Não posso ser ela
7 Capítulo 6
Notas iniciais
— Filha, está tudo bem?
Eu encaro meu pai e ali ele vê que há algo. Nem me esforço para negar. Entre mim e Charlie sempre foi assim, tudo claro como água.
— Jasper... Alice... – Eu murmuro e dou de ombros.
— Aquele cara te ama, filha... Até a mulher dele sabe disso. – Meu pai diz descontraído e eu olho de cara fechada – Se você não quer aceitar, tudo bem, mas é a verdade. Até as crianças sabem disso.
— Pai!
— Vamos mudar de assunto... as 15h, certo? – Ele diz emocionado e tenso.
— Pai, se acalme. Liz já ama o ‘vovô Charlie’ dela. – Eu digo afagando seu ombro. Estamos sentados na recepção. – Vou subir e ajeitar as coisas da próxima turma. Edward ficou de mandar uma mensagem quando estiver chegando, nessa hora eu desço, está bem?
— Certo, minha filha. Estarei no escritório. – Eu lhe dou um beijo no rosto e subo para a minha sala. Alguns minutos se passam.
— Bella?! – Ouço a voz grave e sensual de Jacob me chamar da porta.
— Jake, oi! Como você está? – Eu digo me sentindo corar levemente.
Jake veste uma camisa que abraça o seu peitoral de forma perfeita, deixando seu corpo nada comum ainda mais excitante. Jacob e eu também nos conhecemos desde pequenos. Ele é sobrinho de Sue, primo de Leah, um ano mais velho. Sempre havia um clima entre mim e ele, porém ele andava com a galera de Dora, onde eu não me encaixava. Com o tempo nos afastamos, e ele até namorou com Dora por um bom tempo, na mesma época que eu namorava Jasper. Inclusive, quando Dora ficou com Jasper, eu não fui a única traída ele também foi. Depois de alguns anos, nós acabamos tendo um lance, coisa casual, mas estar com ele trazia memórias inevitáveis de Dora e eu decidi ficar sozinha.
— Bem, e você? – Ele pergunta e vem andando – Vim dar uma olhada no piano da vovó. – Ele aponta para o instrumento instalado num canto da sala.
— Ah sim, testei ele na aula da manhã hoje. Realmente precisa de uns ajustes...
Passamos o resto do intervalo ali, debruçados sobre o piano de vovó. Em seguida, sigo com as aulas da tarde. Fico totalmente envolvida com a aula pois a turma avançada fica responsável por coordenar o musical comigo e já estamos nos aproximando dele. De repente, meu celular toca surpreendendo a todos.
— Tia Bella?!! – meia dúzia de alunos exclama.
— Desculpem crianças, mas a tia Bella tem um motivo forte pra deixar o celular ligado hoje. – Eu digo, rindo por estar sendo repreendida por aqueles que geralmente eu repreendo. — continuem aqui que eu já volto. – Eu digo e vou atender a ligação no corredor.
— Bella? – A voz de Edward me alcança e eu sinto todo o meu corpo responder ao seu chamado.
— Oi Edward! Vocês já estão chegando? – Eu digo descendo as escadas
— Sim, na verdade, acabei de estacionar aqui em frente. – Ele diz visivelmente nervoso. Eu corro na recepção para a porta e Leah acompanha o meu movimento alerta.
Ao olhar para fora , eu vejo o Volvo prata reluzente ao sol parado e uma linda menina ruiva super agitada no banco traseiro. Eu sorrio automaticamente.
— Estou indo aí. – Eu digo e desligo o telefone. Olho para a minha amiga – chame meu pai, eles chegaram. – Leah sorri para mim e dispara para o escritório enquanto eu vou ao encontro de Edward e Liz, que estão desembarcando.
— Tia!! – Liz me abraça quando estou perto o suficiente. – Que lugar lindo!
— Pois esta é a casa da sua bisavó, Elizabeth. – Eu digo e me ajeito para falar com Edward – Sejam bem vindos ao Eliza! – Ele sorri gentil e trocamos beijos na face.
— Obrigado. Realmente é muito bonito aqui. – Ele diz dando uma olhada na casa.
— Obrigada! Venham, entrem! Meu pai está muito ansioso para te conhecer Liz. – Eu digo conduzindo-os pelo jardim – Eu vou retornar para a minha aula enquanto ele vai mostrar o Centro para vocês. A viagem foi tranquila?
— Sim, foi sim. – Edward diz somente, porém sinto seu olhar intenso em mim.
— Nós vimos o mar o tempo todo, tia, foi incrível! – Liz diz e vai saltitando entre mim e seu pai.
— Elizabeth! – Ouço meu pai gritar e desvio meu olhar para ele. Seu rosto está completamente tomado de emoção. – Minha neta!
— Vovô Charlie! – Liz grita e corre para os braços do avô, que a pega no salto e rodopia com ela no ar. Ambos riem e se abraçam emocionados.
Meus olhos se enchem de lágrimas com a cena. Eu olho para Edward que também está emocionado.
— Eu sabia que seria amor a primeira vista! – Eu digo para ele que me encara. Algo muda em seu olhar, mas antes que qualquer um de nós diga algo, Liz o chama.
— Papai, venha conhecer o vovô! – Ele, então, segue para o lado de sua filha. Eu vou em seguida.
— Edward Cullen. – Ele estende a mão para o meu pai, que aceita o cumprimento.
— Charlie Swan. Obrigado por virem! – Meu diz ainda emocionado.
— Não há de quê.
Meu pai volta seu olhar para a neta e sorri.
— Céus, minha neta! Ainda não posso acreditar! Parece um sonho! – Ele diz e Liz pega a sua mão e coloca em seu pequeno rosto
— Eu sou real vovô, pode acreditar! – todos nós rimos de sua inocência. Porém o olhar de Edward em mim me incomoda.
— Pai, vou voltar para a sala. Acho melhor levá-los para comer algo e se refrescarem. – Eu digo e afago a cabeça de minha sobrinha – Me juntarei a vocês quando a aula acabar.
Sinto Edward me avaliando de cima abaixo.
—Então esta é a famosa Liz? – Leah surge arrancando um sorriso corado de minha sobrinha.
— Sim! – Exclama meu pai. – Minha netinha! – Meu pai sorri largamente.
— Este é Edward Cullen, Lee. – Eu completo. Edward e ela se cumprimentam – Leah Clearwater, minha melhor amiga e quase da família. Nos dá muito suporte aqui no Eliza.
— Prazer – Ambos dizem e trocam um olhar rápido.
— Bom, vou subir. Lee, ajude papai a leva-los para comer algo. Logo as aulas acabam e com todas aquelas crianças por aqui....
— Certo. Vá terminar sua aula. – Lee diz e depois se inclina para meu ouvido – Amiga... onde sua irmã achou este pedaço de pecado? – Ela sussurra e eu dou um olhar de espanto para Leah. Reviro os olhos.
— Até breve, Liz. Fiquem a vontade. – Eu digo e me dirijo para o andar de cima.
Na sala, tudo está como eu deixei e eu retomo a aula.
— Tia Bella, está tudo bem? – Uma aluna pergunta e eu sorrio.
— É a minha sobrinha. Ela chegou e está lá embaixo, logo vocês irão conhecê-la. – Eu digo. – Agora me mostre aquela sequência que você estava com dificuldade na flauta doce.
E assim fomos seguindo com as lições até quando, um pouco antes do fim da aula, meu pai aparece com os nossos visitantes. Eu estava de costas para a porta, organizando os instrumentos de sopro para que pudéssemos repassar a sequência em que estávamos trabalhando hoje com os outros instrumentos acompanhando.
— Bom, pequenos, vamos ver se conseguimos alcançar aquelas três notas adjcentes na sequência, acho que vai incrementar. Podem ser duas flautas.... Lucy e Eric, com um violino... Jane, pode ser você – Eu vou apontando as crianças que assentem ao ouvir seus nomes — E quem sabe o piano consiga acompanhar, na oitava mais grave?
— Tia, não vou conseguir... – Diz Marcel, do piano, e eu lhe dou um sorriso travesso.
— Eu posso fazer isso então. – E pisco pra ele que sorri para mim. – Certo, então vamos começar
— Filha! – Meu pai chama quando eu me preparo para reger e eu me viro para porta, dando de cara com Edward e Liz olhando para mim. Eu coro pelo olhar penetrante e confuso de Edward. Ele parece tentar ler cada gesto meu e isso me intriga. – Podemos assistir? – Meu pai me tira de meus pensamentos.
— Ah sim... Crianças, lembram da sobrinha que eu comentei? Então, esta é a Elizabeth. Mas a chamem de Liz. – Eu digo chamando a minha sobrinha para perto, que vem animada e envergonhada.
— Oi Liz, seja bem vinda – O coro ensaiado de crianças cumprimentam minha sobrinha que assente.
— E este é o seu pai, Edward Cullen. – Eu digo apontando Edward.
— Olá Sr Cullen! – Eles dizem e algumas de minhas alunas parecem reconhecê-lo e admirá-lo.
— Bom, então que tal fazermos a nossa sequência de hoje bem caprichada para os nossos novos amigos? – Eu pergunto para as crianças que voltam a se concentrar em seus instrumentos e em mim. – Certo, vamos lá! – Eu digo e inicio a regência.
A melodia se inicia com um solo do piano. Logo os outros instrumentos vão entrando em cadência. A sala é tomada pela sequência harmoniosa dos acordes e vão dando vida a uma canção. Eu vou regendo concentrada, mas sem tirar um sorriso do rosto. Meus alunos estão empenhados em demonstrar que são bons. Logo a parte mais complicada chega e eu me inclino para o piano para auxiliar meu aluno no tom mais grave. A melodia é finalizada com êxito e sem um erro sequer.
— Uau filha! Está fantástico! – Meu pai elogia e bate palmas junto com Edward e Liz.
— Ah eu quero tocar com eles, eles são muito bons! – Liz exclama indo para o lado das crianças que tocam violino. Eles sorriem e começam a conversar.
— Parabéns crianças, foi perfeito! – Eu digo para todos antes que a dispersão se torne maior – Vocês são meu orgulho! Ensaiem sempre que puderem, espero todos no próximo sábado. E lembrem-se...
— A prática leva a perfeição! – Todos cantam em uníssono e eu sorrio.
— Liberados!
Cada criança vai organizando seus instrumentos, guardando os que são do centro e vão formando fila para descer para o lanche. Liz fica empolgada conversando com alguns deles e uma de minhas alunas se aproxima de Edward, que está ao lado de meu pai, próximos a mim.
— Desculpe Sr Cullen! Me chamo Lisa. Admiro muito o seu trabalho, gostaria de um autógrafo e uma selfie! – Ela pede tímida e eu dou uma olhada no rosto encabulado de Edward enquanto arrumo as partituras. Ele pega o papel da mão da adolescente animada e assina com gentileza. Depois ambos posam para a foto. – Sabe, nós já estudamos o seu trabalho aqui no Eliza. A tia Alice é muito fã do seu trabalho, tenho aulas com ela pela manhã. Ela deve dar um surto quando te ver aqui.
— Obrigada. Tem algum preferido? – Ele pergunta devolvendo o papel para a garota.
— Gosto do “Mistério”, mas o “Encontro” é simplesmente magnífico, emocionante. – Ela diz e suspira – Obrigada Senhor Cullen!
— De nada! – Ele diz e meu pai então resolve puxar conversa.
— Eu pensei que você fosse pintor, como a Dora – Meu pai diz e Edward o fita.
— Na verdade, desenho um pouco, mas só como hobby.
— Então... teatro... ator?
— Atualmente, diretor criativo. – Edward responde encabulado. – atuar não é a minha praia.
— O espetáculo “Encontro” é realmente incrível. – Eu digo entrando na conversa. O olhar de Edward brilha na minha direção. – Eu o assisti umas duas vezes. Parabéns!
— Obrigado! – Ele diz – Sua pequena orquestra é muito boa, são muito talentosos esses meninos.
— Obrigada, eles são mesmo! – Eu digo. Nesta hora, Liz se aproxima e me abraça pela cintura.
— Tia, este lugar é incrível, quero morar aqui! – Ela diz empolgada. Todos nós rimos.
— Não dá para morar, mas você pode vir sempre que quiser, minha linda. – Eu digo e depois olho para o seu pai – Posso trazê-la alguns sábados comigo se você não se importar e não puder trazê-la.
— Diz que sim pai! – A menina corre para ele e implora. O olhar dele é indecifrável.
— Podemos organizar isso melhor, está bem? – ele diz e o sorriso de Liz murcha um pouco. – Ei, não estou dizendo que não, filha. Apenas vamos conversar e organizar. – A garota volta a sorrir.
— Posso entrar? – Alice pergunta da porta. – Ah meu Deus, eu nem acredito que é ele mesmo! – Ela exclama empolgada.
Todos rimos da empolgação dela. Alice é a nossa professora de Teatro e Dança. Podemos defini-la como uma adolescente grande, se bem que grande não dá para ser um adjetivo dela, uma vez que ela é baixinha. Alice é um amor de pessoa, se formou faz apenas 2 anos na Julliard e desde então tem trabalhado conosco no Eliza. Ela é jovem e muito enérgica. É a professora mais nova que temos aqui. Ela trabalha como professora numa escola em San Francisco também.
Ela logo puxa assunto com Edward sobre os trabalhos dele em Nova York. Ela é basicamente muito fã dele, pois ela foi caloura na Julliard quando ele estava no último ano. E Alice empolgada é um furacão. Nós descemos em diversas conversas paralelas, encontrando os professores restantes na recepção.
Foi então que o clima ficou muito estranho. Sempre era muito desconfortável quando Jacob e Jasper estavam no mesmo ambiente, por conta de toda a confusão no passado e no presente já que cheguei a ceder algumas investidas de Jacob sem compromisso. Apesar de estar com Alice, Jasper nem disfarça o que sente por mim. Isso gera um atrito silencioso entre mim e ela, já que por mais que ela saiba que eu não incentivo o interesse dele, ele o mantém. Porém tudo estava ainda mais tenso agora, já que Edward havia sido o homem que Dora escolheu afinal.
Jasper veio para o lado de Alice e Jacob para o meu. O olhar de Edward, assim que recaiu sobre Jacob se tornou duro. Será que ele sabe? Eu me pergunto. Alice apresenta Jasper como seu namorado para Edward e ambos se cumprimentam de forma bem formal.
— Bom, Jazz, Jake, este é Edward Cullen. Ele é o pai da minha sobrinha Liz, viúvo de Isadora. – Eu digo sem olhar para ninguém ali por muito tempo. Sinto Jake endurecer ao meu lado, mas logo ele relaxa. – Jasper Whitlock é professor aqui também. Jacob Black é um amigo nosso e nos auxilia na manutenção dos instrumentos. – Eles estendem as mãos, mas levam uns segundos num olhar intimidador.
— Jacob Black... Dora me falou de você. – Edward diz sério.
— Sério? – Jacob rebate sarcástico.
— Sim, afinal vocês foram namorados por muito tempo. – Edward esclarece para mostrar que sabe das coisas. Fico chocada com o fato da minha irmã ter falado sobre Jake, mas não ter contado sobre sua irmã gêmea.
— Sim, a adolescência toda praticamente. – Jacob diz amargo. Falar de Dora é difícil para ele também. – Mas você também deve saber que eu não fui suficiente para ela, ou ela não lhe contou como terminou.
— Jake, por favor! – Eu peço baixo para não criar alarde já que meu pai está ali perto apresentando Liz para Sue e outras crianças.
Jasper endurece o olhar para Jacob, Edward me olha intrigado e depois encara Jacob.
— Não Bella, ele precisa entender o estrago que Dora deixou para trás. Ninguém precisava dele vir trazer a memória dela de volta. – Jacob diz sério – Se você quer saber, Dora já estava morta muito antes de morrer.
As palavras de Jacob ficam suspensas no ar. Sinto meus olhos encherem de lágrimas.
— Dora só me disse que vocês terminaram porque ela ia para Julliard. – Edward diz meio balançado com a forma dura que Jacob fala de sua falecida esposa.
— Sério?! – Jacob diz irônico – Então deixa eu te situar um pouco, Cullen. Terminamos porque ela foi para cama com esse cara aqui – Ele sinaliza para Jasper – Horas depois de ter aceitado se casar comigo. Detalhe, ele era namorado da Bella. — Edward arregala os olhos — Foi por isso que aquela vadia foi embora!
Puta merda!
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