Nós - Brittana
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Depois de tomar um banho, Santana deixou seu quarto e passou pelo corredor a fim de ter acesso às escadas que a levariam para o primeiro andar da residência dos Lopez. Nisso, percebeu a sombra de alguém vindo de dentro do quarto de Elizabeth. Resolveu então dar meia volta e checar quem era no cômodo da bebê. Para a sua surpresa, deparou-se com sua mãe. Maribel olhava para as paredes recém-pintadas como se tratasse de um quadro em exposição, caçando os mínimos detalhes do trabalho. O sol entrava pelas janelas, iluminando todo o espaço.
— Bom dia, mãe...
— Oh. Bom dia, Santana. — A médica se virou, indo até a filha para cumprimentá-la com um abraço. — Seu pai me disse que você e Brittany terminaram a pintura ontem, então vim olhar como ficou. Tá incrível.
A jovem assentiu, olhando para as paredes enquanto se soltava do abraço com a mãe. Hum, então era por isso que Pierce estava fugindo daquele jeito... Planejava o tempo inteiro terminar as paredes antes de ir embora. Isso até que era legal, embora a morena quisesse estar junto para ver a conclusão. Bom... Ao menos, aquela parte estava enfim riscada de sua lista de afazeres.
— E você dormiu bem, hija?
— Dormi. Quer dizer, tirando o fato de que eu ando sentindo uns calores meio esquisitos de vez em quando.
— Ah, sei bem como é. Não precisa se preocupar. É só variação hormonal, aumento de estrogênio. No meu caso, os calores continuaram aparecendo mesmo depois que você nasceu por conta da redução de hormônios que tive durante o período de amamentação.
— Isso não é nada reconfortante...
— Desculpa, meu amor. Não era essa a intenção. — Maribel riu, dando um beijo na testa da gestante. — Só precisamos ficar de olho mesmo caso essas ondas de calor venham como febre. Aí sim é um sinal de alerta.
— Entendi. Obrigada, mãe.
— Imagina. Bom, agora se me der licença... Preciso descer. — A mulher se afastou, sorridente. — O café deve ficar pronto em uns vinte minutos.
— Ok. Eu já desço.
Ao passo em que a Lopez mais velha deixava o recinto, Santana se apossou do celular ligando para a namorada. Enquanto isso, Brittany abria a encomenda que havia chegado há poucos minutos. Era o colar que tinha comprado para Santana. Agora só precisava de uma embalagem decente... Iria providenciar mais tarde, assim que voltasse para casa, afinal não tinham aula de yoga pré-natal de segunda-feira. Quando seu celular tocou, ela correu para atendê-lo.
— ‘Dia, San-shine!
— [Bom dia, Pierce. Engraçado, eu tava aqui andando pela casa hoje e percebi que as paredes do quarto da Lizzie foram magicamente terminadas. Estranho, né?]
— Nossa, super estranho. — Ela entrou na brincadeira. — O que será que pode ter acontecido?
— [Não sei, desconfio de um folgada aí. Qual sua teoria?]
— Minha teoria? Ah, simples... Foi seu sexto sentido, obviamente. — As duas riram. — Mas, agora falando sério, você gostou?
— [Claro que eu gostei, Britt-Britt. Fiz a maior parte do trabalho.]
— Ah, é assim? — Brittany riu, simulando um tom de indignação.
— [É, é assim. Você nem é tão boa.]
— Ouch, tá certo...
— [Eu gostei muito, mesmo não concordando nada com a parte de ter feito às escondidas. Ah, e com a parte de ter fugido de mim também. Que fique bem claro.]
— Foi o que mais te chateou, né?
— [Cala a boca.]
— Desculpa! — A Pierce deu risada. — Vou te recompensar a semana toda, prometo.
— [Veremos se é uma mulher de palavra ou não, Brittany. Veremos.]
Dito e feito, nos próximos dias a desenhista fez de tudo para deixar a grávida feliz. Não que precisasse se esforçar muito para tal, mas era engraçado de ver. Paralelamente a isso, os pais de Brittany retornaram de viagem e chamaram Sam para trabalhar fixamente na concessionária da família, este que logo aceitou, tinha amado a experiência. Kitty e Marley passaram aquela semana inteira dentro de um namoro secreto e tudo corria muito bem, só faltava contarem para a Pierce, desse jeito poderiam espalhar para todo o resto sem culpa, estavam no caminho.
Durante esses dias, Brittany acompanhou as diversas postagens que Marley vinha fazendo em sua conta do instagram. Todo dia, a modelo levava Sugar num trabalho voluntário ou evento beneficente diferente, como forma dela se redimir. A loira, em particular, não acreditava muito que isso fosse possível, mas era bom ver que sua ex estava empenhada no trabalho de ajudar a amiga a se tornar um ser humano minimamente decente. No meio de tudo isso, Santana terminou alguns trabalhos e se envolveu com outros, já era quase a linguista oficial da Glee Comics. Passava muitos dias no apartamento da namorada também, então agora existia algumas coisas dela espalhadas pela casa, em especial: roupas e livros.
Sexta-feira daquela semana havia chegado e, com ela, todos os exames negativos de IST’s da loira também. Assim que os pegou, foi para casa aos pulos de felicidade. Não iria encontrar com a morena no dia, já que ela havia marcado de jantar com Sebastian e seu avô, então, escolheu deixar para contar no dia seguinte e marcou com Sam e Kitty uma noite de filmes, mas só a Wilde apareceu. Aparentemente, o Evans tinha outros planos para aquela noite. O que não foi de todo ruim, afinal era uma ótima oportunidade para Kitty ter uma conversa particular com Brittany sobre, bom, seu envolvimento com Marley.
— Britt...
— Oi? — Ela continuou olhando para a TV, concentrada, e automaticamente tentou pegar mais pipoca da tigela em suas mãos, mas notou na hora que havia acabado. — Ah, preciso fazer mais pipoca... Pausa aí pra gente, K. Já volto.
Brittany se levantou.
— Não, espera um pouco. — Katherine segurou o braço da amiga, pegando o controle da televisão para congelar o filme. — Eu preciso te contar uma coisa... É importante.
— Tá bom. — A dos olhos azuis voltou para o sofá, estranhando um pouco o comportamento da outra loira. — Que foi? Tá tudo bem?
— Sim, tudo. É que eu não sei muito bem como te falar isso, B... Ok. — A psicóloga respirou fundo. — Olha, eu tô com uma pessoa.
— Sério? Isso é ótimo!
— Pois é. Então... — Kitty soltou todo o ar acumulado dos pulmões, mantendo o olhar fixo na melhor amiga. — Essa pessoa é a Marley.
— Quê? — Brittany gargalhou. — Fala sério, Kitty! Não tá um pouco tarde pra fazer piada, não?
— Não é piada. É sério, Britt. Nós estamos juntas de verdade.
— Você e a Marley? — Ela parou e viu a outra balançar a cabeça, confirmando. — Nossa... C-como isso aconteceu?
— É difícil saber. Depois que vocês terminaram, ela veio me pedir desculpas por ficar me evitando, me explicou os motivos dela e, enfim, tivemos uma conversa bem sincera e continuamos nos falando nos próximos dias. Aí, quando ela voltou da Europa, a gente ficou. Basicamente.
— Ah, então é você a garota da qual a Marley me falou... — Brittany juntou os pontos, por isso era complicado. Fazia sentido. — Espera aí! Isso quer dizer que aquele dia que eu o Sam entramos no seu apartamento na espreita, foi a voz da Marley que escutei vindo do seu notebook! Bem que eu desconfiava... “Só uma paciente”, né? Aff, podia ter me contado.
— Você tá de boa com isso?
— Claro que tô! — Brittany se divertiu com a surpresa da Wilde. — Se você tá feliz, eu tô feliz. Admito que não acreditaria se fosse outra pessoa me dizendo, é muito estranho levando em conta o histórico de vocês, mas quem sou eu pra julgar? Só tem um porém aqui, Kitty... Não é novidade nenhuma que tenho ciúmes de você. Então, preciso que jure de dedinho que não vai me trocar pela Marley. É essencial pro meu coração.
A Pierce ergueu o dedo mindinho e Katherine fez o mesmo, entrelaçando-os.
— Eu juro. — Elas fizeram a promessa ao risos e, na sequência, a psicóloga puxou Brittany para um abraço apertado. — Aah, como eu te amo menina! Você não tem noção!
— Tenho sim.
— Eu tava morrendo de medo de te contar...
— Não sei porquê. Até parece que não me conhece.
— É que isso nunca aconteceu antes, né. Não sabia o que pensar. — Kitty abriu um sorriso, ainda nos braços da Pierce. — Mas, como sempre, você vem e mostra que é a melhor pessoa que já pisou nesse planeta.
— Não é pra tanto, vai. — Ela riu, afastando-se. — Ainda sou humana. Se chegar perto da Santana com essas intenções, por exemplo, eu te mato.
— Uuh, bem lembrado. Pode deixar, vou ficar bem longe dela. Eu me contento com a Marley.
— Assim espero.
Elas riram e voltaram a ver o filme, o clima ainda mais leve que antes. Kitty por ter contado a verdade à melhor amiga e Brittany por ouvi-la diretamente da garota... Não havia problema algum no envolvimento da Wilde com Marley para a desenhista, só haveria problema se ela ainda nutrisse sentimentos pela Rose, mas, como não era o caso, estava de boa com toda a situação. E era bom que as mulheres estivessem finalmente se dando bem, já que Brittany e Marley vinham desenvolvendo uma amizade que nunca tiveram enquanto ainda namoravam. Agora, as três poderiam ser todas amigas na paz... Bastava manter Sugar à distância. Não importava quanto a Motta melhorasse como pessoa.
Por falar nela, no dia seguinte, Marley a arrastou para outro trabalho voluntário em pleno sábado. As duas chegaram lá por volta das oito da manhã e quando foram almoçar, já era onze. Sugar ficou se queixando o tempo todo, mas, a Rose nem ligou e disse que iam continuar, até quando fosse preciso. Aliás, mal haviam começado. Pouco depois de fazerem seus pedidos, a Motta foi para o banheiro, disse que era vergonhoso demais a verem daquele jeito e ficou lá fazendo hora. Nesse meio tempo, Liza e Frank entraram no mesmo restaurante que as garotas estavam. Não demoram nem um segundo para enxergaram Marley de longe e foram até ela, felizinhos da vida.
— Marley, querida! — Liza sorriu. — Não sabíamos que tinha voltado da Europa...
— Liza, Frank, oi! Que coincidência.
— Sim, muita. — Frank assentiu, curioso como a esposa.
— Quanto tempo pretende ficar na cidade?
— Ahn, na verdade eu voltei de vez. Ir pra Europa foi importante, mas vi que meu lugar é aqui. Então, bastante tempo... Eu acho. Já fui chamada pra uns trabalhos bem legais aqui por perto.
— Que ótimo! — A Sra. Pierce alegrou-se. — E por acaso, chegou a entrar em contato com a Brittany desde que voltou?
— Ah, sim. Nos encontramos no último domingo, inclusive. Ela parece muito feliz... Vocês sabem, com o trabalho e a nova namorada.
— Nova namorada? — O Sr. Pierce repetiu, surpreso. — Ela tá namorando?
— Você tá sabendo de alguma coisa, Marley? — Liza também quis saber.
— Ah, eu disse namorada? — Marley percebeu o fora que deu na hora e tentou se corrigir, sem muito sucesso. — Puts, força do costume... Eu quis dizer a nova protagonista dela, da HQ que ela tá lançando agora. É que nós temos uma brincadeira, a Britt fala tão bem da personagem que eu digo que até parece com a nova namorada dela. Só isso.
— Certo... — Frank assentiu desconfiado e segurou a mão da esposa, trocando alguns olhares com ela. — Vamos?
— Vamos.
— Bom, foi muito legal te ver. Tenha um bom dia, Marley.
— Igualmente.
— Até mais, querida. — Liza forçou um sorriso e os dois sumiram.
A medida que Sugar retornava à mesa, Marley tentava ligar para Brittany de novo, de novo e de novo. Sem retorno.
— Que foi, hein Mar?
— Nada... Aliás, eu já volto. Um segundo, Sugar. — A Rose andou em passos largos até a fachada do estabelecimento, sendo atendida pouco tempo depois. — Britt, oi!
— [Oi, Marley. Desculpa a demora, tava estacionando o carro... Tudo certo?]
— Na verdade não, eu fiz merda... Acabei de encontrar com seus pais e acidentalmente deixei escapar que você tá namorando.
— [Você o quê?!]
— Desculpa! Eu achei que eles soubessem... Não fiz por mal, sério!
— [Tá legal. Ahn, você mencionou que ela tá grávida?]
— Não! Eu não disse nada, só falei que você parecia feliz com o trabalho e a nova namorada. Só isso.
— [Ok. Obrigada por me falar.] — Ela suspirou, desligando o celular. Olhou pela janela do carro e encarou o supermercado, péssimo jeito de fazer compras. A qualquer momento Liza e Frank iriam ligar para ela, tinha certeza. Era questão de algumas horas. — Droga...
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