— Mais e mais xingamentos! — Brittany reclamou, rolando pelas notificações de seu instagram, enquanto estava sentada à mesa de um restaurante com a namorada, no intervalo de tempo em que seus pedidos não chegavam ali. Uma coisa era não gostarem da sua história em quadrinhos, seja qual fosse o motivo, outra era virem atacar diretamente a sua pessoa de forma gratuita como um grupo conservador, machista e homofóbico de haters vinha fazendo nos últimos dias. E as vendas de Codinome Snixx e os fãs da saga só aumentando. — Ninguém merece isso...

— O que foi dessa vez? — Santana quis saber, tomando o celular da Pierce para si. Leu alguns dos comentários ofensivos e riu, despreocupada. — Um bando de babacas... Só ignora, Britt. Imagina como esse povo deve ser infeliz.

— Tô tentando ignorar, Sannie. Tô mesmo. Mas, é revoltante o que saem falando dos outros por aí... Eles nem me conhecem! Não sei de onde vem tanto ódio, nossa.

— Eu sei bem. Olha, eu percebo de verdade que tá tentando ignorar. Mas, tá fazendo do jeito errado. — A morena alertou, guardando o aparelho da loira na própria bolsa. — Muito bem, chega de celular por hoje.

— Tem razão. — Ela assentiu, cabisbaixa, e deu um suspiro. — Tô precisando ficar um pouco longe do celular mesmo.

— Ei... — Santana a chamou, simpaticamente. — Diz pra mim, o que eu posso fazer pra botar um sorriso nessa sua carinha?

A desenhista voltou a fitar a namorada, inclinando-se para o lado dela.

— Bom, podia começar me dando um beijo.

— Claro. — Santana encostou os lábios carnudos na bochecha dela e deu um beijo estalado por lá, sorridente. Depois que se afastou, cerrou os olhos e abriu outro sorriso. — Assim?

— Aqui também. — Brittany apontou para sua outra bochecha e, quando foi receber o segundo beijo da latina, virou o rosto rapidamente para roubá-la um selinho. Sorriu vitoriosa. — Agora eu tô feliz.

— É, né. — A morena deu risada, fingindo-se de brava. — Tá se aproveitando da situação, isso sim.

— Eu? Nunca!

(...)

Mais tarde, as garotas estavam de volta ao apartamento da Pierce. A dos olhos azuis havia ido tomar banho primeiro, e agora se encontrava na sala à espera da namorada. Já a Lopez, se ocupava de trocar de roupa, após todo o seu ritual de cuidados pré e pós-banho. O único problema é que, naquele dia em particular, o fazer sem passar um pouco de raiva estava meio difícil, visto que Santana pareceu ter se esforçado muito mais que o normal durante o dia inteiro andando de um lado para o outro no Breadstix e depois com as posturas de yoga.

— Qué rayos... — Ela resmungou sozinha. — Meus pés tão me matando!

Dois segundos depois, Brittany apareceu. Pretendia ir para seu escritório desenhar algo até a outra aparecer, mas deu meia volta assim que escutou-a rosnando enquanto passava pelo corredor. Tinha que checar se estava tudo bem e oferecer qualquer auxílio, se fosse o caso.

— Posso entrar, Sant? — A loira perguntou, abrindo uma frestinha da porta e Santana assentiu. Logo, Brittany passou para dentro do quarto e pôde ver a gestante sentada na cama usando somente calcinha e sutiã, seu rosto corou um pouco, mas ela se conteve e foi se aproximando da mais baixa. — Então, eu tava passando aqui do lado e acabei ouvindo o que cê disse.

— Sei...

— Quer que eu te faça uma massagem?

— Não. Não precisa, Britt... Mas, obrigada.

— Eu faço questão.

— Faz, é?

— E como. Deita aí, vai. — Brittany sorriu, vendo a namorada obedecê-la. E se posicionou na ponta da cama, sentando-se de lado e apoiando um dos pés da morena na coxa. — Te faço massagem todo dia se quiser, juro que não cobro nada. Seu bem estar já é o bastante pra mim, Sannie.

— Não sei, não. Tenho minhas dúvidas, Pierce... Geralmente, quem muito age como santo passa longe de ser um.

— Hum, você tem um bom ponto. — A desenhista começou a massagear o pé esquerdo da namorada, com um ar brincalhão. — Mas, vou te deixar descobrir sozinha. E aí, a gente vê se você vai ou não tirar proveito disso.

— Wanky. — Ela soltou um riso. — Com certeza eu vou tirar proveito, isso você pode ter certeza.

— Não esperaria menos de você. É uma mulher muito perspicaz, Santana.

— E você é muito da folgada, Brittany...

— Folgada, por quê? — A Pierce riu, deslizando as mãos dos pés para as pernas de Santana. — Sou tão de boinha, poxa. Super inofensiva e tudo mais, sabe disso.

— Não diria que é tão inofensiva assim... — A morena abriu um sorriu travesso, deixando-se relaxar ainda mais na cama. — Mas, quem sou eu pra dizer alguma coisa?

E a massagem que Brittany fazia nos pés da grávida continuou por alguns minutos em silêncio, depois daquele diálogo peculiar que trocaram. Muitos pensamentos lascivos iniciaram-se dali... Coisa que, nenhuma das duas, se privou de pensar pela primeira vez. Isso era bom. Estavam conseguindo se soltar e ficar mais à vontade com isso.

— E-então... — A loira voltou a falar, como quem não queria nada. — Tá se sentindo melhor?

— Não muito. — Santana respondeu, soando provocante. Brittany logo notou.

— Certo. — Ela se colocou de pé indo até a lateral do colchão onde a morena estava, agora, com as costas apoiadas na cabeceira da cama. Olhos castanhos ainda mais penetrantes que o comum, Brittany estava hipnotizada. — E o que eu posso fazer pra você melhorar, San-shine?

— Podia começar chegando mais perto, Britt-Britt...

— Assim? — Brittany sentou-se na cama, devagar.

— Um pouco mais.

— Assim? — Ela continuou seu caminho, sem pressa.

— Mais.

A dos olhos azuis fez questão de acabar com a distância entre elas, ficando há apenas dois ou três centímetros da Lopez na cama. Seus rostos muito, muito próximos um do outro. As respirações vacilando, as batidas no peito também. Mesmo assim, permaneceram com aquele joguinho inofensivo de provocação. Estava muito interessante brincar com a tentação.

— E agora, tá bom?

— Uhum... Perfeito.

Santana não tardou a beijar a mais alta, levando as mãos para o rosto dela ao passo em que Brittany envolvia sua cintura com mais ênfase que o normal. Estavam gostando muito daquilo. A princípio, seus lábios se encontraram em um ritmo calmo e suave no escuro, mas à medida que o beijo se aprofundava e as coisas aceleravam, o quarto tinha sua temperatura cada vez mais elevada em decorrência do contato mais ávido entre as mulheres.

Tanto Brittany, como Santana, se deixaram explorar os corpos uma da outra, tateando-os por sobre a roupa (ou no caso da morena, a pouca roupa que usava) e suas bocas e línguas intercalavam toques entre si, seus pescoços, maxilares e clavículas. Era como se não conseguissem mais parar. Só o que conseguiam sentir mediante a toda aquela força sobrenatural que as puxava na mesma direção com vigor era a necessidade de ter mais daquilo, mais proximidade, mais calor, mais apertos e menos roupa.

— V-você... Bem que podia tirar a sua roupa agora, Britt.

— Bem que eu podia. — Ela repetiu, um pouco ofegante, perpassando a ponta do nariz no ombro da namorada. Cheirou seu cangote. — Te faria melhorar totalmente, Sant?

— Talvez.

Brittany se afastou para olhar no fundo dos olhos de Santana e, naquele instante, teve ainda mais certeza de que ambas as mulheres estavam de total acordo com o que estava prestar a acontecer. Então, enchendo o peito de coragem, ela se ergueu e passou tirar uma peça de cada vez do seu pijama, lentamente. Santana segurou o ar, enquanto observava a namorada se despir, e engoliu a seco ansiosa para que ela voltasse a se aproximar.

Quando a loira enfim se livrou das roupas de baixo, engatinhou de volta para a cama aos olhares fixos da Lopez e deitou-se do lado dela, curvando-se para iniciar um novo beijo com a morena. Um beijo um pouco mais contido dessa vez. Santana alcançou as costas da mais alta e afagou-a por algum tempo, antes de deslocar uma mão para os seios dela. Como resposta, ouviu-se um riso da Pierce que, sem parar a série de beijos que aplicava do maxilar à clavícula e colo da outra – tomando muito cuidado para não descer demais, pois não podia tocar nos seios dela; escorregou a mão direita pela lateral do corpo da grávida, apalpando-a com firmeza, até seus dedos encontrarem caminho para à calcinha de Santana.

— Você é linda... — A morena deixou escapar, afagando um punhado de fios loiros da nuca de Brittany. — Demais.

— Não mais que você.

A Pierce brincou com a mão por sobre o tecido da calcinha da namorada, fazendo alguma pressão por ali e constatou a umidade crescer mais e mais, ouvindo gemidos excitados escaparem pela garganta de Santana. Sua pele toda arrepiada, sofrendo sugadas ardentes na linha do pescoço. Seus corpos esquentando desenfreadamente, queriam mais. Mais e mais daquilo. O máximo de contato que tivessem melhor.

— Não p-para... — Santana suplicou, segurando o rosto de Brittany. Puxou-a para um beijo acentuado e os dedos da loira adentraram a calcinha dela, tocando seu clitóris gentilmente. Ela começou a fazer alguns movimentos na intimidade da morena, enquanto o quadril da mesma rebolava contra seu dedos. Ficaram nisso por algum tempo, até Santana gozar pela primeira vez. — Ah-humm, B-Britt!

Sem perder tempo, Brittany tirou sua mão da calcinha da latina, beijando-a com ardor, e começou a descer com um travesseiro, colocando-o embaixo da lombar da Lopez, com algum auxílio dela, a fim de elevar o quadril da grávida. Segurou as laterais da calcinha de Santana e respirou fundo, tentando conter seu desejo louco de simplesmente cair de boca ali.

— Posso?

Santana mordeu os lábios, assentindo. Não lhe restava dúvida alguma, sobre nada.

— Deve.

A loira abriu um sorriso e puxou a calcinha da morena para baixo, até retirá-la totalmente. Assim, posicionou-se em frente a vulva encharcada da namorada. Agora a única roupa que restava no corpo da Lopez era seu sutiã, que infelizmente continuaria por lá, devido ao risco de provocar um parto pré-maturo caso os seios dela fossem estimulados nessa fase da gravidez.

Brittany agarrou as coxas dela e começou a beijar e lamber o interior delas com afinco, à medida que suas digitais se firmavam nas pernas da mais baixa. Seu coração estava batendo mais forte do que nunca naquele momento, fazia tanto tempo desde a última vez que havia transado... Quer dizer, tirando a experiência com roupa. Era tão instigante que parecia estar conhecendo aquele sentimento de novo, pela primeira vez. Queria provar a outra mulher, queria senti-la, cheirá-la, beijá-la, como nunca quis antes.

Todos os seus sentidos pareciam se afetar, drasticamente, na presença dela.

Levando sua boca até a barriga de Santana, Brittany trilhou caminho dali para baixo, chegando ao sexo da latina pela primeira vez. Encheu a região de beijos, ocupando-se de chupá-la na sequência. Nem se ela quisesse, conseguiria explicar sua euforia naquele momento. O sabor de Santana era uma delícia, da mesma forma que seu corpo, suas feições, seus gemidos abafados... A Pierce continuou fomentando o clitóris da morena com a língua e aproveitou para aproximar dois dedos para perto da vagina dela também, ameaçando penetrá-la. Enganar os sentidos era um ótimo jeito de apurá-los ainda mais, adorava o fazer.

— Gostosa...

De olhos fechados, Santana pôde sentir uma série de sensações explosivas percorrendo todo o seu físico. Estava gozando outra vez e ainda assim, não sentia a mínima vontade de parar. A jovem parecia altamente sensível a toques, não era só o seu emocional que havia se afetado com a gravidez... Bom, ao menos com essa parte ela conseguia simpatizar.

O prazer parecia se duplicar, talvez até se triplicar na ocasião. Mas, ela não sabia dizer se era só isso ou se Brittany tinha um enorme papel nisso também. Muito provavelmente ela tinha, já que suas mãos e lábios perfeitos não mentiam em trabalho... Ela levava muito jeito. Isso, sem mencionar o seu corpo, que perdição. A Lopez não conseguia parar de pensar: por que diabos havia levado tanto tempo para ficar com uma mulher? Nunca sentiu atração mais avassaladora que essa antes, de tirar o fôlego e dar borboletas no estômago.

— Por favor, Brittany...

A loira soltou um leve riso, deixando-se finalmente introduzir um dedo de cada vez dentro da vagina de Santana. Sua boca continuou em contato com o clitóris dela, passeando de vez em quando aos arredores da intimidade pulsante, pelos grandes e pequenos lábios até perto da abertura, onde seus dedos indicador e médio se ocupavam de ir e vir compassadamente. Mas, à medida que Brittany ouviu a grávida dar gemidos mais intensos, ela se empolgou aumentando gradativamente a velocidade de seus dedos, que agora penetravam Santana com ainda mais viço que antes.

— Goza pra mim de novo, vai. — A desenhista pediu, sentando-se na cama para poder observar a namorada melhor. Sua mão no mesmo lugar, estimulando-a sem descanso e a outra apertando e alisando uma das coxas morenas. — Eu quero ver, Sannie.

Santana abriu os olhos, mordendo os próprios lábios e apertou os lençóis, rosnando para a Pierce. Era a coisa mais excitante para a loira... Quis assistir tudinho de camarote, como ela gemia, como seu corpo rogava por contato, como os olhos castanhos davam leves viradinhas, como ela mordia a própria boca, como finalmente suas pernas tremeram, indicando um novo ápice... Dessa vez extremamente forte, em comparação aos dois primeiros. Daquele tipo de orgasmo que, depois que acontece, não pode haver contato algum. Brittany logo percebeu, afastando-se um pouco para comtemplar a cena.

Após alguns segundos nas nuvens, os músculos contraindo de uma forma que jamais havia experienciado antes, Santana enfim relaxou no colchão... E começou a rir, descontroladamente. Enquanto isso, a Pierce pegou o travesseiro que, antes, estava servindo de apoio à lombar da gestante e jogou de volta para seu lugar, chegando mais perto da morena. Abriu um sorriso, à esperada da gargalhada da outra cessar-se. O que demorou algum tempinho... Mas, ela estava sem pressa. E quando viu oportunidade, se inclinou, para dar um beijo carinhoso na mais nova.

— Dios mio... — Santana disse, arfante, aninhada à loira e sorriu outra vez, as covinhas bem marcadas. — Você não tem noção do negócio que eu senti agora, Brittany. É indescritível de tão gostoso.

— Eu imagino. — Ela deu um rápido selinho na namorada e, toda convencida, acrescentou: — E fico absurdamente feliz de ser a responsável.

— Aposto que sim.

A latina iniciou uma sequência de beijos na outra, em sua boca, maxilar, pescoço, ombro e ali aproveitou para mordê-la, antes de descer até os seios de Brittany para chupá-los e incitá-los. Os mamilos da garota já estavam enrijecidos e sua pele arrepiando-se, constantemente. Sem conseguir raciocinar direito, tudo o que a Pierce fez foi mergulhar os dedos nos cabelos da Lopez.

E, assim como uma música adquire sua melodia, em algum momento Santana engatinhou mais para baixo, abrindo as pernas da loira, para ter acesso a imagem de seu sexo quente e úmido. Era a primeira vez que tocaria outra mulher, mas por alguma razão, não sentia inibição alguma. Queria retribuir tudo o que Brittany havia feito por ela. Era até meio animalesco, no sentido de agir por instinto mesmo se ela parece para pensar. Sua vontade de ter o corpo da loira para si era tanta, tanta, que nenhuma falta de jeito conseguia te barrar.

Começou a deslizar as mãos em volta da região, pressionando as digitais no interior das pernas da loira, bem como sua barriga, virilha, até começar a masturbá-la de fato. Depois, deitou a cabeça em uma das coxas da Pierce e a loira virou de ladinho à seu pedido, repousando sua perna livre de cima um pouco abaixo do ombro da dos olhos castanhos, a parte de trás de seu joelho agora encaixada no braço de Santana, que passou a beijar sua intimidade e iniciou várias sugadas em seu clitóris, enquanto apertava a bunda de Brittany, trazendo-a para mais perto.

— S-Sant, aah-humm...

Quando a Lopez escutou os gemidos baixinhos da namorada aparecerem, tomou liberdade para penetrá-la com dois dedos também sem muita cerimônia e assim ficaram por algum tempo. As mãos da mais alta acariciando a cabeça e os cabelos de Santana e ela ali, dando o seu melhor no sexo oral. Nunca tinha ficado com alguém que fazia tão bem antes – talvez, por só ter tido se relacionado com homens até então; por isso, fazia questão de retribuir. Era muito prazeroso o fazer, quando o outro lado se empenhava nisso. Relações recíprocas, com toda a certeza, eram as melhores coisas do mundo.

E quando Brittany enfim gozou, elas puderam voltar a ficar aninhadas na cama. Trocando alguns carinhos em silêncio. Suas respirações voltando ao normal, pouco a pouco. Olhares contínuos, uma contornando o rosto da outra com os dedos, beijos e mais beijos. Era sexta-feira e já havia completado um mês que elas estavam namorando, mais especificamente: quatro dias antes. Então, subitamente, Santana sentiu Elizabeth se mexer em sua barriga. Deu risada.

— Parece que alguém acordou...

— Eu te amo muito. — Brittany revelou, ao mesmo tempo, enquanto beijava sua testa, fazendo com que a Lopez petrificasse por alguns segundos a fim de processar a nova informação. Sem se importar muito com isso, a loira começou a passar a mão na barriga dela, sorridente. — Oi, Lizzie. Tudo bem?

— Eu também te amo... — Saiu como um suspiro.

— Oi?

— Disse que também te amo, Brittany.

— Mesmo?

— Mesmo. — Ela riu, puxando a Pierce para um beijo demorado. — Nossa, tá me dando uma fome...

— É o chamado da Lizzie, San. — Brittany brincou, fazendo Santana rir outra vez. Seus dedos afagando a barriga da grávida. — Não podemos ignorar.

— Você tem razão.

— E o que quer comer?

— Batata frita com sorvete. — Respondeu, automaticamente. — Mas, acho que macarrão com queijo serve também.

— Ah, sim. — Ela riu, junto a namorada. — Tudo a ver.

Notas finais
Ai, tô sem jeito kkk Até ♥