Notas iniciais
Fiquei tão feliz com os comentários maravilhosos que recebi que resolvi voltar rapidinho! hahahahah fico TÃO contente em receber comentários dizendo que a alegria do dia foi eu ter atualizado, que estava sentindo muita falta da fic. Eu realmente AMO escrever e meu maior presente e ver voces junto comigo na historia, criando hipoteses, sofrendo com os personagens.... muito obrigado mesmo, gente! Vamos ao capitulo!

A pouca luz que entrava pela janela fazia reflexos no cabelo dela.

Acordei antes do despertador. Às 06:30, eu já estava muito bem acordado, apenas observando Karina dormir tranquila em meus braços.

Ela era tão lindinha.

Durante a noite, acordei várias vezes. Era como se meu cérebro precisasse se certificar a todo momento que ela ainda estava ali, que não havia fugido. Suspirava aliviado ao senti-la ali, a apertava mais ainda contra meu corpo e voltava a dormir. feliz.

Decidi desligar o despertador para que ela não acordasse assustada. Pouco antes das sete da manhã, comecei a acariciar seus cabelos e lhe chamar baixinho. Não demorou muito e ela abriu os olhos, me dando a melhor vista que eu já tive em toda a minha medíocre vida.

Os olhos extremamente azuis me encararam confusos. Logo as bochechas dela coraram aumentando ainda mais minha vontade de mordê-la bem ali. Depois de alguns segundos, Karina pareceu recorda-se do motivo de estar ali e então, mais calma, me deu o maior e mais lindo sorriso do mundo.

– Bom dia – murmurou ela, sonolenta – por favor me diga que não perdemos hora.

– Não perdemos hora – respondi rindo – mas iremos perder se a preguicinha não se levantar agora.

Karina espreguiçou-se. Com o movimento dos braços, sua blusinha subiu um pouco me dando uma excelente visão de sua barriga chapada.

Foco Cobreloa.

Levantei-me depressa e vesti a camiseta. Karina resmungou de sono e também se levantou. Após jogar uma água no rosto, ela estava pronta.

– Acho melhor eu ir sozinha – disse ela, já na porta do QG – vai ser pior se alguém nos ver juntos. Meu pai só abre a porta e volta a deitar, ele não vem pra fora. Eu vou ficar ali no canto esperando.

E saiu.

– Não mereço nada? – perguntei num impulso. Eu não sabia o que ela entenderia com aquilo. Na verdade, qualquer coisa que ela me desse estava de muito bom tamanho: um abraço, um aperto de mão ou um “muito obrigada”. Qualquer coisa estava valendo.

Karina se aproximou devagar. Respirou fundo e me deu um beijo tão rápido no rosto que quase não me dei conta do que havia acontecido. Em choque, a observei correr envergonhada ao encontro de sua casa. Mal percebi quando minha mão foi de encontro ao rosto, passando os dedos bem ali onde ela havia deixado o beijo. Senti minha pele formigar.

Após poucos minutos meu celular vibrou. Era Karina. Tudo havia dado certo, entrou sorrateira e se deitou sem que ninguém da casa desconfiasse de algo.

O resto do dia passou rápido. Nas sextas feiras o movimento do QG costumava aumentar consideravelmente fazendo com que eu e Thawick ficássemos atarefados em vender suplementos, monitorar os computadores, fazer as contas e ajeitar a pequena bagunça acumulada durante a semana. Estar ocupado daquele jeito era tudo que eu precisava, porque só assim eu não precisava conversar com o tapado do Thawick, não ocupava a cabeça com besteiras e o mais importante de tudo: eu não pensava nela compulsivamente. Aquela tarde de sexta feira atarefada me serviria como um descanso para meus pensamentos.

Sem que eu percebesse, chegou o fim de tarde.

– Qual a boa de hoje? – questionou Thawick jogando-se numa cadeira próxima depois que finalizamos a limpeza – tá precisando sair, parceiro. Hoje é sexta feira!

Pensei um pouco no assunto enquanto encostava o quadril no balcão e cruzava os braços. Realmente, eu precisava. Nas últimas semanas, minhas saídas do QG eram baseadas em procurar sexo. Achava uma mulher, transava, dormia com ela ou a deixava em casa e pronto. Era isso.

Eu precisava realmente sair, ver gente, beber alguma coisa, rir, falar besteiras, jogar conversa fora.

– E se a gente saísse hoje? – sugeri para Thawick – sei lá, ir em barzinho beber.

– Eu ia arranjar uma gatinha hoje, mas como não é todo dia que você tá animado para sair comigo... fechou!

– Ás dez? Passo no seu apartamento.

– Combinado. Vou indo então, Cobra. Até mais tarde.

Thawick recolheu seus pertences e se despediu. Terminei de arrumar algumas coisas nas prateleiras da vitrine enquanto observava a rua. Já passava do horário que Karina costumava voltar da escola. Provavelmente tinha perdido a chance de vê-la passar e isso me afetou. Afinal, uma tarde inteira sem ter pensamentos impuros com ela já havia sido de bom tamanho.

Mal tinha pensado nela, um vulto surgiu no meu campo de visão atravessando a praça: pequena, loira e apressada.

Karina.

Encarei o vidro que nos separava quando ela finalmente parou na porta do QG. Ela estava nervosa, olhava ao redor o tempo todo com medo de ser pega por alguém.

– Cobra. Abre! – resmungou ela impaciente.

Obriguei meus pés a irem até ela. Quando a porta se abriu, Karina passou por mim e se posicionou a minha frente, torcendo dois pedaços de papel na mão.

– O que devo a honra? – perguntei, curioso.

Karina ainda vestia o uniforme e segurava sua mochila escolar. Seus olhos brilhavam de empolgação. E eu não entendia por que. Quando finalmente ia falar alguma coisa, Karina pareceu retomar a consciência. Encarou os papeis nas mãos e me olhava sem graça. Logo suas bochechas coraram violentamente.

– Pode falar, K. O que é isso na sua mão? – encorajei-a dando um sorriso amigável.

– Meu pai está preocupado comigo. Sobre esse lance de eu ficar depressiva em casa – começou ela com a voz baixa – então quando eu cheguei hoje em casa depois da escola ele me deu esses dois ingressos. São entradas para um filme de ação que está em exibição no cinema. Ele disse pra eu sair, me divertir e sabe, chamar uma amiga. Daí eu pensei que talvez... pensei que você.... bom, eu pensei em você.

Se alguém fotografasse minha cara naquele momento, com certeza eu viraria um dos memes mais famosos da internet. Eu não fazia ideia de qual era minha expressão após aquelas palavras, mas deveria ser muito engraçada. Mas então, quando Karina arregalou os olhos e encolheu-se, eu deduzi que minha cara deveria ser de total espanto. O que na verdade, era a mais pura verdade.

– Eu pensei em te levar como meu amigo – explicou-se ela mais nervosa ainda – mas e-eu... é claro que você... ai, não precisa nem falar nada – disse ela, a um passo de chorar de desespero – esquece isso, por favor!

Karina abaixou a cabeça e se moveu em direção a porta. Fui mais rápido, puxando-a pelo braço e a obrigando a olhar para mim ao segurar seu rosto com uma das mãos.

Ao olhar no fundo dos seus olhos azuis, eu me senti confuso. Eu não levava garotas ao cinema. Nem namoradas, nem amigas, Não fazia o meu tipo comprar pipoca e ficar horas em completo silencio numa sala escura. Não que eu não gostasse de cinema, pelo contrario, mas esse era um programa para se fazer com os parceiros ou até mesmo sozinho. Mas não com garotas.

Mas algo nela me fazia querer leva-la ao cinema. Algo naqueles olhos azuis fazia eu me imaginar comprando pipoca com manteiga para ela. Segurando na mão dela enquanto o filme passava.

Mas esse não era eu. Tão rápido como esse pensamento me veio, o afastei. Karina continuava a me olhar apreensiva, esperando uma resposta. Respirei fundo e tentei escolher as palavras com o maior cuidado possível.

– Olha, K. Eu agradeço o convite...

– ... mas você não vai – completou ela, sem graça – tudo bem, Cobra.

– É que eu combinei de sair com um amigo. Sabe, o Thawick. Podemos combinar de fazer alguma coisa qualquer dia desses, se você quiser. Mas hoje realmente não dá.

– Tudo bem, já disse – disse ela, tentando sorrir – não faz mal.

– Mas não perde esse ingresso. Você realmente precisa sair um pouco. Tem as meninas da academia. Chama a Fabi, ela vai gostar do convite.

Karina pensou por alguns instantes na possibilidade. E depois sorriu. Ela mal sabia o quanto aquilo me aliviou. Não queria, de maneira alguma, magoá-la.

– É, pode ser.

– Não fica chateada comigo.

– Não estou, juro. Mas preciso ir. Tchau, Cobra.

Daquela vez, não teve beijo no rosto. Enquanto ela se afastava apressada pela praça, algo me dizia que eu iria me arrepender profundamente de não tê-la acompanhado naquele cinema.

Mais tarde, naquele mesmo dia, eu tive certeza disso.

Notas finais
Já sei, já sei. TADINHA DA K! Mas é preciso, gente. Cobra não admite que o que ele sente nao é apenas carinho de amigo ou atrção física. Ele precisa tomar um banho de água fria... DICA! Proximo é POV Pedro. Até mais! Volto amanhã se tudo der certo!