Nós Somos Nossos

2 Artista de rua


Notas iniciais
Oi gente, pq eu sou assim? Não sei deixar ninguém esperando kkkkk Bom, terminei de editar o capítulo e não quero esperar 3 dias para postar pois quero saber a reação de vocês. Então, se deliciem com a rotina de nossa menina, ela é incrível! Ah, tão bom ver vocês chegando por aqui! Obrigada pelos reviews! Boa leitura!

A arte, do latim ars, é o conceito que engloba todas as criações realizadas pelo ser humano para expressar uma visão/abordagem sensível do mundo, seja esta real ou fruto da imaginação. Através de recursos plásticos, linguísticos ou sonoros, a arte permite expressar ideias, emoções, percepções e sensações.

Arte pode ser definida ainda como o reflexo da cultura e da história. Sendo que ela existe em todas as culturas e nos mais diferentes períodos da história.

E tal reflexo existe tendo como base os valores estéticos da beleza e da harmonia. Vemos que desde os tempos pré-históricos o homem sente a necessidade de representar o mundo e o que nele há de acordo com suas perspectivas. E essa arte evoluiu e continua a evoluir conforme o tempo passa.

A arte passa também a ser de grande importância para a sociedade, uma vez que por meio dela são expostas características culturais e históricas de uma sociedade. Logo, ela pode ser vista também como o reflexo da existência e essência do ser humano.

A história indica que, com o aparecimento do Homo Sapiens, a arte teve uma função ritual e mágico-religiosa, que foi sofrendo alterações ao longo do tempo. Seja como for, a definição do termo “arte” varia consoante a época e a cultura.

Com o Renascimento italiano, em finais do século XV, começa a fazer-se a distinção entre o artesanato e as belas artes. O artesão é aquele que se dedica à produção de obras múltiplas, ao passo que o artista é quem cria obras únicas.

A classificação utilizada na Grécia Antiga incluía seis ramos dentro da própria arte: a arquitetura, a dança, a escultura, a música, a pintura e a poesia (literatura). Posteriormente, isto é, mais recentemente, passou-se a incluir o cinema como sendo a sétima arte. Também há quem considere a fotografia como sendo a oitava arte (apesar de se alegar que não passa de uma extensão da pintura) e a banda desenhada como a nona (de acordo com os críticos, tratar-se-á, na realidade, de uma ponte entre a pintura e o cinema). A televisão, a moda, a publicidade e os jogos de vídeo são outras das áreas consideradas artísticas embora esporadicamente.

Eu sorri. Essa era a descrição mais próxima do que a arte realmente era. "O reflexo da existência e essência do ser humano". Sim, a arte era a minha essência e o meu reflexo. Eu devia tudo a arte. Fecho o livro não esquecendo de marcar a página em que parei a leitura.

Nada nunca foi muito fácil para mim, mas eu nunca reclamei muito. Antes porque era muito ingênua para achar um culpado e reclamar com ele, depois porque simplesmente não podia gastar meu tempo. Tempo é mais do que dinheiro, é sobrevivência.

Foi por frações de segundos que salvei minha vida mais de uma vez e por isso valorizo cada precioso tempo que tenho. Agora, por exemplo, estou lendo um livro incrível ao invés de estar por aí a toa.

Olhei pra o relógio, 22h41. Hora de ir dormir, amanhã tudo começará novamente. Ajeitei minhas duas camadas de roupas e me enrolei como uma bola no edredom. É início de fevereiro e o inverno ainda está rigoroso. Pelo menos parou de nevar.

Sorri e olhei para o teto lembrando de minha mãe e em como ela adorava o inverno pra tomar chocolate quente. Ah mãe, quanta falta você me faz! Deixei uma lágrima solitária escorrer e só. Não me permitia mais chorar como uma garotinha. Pensando em minha mãe e sua xícara de chocolate quente, eu adormeci o sono dos justos.

Nova York, 2 de fevereiro de 2018

Mais uma sexta feira. Era pra estar feliz? Eu não, com certeza.

Acordei as 5h30 como sempre. Eu podia trabalhar também como despertador humano, acho que dava para conseguir uma boa grana com isso. Meu relógio biológico é melhor do que muitos digitais por aí e um dinheiro extra cairia muito bem.

Tomei um banho rápido. Eu garanti a água quente deste mês, mas ela tem tempo para acabar. Mike Newton não brinca em serviço quando o assunto é economia com os apartamentos. Antes que ela esfriasse por completo, eu já estava na minha toalha felpuda maravilhosa. Uma das poucas coisas que pude trazer da minha casa. Minha casa! Não, Isabella, nem comece com isso!

Enxuguei meu cabelo ao máximo e o penteei com o auxílio de um pente e um pouco de creme para pentear. Estiquei os fios ruivos escuros num rabo de cavalo e fui procurar me vestir. Calcinha verde, sutiã preto, calça jeans, camisa amarela, sueter marrom e botas pretas. Não, não é moda nova, são poucas opções mesmo. Meu guarda roupa é bem resumido como a minha vida: 3 calças jeans e uma verde sarja, 10 camisas de variadas cores, 3 suéteres, 3 saias, uma meia calça e 3 vestidos; um par de botas, 2 all stars, 2 sapatilhas e uma sandália de salto médio; 3 cachecóis, um gorro, um par de luvas e um sobretudo. Eu disse que era bem resumido, não disse?

Vestida, eu arrumei minha cama e guardei o livro que lia ontem a noite na pequena estante. Estendi a toalha numa cadeira próxima a janela e rumei para a cozinha: hora do café da manhã. Abri a geladeira e peguei o leite. Do armário, eu tirei a embalagem de cereal e coloquei numa tigela. Adicionei o leite e polvilhei canela. Canela é a minha vida, amo canela!

Tirei meu celular do carregador e sentei-me no pequeno sofá com minha tigela e fui comendo e conferindo mensagens e ligações. Uma mensagem e eu sorri. Aro tinha um evento para amanhã e me queria. Perfeito, tudo que eu precisava! Terminei meu cereal e arrumei tudo na cozinha. Peguei um cachecol preto e enrolei no pescoço. Verifiquei minha bolsa e fui para o primeiro trabalho do dia.

Minha casa é simples e minúscula. Basicamente um único cômodo semi dividido. Uma cama de casal com um criado mudo e um abajur ao lado dela. Ao lado, um pequeno guarda-roupa e uma estante média separa o ‘quarto’ da ‘sala’. Nela há livros, pastas com documentos e cadernos de desenhos meus desde minha infância. Tenho um sofá de dois lugares e uma poltrona, ambos bem antigos, e uma tevê de 29’’. Do outro lado há um balcão e o acesso a minicozinha que tem um fogão, uma geladeira, um armário suspenso e um microondas ao lado da pia. A única porta que há aqui, além da de entrada, é a do banheiro, que é tão simples quanto o resto do lugar.

Eu moro no segundo andar de um prédio antigo de 4 andares cujo dono é Mike Newton, um idiota que herdou vários prédios numa mesma rua e vive dessa renda, cobrando aluguéis muito caros para ambientes tão simples. Eu moro numa rua de Bed-Stuy, coração do Brooklin em NY City. No mesmo prédio, moram alguns outros jovens como eu, mas eu sou de longe a mais nova e a mais antissocial. O bairro é muito diversificado, uma vez que abriga pessoas de todas as partes do mundo, principalmente os latino-americanos.

Eu caminho apressada para meu primeiro trabalho, duas ruas acima, próximo a estação de metrô. Ali tem uma pequena cafeteria de uma mulher que foi muito amiga de minha mãe desde que chegamos em NY, Sue Clearwater. Ela vende café da manhã para os trabalhadores que saem do Brooklin todas as manhãs rumo a Manhathan. Eu a ajudo nisso desde que minha mãe adoeceu e eu precisei trabalhar para ajudar nas contas, há dois anos atrás. Eu pego as 6h e saio as 10h30 depois de limpar tudo. Sue tem dois filhos, Leah e Seth, que são gêmeos.

— Bom dia tia Sue! — Eu digo entrando na pequena cozinha e já alcançando meu avental.

— Bom dia Bella! Como esta? — Sue pergunta me fitando com aqueles olhos latinos penetrantes.

— Estou bem! Vou ligar a máquina do café e abrir a porta da frente. — Eu digo guardando em minha bolsa, meu cachecol e minhas luvas. — Leah e Seth estão bem?

— Estão sim, Seth recebeu mensagem de Aro, você também recebeu? — Ela me perguntou enquanto verificava um bolo no forno.

— Sim. Parece um trabalho grande. — Respondo saindo da cozinha com uma bandeja de cupcakes para colocar na vitrine.

Arrumo a vitrine da forma habitual e subo a persiana. A luz no dia toma o pequeno salão iluminando tudo. Viro a placa para ‘ABERTO’ e destranco a porta de vidro. Já há um cliente esperando abrir.

— Bom dia Bella! — O senhor simpatico me cumprimenta como sempre e eu sorrio para ele.

— Bom dia Sr. Smith! Capuccino com creme e canela sem açúcar e dois donut’s? — Eu pergunto enquanto ele entra e senta no seu banco habitual no balcão e eu me encaminho para atrás do mesmo e providencio o pedido.

— Você me conhece melhor do que minha esposa! — Ele exclama e nós dois rimos. Desde que trabalho aqui, ele sempre pede o mesmo café da manhã, como não decorar?

— Clientes especiais tem tratamento especial – eu respondo colocando em sua frente o seu pedido. — Qual sabor de cupcakes o senhor irá levar hoje?

— Chocolate e nozes! — Ele responde e, na mesma hora, dois rapazes entram no local.

A manhã é sempre bem corrida. O Café Latino é bem conhecido e tem fregueses fiéis, por isso sempre fica cheio da hora que abre até a hora que fecha. Só funciona pela manhã, pois Sue trabalha a partir das 10h numa loja de departamento no Queens. Por isso, eu sou a responsável por fechar o caixa e limpar tudo quando o café fecha. Sue é como uma segunda mãe para mim, tendo até me oferecido sua casa para morar quando perdi Renée. Ela é um anjo em minha vida.

Quando dá 9h45, Sue se despede de mim e vai pegar o metrô. Quando o último cliente sai, eu tranco a porta e desço as persianas. Fecho o caixa e deixo a nota em cima do balcão para Sue conferir amanhã. Limpo a cozinha toda e lavo a louça. Quando saio pelos fundos e estou trancando a porta, sinto alguém me olhando. Olho para o lado e vejo Seth ali sorrindo para mim.

— Hei, porque não entrou? Você sabe que você é o dono disso né? — Eu falo indo até ele e abraçando-o – O que faz por aqui?

— Tava passando e vim ver se você precisava de ajuda para fechar, mas cheguei tarde. — Ele responde andando ao meu lado.

— Ah! Terminei rápido hoje. Vou aproveitar para lavar roupa antes de ir para Manhathan, quer vir junto? — Eu pergunto e ele assente.

Seth é o irmão que nunca tive. Por ele, assim como por Sue, eu estaria morando com eles a muito tempo. Mas eu não aceitei por causa da terceira moradora, Leah. Ela meio que me odeia. Não sei se é pelo carinho que sua mãe tem por mim ou por causa do James no colegial. James é o atual namorado dela, mas ele chamou a mim primeiro para ir ao baile de formatura. Como eu não aceitei, pois minha mãe já estava doente naquela época, ele chamou Leah, que nutria uma paixão secreta por ele a muito tempo e ninguém sabia. Leah depois soube que ele só a chamou porque eu o rejeitei e aí começou a antipatia. Não que fôssemos amigas antes disso, mas não me lembro de tantos olhares frios antes dessa época.

Mas Seth é o total oposto disso. Ele é um super amigão e meu confidente. Sabemos os segredos mais obscuros um do outro e somos cúmplices em muitas coisas. Durante um tempo ele acreditou que era apaixonado por mim, mas depois isso foi esclarecido. Nada mais além de uma amizade pura e genuína nos une. Até porque ele se descobriu gay no ano passado.

Chegamos ao meu apartamento e eu vou catar as minhas roupas sujas. Seth me ajuda a separar por cores e ri das minhas calcinhas.

— Sério Bella! Você já é uma mulher feita. Coelhinhos e borboletinhas? Não aceito isso! — Ele diz e eu coro levemente – Isso vai fazer o cara brochar quando te levar para cama — Coro mais — Aliás, é por isso que ainda não te levaram né?! — Ele gargalha enquanto eu viro um tomate totalmente e jogo uma camisa minha nele.

— Acabou o massacre das minhas calcinhas? Por que não tenho o dia todo querido! — Eu falo me levantando com a mão na cintura. Ele se recupera e me ajuda a carregar a roupa para fora.

Encaramos o fim de manhã fria do Brooklin e andamos até o próximo quarteirão para a lavanderia da rua. Lá pego duas máquinas e coloco as peças claras em uma e as escuras na outra. Deposito as moedas e o sabão e ficamos conversando enquanto elas lavam. Seth me conta sobre a faculdade e seus colegas. Eu rio muito com suas histórias. Estar na faculdade era tudo que eu queria, mas não pude ir. Seth faz Publicidade e Propaganda e Leah faz Educação Física.

Quando a lavagem acaba, colocamos a roupa na secadora e pronto. Ele me leva até em casa, mas não sobe pois tinha que ir almoçar com alguns amigos para fazer um trabalho, pois apesar de não ter tido aula hoje, o professor havia passado um trabalho enorme. Eu subo e dobro minhas roupas guardando-as em seguida. São quase 12h e eu suspiro.

Vou até a geladeira e tiro tudo o que eu preciso para o meu almoço: pão, salada, frango, azeitona e molho. Faço dois sanduiches caprichados e os coloco em saquinhos. Pego minha mochila e a arrumo com um caderno grande de desenho, meus lápis profissionais, minha necessaire, uma garrafa de água e meus sanduiches. Arrumo meus desenhos maiores no meu tubo telescópio e bebo um copo de água. Está na hora de ir para o segundo round.

Eu rumo para o metrô, desço na sexta estação e pego um microbus na Manhathan Brigde. Tomo o metrô novamente e depois de 7 estações, eu chego em Midtown. Meu estômago ronca enquanto eu ando nas ruas movimentadas em busca de um lugar para meu trabalho. Havia muitos artistas de rua em NY e é sempre uma batalha conseguir um lugar bom para conseguir platéia. Hoje eu consigo já perto do Empire State. Isso é bom, bastante turistas. Eu tiro a mochila das costas e sento num banco da praça. Tiro dois desenhos do tubo e os deito aos meus pés. Com eles ali bem visíveis, eu abri meu caderno e pego um sanduiche, dando uma mordida. Pesco um lápis e começo a desenhar um cenário da praça onde estou.

Volta e meia, entre meus rabiscos, aparecem pessoas fascinadas com minha arte. Os dois desenhos ao chão logo se vão e um casal se aproxima pedindo um desenho dos dois. São franceses em lua de mel e os desenho abraçados naquele banco, se olhando nos olhos, com o Empire atrás. Depois deles, um senhor idoso pede um desenho de seu rosto e eu o faço rapidamente. Às 16h30, o céu ganha uma coloração alaranjada iniciando o anoitecer e eu suspiro. Inverno é sempre assim, as 17h tudo já estará escuro.

Eu termino o desenho que iniciei da praça onde estava hoje e sinto alguém me observando. Levanto o olhar e fito a pequena menina a minha frente. Sorrio. Ela tem o rosto todo iluminado de admiração para o meu desenho. Ela deve ter uns 5 anos, os fios louros escuros saem de um coque bailarina no topo da cabeça. Ela veste um sobretudo, mas é possível visualizar a roupa de balé clássico que ela usa. O que mais me encanta, no entanto, são os olhos azuis intensos na mesma tonalidade do meu. É muito difícil encontrar pessoas com o mesmo tom, é um azul quase transparente que escurece dependendo de algumas emoções.

— Oi pequena! — Eu quebro o silêncio — Gostou do desenho?

A menina me olha espantada. Acho que foi pelos nossos olhos semelhantes. Ela assente devagar.

— Quer levar para você?! — Assente de novo — Então é seu! — Eu destaco a folha com cuidado e enrolo. Com uma fitinha, faço um lacinho e estendo para ela.

Quando ela estica seu bracinho para pegar o desenho, uma voz aguda e fria soa a alguns metros, fazendo a menina congelar na posição.

— Charlotte Cullen, quantas vezes eu terei que te dizer que você não pode sair do meu lado quando estamos na rua?! — Uma mulher radiante em seus saltos agulha altíssimos, um terninho vermelho sangue, uma saia lápis e cabelos loiros-escuros num corte channel se aproxima falando com a garotinha num tom que me deu pena — Ainda mais correndo?! Onde está a sua classe, menina?! Nem parece ser minha filha!

Oi? Aquilo era uma mãe?

Notas finais
E então amores? Gostaram de conhecer a Bella? Já temos a presença de fofura Cullen que é a Charlotte, sei que vcs vão amá-la. Me contem as suas impressões, ok? É isso, agora só volto mesmo no sabado, tá bom? Pq hoje ainda tem capítulo em Duplicidade, amanhã em NPSE e Tempestade e sexta em Oito Anos. acompanhem o perfil. Salvador, 03 de agosto de 2022, por DC Anjos. Beijinhos!