Nós - Brittana
39 Pintando o sete
Marley levantou-se do banco onde estava, quando viu Brittany chegar no segundo andar daquele shopping e acenou para ela. A loira tinha sua blusa “perdida” em mãos e um sorriso curioso no rosto, como se sua mente estivesse bem longe dali naquela adorável manhã de domingo. Bom... Não era como se a mente da modelo estivesse muito presente também, já que só o que conseguia pensar era no dia incrível que teve com Kitty e que, em poucas horas, se encontrariam de novo. Não fazia ideia se aquele relacionamento ia dar certo a longo prazo, mas estava tão perfeito que, mesmo que não desse, já teria valido a pena pelo pouco que tinha desfrutado.
E onde a cabeça da Pierce estava, afinal? Bom, em muitas coisas. Mas, todas elas envolviam um único fator em comum... Santana. As duas planejavam pintar as paredes do quarto de Elizabeth e estava ansiosa por isso, logo mais estariam comprando as tintas. Ah, e o colar que havia encomendado para a Lopez estava previsto para chegar no dia seguinte. Ele era lindo, todo dourado com o formato de girassol. Como se tratava de um medalhão, era possível abri-lo e dentro continha a frase “you are my sunshine” escrita em baixo-relevo. Sim, a desenhista tinha noção da breguice, mas não conseguia resistir.
Quando chegou perto o bastante da ex-namorada, Brittany a cumprimentou com um ligeiro abraço. Em seguida, esticou as mãos entregando a blusa de Marley à ela. A peça tinha sido colocada para lavar, qualquer um podia ver. Só Brittany mesmo... E pensar na forma que a Rose a tratou na reta final do namoro delas, isso era muito gentil. No seu lugar, provavelmente teria picotado a blusa inteirinha de raiva. De qualquer forma, era bom ver a loira outra vez. Ela parecia tão bem, um completo oposto da última vez em que se viram pessoalmente. Quem quer que fosse a nova namorada de Brittany, estava a fazendo muito bem.
— Obrigada, Britt. — Marley abriu um sorriso, vestindo sua blusa de muito bom humor. — Sério.
— Não foi nada...
— Foi sim. Então, já tomou café?
— Ainda não, você já?
— Hum-hum. Mas, tem uma cafeteria bem ali. — A modelo apontou. — Tá a fim?
— Pode ser.
Dali, elas foram andando até o estabelecimento, pedindo bebidas quentes e alguma coisinha para beliscar, enquanto conversavam. Falaram brevemente sobre a estadia de Marley na Europa, a HQ de Brittany, seus pais e enfim chegaram no assunto namoro. Ou quase isso.
— E aí, cê conseguiu falar com a garota?
— Garota? — Marley repetiu, meio distraída. Voltou os olhos na loira. — Que garota?
— A que tá gostando. Já conseguiu falar com ela?
— Ah, sim... Falei sim. Ontem mesmo, na verdade.
— E é recíproco?
— É. — Ela não conseguiu deixar de abrir um sorrisinho com sua resposta, limpando a garganta na sequência. — Mas, ainda precisamos resolver a parte complicada. E a sua namorada, ela tá bem?
— Uhum. — Brittany confirmou, endireitando-se na cadeira um pouco desconfortável em ter que tocar no próximo assunto. — Por falar nisso... Tem uma coisa que eu preciso te contar, Marley.
— Ok. Tá me assustando... O que houve?
— Eu e minha namorada esbarramos com a Sugar na terça-feira, foi péssimo. Já que tá na cara que ela não te contou, eu tô namorando a Santana... Aquela garçonete que conhecemos no Breadstix. Agora, ela tá de sete meses de gestação. — A loira explicou, meio possessa. — Depois que a Sugar deu o escândalo que você bem sabe em Junho, eu voltei no Breadstix pra ver como ela tava. E enfim... Uns dias mais tarde, ela foi parar no hospital com um sangramento causado por estresse. Podia ter perdido o bebê.
— Nossa...
— Pois é. E onde eu quero chegar com isso, afinal? Bom, acontece que ao invés de passar reto pela gente, a Sugar fez questão de vir falar merda como sempre. Disse que parecia caridade da minha parte eu namorar a Santana, o que eu estaria pouco me lixando se ela tivesse dito só pra mim em outra circunstância que não envolvesse minha namorada estar junto... Mas, dizer isso bem na cara da Santana? Como se quisesse desestabilizar ela também? De verdade, eu quis matar a Sugar. A Sant não pode ficar estressada, senão o risco dela ir parar no hospital de novo é grande. E-eu nem sei o que eu faria se isso acontecesse. E foi tão gratuito, sua amiga é a maior duas caras... Só achei que deveria saber.
— Certo. — Marley balançou a cabeça com calma, processando todas as informações que recebera. — Sinto muito, Britt... Não imaginava. Eu relevei o dia do Breadstix porque, você sabe, mesmo que a Sugar tivesse errada em gritar daquele jeito, tinha justificativa. A gente fala muita besteira em momentos de fúria. Mas, isso... Definitivamente não tem. Caramba, eu nem sei o que dizer. Vou ter uma conversa séria com ela.
Brittany assentiu, dando outro gole em seu café. Finalmente, tinha conseguido falar sobre isso com a Rose. Certo peso deixou seu tórax na mesma hora, e, em poucos minutos, as ex-namoradas se despediram seguindo caminhos diferentes. Nesse meio tempo, Santana se arrumava em sua casa. Ainda não tinha se acostumado a acordar no silêncio, sem Rachel ou Kurt por perto para preencherem o vazio da residência, especialmente o da cozinha, mas podia se acostumar com o café que seus pais prepararam antes de saírem para trabalhar aquela manhã. Havia um bilhete do lado da comida, carregando a letra de seu pai, é claro, já que a de Maribel era completamente ilegível como a boa médica que era. Bom, para um socorrista, até que Lorenzo mandava bem na caligrafia.
“Bom dia, hija!
Esperamos que você e Lizzie possam aproveitar as panquecas e todo o resto!
Nós te amamos muito, viu?
Até mais tarde ♥”
Era tão engraçado o nível de carinho com que estavam a tratando, ultimamente. Não que antes não fossem pais carinhosos, mas... Agora, Lorenzo e Maribel estavam se mostrando bem mais do que o normal. No fundo, a Lopez sabia que eles ainda se sentiam culpados por sugerirem à ela diversas vezes um aborto no começo de sua gravidez, e, por todas as brigas derivadas disso, não dava para culpá-los. No lugar deles, possivelmente se encontraria na mesma situação... Vez ou outra ela se pegava imaginando como seria lidar com Elizabeth com o passar dos anos, e bem, não era muito tranquilizador por assim dizer. E se fosse controladora demais? Superprotetora? Ou então, daquelas mães que se tem vergonha de ser vista junto? Tantas coisas envolviam a criação de uma criança, tantas.
Ao menos, tinha com quem dividir as preocupações. Aliás, Sebastian sempre mencionou o desejo de ser pai. Talvez, estivesse bem mais preparado que ela para essa função... Mas, também odiaria ser a mãe chata que a filha sempre recorre ao pai, quando ouve um não dela ou então quando se tem algum problema do tipo “briguei na escola” ou coisa parecida. Nossa, como odiaria. Se Sebastian se atrevesse a deixar isso acontecer e ficasse de segredinhos com Elizabeth, ela nem sabe do que seria capaz. Muito provavelmente pediria a guarda total da menina, mesmo que ela já tivesse dezessete anos na cara.
Movida pela pequena irritação gerada com tal ponderamento, Santana ligou para Sebastian. Tinha terminado de comer há pouco e seu corpo se achava extremamente quente, como se um calor infernal tivesse passado a habitar seu físico inteirinho nos últimos dias. Não via a hora daquilo parar, estava odiando. Tinha lido que era comum passar por tais calores durante a gestação, mas jamais imaginou que seria desse jeito. Aquilo tirava-a completamente do sério. Completamente. Precisava contar a Dra. Pillsbury.
— [Oi, San! Bom dia!]
— Olha, Sebastian, eu juro que se você for daqueles pais “superlegais” que a filhinha mimada corre atrás pra pedir as coisas ou pra contar os segredos escondido da mãe chata, as coisas vão ficar bem ruins pro seu lado. Além da nossa amizade ser aniquilada, eu pego a guarda da Lizzie só pra mim e você nunca mais vai vê-la, enquanto ela ainda for menor de idade. Pode ter certeza.
— [Wow, tá tudo bem?] — Ele riu, sem entender muito bem o motivo para aquilo. — [De onde isso surgiu, Santana?]
— Não importa... Só me promete que nunca vai fazer isso. Agora, por favor.
— [Ok, tudo bem. Eu prometo.] — O Smythe concordou, risonho. — [Parece que você anda pensando bastante sobre isso...]
— Mais do que eu gostaria.
— [Imagino. Mas, não deveria se preocupar tanto assim... A gente tem muito tempo até ela chegar na aborrescência, né? No mínimo, uns dez anos. Talvez, menos... Talvez, mais. Vai depender muito de quando a chatice chegar.]
À medida que o ex-namorado falava, Santana parou de franzir as sobrancelhas e acabou soltando uma risada.
— Você parece um senhor idade falando, incrível.
— [É porque sou praticamente um senhor mesmo. Deve ser o ápice da minha vida... Vou ter uma filha. Vivo trabalhando, estudando e tendo dor nas costas. Se falassem isso pra mim no começo do ano, eu não acreditaria.]
— Nem eu...
— [Enfim, só o que eu posso garantir é que muita coisa vai acontecer até termos que nos preocupar necessariamente com quem é o “favorito” dela. Quer um exemplo? É quase certeza que nos primeiros anos nossa filha não vai entender porque uns a chamam de Elizabeth e outros de Pérola...]
— Só você chama ela assim.
— [Errado. O vovô também tá nessa comigo.]
— Dios mio, não acredito que você arrastou ele pra isso. Esse nome é de muito mal gosto.
— [Não é não... Mas, eu sei que não vai rolar. Por isso sigo utilizando ele de apelido... Ahn, por falar nisso, sabe o que me veio à cabeça esses dias? Annie.]
— Annie?
— [É, Annie.]
— Hum, desse eu gosto. — A morena admitiu, pensativa. — Sabe... Você é muito idiota, Bastian. Se tivesse sugerido Annie antes, a chance desse ser o nome da Elizabeth seria grande.
O rapaz gargalhou com a sinceridade, extremamente, carinhosa – ou o oposto disso; esbanjada por Santana. Mas, era a primeira vez que ela vinha a chamá-lo de “Bastian” desde que haviam terminado. Seu humor parecia ótimo. Isso deixava-o um pouco nostálgico.
— [Não tem problema. Eu tava pensando de ser o nome do meio dela... Tipo Elizabeth Annie Lopez-Smythe, talvez. O que acha?]
— Não é ruim. Acho que eu gostei... — A campainha começou a tocar e ela foi atender a porta, notando que Brittany chegara. Acenou para ela, com o celular ainda na orelha. — Vou pensar sobre o assunto, tá legal?
— [Show!]
— Tchau, Sebastian.
— [Se cuida, San. Amo vocês.]
A Lopez desligou o celular e sorriu para a namorada que, encarava-a de braços cruzados do lado de fora da casa, fingindo estar brava com a cena que havia visto. Tudo não passava de uma brincadeira explícita, é claro.
— Bom dia. O que foi isso, hein? — Brittany cerrou os olhos. — Tava querendo me fazer ciúmes, é?
— Por que, Pierce? — Santana rebateu a pergunta, puxando-a para mais perto. — Por acaso funcionou?
— Talvez...
— Ah, então quer dizer que só a senhora pode ficar de conversinha com a sua ex?
— Mas, é claro!
— Entendi. — Elas riram, iniciando um beijo demorado na sequência. Em algum momento, Santana se afastou quase nada de Brittany com os braços ainda envoltos nos ombros da mais alta. — Se você não fosse tão perfeitinha... Te dava um pé na bunda agora mesmo, Britt-Britt.
— Aposto que sim. — A dos olhos azuis deu risada, prendendo uma mexa do cabelo de Santana atrás da orelha dela e se inclinou para ganhar um selinho. — Pronta pra irmos, San-shine?
— Uhum. — Ela encarou a outra dos pés à cabeça. — Espero essa não seja a roupa que pretende usar pra pintarmos o quarto, Pierce. Seria uma tragédia estragá-la.
— Não se preocupa, eu trouxe uma roupa própria pra estragar. Tá lá no carro.
— Você pensa em tudo!
— Eu penso. Sou maravilhosa, digo e repito. Irresistível é apenas uma das minhas qualidades.
— Uau, que menina de ouro.
As duas riram, dando outro beijo e andaram até o carro da desenhista em seguida. Em questão de alguns minutos, chegaram na loja de material de construção que Brittany havia mencionado. Só precisavam das tintas, o que era ótimo. Depois que a Pierce foi embora no dia anterior, Santana tocou no assunto com seus pais e eles logo disseram que ambas podiam usar seus pincéis, bandejas de mistura de tinta, extensores de pincel, fita crepe e o que mais precisassem. Tudo estava no sótão, mas, Lorenzo trouxe tudo para o quarto de Lizzie para facilitar e assim que Santana tomou conhecimento, avisou a namorada por mensagem.
Depois de passarem por uma boa parte de corredores, onde Brittany mostrou tinta por tinta anotada à outra, Santana se pegou pensando no critério que ela tinha adotado para diferenciar tonalidades tão parecidas entre aquela infinidade de cores que existiam nas prateleiras do estabelecimento comercial. Sinceramente, estava começando a dar náuseas. Principalmente por conta do cheiro fortíssimo de tinta do lugar, não era à toa que a dos olhos azuis havia procurado por tintas sem cheiro e hipoalérgicas. Era tão atenciosa.
— Então, eu marquei essas porque achei que são as mais parecidas com aquele desenho do Pinterest. — Brittany comentou, mostrando a namorada as latas de tinta daquele corredor. — Mas, podemos pegar outras se preferir... Sannie?
Ela olhou para o lado, vendo que Santana não parecia lá muito bem. Fora a repentina ânsia que veio a lhe surgir devido aos cheiros, estava morrendo de calor. Mal conseguia respirar direito.
— Eu preciso sair daqui, Brittany. Não dá.
— Ok. Calma, vem comigo. — Brittany segurou a mão da grávida prontamente e a levou para fora, onde ela pode recuperar o fôlego. — Tá melhor?
— Um pouco. Nossa... — Ela respirou fundo, meio fadigada e enjoada. — O cheiro lá dentro tava insuportável.
— Sinto muito. — A loira olhou ao redor delas, percebendo uma lanchonete doutro lado da rua. Era isso, iria até lá comprar uma garrafa d’água para Santana. Logo entregou as chaves do carro para a gestante, correndo para longe. — Já volto!
Santana andou até o carro e abriu a porta traseira do veículo, utilizando-se daquelas alças de apoio que ficavam no teto do carro, rente a todas as portas do mesmo, para poder se acomodar no banco com segurança. Manteve a porta aberta, para respirar devidamente. Pouco tempo depois, Brittany voltou com uma garrafa d’água e a entregou. Dava para ver de longe sua preocupação, por sorte não havia sido atropelada na volta.
— Toma mais cuidado, Britt. — A Lopez pediu suavemente, ao passo que tomava um gole da água. — Você precisa se manter vida, antes de tentar cuidar de outra pessoa.
— Eu sei. Mas, como tá se sentindo?
— Um pouco enjoada ainda, mas vai passar. — Ela suspirou. — Desculpa por estragar o lance das tintas.
— Que isso, não fala besteira. Você tá grávida. Eu que devia ter imaginado que vir aqui não te faria bem, foi uma péssima ideia.
— Na verdade... O erro foi meu. Você meio que já tinha pensado em tudo quando procurou pelas tintas sem cheiro e hipoalérgicas, Britt. Mas, quer saber? Isso não importa mais. — Santana abriu um sorriso, decidida. — Volta lá e compra as tintas que você tinha gostado. Vamos usar elas.
— Sério?
— Muito sério. — Ela assentiu, mexendo na sua bolsa a fim de pegar algo em sua carteira. — Usa o meu cartão, toma.
Antes que Brittany pudesse dizer qualquer coisa, Santana lhe revelou a senha do cartão, surpreendendo-a na hora. Já estavam nesse nível do relacionamento? Não esperava por isso de forma alguma... O choque foi tanto, que nem conseguiu prestar atenção nos números ditos pela morena. Mas, no fim, não era como se fizesse muita diferença já que não pretendia usá-lo. Passaria as tintas no próprio cartão. E, se mais para frente, Santana viesse a descobrir e exigisse compensá-la, aceitaria receber todo o valor de volta em casquinhas do McDonald’s ou coisa do tipo, qualquer doce estava valendo.
— Não é muito cedo pra me passar a senha do seu cartão, não? — Brittany riu. — Quer dizer, eu podia ser uma golpista. Nunca se sabe.
— Nah, confio em você...
— Por quê?
— É lerda demais pra ser golpista, foi mal.
— Ah, claro. — A desenhista gargalhou. — Obrigada pela parte que me toca, Sant. Sua sinceridade é adorável.
— Tô sabendo. Agora, vai logo antes que eu me arrependa de ter feito isso. Vai.
— Você é quem manda.
Como combinado, Brittany comprou as tintas. Também comprou mais um pincel extra, este que era pequeno e a ajudaria com os detalhezinhos do desenho que haviam escolhido para o quarto da bebê. Agora, só precisavam voltar para residência dos Lopez e finalmente começar o trabalho. Se tudo desse certo, as paredes ficariam prontas no mesmo dia.
Quando chegaram na casa de Santana, as jovens se dirigiram ao segundo andar. Lá, a morena se trocou e esperou que Brittany trouxesse as latas de tinta sozinha e se trocasse também. Em seguida, elas começaram a marcar a parede com fita crepe. E então foram almoçar algo preparado pela Lopez. Mais tarde, voltaram ao trabalho, enfim abrindo as tintas para começarem a parte difícil. Só duas das paredes levariam desenhos, as outras permaneceriam brancas.
— Preparei uma playlist pra ocasião... — Brittany avisou, tirando duas caixinhas de som bluetooth da bolsa. Repousou-as no chão, no cantinho seguro do cômodo. — Pensando em você, claro.
— Ah, é? Quero só ver.
Santana sorriu desafiadora, enquanto prestava atenção na série de músicas que passou a tocar dali para frente. Grande parte delas, eram canções que as namoradas cantavam no carro, a memória de Brittany era impressionante. Horas mais tarde, por volta das oito e meia da noite, as mulheres jantaram. Quando retornaram ao cômodo, com os desenhos quase 100% finalizados, Lizzie começou a se mexer, Santana se irritou um pouquinho e uma música em particular na voz de Johnny Rivers passou a tocar. No intuito de descontraírem, Brittany esticou a mão para a Lopez a fim de dançarem por um momento e acompanhou a letra da música, calmamente, tranquilizando os ânimos da latina.
“Do you wanna dance under the moonlight?
Squeeze and kiss me all through the night
Baby, do you wanna dance?”
Santana logo aceitou o convite, chegando mais perto da namorada. Elas passaram a dançar agarradinhas então, sem pressa nenhuma. E o que eram apenas três minutos de música se estenderam, quando You Are My Sunshine, Mirrors, e My Heart Will Go On tocaram no embalo. A loira tinha plena noção do quanto a morena estava cansada, portanto, assim que terminaram de dançar a temática de Titanic, se afastaram um pouquinho. Uma das mãos de Brittany afagava a lateral da barriga da grávida.
— Melhor cê ir deitar, né Sannie? — A dos olhos azuis beijou-a uma outra vez, carinhosa. — Posso estar errada, mas algo me diz que a Lizzie já parou.
— Ah, é? E o que te faz pensar isso?
— Tudo. — Ela riu. — Você tá muito calminha e sonolenta.
— É verdade... Mas, queria terminar isso logo. A gente tava tão perto de acabar.
— Eu sei. Mas, é melhor não forçar, você precisa descansar direito... Vai trabalhar amanhã, não vai?
— Sim.
— Então, pronto. Vamos. — Brittany a guiou até seu quarto, dando-a um beijo de despedida. — Boa noite, Sannie.
— Mas, já vai assim?
— É. — A loira mentiu, a verdade é que planejava terminar a pintura.
— Pois eu não deixo. — Santana a trouxe para perto. — Pelo menos, não enquanto eu ainda estiver acordada.
— Não sei se é uma boa ideia eu ficar aqui, minha roupa tá toda suja.
— A minha também.
— É, mas você vai se trocar...
— Você não?
— Ah, sim, m-mas não agora. — Gaguejou, sem saber o que dizer. — Só quando eu chegar em casa.
— E vai entrar no seu carro desse jeito, Brittany?
— Não, claro que não. — Ela riu, meio sem jeito, e correu para fora do quarto dando um último selinho na morena antes de se distanciar às pressas. — Vou me trocar. Não espere por mim.
— Você tá estranha.
— Impressão sua...
Ela desceu as escadas correndo e não voltou mais, só quando teve certeza que Santana caiu no sono... O que aconteceu mais ou menos uns quarenta minutos mais tarde, nesse meio tempo ficou em pé de bobeira no celular. Ao retornar para o andar de cima, entrou no quarto da Lopez e beijou sua testa, depois refez seu caminho até o quarto de Elizabeth. E então continuou pintando as paredes, mas preferiu botar os fones de ouvido ao invés de ligar as caixinhas bluetooth de novo... Quando deu a última pincelada do desenho, notou a presença de alguém na porta do quarto. Virou para enxergar quem era e viu Lorenzo.
— Olá, Brittany. Espero não estar te atrapalhando.
— Não, de forma alguma. — Ela tirou os fones de ouvido, olhando para a parede satisfeita. — Acabei de terminar.
— Ficou lindo... Santana vai adorar, com certeza. Você leva muito jeito pra coisa.
— Obrigada, Santana também leva. Ela pintou boa parte da parede comigo, até ficar sonolenta... Confesso que aguentou muito mais tempo do que eu imaginava. E iria me matar se soubesse que continuei sem ela, mas... Cá estou eu, me arriscando perigosamente.
— Pois é, minha filha é um serzinho muito teimoso e orgulhoso, não podemos negar...
— Sim. — Brittany riu, juntando suas coisas e passando pelo paramédico. Abriu um sorriso. — Bom, melhor eu ir embora. Boa noite, Sr. Lopez.
— Boa noite, minha jovem. Obrigado mais uma vez por cuidar da minha menina, tenha cuidado na estrada.
— Pode deixar.
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