A pergunta fez seu corpo estremecer e, mesmo contra sua vontade, a voz saiu trêmula por conta das lágrimas:

– Eu nunca gostei de um cara antes, então não tenho certeza — era verdade.

Em sua mente gostava apenas do loiro e por isso não conseguia dizer se sua orientação sexual era realmente aquela ou se era bissexual, ou panssexual. No momento conseguia apesar se ver como "Wesleyssexual". O pensamento o faria rir noutro momento, mas certamente não agora.

– Cê tem certeza que não tá só confuso? — Ficava um tanto incomodado ao vê-lo chorar, mas não sabia ao certo como consolá-lo. Sequer conseguia fazer isso propriamente com as mulheres. Por vezes achava que elas apenas falavam demais e as deixava, um tanto atordoado, não entendendo a lógica de todas suas reclamações.

– Não faz eu me justificar, por favor, é muito vergonhoso — saiu um tanto desesperado e agora começava a tremer.

"Se eu estivesse confuso não ficaria de pau duro por sua causa" definitivamente não devia ser algo muito agradável para seu amigo hétero dizer, e sinceramente já queria cavar um buraco no chão para se esconder apenas com aquela declaração.

– Para de se encolher, Rodrigo, fala logo — ele empurrou o rapaz para o lado com um de seus ombros, ainda aparentando curiosidade. — Vai ver cê achou a minha vida diferente e quis algo igual, cê pode tar confundido tudo.

– Não é nada disso! — falou mais do que desejava, começando a ficar irritado pela falta de compreensão do outro. — Olha, eu sei que é bizarro receber uma declaração assim, ainda mais de um amigo seu, ainda mais também homem, mas... Mas! — e ficou quieto novamente por um momento, mordendo o lábio inferior.

Acabaria se machucando caso o fizesse com ainda mais força.

– É que cê não tem jeito de viadão, Rodrigo, sei lá — e então continuou a fitá-lo, ainda com as mãos no bolso. — Mas o quê?

E então o coração disparou ainda mais.

Sabia que todo o sangue migrara para lá pois começava a sentir as extremidades do corpo geladas e dormentes. Era muito nervosismo.

– Mas se eu não tivesse certeza, não ia querer fazer isso — e puxou-o para si por um dos braços, pressionando os lábios sobre os seus.

Fazia como a mulher lhe demonstrara no baile, embora ainda fosse inexperiente. Deslizou a língua para dentro dos lábios do rapaz, estremecendo um tanto ao sentir como era quente, assim como provar o sabor.

Levaria um soco.

Tinha certeza que levaria um soco.

Talvez uma bela surra.

Mas valeria a pena, esperava.

Os olhos de Wesley se arregalaram, sentindo que aquele rapaz tinha mais força do que conseguia imaginar, pois não estava conseguindo se desvencilhar. Mas não havia motivo para pânico, não é? Apesar de ser um homem, não deixava de ser uma boca humana, quase parecida com o de uma mulher, não é?

Mesmo assim, não era muito legal ser beijado do nada. Precisava dar um susto em Rodrigo, para ele perceber que esse tipo de coisa era apenas um engano de sua cabeça. E como não tinha muitos pudores, colocou imediatamente uma das mãos entre suas pernas, apertando-o. Apostou que ele sairia correndo e desistiria depois disso.

E, de fato, o rapaz se surpreendeu com o ato. Jamais esperava que o loiro pudesse fazer algo daquele tipo, não consigo!

Mas, para a surpresa do maior, o que recebeu não fora um empurrão, nem reclamações, nem nada daquele tipo.

Apenas sentira a vibração em sua boca pelo gemido abafado do moreno, assim como a mão se apertando no braço que segurava. Mais do que isso, sentia o volume em sua mão começar a crescer.

Não era um engano, definitivamente.

"Caralho".

Fora a primeira palavra que viera na mente de Wesley ao se deparar com aquela situação.

Mas também, por que tivera a ideia demente de apertar o seu pênis? Poderia tê-lo empurrado e falado para parar com aquela brincadeira. Agora ele provavelmente tinha entendido que estava correspondendo. E na verdade, Rodrigo parecia tão entregue quanto as "putinhas" que ele "pegava". Com a exceção que ele tinha um "pau".

Ele não seria "viado" a menos que desse o "cu", não era mesmo? Ou era assim que as pessoas costumavam pensar. Aquilo poderia ser apenas uma brincadeira. Rodrigo não poderia ir tão longe em um local público também. Logo ele iria se cansar e se afastar. Ou talvez precisasse masturbá-lo antes. Só não queria se empolgar também apenas com a ideia de fazer isso.

Agora sim queria dar um soco naquele rapaz. Estava ficando tão confuso quanto ele.

Rodrigo estava, de fato, imensamente confuso com aquilo. Pensava que ele não gostava de homens!

Mas, bem, não poderia desperdiçar uma chance como aquela, talvez jamais conseguisse outra igual.

Ainda com certo receio e constrangimento, levou a outra mão também ao falo do outro, pressionando suavemente enquanto roçava a língua pela sua. Tentava movê-la da forma mais provocante possível, embora não tivesse muita certeza do que fazia.

Wesley deu um pequeno pulo ao sentir a mão tocar naquela parte, mas não queria soltar nenhum ruído ou indicar que estava apreciando aquilo. Estava apenas brincando, não é mesmo? Provavelmente era algo que iria experimentar e nunca mais voltar a fazer. Uma brincadeira saudável entre amigos. Sim, foi isso que decidiu que seria e, portanto, não hesitaria mais.

Começava a abaixar lentamente o zíper da calça de Rodrigo, passeando com as pontas dos dedos pelo contorno de seu membro. Se fizesse do jeito que ele próprio gostava, tinha certeza que o moreno gozaria instantaneamente e aquilo poderia acabar. O local estava isolado o suficiente para poder colocar uma das mãos dentro de sua cueca, e foi exatamente isso que fez.

E outro gemido abafado escapou pelos lábios do moreno, não parecendo disposto a ser tão discreto quanto o outro, não quando era tocado daquela forma pela pessoa amada.

Inclinou o rosto e aprofundou mais ainda o beijo, mimicando suas ações. Abriu suas calças e deslizou a mão para dentro de sua roupa íntima, envolvendo seu membro com todos os dedos, começando a massageá-lo lentamente com os mesmos.

As próprias pernas começavam a ficarem um tanto bambas por não estar acostumado a receber aquele tipo de tratamento de uma mão que não fosse a sua própria. Abraçou-o forte como conseguia, mesmo que pela metade, o braço enlaçando-se em sua cintura.

Eram tantos espasmos diferentes e intensos, parecia que perderia o ar e desmaiaria, embora nada disso realmente acontecesse.

"Seu puto". Wesley pensou, ao sentir que Rodrigo estava tentando dominar a situação, do mesmo modo que o loiro começava a fazer com as meninas. Já estava fazendo um grande esforço ao "bater uma" para ele, não iria permitir mais do que isso. Pressionou a mão livre contra um de seus glúteos, empurrando-o aos poucos até a parede, fazendo questão de prensá-lo lá, como se estivesse indicando quem realmente estava no comando. A sua mão deslizava pelo pênis do moreno com mais intensidade, concentrando-se em sua glande em algumas ocasiões, provocando a ponta com o polegar, sentindo-a molhada.

E mais gemidos escaparam parcialmente abafados pelos lábios do que começava a ser subjugado.

A diferença era que, ao contrário do outro, não parecia fazer uma grande questão de ter o controle da situação, apenas desejando corresponder todas as provocações, para também dar-lhe prazer.

"Wesley" chamou. Mas seu nome saiu como um gemido incompreensível, já que a língua estava ocupada demais em outra tarefa.

Todo o corpo estremeceu fortemente ao ser prensado e sentir o corpo do outro com tanta precisão, apertando-se contra ele num ato automático. Era provocante demais, delicioso demais, temia que acabasse não suportando por muito tempo e não o queria. Queria fazê-lo atingir o orgasmo também, oras!

A mão, mesmo um tanto dormente pela sensação deliciosa, começou a passear com mais rapidez e volúpia pelo pênis do outro, imitando seus atos em alguns instantes, especialmente ao pressionar o polegar contra a glande. Chegava a movê-lo de forma circular algumas vezes, repetindo o ato ao ver como seu corpo reagia bem.

Estava perdido e sequer se importava.

– Hum...? — Teve a impressão de ouvir o seu nome sendo chamado, mas preferiu não lhe dar tantos ouvidos. O seu corpo também se arrepiava e parecia apreciar a forma hábil com a qual o seu membro era provocado, o que fazia sentido, pois o outro jovem deveria ter se masturbado diversas vezes e sabia muito bem como fazê-lo, mesmo que fosse com outro rapaz.

Mesmo assim, recusava-se a gozar antes do outro rapaz, e justamente por isso, começou a intensificar os seus movimentos e deixá-los ainda mais apelativos, sentindo a mão deslizar pelo seu membro com cada vez mais intensidade.

O corpo prensado contra a parede começava a se contorcer cada vez mais e mais intensamente, o falo já um tanto molhado por todas as provocações, enquanto a outra mão se fincava na camisa do loiro com vontade, descontrolado como estava.

Era demais.

Não queria, mas era impossível. Não quando ele parecia saber exatamente onde tocar em cada ponto de sua parte íntima até levá-lo à mais completa loucura.

Puxou-o para si com toda a vontade e, ainda roçando a língua vigorosamente contra a sua, deixou que um gemido um tanto mais alto escapasse por entre seus lábios, arfando em seguida.

Mesmo após o ápice, não se daria por vencido. Segurava-o firme contra si, tentando impedir que fosse embora, continuando a massagear-lhe o membro com ardor. Pressionava suavemente perto da glande e então soltava, voltando a fazer os mesmos movimentos de subir e descer, agora intensamente, desejando de todo o coração também fazê-lo sentir-se bem.

– Nnnnn.... — O loiro deixou escapar em um momento de fraqueza, sabendo que apesar de tudo, não era de ferro e não conseguiria ficar completamente quieto por muito tempo, por mais que essa fosse a sua intenção no início.

Todo o seu corpo se arrepiara fortemente, os olhos se apertando um tanto, chegando a morder os lábios do outro rapaz contra a própria vontade. Havia atingido o ápice também.

Mesmo tendo soltado seu falo ao sentir o orgasmo, Rodrigo continuava com o beijo, embora de forma mais suave do que antes.

Era como um sonho do qual não desejava acordar mais, definitivamente.

Sentia as pernas bambas e o resto do corpo um tanto dormente, mas era delicioso. Sentia arrepios pelo corpo apenas ao lembrar o que acabaram de fazer. Algo que criara em sua imaginação se tornara realidade, era mesmo impressionante. Tanto que preferia não pensar nas consequências que viriam demais, apenas desejando desfrutar daquele contato delicioso.

– Cara, que porra foi essa? — E todos os seus sonhos e delírios foram interrompidos por um comentário bem real de Wesley, que ainda parecia se recuperar um tanto do ocorrido também, embora tentasse não demonstrar de uma forma visível.

– Hã? — abriu os olhos em surpresa, o coração se apertando repentinamente com aquela pergunta. Começou a entrar em pânico. — E-eu não sei! Você começou? — respondeu no desespero, embora não desejasse realmente jogar toda a responsabilidade em suas costas.

– Claro que não, cê que me beijou antes — ele deu um pedala no outro rapaz, como se isso pudesse ajudar a sua memória a ficar mais apurada e realmente se lembrar dos fatos.

– Ah! — aquilo não chegava nem perto de toda a violência que esperava receber após fazer algo assim. — Porque você não acreditava que era verdade, por mais que eu dissesse! — tornou-se então consciente de seu estado, pondo seu membro de volta na roupa íntima, fechando as calças. — E estava tão perto, eu... Eu não pensei direito — admitiu, erguendo um olhar repleto de vergonha em sua direção. — E pensei que você fosse me empurrar pra longe ou coisa assim, não beijar de volta. Ainda mais começar a me masturbar — gaguejou na última palavra, como se proferi-la deixasse toda a situação muito mais palpável.

– Eu achei que cê ia me empurrar se eu apelasse e ia perceber que não é viado — ele então começou a resmungar, também arrumando a própria roupa e subindo o seu zíper. — Só que não, ficou me deixando parecer viado junto.

– V-você acha mesmo que vai enfiar a mão no pau do cara que acabou de se declarar e não vai acontecer nada?! — disse um tanto alto, inconformado com a situação.

– Cê quer que todo mundo ouça?! — Foi a vez de Wesley ficar sem-graça, fitando-o com os olhos um tanto arregalados.

– Desculpa! — o tom saiu um tanto mais alto e alterado dessa vez, apertando ambas as mãos em punhos. — Eu não devia ter feito isso, mas pensei que seria minha única chance e você nunca mais ia querer olha pra minha cara então fiz de uma vez mas eu realmente não esperava nada em troca então fiquei muito feliz por você ter me correspondido mas agora você está com nojo de ter feito algo assim comigo e eu não sei o que fazer! — disse tudo tão extremamente rápido que provavelmente o outro não conseguira compreender completamente.

A cabeça de Wesley tinha ficado tão confusa quanto da outra vez, em que uma moça havia derrubado cerveja em seu cabelo e começado a chorar, xingando-o de diversos nomes, antes de quase entrar em coma alcoólico e precisar ir direto ao hospital. Segurou a cabeça de Rodrigo com ambas as mãos, apertando os lábios contra os seus com intensidade, mas sem usar a língua, soltando-o apenas quando tivera a impressão que ele ficaria calado e não surtaria mais. E então suspirou.

– Sossegou?

Ao afastar o rosto, notava que o moreno o olhava com os olhos arregalados em extrema surpresa, sem dizer uma palavra sequer, apenas assentindo suavemente.

– Você não me odeia? — fora a primeira coisa que viera à sua cabeça.