Não sou da Lufa-Lufa! - Fanfic Harry Potter
5 4° Episódio
Uma Varinha Especial
— Vinte e três pontos... No primeiro dia vocês duas conseguiram fazer a Lufa-Lufa perder vinte e três pontos! – o monitor chefe diz irritado.
— Sentimos muito... Você sabe como a zeladora pode ser cruel... – Lúcia tenta justificar.
— Isso não é justificativa! Vocês duas estavam erradas em se atrasar.
— Nós já sabemos, mas ainda tem muito tempo para recuperarmos.
— Acho bom vocês conseguirem esses pontos de volta Landerwood. Acho bom! — Ele sai da sala comunal.
Olho Lúcia sentar no sofá cabisbaixa.
— Quanta confusão... Não achei que perderíamos tantos pontos assim...
— Eu vou tomar banho, o Diretor chegou de Londres agora a pouco. – olho para fora da janela, o céu escuro da noite.
— E você vai vê-lo? Pode pedir para ele recuperar nossos pontos? — Ela diz esperançosa.
— Eu vou tentar, mas não garanto nada.
—Ah... – ela suspira novamente.
Eu saio do salão comunal e ando em direção ao banheiro feminino.
— Aquele relógio maldito, perdi a hora outra vez. É um absurdo que ele só funcione a hora que quer.
Vejo dois Sonserinos descendo as escadas. Uma garota de cabelo preto, magra e bonita e um garoto de cabelo loiro baixinho e meio gordinho.
— Você quer fazer uma reclamação por causa de um relógio? Logo nesse castelo onde nada faz sentido? — A garota debocha.
— É você tem razão... Ninguém iria me dar ouvidos de qualquer forma.
Eles passam por mim e a garota para.
— Ei, você é a Landerwood não é?
— Quem quer saber? — olho ela de cima a baixo.
— Meu nome é Lorie Wichwoman.
— E daí?
— Você não deve saber disso, mas nossos pais trabalham juntos no departamento de investigação.
— E daí?
— Que garota idiota, vamos embora. — Seu amigo começa a puxá-la.
— Eu tenho uma coisa para você no meu dormitório, meia-noite me encontre na frente do salão comunal da Sonserina. — Ela desaparece virando o corredor com o garoto.
— Hum? Uma coisa para mim? — penso.
Subo as escadas para o banheiro. E depois do banho rápido vou para a sala do diretor.
— Senhorita Landerwood. O diretor está te esperando a cinco minutos! — A zeladora olha o relógio de mão resmungando enquanto a sigo.
— O Castelo é imenso, não dá para chegar nos lugares sem se atrasar.
Ela bufa, e paramos de frente para uma estátua dourada de Gárgula.
— Gota de laranja.–Ela aponta a sua varinha para a estátua. Ela começa a girar saindo do chão e formando escadas que levam até o topo da torre — Depressa! Não se atrase mais!
Eu imediatamente coloco meus pés nas escadas que vão surgindo, e elas me levam para cima rapidamente.
De frente para a porta do diretor tento bater, mas ela se abre sozinha.
— Entre.
— Com licença.
Eu entro na sala, é cheia de quadros, decorações excêntricas e troféus, coisas que não consigo decifrar.
— Você é a Senhorita Landerwood não é? Sinto muito por tê-la feito esperar.
— Tudo bem... Não tem problema. — me aproximo da mesa hesitante — O Senhor vai me expulsar diretor Joseph?
Ele ri.
— Não, não vou, senhorita Landerwood.
— Ufa... Então por que me chamou aqui?
— Soube do incidente de hoje cedo...
Olho a minha varinha em suas mãos, ele a gira entre as pontas dos dedos.
— A Senhorita Milore não prestou nenhuma queixa contra a senhorita.
— Mesmo? Isso é um alívio... Então eu posso ter a minha varinha de volta?
— Contudo... Estou intrigado com as coisas que me disseram sobre você e o seu conflito com a Lufa-Lufa.
— Ah, isso... Eu disse a todos que foi um engano e que o chapéu seletor boboca me colocou na sala errada.
— Rá! Boboca?! — Uma voz acima da minha cabeça em uma prateleira alta me assusta.
É o chapéu seletor me encarando.
— Eu não vi você aí... Mas é verdade! Isso tudo é um engano. E o que aconteceu hoje cedo é a prova que estou na casa errada.
— Eu nunca erro a casa Senhorita Landerwood.
O diretor levanta a mão para que ele pare de falar.
— Senhorita Landerwood, não toleramos qualquer tipo de problemas que quebrem as regras. E mesmo que o que aconteceu hoje cedo não seja supostamente culpa sua, eu gostaria de ouvir o seu lado da história, ouvir o que você tem a dizer sobre essa terrível situação.
Eu inspiro me acalmando.
— Eu estava praticando o feitiço de levitação com a minha colega, Lúcia e a minha varinha se mexeu sozinha, no começo pensei que era algum outro colega aprontando uma brincadeira de mal gosto, mas ninguém estava fazendo nada... Foi aí que a varinha foi em direção a professora e tudo isso aconteceu... Mesmo que eu esteja chateada por estar em outra casa, eu jamais, jamais machucaria uma professora ou qualquer outra pessoa...
O diretor me olha pensativo, e depois olha a varinha em suas mãos.
— De que núcleo é essa varinha senhorita?
— O senhorzinho que vende varinhas me disse que era de... — Eu tento lembrar — Sangue de raposa chinesa! Isso.
Ele olha a varinha novamente, mais pensativo ainda e me entrega.
— Posso tê-la de volta?
— Sim... Mas saiba que ainda ficarei de olho em você.
Eu assenti e agradeci.
— Senhorita Landerwood...
— Sim Diretor?
— Sua varinha é especial, muito especial Senhorita.
— O quão especial?
— A raposa chinesa é um ser mitológico muito misterioso e poderoso, também é travesso e perigoso.
— Mas se é um ser mitológico... Como exatamente a varinha foi feita?
O diretor dá de ombros.
— Se qualquer outro evento estranho acontecer na presença da varinha, por favor avise um professor imediatamente e tire todos do local. Posso contar com você para isso? Para ter mais responsabilidade com ela?
— É claro.
— Bons estudos.
— Ah senhor, você pode repor os pontos? Eu prometi a Lúcia que tentaria pegar os pontos de volta, ou caso contrário vamos ter problemas com a Lufa-Lufa, o monitor ficou irritado então eu já imagino como os outros já estão...
— Vocês podem recuperar os pontos prestando serviços a escola.
— Serviços?
— A Madame Elvira vai cuidar disso amanhã após as aulas.
— Entendo...
Eu abro a porta olhando para trás e saio.
Desço as escadas encarando a varinha nas minhas mãos. E aperto entre os dedos.
— Não faça mais nenhuma bobagem, por favor...
Lúcia, que me esperava atrás da zeladora, me olha.
— Susie! Você está bem?
— Sim.
— Senhorita Landerwood, sua varinha...
— O diretor me deixou ficar com ela. E não vou ser expulsa.
Ela arqueia a sobrancelha e me olha passar com Lúcia.
— E como ele é? O diretor brigou com você? Te deu um soro da verdade? Ameaçou a sua vida?
— Quê?! Não, não fez nada disso. Ele foi até que bem legal comigo...
— Ah...
— Por que a pergunta?
— Há boatos sobre o Diretor Joseph. Muitos boatos!
— E o que eles dizem?
— Você sabe que o Diretor é um ex-Auror não sabe?
— Ele... Era?
— Está aposentado dessa função agora devido à idade, mas os alunos dizem que ouviram dos pais que ele trabalhava como espião em uma organização de bruxos das trevas.
— Isso é mesmo verdade?
— É o que dizem, ele teve que fazer coisas horríveis para provar a lealdade e manter o disfarce de espião. E depois que todos os bruxos das trevas foram presos em Azkaban seus "crimes" foram perdoados pelo primeiro-ministro em um longo julgamento que durou cinco dias inteiros.
— Caramba!
Os quadros ao nosso lado pedem silêncio.
— Temos que dormir, Susie, amanhã tem a segunda aula de Transfiguração.
— Eu preciso passar em um lugar primeiro.
— Onde?
— Uma garota da Sonserina, uma tal Lorie me pediu para ir para a sala comunal da Sonserina porque tinha alguma coisa para mim.
— A Lorie Wichwoman falou com você?!
— Quem é ela?
— A Família dela é muito poderosa! A mãe dela é uma auror com uma carreira brilhante, e o pai também, trabalha no setor de investigação.
— Ah, ela disse algo sobre nossos pais trabalharem juntos mesmo...
— Você ainda quer falar com ela? Pode acabar se metendo em problemas...
— Mas é claro, sou muito curiosa.
— Você quer que eu vá com você?
— Não, eu vou rapidinho.
— Está bem, então, vejo você depois.
Perto da sala comunal da Sonserina, eu olho o quadro.
— Senha.
— Estou esperando a Lorie, ela tem algo para mim.
— Senha.
— O quê...?
— Precisa de uma senha para entrar.
— Mas eu só Estou esperando!
— Senha!
— Argh!
Antes de pensar em alguma coisa, o quadro se move.
— Você demorou. – ela me olha usando um vestido branco até os joelhos — seu pijama —, e ela está com a Mariette no braço.
— Minha Coruja!
— Ela bateu na minha janela.
— Essa danada vive sumindo.
Ela se aproxima e entrega Mariette.
— Também deixou isso cair... — ela entrega uma carta.
— Ah! É a carta do papai...
Eu entrego Mariette novamente e começo a abrir a carta.
— "Susie... Soube que foi para a Lufa-Lufa. E que se meteu em problemas recentemente. Evite causar confusão na escola até que possamos conversar pessoalmente." – Eu leio a carta mentalmente.
— Pela sua cara não é coisa boa...
— Ele está decepcionado comigo, sei pela letra.
— Você parece conhecer bem o seu pai...
— Qualquer um saberia que seu pai não está contente.
Lorie desvia os olhos pensativa e entrega Mariette mais uma vez.
— Acho bom treinar a sua Coruja para não errar de janela... Na próxima não garanto que vou devolvê-la viva. — Ela dá as costas jogando seu longo cabelo preto para trás, e entra na sua sala comunal.
— Hunf... — Olho o quadro mostrando a língua para mim – Ela ficou arrogante de repente?
Volto para a sala comunal resmungando.
— Você está louca de andar a essa hora pelos corredores? Vamos perder mais pontos! – O monitor chefe me dá outro sermão.
— Eu só fui pegar a minha coruja de volta! E vou recuperar os pontos perdidos amanhã, você vai ver.
Ele revira os olhos e vai para o dormitório masculino. Na cama eu olho Lúcia dormir na cama ao lado. Ela está roncando muito! Me sento na cama não conseguindo dormir, olho a carta do papai no criado-mudo. Eu já consigo o imaginar o quão aborrecido ele deve estar por eu estar na casa errada. Se ele vier a Hogwarts pessoalmente, tenho certeza de que vai conseguir convencer o diretor a me mudar para a Sonserina.
Pelo menos é o que eu espero que aconteça... Se isso não for possível... Talvez seja porque o chapéu seletor realmente acertou...?
— Eu não vi você aí... Mas é verdade! Isso tudo é um engano. E o que aconteceu hoje cedo é a prova que estou na casa errada. – Me lembro do diálogo de antes.
— Eu nunca erro a casa, Senhorita Landerwood.
Ele foi bem firme no "nunca"... Me pergunto se ele vê além das habilidades e talentos... Se enxerga o coração também.
Se tiver algo de errado comigo, isso explicaria o porquê do papai sempre estar estranho comigo. Olho para a gaiola onde Mariette dorme profundamente. O dia seguinte chega em Hogwarts. É o segundo dia de estudos. A primeira aula é de Transfiguração.
— Atenção, classe, atenção. – Uma senhora magra, alta e com um vestido longo, preto e felpudo bate a varinha de leve na mesa – Vamos prestar bastante atenção nesta segunda aula. Vai ser fundamental para as que virão.
Os alunos fazem silêncio.
— Para realizar essa magia de Transfiguração é necessário visualizar primeiro em sua mente o objeto que quer fazer. Deve manter o foco nisso enquanto tenta fazer o feitiço acontecer. Hoje vamos aprender a transformar uma pena em uma caneta trouxa.
Há um murmurinho enquanto a professora se prepara para fazer o feitiço.
— Silêncio, vou mostrar a vocês, Visionem meam! — Ela gira a varinha suavemente e para em cima da pena, a transformando em uma caneta — Alguém gostaria de tentar primeiro para incentivar os colegas?
Eu bocejo mais ao fundo, cansada por não ter conseguido dormir, e estico a minha mão.
— Você Senhorita Susie, venha aqui.
Eu paro e olho todos os meus colegas me olhando.
— E-eu?
— Sim, sim. Venha. — ela vem até a minha mesa esticando a mão.
Me levanto hesitante e olho Lúcia rindo baixinho.
— Você já viu uma caneta trouxa não é? — A professora Margott me faz ficar na frente de toda a turma.
— Bem, sim, uma vez...
— Ótimo, tente transformar a pena em uma caneta exatamente como você se lembra.
Pego a minha Varinha. Os alunos se abaixam, e apenas Lúcia fica visível.
— Pessoal, prestem muita atenção.
Eles espiam por cima e debaixo das mesas.
— Diga Senhorita Susie, visionem meam! E balance a Varinha suavemente.
Olho a varinha na minha mão enquanto a professora coloca uma pena nova na mesa.
— Rápido, não temos muito tempo.
— Eu vou! – fecho meus olhos me lembrando de uma caneta que vi uma vez quando pequena. Pequena, cabo preto, soltava bastante tinta.
Balanço a varinha como a professora fez e a paro em cima da pena.
— Visionem Meam!
Pequena faíscas vermelhas saem da varinha e se espalham pela sala.
— Cuidado! — grito.
As faíscas começam a estourar como fogos de artifício. Os alunos gritam.
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