Número 002

3 E que comece o Jogo.


As horas seguintes que seguiram passaram voando, mais rápido do que eu esperava. Fomos levados a vários lugares, maquiagem, cabelo, roupas, e mais um monte de boboseira. Eu estava achando tudo aquilo ridículo, mas o que poderia fazer? Eu tinha passado de rato em gaiola, para rato em um jogo maluco.

– Alimente-se. A partir de agora, você sozinho terá que procurar a sua própria comida se quiser sobreviver. – Uma mulher gorda e baixinha que me estava orientando disse.

– Posso fazer uma pergunta? – Eu disse baixo.

A gorda me olhou e por alguns segundos sua compaixão apareceu.

– Pode criança! – Ela disse sentando em uma cadeira em frente a minha.

– Por que eu estou aqui? Por que eu fui escolhi para esse tal jogo? – Eu disse sério.

– Eu vou tentar te explicar, mas coma. – Ela disse e então olhou em meus olhos. Resolvi comer mesmo estando sem fome para que ela me contasse alguma coisa. – As coisas no mundo lá fora não andam tão boas. Não existe o caos que você acredita. Mas a população está mais pobre que nunca. As maiores potências mundiais caíram, a água acabou. O aquecimento subiu bastante, digamos com outras palavras, está um verdadeiro inferno. Mas todos lutam para sobreviver da maneira que pode. Imagine o que a falta de água fez com o mundo. Alguns com água e outros não. Foi assim que começou a terceira guerra mundial. As nações brigando uma com a outras para conseguir territórios que ainda possuem água. Os Estados Unidos como sempre venceu. Para nossa sorte... – Eu a cortei.

– Eu sou americano? – Perguntei confuso. Eu não me lembrava disso.

– Sim, somos americanos, criança! Mas continue comendo. – Disse ela, então deu uma pausa e olhou para os lados. – Wesley Pavlov é o homem mais rico do mundo. E tentando ajudar a acabar com as guerras, resolveu usar sua riqueza para diminuir isso. Mas não ache que ele deu o seu dinheiro de graça. – Ela riu pensando e então me olhou. – Em troca do dinheiro ele queria crianças e jovens para o seu grande jogo. Alguns países no mundo sentiram-se ofendidos com esse ato cruel e se recusaram a participar dessa coisa. Mas a maioria aceitou principalmente o povo americano. Eles venderam seus filhos por dinheiro, água, comida, segurança e um lar. E foi então que tudo começou, há dois anos surgiu o número 002 beta. Um teste para os jogos. Foram colocadas crianças latinas para testar o andamento do jogo. E foi um sucesso. Então nasceu de vez o Número 002. Não se sinta privilegiado por estar aqui, ou ache que tem algo de diferente dos outros, Akise. Você foi apenas vendido por seus pais.

Ao ouvir a última frase dela foi como levar um soco no estomago. Mas não iria deixar ela perceber isso e nem deixaria a chance de descobrir mais coisas passar.

– E o dia da escolha? Como funciona isso? – Eu disse sério.

– Ahhh, a escolha. – Ela disse séria e pareceu pensar um pouco. – A cada dois meses nós selecionamos quatros jovens para participar do jogo. Esses jovens são escolhidos por que está há muito tempo dentro do número 001. – Ela parou e me encarou. – Isso mesmo que você está pensando. Nós avaliamos vocês lá dentro, todos os dias vocês são filmados, 24 horas. Avaliamos tudo em vocês, e quem está preparado para a fase dois do jogo é convocada no dia da escolha. Não existe sorteio, Akise. Vocês são escolhidos por nós antes daquela escolha pública. Que cá entre nós, é mais uma farsa que vocês são obrigados a acreditar.

Choquei-me ainda mais com aquilo.

– Respondi todas as suas perguntas? – Ela perguntou me olhando nos olhos.

– Só mais uma. Por que os olhos do meu amigo Kun já eram vermelhos, antes de sermos selecionados?

Ela me encarou como se eu fosse um burro, ou cego. Foi então que me toquei, ela havia falando sobre o beta. Meu olhar deve ter me entregado, por que ela só balançou a cabeça afirmativamente no inicio, mas então falou.

– Isso mesmo, Akise. Ele participou e venceu o beta. – Ela disse se levantando. – Mas o resto você vai ter que descobrir sozinho e dentro do jogo. E aceite um conselho de amiga, não confie em ninguém lá dentro, Akise. Todos querem continuar vivos até o final. – Ela caminhou até o meu lado e afagou meus cabelos. – Agora termine de comer, logo nosso encarregado virá buscá-lo e então o jogo começa.

Ela saiu me deixando sozinho perdido em meus pensamentos. Essas pessoas eram piores do que eu imaginei. E esse tal de Pavlov era um monstro. Fui tirado dos meus pensamentos quando ouvi a porta se abrir.

– Vamos, número 002. – A voz de um homem disse atrás de mim.

Virei rapidamente e encarei um homem negro de pelo menos 1,95 de altura me olhando feio. Levantei rápido em segui em sua direção. Passei pela porta e caminhei.

– Vire à esquerda! – Ele disse sério. Sua voz era grossa e assustadora. Os olhos do mesmo eram vermelhos como o de quase todo mundo que trabalhava aqui.

– Você vai ficar sozinho por alguns segundos. Quando a porta se abrir entre por ela, lá você encontrará os seus amigos. – Ele disse se afastando de mim.

– Espere! – Eu gritei para ele, mas então parei. – Nada, tudo bem!

Fiquei sozinho esperando a tal porta abrir. Meu coração batia forte e rápido. O que será que me esperava atrás daquela porta? O tempo parecia não passar. Ele havia me dito segundos, mas parecia que fazia horas que eu esperava. Olhei para minha roupa. Estava vestindo uma calça branca, aquele tecido parecia jeans, mas pelo que eu podia sentir parecia ser mais resistente. Na minha coxa tinha uma arma. Minhas botas eram pretas e vinha até metade da canela. Vestia uma blusa também branca, e uma jaqueta preta por cima, nas costas eu tinha uma espada. Pra que eu tinha essa espada, eu não sabia. Nunca na vida tinha chegado perto de uma como iria usar aquilo? Eu sentia minha mão suar dentro das luvas que eu usava. As luvas eram pretas e pareciam ser feitas do mesmo material que a jaqueta, e meus dedos estavam de fora.

– Estaremos iniciando em 005 segundos. – Uma voz soou de algum lugar.

Meu coração veio até a boca, o que iria acontecer?

– 005, 004, 003, 002, 001 – Quando a voz falou um, um som de alarme soou, e então a porta se abriu.

Fiz o que me haviam dito para fazer, entrei pela porta e então a mesma se fechou. O que eu via a minha frente parecia mentira. Eu estava no deserto. Eu sentia vontade de rir e de chorar. O que eu faria? Tinham mentido pra mim? Disseram-me que meus amigos estariam aqui, mas ao invés disso, eu via areia e mais areia. Sem contar no sol que estava muito forte.

“O jogo começou, Akise.” Eu ouvi dentro da minha cabeça. Mas não tive tempo de pensar sobre isso. Ouvi a voz da Yuno gritar. logo a minha frente.

– Yuno? – Chamei começando a correr em direção de onde o som de sua voz tinha vindo. Não demorei muito e pude ver Kun, Yuno e Armani estavam cercados por... Cobras? Aquilo eram mesmo cobras gigantes? Havia três cobras gigantes apontando suas línguas na direção deles.

– Usem suas armas! – Eu falei alto para que eles me ouvissem.

– Armas? – Foi Kun que falou.

– É, cabeça de bagre! – Eu disse para ele. Era tão bom vê-lo. Ele estava com seus cabelos vermelhos ainda mais vermelhos naquele sol.

– Quais armas? – Ele disse sem tirar a atenção das cobras.

– As que vocês tiverem. – Eu gritei sério e continuei correndo para a direção deles. Aquele não parecia eu, quando foi que nasceu aquele espírito em mim? Sem demorar tirei minha arma e senti o peso da mesma. Nunca tinha usado uma antes, mas essa era a hora de descobri se sabia usar uma.

Sem demorava mirei a arma em uma das cobras e apertei o gatilho, senti a força da arma e uma bala foi disparada em direção a cobra, em menos de 3 segundos a cobra foi atingida. A mesma soltou um som horrível antes de cair ao chão e desaparecer como num passe de mágica.

– Ual, desde quando você sabe atirar, Akise? – Perguntou Yuno.

– Desde agora, pirralha. – Eu gritei.

Não pude ver muito, pois aconteceu muito rápido, mas então vi mais uma cobra desaparecer e Kun com uma lança de duas pontas em sua mão. Como ele tinha feito aquilo e como aquela lança tinha aparecido eu não sabia. O importante é que ele tinha feito algo bom.

– Só resta uma. Acabe logo com ela, Kun! – Eu gritei. Mas não esperei, atirei na cobra e a vi desaparecer.

Corri até eles, e abracei minha irmã. Vi Armani cair de joelhos no chão.

– O que eram aquilo? Cobras gigantes? Em que mundo a gente está? – Kun perguntou sério.

– É isso que teremos de descobrir. E me desculpem, mas tenho de informar vocês, as cobras foram só o início, coisas piores estão por vim. – Eu disse sério.

Todos me olharam, como eu sabia daquilo? Não sei, só sei que sabia. Mas sabia também que precisávamos sair dali, urgente.

– Vamos! – Eu disse começando a correr e puxar Yuno comigo.

– Para onde? – Armani perguntou.

– Qualquer lugar, só precisamos sair daqui. – Eu disse. E então vi mais algumas cobras vindo na nossa direção.

– Porra! Ferrou! – Gritou Kun.

– Continuem correndo! – Eu gritei.

Todos começaram a me seguir, e eu sabia que tinha de dar um jeito de encontrar um lugar seguro para nos escondermos das cobras, não daríamos conta de lutar contra todas.