O tempo todo isso foi uma febre

Uma pessoa crédula, nervosa e impulsiva

Eu joguei minhas mãos para o alto e disse: Mostre-me alguma coisa

Ele disse: Se você se atreve, chegue mais perto

Rihanna (feat. Mikky Ekko) — Stay

Dois dias depois

Observei aqueles números rasurados na folha, embaralhados e sem lógica alguma. Eles apenas não significavam nada para mim, não quando minha mente encontrava-se em outro lugar. Ajeitei meu corpo na cadeira e franzi as sobrancelhas, em uma expressão pensativa, sem qualquer ligação com a importante prova de cálculos que eu deveria estar fazendo, neste instante. Meus pensamentos embaralhados variam entre o hoje e a noite retrasada.

Aquele endereço ainda soando em minha mente.

Ouço o barulho dos passos de algumas pessoas, encaminhando-se e entregando as provas ao Mr. Fitz, enquanto eu permaneci ali, sem ter resolvido nenhuma questão. Suspirei me esforçando e respondendo questão por questão, com minha mente fervilhando em relação aquele maldito endereço. Me encontre na Primeira Avenida, número 2098. A voz de Christian Black soou em minha mente. Bufei estressada e mais a frente, na mesa do professor, uma lâmpada estourou. O mesmo deu um pulo de seu lugar e os alunos próximos a mesa afastaram-se com o susto. Senti uma enxaqueca se iniciar e suspirei, abaixando a cabeça, pressionando meus olhos e mantendo-os fechados.

Respire.

Inspire.

Depois, olhei minha prova incompleta e levantei de minha cadeira. Juntei minhas coisas, desci as escadas o mais rápido que pude e deixei a folha sobre a mesa do professor. Sai da sala sem dar quaisquer explicações ao olhar indagador que Mr. Fitz me lançou.

Caminhei apressadamente, esperando que meu passo ligeiro me levasse rapidamente ao meu destino. Mesmo que minha ação destemida não se compare a indecisão que me assola internamente.

— Senhorita Stark! — ouvi uma voz me chamar. Olhei para trás, mas não parei em meu caminho. — Senhorita Stark! — Mr. Fitz me alcançou parando ao meu lado, parei, interrompendo minha caminhada. — Está tudo bem?

Franzi o cenho, aborrecida. No entanto, o respondi educadamente:

— Senhor Fitz. — o comprimentei. — Estou bem, muito obrigada. — assenti, passando minhas mãos suadas sobre o tecido de meu sobretudo.

— Notei que não terminou sua prova. — ergui minhas sobrancelhas, tentando entender aonde aquele homem queria chegar. — É uma prova importante, está será nossa última aula…

— Acredito que minhas notas são boas o bastante para que não haja necessidade para sua preocupação. — retruquei, ansiosa e impaciente com a impertinência do professor.

— É… bom… sim, hmm. — ele assentiu envergonhado. — Acho que não a peguei em bom momento, não é mesmo? Talvez possamos marcar um horário para conversarmos com mais calma... — retiro o que pensei. Envergonhado uma ova!

— O que direi ao senhor, pode ser inesperado. — avisei, sorrindo sarcasticamente. — Mas meu nome não é Aria, seu nome não é Ezra e eu não sou obrigada a aturar isso. — pronunciei, lentamente. — De toda forma, obrigada pela preocupação. — agradeci com desdenho.

Me virei e continuei meu caminho, ignorando o olhar embasbacado que o professor me lançou. Bufei. Nem com Ezra Fitz o cara parece, e acha que pode usar o sobrenome a seu belprazer.

Sonha, querido.

Não demorou para que um táxi parasse no ponto em frente ao portão da faculdade. Entrei já indicado endereço ao motorista e ele logo tomou o caminho indicado. A situação anterior com o Fitz desapareceu de minha mente. Abaixei-me, novamente, respirando fundo.

— Alguém que quer te ajudar

— Sei que por muito tempo você acreditou que seus poderes são consequências da explosão em Central City, mas não é.

Eu não havia contado a ninguém sobre o ocorrido de dias atrás, nem a Steve e muito menos ao meu pai. Mas nenhum dos dois são tolos, tenho noção de que ambos desconfiam que algo tenha acontecido.

Enquanto me levava de volta para casa, após deixarmos uma Lúcia bêbada com seu irmão mais velho, Steve notou meu silêncio e perguntou-me se estava bem. Eu respondi que sim, omitindo a verdade sobre o que aconteceu naquele banheiro.

Eu sei, eu sei… eu prometi que ia parar de esconder as coisas, mas para ser sincera, eu ainda não consigo entender completamente o que me sobreveio, há muitas peças perdidas e eu preciso encontrá-las para encaixá-las e então, entender todo contexto. Não posso, simplesmente, jogar a bomba quando nem eu sei seu limite de alcance! O que eu diria? Ah, um carinha entrou na minha mente e me mandou fugir… do que? Quem sabe! Ah! E não podemos esquecer que ele me pediu para encontrá-lo em um endereço… fora que o maluco vem stalkeando minha vida há…. não sei, meses? Poisé, interessante, não?

Eu ainda estou tentando processar o fato de haver outro alguém com poderes idênticos aos meus, então como eu diria algo do tipo? Eu não consigo digerir o pouco que sei!

Suspiro.

Enfim, não sei o que Steve pensou, não sei o achou, se cogitou a possibilidade deu estar mentindo, mas ele não me pressionou, Rogers me deu meu espaço e eu me apaixonei um pouco mais pela pessoa maravilhosa que ele é.

Já meu pai...

Tony, ao contrário, tirou conclusões precipitadas logo no dia seguinte, — impulsivo, como sempre. — ao me ver calada e pensativa.

Ele pensou… bom… que Steve e eu… vocês sabem…

Eu ri de sua idéia e para calá-lo, falei:

— Você jamais saberá quando Steve e eu fizermos sexo. — o expus a verdade, provocando-o bastante para irritar o grande Tony Stark. Minha frase fez meu se calar, sem evitar uma careta. Acho que ele tentou expulsar qualquer idéia de sua filhinha com um homem. Sinceramente, esse foi o momento mais engraçado do meu dia, ri muitíssimo.

O carro parou em frente a um prédio, sua estrutura encontrava-se acabada e suas paredes descascadas.

— Esse é o número 2096? — em dúvida, perguntei ao motorista.

— Sim, senhorita. — confirmou e eu ergui minhas sobrancelhas. Em seguida, agradeci ao senhor, ocupando o banco do motorista, e lhe entreguei o valor da corrida. Sai do automóvel observando ao meu redor e segurei minha bolsa a frente do meu corpo, olhando o edifício desconfiadamente.

O carro amarelo se foi e eu respirei fundo o ar gelado de New York, que já nos dava o gostinho de natal, com seus enfeites e piscas piscas. Caminhei na direção da propriedade, desejando voltar para o aconchego de meu lar.

Não sei se estou preparada para o que posso descobrir.

No entanto, naquela noite, Christian Black citou minha mãe e foi esse o motivo que me fez vir até aqui. A sensação de que ele sabe algo sobre Lígia Denova.

Sua mãe fez um ótimo trabalho bloqueando sua mente. Ela também era como eu? Se sim, por que nunca me contou? Por que não me impediu de machucá-la? Todas aquelas indagações pulavam de minha, perturbando-me. Paro em frente ao portão do prédio, abro e entro. Dou uma última olhada nas redondezas antes de avançar para dentro do lugar.

A porta levou-me a uma espécie de galpão, dei dois passos a frente e eles ecoaram.

— Black? — chamei, sentindo-me como uma protagonista de Supernatural. Sabe? Aquela que morre no começo do episódio.

Volta que ainda dá tempo. Minha mente avisou, fiquei disposta a ouvi-la, mas já era tarde demais.

Minha mente explodiu, — somente assim poderei descrever o que senti. — tamanha a dor que me atingiu, cai de joelhos com as mãos sobre a cabeça.

Instantes depois e eu meus olhos abriam, espiando meu derredor. A dor desapareceu vagarosamente. Levantei-me, constatando ainda estar no mesmo lugar, porém, desta vez, sei o que me ocorreu. Foi então que o vi sentado em uma mesa que não existia antes dele invadir minha mente. Senti a irritação me atingir e eu caminhei em direção ao imbecil.

— Por que fez isso? — ralhei na direção de Christian Black, no entanto, ele apenas me olhou mansamente, sem parecer afetado com minha irritação. Idiota. — Se iria fazer isso, por que me trouxe até aqui?!

— Alguns segredos têm que ser guardados a sete chaves. — disse. — O local é seguro, mas sua mente é muito mais. Portanto, aqui estamos. — explicou, indiferente a invasão que fizera.

Franzi o cenho e troquei o peso da perna.

— Não havia ninguém me seguindo.

— Não, — concordou. — Mas eu prefiro me prevenir.

Seu cuidado em proteger a informação que me seria entregue, não diminuiu minha indignação com a violação em minha mente.

— Não é minha intenção causar seu desconforto. — Black se justificou agora parecendo envergonhado. Franzi o cenho. — Estou apen…

— Okay. — eu o interrompi, sem querer ouvir suas desculpas. — Não é necessário um discurso culpado, eu vim por que eu preciso de respostas. — fui direto ao ponto.

Christian me encarou por alguns instantes, sua expressão era indecifrável, por fim, ele desviou o olhar assentindo com um sorriso sem humor.

— Certo, pergunte. — falou, cruzando as pernas e olhando-me atentamente.

Pisquei os olhos um pouco surpresa por ele ter cedido tão facilmente. Eu realmente pensei que ele tentaria me enrolar. Desconfiada, investiguei a face engomadinha do Black e captei uma micro expressão ansiosa em seu olhar.

— Você está nervoso.

— Estou aqui contra as ordens de meus superiores. — respondeu-me em um tom de voz tenso. — Acredite, eles não gostam de vazamento de informações, não quando há uma peça tão importante em jogo.

— E o que seria essa peça?

Black sorriu sarcasticamente:

— Você. — disse. Encarei seus olhos, tentando enxergar a mentira expressa, mas não encontrei nada além de sinceridade. E normalmente, eu sou boa com essas coisas. Dei um passo para trás, negando com um manear.

— Por que eu seria tão importante? — perguntei nervosamente. — É por causa da explosão? Por causa do meu pai?

Black suspirou:

— Sabe a quanto tempo estou te vigiando, Sofya? Anos. — confessou. Senti meu corpo tensionado, o fato de vir encontrá-lo não mudando em nada minha ideia de não confiar nele. Porém, meu anseio por respostas é muito maior. — Nós... — ele iniciou. — Temos te vigiando por um bom tempo, Sofya.

— Se é assim, por que me contatou somente agora? — o indaguei, cética.

— Perdemos seu rastro a tempos atrás, meus superiores ficaram muito irritados… até mandaram reforços. — Black explicou, insatisfeito. — Então... você apareceu na TV. — Black ergueu as sobrancelhas ironicamente. — Não foi difícil encontrá-la depois. Contratamos um serviço para trazê-la até nós, sem que precisássemos intervir, mas o contratado não compriu com o acordo...

— Quem? — o cortei.

— Aldrich Killian.

Mas que merda! Quando eu penso que nada mais me surpreende, me vem uma bomba dessas. Deste modo, veio à minha mente a lembrança do assumido Mandarim, lembro-me dele comentar algo sobre eles, sobre alguém interessado em mim. Aparentemente, eu estava errada ao imaginar que a Hidra estivesse por trás daquilo.

— Hidra? — Black desdenhou.

O encarei incomodada com a invasão, mas nada falei.

— Eles me atacaram.

— Eles não são os mais educados, obviamente que atacaria qualquer um em seu caminho, você estava. Nós conversamos antes de atacar.

— É por isso que veio? Para conversar e me convencer a seja lá o que querem de mim? — eu perguntei, tentando compreender. Preparando-me para o caso da resposta dele ser afirmativa.

Ao contrário do que pensei, Cristian bufou:

— Escutou o que eu disse a você? — permaneci com o olhar firme, esperando uma resposta. Black revirou os olhos. — Não, eu não estou aqui para te sequestrar ou qualquer uma das possibilidades que passou por sua mente desconfiada. Estou tentando te ajudar, Sofya, olha… — ele suspirou. — Sei de suas desconfianças, mas sua presença nesse universo causou medo em algumas pessoas, e o medo nos leva a fazer coisas inimagináveis. — ele suspirou. — Eu assisti meu povo fazer coisas ruins à pessoas inocentes, é por isso que estou aqui… o que eles estão fazendo para chegar até você, não é certo. Eu não concordo, muita gente não concorda.

— Isso está soando como um motim. — comentei, tensa.

— Por que é. — respondeu.

— Você quer que eu me prepare para uma guerra. — deduzi, um tanto nervosa com a situação.

— Não, eu quero que fuja conosco assim como sua mãe o fez anos atrás. — arregalei meus olhos com surpresa. — O que acha que Lígia Denova fazia mudando-se tanto? — prendi minha respiração, sentindo meu coração bater um pouco mais rápido.

— O trabalho….

— Não. Havia. Trabalho. — Black disse lentamente olhando-me fixamente. Neguei com um manear, mesmo sabendo que aquelas eram as respostas que eu tanto almejei. Abri a boca, mas nenhum som saiu. As lembranças de cada mudança passando por minha mente. Eu as sentia ali em minhas lembranças, mas estavam enevoadas com a passagem do tempo. — Você me entende? — perguntou, como seu eu fosse uma criancinha burra, que não sabe de merda nenhuma. E eu realmente não sei, mas isso não o dá direito para me olhar desta forma.

Fuzilei o Black com o olhar, sentindo-me fadigada com a informação dada. Respirei fundo, me acalmando e focando no que é importante.

— Por que minha mãe estava fugindo? — perguntei em um fio de voz. Christian Black olhou-me atentamente e eu permaneci com os presos aos deles, ordenando que me respondesse.

— Sua mãe, eu, você. Nós não pertencemos a este mundo.

— O que! Agora eu sou um E.T? — ri com desdém, lançando-lhe um sorriso zombador.

— Bom, de certa forma, você é.

Encarei sua face, esperando por uma risada que não veio.

— Qual é! Você tá achando mesmo que eu vou acreditar nisso!? — me exaltei, cansada de toda essa merda. — Quer saber! Me manda de volta para a minha mente, anda Don Cobb! Cansei. — gritei, andando de um lado ao outro. Senti minha mão temer e a segurei com a outra.

Respira...

Christian Black não faz o que mandei, ele apenas suspira lentamente, passando a mão sobre os fios escuros de sua cabeça:

— Somos de um universo chamado Terra Inicial ou Terra 0, como preferir — parei em meu lugar e ele continuou, visto que havia conseguido minha atenção, novamente. — É bem parecido com esse. — acenou ao nosso redor. — Sua mãe nasceu lá. — abri a boca para negar, mas ele não me deixou falar. — Grande maioria do nosso povo tem habilidades psíquicas. Sua mãe não foi diferente, mas ela era um pouco mais habilidosa que a grande maioria.

— Por que? — perguntei-lhe quase sem voz, meu coração se apertando conforme ele dizia cada palavra. Eu não posso acreditar, não pode ser verdade, não pode… Dizia a mim mesma em meu íntimo, no entanto, quanto mais o Black falava, mais suas palavras penetravam minha mente sem chances de saírem. Seus olhos eram sinceros demais.

— Em todos os universos existentes, há poucas pessoas capazes de alterar os destinos, de retornar no tempo ou mudar de uma realidade a outra. E há uma porcentagem ainda menor, de alguém ter a capacidade de ter todas as habilidades anteriores, no entanto, sua mãe era uma delas. — explicou-me, atento a cada ação minha. Não havia necessidade, meu corpo permaneceria pregado no lugar. Eu mal conseguia respirar… — Ela logo foi notada por nossos superiores, no início de sua adolescência, em seguida, recrutada para trabalhar a serviço da Corte Inicial. É de lá que vem todas as ordens. — explicou. — Ninguém reparou quando ela começou a viajar entre as realidades, mas notaram quando ela planejou fugir. Lígia havia engravidado de alguém de outra realidade. — Black anunciou com um semblante sério.

— Suponho que tenha sido um ato grave. — murmurei.

— Grave? — ele me olhou com um sorriso cínico. — Sua mãe foi caçada, a Corte Inicial ordenou que nossos melhores soldados fossem atrás dela, nenhum a encontrou, dois nunca voltaram. — Christian balançou a cabeça. — Sua mãe sabia o que fariam caso a encontrassem, por isso, estava preparada. — ergui meu olhar para encontrar o dele.

— O que fariam? — ele não respondeu. — O que fariam caso a encontrassem? — insisti, Black me olhou envergonhado, e sua expressão disse mais que mil palavras. — Sério? — eu ri, sem acreditar. — Achei que fossem civilizados. — desdenhei, muito irritada.

— É como eu disse, Sofya. As pessoas fazem coisas horríveis quando estão com medo.

— Medo de quê? De mim? — ri ainda mais alto. Acredito soei um tanto histérica, mas não me importei com o olhar sério que o engomadinho me lançou. — Eu nem tenho controle sobre meus poderes. — ergui os braços.

— E é por isso que eles a temem. — disse sério. — Uma só pessoa não devia ter tanto poder. — respondeu automaticamente, como se ouvisse aquilo todos os dias. Encarei ele cismada. — Mesmo eles ainda estando presos pela barreira que Lígia fez….

Sua mãe fez um ótimo trabalho...

— Epa, epa, epa! — interrompi. — O que quer dizer com essa barreira? Naquela noite, você disse que minha mãe havia feito um ótimo trabalho. O que minha mãe fez comigo?

— Existe sempre a possibilidade dos filhos herdar os poderes dos pais, muitos em nosso mundo não tem essa chance, mas você herdou, assim como sua mãe herdou dos pais dela.

— Hereditário. — comentei. — Okay, eu não sou uma trouxa. — ri, sem humor. — Então, por que eu nunca os usei antes de Central City?

— Sua mãe. — respondeu. — Ela prendeu seus poderes dentro de você. Leva tempo, esforço e concentração, mas é como eu disse. Lígia Denova sempre foi muito talentosa.

— Minha mãe deu uma de Jocelyn Fray e me escondeu os poderes para me proteger. — disse, mas meu tom soou com uma pergunta.

— Basicamente. Sua mente está bloqueada, fica impossível encontrá-la. — explicou-me a atitude de minha mãe. — Isso te impossibilitou de usar esses poderes por um bom tempo, mas também impediu a Corte de te encontrar.…

— Até a explosão. — completei, sentindo peça por peça se unir em minha mente.

Black assentiu, sorrindo para mim:

— A explosão não te deu poderes, Sofya. — Christian disse, aparentemente, incentivado ao ver que eu acreditava em suas palavras. — Apenas os apuraram, mas você já os tinha dentro de você o tempo todo. Esse descontrole emocional… — Black acenou em minha direção. — Não é nada além do que você lutando. Lígia Denova criou uma barreira aí dentro e sua mente tem feito um esforço significativo ao deter tanto poder.

Black parou por um momento, deixando que minha pobre mente, já cansada, trabalhasse um pouco mais.

— Entende o que quero te dizer? — Black se levantou, aproximando-se de mim. Eu permaneci parada, tentando…. Meu Deus! - Meu povo acredita que sua presença nesse universo tem causado algumas consequências que podem acarretar em problemas, futuramente. Por isso eles a querem e vão fazer o que for preciso para tê-la. Esse é o motivo de sua mãe fugir, Sofya. E é por isso que você precisa fazer o mesmo… — senti suas mãos sobre meu ombros, pressionando-me.

Neguei com a cabeça, afastando-me de Christian e andando para longe dele. Eu sou um E.T. Fiquei pensando. Eu sou um E.T. E pensando. Eu sou um E.T. E pensando.

Puta merda! Eu sou um E.T.

Eu acredito no Black, eu acredito em cada palavra que ele disse. Abaixei-me, tentando puxar ar para meus pulmões. Havia descoberto tantas coisas. Pensei em seu aviso, no que ele disse sobre fugir.

Fugir? Deixar meu pai e Pepper para trás? Deixar Steve?

Fora de questão!

— Você estava certo quando falou que eu não abandonaria minha família. — comentei, calmamente, fingindo que não havia uma luta ocorrendo dentro de mim.

— Eu esperava que os fatos a fizesse mudar de idéia.

— Sinto muito. — falei, secando uma lágrima fujona, em seguida, virando-me para olhar em seu rosto.

— Sofya, reconsidere. — Black me pediu, notando que eu já tomara uma decisão. — Nem você, nem ninguém pode derrotar a Corte… — falou lentamente, mas neguei. — Eu me arrisquei em vir aqui somente para avisar e sabe o porquê?! — explodiu. — Por que me importo com você. — estranhei aquela frase. Mal o conheço… — Não me importo. — rebateu.

Franzi as sobrancelhas e ergui meus lábios em um sorriso sem humor.

— Eu não vou fugir. — anunciei. — Já fugi por tempo demais, não vou mais fazê-lo.

— Vocês não vão conseguir. — Christian avisou em uma expressão derrotada.

— Eu prefiro arriscar. — refutei, determinada. Escondendo o medo que deu-me ao ouvir suas palavras.

Nos encaramos por um longo tempo. Black suspirou.

— Você não vai mudar de idéia, não é mesmo?

— Não.

Christian fechou os olhos, por um instante, então os abriu com pesar.

— Estaremos de olho. — me comunicou. — Te avisarei caso algo mude. — falou, voltando a me olhar sério, com seu jeito engomadinho.

Ainda acho estranho toda a bondade grátuita vinda dele, mas nada falei.

— Nossos pais eram amigos. — falou com um sorriso.

— Quê?

— Minha bondade grátuita. — repetiu. Me senti envergonhada, ainda sim, tentei não deixar a emoção transparecer. Okay, esqueci que ele pode ler minha mente.

— O que isso tem a ver com você? — decidi dar voz aos meus pensamentos, ao invés de esperar ele responder qualquer coisa que viesse em minha mente.

— Foi ele quem a ajudou fugir da Corte Inicial. — ergui minhas sobrancelhas. Não soube o que dizer, mais dúvidas apareceram. Eu agradecia ele?

Christian Black deu de ombros:

— Não é necessário. — olhou-me seriamente e franziu as sombrancelhas. — Aqui… caso mude de idéia. — me entregou um pequeno cartão com um endereço. — Chame por Caius. — Black segurou minha mão, por um instante, antes de me soltar, dando um passo para trás e acenando com a cabeça. — Estarei aguardando, caso mude de idéia Sofya.

— Não vou. — respondi. Ele sorriu desanimado, antes de desaparecer.

Abri os olhos e encontrei-me caída no chão do local. Me levantei batendo nas roupas, ao tempo que eu repassava tudo o que me foi dito.

Eu sou um E.T. Minha mente repetiu.

Notas finais
Hey! Tudo bom? O que vocês acharam deste capítulo? Sofya, de novo, guardando segredos. (ai ai, Sofya) Sofya E.T? (Kjkjkj) Vote e comente, galera! Até a próxima. Beijos seus lindos. SaahAlyne