Notas iniciais
GEENTE OII!!! Mais um capítulo! O próximo vai voltar a ser na visão do Cobra. Alguns me pediram uma visão da Karina, mas acho legal deixar vocês curiosos sobre quem ela está preferindo HAHAHHAHA Continuem comentando, isso me anima muito!!!

Gael respirou fundo e passou as mãos pelo cabelo com certa urgência. Olhou ao redor e respirou fundo de novo. Então ele me encarou.

– O que você quer, moleque? – perguntou com uma voz cansada.

– Conversar, mestre. De homem pra homem.

Gael riu com muita vontade. Mas eu continuei o encarando e cruzei os braços de maneira séria. Caramba, eu realmente estava falando sério dessa vez.

– Sei que o senhor deve estar achando que só tem um homem aqui... e tem todo direito de achar isso. Mas eu realmente queria falar sério com o senhor. Só peço cinco minutos do seu tempo.

Gael não disse nada. Me olhou feio e andou em direção as portas da fábrica. Entendi aquilo como um sinal para que o acompanhasse. Abriu as portas, acendeu as luzes e encostou o corpo no ringue. Foi minha vez de respirar fundo.

– Começa – pediu ele com uma calma que eu sabia que era superficial.

– Eu sei que o senhor já sabe de tudo que aconteceu – comecei, apertando uma mão na outra para aliviar a tensão.

– Com todos os detalhes. – respondeu Gael com um sorriso cínico.

– Sei também que o senhor deve estar me odiando agora, porque fiz mal não apenas para a Karina, mas pra sua família toda – como ele continuou quieto, resolvi continuar – e imagino que nada do que eu fale possa mudar a decepção que o senhor deve estar sentindo agora. Afinal, trai sua confiança.

Dei uma pausa para que ele pudesse se pronunciar. Mas isso não aconteceu, Gael continuou estático na beira daquele ringue, me observando e sem demonstrar qualquer emoção além da descrença. Depois de quase um minuto de silencio, percebi que ele não falaria nada. Era eu quem deveria continuar.

– O senhor pode não acreditar em mim, mas eu realmente sou apaixonado pela sua filha. Eu não vou ser hipócrita e dizer que eu sempre fui, porque não é verdade. Antes eu curtia ela, achava ela bonita... – quase cometi o erro estúpido de dizer ‘bonita e gostosa’ mas graças aos céus eu me controlei – mas o jeito marrento dela me assustava – dei uma risada, para descontrair. Não adiantou – Bianca e eu fizemos aquele acordo e eu acabei enfiando os pés pelas mãos... e me apaixonei.

Gael continuou em silencio. E aquilo, de verdade, começou a me incomodar.

– Eu realmente gostaria que o senhor falasse alguma coisa.

– Eu realmente gostaria que você sumisse da minha frente – Gael desencostou do ringue e deu dois passos em minha direção, ao qual eu dei cinco para trás para compensar – eu não to nem aí pra o que você tá falando. Até porque eu não acredito. Como você pode, moleque? Você tem noção de que estado você deixou minha filha? A Karina é extremamente sensível, frágil.. e você sabe disso.

Minha garganta fechou e senti meus olhos marejarem. Mas segurei o choro.

– Seu Gael, eu...

– Cala a boca – mandou e percebi que ele estava começando a perder o pouco de paciência que tinha – eu não posso concertar essa merda que você e a Bianca enfiaram a Karina. Posso castigar a Bianca, posso te dar uma surra... mas isso não vai apagar a dor da minha caçula.

– Eu vou tentar conv...

Meu coração parou por alguns segundos quando Gael veio como um furacão para cima de mim. Me jogou contra uma parede e prendeu meu pescoço com um das mãos, mas não apertou. Fiquei paralisado enquanto ele me encarava com fúria.

– Olha pra mim moleque, porque agora nós vamos fazer um acordo – obedeci e senti a mão dele começar a me apertar o pescoço – você não vai se aproximar da Karina de novo a não ser que ela queira. Se ela disser que não quer te ver, você não aparece na frente dela. Não quero você perseguindo minha filha e nem ouse em tentar segurá-la a força. Não quero suas mãos nela de novo. Estamos entendidos?

– E se ela quiser? – minha voz era um sussurro devido ao medo de que ele me sufocasse.

– Daí eu não posso impedir. Mas sinceramente? Duvido que ela queira olhar pra sua cara de novo – Gael me soltou devagar – dispensado.

Massageei o pescoço enquanto observava Gael começar a organizar a academia para as aulas daquela manhã. Respirei fundo e tomei uma decisão importante: eu precisava alertá-lo. Eu não conseguiria vigiar e proteger Karina o tempo todo, mas precisava que algumas pessoas fizessem isso por mim.

– Gael – chamei e me mantive firme quando os olhos do Mestre me encararam novamente – agora a Karina está solteira.

– Sim. E?

– E eu acho que algumas pessoas podem começar a querer se aproveitar disso. Sei que a Karina sabe se defender, mas ela tá mais... frágil agora.

Gael pareceu pensar por alguns momentos antes de responder.

– Pode ter certeza que o próximo namorado dela – meu estomago revirou com essa possibilidade – vai ter que ralar o dobro que você ralou pra ter minha confiança. E duvido que ela queira saber de outro garoto tão cedo. Karina nunca foi de dar confiança pra ninguém.

– Eu sei. Mas eu sinceramente tô com medo que alguém se aproveite dela.

– Ela está segura comigo – respondeu Gael, mas vi seus olhos estreitarem como se tentasse com esforço juntar as minhas falas e achar algum sentido – por que esse papo agora? Com medo de alguém em especial?

No começo de tudo, quando organizei minhas ideias e fui para a academia, eu tinha decidido não dar nomes. Mas ali, parado em frente ao pai dela e único que realmente poderia defende-la, eu mudei de ideia.

– Cobra – respondi e vi Gael arregalar os olhos – já tive problemas com ele. Aceitava a amizade deles, mas sentia que ele sempre quis se aproveitar dela. Karina confia nele. Talvez ela queira procurar um ombro amigo... e talvez ele ache uma brecha para oferecer outra coisa. Se é que me entende.

Gael passou as mãos pela barba, pensando.

– Também não gosto do jeito dele – começou – mas eu não achava que ele tinha outra intenção com a minha filha.

– E se permite dizer, Mestre... não acho que a intenção dele seja ser o próximo namorado dela. O lance do Cobra é mais usar e jogar fora.

Gael cerrou os dentes e vi a preocupação tomar conta dos seus olhos. Eu sabia que Gael protegia as filhas, suas menininhas, com unhas e dentes se fosse preciso. E com Karina a proteção era ainda maior. Sabia que aquilo era jogar sujo. Afinal, eu não sabia quase nada sobre Cobra. Não tinha direito de dizer o que ele é capaz ou não de fazer. Mas eu sabia o suficiente: ele tinha transado com Karina e com certeza iria atrás dela de novo atrás de mais sexo. E isso eu não permitiria. Cobra jamais colocaria as garras na minha namorada de novo.

Gael concordou com a cabeça e com uma mão me apontou a saída. Era hora de ir embora.

– Obrigado pelo seu tempo. Espero que eu consigo provar para o senhor e para a Karina o quanto eu a amo e quanto eu posso fazê-la feliz.

Gael nada respondeu. Suspirei e fui para a saída. Não sabia para onde iria agora. Na Ribalta, Perfeitão e em qualquer lugar conhecido as pessoas fariam perguntas e me julgariam. Sem que eu pudesse evitar, meus olhos seguiram para o QG. Cobra estava lá na porta. Não me viu, pois estava concentrado em observar alguma coisa mais longe. Segui seu olhar e senti minhas pernas falharem. Virando a esquina, acompanhando Dona Dalva, vinha Karina. Ela estava visivelmente triste e abatida. Pálida, olhos inchados como se tivesse chorado mais do que conseguia. Mas mesmo assim, linda. E minha. Tive vontade de correr a seu encontro, pegá-la no colo e prometer pra ela que jamais a faria sofrer de novo. Que eu a compensaria por todas aquelas lágrimas. Que eu a amava mais do que qualquer pessoa no mundo.

Mas eu não podia fazer isso. Pelo menos não agora.

Alheia aos nossos olhares, ela continuava caminhando tranquila. Pararam na banca. Dona Dalva me viu e não conseguiu disfarçar o desgosto. Logo os olhos de Karina encontraram com os meus. Mas no instante seguinte ela me deu as costas e inevitavelmente ela encontrou os olhos de Cobra. Senti meu corpo acelerar quando Cobra começou a andar na direção de Karina. Veio com passos largos até ela e num impulso, puxou o corpo dela para um abraço. Vi Karina se contorcer e empurrá-lo com força. Ao tentar sair, ele a puxou de volta e começou falar algo que eu não conseguia entender, mas pela expressão de desespero dela sabia que a incomodava.

Eu poderia ir lá e brigar com ele. Mas fiz aquilo que o deixaria longe dela de uma força mais fácil.

– GAEL! – gritei para a academia e no instante seguinte ele apareceu. Apontei com a cabeça para o local – olha ali o que eu te falei.

Gael ficou vermelho de raiva e fechou os punhos.

– COBRA! SAI DE CIMA DA KARINA, AGORA!

Karina se desesperou. Começou a chorar descontrolada enquanto pedia calma para o pai. Cobra me lançou um olhar mortal e fez aquilo que fez meu sangue ferver: a colocou atrás dele, como se a protegesse. Vi Gael se aproximar finalmente e começar a berrar.

– O QUE VOCÊ ACHA QUE TÁ FAZENDO?

Notas finais
Eu sei: voces querem me matar por ter parado nesse ponto HAHAHAHAHHA Mas até o fim de semana tem mais!!