Nós - Brittana
43 Mais que um chá de bebê
Para o completo alívio das namoradas, não só terça-feira, mas, quarta, quinta, sexta e sábado daquela semana passaram voando. Depois de se reconciliarem, Brittany e Santana voltaram a sua rotina normal.
Isto é, a de acordarem juntas pela manhã, tomarem caminhos diferentes para trabalhar ao longo do dia, se encontrarem no fim da tarde para comer alguma coisa, seguirem para aula de yoga pré-natal na sequência e por fim para o apartamento da loira, onde se ocupavam muitas vezes de trabalhar mais um pouco. Ou então de assistir TV, além de conversar, cantar para Elizabeth, praticar algumas posturas de yoga que precisavam melhorar – nos dias que não tinham as aulas; receber visitas aleatórias de Kitty, Sam, Blaine, Jane, Quinn, Rachel e Kurt fora... Evitar ao máximo o quarto, a cama e tudo o que não fosse dormir, e, tão somente, o ato de dormir ali.
Isso porque, bom, ficaram pensando demais naquilo assim que a reconciliação aconteceu e passaram a agir esquisitamente sem querer. Talvez, não fosse o momento mais propício para uma segunda primeira vez. Tinham acabado de se entender, e Brittany instantaneamente pensou “caramba, eu não vou me aproveitar disso” e Santana se perguntou “dios mio, será que tô virando uma ninfomaníaca?” e as duas correram para se controlar (com muito, muito esforço) afinal: tiveram uma conversa sincera em relação às suas inseguranças, não dava para jogar tudo para o alto e, simplesmente, deixar se levar pela excitação repentina. Precisavam manter suas roupas no corpo, até que o momento fosse mais adequado. O que veio a demorar um pouquinho.
Ao longo daquela semana, a primeira HQ de Brittany foi publicada e ela começou a receber alguma atenção a mais no seu instagram que, agora, era público. E isso significava não só fãs, mas haters também. Não demorou muito para um grupo de conservadores irem encher seu saco e o do estúdio de quadrinhos também, já que ficou implícito que a super-heroína de Codinome Snixx teria um romance com sua ajudante, a Sweet Lady.
Junto a isso, a Pierce precisou se encontrar com seus pais uma outra vez, para alertá-los que estava tudo bem entre ela e Santana, e que nada do que dissessem iria abalá-las. Liza e Frank até tentaram contornar a situação, dizendo que gostariam de conhecer a Lopez, mas Brittany pediu que as deixassem em paz por enquanto e eles decidiram aceitar, pois temiam que o pouco contato que vinham tendo com a filha sumisse de vez.
Santana começou a ter mais reuniões com a galera da Glee Comics e resolveu envolver Quinn nos trabalhos, já que estavam começando a se acumular. E, mesmo que trabalhar com linguística fosse a paixão de ambas as jovens, seria mentira se elas dissessem que aquilo era fácil porque não era. Exigia muita pesquisa, estudo e dedicação, entender como as línguas, os dialetos e os códigos funcionavam, sua gramática, sua fonética, como e por que alguns conseguiam passar entre os séculos, carregando as mudanças destes e, ao mesmo tempo, outros morriam relativamente cedo. Tudo isso e mais um pouco, para serem capazes de construir linguagens funcionais, mesmo que fictícias.
Sam conseguiu se mudar para o mesmo prédio que Brittany, e eles voltaram a ser vizinhos, mas não moravam lado a lado como antes. O rapaz estava empolgado com o trabalho na concessionária central dos Pierce e isso era muito bom para a desenhista, que recebia informações importantes do amigo. Ele era praticamente seu espião infiltrado lá dentro, e o melhor de tudo é que estava feliz com isso. Gostava de todo aquele universo de carros, compra e venda. Já Kitty, seguia firme em seu namoro com Marley, mesmo depois de ter rido horrores quando a mesma a contou o que Brittany havia feito com Sugar.
Cara, como superar a raspadinha banhada à vinho?!
Rachel e Kurt foram aprovados para fazer estágio em um hospital, e começariam em duas semanas. Mercedes passou nas seletivas de um reality show sobre pequenos negócios (com sua lojinha de roupas plus size) e sua animação era contagiante. Sebastian apresentou Bree para seu avô, e sua conexão com a namorada e o filho dela crescia cada dia mais. Para Lorenzo e Maribel, era como se Santana ainda não tivesse se mudado para a casa deles, já que a morena passava grande parte do tempo no apartamento da namorada, mas, sempre que conseguiam, os médicos ligavam para a filha, a fim de saber notícias dela.
Domingo, dia 23 de Setembro, foi a data escolhida para o chá de bebê/festa de aniversário da Lopez. Na ocasião, nenhum dos convidados iria trabalhar, então poderiam comparecer tranquilamente ao evento. Como fariam uma surpresa, Brittany saiu cedinho, avisando no dia anterior que tinha um compromisso naquele domingo, assim como Rachel, Kurt e Quinn. Nessa, os pais de Santana entraram em cena, convidando-a para um almoço tardio, por volta das três da tarde. Sem desconfiar de nada, ela foi. Agora estava no carro de seu pai, junto a ele.
Quando enfim chegaram em frente à residência, Lorenzo ajudou a grávida a descer do veículo. Até ali, tudo normal. Foi só eles atravessarem a porta, que Santana viu sua mãe, Rachel, Kurt, Mercedes, Quinn e Sebastian aparecerem. Mas, nem sinal de Brittany. Havia duas faixas em cada canto da sala, uma escrito “21 anos da nossa garota!” e outra escrito “chá da Lizzie”, com presentes em baixo de ambas. Santana entortou um pouco o nariz quando viu, fingindo-se de durona. No fundo, estava gostando, mas não daria o braço a torcer tão fácil assim. Não queria festa no fim das contas.
“SURPRESA!”
— Vocês são ridículos... — Ela riu. — Mas, gostei da parte do chá de bebê. Podemos ficar só com ele.
— Nada disso, Lopez! — Quinn a alcançou, evolvendo-a em um abraço. Logo, Rachel, Mercedes, Kurt, Sebastian e Maribel a abraçaram na sequência também. Um atrás do outro.— Vamos ficar com os dois, nem vem!
— Isso aí, Quinnie! — Rachel apoiou. — Manda a moral...
— Juro que não tenho nada a ver com isso, Tana. — Mercedes cochichou, brincalhona. — Eles me forçaram.
— Até parece! — Kurt gargalhou.
— Tudo bem, San? — Sebastian foi o penúltimo a abraçá-la, antes de sua mãe. — Feliz aniversário!
— Obrigada...
— Feliz aniversário, hija! — Maribel deu um beijo em seu rosto, e Lorenzo imitou a esposa. — Tudo de bom, sempre.
Eles começaram a cantar “parabéns pra você” animados e Santana cruzou os braços, séria. Então, Brittany apareceu nas escadas, cantando também e seu sorriso com covinhas bem marcadas disse “olá” no mesmo instante. A loira chegou na namorada e piscou para ela, dando-a um selinho acentuado.
— Achou mesmo que eu fosse perder isso, San-shine? — Brittany perguntou, toda felizinha. — Fiquei me segurando a semana inteira... Feliz aniversário!
— Até você, Britt? Tsc, tsc... — Santana deu risada, recebendo outro selinho da mais alta. — Obrigada.
— Pessoal, a comida tá pronta! — Maribel anunciou da entrada para a cozinha. — Venham se servir!
(...)
Depois do almoço, Santana se sentou no sofá e foi recebendo os presentes que os amigos e familiares haviam comprado para ela (e a bebê) nas mãos. O primeiro que abriu foi de Quinn, já que ela fazia questão de ser a primeira. De presente de aniversário, ganhou um vestido muito bonito. Ele era todo preto com detalhes em vermelho. E a melhor parte é que não era de gestante, então poderia usá-lo quantas vezes quisesse depois do parto.
— Amei, Fabray! Ótimo gosto, como sempre. — A latina começou a abrir o presente de Lizzie, em seguida. Deparou-se com um kit de bolsa maternidade. — Aah, isso vai ser bem útil! E é linda!
— Espero que sim. — Lucy se fingiu de exibida. — Procurei a melhor bolsa da loja, Santana. Obrigada, de nada.
— É, aposto que sim. E eu te amo por isso, Q. — Ela riu para a amiga e olhou para o lado. — Vamos ver...
Santana passou para Rachel, que a deu dois livros, um de ficção e outro de cuidados maternais, fora uma banheira ergonômica, junto a toalhas e um kit de shampoos e sabonetes líquidos infantis.
— Obrigada, Rach. — A jovem cheirou os produtos. — Essência de neném, amo.
— Quem não ama?
Kurt comprou vários jogos de lençóis temáticos para o berço, algumas roupinhas coloridas e um par de coturnos lindíssimos. A boca de Santana quase caiu ao enxergar os calçados, eram incríveis. Da mesma forma que as roupinhas e lençóis infantis.
— Menino, quer me matar do coração, é?
— Eu quero!
Mercedes a presenteou com um estojo de cuidados para recém-nascidos, fraldas e uma paleta de maquiagem. Todos marcas premium.
— Nossa, essa chique...
— Pra combinar com você, amiga.
Sebastian a entregou uma jaqueta de couro falso, além de um bebê-conforto turquesa, chupetas, mamadeiras e mantas.
— Ah, você conseguiu achar um bebê-conforto turquesa?!
— Consegui!
Quanto a Lorenzo e Maribel? Bom, eles a presentearam com um kit de cuidados pessoais. Além de comprarem um carrinho para transportar Elizabeth, bem como alguns móveis que a filha havia gostado para a decoração do quartinho, um termômetro para banho e uma cadeirinha de refeição, também foram os responsáveis por comprar três cadeirinhas de bebê. Uma para pôr no carro de Sebastian, outra no deles e a terceira para o veículo de Brittany. Só faltava mesmo terem comprado o berço também, mas esse não foi o caso. O que Santana não desconfiava até então, já que os presentes dos seus pais não paravam de aparecer.
— Dios mio, desse jeito vocês vão me dar uma casa e um carro daqui a pouco!
— Não, não! — Lorenzo negou, gargalhando junto a filha, a esposa e os demais na residência. — Era só isso, hija!
— Prometemos que acabou!
— Menos mal... Amo vocês. Mas, não me mimem tanto. Senão, fico mal acostumada.
Então, chegou a vez de Brittany. Ela veio segurando um embrulho pequeno. Quando Santana o pegou, não conseguiu imaginar o que poderia ser. Assim, ela rasgou o papel e viu que se tratava de um colar. Ou melhor, um medalhão. Ele era dourado, tinha o formato de girassol e dentro carregava os dizeres “you are my sunshine” em baixo-relevo.
Era a coisa mais brega do mundo, mas só as duas entenderiam o verdadeiro significado daquela breguice... O apelido que Brittany havia dado a Santana, no caso: “San-shine”, vinha da música You Are My Sunshine, conhecida pela voz de Johnny Cash, junto a um trocadilho que a desenhista fizera entre Sun (de sol) e San (de Santana), na época em que elas ainda nem eram um casal, mas, cantavam aquela canção religiosamente todos os dias em que se encontravam. Você é meu raio de sol, meu único raio de sol... Era mais simbólico que qualquer coisa. Santana abriu um sorriso de orelha a orelha.
— Eu adorei, Britt-Britt.
— Mesmo?
— Mesmo. — Ela riu, levantando-se para beijar a loira. — Coloca em mim, por favor.
— Tudo bem. — A Pierce obedeceu e na sequência envolveu a mão da namorada à sua. — Vem comigo, quero te mostrar uma coisa.
— Ok...
Elas subiram para o segundo andar e Brittany abriu a porta do quarto de Elizabeth, com ar de mistério. Assim que Santana enxergou o que tinha do outro lado, se surpreendeu. Era um berço de madeira bem clarinha, com o acabamento impecável, muito bem polido e as grades em branco. Lindo demais, demais, demais. Tinha ficado perfeito ali.
— V-você comprou um berço, Brittany?
— Não exatamente, ele era meu. — Explicou, aproximando-se para beijar a bochecha da gestante. — Seu pai me ajudou a montar hoje cedo e sugeriu que pintássemos as grades de branco, e eu gostei da ideia. O que achou?
— Perfeito. — Santana foi sincera e olhou para o lado, vendo diversos bichinhos de pelúcia e outros brinquedos espalhados pelo chão. — Essas coisas também eram suas, né?
— Sim. Coloquei pra lavar antes de trazer pra cá, mas vão ter que ser lavados de novo.
— Com certeza vão. — Ela riu e foi até a namorada, beijando-a. — Obrigada... Por tudo. Ter você na minha vida é o melhor presente pra mim, Britt.
— Pois eu faço das suas as minhas palavras, Sant. — A dos olhos azuis passou os dedos pelo rosto dela, concentrada. Beijou-a uma outra vez. — Por falar nisso... A partir de hoje, quero estar presente em todas as consultas pré-natais que faltam pra você ir. Sei que não reagi muito bem da primeira vez, mas é porque eu me sentia uma intrusa ali... E eu não quero mais me sentir assim. Então, será que tudo bem por você se eu for?
— Claro que sim, boba! — Santana riu, dando vários beijinhos no rosto da loira. — Não precisava nem perguntar.
— Ei, gente! — Quinn gritou das escadas. — Odeio estragar o romance, mas a gente tá subindo pra ver o berço, hein!
— Tá, Lucy! À vontade! — A Lopez revirou os olhos e se afastou da namorada, risonha. — Povo curioso, cruzes.
— Ah, eu também estaria no lugar deles. Não vou negar. — Brittany admitiu, olhando para a porta. Viu os demais convidados da festa entrando no cômodo, em segundos. — Tcharan! Lhes apresento o novo berço da Lizzie... Meu agradecimento especial ao Sr. Lorenzo que, além de me ajudar a montá-lo, sugeriu que passássemos uma demão de tinta deixando ele ainda mais bonito. E também queria agradecer a Sra. Maribel, que nos manteve em pé de manhãzinha com o melhor café do mundo. Sem palavras pra vocês.
Os Lopez mais velhos riram, gostavam de Brittany. Sebastian encarou mais de perto o berço e abriu um sorriso também, a loira era ainda mais legal do que ele imaginava. Isso era bom, Santana merecia estar com alguém assim. Rachel, Kurt e Quinn correram para sugerir onde o berço ficaria melhor dentro do quarto, baseando-se nos móveis que Maribel e Lorenzo haviam comprado – e todos haviam visto lá embaixo; mas, Mercedes foi a única que conseguiu captar a atenção de Santana com suas ideias. Eram ótimas. Aquele chá de bebê facilitaria muito sua vida. Estava grata de ter os amigos que tinha, eram os melhores.
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