Nós buscamos Pã
8 Sorriso Suspeito do Sr.D / Grover
Notas iniciais
Entrei na enfermaria e tão cedo já quebrei uma jarra de água.
– D-desculpe. – pedi.
– Olhe por onde anda, por Pã! – repreendeu um dos sátiros que cuidava os enfermos.
Aproximei-me do leito de Clarisse, que me olhou surpresa.
– Oi! – falei.
– Oi...
– Que susto, hein? – brinquei para descontrair, mas com um pouco de medo do caso de ela resolver fazer barraco.
– É... – ela concordou para minha curiosidade. – Quer dizer, não! – ela se corrigiu. — Não foi susto nenhum!
– Bom, para você pode não ter sido, mas para todos nós foi. Que bom que você está bem. – disse.
– Obrigada. – eu já estava começando a achar que Clarisse agia de modo estranho, mas ela conversava passiva então continuei a conversa.
– Quer néctar? – ofereci, já que tinha experiência em cuidar de campistas feridos.
Reparei que era a segunda vez que eu oferecia Néctar a ela e Clarisse começou a rir.
– É a segunda vez. — comentei.
– É. – ela concordou pegando o copo e bebendo todo o conteúdo.
Ao terminar de beber o néctar ela não deu nenhum arroto ou alguma coisa do tipo que Clarisse faria.
– Como foi que conseguiu cair? Você é uma das melhores na escalada! – perguntei.
– Dave jogou um rato e isso me distraiu.
– Mas por que ele faria isso? Ele é seu irmão. – insisti sentando-me na lateral do leito.
– Ele não fez por mal, era só uma brincadeira que fizemos hoje de manhã no chalé. Ele tinha encontrado um rato e ficávamos jogando uns para os outros e quem gritasse saia do jogo. Provavelmente ele jogou para ver se eu gritava. – explicou.
– Que loucura.
– Pois é.
– Ainda bem que Percy e Chris te salvaram, hein. Foi uma parceria e tanto. – falei, mas imediatamente notei que falei bobagem. Clarisse odiava Percy e ultimamente seu relacionamento com Chris não era dos melhores. Fiquei com medo do escândalo que provavelmente ela faria me mandando ir embora.
– Eles só aproveitaram a cena para se promoverem os heróis de Clarisse La Rue. – defendeu-se indignada, seu orgulho e agressividade voltando a reinar. – Eu teria me salvado muito bem sozinha.
Era óbvio que ela nunca teria se salvado sozinha, mas não falei nada aproveitando seu ótimo bom humor.
– Evidente que sim. – eu ri.
– Você está debochando de mim, Underwood? – perguntou sentando na cama de frente para mim.
– Não, Clarisse.
Ela estreitou os olhos e ficou me encarando. Senti que sua emoção era irritada, mas no fundo estava muito feliz. Recostou-se novamente no travesseiro fechando e abrindo os olhos.
– Está se sentindo bem? – perguntei.
– Estou ótima! – falou levantando-se da cama num pulo.
– Tem certeza? – falei levantando-me também. – Acho melhor você repousar, foi um choque e tanto.
– Não me diga o que fazer Grover. – ela disse com um que de irritação.
– Desculpe. – pedi, infeliz com a velha Clarisse.
Passaram-se cinco segundos de silêncio que se pareceram minutos e relutante, a filha de Ares falou em alto e bom som:
– Não. Tudo bem. Desculpa digo eu, você só está querendo me ajudar.
Certo, agora eu tinha certeza de que Clarisse pirou de vez.
– É... – balbuciei.
– Mas ficar aqui é muito entediante! Quero lutar! Preciso treinar para a Captura da Bandeira amanhã à noite!
– Você não vai a lugar nenhum. – disse Arnaldo, o sátiro que cuidava da enfermaria.
– O que?! – gritou Clarisse. — Você não manda em mim! Eu me sinto ótima, e com toda a certeza já posso sair daqui!
– Não me obrigue a chamar o Senhor Quíron! – Arnaldo era um dos sátiros mais carrancudos e severos, mas no fundo ele só queria que seus “pacientes” se recuperassem bem.
– Clarisse, ele só quer o melhor para você. – falei.
Ela pareceu considerar o que eu falei e ficou para um instante pensativa.
– Vai me deixar sair amanhã de manhã? – ponderou Clarisse.
Arnaldo vendo que não tinha outra opção concordou.
– Contanto que você descanse bem essa noite, está liberada amanhã na hora em que acordar.
Clarisse suspirou pesadamente e se jogou de volta na cama.
– Acho que vou indo. – falei.
– Não! – gritou erguendo a cabeça. – Er... Quer dizer...
– Chega, o horário de visitas acabou. – impôs Arnaldo.
– Mas não existe um horário de visitas! – reclamou a filha de Ares.
– Tudo bem, Clarisse. Eu ainda tenho que conversar com Quíron.
– Aff. – resmungou dando um bocejo involuntário.
Ela dormiu antes que eu sequer passasse pela porta da enfermaria.
...
Entrei na Casa Grande, Quíron e Dionísio já estavam sentados à mesa me esperando.
– Só veio você, Underwood? – perguntou Dionísio.
– S-sim, s-senhor. – respondi.
– Ah! Que pena. Não temos jogadores o suficiente para jogar Pinochle. – ele resmungou.
– Sente-se, Grover. – pediu Quíron, em sua cadeira de rodas, o que considerei incomum, pois quase nunca ele usava esse disfarce dentro do acampamento.
Logo que sentei, Sr. D deixou de lado os rodeios e foi direto ao ponto.
– Acredita que irá encontrar Pã, então, Grover?
– S-sim, senhor. – respondi, inevitavelmente de olho na latinha de Coca Diet em cima da mesa.
– Pare de olhar para minha Coca, Underwood! Ainda está cheia! – xingou-me Dionísio.
– D-desculpe. – pedi.
– Tudo bem. – interviu Quíron. – Voltando ao assunto: Você realmente acha que consegue Grover?
– Eu sei que consigo. Sinto isso!
– Todos sentem. – riu o deus do vinho.
Não percebi a malícia e perguntei, meus olhos arregalados de espanto:
– O senhor também pode sentir?
– Provavelmente ele se referiu aos sátiros. — respondeu Quíron.
– Ah... – respondi totalmente envergonhado.
– Ele quis dizer que todos os sátiros sentem e acreditam nisso. – continuou o centauro.
– Ah, sim, sim. – concordei. – Eu tenho muita esperança de conseguir.
– E sabe que fará a jornada sozinho, não é? – certificou Quíron.
– Sei sim, senhor.
– Sairá do acampamento sozinho, mas nada o impede de receber ajuda lá fora. – continuou o centauro.
Assenti com a cabeça, concordando. Mesmo que pudesse receber ajuda, eu pretendia encontrar sozinho Pã. Acredito muito que vou conseguir.
– Quando acha que pode partir, Underwood? – perguntou Dionísio.
– Ahn... – pensei um pouco num tempo para despedir-me de Percy e Annabeth e até de Clarisse, já que agora estávamos nos dando bem. E também um tempo para arrumar a bagagem e talvez, pesquisar sobre Pã com Annie. – Acho que no máximo duas semanas.
– Tudo isso? — perguntou Quíron, deixando-me constrangido.
– Está com medo, sátiro? – zombou Sr.D.
– Não! – falei alto demais de modo que ficou me encarando. – Q-quer d-dizer, não, Sr.D. Eu só quero me preparar bem. Mas uma semana está ótima, se duas for tempo demais.
– Bem, então daqui a uma semana você parte, Grover. – combinou Quíron.
– Ok, então. – falei levantando-me da cadeira e olhando pra a latinha do diretor. – C-com licença, vou indo e-então.
– Tome. – disse ele jogando a lata para mim.
– Ah! O-obrigado, Sr. D.! – agradeci e ele apenas sorriu de modo que eu nunca tinha visto. O que me deixou curioso por muito tempo, como se ele estivesse aprontando alguma.
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