Dance com o seu par, dê voltas e mais voltas
No fim da noite, vai cair
Mais uma dose, outra rodada
No fim da noite, vai cair
Dance com o seu par, dê voltas e mais voltas
No fim da noite, vai cair
Mais uma dose, outra rodada
No fim da noite, vai cair
Pitbull (Feat. Ke$ha) — Timber

Autora

A música estava alta, porém, era ainda mais alta na pista de dança, e a maioria das pessoas se encontravam lá, rindo, dançando e bebendo, os garçons passavam servindo petiscos e bebidas, enquanto do outro lado do salão, onde a música já não era tão alta, continha mesas confortáveis e um open bar, com bebidas servidas à vontade.

Típico das festas do Stark.

A festa mal havia começado, entretanto, já haviam pessoas cambaleando pela pista. E foi assim que, abruptamente, a música parou.

As luzes coloridas continuaram a dançar pelo salão, enquanto as pessoas olhavam ao redor, tentando entender o motivo de tal interrupção. Então Tony Stark surgiu no pequeno palco em que, provavelmente, uma banda tocaria. O refletor iluminava o playboy enquanto ele batia no microfone, testando o mesmo.

— Oi, tão me ouvindo? — todos concordaram, ainda sem entender o motivo da interrupção cometida pelo herói. — Tudo bem, é o seguinte, a aniversariante tá descendo agora. Então vamos recebê-la do jeito tradicional.

Os convidados entenderam o que aconteceria e começaram a cochichar entre si.

— Silêncio, ela está chegando.

As luzes foram desligadas, no instante em que a porta elevador ameaçava abrir.

E o que a jovem Stark mais temia ocorreu, o maldito refletor iluminou a morena e sua madrasta, que apesar de estarem sorrindo, ambas não encontravam-se tão plenas como demonstravam.

Por que eu fui abrir a boca? Perguntou-se Sofya, enquanto seu sorriso simpático tornava-se cada vez mais forçado. Sua madrasta tocou seu braço de leve, apoiando-a silenciosamente.

Então a bendita cação se iniciou:

Happy Birthday to You, Happy Birthday to You, Happy Birthday Dear Sofya...— a garota não pode evitar a coloração vermelha que tingiu seu rosto, muito menos a onda de constrangimento que a atingiu. Ninguém poderia culpá-la, afinal, além de seus colegas de faculdade e uns colegas de seu pai, em que ela teve uma breve conversa, não havia mais ninguém que a garota conhecê-se.

E eles estavam ali, sorrindo para ela como se fossem amigos de longa data. E, apesar de sentir seu pai e sua madrasta próximos dela, a presença deles não foram o suficiente para diminuir o desconforto da morena.

E aquela luz em sua direção, deixava-lhe ainda mais constrangida.

Estava começando a se arrepender de ter saído do quarto.

Enquanto a garota tentava mostrar-se calma em meio a celebração ao seu redor, um grupo em questão mantinha-se afastado, longe de toda a confusão. No entanto, perto o suficiente para assistir a reação da garota em meio a toda aquela atenção.

Um homem forte de cabelo cortado, com um copo de Whisky na mão, reparou no olhar perdido da Stark mais jovem:

— Tadinha. — comentou, ainda de olho na garota. — Não sabe nem o que fazer.

— Tony não tem limites. — concordou o amigo ao seu lado, loiro e vestindo uma roupa social que marcava seus músculos, sendo alvo de grande parte dos olhares femininos da festa.

Seus amigos, também de olho na garota, não puderam discordar, era claro que a garota não sabia o que fazer ali.

— Não sei por que a surpresa, — comentou a ruiva, sem conseguir esconder a acidez em seu tom de voz. Ela, que trajava um vestido longo e azul, contendo uma abertura no meio da coxa, deu um gole em sua bebida após falar.

— Não estou surpreso, — o mesmo homem voltou a dizer. — Mas ela está.

— O que também não há motivos, ela sabe o pai que tem. — a ruiva rebateu. O homem ergueu as sobrancelhas em uma clara pergunta.

Que implicância é essa com a garota?

Então, doutor Banner, que até aquele instante mantinha-se calado se pronunciou:

— Ela é diferente.

O grupo, que até então observava a celebração, volta-se para o doutor, e ele, constatando ser o foco da atenção de seus amigos, deu de ombros.

— Eles são muito parecidos, e ainda sim, muito diferentes.

— Virou amiguinho da menina do Stark, Banner?

Ignorando a zombaria na voz de seu amigo, Banner balança a cabeça:

— Ela tem me ajudado em um projeto, Barton.

O loiro, ao lado do doutor, ergueu as sobrancelhas:

— Ela mexe com essas coisas também?

Banner encara o loiro que tinha um olhar curioso. O doutor sabia o que essas coisas queria dizer, Steve Rogers tinha uma aparência de vinte e sete anos, mas, sua mente era bem mais velha do que o próprio doutor. Tecnologia era algo que o herói ainda não havia se acostumado, não totalmente.

— Ela é muito boa. — afirmou. — Está fazendo faculdade. — Banner não soube o por que de ter dado tal informação, mas, pode ver a reação surpresa em seu amigo.

— Eu não estou surpreso. Pelo que eu soube, a SHIELD demorou bons meses apenas para encontrar a garota. — Barton ou Clint, como às vezes o chamavam, comentou.

A ruiva, incomodada com o assunto, deu um gole em sua bebida. Ela não queria admitir, mas, ainda a incomodava o fato de ter sido derrubada por uma garotinha debochada.

Ainda não havia explicação para a menina ter descoberto o que ela e seu superior estavam planejando.

Natasha não confiava na Stark mirim.

***

Sofya, finalmente, havia conseguido livrar-se dos convidados, e tudo o que queria naquele momento era uma dose de vodka pura, para poder aguentar o resto da noite.

Estava cansada de ouvir: feliz aniversário, muitos anos de vida, bla bla bla...

E talvez, isso parecesse mesquinho demais por parte da garota, mas, ela sabia que grande parte daquelas pessoas não estavam sendo verdadeiramente sinceras, e Sofya não tem paciência com falsidade.

Exceto sua amiga, Lúcia. Ela e a garota se conheceram em seu primeiro dia de faculdade, e mesmo que mal tenha conversado com a jovem, ela e Sofya continuaram a falar-se sempre que tinham a oportunidade, saiam ou visitavam uma a outra.

A amizade fora crescendo, Lúcia era a jovem mais próxima de Sofya até o momento.

Porém, a jovem Stark tivera a indelicadeza de invadir a mente da garota, antes de aceitar aquela amizade em sua vida. Quando não encontrou nada suspeito, ficou levemente arrependida da ação.

Contudo, Sofya não conseguia deixar sua desconfiança de lado.

Agora, tudo o que a morena desejava mais do que tudo era uma cama, uma bebida e um banho, não necessariamente nesta ordem.

Suspirou no instante em que sentou na cadeira do open bar. E, contrariando seu desejo interior, pediu um drink sem álcool.

Ao dar um gole em sua bebida, Sofya notou na presença daquele grupo em questão. Os homens chamavam a atenção, tanto quanto a bela ruiva que os acompanhava, e teriam passado despercebidos pela jovem se ela não os conhece-se. Sofya levantou-se e caminhou até eles.

Ninguém poderia negar que apesar de jovem, a Stark estava sensual naquele exuberante vestido vermelho, que abria-se a partir da cintura e batia quatro dedos acima do joelho. O vestido movia-se conforme ela andava, e havia a postura altiva lhe dava uma aspecto maduro. Ao contrário do momento inicial após o elevador, seu olhar agora era firme e confiante, o sorriso que lançava para o grupo era feliz e verdadeiro.

Nem mesmo a presença de Natasha Romanoff incomodou a garota.

Ela decidiu cumprimentar Banner, inicialmente:

— Bruce — sorriu para o homem, após alcançar o grupo. Ambos deram um abraço, o que fez o restante do grupo se encarar com olhares de interrogação.

O doutor, um tanto constrangido com a atenção, deu um gole em sua água tentando disfarçar o embaraço.

Ela, por sua vez, sem qualquer sinal de constrangimento continua:

— Steve. — o sorriso suave, fica ainda maior.

Não foi difícil notar que o herói não soube como cumprimentar a garota, após o abraço que ela dera no doutor. Sofya, não parecendo ter dilema algum lhe dá um beijo no rosto, encantada com o breve olhar constrangido dele. Então ela virou-se para o último homem, que assistia tudo com um olhar divertido.

— Clint Barton, estou certa?

— É um prazer conhecer a famosa herdeira do velho Stark.

Sofya riu aceitando o beijo que o homem deu em sua mão, em um gesto descontraído.

— Velho Stark? Tony teria um enfarte ao ouvir alguém chamando-o de velho. — comentou com um breve repuxar dos lábios.

Então encarou a última integrante do grupo. As duas não haviam tido um bom começo, então era de se esperar alguma piada vindo por parte da garota, porém, a agente surpreendeu-se com a seriedade de Sofya ao encará-la.

— Romanoff.

— Stark.

Também não foi difícil notar a tensão no ar, que logo foi cortada pelo verdadeiro centro das atenções daquela noite.

— Filha, você encontrou o Quarteto Fantástico! Estamos mesmo precisando de mais emoção. — Tony falou, chegando com Pepper que trocou um olhar entediado com Sofya. — Ei grandalhão, podemos colocar um ring ali no meio da pista, e talvez você possa comer um espinafre.... espera, você precisa de espinafre pra ficar verde e forte?

A morena revirou os olhos, contudo, Bruce Zen Banner, acostumado com as brincadeiras de Tony, apenas balançou a cabeça em negação.

— Então tá, e você picolé? Bora entreter a plateia com seus movimentos lentos de velho.

— Velho.

Sofya assoprou em direção ao Gavião Arqueiro, e ambos não prenderam a risada.

— Epa, epa, por que eu tô sentindo cheiro de complô?

O Stark olhou desconfiado para filha.

— Por que é desconfiado?

— É?

Sofya deu uma risada culpada e estrategicamente mudou de assunto, logo, uma conversa se iniciou, todos muito mais animados. Sofya não pode negar, estava se divertindo, mais do que previra naquela segunda parte da sua festa.

Entretanto, a noite ainda não havia acabado, e o que tinha para acabar bem, terminaria da forma mais desastrosa possível.

E ninguém ali esperava por aquilo.