Não será a última vez

2 O primeiro encontro


Notas iniciais
Era pra ser uma história de romance, mas acabou focando um pouquinho na vida do Takeo ♥ Ele é meu xodozinho, posso fazer nada u.u Boa leitura!

Sete anos haviam se passado desde que Shiroyama Takeo chegou à capital e muita coisa havia mudado em sua vida. Passou por muitos apertos, teve que aprender a se virar sozinho e também a engolir o orgulho e pedir ajuda. Não podia afirmar que havia realizado tudo que tinha vontade, mas se considerava uma pessoa que vivia bem, na medida do possível. Tinha um emprego fixo, um quartinho alugado que chamava de lar e alguns conhecidos com quem saía para se divertir de vez em quando. E, recentemente, havia conseguido um novo amigo, com quem ia ter um encontro em poucas horas.

Infelizmente não era o tipo de encontro que gostava de ter, mas quem sabe depois de uma boa conversa não conseguia convencê-lo de algo mais.

Após o banho, vestiu uma camiseta preta juntamente com os jeans rasgados, ajeitando os fios vermelhos em frente ao espelho quando seu celular tocou, fazendo-o revirar os olhos. Só duas pessoas costumavam ligá-lo com frequência e, pelo horário, ele tinha certeza de quem era.

— Oi, Yuu… – colocou o telefone no ouvido, usando o ombro de apoio para ter as mãos livre para terminar de se aprontar. Não é porque ia encontrar um amigo que iria de qualquer jeito. Nunca se sabe quando essas amizades resolvem avançar um nível.

O pessoal decidiu remarcar pras cinco, então vou passar ai antes do combinado.

— Remarcar o quê? – Takeo encarou a própria imagem, tentando se lembrar do que havia marcado com o irmão, mas nada vinha a mente.

O teste de guitarrista. Eu te avisei que consegui uma vaga pra você. Só precisa tocar como faz normalmente e está dentro. Eu vi os outros candidatos e são amadores.

— Ah, claro. Como se eu fosse profissional… – suspirou fundo, pegando o telefone e voltando para o cômodo principal da casa, se jogando no colchão e encarando o teto – Eu te disse que não ia participar. Não quero entrar numa banda por influência sua. Se eu fizer assim, tenho a impressão que daqui uns anos vão apontar o dedo na minha cara e falar que consegui só por indicação! Eu quero fazer isso sozinho!

Takeo, não estou dizendo que a vaga é sua. Você vai participar da audição, como todos os outros, mas tenho certeza que as suas chances são melhores. Eu posso estar te indicando, mas quem vai mostrar que tem talento é você.

— Hmm… não dá. E mesmo se eu quisesse, já tenho outro compromisso hoje. Vou sair com um amigo daqui a pouco.

Amigo? Colega de trabalho ou esses caras com quem você sai pra tocar?

— Qual a diferença? A questão é que vou sair, então não posso encontrar com o seu pessoal. Quem sabe numa próxima vez.

Takeo ouviu um suspiro do outro lado da linha e já se preparou para o sermão. Yuu ia falar, de novo, por um bom tempo, sobre a sua irresponsabilidade, sobre sair com qualquer pessoa e parar na cama com elas, sobre o buraco onde estava vivendo e mais um monte de coisa. Sabia de cor e odiava quando ele decidia agir como um irmão mais velho. Gostava dele e respeitava também, mas não queria viver às suas custas. Agradecia muito pelo período em que ele o ajudou e o acolheu, mas não podia viver assim pra sempre. Já era um homem e precisava arcar com as consequências de suas decisões.

Após ouvir todos os conselhos e finalmente conseguir encerrar a ligação, Takeo saiu correndo da cama, olhando mais uma vez para sua aparência no espelho, pegando carteira e coturnos pelo caminho, calçando-os enquanto trancava a porta do quartinho. Estava muito atrasado!

* * *

Depois de retribuir o favor e pagar a torta, onde a conversa girou em torno de suas cidades natais, o que faziam por lá e como chegaram a Tóquio, outros pequenos encontros vieram a seguir, mas todos na boate onde Takeo trabalhava, com ele estando a serviço e Izumi indo conhecer o local e também pedir alguns conselhos.

Aquele era, oficialmente, o primeiro encontro que tinham fora do horário de trabalho. Não que fosse um encontro de verdade e talvez aquilo não desse em nada, mas Takeo estava gostando de conversar com ele.

Naquele passeio, o rapaz disse ter um outro amigo que estava com problemas no trabalho. Assédio, na verdade. E jogar uma terceira pessoa na conversa parecia tornar tudo mais fácil, talvez por estar vendo a situação de fora. Takeo sabia que o problema era com Izumi e, no ponto de vista dele, sabia também a melhor solução. Ele precisava denunciar o tal supervisor que o assediava e pedir as contas, mas Izumi parecia estar colocando vários empecilhos no caminho, várias desculpas para não se desapegar de lá. Takeo entendia o valor sentimental, os amigos que fazia e tudo mais, mas não entendia o que o levava a aguentar tamanha pressão.

Izumi não tinha noção da sorte que tinha. Se ele saísse do serviço, a única coisa que precisaria fazer seria procurar um novo. Ele não precisava ter medo de passar fome ou ficar sem um teto. Ele comentou que tinha um primo na cidade que o acolheu e aquilo já era muito mais do que Takeo tinha quando chegou à cidade. É claro que, se ele mesmo perdesse o emprego, sabia que teria o irmão a quem recorrer, mas quando chegou ali, anos atrás, a última pessoa que pensava em procurar era alguém da família. Ele tinha medo de ser enviado de volta pra casa e mais medo ainda do que aconteceria quando chegasse em Mie. Era um medo bobo de criança, mas Takeo só veio a perceber depois, conforme foi aprendendo a viver.

Na primeira vez em que precisou de ajuda, procurou um colega do trabalho que sempre se fez de companheiro, dizendo que podia contar com ele em qualquer situação, mas esse mesmo colega ficou sem reação ao vê-lo em sua porta, pedindo para passar a noite. Analisando a cena depois, foi engraçado. O rapaz devia ter pensado que estava pedindo para ser sustentado um tempo, que se prolongaria até Takeo virar um completo vagabundo. Ele só havia pedido uma noite!

A segunda opção, no seu momento de desespero, foi uma amiga de um antigo emprego, que também havia oferecido ajuda e, diferente do outro rapaz, ela o deixou ficar pelo tempo que precisasse. Infelizmente, o noivo dela não foi tão bondoso e não gostou de saber que a moça abrigava outro homem em sua casa, então sua estadia durou apenas três noite.

Se o tal noivo soubesse do presente que ganhou dela no seu aniversário de maioridade…

Negou com um aceno, afastando aqueles pensamentos da cabeça e aproveitando o passeio com Izumi. A questão ali é que, somente num momento de desespero ele foi atrás do irmão, que o ajudou bem mais do que esperava, oferecendo um lugar pra ficar e pedindo bem pouco em troca de não mandá-lo pra casa, como terminar os estudos e avisar se fosse chegar tarde ou para onde estava indo. Não desejava aquele tipo de sufoco que passou pra ninguém e Izumi se mostrava uma boa pessoa. Ele não merecia o que estava passando. Queria tentar fazê-lo ver a sorte que tinha, por ter alguém que o apoiava e por ter outra opção. Ele podia e devia largar aquele emprego e ir atrás de algo melhor.

O passeio seguiu tranquilo, com a promessa de que um outro viria, já que além de amigo, Takeo estava fazendo o papel de guia turístico, e disso ele entendia, tendo visitado vários lugares antes.

Despediram-se na estação de metrô, já que cada um tomaria uma direção, e o beijo ou abraço desejado ficou apenas na vontade de Takeo. Izumi estava se mostrando bem difícil de se persuadir e gostaria que ele usasse aquela força de vontade em outros aspectos de sua vida. Por outro lado, foi presenteado com um sorriso bonito enquanto ele acenava em despedida.

* * *

Voltar pra casa e se ver sozinho naquele resto de dia não foi muito bom, mesmo que o passeio tenha sido divertido. A cabeça estava cheia de suposições, imaginando o que aconteceria com Izumi e se ele continuaria convidando-o para sair mesmo depois que resolvesse o problema com o supervisor. Porque querendo ou não, aquele era o tema principal nas conversas dos dois, que ainda não conheciam muitos outros pontos em comum que possuíam. Talvez ele fosse deixado de lado após isso.

Contudo, quando deitou para dormir naquela noite, o que lhe veio à mente não foi o passeio ou a imagem de Izumi lhe sorrindo; foi a proposta do irmão que havia negado. Não queria assumir em voz alta, pois tinha medo das consequências em sua vida, mas uma parte de si havia desistido da música.

Notas finais
Semana que vem tem mais!!! >3