Notas iniciais
Parte quatro de nove.

O treinamento.

Os corpos se chocavam um contra o outro numa batalha acirrada. Nenhum dos dois procurava dar brecha para que o adversário atacasse e só pararam quando a jovem caíra no chão cansada, suada e sangrando. Num gesto bruto, a morena limpou o sangue que escorria do canto da boca, enquanto olhava levemente irritada para o loiro a sua frente. Estava certo que não queria que o mestre pegasse leve consigo, mas ver a expressão divertida na face dele certas horas a irritava.

“Vamos Ailith! Levante-se, ou acha que com esse seu pouco desempenho vai conseguir conquistar a armadura de Lira?”, ele cruzou os braços e esboçou um sorriso gozador para a mesma.

Pouco desempenho? Ora essa! Ela estava dando tudo que podia naquele treinamento e se havia chegado até ali era por que se esforçara ao máximo dia e noite. Fizera do seu sangue e suor os ingredientes principais para toda a sua evolução e ele a observara todo aquele tempo. Então, como ousava dizer aquilo? Levantou-se ignorando as dores diversas que sentia por todo o seu corpo. Estaria um trapo quando acordasse no dia seguinte, mas ali ela queria mostrar o quanto determinada a ser a amazona de prata de Lira ela estava.

Manteve-se de pé e fixou seu olhar nos azul do outro, o mirando com raiva. Não admitia que ele falasse aquilo de si, e justamente por desejar demonstrar seus verdadeiros sentimentos como guerreira e discípula do grande cavaleiro de Escorpião, ela não desistiria. Recomeçou a queimar o seu cosmo e a sentir o calor quase lhe queimar a pele tamanha a intensidade que arrancava de si, de seus desejos mais profundos e sinceros. Não esperou mais para aplicar o golpe no outro. Concentrou parte do cosmo em suas pernas para acelerar seu deslocamento.

Avançou sem aviso prévio e atingiu o queixo do cavaleiro de ouro com força, o fazendo jogar a cabeça para trás e perder a pose que estava até pouco tempo. Com o coração a mil e a respiração ofegante, a morena ficou parada na mesma posição, deixando seus cabelos bagunçados lhe cobrir a face enquanto se dava conta do que acabara de fazer. Ela conseguira acertar Milo. Depois de seis meses de treinamento ela finalmente conseguira acertá-lo. Recolheu a posição e relaxou surpresa com o feito.

“Primeiro erro.”, ele sussurrou atrás dela com sua voz rouca e coberta de deboche, rindo de lado enquanto a vermelhidão tomava conta de sua bochecha direita. “Nunca comemore o primeiro golpe.”, concentrou uma pequena quantidade de cosmo em seu dedo e tocou-lhe as costas.

Assustada com a velocidade do outro, Ailith não conseguiu reagir a tempo, recebendo o ‘golpe’ em cheio. Caiu com tanta força e rapidez no chão que conseguira apenas cruzar os braços sob o rosto antes de batê-lo com tudo contra a superfície solida. A dor a atingiu em cheio, a fazendo gemer de dor.

Milo preocupou-se com a reação da outra, não imaginando que havia colocado tanta força em seu dedo. Abaixou-se sem demora ao seu lado e a virou para si com delicadeza.

“Onde está doendo, Ailith?”, a face preocupada entrou na visão da jovem aprendiz.

“Meus braços.”, respondeu, os erguendo.

A pancada contra o chão fora mais séria do que ele havia previsto. Os braços tinham arranhões feios de onde o sangue escorria lentamente, enquanto arranhões mais leves tinham terra grudada, dando um aspecto ainda mais sujo do que o de costume. Sem pedir permissão, o loiro a pegou no colo e a ergueu, correndo em direção a sua casa para cuidar de seus ferimentos.

Estava preocupado e também se sentia culpado por tal descuido. Droga, o que ele estava sendo afinal? Um mestre ou um carrasco? Não gostava de se parecer muito com Camus e por isso tinha cuidado com o que provocava na outra durante o treino. Queria que ela o admirasse e não o temesse. Mordeu o lábio com força, sentindo raiva de si mesmo. Como fora estúpido.

“Mestre Milo...”

“O que foi Aili? Está doendo em algum lugar mais?”

“Não precisa fazer essa cara, eu não vou morrer por isso oras.”, corou e virou o rosto para o lado sentindo-se envergonhada por ter a atenção de toda a preocupação do loiro no momento. “Eu feri meus braços, não minhas pernas.”, respondeu de mau-grado. “Por isso pode me largar que posso andar com meus pés.”

“Ora sua...”, parou de correr próximo a oitava casa.

Como ela ousava falar aquilo? Estava se sentindo culpadopelo que fizera e justamente fora por isso que resolvera levá-la no colo para diminuir a dor que surgiria ainda maior durante, e após, a caminhada. Que garota mais sem gratidão e educação. Tomado por uma grande irritação, o escorpiano a colocou no chão e seguiu em frente sem dizer mais uma palavra. Talvez fosse hora de ela aprender a ter bons modos.

Continua.

Notas finais
Obrigada pela review Thai-chan!
Kisses.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.