A Vassoura Maluca

















— Você deve estar ansiosa para a aula de voo hoje, não é Susie?

Olho Lúcia ao meu lado.

— Sim, não preciso usar a varinha, então está tudo bem.

Olho a professora vir para o gramado segurando algumas vassouras com outros alunos mais velhos.

— Bom dia, Turma, hoje é um belo dia para os novatos aprenderem a voar.

— Bom Dia, Professora Eloise! — os alunos mais novos como eu a cumprimentam.

— Façam duas filas e fiquem de frente um para o outro. Os alunos mais experientes e que precisam revisar o treinamento podem entrar na fila também.

Os alunos começam a formar suas filas. A professora distribui as vassouras e separa alguns alunos que estão muito próximos.

— Coloquem a vassoura no chão, vamos aprender a domá-las primeiro.

Todos obedecem.

— Coloquem sua mão direita sobre a vassoura dessa forma — Ela mostra o exemplo — Depois digam firmes como um comando. Suba!

A vassoura da professora imediatamente levanta e ela a segura.

— Façam isso primeiro.

Olho a minha vassoura no chão e digo confiante.

— Suba!

Minha vassoura se mexe um pouco. A de Lúcia obedece rapidamente e ela ri um pouco da minha situação.

— Você já teve outras aulas antes, não fica se achando não!

— Aham... Você consegue Susie.

Eu bufo e digo outra vez.

— Suba!

Minha vassoura obedece desta vez.

— Viu só?

Reviro os olhos para Lúcia e seguro a vassoura.

A professora passa pelos alunos e para na nossa frente.

— Muito bom meninas.

— Obrigada, professora. — agradeço.

— Agora, para os que conseguiram, coloquem a vassoura entre as pernas e segurem o cabo firme. Não voem ainda.

Eu faço como ela manda e aguardo ansiosa, o próximo comando.

— Vejam! É a insanis Broom! — Um Grifinório aponta para o céu.

Um objeto pequeno e magro. Voa de um lado para o outro muito, muito rápido.

— Insanis Broom? — Eu pergunto.

— É! A vassoura maluca! — Ele responde.

Lúcia se aproxima com a mão na testa, tentando tapar os raios de sol dos olhos.

— Ah! Acho que ouvi alguns jogadores de quadribol falando dela...

— Por que se chama Vassoura Maluca? — Olho o garoto.

— Ela voa sozinha! E... Tá vindo para cá!

— Abaixem-se!

A professora se joga em cima de alguns alunos enquanto a vassoura descontrolada vem na nossa direção.

Ela passa muito perto das nossas cabeças, tão rápido que meu cabelo e o de Lúcia se arrepiam.

— Ah! — Ela se senta no gramado arrumando seu cabelo — Ela é muito perigosa! Já foi responsável por derrubar muitos jogadores no meio do jogo. Um Lufano foi atingido por ela no braço uma vez, e ficou sem ele.

A professora se levanta do chão e ajuda os alunos a se levantarem.

— Droga, eu não imaginava que ela apareceria hoje.

— Mas se é tão perigosa, por que ninguém pega ela?

Eles riem.

— Não há nenhuma vassoura rápida o bastante para apanhá-la, senhoria Susie. Aquela vassoura é tão veloz que é capaz de rasgar os céus, e cruzar os oceanos em menos de vinte minutos.

— Céus! — Digo impressionada.

— Ninguém se atreve a tentar pegá-la, quem seria louco?

Eu procuro a vassoura pelo céu.

— Acho que ela foi embora, vamos continuar. — A professora passa por nós.

— Continuar?! Mas ela quase arrancou nossas cabeças! — olho a professora.

— Mas não arrancou, e ela foi na direção da Floresta Proibida, vai ficar lá a semana toda outra vez.

Eu e Lúcia nos olhamos.

No final acabei nem conseguindo voar na minha Vassoura, de qualquer forma, os alunos estavam com muito medo e não obedeceram à professora.

Na hora do almoço, me sento ao lado de Lúcia no salão de banquetes.

— Você leu o jornal? Todo mundo tá falando... — Ela diz enquanto lia um.

— Que jornal? — Eu pergunto.

— Os pais da Petúnia Magritta foram ao ministério de investigação cobrar mais uma vez pistas sobre a localização do assassino de sua filha. E eles não tem nada...

— Petúnia? Quem é essa? — Bebo um pouco de suco.

Ela se vira para mim pasma.

— Você não conhece o caso da Petúnia? — Ela diz de boca aberta, alguns alunos me olham.

— Eh... Não, quem é essa?

— Um ex-aluno aqui da escola a matou.

— Q-quê?! Eu não sabia que algo assim acontecesse em Hogwarts... Pensei que fosse segura. Como aconteceu?

— Eles não sabem ao certo, mas a culpa é dele da torre de Astronomia estar destruída, a garota foi encontrada debaixo dos escombros... Como seu pai é investigador, eu pensei que já soubesse.

Ela coloca o jornal na mesa e aponta para o nome do papai entre muitas palavras.

— Meu pai é um dos investigadores?!

Os alunos me olham novamente.

— Parece que um certo alguém não sabe nada da vida do pai... — Alguém fala atrás de mim.

Me viro e vejo a Lorie mais uma vez. Atrás dela um grupinho se forma fazendo alguns murmurinhos.

— Veja, é ela... A Lorie!

— O que ela faz deste lado do castelo?

— Não sei, ela não tem o próprio dormitório e sala de banquete?

Desvio meus olhos da pequena multidão que se forma.

— Eu não sou obrigada a saber da vida profissional do meu pai.

— Mesmo? Depois do que disse ontem sobre ele estar chateado só pela letra, pensei que soubesse tudo sobre ele.

— Eu...

Aperto meu punho. E ela pega o jornal na mesa.

— Meu pai como sempre salvando a carreira do seu... Me pergunto quando o seu pai vai pagar a imensa dívida que está fazendo.

— Eles são parceiros, é o mínimo que se espera.

Ela bufa com um sorrisinho debochado e devolve o jornal para Lúcia, que está com a boca semiaberta.

— Até mesmo nas parcerias se espera um pouco de respeito e dívida.

Eu rapidamente fico com uma expressão irritada. Lorie dá as costas e sai andando por de onde veio, a multidão se abre enquanto ela passa.

— Se você espera que um dia seremos como eles, acho bom desistir!

Ela para de andar e me olha por cima dos ombros.

— De forma alguma, eu nunca confiaria em alguém como você Landerwood, nem mesmo para um aperto de mão.

Ela volta a andar, algumas meninas que a seguem começam a rir.

— Grrr! — Eu aperto os punhos outra vez.

— Legal, parece que você acabou de conquistar uma rival.

— Cala a boca, Lúcia!

doc

A tarde entramos na sala de defesa contra as artes das trevas.

— Boa Tarde classe! Vejo que muitos de vocês parecem ansiosos, para essa primeira aula de defesa, do terceiro ano.

Ela anda pela sala balançando sua varinha.

— Que feitiços vocês já conhecem?

Eu levanto a minha mão.

— Em casa eu aprendi Expeliarmus.

— Só essa?

— Sim, não pude praticar mais. Papai achou perigoso...

— Entendi. Então venha aqui, vou ensiná-la uma magia poderosa.

— Professora! É melhor se eu for. — Lúcia levanta a mão, os alunos rapidamente concordam.

— Oh... Bem, tudo bem...

Lúcia me olha enquanto se levanta.

— Acho que vai ser mais seguro.

A professora aponta a varinha para um manequim de ferro enferrujado.

— Accio — O boneco se aproxima da professora, ela o coloca na frente da turma.

— Que feitiço vai nos ensinar Professora?

— Vou ensinar um feitiço que afasta seus inimigos para longe, O Depulso. Ele arremessa seus inimigos para longe, na verdade... Pode ser usado quando quer causar um grande dano. Então todos por favor se afastem.

Um Sonserino levanta a mão.

— Mas professora, esse feitiço só e ensinado na matéria de feitiços, não na defesa contra as artes das trevas.

— Eu e a professora Milore combinamos de eu ensiná-los a vocês. Então, não se preocupem com nada.

Ela aponta a varinha para o boneco.

— Depulso! — O boneco é arremessado para trás — Viram como se faz?

— Sim!

— Incrível, é tão rápido.

— A Professora que é habilidosa.

— Ótimo, então formem uma fila atrás da Lúcia. — Ela levanta o boneco.

Lúcia pega sua varinha um pouco nervosa e aponta para o boneco como a professora fez.

— Depulso!

Lúcia consegue fazer de primeira. A professora bate palmas.

— Incrível! Incrível! Alguns bruxos esse ano tem um talento natural.

— Obrigada professora. — Ela agradece tímida e vai para o final da fila.

— Agora você senhor?

— Mark...

— Boa sorte senhor Mark.

Ele faz como Lúcia, balança a varinha e diz o feitiço. E assim como Lúcia, ele consegue de primeira.

A professora bate palmas e outros alunos começam a fazer muito bem.

Chega a minha vez, dou um passo à frente e olho para trás sem jeito. Vendo todos se afastarem para o final da sala.

A professora ri e segura a minha mão.

— Você vai conseguir! Precisa acreditar na sua magia.

Eu sorrio esperançosa, solto a minha mão e aponto a varinha para o boneco.

Inspiro e expiro.

— Depulso!

Meus pés saem do chão, sou arremessada em cima dos meus colegas.

Eles gritam e me levanto rapidamente como o cabelo todo bagunçado.

— Ops... — A professora se aproxima e arruma o meu cabelo — Parece que o Feitiço saiu pela culatra.... — Ela ri tentando amenizar a situação.

— Eu quero tentar de novo...

— Você tem certeza?

— Tenho! Você disse que... Eu preciso acreditar na minha magia... Então eu vou... Conseguir...

Meu corpo se inclina para frente, estou caindo!

Tudo fica escuro por um tempo.

Abro meus olhos e olho a enfermeira e Lúcia em cima de mim.

— O que aconteceu...?

— Susie! Você acordou!

Eu coloco a mão na cabeça e me sento na cama.

— Você bateu a cabeça na parede quando voou para trás... — Lúcia responde.

— Mesmo? Eu nem senti dor...

— Foi o choque. — A enfermeira diz enquanto me dá um copo de alguma coisa — Beba isso, vai se sentir melhor.

Eu tomo o líquido viscoso. É amargo e arde a minha garganta, me fazendo tossir.

— ... Preciso tentar de novo — Coloco a mão no pescoço.

— De novo?! Mas você quase morreu.

— Estou bem, posso tentar de novo.

— Ohh! Se aquiete menina, você precisa descansar... E hoje é sábado, nada de mexer com feitiços por hora.

— Sábado?!

— Sim, você ficou apagada por quatro dias.

Olho a janela.

— Isso é loucura... Onde está a minha varinha? — Olho a enfermeira indo até outro aluno.

— Tá comigo, eu achei melhor esconder. — Lúcia cochicha.

— Você fez bem, obrigada.

— Tem alguma coisa errada com aquela varinha Susie, nunca vi uma varinha aprontar tanto com seu dono.

— O diretor disse que é uma varinha muito especial... Eu só preciso descobrir exatamente como usar.

— Você não quer comprar outra?

— Não, eu vou conseguir e ela foi bem cara.

Ela suspira e resmunga o quanto sou teimosa.

— Meu pai sabe o que aconteceu?

— Sabe, ele enviou uma carta ao diretor. Disse que confia no trabalho dele e que sabe que você vai se recuperar.

— Entendi...

Sentada no pátio tomando um ar fresco, acompanhado de chocolate quente, eu olho a professora Milore se aproximar e se sentar ao meu lado na fonte.

— Susie, você está bem?

— Professora... Estou.

— Eu soube o que aconteceu, fiquei com você durante o tempo livre.

— Você cuidou de mim?

— Sim, o Diretor Joseph disse que eu precisava te vigiar.

— Entendo...

— Soube que você está tendo dificuldades com os feitiços...

— Nada do que estou fazendo parece dar certo desde que vim para cá... Não consigo fazer um feitiço sequer.

— Você não pode desistir agora, não era seu sonho estar aqui em Hogwarts?

— Sim! Mas acho que meu sonho está desaparecendo... A medida que as coisas não estão dando certo. Não sei o que fazer.

— Você gostaria de ter aulas extras comigo até pegar o jeito?

— Com você professora Milore?!

— Sim, eu assim como você, entrei em Hogwarts recentemente... E quando eu era mais nova, eu tive muita dificuldade em fazer feitiços, isso se prolongou até meus dezoito anos.

— Sério!? inacreditável... E agora você é professora de feitiços...

— Você vê? — Ela ri — não há nada que você não possa conseguir se acreditar e se esforçar bastante... E acho que vai ser bom para nós duas se me deixar te ajudar. Posso te ajudar a domar sua varinha.

— Domar...?

— Eu investiguei sobre a sua varinha sabia? E Foi meio difícil achar sobre a raposa chinesa.

— E o que você descobriu?!

Ela ri e se levanta da fonte.

— Venha comigo até a minha sala.

Me levanto imediatamente e término o meu chocolate quente animada.

Na sala de magia eu olho vários livros em cima das mesas.

— Aqui Susie, veja.

Ela entrega um livro velho e mostra uma página onde há um desenho da raposa chinesa.

— "A raposa chinesa é um ser mitológico muito poderoso, tem a habilidade de mudar sua forma e pode viver por milhares de anos. A cada mil anos uma calda nova nasce e a torna mais poderosa." — Passo meu dedo pelas palavras.

— Incrível não é?

— Mas professora aqui não diz como a varinha foi feita...

— Quando um coração acredita, a magia acontece, senhorita Susie.

— Acha que a varinha se criou a partir de um desejo? Isso é mesmo possível, professora Milore?

— Acredito que sim, alguém desejou do fundo do coração que uma varinha poderosa como a raposa existisse, e em seu coração onde existe a magia, isso se tornou realidade.

— Mas isso...

Olho o desenho da raposa.

— Tenho certeza que vai conseguir se acreditar Susie. E eu acredito em Você.