NEW STARK | the avengers [1] ✓
57 Antes que eu vá
Notas iniciais
E eu costumo fechar meus olhos quando dói, às vezes
Eu caio em seus braços
Eu estarei a salvo em seu som até eu voltar
Lewis Capaldi — Someone You Loved
FINAL 1/2
TUM. TUM. TUM.
Meu coração batia tão acelerado que era possível eu ouvi-lo nos meus ouvidos como uma britadeira. Totalmente desgovernado. Pulando tão forte que imaginei o momento em que ele saltaria garganta a fora. Não havia mais civis no local, o que me permitiu sentir, sem dúvida alguma, seis deles aguardando no lado de fora, todavia, sabendo que poderia haver um número ainda maior esperando a uma distância que eu não poderia sentir. Talvez uma tentativa de nos surpreender, novamente.
Droga.
Eu sempre soube que ninguém... Ninguém está sempre cem por cento preparado para tudo. Como quando você sai preparado para um dia ensolarado e no fim da tarde é pego de surpresa por uma tempestade. Ou quando é surpreendido por alguma revelação de uma pessoa em quem tinha plena confiança. Uma traição, uma mentira. Um segredo muito bem escondido. Acredite, eu sei como é. Cada uma de nossas decisões são constantemente tomadas numa esperança de estar um passo a frente do que nos espera no minuto seguinte, sendo que não temos a possibilidade de sabê-lo, realmente. E isso inclui a mim e aos que me cercam, que mesmo com seus poderes e forças especiais... bom — é uma merda dizer isso —; mas, eles também não estão insentos de ser pegos em uma emboscada. Uma hora ou outra algo vai acontecer sem que você espere.
É um fato que está sendo provado de uma maneira não muito legal. Por que eu sabia. Sabia que o povo de minha mãe era quem me esperava no lado de fora.
Senti um nervosismo estranho no meu estômago.
Havia uma diferença entre lutar contra uma organização nazista e, aparentemente, meu próprio povo que parece querer assassinar-me apenas por eu existir. Olha, tem dias que é difícil ser eu, viu. Eu não sei o que esperar desses desconhecidos. Não sei suas fraquezas ou poderes. São como eu? Fico imaginando se querem me torturar, prender. Até "ontem", eles ao menos existiam e então... bum!
— Estão nos cercando — Steve murmurou sua suposição, puxando o corpo do homem que me atacou para longe da porta e prendendo-o sobre uma mesa. Oh, certo, tinha esse cívil — Temos que ir agora ou não saimos mais.
— Vão estar nos esperando.
— Bem, então lutaremos — ele diz. Eu balanço a cabeça em concordância e confiro a munição da arma que a pouco tempo foi usada para me ameaçar — Esteja preparada.
— Eu estou — digo. Solto a trava ouvindo seu click e aceno para irmos, estressada demais para dizer mais que isso. Sua mão encontra meu antebraço e Steve dá um aperto firme e seguro. Seu calor me dá forças o suficiente para continuar — Bem que eu estranhei esses últimos dias estarem tranquilos demais — ironizo e Steve abre um sorriso.
— Eu disse para não falar, sempre trás azar — ele murmura e adrentamos a cozinha do restaurante.
Há panelas ainda ao fogo e um cheiro de queimado impregna o ar. Passo por uma bancada com alguns doces em potes com a decoração incompleta e resisto a vontade de comer alguns.
— Não imaginei que você fosse um homem supersticioso, querido.
— Com o mundo que te cerca e você ainda é tão cética, Sofya. Deveria saber melhor.
Dou de ombros e aponto um corredor curto, onde no fim dele há uma porta com a palavra 'exit' piscando em letras vermelhas brilhantes. Steve e eu trocamos um olhar e eu o paro em meio ao seu passo com a mão em seu peito. Steve me encara e eu peço para esperar enquanto me concentro no lado de fora.
— Nao sinto nada, algo está me bloqueando — digo, franzindo o cenho. — Provável que seja uma emboscada, talvez devêssemos apenas sair pela porta da frente e surpreendê-los.
— Muito movimento na frente, um civil pode ser pego no fogo cruzado — Steve balança a cabeça negando.
Ele parece pensar e chegar a uma conclusão. Seu semblante me dá uma pequena previa de seus pensamentos e eu sei que não vou gastar nadinha deles.
— Eu sairei primeiro.
— De forma alguma. Saímos juntos e eu criarei um escudo a nossa volta. Você ainda não é a prova de balas — Steve suspira franzindo as sobrancelhas — Estou melhor nisso — insisto e dou-lhe um olhar de quem não vai desistir.
— Irei na frente — e ele não parece aberto a uma discussão sobre isso, então confirmo.
Eu abro a porta e Steve sai comigo logo em seu encalço. O cheiro ruim que exala da caçamba de lixo a minha esquerda me faz enrugar o nariz. Do restaurante, caímos em um beco parcialmente escurecido pela sombra que as contruções a volta fazia, sendo a única claridade a luz do sol logo acima das nossas cabecas. Sinto uma pressão contra a minha mente quando reconheço a tentativa de ataque contra o meu escudo. Reforço meu controle mental e apresso a caminhada para fora do beco estreito quando eles surgem do nada. Talvez tenham encontrado algum guarda-roupa. Deixo de lado aquele pensamento sarcástico e abro um sorriso para o grupo de pessoas que nos espera
Três de um lado e três de outro. Como se esconderam de mim? Me pergunto. Steve e eu imediatamente ficamos de costas um para o outro e eu ergo a minha arma.
Uma mulher mal encarada de cabelos escuros dá um passo a frente:
— Sofya Den...
Aperto o gatilho. Meu primeiro tiro interrompe o que a mulher desconhecida tinha a dizer para mim. Ela cai no chão, gritando com as mãos sobre o buraco em sua perna. O líquido escarlate rapidamente se torna uma poça no chão. O cheiro de pólvora e sangue se sobressai.
— Foi mal, eu não consegui te ouvir, o que tinha a me dizer? — indago com um sorrisinho que admito ser demasiado maldoso.
Meu primeiro tiro também inicia a luta.
Tudo se torna um borrão. Os dois colegas aparentemente furiosos partem para a violência e eu luto com tudo de mim. A adrenalina correndo pela minha veia faz tudo correr mais devagar enquanto eu antecipo cada movimento dos meus inimigos. Dou um soco na cara de um e chuto o peito de outro em um giro de noventa graus. Ele bate com a cabeça em algum lugar pois vejo seu corpo cair como um saco vazio. Eu não os conhecia, mas eles vieram até mim e usaram um pobre homem para me levar. Me atacaram dentro de um restaurante cheio de civis e, sendo bastante sincera, eu não acredito que era apenas para gente bater um papinho. Seja como for, eu não facilitaria para esses idiotas.
Steve segura a beira de uma caçamba de lixo quando ela é arrastada contra ele. A coisa de ferro para e o herói manda ela de volta, o que apenas resulta numa grande merda gigante retornado em nossa direção. Distraio-me e meu coração quase para vendo a coisa enorme girar e girar no ar como se a droga do tempo tivesse parado. Steve é lançando contra a parede do restaurante por uma força invisível, enquanto, tarde demais, percebo que a caçamba atravessou minha barreira. Eu ergo a mão parando-a no ar e a jogo para o lado. A caçamba bate numa parede e a destrói completamente caindo dentro do que eu imaginei ser uma casa. Torço que não haja ninguém lá.
Filhos da puta! Eu paguejo mentalmente quando também sou jogada pra longe. Um dor aguda sobe pela minha espinha e eu ofego.
— Que boca suja para alguém tão jovem — um homem negro alto e marombado comenta ao aproximar-se. O canto da sua boca está vermelha com o seu sangue e eu o fito com meu melhor olhar debochado.
A mulher em quem eu atirei está encostada na parede, a cara pálida, mas me encara com uma fúria tão intensa que eu não duvido de que ela pularia em cima de mim se tivesse oportunidade para tal. Seu outro parceiro de cabelos negros como penas de um corvo mantém-se afastado e concentrado. Percebo ser ele o responsável em me manter imóvel. O que eu desacordei continua caído no chão e não consigo ver os outros. Imagino que Steve tenha dado um jeito nos idiotas. Sinto uma onda de raiva me atingir e grunho quando bato contra uma força invisível e incrivelmente resistente prendendo o meu. O homem ofega e me encara com olhos arregalados. Tento novamente e não consigo nada além de uma enxaqueca brava. Três tentativas depois, eu paro o ataque e início uma sondagem no seu aperto invisível sobre minha mente, buscando uma brecha, uma saída.
— Steve? — chamo quando tento e falho na tentativa de virar o rosto.
— Estou aqui, estou bem! E você?
— Bem, embora agradavelmente presa. Essa parede não parece tão desconfortável quanto eu pensava, eu poderia relaxar aqui por alguns minutos antes de voltar a chutar algumas bundas.
— E ela é bem humorada — o marombado e aparentemente o líder do bando, sorri — Gosto disso, você tem essa expressão meio rebelde, parece o tipo que dá problema. Acho que seu namorado bonitão pode tirar essa minha duvida. Ela é esquentada, né querido?
Steve nada diz e eu não preciso olhar em seu rosto para saber que ele mantinha aquela expressão fechada e inexpressiva que pude precenciar muitas vezes antes.
— Amor, acho que ele tá dando em cima de você — dou uma risada fraca, ainda puta da vida.
— Não é de jogar fora — o marombado rebate com uma risada, impertubável.
— Cara, não me magoe desse jeito, você vai me fazer acreditar que vieram por ele e não por mim — dou mais um sorriso ladino e a mulher na parede bufa como um touro bravo — Você está bem, querida? Parece meio pálida.
— Sua vadiazinha de... — ela ergue a mão e é parada em meio ao ato. O homem de pele negra a encara sério.
— Quem são vocês? — é a primeira vez que meu herói se pronuncia, seu tom de voz baixo, firme e intimidante me acalma e meu coração pula uma batida. Eu sabia que ele estava furioso e gostaria de poder olhar em seus olhos apenas para ver a promessa de uma tempestade atravéz de suas íris azuis.
— Caramba, que falta de educação a minha! — o marombado sorri, despreocupado — Me chame de Jon — ele se apresenta como se fosse corriqueiro conversar com alguém preso a uma parede. Talvez fosse... — A garota em quem você atirou, querida... — Jon pausa para me encarar — É a Trix.
— Prazer em conhecê-la, Trix — abro um sorriso forçado e encaro a perna ensanguentada. Trix rosna.
Jon ri, divertido:
— Gosto de você, quer que eu apresente o que está atualmente mantendo esse aperto firme em vocês? Sim? Bom, diga oi Ito.
O homem de cabelos de corvo apenas acena.
— Ele não é muito comunicativo — Jon comenta, com ar de desculpa. Então apenas eles estavam de pé. Penso, satisfeita — Não se preocupe, nós três podemos fazer um bom estrago — eu enrijeço e começo a cantar uma música mentalmente — Foi mal pelo tumulto, mas precisávamos tirar você lá de dentro — ele me olha sorrindo, enquanto continuo a cantar Time After Time na minha mente — Assuntos assim eles gostam que sejam resolvidos sem platéia e eu supus que vocês não colocariam a vida de nenhum inocente em risto, foi uma jogada arriscada, eu sei, mas as coisas que eu ouvi sobre você... — aponta Steve e dá de ombros e ele não precisava dizer mais nada — E você... Digo, Ito é um prodígio, mas falaram que Sofya Denova era uma espécime rara então eu vim preparado — Jon me olha, sorrindo novamente — Deixe eu apenas dizer, eu esperava um pouco mais de resistência, estou decepcionado.
— Não fique, você ainda não me capturou.
Sua risada alta me irrita e eu me debato, forçando minha mente novamente contra aquela parede sólida e invisível. Nem uma maldita brecha. Desgraçado.
— O que querem com Sofya?
— Eu nada e pessoalmente sou contra essa merda dos filhos pagarem pelos erros dos pais, mas você, minha linda, é a excessão quando me oferecem um bilhão pela sua cabeça intacta.
— Quem!? — esbravejei, batendo de novo contra o aperto mental. Precisava ganhar tempo, fazer eles falarem.
Ito franziu a sombrancelha e vi sua testa brilhar com suor. Eu vou acabar com você, imbecil. Enviei as palavras, forçando-as contra sua mente. Vi quando seu peito subiu e ele respirou fundo e mais uma onda de dor atingiu na minha cabeça. Droga! Enquanto isso, Jon continuava seu monólogo que provavelmente não iria a lugar algum e Steve respondia algo de volta. Ele ganhava tempo e eu empurrava e empurrava, forçando meu poder contra o do outro.
— Você está enrolando.
Foco novamente na conversa quando escuto Steve acusar. Apesar do tom calmo, há algo tenso na sua voz. Algo que não posso distinguir. Paro subitamente e observo o rosto de Jon mudar num segundo. Apenas um segundo que pude ver atravéz de sua máscara. Nervosismo. Ansiedade. E então tudo se foi e ele estava sorrindo, novamente. Mas eu já tinha visto através da sua máscara, no entanto. Um sentimento estranho apossou-se de mim.
— Tem alguém vindo — deduzo num sussuro agudo.
— Solte-nos! Haja com honra e solte-nos. Me enfrente! — Steve ordenou.
— Não é nada pessoal, Capitão América, mas não estou aqui para brigar, muito menos você. Essa luta não é sua e não há nada que nenhum de vocês possa fazer para deter o inevitável.
Me agito fora do normal como se um instinto me avisasse para correr. Comecei a ofegar e soube, naquele momento eu soube o que estava para acontecer. De novo, não. Não! Calma, se acalma Sofya. Respira, insp...
— Steve! — gritei, tentando me contorcer mesmo com o meu corpo sendo mantido parado e duro contra a parede.
— Sofya! — ele disse e pude notar sua preocupação.
— Eu não vou... — parei para respirar fundo — Não consigo me controlar!
Era como se cada átomo... cada molécula residente em meu corpo avisasse e implorasse apenas uma maldita coisa: fuja.
E aconteceu.
E então eu era como uma força da natureza. Inevitável, como Jon havia dito. Minha cabeça explodiu como se dezenas de milhares de fogos de artifícios tivessem sido acendidos aqui dentro, no mesmo momento que eu desencadeio algo novo e semelhantemente conhecido. Como magia, por melhor das palavras. Ao invés de forçar meu poder com minha vontade, eu o liberei por completo em uma onda de explosão como um furacão que se alastrou e implodiu. Jon pôde apenas arregalar os olhos antes de ser atirado e comprimido contra aquela força. Por Deus, eu senti saudade de me sentir desta forma. A familiaridade era quase dolorosa.
Tudo se reduziu a nada e eu era invencível.
Quando parou, eu caí no chão sobre os meus joelhos e mãos. A força do meu poder ainda me oprimindo enquanto ofegava angustiada. Não sei dizer quando minha consciência retornou. Cínco segundos? Dez minutos? Uma hora? Eu não saberia dizer quando tempo fiquei ali sem forças de, ao menos, reagir. Como diabos eu pude fazer isso mais uma vez? Foi como... como uma... eu não saberia explicar. Ergui o rosto e olhei ao meu redor. Tudo em torno de aproximadamente vinte metros, cálculo, está destruído. Tusso com a poeira que invade meus pulmões e minha pele está acinzentada do cascalho que cai sobre o meu rosto, proveniente da destruição que conduzi com aquela explosão de poder. Caída dentro da cratera aberta no chão — acho que resultado do escudo de proteção que eu inconcientemente realizei, uma vez que não há um arranhão sob o meu corpo —, eu somente consigo pensar em como não consegui evitar que isso ocorresse, mais uma vez.
A culpa veio primeiro.
Lembro-me da última vez que isso me ocorreu, em que eu perdi o controle. Em minha casa na cidade de Central City. Minha mãe brigando comigo. Eu gritando com ela. Sua decepção e, então, eu em meio aos escombros chamando por ela.
Tento fazer meu treinamento de respiração, porém, engasgo com o ar poluído. Droga!
Escuto um gemido baixo ao longe, mas estou presa demais nas lembranças. Recordações que me marcam ainda que eu não tenha sido a autora da morte de minha mãe. Ela não está morta. Tenho de me lembrar, no mesmo instante que outro gemido um pouco mais alto me tira daquela névoa de culpa. Portanto, assim veio a determinação. Pensa, Sofya. Você precisa raciocinar e deixar de lado suas emoções. Não chore, não sofra, não mostre, ainda não, ainda não. Você terá tempo para isso depois.
Balanço a cabeça em concordância comigo mesma. Deixo de me martirizar e ergo-me do chão. Eu encontro um corpo coberto por uma parede de tijolo minutos depois. Uma pele acizentada como a minha é tudo o que vejo, a princípio. No entanto, não preciso de muito para ser capaz de saber não ser Steve ali. É Jon. Ele estava próximo de mim quando eu literalmente explodi. Seu peito sobe em uma respiração lenta e ele solta uma tosse seca ao tempo que seus olhos se abrem um pouco para me encarar. Olhando-o de perto, da para ver o tom de seus olhos, são castanhos, contudo, mais escuros do que o meu. E suas íris expressam nada além de assombro e dor. Agacho-me ao me aproximar e observo sua situação com cautela e hesitação. Torno a fita-lo quando escuto sua voz foi rouca:
— Vai ficar me olhando, garota? Tira esse negócio de cima de mim.
Sou pega de surpresa pela brusquidez em seu tom fraco. Bem, bem.
— Você parece um tanto exigente pra alguém que depende de mim.
— Sim, bem, eu não estou conseguindo me concentrar o bastante para fazer isso eu mesmo — ele grunhiu e seu rosto franziu numa careta de dor — Você me pôs nessa situação, vai me deixar para morrer, Sofya Denova?
Escondo o abalar da sua tentativa de me culpar, pois há somente um pensamento na minha cabeça. Steve. Ele era a única pessoa que me importava.
— Você não vai morrer — aviso, levantando do chão e acenando com a mão enquanto levitava o peso de cima de Jon. Ele tenta me capturar e eu salvo sua pele depois de quase matá-lo. Piada. Jogo a parede no buraco de onde eu saí e depois de conferir seu estado, viro-me para ir embora. Dois passos depois. — Steve? — chamei.
— Ei, espera, vai me deixar aqui?
Estalo um osso quando giro o pescoço para o lado e encaro o homem — que estava disposto a me entregar a alguém que poderia fazer qualquer coisa comigo em troca de dinheiro — num misto de increduidade e impaciência. Bufei, assistindo ele se levantar lentamente.
— Você vai viver — e tudo que digo antes de deixar ele para trás, ignorando seus chamados e avisos de que eu não poderia fugir para sempre.
Que se foda. O amor da minha vida pode estar machucado por algo que eu causei, então nada mais importa. Continuo em frente e chamo Steve mais uma vez. Não recebo nenhuma resposta e apreensiva, eu começo a me desesperar.
— Steve! — grito e tropeço em um pedregulho fazendo-me desequilibrar e cair. Sinto a pele da minha palma se rasgar, mas não me importo — Steve! — chamo seu nome com mais fervor e fecho os olhos, tentando encontrar sua mente. — Meu Deus, por favor... — murmuro apavorada, imaginando seu corpo caído.
Ele morto. Minha culpa. Eu não suportaria passar por isso mais uma vez. Não suportaria. Não posso perder mais ninguém. Steve sabe se cuidar, ele é forte. Sobreviveu anos congelado. Steve sabe se cuidar, ele é forte. Respira... Repito isso em um loop infinito, até que me levanto num pulo quando encontro fragmentos de pensamentos e corro tropeçando entre os entulhos, seguindo a impressão da sua voz misturando-se a outros dois pensamentos. Bloqueio todo o resto e foco apenas nele.
— Steve! — exclamo alcançando uma montanha, por assim dizer, de entulho.
— Aqui em baixo!
— Droga! — resmungo, nervosa.
Começo atirar as pedras maiores para longe sem olhar em que direção elas vão, desesperada e irracional. Portanto, paro o serviço tolo e finalmente raciocínio. Levito metade dos pedregulhos jogando-os para a esquerda. Faço isso mais vezes do que posso contar. Estava quase lá quando um buraco parece se abrir e ele pula para o lado de fora enquanto o que restou dos escombros é sugado para dentro como um buraco negro.
Não vejo mais nada antes de pular em cima de Steve e me permito quebrar, sentir. Solto um soluço quando seus braços me rodeam.
— M-me perdoa, eu perdi o controle. E-eu n-não consegui... Você se machucou? É tudo minha culpa, desculpa Steve... — nem percebo que estou chorando até sentir sua mão passando pelo meu rosto, secando minhas lágrimas e beijando minha testa amorosamente antes de me abraçar mais uma vez e soltar.
— Eu sei, está tudo bem...
— Não Steve, você poderia ter se machucado! Morrido! E-eu não lembrava de ser tão destrutiva assim, não deveria estar usando meus poderes. É isso que acontece quando eu os uso, destruo tudo. Machuco as pessoas.
— Meu amor, olhe pra mim — Steve pede, mas continuei a balbuciar sobre aquilo ser minha culpa. Agora que o tinha encontrado, todo o peso estava sobre mim. As casas próximas dali tinham sido destruídas. Talvez inocentes tenham se machucado. O barulho do caminhão de bombeiro podia ser ouvido de longe e eu sabia que logo esse lugar estaria cheio de gente — Sofya — insistiu firmemente — Olhe para mim — Eu o encarei e ele me olhou sério — Você não é má — eu discordava — Não digo que é perfeita — retruca, como se tivesse lido a minha mente. — Estou dizendo que você não é uma pessoa que faz mal a alguém intencionalmente, o que houve foi um acidente e acidentes acontecem. E isso não é sua culpa. Agora, se parar de usar seus poderes por estar com medo, então você nunca irá confiar em si mesma. Vamos dar um jeito nisso. Treinar para que isso não se repita. Agora temos Wanda e seus poderes são semelhantes — continuou, uma de suas mãos que encontrava-se presa em meu rosto acariciou minha bochecha e desceu até parar em meu pescoço — Vamos dar um jeito nisso — repetiu — Como sempre fazemos. Juntos.
Meus olhos se encherem de mais lágrimas e as senti escorrer pela minha bochecha. Eu assenti lentamente com a cabeça, enquanto fungava.
— Tá beleza — sussurro.
— Bom — Steve acena com a cabeça e ergue o rosto para olhar ao redor. Ele estava sendo forte por mim, mas eu via sua preocupação. Não somente pela ameaça a mim, mas pela possibilidade de eu também ser uma. A primeira vez que eu desencadeei esse poder eu derrubei toda uma casa. Agora eu quase destruí um quarteirão. O que será da próxima vez que eu perder o controle? — Temos que ir, seja quem for que esteja vindo não queremos estar aqui para conhecer ainda — balancei a cabeça — Contactei Natasha no restaurante assim que as coisas ficaram estranhas, ela já deve estar a caminho, vamos encontrá-la.
— Você ainda está aqui comigo, Steve? — a insegurança e medo me faz indagar.
Eu queria gritar ao tempo que desejava deitar em posição fetal, em silêncio. Eu queria chorar e bater em alguma coisa. Eu queria um abraço ao mesmo momento que ansiava um abraço apertado. Eu não gostava de sentir aquela fragilidade, mas estava tudo muito confuso dentro de mim.
— Eu ainda estou aqui — Steve afirmou, me puxando para um abraço.
Eu me senti segura.
***
— Eu vou ficar bem, pai. Só respira, okay?
Estava sentada em frente a penteadeira, encarando meu reflexo com o cenho franzido. Mesmo limpa de toda a sujeira, eu simplesmente não consigo deixar de lado o que aconteceu. O sentimento nervoso que me atingiu antes de explodir. Foi... medo. Medo puro e aterrador. Não me surpreende que meu poder tenha respondido daquele jeito. Ele responde a mim quando o que eu sinto é demais e eu sempre sinto muito. Se fico muito nervosa, as coisas voam pelo ambiente, quebram ou acontece como o que ocorreu. Normalmente, consigo me segurar, mas não foi o caso de hoje.
— Você pode repetir essa frase muitas vezes se tiver vontade, não estou acreditando em você, garota.
Stark resmunga mal humorado e não evito o suspiro cansado.
— Caramba, você me tem em tão baixa conta — desdenhar é minha única reação e meu pai me repreende rosnando meu nome em um aviso.
Sei que ele está preocupado apenas pelo tom tenso de sua voz, mas o que eu posso falar ou dizer? Não dá pra ficar choramingando, não mais. Quero dizer, eu chorei o bastante para encher um poço no Saara, — o que, é lógico, ninguém precisa saber — mas, uma hora a gente tem que parar e seguir em frente. Havia um problema muito maior a vista. Muito maior do que meus sentimentos. Eu tinha que seguir em frente por que é assim que as coisas são, por que não sou eu que perdeu um familiar em uma explosão desconhecida, por que eu era a réu e não a vítima, por que remorso não mudaria nada.
— Deixou a Pepper aí, né? — Tony dá uma resposta afirmativa e eu suspiro mais uma vez — Sinto muito por estragar o momento de vocês.
— Eu sabia que você deveria ter vindo conosco, filha — o tom brevemente leve na sua voz me avisa de um futuro comentário espertinho — Você não consegue ficar algumas horas sem arrumar um problema, little mouse.
— Por favor, Tony, se você nunca mais me chamar assim, ainda será muito cedo — bufo, mas sinto meus lábios erguendo-se em um sorriso fechado, uma sensação de nostálgia. Stark ri do outro lado. Atravéz do espelho assisto uma silhueta masculina passar pela porta do quarto — Pai, vou desligar, me avisa quando chegar?
— Tá, vou estar com o celular na mão o tempo todo, me ligue caso algo aconteça.
— Okay.
— E liga para Pepper, ela me mandou umas duzentas mensagens com o seu nome.
Assinto séria mesmo que ele não veja. Steve se aproxima, inclina o corpo e beija minha tempora. Levanto o rosto e quando ele vai beijar minha boca, eu o faço primeiro e beijo seu rosto. Meus lábios escovam sua mandíbula crespa pelos indícios de sua barba ameaçando crescer e eu desfruto dessa sensação, rapidamente. Repuxo os lábios num sorriso quando meu namorando me fita com a sobrancelha franzida e eu torno a me olhar no espelho.
— Eu conversei com ela antes de ligar pra você.
— Como assim antes de falar comigo? — ele me parece indignado — Eu não sou uma prioridade?
Eu ergo minhas sobrancelhas, suspirando para o drama Stark. Deuses, sou assim também?
— Ela me ligou antes que eu pudesse falar com você, Tony.
— Eu sou seu pai...
— Acredite em mim, eu sei, o mundo inteiro sabe que você é meu pai, Tony — reviro os olhos e Steve sorri de lado como se imaginasse o rumo daquela conversa — E como um pai zeloso que é, você vai deixar sua adorável filha descansar após um ataque traumatizante contra a vida dela — penso se exagerei, mas Tony finalmente me libera e eu respiro fundo quando a chamada é encerrada após mais alguns avisos — Tony acabou de entrar no jatinho e disse que chega em cinco horas — murmuro casualmente.
— Natasha e os outros já estão a par da situação — eu assenti, levemente incomodada — Clint também está a caminho.
Deixo a escova de cabelo sobre a penteadeira e giro para encarar Steve sentado a beirada da que deveria ser a minha cama.
— Barton? — repeti a informação em uma pergunta retórica, mas Steve confirmou com um acenar. Eu suspirei. — Ele não estava aproveitando a aposentadoria com a família e o novo gavião jr?
— Não quando um amigo está em perigo e você é amiga dele, Sofya — meu namorado afirmou sério e eu franzi a sobrancelha e desviei o olhar.
— Tanto faz — balancei os ombros e tornei a virar para organizar os poucos produtos que eu retirei de minha mala. Eu nem tive tempo de tirar as coisas da mala. Ainda bem que eu não trouxe tanta roupa, posso comprar algumas peças...
— Sofya — ouvi seu suspiro e ergui o meu rosto quando Steve se levantou e caminhou até mim. Ele forçou minha cadeira para o lado para se acomodar na minha frente. Não dava para o evitar assim, então o encarei — Meu amor.
— Sim?
— Fala comigo.
Não entendi aonde ele queria chegar... Tá okay, eu entendi sim, apenas fingi que não. Eu sou boa nisso, sempre fui e normalmente as pessoas acreditam em mim, mas meu pai e Pepper são muito bons em ler atravéz da minha mentira e agora, Steve também.
— O que, Steve? Não tenho muito a dizer.
— Você sempre tem algo a dizer — apontou, sorrindo fraco.
— Não desta vez.
E era verdade. Eu estava vazia de idéias. Eu apenas conseguia pensar nos últimos acontecimentos e em como eu não queria mais pensar neles. Meus pensamentos estavam uma desordem.
— Entendo — Steve me olhou, então segurou minha mão e beijou meu pulso — Saiba que estou aqui por você, todos estamos.
— É.
— O que? — Steve deu-me um olhar.
— Quê? Nada! — ergui o canto dos lábios e Steve continuou om aquele olhar intenso a ponto de eu precisar desviar meu olhar. Eu sentia meu dutos lacrimais molharem, então arrumei uma forma de espantar aquilo de mim — Estou com fome! — exclamei, jogando o corpo para trás e consequentemente levando a cadeira junto. Ela fez um barulho incômodo e alto ao arrastar no chão, mas não me importei. Levantei e Steve me acompanhou — Vi um bolo na geladeira. Seja de quem for, eu estou indo o surrupiar — abri um sorriso.
Não vou muito longe quando sua mão prende-se em meu antebraço e outra na minha cintura. Steve me puxa de volta e eu bato contra seu peito.
— Não faça isso.
— Fazer o que, Steve?
— Você não quer conversar, respeito isso, mas não tente mentir para mim. Não finja, não comigo.
— Steve...
— Nós fomos atacados. Coisas aconteceram e eu ouvi você assistindo as reportagens do que aconteceu no centro — ele afirma e eu não digo nada, apenas encaro o homem com o cenho franzido. — Foi ruim, apenas... Não finja que não sente nada. Quando triste, deixe-me eu tentar ajudar, não esconda e sofra calada, amor. Eu peço isso — disse num sussurro e eu respirei fundo.
— Como você mesmo afirmou, eu perdi o controle e machuquei pessoas. Te machuquei, Steve. Então, desculpe se esse não é meu assunto preferido.
Ele me olha em silêncio e então balança a cabeça.
— Você não me machucou e mesmo que o tivesse feito, eu sei q...
Bufo enquanto observo ele tentar me defender de mim mesma.
— Não importa, Steve — eu interrompo — Eu fiz o suficiente! Sou uma bomba relógio e sei que isso te assusta também!
— Por que eu me preocupo com você, não temo por minha vida, Sofya — ele devolve incomodado.
Eu dou risada do absurdo enquanto balanço a cabeça:
— Isso é ainda pior.
— O que? Ter pessoas que se preocupam contigo? — Steve me olha impaciente.
Respiro fundo e tento engolir o nó preso na minha garganta.
— Não deveriam ter avisado Barton — digo, me desvencilhando de seu aperto e lhe dando as costas para sair do quarto. Clint de volta era realmente um incômodo, bastava Tony. Na teoria, ter amigos e família para lutar por você parece muito bom, mas quando você começa a perder as pessoas na qual se importa, a história muda e eu sentia que as coisas iam acabar mal. E meu sexto sentido normalmente não erra — Ele pode facilmente se tornar um dano colateral. Não somente ele, se formos pensar...
Tento não me abalar com o olhar que Steve me lança. Eu estava soltando essas palavras e, não nego, era o que eu temia realmente, mas eu também sabia que aquilo atingiria, magoaria meu herói...
Dito e feito.
Steve respirou fundo e murmurou:
— Olha o que você está dizendo... — ele balançou a cabeça, irritado — Você se esquece que já enfrentamos coisas piores, Sofya. Meses atrás tínhamos um robô afim de destruir o mundo e vencemos! Clint e Natasha passaram por problema maiores antes dos Vingadores, eu passei! Não somos brinquedos que você rejeita quando se cansa — ele foi duro.
Suas palavras bateram pesado como um soco no estômago. E a forma como ele interpretou o que eu disse, não há como julga-lo quando meu tom afiado deu a entender, a princípio. Desviei meu olhar das iris azuis não querendo ver os sentimentos que ali residiam.
— Estou dizendo o que eu sinto, não era o que você queria, Steve? — pisco os olhos encarando um ponto na parede — Eu te disse, não quero falar nisso por que eu tô pensando em cada merda que pode rolar, e eu só quero... — dou um suspiro quando paro em meio a frase — Comer meu bolo antes que alguém tenha o mesmo pensamento, okay? — volto-me para Steve com um sorriso desagradável, me batendo mentalmente ao assistir sua expressão decepcionada.
Eu sou uma idiota.
— Faça o que quiser. É que você sempre faz, Sofya. E eu nunca lhe impedi, não irei começar agora — ele diz baixo e eu dou de ombros e afastando-me o mais rápido que posso. Mas Steve aparentemente não tinha terminado ainda: — Então, afaste-se de mim. Continue seu show por que eu não estou fazendo parte disso — ele parece frustrado, mas seu tom de voz permanece baixo. Eu paro com a mão na maçaneta — Eu disse que passaríamos por isso juntos, mas não posso fazer nada quando é você quem está dando as costas e se acorvardando ao deixar o medo te consumir. Outra vez.
Puxo o ar de uma só vez e sei que Steve conseguiu me irritar quando eu retorno para ele de uma vez. Eu estava preocupada, droga, e talvez não estivesse reagindo da melhor maneira, mas ele supor que eu...
Que diabos...!
— Acovardando? — trinco os dentes, maneio a cabeça e reviro os olhos numa falsa expressão sarcástica — Deus! Eu não posso nem comer um bolo!
— Não importa! — ele imita de um jeito tão... sarcástico, que minha irritação atinge um nível anormal. Ouço o som de algo trincando, mas eu mal me atento a isso e Steve também não se importa. Na verdade, agora é ele quem caminha em direção a porta e eu sinto meu coração literalmente parar quando percebo que ele está indo embora.
— Não importa? — eu indago quando as posições se invertem. Desta vez, é o Rogers quem está de costa com a mão na maçaneta da porta.
De alguma forma mesquinha e egoísta, eu esperava que Steve tentasse me entender e... Que não desistisse. Por que eu sou chata e idiota e consigo magoar as pessoas que amo, mas agora com ele indo embora, eu literalmente sinto meu sangue parar de correr pela minha corrente sanguínea. Então, meu coração torna a bater forte e rápido que quase machuca minha caixa torácica enquanto aguardo Steve responder. Espero que ele não vá embora. Que não desista ainda do ser confuso que eu sou. Porra, num minuto o estou afastando e em outro desejando que não me deixe. Você entrou numa grande confusão, não é, lindo? Eu sou problemática demais para você?
Assisto enquanto seus ombros sobem e descem quando ele suspira.
— Quando você trabalhou com Fury, eu me desculpei por que admito que estava errado também. Então, depois que foi atacada na noite do baile e não me disse nada, eu te dei espaço e aceitei seu desejo de permanecer calada mesmo quando você se encontrou com um desconhecido sozinha! — e ele parecia realmente chateado — Sabendo dos riscos, Sofya! E eu fiquei um tempo tentando entender o por que de você não ter falado com ninguém, sabe — ele divaga e eu respiro fundo, piscando os olhos para espantar as lágrimas — Quando sua mãe apareceu e você não quis conversar comigo, eu te entendi. Ela era um assunto delicado e triste, você não estava preparada para tal. Eu passei por cima disso pois não queria te pressionar e fingi que estava tudo bem, por você, por te querer bem e te amar — então, Steve finalmente me encara. E o misto de sentimentos que transpareciam através dos seus olhos quase me fazem engasgar — Mas eu não sou assim, não sou de fingir que as coisas estão bem quando obviamente não estão. É você que nunca permitiu eu me aproximar.
— O que você quer, Steve? Quer que eu chore em cada canto desse complexo reclamando da minha vida, que eu haja...
— Você sabe que não é isso que estou pedindo — ele balança a cabeça e se aproxima de mim até eu ter as suas duas mãos presas em cada lado do meu rosto — Olhe para mim, sou eu — murmura, mais calmo — Sou eu aqui, Sofya. É perfeitamente plausível não querer contar a ninguém como se sente, mas comigo... Não precisa ser assim. Não me afaste, é isso que estou pedindo desde... muito tempo.
Solto a respiração que prendi quando ele me tocou e colo meu corpo ao dele como se minha vida dependesse disso. Espero que Steve me afaste, mas ele não o faz e eu me aproveito e circulo meus braços em volta de seu pescoço. Meu rosto no dele, nossas bocas relando enquanto eu falava baixinho:
— Estou assustada — admito em um murmúrio — Minha mãe aparentemente passou a vida inteira tentando me esconder e ninguém sabe quem são essas pessoas ou quão poderosos podem ser. E eu tenho esse sentimento, Steve, de que tudo vai dar errado. Só não quero que ninguém se machuque. E tenho ainda mais medo de ser eu o responsável — sinto seu polegar correndo pelo meu rosto para secar uma lágrima que caiu. — Você está indo, Steve?
Steve fraziu a sobrancelha.
— Não, eu não estou.
— Devia, devia sair por aquela porta por que eu sou uma idiota e vou te magoar muito mais.
— E você deveria ter um pouco fé mais de fé si mesma, meu amor. Sofya, você é engraçada, inteligente e linda, por dentro e por fora. É intensa e sempre me faz sorrir. E o mais importante, eu te amo. Não estou indo embora, mesmo você me irritando como ninguém com essa mania de afastamento — eu respiro fundo e aceito que sou uma babaca completa e que não mereço Steve. Sorte a minha ele achar que sim — Você gosta de complicar o que é simples, sabe. Estou perdido, pois eu também amo isso em você.
— Desculpa, eu nunca quis te fazer sentir como se não fosse importante para mim, você é. É uma das pessoas mais importantes na minha vida — Ele assentiu e eu o beijei. O alívio me inundou, primeiro com pequenas gotas, então como uma cachoeira quando ele me beijou de volta. Me afasto para continuar: — Aínda não acho certo ter chamado Clint de volta, mas não quis dizer daquela forma ou descartar qualquer um de vocês. Sei quem vocês são e o que já enfrentaram, mas acho que, dessa vez, força bruta não será o bastante, Steve.
— Eu imaginei isso — meu herói acenou com a cabeça — No entanto, além de Wanda que tem o poder controlar a mente e agora o Visão, Clint é o único que teve a mente controlada por tanto tempo e vimos que isso é possível — Steve me diz e eu lembro do olhar vago do garçom que me atacou.
— Entendi — confirmo baixo e ele acaricia meu cabelo enquanto me encara seriamente.
— Quando isso acabar, vamos ter uma conversa. E estou falando sério Sofya, não quero te por contra parede, mas não aceito nenhum fingimento ou mentira.
Arregalo um pouco os olhos enquanto aceno hesitante. E em meio aquele misto de emoções, consigo reconhecer o indício de excitação que me atinge com seu breve comando. Se aquieta! Digo a mim mesma. Esse não é o momento para isso. Tento dizer ao meu corpo.
Retorno meu olhar a Steve e o mesmo parece conter um sorriso. Ele corre a mão pela minha cintura e sela nossos lábios. Abro a boca quando sua língua percorre a costura dos meus lábios pedindo passagem e lhe dou de bom grado. Ofego e me aperto um pouco mais a ele, mas Steve se afasta instantes depois e não posso deixar de sentir frustada. Ele nota.
— Depois — promete.
— Hmm — resmungo e volto a fechar os olhos — Ainda tá bravo comigo?
— Um pouco chateado — admite e ainda de olhos fechados, eu tento entender como eu pude me apaixonar pôr alguém tão diferente de mim, que zela tanto por transparência quando eu tenho o costume de mentir até sobre o copo que eu quebrei — Você me frustra, Sofya — ele suspira e eu abro os olhos de novo, o cenho franzido e arrependida.
— O que eu posso fazer para te recompensar? — pergunto num murmúrio e Steve ergue a sobrancelha como se o que eu tivesse dito fosse idiota. Meus lábios de ergueram num sorriso — Dizem que sexo de reconciliação é a melhor coisa de uma discussão.
Rogers revira seus lindos olhos e sorri para então os arregalar quando eu, de maneira abruta, levito a nós dois até a cama. Caio em seu colo e suas mãos automaticamente prende-se no meu quadril.
— Sofya... — ele avisa, mas seus olhos estão presos no meu corpo.
E eu estava excitada. Queria aquilo. Precisava. Depois de tudo, eu precisava sentir algo bom. Aquela sensação de pertencimento quando ele me enchia dele e adorava meu corpo como se eu fosse uma deusa. Eu apenas precisava sentir.
— Você vai me perdoar rapidinho, lindo.
Rebolo em seu membro e Steve ofega e ergue o corpo. Ele sobe uma mão pelas minhas costas e outra por minha coxa, então inverte nossa posição deixando-me embaixo dele. Sua boca me beija com mais fervor e e eu deixo um gemido escapar quando ele investe seu corpo duro contra o meu. Tudo começa a queimar e eu sinto minha respiração acelerar conforme o desejo e fome de tê-lo investindo dentro de mim parece crescer exponencialmente. Ele desce com a boca marcando minha pele com seus beijos e um rastro de fogo parece ser deixado para trás por onde sua língua passa. Steve não é delicado e eu não quero que seja. Quando chega aos meus seios, ele não parece ter paciência o suficiente para me ajudar a tirar e o rasgo que minha camiseta e sutiã fazem me deixa de olhos arregalados. Até, é claro, sua boca tomar meu mamilo para então começar a laber e morder e fazer tudo que ele já não tenha feito antes, mas que me alucinava como se fosse a primeira vez.
— Steve... — engasgo e circulo sua cintura com minhas pernas, querendo mais daquela fricção gostosa que já me tinha molhada — Quero você, amor. Steve...
— Eu sei, vou te dar o que você quer — promete, solene.
Ele me ajuda a tirar minha calsa jeans e se apressa em tirar as deles. Nua, deitada na cama e esperando por ele, eu quase não posso crer que o tenho mesmo na minha vida. Steve sobe com seu corpo quente em cima do meu, se encaixa entre minhas pernas e ergue uma encaixando-a em volta dele... apressado, ansioso, assim como eu. E, assim eu sei que aquele desejo de estarmos conectados não era somente de mim. Talvez fosse a merda de dia que tivemos, mas tudo que eu mais desejava era ter ele me preenchendo... Um anseio que vinha de um desespero incompreendido, mas que eu estava mais do que disposta em atender.
Steve entra de uma vez e gememos em sincronia. E é tão gostoso ter ele assim me deixando cheia dele, não apenas o meu corpo, mas meu coração, minha mente, minha vida. Pois eu amo esse homem que está sempre disposto a me entender, que é carinhoso comigo, que sorri das minhas piadas sem graça e atura meus surtos infantis e idiotas. Meu Deus, como eu o amo. E eu preciso que ele saiba. Você é tudo pra mim, lindo.
— Eu te amo — digo com a voz abafada. Gemo mais uma vez quando ele vem mais fundo e mais forte. Puxo seu pescoço e encosto minha boca na sua e murmuro: — Eu te amo.
— Eu te amo — Steve diz e beija minha boca, e meu rosto, e meu pescoço e todo o meu corpo.
E me mostrou não somente com palavra, mas com gestos o quando me amava.
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