N I N E C R I M E S
3 A convivência.
Notas iniciais
A convivência.
“Mestre Milo?”, a morena bateu duas vezes na porta do quarto do escorpiano esperando alguma resposta.
“Sim, Ailith?”, a voz sonolenta do rapaz a fez abrir um sorriso de surpresa.
“Só queria saber se o senhor precisa de alguma coisa para hoje. O café já está pronto, então se não tiver problema gostaria de ir mais cedo a cidade comprar umas roupas novas, já que não estava preparada para a...”, antes que completasse a frase a porta se abrira de imediato.
“Arrume-se, irei com você.”
Era a primeira vez que vira o Mestre daquela forma. Cabelos loiros desalinhados, despenteados e bagunçados demais para a sua surpresa. Pensou em falar algo, mas seu olhar se deteve no torso nu e bem trabalhado do mais alto, mostrando as marcas deixadas pelos lençóis, enquanto o mesmo dormira. Ficou sem ação ao se pegar observando atentamente cada detalhe dos músculos do outro, e mesmo sem saber o que fazer seu corpo agiu apor instinto.
A face corou e abaixou de forma ligeira, enquanto suas mãos se fecharam desesperadas, e seu corpo, voltou-se para o lado e deu dois passos para sair da frente do mais velho. Ela não conseguiria encará-lo, não quando fora pega tão repentinamente.
“O que foi, Ailith?”, sentiu a aproximação do outro assim como a mudança na sua voz.
Não sabia que encontrar Milo ao acordar se transformaria naquilo. Na verdade, nunca o acordava, afinal, não achava preciso uma vez que ele era o mestre e ela a aluna. Mas percebera de longe a mudança de temperamento do outro. Ele estava mais sério, talvez até mais sensual que o de costume e isso a assustava. Detestava não saber como agir ou como reagir.
“Você não respondeu Ailith...”, ele tocou o queixo dela e o puxou de forma que a pudesse observar com seus olhos sérios, agora escuros.
“Nã-Não foi nada Mestre Milo.”, foi a única coisa que conseguiu permitir que saísse dos seus lábios.
Ele a aproximou ainda mais de si, a puxando pelo pescoço enquanto sua respiração entrecortada saía pesada, densa demais para ser a do dia-a-dia a qual ela se acostumara. O peitoral nu do outro tocou o seu busto, a fazendo perder a pose o suficiente para mostrasse indefesa nas mãos dele.
E ao ver isso Milo sorriu, sentindo-se vitorioso. Na verdade, quando começara, não sabia que iria chegar aquele nível, aquela confirmação. Ela ficava sem muita reação quando era pega de surpresa e ainda mais quando a tratava daquele jeito tão peculiar. O loiro aproximou seus lábios dos da morena, sussurrando com a sua típica voz rouca, característica do seu acordar.
“Isso é para você aprender a não me acordar.”, e a soltou, voltando para o seu quarto e fechando a porta. Precisava de um bom banho para despertar.
Ela soube ali que não deveria subestimar o poder do Escorpiano ao ser acordado. E foi com o coração batendo a mil, enquanto sua respiração se estabilizava que Ailith decidira aprender mais sobre o mestre ao longo da convivência. Contrariada e irritada pela sua postura, a morena voltara para o seu quarto decidida a ir sozinha a cidade.
Continua.
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