Número 002
2 A descoberta.
Notas iniciais
Drika e mais dois guardas nos guiaram por um corredor escuro, e então chegamos a uma porta gigante toda branca.
– Isso não vai doer garotos, pelo menos não ainda. – Drika disse com um sorriso no rosto.
Kun me olhou e segurou minha mão e apertou forte, cheguei a sentir dor, e então ele sussurrou.
– Viu? Olha pra onde seu desejo e suas orações nos trouxeram!
Eu não pude deixar de rir, então vi quando Drika se virou e me olhou feio.
– Vamos! – A mulher falou.
Entramos pela porta branca.
O lugar em qual entramos era estranho e diferente, parecia um consultório médico, mas ao mesmo tempo parecia um laboratório de pesquisas na lua. Olhei em volta procurando por algo que eu conhecesse, mas nada naquele lugar fazia sentindo. Alguns médicos entraram no recinto com máscaras e jalecos branco com um símbolo que eu não conhecia, era uma cobra sendo esmagada por uma lança de ferro. Os médicos não pareciam falar a nossa língua, ou não queria falar a nossa língua. Nunca tinha ouvindo ou visto alguém falar daquele jeito. Eles falavam rápido, mas claro e manso. Foi então quando uma médica ruiva e de olhos vermelhos olhou para mim e meu grupo.
– Estão prontos? – Ela perguntou sorridente e com uma voz doce, tão doce que passava calmo.
– Prontos para que? – A garota que eu acho que se chamava Armani perguntou nervosa.
Ninguém se preocupou em responder sua pergunta.
– É aqui que nos despedimos nos vemos depois mocinhos. – Drika disse sorridente.
– Então vamos lá. Sigam-me garotos. – A médica disse e então saiu caminhando. Seu salto agulha fazia barulho no chão de concreto.
– Para onde estamos indo? – Yuno perguntou nervosa.
– Não faço idéia, só espero que não nos separe. – Eu respondi baixo e segurei a mão da minha irmã. Pela primeira vez ela não me bateu e soltou minha mão, apenas apertou forte mostrando que estávamos juntos.
Caminhamos por um corredor gigante por quase 5 minutos. Outra porta grande apareceu, mas essa era cinza e tinha o símbolo da cobra em dourado.
– Entrem, por favor. – A médica disse abrindo a porta.
Entramos e parecia novamente um laboratório, mas essa tinha apenas quatro macas e alguns aparelhos médicos.
– Escolham uma maca. – Ela disse séria, e com a voz menos doce que antes, e então se sentou em uma cadeira atrás de uma mesa cheia de papeis e aparelhos.
Fizemos o que ela mandou. E eu escolhi minha maca entre a do Kun e da Yuno.
– Eu me chamo Taylor. E eu sou supervisora de vocês, e o meu papel é colocá-los para passar no tratamento e depois explicar pra vocês, qual será o próximo teste Alguém tem alguma pergunta? – A médica, que agora sei que se chama Taylor disse séria.
Olhei diretamente em seus olhos, eles tinham a mesma cor vermelha que os olhos de Kun. Que coincidência era aquela?
– Que tratamento? – A Armani perguntou.
– Qual seu nome, mocinha? – Taylor perguntou.
– A-Armani! – Ela respondeu meio séria e nervosa.
Taylor então abriu uma pasta branca com o mesmo símbolo da cobra, e leu alguma coisa. Então sorriu e virou os olhos para a garota.
– Número 004. Sabia que você seria a que mais perguntaria. – Então Taylor gargalhou.
– Número o que? – Yuno perguntou meio confusa.
– Cada um de vocês tem um número. 001, 002, 003, 004. Obviamente a ordem é, do mais forte e mais inteligente ao mais fraco. Kun ficou com o 001 por sua força física ser maior que as do demais, ele ganhou o papel de líder, Akise é um garoto inteligente e destemido, perdendo pra Kun apenas na força bruta, por isso ficou em segundo lugar. Yuno é teimosa e mandona, sua teimosia faz dela uma garota forte e sem medo, já você... – Ela desviou o olhar para Armani. – Está aqui apenas para diversão. – Então gargalhou.
– O que isso significa? – Dessa vez eu mesmo perguntei.
– Vamos com calma, primeiro vamos ao tratamento. – Ela disse se levantando da cadeira e caminhando a uma grande máquina. – Deitem-se na maca e coloquem essa máscara, que vamos começar. E perguntas apenas mais tarde.
Fizemos o que ela mandou. Eu sabia que alguma coisa estava errada, mas o que poderia fazer? Era melhor obedecer e ter logo mais respostas, do que ser morto aqui mesmo. Já que a silhueta de dois guardas com armas estava aparecendo na porta branca transparente.
– Prontos? Vamos começar. – A voz da médica Taylor soou doce novamente.
“Bons sonhos!” Eu pude a ouvir dizer antes que um gás começasse a invadir minha máscara, queria gritar, mas a máscara fechava meu nariz e minha boca, não demorou muito e comecei a perder o movimento do corpo entrando assim num sono profundo.
Sabia que estava dormindo, mas podia ouvir conversas de quem estava acordado, o som saia baixo e abafado, mas eu ouvia as vozes.
– Eles estão dormindo há dois dias, estamos quase terminando.
– Lembre-se de reforçar os guardas no quarto. Alguns deles surtam e tentam se matar.
– Eu garanto que esses não. Principalmente o 002, sua vontade de vir era imensa.
– Estamos quase acabando.
Então o som de vozes parou e eu senti meu corpo doer, uma sensação forte e aguda. Passou pouco tempo e eu tive a sensação de estar me afogando, puxava o ar, mas nada vinha. Eu estava morrendo, Kun tinha razão, aquilo era má idéia, aquilo era morte certa.
Apaguei novamente de vez.
Abri meus olhos lentamente, soube imediatamente que tinha controle sobre o meu corpo agora. Mexi a mão lentamente e a mesma me obedeceu. Olhei em volta e vi vários guardas com o rosto coberto apontando armas pra mim. Sentei na cama lentamente levantando as mãos em sinal de que não faria nada brusco. Olhei em volta e então percebi que as coisas estavam diferentes. Não eram as coisas que estavam diferentes, eram as pessoas que estavam.
Olhei para minha irmã mais nova e ela parecia outra pessoa. Seus cabelos loiros curtos estavam brancos e bem maiores que antes, com mechas vermelhas. Sua pele estava mais branca e mais brilhante. Ela estava mais linda do que era antes. A garota Armani tinha seus cabelos também maiores e num preto bem brilhante, sua pele bronzeada estava brilhante e linda, podíamos até confundi-la com uma índia americana. Olhei para o meu melhor amigo, o mesmo estava igual, seus cabelos continuavam vermelhos, sua pele bonita e brilhante, apenas seus músculos pareciam maiores. Sorri por dentro imaginando aqueles braços forte cortando as árvores no trabalho que ele fazia.
Olhei então para a parede de vidro que tinha no quarto e me assustei. Não eram só eles que estavam diferentes. Eu não era eu. O que tinha acontecido? Meus cabelos não eram mais loiros, havia se tornando totalmente brancos, minha pele estava mais pálida e brilhante. Meus lábios tinham ganhando uma cor e estavam mais vermelhos, mas o mais estranho foram os meus olhos. Estavam vermelhos assim como os de Kun. Meus olhos vermelhos? Que palhaçada era aquela? O que estava acontecendo? Que palhaçada de tratamento era aquele, o que tinha feito conosco.
Então ouvi a voz da Yuno.
– Akise? A-Akise? – Ela me chamou.
Olhei pra ela e quase cai da cama. Seus olhos estavam vermelhos como os meus.
– Seus olhos! O que aconteceu? – Ela perguntou séria tocando sua própria pele.
– Parece que dormi uma eternidade. – Kun resmungou. Virei-me rapidamente e ele estava ainda igual, com olhos vermelhos. – Akise? O que houve? Seus olhos... Seu cabelo.
– Estão todos diferentes. – Taylor falou entrando no laboratório e sorriu.
– Que porra está acontecendo? – Eu perguntei bravo. – O que fizeram com a gente?
Vi uma arma ser apontada pra mim. E então Taylor apenas balançou a mão para o guarda dizendo que estava tudo bem.
– Vou explicar. – Disse ela.
– Eu estou esperando. – Disse irritado. Sabia que estava bancando o garoto mimado, mas o que poderia fazer, eu durmo de um jeito e acordo totalmente diferente?
– Esqueçam tudo que vocês sabem! – Ela disse. – Nada é real. Não existiu vírus, não existiu guerra, não existiu morte dos seus pais.
– O QUÊ? – Kun perguntou irritado.
– Calmos mocinhos. Estão vendo esses guardas? Eles não estão aqui pra brincar, ouçam com calma ou eles vão fazer um trabalho muito bem feito.
Ela então sorriu.
– Posso continuar? – Perguntou e esperou alguns segundos, o silêncio pareceu bastar, já que ela continuou logo. – Como dizia nada disso existiu. A um ano atrás, nós começamos um reality show chamado Número 002. E o mesmo consiste em colocar jovens em um jogo mortal. – Ela olhou para todos nós. – Isso mesmo. Nós escolhemos os jovens que vão participar desses jogos e apagamos a memória deles. Depois implantamos memórias falsas e os colocamos em uma caixa como ratos de laboratório e cada dois meses selecionamos alguns para o jogo.
– Você está brincando, né? – Eu disse sério.
– Não, Akise. Eu falo sério. Os seus pais continuam vivos. – Ela gargalhou. – Mas eu tenho uma noticia ruim. Eles que os vedem para nós.
– Do que você está falando? Meus pais morreram! – Yuno falou mais baixo que o habitual.
– Como eu disse tudo que vocês acreditam é mentira. Vocês foram escolhidos para participar do reality show mais famoso do mundo. E vão dar o melhor para esse show acontecer. – Ela disse séria.
– Quer merda é essa? – Kun perguntou se virando pra mim.
– Vocês vão ter que entrar no jogo, as câmeras estão captando cada movimento de vocês, existem outros lá dentro. E todos querem a mesma coisa, vencer esse jogo. – Ela disse séria.
– Mas você acabou de dizer que a cada dois meses os jogadores são renovados. – Kun falou meio em forma de pergunta.
– Sim. Mas uma hora os nossos “jogadores” vão acabar e então teremos que nomear um vencedor. Mas até lá, continue vivo para vencer.
Lembrei das palavras do meu pai “Viva!”. Quer dizer então que ele sabia de tudo isso? Ele colocou seus dois filhos aqui por dinheiro. E que sociedade cruel paga e assistem jovens sendo mortos. Meus pensamentos foram cortados por a voz de Taylor.
– Cada um de vocês ganhou um dom, um poderzinho especial, só precisam descobrir como usar. – Ela disse. – O jogo começa em quatro horas. Ah e lembrem, existem outros jovens querendo matar vocês; Cuidado em quem confia e em cada passo que dão isso pode ser definitivo.
– Eu não vou participar dessa merda toda. – Eu disse irritado e levantando da cama.
– Honre o seu número Akise, apenas os melhores recebem o número que da nome ao programa, e todos que receberam o número 002 ainda está vivo então faça o mesmo! – Ela disse sorridente.
– Eu não farei nada disso. – Eu disse.
– É o que veremos quando você entrar no jogo, Akise! – Ela disse meu nome com uma malicia, e então riu.
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