NEW STARK | the avengers [1] ✓
9 Aldrich Killian
Era a primeira vez em muito tempo que eu conseguia dormir sem ter pesadelos ou insônia, então você poderia entender a minha irritação com o sol idiota que insistia em bater no meu rosto. Viro-me para o outro lado e jogo a almofada sobre o meu rosto, mas o restante do meu corpo começa a aquecer e aquele calor não me permite dormir outra vez.
— Que saco de luz! — eu resmunguei, a voz abafada pelo travesseiro.
Se for de sua vontade, posso resolver isso para a senhorita.
Ergo o rosto que eu mantinha pressionado no travesseiro e olho para a um ponto aleatório. Como se Jarvis fosse, subitamente, atravessar a parede dando vida a voz.
— Por que não falou antes, Jarvis!? — reclamei, rabugenta.
A senhorita claramente não solicitou meus serviços.
— Você tá sendo sarcástico comigo? — eu indago, estreitando os olhos.
Eu não poderia ter tal característica, senhorita, ainda que meu criador tenha em demasia.
— Bom... — dou um suspiro dramático — Não adianta mais. Quando eu dormir você pode resolver esse problema para mim?
Claramente, senhorita Stark.
Ainda acho que essa IA está sendo sarcástica, penso, jogando o cobertor de lado e levantando-me da cama. Caminhei, enquanto refletia ter que reprogramar Jarvis para ele me chamar de Sofya, apenas. Todas as vezes que eu ouço alguém chamando-me assim, me sinto presa num romance da Jane Austen. E Deus sabe que eu não sirvo pra essa coisa de etiqueta. "Olá, senhor" blá blá blá, "Está um dia lindo lá fora" blá.
Foda.
Eu não iria dormir mesmo, então vou direto para o banheiro, fazer meu xixizinho, escovar os dentes e cair embaixo do chuveiro. Eu simplesmente amo a sensação de tomar banho pela manhã. É energético e me desperta. Sem dúvidas, um bom dia sempre começa bem com um banho. Antes de dormir também é maravilhoso, e alivia o estresse do dia a dia.
Uso uma camiseta preta de manga curta da Guns N' Roses, short jeans, lavagem clara, sandália aberta e prendo o meu cabelo em um rabo de cavalo alto. E para completar, gloss de cereja nos lábios.
Fecho a porta do quarto com um destino traçado: a sala de jantar. Encontro Tony e Pepper conversando tranquilamente enquanto tomam café da manhã.
Cara, eu definitivamente acordei cedo hoje.
— Bom dia.
— Bom dia — Pepper responde.
— Um acontecimento espantoso, de fato. Milagres ainda acontecem. Caiu da cama?
É preciso dizer quem foi o autor de tal comentário? Não? Foi o que eu pensei.
Dou uma risada falsa enquanto me sento na cadeira e despejo suco de laranja no copo. Corto uma fatia de bolo de chocolate e despejo sobre o meu prato. Mastigo o primeiro pedaço com prazer.
O dia estava bonito e mesmo acordando tão cedo, eu estava curiosamente de bom humor. Então, como eu dizia... Tomava meu café da manhã na paz, saboreando aquele delicioso bolo e pensando no que eu comeria no almoço, quando uma tosse forçada faz-me desviar minha preciosa atenção daquela obra-prima. Levanto uma sobrancelha e observo o Stark, franzindo o cenho.
— Algum problema? — pergunto-lhe, tomando um gole do suco natural.
— Sim... quero dizer, não — ele parece um pouco nervoso e isso me faz encará-lo com desconfiança.
Mais dois meses morando com Tony. E depois daquela conversa na oficina — há um mês e alguns dias atrás — nos aproximamos bastante. O que, a meu ver, pareceu deixar o Stark feliz.
E eu admito que não somente a ele, mas a mim também.
— Tony... — começo, pronta para perguntar o que ele havia aprontado.
— Fica calma e espera, tudo bem? — ele pede, cortando minha fala — Não surta.
Stark levanta da cadeira e sai do cômodo sem me dar a oportunidade de responder. Encaro Pepper a fim de ter alguma resposta, mas a mesma está tão confusa quanto eu.
— Ele me pediu calma duas vezes, quais as chances de eu terminar o café sem querer matá-lo? — eu questiono Potts.
Ela franze a testa:
— Nenhuma?
— Legal!
Instantes depois, o playboy entra novamente na sala com uma pequena pilha de papéis em mãos, um sorriso nervoso direcionado a mim. Tá legal, Stark é sempre tão autoconfiante que sua expressão cuidadosa está começando a me deixar mais e mais ansiosa.
A vontade de entrar em sua cabeça bate, mas me repreendo por tal pensamento.
— Se você não gostar, fale. Melhor! Se não gostar finja que sim para que eu me sinta melhor — ele brinca e entrega-me um envelope branco sem qualquer endereço ou selo.
Por bons instantes, eu fico olhando aquele papel com expressão confusa.
Inclino a cabeça para o lado e finalmente o encaro.
— Mas ainda nem é meu aniversário! — abro um sorriso duvidoso, de quem não está entendendo porra nenhuma.
— Só abre — mandou, inclinando-se para trás e recostando na cadeira.
Pondero por alguns instantes, temerosa de que talvez Tony tenha feito uma merda muito grande e agora esteja fazendo algo para me recompensar. Querendo acabar logo com esse mistério, eu abro o envelope sem me importar de rasgá-lo. Puta que pariu. Minhas mãos param de se movimentar quando vejo o primeiro recibo. Fico estática sabendo o que eram os outros papéis.
Puta.
Que.
Pariu.
Recibos e mais recibos, todas as contas pagas.
Okay. Ele pagou minhas contas. TODAS as minhas contas. TODAS! Acredite, não são poucas.
Inspira, expira.
— Porque você fez isso? — pergunto em um tom calmo. Calmo demais.
Inspira, expira.
Ele acha que eu quero seu dinheiro, porra!?
Entendendo meu olhar acusador, Tony acena e pigarreia, tomando uma atitude indiferente que me rouba a paz.
Você está calma.
Inspira, expira.
— Porque você acha? — ele sorriu e eu não sei se estava zombando — Eu tive vontade e fui lá e fiz.
— Resposta errada — Pepper murmura quando eu literalmente rosnei.
— Teve vontade. Ah, claro, nossa que vontade de pagar essa conta alheia! Você faz isso com todos, Tony?
— Você sabe, há os privilegiados.
— Qual o seu problema!? — esbravejei, furiosa — Sou capaz de cuidar de mim mesma, Tony.
— No momento, nenhum — ele respondeu, enquanto eu lamentava ter celebrado antes da hora sobre como as coisas estavam indo bem. Viu, idiota, tomou no rabo — Eu sei que você pode se cuidar, imagino que não teve outra escolha senão aprender isso sozinha. Mas as coisas mudaram. E você não é qualquer pessoa, Sofya. Essas não são contas alheias. Quis te ajudar. Eu quero te ajudar. Não precisa mais fazer o que fazia para conseguir dinheiro — Anthony disse com tanta austeridade que me calou — Me deixa te dar o que nunca pude antes.
Encaro-o por longos minutos. Passo dele para Pepper, que sorri fraco e assente com a cabeça, então volto para ele novamente. Lembro-me que prometi a mim mesma melhorar, prometi dar-lhe uma chance, que eu deixaria de lado esse meu jeito orgulhoso de ser. Bom... é mais fácil falar do que fazer.
Respiro fundo antes de tomar uma decisão e passando — pisando, esmagando, sapateando — por cima do meu orgulho, eu balanço a cabeça em concordância.
Mesmo não gostando.
— Então, agora que aceitou o meu presente... — Tony continua, mais tranquilo. Presente, não consigo evitar meu olhar de desdenho, enquanto minha atenção está voltada para ele, aguardando seu próximo passo — ... Suponho que você possa entrar para alguma faculdade — sugere, fingindo desinteresse.
— Não sei — eu balancei os ombros.
A ideia não era ao todo ruim. Eu tinha vontade de voltar a estudar quando morava sozinha. Tomo mais um gole de meu suco. Estudar era uma das coisas que me desacelerava. Sempre fui muito agitada, desde criança. E incrivelmente curiosa. Isso não mudou muito depois que cresci.
— Não é uma má ideia, Sofya, você está muito isolada aqui. Desde que chegou não sai por nada — Pepper se pronuncia, suavemente, terminando seu pequeno discurso com um olhar insinuante.
Faço uma careta desgostosa.
— Isso não é verdade — resmungo baixo.
— Jura? Então me conte uma única vez em que saiu desta casa — Tony desafia, aproveitando que conseguiu Pepper como aliada.
Pilantra.
— Eu saio quase todos os dias para ir à praia — aponto com tom óbvio.
— Que é em frente a nossa casa — Tony dispensou — Tente de novo, querida.
— Na entrevista, eu saí — abro um sorrisinho.
Stark revira os olhos e Pepper ergue as sobrancelhas.
Bufo.
— Também teve aquele dia que... aquela vez... er... — assisto o olhar vitorioso do Stark, e suspiro assumindo minha derrota — Tá bem, admito. E só para constar, eu não estava descartando a sugestão. Vocês que interpretaram assim.
Aprender nunca foi um problema para mim. Lembro deixar a coitada da minha mãe louca com perguntas do tipo: mamãe, como é possível saber que o universo é infinito se ninguém nunca o explorou até seu limite?
Normalmente, minha mãe não sabia o que responder, mas às vezes dona Lígia tentava ter respostas para minhas dúvidas. Acho que eu tinha por volta dos seis anos quando, certa vez, voltando da creche, o mais indignada que meu tamanho permitia, eu perguntei: mamãe, por que eu tenho que pintar a nuvem de azul?
Não é difícil lembrar a resposta que recebi, minha mãe disse: por que é a cor dela.
Fui teimosa: não é não, você não tá vendo o céu, mamãe! A nuvem é branca! A mamãe e a professora estão tentando me enganar, né? É branca, olha!
Mamãe riu, riu como nunca e se desculpou dizendo algo como: é seu desenho, mocinha, e nele você pode fazer o que quiser, pode até mesmo pintar a nuvem da cor que quiser, azul, branca, preta...
Na época, me animei como nunca com a possibilidade de colorir o mundo da forma que eu quisesse, hoje sei que aquela fala foi uma forma de minha mãe fugir de ser ensinada por uma mini pessoa, mas lembrando desse momento, consegui apenas sorrir. De certa forma, a analogia não me fugiu agora que penso no assunto. A vida é como uma folha em branco e nós somos responsáveis por cada pequena coisa que nos rodeia. Nossas ações e o que podem vir a ser uma consequência, futuramente. Um dia, minha vida foi cinzenta, mas hoje quero apenas que ela seja colorida, sem cores tristes. Pensar que deixei a escuridão me guiar por tanto tempo... quero fazer diferente, desta vez. Quero que meus dias sejam repletos de tons felizes. Sem mais nenhuma sombra em meu caminho.
— Minha mãe gostaria de me ver fazendo faculdade — comento subitamente.
Tony e Pepper me olham em apoio, mas nada falam. Passamos os próximos minutos em silêncio, e eu voltei a comer meu café da manhã.
— Em que pretende se formar? — Pepper perguntou, cautelosa.
Compreendo sua hesitação, a última vez que tal assunto foi tocado, digamos apenas que a conversa não terminou muito bem. Não vou surtar, desta vez. Estou tentando, viu?
— Eu estava fazendo Robótica, talvez eu dê continuidade.
— Posso providenciar tudo — Tony oferece.
— Obrigada, mas quero resolver isso — aviso mansamente, ele concorda com um aceno.
Pepper sorri, aliviada com nossa evolução ao dialogar. Voltamos a prestar atenção em nossa refeição, parando uma vez ou outra para comentar algo. Termino de comer e levanto-me indo para meu quarto, onde fico diariamente.
Realmente, tenho estado muito isolada.
Pepper foi para as indústrias Stark já que a mesma é a presidente e tem milhares de assuntos para resolver. Tony, como sempre, está no laboratório onde ele passa a maior parte do tempo.
E eu, jogada na cama e olhando para o teto, contando carneirinhos. Querendo sair do tédio, desço para o andar debaixo indo até a cozinha. Faço pipoca e pego uma garrafa pequena de coca-cola, caminhando até a sala.
Me jogo no sofá e ligo a TV. Mudo de canal até parar no HBO onde passava um filme que lançou recentemente com o gostoso do James Campbell e a lindíssima Lily Collins.
Cidade de Ossos.
Pessoalmente, o filme não aborda as cenas mais legais do livro, porém, eu gostei. A química entre a Claire e o Jace foi notável, mas o Alec não era tudo aquilo que eu imaginava. O Magnus, por outro lado, estava um arraso.
Subitamente, a TV solta um chiado agudo e meu filme desaparece, justo na melhor cena do Jace dando uma pedra brilhante para Claire.
— Que palhaçada! — exclamei, com a boca cheia de pipoca — Na melhor parte! Jarvis, o que...
A imagem de um cara, todo barbudo, ganha vida.
Ele logo começa a falar:
— Alguns me chamam de terrorista, eu me considero um professor... América, pronta para mais uma lição? Em 186... — ele começa um discurso, enquanto imagens de ataques vão passando.
Não ouço mais nada, apenas corro da sala em alta velocidade descendo para a oficina, imaginando que Tony esteja vendo o mesmo. Como o esperado, encontro ele de frente a uma TV.
Coloco a mão e minha impressão abre a porta. Tony olha para mim cheio de preocupação, e, logo, nós dois estamos olhando para a tela.
— ... Foi atacada. Eu... Eu... Eu fiz isso... Uma bela igreja militar cheias de esposas e crianças — engulo em seco vendo as imagens da explosão passando. Meu Deus! — É claro, os soldados estavam em operações. Os bravos ausentes. Presidente Elis, o senhor continua a resistir às minhas tentativas de educá-los, e mais uma vez vocês não me pegaram. Sabem quem eu sou, mas não sabem onde estou. E jamais verão a minha chegada.
E, como mágica, os sinais da TV voltam.
Me viro para Tony assim que vejo ele indo em direção a sua armadura.
— Tony, aonde...
— Preciso descobrir quem é esse cara e o que ele quer — Stark responde.
E sem me dar a chance de respondê-lo, ele se encaixa na armadura. Não era a primeira vez que eu via a Mark sendo montada em volta do corpo dele, mas sempre prendia minha atenção.
— Só não faz besteira — eu peço.
Tony acena com a cabeça de metal e levanta voo.
— Cuidado — sussurro.
***
Estou jogada na cama sem ter o que fazer, de novo.
Tony chegou horas depois, todo estranho, e não quer falar o que ouve. Desde então, ele não sai mais do laboratório.
Completamente entediada, ligo a Televisão do meu quarto querendo saber das novidades sobre o tal terrorista que se intitula como Mandarin.
— Todas as nações dos Estados Unidos estão investigando as ações em busca de descobrir o paradeiro do terrorista, conhecido como Mandarin...
Pulo de canal.
— ... A nação está em alerta...
Pulo.
— ... Estamos sabendo de exatamente três ataques...
Pulo.
— ... Todas as tentativas de encontrar o Mandarim foram infrutíferas...
Desligo o aparelho, cansada daquilo e viro-me de barriga para cima para encarar o teto.
— Jarvis.
Sim, senhorita Stark.
— Onde Tony está?
Neste exato momento, o senhor Stark encontra-se em seu laboratório, senhorita.
Respiro fundo, realmente preocupada com Tony.
Desde meu primeiro dia aqui em Malibu, venho reparando que ele não sai daquele laboratório por nada.
Cansada de ficar trancada, me levanto da cama e saio do quarto.
***
— Obrigada — agradeço ao taxista, pagando-o e descendo do carro, logo em seguida.
No caminho para cá, liguei para Pepper e combinamos de almoçar fora. Minha madrasta adorou a ideia. Disse que estou mesmo precisando de sair um pouco, respirar novos ares.
Nem discuto mais.
Então, aqui estou em frente às indústrias Stark, que a um tempo atrás eu estava hackeando.
Dou risada, balançando a cabeça.
Como as coisas mudam...
Pego um crachá com minha foto e nome, impressa na recepção, e o coloco no bolso de minha jaqueta. Ando por todo aquele lugar, admirada, e pelo canto do olho posso notar algumas pessoas me observar.
Tô famosa. Solto uma risada interna.
— Happy! — eu chamei, após reconhecê-lo.
Após descobrirem que o Homem de Ferro é Tony Stark — principalmente depois de Nova York — não tinha mais sentido ele ter um segurança, por isso, Happy agora trabalha como chefe de segurança das indústrias Stark.
Happy me analisa com atenção.
— Desculpe, senhorita Stark, mas você não ganhou um crachá?
Arregalo meus olhos, um pouco surpresa com seu olhar fechado.
— Senhorita? — ele nunca havia me chamado de tal forma, a pedido meu, então estranhei ele chegar assim todo formal.
— Estou em meu horário de trabalho — sussurra para que somente eu ouça.
Prendo o riso.
— Nossa! Então as coisas são bem sérias por aqui, hm? — acho que ele não nota o tom sarcástico na minha voz, porque acena com a cabeça — Não sente saudade de seu antigo emprego? Cuidar do Tony e tals.
Happy exprime uma leve careta.
— Não, aqui eu tenho um trabalho de verdade. E não sou motivo de piada — dou risadinhas, parando logo em seguida ao notar seu olhar sério.
— Crachá.
— Ah! Claro — sorrindo levemente, retiro o crachá do bolso, pendurando-o na jaqueta de maneira que ficasse amostra.
O segurança sorri satisfeito.
— Então, Sofya, precisa de ajuda em algo?
— Na verdade, eu fiquei de me encontrar com Pepper para almoçarmos juntas.
— Marcou horário?
Eu reviro meus olhos.
— Me leva até ela, Happy — falo em um tom mandão.
— Dessa vez você passa — ele caminha na minha frente enquanto eu o sigo, sorrindo — Não é porque é filha do Tony que vou deixar fazer o que quer — avisa a mim, introspectivo. Assinto com cara inocente e o segurança acena — Crachá — ele avisa, quando passamos por alguns funcionários que tentam esconder uma careta. Tusso para esconder um sorriso — Já falei... crachá.
Balanço a cabeça, lamentando por eles.
Coitados.
Não que Happy seja um péssimo profissional, ele apenas está animado demais.
— Crachá, coloquei um aviso no banheiro, qual é!
Andamos mais um pouco e encontramos Pepper conversando com uma mulher, provavelmente uma funcionária.
— Pepper — eu chamei.
— Sofya — Pepper me abraça — O almoço! — ela parece lembrar — Aí, você espera só um pouquinho? Preciso resolver uma coisa urgente, então nós vamos.
— Tudo bem, sem pressa — concordei, relaxada.
— Vou te levar até minha sala.
Andamos por um corredor cheio de pessoas. Por mais diferente que seja, aquele corredor me levou de volta a SHIELD, para quando estava perdida, o que me lembrou de Steve. Sorri com a lembrança.
— Tony colocou eles no porão, tão só juntando poeira e é um recurso que podemos utilizar — ouço Happy dizer, tirando-me de meu devaneio.
— Aham... então está sugerindo que eu substitua todos os funcionários do prédio por robôs — Pepper fala, virando-se para uma mulher e agradecendo-a.
Ergo as sobrancelhas, prestando atenção na conversa.
— O que eu tô querendo dizer, é que o elemento humano dos recursos humanos é o nosso ponto vulnerável. Temos que começar a substituir — Happy argumenta.
Solto uma tossida, um tanto desacreditada. Okay. Isso é louco.
— O quê?! Você não disse isso — Pepper exclamou, a voz cheia de incredulidade. Não a julgo, também estou pasma — Happy olha, eu tô feliz por você agora ser o chefe da segurança, é um cargo perfeito para você...
— Obrigado — Happy agradece.
— Entretanto...
— É bom saber — ele a interrompe, novamente.
— Desde que você assumiu...
— Não agradeça.
Prendo o riso ao notar que ele está, deliberadamente, ignorando o sermão. Happy tinha esse poder de me fazer rir por idiotices.
— ... As reclamações dos funcionários aumentaram em trezentos por cento.
— Obrigada — o chefe da segurança agradece, convencido.
— Não foi um elogio — Pepper avisa.
Eu não consigo mais resistir e solto uma risada alta, recebendo um olhar mortal da mesma. Paro de rir no mesmo instante, engasgando e tossindo ao prender o riso.
— Não foi...? Foi um elogio! É claro que alguém está manipulando os dados — ele disse.
— Se você fosse meu chefe, eu também manipularia — digo com um sorriso cínico.
Happy bufa e Pepper me lança um olhar. Eu ergo os braços em rendição.
— Eu... — ela começa, mas é interrompida por uma funcionária.
— Com licença.
Me jogo em um pequeno sofá, cansada de ficar em pé.
— Pois não?
— Senhorita Potts, seu compromisso das quatro horas...
— Você combinou... — Happy começa.
— Obrigado — Pepper agradece a mulher, ignorado o segurança.
— ... esse horário comigo? — ele continua, inabalável.
— Happy, depois a gente conversa sobre isso, mas no momento tenho que cuidar de um assunto chato, então...
— O que é?
— Também quero saber! — pulo do sofá, aproximando-me dos dois.
— Já trabalhei com ele, vivia me convidando pra sair... tô meio sem graça.
— Não tô gostando.
— Já não fui com a cara dele, seja quem for — concordo com Happy.
Por isso, nós dois seguimos Pepper até sua sala. Assim que ela abre a porta, um homem caminha em nossa direção. Sendo bem sincera, o cara não era aquela coisa toooda não. No entanto, pelo olhar de Pepper, vejo que nossas opiniões não são tão parecidas assim. Ainda mais, meu santo instantaneamente não bateu com o dele.
— Pepper — seu falar arrastado me faz erguer uma sobrancelha. A ruiva olha para ele com o queixo caido, enquanto o homem avalia minha madrasta dos pés à cabeça.
Franzo meus lábios.
— Killian — Potts encara o homem como se não acreditasse no que seus olhos viam.
Passo meu olhar de um ao outro, ainda sem entender o climazinho. Ele nem era tudo aquilo. Penso, enquanto continuo a avaliar o cara, e não gostei do olharzinho arrogante dele em cima da mulher do meu pai. Do Tony, eu quis dizer Tony.
— Você está ótima, está muito bonita — elogia.
— E está comprometida — deixo escapar.
Pepper me repreende com o olhar e eu dou meu melhor sorriso:
— Achei que ele precisava saber — murmurei, lançando outro olhar para o homem que finalmente tira os olhos de Pepper.
— Ah! Sofya Stark, estou certo? — Killian me lança um sorrisinho.
— A própria, e você? Quem é mesmo? — ops! Talvez eu tenha soado rude, e não me arrependo nem um pouco.
— Sofya! — Pepper chama minha atenção.
— O que...!? — pisco meus olhos, inocentemente, enquanto Pepper Potts acena para a porta — Mas... — faço minha melhor cara indignada. Pepper não cai no meu teatrinho. Ela bate o pé e me aponta a saída, e, chateada, eu bufo ruidosamente — Tudo bem, tudo bem. Vou esperar lá fora — me retiro da sala, inconformada em deixar ela com aquele cara. Pelo menos Happy foi mais esperto em se manter calado e ficou.
Eu já disse que não gostei do tal Killian? Então, eu não gostei nem um pouco dele, se eu fosse o Tony cuidava mais da Pepper. Levava pra sair, ao invés de ficar trancado dia e noite na oficina. Deus nos livre dela ir embora.
Minutos depois, Happy saiu da sala com uma cara emburrada.
— Você deixou ela sozinha com ele? — eu reclamo.
— Você também deixou — Happy retruca, sentando ao meu lado no sofá.
Reviro os olhos e bufo.
De longe avisto uma máquina de café, e concluo ser disso que eu preciso.
Cafeína.
Passo por um cara, sentado todo desajeitado no sofá, e o mesmo me olha com um sorriso malicioso.
— Feliz Natal.
Franzo a testa com desprezo, e, sem respondê-lo, continuo a andar em busca do meu café. Cara estranho.
E você é super normal, né. Meu subconsciente diz.
Eu não fico olhando as pessoas desse jeito.
Claro, Steve foi um caso à parte, e Barry, e Daniel, e...
Okay, tá bom, entendi. Balanço a cabeça, tirando um dólar do bolso e colocando na máquina.
Que saco!
Meia hora depois, tenho cinco notas engolidas pela máquina do capeta, e tudo isso para pegar um copo de café minúsculo que só com um gole acaba, estou muito irritada — caso alguém não tenha percebido —, por isso, tomei aquele gole de café e sai pisando duro de perto daquela máquina maldita.
Olho para dentro da sala de Pepper e vejo a porta ainda fechada.
— Eles ainda não saíram? — eu não sei dizer se reclamei ou perguntei, talvez os dois.
— Não — Happy bufa — Ele tá mostrando o cérebro gigante dele.
— Nojento.
— Tony deveria tomar cuidado.
— Relaxa, as chances dele com Pepper são nulas depois que ela notar o oco na cabeça dele — dou risada sozinha, porque o segurança continua nervoso.
Pepper e o homem que eu descobri chamar-se Aldrich Killian, saem da sala meia hora depois. Quase grito aleluia para todos ouvirem. Happy e eu vamos à frente, o segurança me acompanhando até a saída. Esperamos por Pepper próximos da porta e ela e o tal Aldrich saem, logo depois. Noto Happy prestar atenção na conversa. Como alguém igualmente curioso, faço o mesmo.
— Devo dizer que estou desapontado, mas como meu pai costumava dizer: "O fracasso é a névoa através da qual vislumbramos o triunfo" — ponho a mão sobre o peito, fingindo-me tocada, ainda que ninguém veja.
— Isso é muito profundo, mas não faço ideia do que significa — Pepper fala e eu assinto com orgulho. É isso aí, não dá bola pra ele.
— Também não, meu pai era meio louco — Aldrich fala e Pepper dá risada. E eu vejo que é hereditário.
— Esse cara não vai embora, não? — reclamo com o tom de voz baixo para que eles não nos veja.
— Vamos nos ver de novo, Pepper — ele promete.
Killian aproxima-se de Pepper, beijando sua bochecha e assisto enquanto minha madrasta fica sem reação. Argh! Que desgosto! Okay, talvez a gente precise se preocupar sim.
Killian se vira e vai embora. Já foi tarde, encosto.
— Happy! — Pepper chama com surpresa, quando o segurança sai do seu esconderijo.
Eu apareço logo atrás de Happy, sentindo-me um pouco mal por ouvir sua conversa, principalmente, após vê-la toda derretida pelo cara. Argh! De novo.
— Sofya — Pepper fala meu nome, entretanto, parece confusa.
— O carro está pronto, se você estiver.
— Eu tô, mas é que eu acabei esquecendo de pegar algumas coisas... — ela nos olha — Só um minuto.
Potts entra na empresa. Virei-me para a rua a tempo de ver Killian entrando em um carro acompanhado do homem que me olhou estranho, lá dentro, na recepção.
Pode ser só paranoia minha, mas esse tal Aldrich é muito estranho. E isso não é bom, não é bom mesmo. Entro no carro para esperar Pepper, através da janela posso observar Happy fotografando a placa do carro de Killian.
CE
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