NEW STARK | the avengers [1] ✓
32 À espreita
Notas iniciais
Me veja sair do pôr do Sol
Na sua TV em cores
Pronto para o que der e vier
Se é que você me entende
AC/DC — T.N.T
Autora
AGORA
Ela passou a mão sobre o rosto e suspirou, dividida.
Em sua mente, Sofya tinha duas alternativas: ela poderia entrar naquele avião e resolver todos os problemas que a infernizou durante tanto tempo, ou… poderia dar meia volta e perder o vôo, para fazer aquilo que tem vontade.
Estava receosa por dar as costas a Steve Rogers.
E se ele precisasse dela?
Okay, o homem havia lutado na segunda guerra mundial, em Nova York, e é muito bom no que faz, ainda sim, Sofya sentiu a necessidade se ajuda-lo.
— Talvez não tenha sido uma boa idéia. — ela falou, ou melhor, pensou alto.
Então, a imagem de Tony Stark materializou em sua mente, o olhar decepcionado em sua última briga, ele preocupado com ela. Após isso, a morena decidiu que seu pai era sua prioridade, e foi isso que a fez permanecer sentada, aguardando seu vôo ser chamado. Sofya esperou que a pessoa chegasse logo, pois não cancelaria sua viagem.
Nunca algo foi tão difícil de ser entregue.
Deu mais um gole em seu Cappuccino, observando os quadros que Sweet Coffee apresentava em suas paredes. A cafeteria tinha um estilo moderno, confortável e sofisticado, e fez a garota se encantar pelo lugar a primeira vista, era um ambiente muito agradável e um lugar perfeito para reuniões de negócios.
O que era o caso.
A porta abriu e a mulher de cabelos curtos e pretos passou, caminhando direto para o balcão e sentando-se em um dos bancos. Minutos depois, Sofya ergueu-se de seu lugar.
Ela sorriu para a atendente:
— Olá, eu gostaria de uma torta de limão para viagem... pode fechar minha conta. — a mulher concordou devolvendo o sorriso, e indo buscar o pedido da jovem.
A Stark sentou no banco para esperar.
— Você demorou.
A mulher continuou a folhear uma revista, mas sua voz soou baixa e tensa:
— Estava ocupada. — uma das atendentes colocou uma xícara sobre a mesa, e Maria Hill abriu um saquinho pequeno, que a Stark supôs ser açúcar, e o jogou em seu copo. — Olhe para fora. — a mulher mandou.
Mesmo sem entender, Sofya obedeceu. A princípio, a garota não viu nada e estava para perguntar o que a agente queria tanto lhe mostrar, quando enxergou um movimento estranho. A Stark franziu o cenho, estreitando os olhos na direção de um homem ao lado de fora da cafeteria, e se ela parasse para observar, podia notar que, sutilmente, ele trocava um olhar com uma outra pessoa, que também trocava olhares com outro.
Estava cercada.
— Que ótimo. — a garota sorriu, quando seu pedido chegou junto da conta, mas sua expressão corporal não condizia com o que sentiu.
Como havia deixado aquilo acontecer? Porque tinha de ser tão distraída?
Sofya não havia reparado que estavam atrás dela, e pestanejou por seu sexto sentido não ter lhe avisado nada daquela vez.
ANTES
— Capitão Rogers! — a voz da mulher foi firme, seu rosto sério. Diferente da enfermeira que o casal conhecia. Sofya trocou um olhar com Steve em uma clara pergunta: O que estava acontecendo? — Capitão, eu sou a agente 13, serviço especial da SHIELD.
Steve não soube responder a indagação no olhar da Stark, e ambos continuaram a encarar a mulher, surpresos.
Sharon Carter entrou no apartamento do herói, revistando o ambiente com o olhar enquanto os dois ainda permaneciam parados. Steve, continuou em pé, enquanto seu corpo tomava uma posição defensiva, Sofya, continuou com a mão presa sobre o peito de Fury, boquiaberta.
— Katie? — Steve indagou.
— Mas que merda é essa?- a garota murmurou, sem entender.
Não fora a muito tempo que eles viram a mulher indo lavar roupa, e então ela estava ali, portando uma arma, com aquele olhar inexpressivo que a jovem reconheceria em muitos dos agentes.
Sabia que não devia confiar na mulher, sabia. Sofya pensou.
Carter olhou para Steve Rogers que tentava não demonstrar sua surpresa.
— Mandaram que eu o protegesse. — explicou-se a agente, e aos olhos de Sofya, nenhum um pouco arrependida com a mentira.
Escondida atrás do homem, a Stark pôde perceber que Rogers não pareceu gostar da notícia:
— Quem mandou?
A mulher caminhou lentamente pela casa, encarando o homem, quando desceu seu olhar, onde já se podia ver as mãos de Sofya sobre o peito de Nick. Suspirou, seu olhar mudando de indiferença para a mais genuína surpresa; primeiro com a presença do diretor; segundo, pelo fato dele encontrar-se caído no meio do apartamento de Steve, a beira da morte.
— Ele. — declarou, agente Carter.
Com rapidez, ela fechou o espaço entre si e o diretor, abaixando-se até estar ao seu lado, colocando dois dedos sobre pescoço do homem, checando sua pulsação.
— Ele está perdendo muito sangue. — Sofya avisou, saindo daquele torpor surpreso.
— Fez pressão?
— Sim.
A garota não gostava nem um pouco da mulher, mas tinha noção que uma agente sabia o que fazer em horas como aquelas. Como o imaginado, Carter deu início aos primeiros socorros, enquanto falava pelo ponto em sua roupa.
— Foxtrot abatido... sem resposta, envie paramédicos.
Sofya levantou o olhar para Steve, que tinha toda a sua atenção na janela, na mesma direção em que os tiros vieram, e ela soube que ele havia encontrado algo.
— Identificação do atirador?
Sofya entrou na mente do homem, enxergando através dos olhos dele, sentindo o que ele sentia.
Os pensamentos dele eram conflituosos e variava entre a discussão de Nick pela manhã, à conversa de a pouco tempo. O herói tentava entender o que Nick queria lhe dizer, entregando aquele pen drive, avisando ele.
A noite estava escura o que poderia ser um problema para outro, não para Steve. Em meio a noite não foi difícil reconhecer a estatura de um homem. Steve não sabia quem era ou o que queria, mas descobriria. Ele viu-se pulando e alcançando o homem misterioso.
Ordenando por respostas.
Sofya balançou a cabeça e chamou por ele:
— Steve...
Seja quem for, não pode sair impune de suas ações. Steve pensou, encarando a garota por um breve momento.
Por fim, ele diz:
— Diga que estou em perseguição. — mandou à loira, e assim o fez, como a Stark havia visto nos pensamentos do homem.
Steve Rogers tomou impulso e pulou pela janela, enquanto Sofya ficou no apartamento, com o coração apertado e a mente preocupada.
Sharon Carter murmurou algo desconhecido para o outro lado do ponto, enquanto Sofya permaneceu com mão sobre o peito de Fury, o mesmo, já inconsciente.
— O que houve?
O braço da garota doía pelo fato de não movê-lo do lugar, e não havia mais o que se fazer, Carter já fizera suas ligações, Steve ainda não havia voltado e Sofya continuava ali.
Por um momento, a garota sentiu-se um tanto inútil. Entretanto, tinham que esperar por alguém especializado que pudesse tirar Fury dali.
Ainda sim, me sinto inútil. Ela pensou.
— Ele levou um tiro. — respondeu a pergunta em um tom óbvio, que não pareceu agradar a mulher.
Sofya realmente não gostava da Vizinha, e ao que parecia, o sentimento era recíproco.
— O que o diretor da SHIELD fazia na casa do Capitão América? — insistiu agente 13.
— Não sei. — a Stark franziu o cenho, encarando a mulher. — Isso é um interrogatório? Se for o caso, eu tenho o direito de permanecer calada.
Não estava zombando nem nada, — suspeita. — mas talvez o sobrenome Stark tenha uma péssima influência sobre as pessoas, ninguém acreditava quando eles levavam algo a sério.
— O diretor pode morrer e isso recairá sobre seus ombros. — a loira avisou.
— Não foi eu quem puxou o gatilho. — retrucou a garota, estreitando seus olhos, nenhum pouco feliz com a conversa.
— Mas está escondendo algo relacionado ao ataque contra o diretor de uma agência de espionagem. O que acha que pensarão de sua presença no local do incidente?
Sorrindo sem humor, Sofya voltou a olhar o diretor que apresentava uma aparência pálida.
— Que eu tenho um péssimo senso de tempo.
— Me ajude a ajudá-la, Stark. — o olhar compassivo da agente não enganou a morena, Sofya riu baixinho.
— Não tenho nada a declarar, agente Carter.
Sharon suspirou, impaciente.
— Que você não se arrependa.... — declarou. — E saiba que ficarão em cima do Capitão Rogers que, provavelmente, pagará por sua... falta de auxílio.
Falta de auxílio! FALTA DE AUXÍLIO!!! Que merda ela quer dizer com isso!? Sofya encarou a loira, as sobrancelhas franzidas.
—Por que Nick Fury iria querer proteger alguém disposto a matá-lo... isso não tem lógica. — Sofya retrucou irritada com a implicância da Carter.
— Mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda. — Sharon recitou. — Já ouviu essa frase?
— Também já ouvi que mexer com os sentimentos de alguém, seja amor, raiva ou medo é um tipo de abordagem para conseguir informações. — Sofya ergueu-se do chão, encarando a mulher em desafio. — Não vai funcionar agente, não tenho nada para você hoje.
Carter não disse mais nada e a Stark afastou-se da loira, respirando fundo e controlando a vontade de gritar com a mulher. Colocou a mão sobre a mesa da cozinha e notou que ela tremia.
Respire....
Pegou um copo no armário e tomou um gole de água tentando, de alguma forma, se acalmar.
Inspire....
Não demorou para que a equipe médica chegasse, e enquanto o diretor era colocado na ambulância, Steve chegava.
Sofya caminhou até ele, um tanto ansiosa, a calmaria do herói sempre dava paz a garota, porém, os olhos do loiro pareceu uma confusão de sentimentos. Steve estava tão confuso quanto ela.
A garota conferiu se o herói estava bem e o encontrou sem nenhum arranhão, isso acalmou seu coração.
O que poderia fazer? Mesmo que sua mente dissesse que Steve era um ninja, completamente capacitado para o combate, seu coração dizia que Steve precisava de alguém por ele, que o herói não era invencível, que era tão humano como ela.
Ela se preocupava.
— Então?
— Nada. — ela olhou no fundo dos olhos do homem, procurando por alguma informação.
— Tem ideia de quem seja o atirador?
— Não sei, — negou, algo incomodava o homem. — Mas era perigoso. — Steve finalmente encarou Sofya e se aproximou. — Como você está?
— Intacta. — ela suspirou. — Fury está sendo levado a uma base médica da SHIELD.
O homem assentiu:
— Disseram algo?
— Não, mas estou com o endereço do hospital.
Sofya não estava surpresa com com a preocupação de Steve com seu chefe, afinal, foi Fury quem deu-lhe a notícia de que dormirá por anos, que deu-lhe um propósito contratando-o para a SHIELD. Então não era difícil entender o sentimento do homem, ela só não entendia a sua preocupação por parte do diretor.
Confusa como sempre, e ela não seria Sofya se não tivesse esses dilemas.
Mentalizando a última imagem que tiveram do diretor, ambos caminharam até a moto e foram em busca de notícias.
Perguntando-se o diretor ficaria bem.
AGORA
Sofya expirou e ouviu atentamente o que a mulher lhe dizia, mexendo em sua bolsa para pagar a conta.
— Vamos sair pela porta a direita. — a mulher explicou. — Você irá na frente e eu estarei logo atrás, te seguindo. Não vá para a saída.
Maria Hill fechou sua revista e tomou um último gole de sua bebida.
— Faça seu check in, entre na primeira sala à sua esquerda após virar o corredor. — a agente levantou da cadeira e sem olhar para a jovem, continuou suas recomendações. — Não entre no avião e, por favor, não seja pega.
Sofya com toda certeza não desejaria estar nas mãos de uma bando de sanguinários nazistas, então obedeceu as ordens da agente, tentando não dar sinal de que sabia da existência dos hidrianos.
Hidrianos, foi a forma dela chamar os manda chuva da agência nazista..
Bando de pé no saco que não tem mais o que fazer. Pelo amor! Afinal o que eles tanto querem comigo? Ela pensou.
Sofya fez conforme lhe foi dito e ao passar pela porta, deu de cara com o achados e perdidos do aeroporto.
Como sairia dali, era um mistério.
Ela encostou-se em uma parede longe das vistas de quem entrasse no local, e fechou os olhos para concentrar-se. Foi mais difícil entrar na rede de controle de um aeroporto, sem estar perto da própria sala, mas conseguiu. Sofya viu tudo através das câmeras e mesmo sem indicação maior, soube que havia alguém da Hidra controlando as câmeras para encontrá-la.
— Went evil, friend. — murmurou, ao desligar câmera por câmera.
Após as câmeras desligadas, Hill apareceu, um pouco ofegante, mas com o mesmo olhar determinado que a jovem já reconhecia na mulher.
— Já podemos ir. — a mais velha avisou, enquanto apontou a porta para a garota.
— Ir para onde?
— Um jatinho nos espera na pista de pouso. — explicou Hill, e Sofya piscou sorriso.
— Muito bom.
— Temos que ser rápidas. — a mulher ignorou o elogio e continuou a caminhar, sendo seguida pela mais nova, que ostentou um olhar preguiçoso, como se não estivesse correndo risco de algum hidriano sequestrá-la. — A essa altura eles já nos encontrou através das câmeras...
— Sobre isso... — a Stark pronunciou levemente. — Já está resolvido.
— Está resolvido? — a mulher estreitou os olhos na direção da garota.
— Sim. — respondeu e continuou a caminhar, sem dar qualquer outra resposta a mulher, Hill também não insistiu no assunto.
Chegaram ao jatinho sem qualquer incidente, e entraram preparando-se para sair do aeroporto. Maria foi para seu assento no piloto, e Sofya sentou-se em uma das poltronas incrivelmente confortáveis.
— Não sabia que tinha um jatinho. — a garota comentou.
— Não tenho. — respondeu a mulher, apertando alguns botões enquanto o som do motor ligando foi ouvido. — Isso é para momentos de emergência. Fury quem comandou... ele tem um amigo, dono do lugar. — apontou para o aeroporto. — Tá guardado aqui a anos. — explicou, relaxada.
— Interessante.
— Não imaginei que impressionar uma Stark fosse tão fácil.
Sofya riu, espreguiçando na cadeira.
— Não estou falando do jatinho, achei interessante você falar de Fury no presente... — Sofya parou sua frase, esperando pela resposta que não veio. — Agente Hill? O gato com.... — a Stark parou bruscamente a provocação, assim que um pano foi prensado sobre seu rosto.
Com o susto Sofya se debateu, e ao sentir o cheiro ardido invadir suas narinas, prendeu sua respiração o mais rápido que pôde.
O desconhecido voou de volta para o assento e ela pulou de seu lugar, virando-se para encontrar um homem gigante, e pelo modo que a encarava, hidriano.
— Sofya...
— Temos companhia. — Sofya avisou, chacoalhando a cabeça pelo fraco efeito do remédio.
Small Plain levantou vôo e Maria Hill não pôde, simplesmente, pousar o avião e lutar contra o homem.
Não... Sofya teria que se virar.
— Ei amigo! — a garota sorriu, hesitante. — Que tal fazermos um combinado, você não me ataca e eu não te dou uma surra.
A última vez que tentará dar um soco em alguém, Sofya teve que fazer um esforço gigantesco para não gemer de dor, os treinos com Joe foram bons, mas não transformaram ela em uma máquina de luta.
Não poderia fazer muita coisa e muito menos dar uma surra.
O homem riu e foi para cima dela.
— Droga. — a agente Hill murmurou em seu assento, ao ouvir os barulhos que vinham de trás dela.
ANTES
Natasha Romanoff chegou logo que a operação foi iniciada. Stark, Rogers e Hill continuaram calados, apenas observando.
Sofya segurava a mão do herói, encarando a atual situação do diretor. Ela imaginava quem eram os responsáveis pelo ataque ao homem, e sua teoria foi compartilhada com o herói ao seu lado, e quando ele lhe contou do encontro com o homem responsável pelo tiro... as peças iam se encaixando lentamente na cabeça da garota.
Fury dizendo que a SHIELD estava comprometida, então sendo atacado.
Estava tudo interligado.
— Ele vai sobreviver? — o murmúrio da Viúva foi alto para que todos ouvissem.
— Eu não sei. — Steve respondeu.
Não era difícil reparar o quão abalada a Viúva parecia com a notícia, mas afastando-se do sentimentalismo, a ruiva suspirou:
— Fala-me do atirador?
Steve Rogers olhou a colega de trabalho de relance, antes de responder:
— Ele é rápido, forte e tinha um braço de metal. — descreveu brevemente.
Sofya sentia-se curiosa com a parte do braço de metal, a cada informação, suas suspeitas sobre a Hidra tinha ainda mais fundamento.
— Balística? — a ruiva indagou.
— Três projéteis, marcações não rastreadas. — desta vez, Maria Hill respondeu.
— É soviético. — concluiu Natasha.
— É... — afirmou agente Hill.
Sofya sentiu um aperto em sua mão e olhou para Steve que a encarava.
Não é mais seguro. Ouviu o homem pensar.
Sofya voltou a olhar para a frente, para a sala de cirurgia, onde os médicos pareciam estar com problemas.
— Está tendo um colapso.
Aquilo não era bom.
Droga caolho. Sofya pensou, compartilhando do mesmo sentimento angustiado dos demais.
— Ajude com o cobertor... — Todos pareciam prender a respiração. — Desfibrilador! Quero uma carga de cem.
Sofya engoliu a seco resistindo a vontade de sair daquela sala, tudo ali lembrava sua mãe, dos dias inquietos em que deixou com que ela sofresse.
De como Sofya fez com que a mãe parasse lá.
Viúva Negra murmurou, não importando-se com a fachada casca grossa que sempre transmitiu:
— Não faz isso Nick.
Com o comando do médico, todos os outros afastaram-se do corpo deitado sobre a cama, e o doutor bateu o desfibrilador sobre o peito do diretor, fazendo seu peito erguer-se bruscamente para cair de volta na cama, imóvel.
— Pulso?
— Negativo.
— Duzentos, por favor.
Todos afastaram-se, ao pedido do médico cirurgião. E fizeram todo o processo novamente.
— Pulso?
— Nada.
Nick Fury estava morrendo.
— Mãe?
A garota levantou e andou lentamente, o coração batendo aos pulos e suas mãos tremendo pelo medo.
— Mãe! — ela gritou e viu uma forma caída em meio ao escombros. Sofya correu e caiu ao lado do corpo imóvel da mulher, e tocou seu rosto.
— Mãe. — chamou, enquanto lágrimas começarem a correr por seu rosto. — Por favor, acorda! Me desculpa mãe, acorda....
— Não faz isso Nick. — Viúva falou, mais alto e angustiante. — Não faz.
Sofya não suportaria mais nenhum instante naquela sala, e fez exatamente o que seu desespero pediu. Ela saiu da sala o mais rápido que pôde, Steve foi logo atrás.
O herói a encontrou sentada, pressionado as mãos sobre o peito e ficou instantaneamente preocupado.
— Sofya, está tudo bem? — encarou a garota mais atentamente. — Se machucou? — olhou para a mãos dela, franzindo o cenho.
Ele não fizera uma análise completa dela antes, pois, estava preocupado com o diretor, mas confiou quando ela disse-lhe que estava bem. Intacta, foi a palavra.
A morena deu um sorriso sem graça e encolheu os ombros:
— Fiquei angustiada, não quero ver o que irá acontecer. — suspirou. — Lembra muito quando minha mãe morreu. — explicou.
O homem assentiu e ainda preocupado, abaixou até estar na altura dela, e com leveza soltou suas mãos lentamente, apertando-as com as suas.
— Sinto você ter passado por isso tão cedo. — Sofya piscou e seu coração acelerou.
Sempre lhe diziam: sinto muito, ou Sua mãe era uma boa mulher e ate mesmo, sinto pela morte dela.
Porém, desde o acidente em Central City, nunca lhe disseram o que o homem disse, nunca olharam nos olhos dela com tanto carinho e sinceridade, sem julgamentos, e o homem talvez não soubesse o quão valioso foram aquelas palavras.
— Está tudo bem, mas obrigado. — ela deu um sorriso fechado, puro e verdadeiro.
O homem a puxou para si aconchegando-a em seu peito, e Sofya soube, aquele abraço não era uma simples demonstração de afeto, era uma despedida.
— Não sei se consigo deixá-lo para trás, sabendo que pode estar correndo risco... — Sofya admitiu em um tom angustiado. — Me culparia por toda a vida se algo te acontecesse.
— Não se preocupe. — Steve tocou o rosto da garota. — Ficarei bem. — ele afirmou suavemente.
Aproximaram-se tocando os lábios em um beijo demorado, apenas sentindo um ao outro. A boca, o gosto, o cheiro. Sofya queria tudo, Steve queria dar-lhe tudo. Infelizmente, aquela não era um bom momento. Então se afastaram e Sofya pôs as mãos sobre o rosto dele, mantendo-se perto do homem.
— Tenho um vôo marcado para mais tarde. — comentou levemente.
Steve concordou suspirando:
— Fico aliviado.
— Que fique bem claro que a decisão foi minha. — o herói concordou. — E que homem nenhum manda em mim. — Sofya continuou, e Steve não resistiu ao pequeno sorriso que apareceu.
Era um momento tão delicado e Sofya ainda conseguia fazê-lo rir.
Encantadora. Steve pensou
Ela estreitou os olhos na direção do herói.
— Eu ouvi.
— Encantadora. — Steve repetiu, em um tom baixo que fez o pelos da nuca dela arrepiarem.
A porta da sala abriu e Natasha e Maria saíram, ambas com expressões de tristeza. E aquilo foi o bastante para que eles soubessem, toda a magia que o casal compartilhava foi quebrada ao perceber.
Fury não sobreviveu.
Cada um teve um tempo para se despedir do diretor, e logo após, Sofya foi embora. Seguida da saída da garota, Steve foi chamado com pressa pela SHIELD, ambos não sabiam, mas estavam sendo vigiados.
E a Hidra logo mostraria suas garras.
AGORA
Ela desviou para o lado,no momento que o homem pulou para ataca-lá e caiu sobre uma das poltronas.
— Toma essa.
A Stark não resistiu e provocou o grandalhão, que não pareceu nem um pouco satisfeito em ser motivo de piada.
Ele levantou-se furiosamente, e impulsionou seu corpo para atacá-la novamente, mas parou no último instante assistindo a Stark esgueirar-se para a esquerda, e agarrou a garota pelos braços, levantando-a do chão. A morena se debateu e ele a apertou mais forte.
— Que falta de cavalheirismo. — Sofya reclamou, em uma expressão dolorida.
Foi automático, mas de alguma forma Sofya conseguiu acertar em cheio, o meio das pernas do homem, e soltou-se de seu aperto, observando ele tropeçar em uma das poltronas, então, pegou o primeiro objeto que encontrou — um livro? — e bateu em sua cabeça, em uma tentativa de nocautear o homem, que cambaleou para trás. Ainda sim, o hidriano recuperou-se mais rápido que o esperado, e a derrubou no chão. A garota resmungou de dor ao bater a cabeça no chão.
Foi uma bagunça... Sofya lutou contra o peso do homem sobre si, que apertava seu pescoço. Ela se debateu, e em meio ao desespero Sofya notou a porta do jatinho, assim, uma idéia lhe veio à mente.
Nós estamos no ar e eu posso tentar me controlar. A garota considerou.
Foi complicado concentrar-se enquanto o ar fugia de seus pulmões, mas quando eles inclinaram para o lado e uma ventania tomou conta do lugar, Sofya soube que havia conseguido abrir a porta do avião.
— Stark!
Maria Hill ficou realmente preocupada quando um sinal soou no painel de controle, avisando que a porta de emergência havia sido aberta.
Louca, a garota é completamente louca.
O hidriano, deixou de apertá-la para segurar em algum lugar de apoio, mas Sofya o empurrou para trás. O corpo do homem rolou enquanto o dela permaneceu pressionado sobre chão. No último instante, o homem conseguiu agarrá-la pela perna, e Sofya apenas pôde assistir quando ele fincou uma faca em sua perna.
Ela gritou:
— Desgraçado, filho da pu... — os xingamentos não foram nada elegantes, Sofya chutou o rosto do homem descontando sua raiva, e ele pairou no ar antes do vento puxa-lo em direção a porta.
O desconhecido chegou a segurar-se, — mais uma vez — na porta do meio de transporte, mas a ventania era forte demais para que ele pudesse permanecer dentro do jatinho.
O hidriano soube que não sobreviveria, e ainda assim, sua fidelidade a Hidra não falhou, e como um bom e fiel escudeiro, deixou suas últimas palavras antes do vento levá-lo:
— A Hidra está de olho em você. — ele sumiu no ar e com um movimento das mãos, Sofya fechou a porta de emergência soltando um suspiro dolorido ao mexer sua perna.
Ela voltou-se para o local atingido, e observou a faca cravada em sua perna, a dor atingiu-lhe em cheio quando a adrenalina abandonou seu corpo. Sofya se debruçou em uma tentativa de levantar do chão, e desistiu. Ficou por uns instantes perdida em seus pensamentos, a frase dele soando e seus ouvidos. Então balançou a cabeça, finalmente ouvindo a agente chamando por ela.
— Estou bem. — tentou tranquilizar a mulher no controle. — Mas talvez eu precise de uma pequena ajuda.
E voltou-se para a perna imóvel.
***
Sofya passou grande parte da viagem revezando entre conversar com a agente, informando sua situação e pressionando a mão sobre o machucado. Talvez tenha se passado tempo demais, mas quando chegaram a um lugar desconhecido pela garota, ela já não encontrava-se bem.
Sofya notou que perdeu sangue demais durante o caminho, e pela sonolência, imaginou que talvez estivesse com uma concussão pela queda, no entanto, ela entregou o que Hill foi buscar no aeroporto.
— Está em minha bolsa. — avisou a morena, grogue. — Acho que o imbecil do caolho vai ficar feliz em ver o que há dentro.
Maria Hill, parou:
— Quando descobriu? — perguntou em um tom calmo. Sofya soube da fachada no momento que a mulher calou-se, tensa.
María Hill realmente achou que Sofya não descobriria!
— Ora.... — a Stark meio bufou, meio riu. — Você me disse.
— Não, eu não disse.
— Acredite agente, o seu silêncio falou muito... ele praticamente gritou a verdade. Eu só juntei uma coisa aqui, outra ali. — Sofya encarou a faca cravada em sua perna e fez uma careta. — Isso está doendo bem mais do que eu pensei ser possível.
Maria Hill continuou a encarar a Stark com desconfiança, o que fez a jovem bufar.
— Sabe.... eu meio que preciso de uma ajuda aqui. — comentou.
A mulher, por fim, ajudou a garota e à apoiou até a base antiga da SHIELD, constatou Sofya, ao observar o lugar silencioso. Logo, médicos foram chamados para ajudar a Stark, e ela fora levada para a mesma sala em que o diretor estava.
Sofya riu quando o encontrou acordado, enquanto lhe ajudavam a sentar.
— Fury! Seu trapaceiro de uma figa.
A Stark não admitiria, mas ela ficou realmente feliz em ver que Nick Fury encontrava-se bem e vivo.
O diretor, que a poucas horas fora considerado oficialmente morto, estava vivo. E aparentemente, muito bem.
— Bom ver que está inteira, Denova.
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