e eu quase achei divertido, até um grupo nem um pouco amigável provocar James... nós levamos uma surra e fomos todos expulsos pelos donos. — eu sorri ao vê-lo sorrir, lembrando-se do amigo. — Enfim, a noite se encerrou com um arrastando ao outro, e eu havia bebido apenas dois copos de Chopp. — Rogers admitiu, sorrindo. — No dia seguinte, prometi nunca mais sair para beber.

— Você cumpriu? — perguntei curiosamente.

— Sim, até Buck ser sequestrado pela Hidra.

Com a cabeça encostada no banco, eu observei a expressão serena do homem.

— Você irá encontrá-lo. — falei.

Rogers assentiu, e eu tive a certeza de que ele jamais desistiria do amigo. Steve então ergueu as sobrancelhas, e me indagou:

— Pronta?

Sorri ao responder:

— Sim.

Saímos do carro e eu me agarrei ao braço dele, sentindo um pequeno frio na barriga enquanto eu andava.

— Se eu tropeçar, me segura. — brinquei, querendo que ele o fizesse caso aquilo realmente acontecesse.

Steve afagou minha mão, lançando-me um olhar reconfortante:

— Eu não vou te deixar cair. — me prometeu.

Passamos por dois seguranças na porta, que liberaram nossa passagem ao analisar os convites que eu entreguei. Ao entrarmos, um salão enorme, com luzes piscantes e música dançante nos recebeu.

Sorri aliviada quando ninguém voltou seu olhar para a gente, animados demais com sua própria euforia.

— A voz cantando esta música é semelhante a de Jarvis. — Steve comentou em meu ouvido, e eu prestei atenção em "I'mma be", rindo logo depois.

— É um efeito artificial. — expliquei, enquanto seguíamos em direção a um lugar mais calmo, onde eu já podia avistar uma certa pessoa. — É música eletrônica. — completei, e encarei o homem, interessada no que ele achava da música.

— É... — Steve franziu a testa, sem saber o que dizer, e isso o tornou incrivelmente atraente.

Afe!

Tudo em Steve é atraente.

Ouvimos um grito e então, bum! Não tive tempo de reagir e eu teria caído no chão se Steve não tivesse me segurado.

— Lúcia. — resmunguei, afastando-me da garota, franzindo as sobrancelhas, mas rindo em seguida. — Louca.

— Sofya... — Keint riu, e somente pelo olhar pude notar que ela tava, literalmente, louca. — Caraca, você está nota 10, gata! — me elogiou, risonha. Depois, Lúcia fixou seu olhar em Steve ao meu lado, abrindo a boca, surpresa, para logo voltar a me olhar com uma expressão séria. — Entendi tudinho. — e piscou pra mim, rindo. — Prazer, Lúcia. — se apresentou a um Steve perdido.

Poisé, Lúcia pode parecer doidinha sóbria, bêbada então....

— Eu e Lúcia somos da mesma sala. — expliquei.

Steve a cumprimentou cordialmente, reconhecendo o olhar bêbado da garota. Lúcia nos levou até a mesa onde disse estar reserva para nós, e encontramos nela; Cloe, Carl, Miles e... a última garota eu não reconheci, mas minha mente trabalhou bem rápido e eu logo pude discernir quem era.

Entendi também o porquê da bebedeira. Ai, Lúcia...

— Ela parece...

— Louca. — completei a frase de Steve, com um sorriso.

— Arrasada.

Suspirei fundo, reconhecendo a perspicácia de Steve ao notar a situação, mesmo sem saber.

— O cara que ela gosta está na festa acompanhando de outra. — eu expliquei, baixinho e Steve maneou a cabeça. — Ela não vai parar. — pensei alto, respirando pesadamente.

Encarei a minha volta procurando pela bendita, que já desapareceu como fumaça, e a encontrei vindo para a mesa, sorridente, — e para o bem dela. — sem nenhum copo na mão. Aquilo me aliviou um pouco mais, ainda sim, mandei um olhar para Steve que assentiu entendo-me, murmurei "um minuto" antes de me levantar de meu lugar e ir até a garota, desviando de uma pessoa no caminho.

— Luci... — eu a chamei, ouvindo-a exclamar meu nome. — Você não tá bem. — eu disse, olhando seriamente nos olhos.

Lúcia fez um biquinho, sabendo do que eu falava, e me encarou:

— Eu estou muito bem.

Se tem uma coisa que aprendi com ela, é que Lúcia jamais admitirá que ver Miles Jackson com a tal garota, a magoava, assim como ela nunca admitiu gostar dele.

— Eu sei que você gosta do M...

— Não quero falar sobre isso.

— Não faz isso consigo mesma. — eu pedi, preocupada. Beber inconsequente é algo horrível, eu sei, eu vivi e passei por um tempo difícil. Não quero que qualquer outra pessoa passe pelo que passei.

Tomar um drink e outro? Okay.

Agora, beber de forma desenfreada já não é o tipo de coisa que se faz, muito menos por um cara. E, a princípio,
pode doer ter que passar por uma situação a seco, mas às vezes a dor precisa ser sentida.

Lúcia pôs as mãos sobre meus ombros, olhando dentro dos meus olhos:

— Parei, sério. — afirmou, quando lhe lancei um olhar desacreditado. — Nem passei pelo bar. Tá vendo algum copo na minha mão?

— Sem brincadeira...

— Tô falando sério. — Lúcia afirmou e me soltou, dando um tapinha em meu braço ao sorrir. — Agora... — ela fez uma pausa. — Para de me encher o saco. — Mandou, e eu abri a boca para protestar contra a ingrata, mas ela se apressou em continuar. — E vai dançar com o seu par. — mandou, fazendo eu revirar os olhos, sorrindo. — Amiga, ele tá tão na sua. — Keint falou, e olhou por sobre meu ombro. Então piscou para mim, empurrando-me em direção a mesa onde Steve me esperava. Sorri para ele que retribuiu o gesto.

Ao chegarmos a mesa, Lúcia sentou em seu lugar encarando Christian com um sorriso.

Respirei fundo ao voltar-me para Steve, que me observava atentamente. Olhei para a pista de dança, para aquele grupo de pessoas e então... me aproximei, sentando-me ao seu lado.

— Está tudo bem? — Steve perguntou.

— Estará... — afirmei, então sorri. — Dança comigo? — eu pedi, próxima ao seu ouvido.

— Eletrónica? — ele perguntou com o rosto colado no meu, rindo.

Sorri, e me concentrei:

— Vai começar uma música muito boa... — falei. — Em 3, 2... — O toque calmo da introdução do piano de "You Are The Reason" encheu o lugar. Mordi meu lábio e estendi minha mão.

Steve sorriu e levantou-se de seu lugar, então me levou até o centro da pista.

Pela primeira vez, não me importei com quem nos assistia, naquele momento, existia apenas Steve e eu, e mesmo quando os casais tomaram conta do lugar, eu ainda sentia apenas a presença de Steve.

Encostei-me nele e sua mão apertou minha cintura, nós nos olhamos e eu soube que meu coração explodiria, tamanho o sentimento que eu nutria pelo homem, e não me afetei com o fato de meus sentimentos estarem apurados por consequências de meus poderes. Tudo que eu quis foi sentir aquela coisa boa, quis amar Steve como nunca amei um homem em toda a minha vida.

Amá-lo.

I'd climb every mountain. And swim every ocean. Just to be with you. — cantei baixinho.

Respirei fundo, encostando meu rosto no seu, confusa e com medo, medo de perder o que Steve me proporciona, medo de perdê-lo.

Lembrei-me de algo que ouvi certa vez:

"Você tem que dançar como se não houvesse ninguém te observando, amar como se nunca tivesse sofrido, cantar como se ninguém estivesse ouvindo e viver como se o paraíso fosse na terra."

Me senti satisfeita comigo mesma por estar no centro daquela pista, com a pessoa que eu gosto, ignorando todos os meus medos e relutâncias. Fechei meus olhos, mais uma vez, e permaneci em silêncio, não havia necessidade de palavras. Steve também ficou calado, e acredito que ele compartilhava deste mesmo pensamento.

Ficamos assim, até a música se encerrar, dando-nos a oportunidade de sorrir um para o outro.

Ri um pouco ao elogiar Steve:

— Você dança muito bem.

— É minha primeira vez. — o homem revelou baixinho. Encarei Steve, surpresa com o que ele disse.

— Sinto-me privilegiada. — admiti com um sorriso, segurando em seus braços. Nós nós demoramos no olhar um do outro, até as pessoas começaram a lotar a pista, quando algo mais agitado passou a tocar. Então Steve e eu tivemos que nos retirar. Contudo, por cima do som da música, o de briga se sobressaiu. E quando notamos que a confusão vinha de onde nós estávamos, antes, não tivemos outra reação a não ser nos apressar em alcançar ao local.

Eu já sabendo de quem se tratava.

Encontrei Lucia Keint sendo amparada por Cloe White, enquanto Christian afastava Miles Jackson da minha amiga, com brusquidão.

— Droga. — me apressei até a garota, que permaneceu caída, mostrando apenas um olhar desnorteado. — Merda, Luci. — resmunguei.

As pessoas se aglomeravam ao notarem a discussão dos garotos, e eu mal tive tempo de piscar quando Miles falou algo que fez Black se lançar contra ele. As pessoas gritaram, e eu estava prestes a mandar todos para um lugar nenhum pouco agradável, quando Steve afastou os caras, logo após Christian acertar um soco no rosto de Miles Jackson.

— Chega... — Rogers ordenou. Black e Jackson olharam o homem, mas Steve nada fez além de encará-los seriamente. — A discussão acabou. — afirmou, em um tom que não dava brechas para argumentos. — Já podem voltar para a festa. — avisou, severamente, ao restante das pessoas que cercavam os dois, e eu sorri.

Voltei-me para a situação de Keint, ouvindo algumas garotas comentar coisas sobre o Rogers, coisas que eu preferi ignorar.

Foco, Sofya.

— Lúcia... — eu chamei, encostando as mãos em seus cabelos.

— Me larga! — resmungou, com a voz embolada, e eu franzi as sobrancelhas levantando o olhar para encarar Steve.

Cristian, do outro lado, olhou-nos preocupado e falou:

— Ela ta descontrolada. — explicou, sem saber o que fazer. — Desde o começo da festa e eu não sei o porquê. — continuou.

Afe! Agora que o cara vai ficar preocupado?

— Aparentemente, sabe sim, dando uma de macho alfa quando deveria ajudá-la! — eu critiquei, e o idiota teve a decência de parecer envergonhado.

— Ela não tá nada bem. — murmurou Cloe, com uma careta.

Sério, gênia? Nem notei.

Suspirei, e notei uma expressão nada boa na cara da Keint.

— Acho melhor levarmos ela ao banheiro. — opinei, e Christian se voluntariou para levá-la, mas não deixei. Por fim, foi Steve quem a carregou, enquanto o cara ficou encarregado de ligar ao irmão de Lúcia, para que o mesmo viesse buscá-la.

Indiquei o caminho ao Rogers e Cloe ficou para trás — vou falar nada.

— Ele me odeia. — ouvi a morena resmungar.

— Lúcia. — toquei sua cabeça, e a garota fungou, sem se mexer. Existem muito tipo de bêbados: os que ficam felizes, os violentos, tristes, chorosos, mas a bebida simplesmente derruba Lúcia Keint, acredite, nunca vi um bêbado tão quieto como ela.

O que é uma festa sem uma boa discussão? Pensei comigo mesma, olhando a Keint de vez em quando, enquanto caminhávamos pelos corredores vazios.

— Noite agitada, hum?. — dei voz aos meus pensamentos. — Fugimos de um restaurante, comemos Hot Dog, dançamos, estamos cuidando de minha amiga bêbada e você ainda apartou uma briga de universitários babacas. — falei. — Quando foi que imaginamos que a noite seria desta forma? — terminei, erguendo uma sombrancelha, Steve me olhou e sorriu.

— Bom... eu realmente nunca imaginei que um dia fugiria de um restaurante.

— Não. — evitei rir. — Steve Rogers está me zuando? — eu perguntei, apenas para ter certeza.

Steve abriu um sorriso suave:

— Convivência.

Neguei com um manear e sorri. Não demorou até alcançarmos o banheiro feminino e após Steve deixar Lúcia lá dentro, ele nos deu espaço, nos esperando do lado de fora, enquanto eu cuidava de uma bêbada.

— Luci. — chamei e ela resmungou. — O que? — me aproximei, para entendê-la.

— Eu... — Lúcia abriu os olhos com a face pálida, pondo as mãos sobre a boca, ameaçando vomitar.

Corri para ajudá-la chegar até o vaso sanitário, em um time perfeito, e Lúcia iniciou o processo de jogar as tripas pra fora. Depois, ela permaneceu de olhos fechados, encostada na parede do banheiro, resmungando alguma coisa incompreensível para mim.

Suspirei e fui em busca de papel toalha para limpar a blusa da garota, sentindo uma dor de cabeça se iniciar, incomodando-me.

Peguei um bocado de papel e molhei um pouco, me virei e dei um passo na direção da Lúcia, quando a dor se intensificou. Pus as mãos sobre minha testa, subitamente, perdendo a respiração.

Mas o que... Senti minha vista pesar e encostei-me na pia, abaixando-me lentamente até estar no chão.

A dor aumentou e eu ofeguei.

Pensei em chamar por Steve, mas já era tarde demais. Segundos depois e eu já estava apagada.

Abri meus olhos, mas pisquei diversas vezes antes de mantê-los abertos. Pus as mãos sobre minha cabeça, agora sem nenhum sinal da dor que me atormentou segundos atrás.

O zunido em meu ouvido deixou-me alheia aos movimentos ao meu redor, e minha vista embaçada me impossibilitou de ver o que me cercava.

Respirei pesadamente, e levantei do chão me esforçando a enxergar por onde eu caminhava, parei, e pude então discernir onde estava, era um corredor que dá diretamente no campo de jogos. Por fim, concluo que estou bem longe do banheiro, onde eu estava instantes atrás, ainda sim, começo a correr em direção ao salão, tendo uma sensação ruim, uma necessidade de me afastar daquele lugar.

Como vim parar aqui? Não consegui encontrar razão para minha breve amnésia.

Senti meu coração bater desesperadamente em meu peito conforme corri, mas quando virei em um corredor, tive a ciência de que não havia saído do lugar. Parei com os olhos arregalados, vendo uma sombra tomar forma mais a frente.

— Quem é você? — eu perguntei alto, sentindo a adrenalina tomar conta do meu sistema.

— Alguém que quer te ajudar. — respondeu, e seu tom de voz foi imediatamente reconhecido por mim.

— Espera... Christian Black? — perguntei, sem entender merda nenhuma. Aquele famoso alarme soando em minha mente, dizendo-me para me afastar.

— Olá, Sofya.

Olhei à minha volta, então voltei-me para o Black.

— Foi você quem me trouxe para aqui. — adivinhei, dando um passo para trás quando ele deu um para frente.

— De certa forma, sim.

Eu sabia! Meu subconsciente gritou, fazendo-me recordar da primeira impressão que tive em relação ao Black. Eu não entendi exatamente o que era aquela sensação, mas havia algo nele que me... eu não sei.

— Não importa. — falei, impaciente. — Eu vou embora.

Virei-me para voltar, e tomei um susto quando bati de frente com uma parede, onde antes, havia um enorme corredor.

— Que porra! — exclamei, dando um passo para trás, evitando pôr a mão sobre a minha cabeça quando ela voltou a latejar. — O que você é? — perguntei, em seguida.

— Sou como você.

Revirei meus olhos e dei um passo à frente, nervosa com a situação pra lá de inusitada.

— Para com essa merda, seja o...

— Será que você pode se acalmar para que eu possa me explicar?

Abri minha boca, sem acreditar na audácia da pessoa, mas me calei. Christian suspirou, e somente assim pude notar sua face cansada, no entanto, não me comovi.

— Sei que por muito tempo você acreditou que seus poderes são consequências da explosão em Central City. — franzi o cenho, muito incomodada. Como ele sabe sobre aquilo? Perguntei-me. E por que está trazendo este assunto a tona? — Mas não é.

Balancei a cabeça, sem acreditar nas palavras dele.

— Onde estou? Por que eu não consigo lembrar de nada? — eu perguntei, desconfiada até com a sombra dele.

Christian Black aproximou-se, e desta vez, eu permaneci parada.

— Não há nada que lembrar. — respondeu, irritando-me. Ele quer uma chance para se explicar, mas fica enrolando. Bufei, mentalmente. — Eu não estou enrolando. — minha cabeça latejou e eu dei um passo para trás, surpresa.

— Você....

— Sim, eu também leio mentes, eu disse: sou como você. — afirmou com segurança. E uma pequena parte de mim, tentou encaixar a possibilidade de existir pessoas com poderes semelhantes aos meus. — Respondendo a sua indagação anterior, você permanece no mesmo lugar, no banheiro. — respondeu, então abriu os braços para o ambiente ao nosso redor. — Todo esse cenário não passa de um fruto de imaginação, dentro da sua mente.

— Impossível.

— Normalmente... — ele continuou, ignorando minha descrença. — É muito mais fácil entrar na mente das pessoas, até mesmo de um dos nossos, mas você... — Black me olhou, como se eu fosse um enigma difícil de ser solucionado. — ... Sua mãe fez um ótimo trabalho bloqueando sua mente.

Balancei a cabeça, sem entender, sentindo minha respiração acelerar conforme as palavras dele invadiam minha mente.

— Isso não faz sentido.

— Presta atenção no que irei te dizer, Sofya. — Christian Black, ordenou. — Você tem uma escolha, mas eu te observei o bastante para afirmar que você jamais abandonaria sua família. Porém, eu afirmo, você precisa fugir. — Stalker? O pensamento sarcástico se apossou de minha mente, tentando desanuviar minha confusão e temor. Ele pareceu ignorar minha provocação mental, ou não à ouviu.

— Eu ouvi. — respondeu-me, e eu me remexi agoniada.

— Por que está dizendo isso? Por que está tentando me ajudar? Fugir do quê? — o bombardeei com minhas indagações.

Cristian aproximou-se um pouco mais, o que me fez ficar tensa com a proximidade indesejada.

— Desculpe. — pediu envergonhado, afastando-se. Meu rosto esquentou tamanha minha irritação. Agora entendo a situação de Barry quando eu fazia o mesmo.

— Pare de ler minha mente. — mandei, irritada.

— Não posso, pois estou dentro de seu subconsciente... somente desta forma que eu pude te contatar em segurança.

— O que é tão perigoso? — eu perguntei, cansada daquela situação. Ele diz dez palavras e se formam mais vinte perguntas em minha mente! Pensei, esperando que ele ouvisse aquele pensamento impaciente.

Christian Black abriu a boca para me responder, mas parou no meio do caminho, franzindo a sobrancelhas e olhando-me logo em seguida.

— Nosso tempo acabou. — ele avisou, Black então ultrapassou todo o espaço que nos separava e me olhou, pondo as mãos sobre meus ombros. — Me encontre na Primeira Avenida, número 2098. — falou. — E então eu lhe darei as respostas que precisa.

— O que... — tentei dizer alguma coisa, mas ele já havia desaparecido.

Me virei, procurando pelo Black.

E ofeguei ao levantar do chão do banheiro, confusa, assustada e com o endereço que ele me deu martelando em minha mente.

Que diabos aconteceu aqui?!

Notas finais
*I'd climb every mountain Eu escalaria todas as montanhas *And swim every ocean E nadaria todos os oceanos *Just to be with you Apenas para estar com você Alguém entendeu alguma coisa, ou estão tão confusos como Sofya? KKKKK! Vocês estão gostando? Comente, diga o que está achando. Até à próxima, galera. Beijos seus lindos. SaahAlyne