Não pare a Música

15 Capítulo 15 - Mudanças


Naruto viu Sasuke entrar no vestiário e não percebeu nem que tinha conferido seu reflexo nem que havia ajeitado a postura, ele só notou que Sasuke parecia irritado e alheio demais ao mundo para entrar no vestiário e nem sequer percebê-lo ali. Viu-o abrir o armário e jogar algo de dentro num dos bancos e aproveitou-se para se levantar e ficar ao lado dos armários, de pé, encostado no metal gelada e encarando nada mais que a porta aberta do de Sasuke. Sorriu ao ouvir os xingamentos baixos que Sasuke soltava sobre Kaguya e mordeu o lábio, apreensivo, quando notou que Sasuke fecharia a porta.

Sasuke bateu a porta do armário e respirou fundo, e todo o ar se perdeu pelo susto quando deu de cara com Naruto ao seu lado. Ele estava de pé, o ombro direito e a cabeça apoiados no armário ao lado, os olhos azuis decididos e o sorriso aberto. Demorou até conseguir parar de olhá-lo e esboçar alguma reação, e, quando fez, Naruto foi rápido em segurá-lo pelo braço e estender uma embalagem com a outra mão. Sasuke estreitou o olhar e arqueou a sobrancelha para a barra de chocolate que era oferecida.

— Trégua? — Naruto pediu, e Sasuke achou graça da forma como Naruto parecia realmente querer que ele não fugisse daquela vez.

— Não gosto de doces — respondeu, mas sem tentar se afastar ou se livrar da mão em seu braço que descia vagarosamente até segurar-lhe a mão.

Naruto o olhou visivelmente ofendido e surpreso, ainda que fosse nítido o humor nos olhos azuis. Como ele podia ser tão bonito?!

— Que tipo de pessoa não gosta de doce? — Naruto se indignou, mas fingiu pensar antes de girar a barra de chocolate e mostrar o que escondia atrás dela. — Eu como o chocolate então, mas acho que disso aqui você gosta.

Sasuke reconheceu os ingressos só pela cor vinho e a letra manuscrita dourada, era inconfundível! Se havia duas certezas em sua vida, era que amava ópera e que normalmente não tinha tempo ou dinheiro para ir tanto quanto gostaria, principalmente aquela ópera, Teatro Coin doux, o melhor, que só se apresentava nos melhores teatros, com ingressos às vezes exclusivos, não chegavam nem a ir à venda porque era apenas e somente para convidados. Em toda sua vida, tinha conseguido ir duas vezes, e ele nem sabia que estava tendo uma nova ópera naquela temporada! Até o mês anterior lembrava-se de que o Coin doux estava em outro estado, tinha certeza, e não havia nenhuma divulgação de ópera para aquele mês, o que o levava a concluir que os ingressos que Naruto lhe mostrava eram só para convidados.

— Como conseguiu isso? — perguntou, desconfiado, e pegou um dos ingressos. Era real, meu Deus…

— Uma amiga foi convidada e me deu os ingressos por não querer ir. Pensei que pudesse querer me acompanhar. — Naruto sorriu. Sasuke encarava o ingresso como se fosse uma obra de arte, os olhos negros tinham um brilho especial, e Naruto se sentiu bem por ter conseguido essa reação.

— Que covardia — Sasuke riu baixo, breve, ainda hipnotizado. — Ninguém no mundo recusaria um ingresso desse, você tem noção de que isso aqui nem está à venda?

— Mesmo? — Naruto franziu o cenho, e Sasuke o olhou indignado.

— Você não sabia disso?? Se sua intenção era saber se eu sairia ou não com você, lamento, mas, mesmo se eu não quisesse, se me mostrasse isso aqui, eu ia. Sim, puro interesse, não ligo — Sasuke explicou sincero e sem ressentimento, Naruto riu alto e se aproximou.

— Posso conviver com isso — respondeu sem se abalar. — E, como a ópera é às seis horas, podemos sair depois para algum lugar… uma amiga vai inaugurar uma espécie de bar no centro da cidade na segunda, nada como a boate do seu tio, é algo muito menos… agitado. — Sorriu sem jeito, afinal, Sasuke deveria estar acostumado a lugares como a grande e famosa Kyuubi, mas a amiga, Mei, havia-o feito prometer que iria na inauguração, então por que não juntar o útil ao agradável?. — Lá abre às dez, e aí sim posso saber se sairia ou não comigo. Justo?

Não, não era justo, não era porque Sasuke percebeu que estava com vontade de aceitar qualquer coisa que Naruto propusesse naquele momento. E isso não fazia o menor sentido! A mão dele segurava a sua, ainda, sentia o polegar fazendo movimentos circulares, a pele dele era quente, e olhar que lhe era direcionado estava repleto de expectativa, uma animação esquisita que Sasuke não entendia como Naruto podia ter todo santo dia. Além disso, estavam próximos o suficiente para causar estranhamento em qualquer um que entrasse no vestiário e os visse; mesmo assim, não se sentia nervoso, nem desconfortável, pelo contrário!, por que parecia querer diminuir a distância ainda mais?

Disfarçou o que quer que estivesse sentindo, ou tentou, sem saber dizer se havia tido sucesso porque Naruto parecia um idiota o olhando com aquele maldito sorriso cativante.

— Vamos ver como você se sai na ópera primeiro — provocou com um sorriso de canto.

— É um teste? — Naruto o encarou em desafio, determinado.

— Podemos dizer que sim — a resposta veio em parte sincera em parte só pelo gosto de continuarem naquele jogo.

Sasuke viu Naruto sorrir, o aperto em sua mão ficou mais forte e ele quase lamentou quando Naruto deu um passo para trás. Quase… porque logo sentiu os lábios mornos de Naruto contra as costas da sua mão enquanto ele forçava uma pequena e discreta reverência só para provocá-lo.

— Desafio aceito — Naruto respondeu piscando um olho. — Te vejo na aula mais tarde.

Sasuke não respondeu, os olhos estavam arregalados em puro choque enquanto Naruto saía do vestiário, e ele não sabia se ria de desespero pela da própria idiotice ou se se enterrava no chão. O celular vibrando lhe despertou dos pensamentos e o lembrou que havia ido ali somente para pegar as sapatilhas para a aula de jazz, para que, por sinal, já estava atrasado.

Naruto desceu as escadas muito mais leve do que antes. Sentia-se vitorioso e estava tão de bom humor que, quando Neji o parou no corredor para lhe pedir ajuda, nem mesmo perguntou o motivo. Não importava! A missão do dia estava concluída, podia dormir tranquilo, e nem mesmo substituir o pianista que deveria tocar na aula de Neji para as crianças mudava isso. Mas é claro que uma pessoa, uma única pessoa, podia tentar estragar o dia e, infelizmente, não só o seu.

Naruto já havia reparado desde a manhã que Orochimaru tinha um sorriso discreto no rosto, a satisfação dele era visível, como se tivesse acabado de receber uma ótima notícia e não conseguisse mais se segurar para compartilhá-la. E isso era ruim porque, se Orochimaru estava feliz, com certeza não era uma notícia boa que viria.

À tarde, quando a aula de ballet do oitavo ano estava para começar, Naruto se sentou de frente ao piano, separou as músicas que tocaria e fingiu não se importar quando Orochimaru caminhou em sua direção enquanto os alunos assumiam seus lugares nas barras. Orochimaru parou ao seu lado, de frente para os alunos, e Naruto sabia que deveria sentar-se de frente a eles também, por educação, enquanto Orochimaru dava seu anúncio. Virou-se, reparando então nos alunos e não conseguindo evitar demorar-se mais em Sasuke na segunda barra, logo atrás de Sakura.

— Boa tarde — Orochimaru os cumprimentou, e a turma o respondeu em uníssono. — Eu tenho um comunicado importante para vocês, para todos vocês — ele completou ao olhar para Naruto. — Espero que tenham se esforçado nesse tempo que tivemos porque, felizmente, fui informado de que as audições foram adiantadas.

Não houve reação à notícia, nem mesmo Naruto conseguiu processar o que tinha sido dito para expressar qualquer coisa, fosse indignação ou alegria. Olhou para Orochimaru, incrédulo, o choque tão evidente em seu rosto quanto a felicidade do professor. Balançou a cabeça, sem acreditar, e os olhos azuis buscaram com certa urgência Sasuke.

Aquilo era injusto… Sasuke vinha se esforçando mais do que Naruto já havia visto qualquer outro fazer, treinando as coreografias ao mesmo tempo que estudava na faculdade e na companhia! Reduzir o tempo para as audições com certeza lhe roubaria o chão, e Naruto teve essa certeza ao ver os olhos arregalados dele. Respirou fundo e tomou a coragem que ninguém parecia ter naquele momento para questionar:

— Quais as novas datas?

— As inscrições devem ser feitas até amanhã à noite. As audições serão do dia quinze a vinte deste mês. A relação dos candidatos e dos dias sairá depois de amanhã ao meio dia. Alguma dúvida? — Orochimaru perguntou, os olhos afiados passando por cada aluno antes de terminarem em Naruto. — Espero que também use melhor seu tempo, Naruto, seria uma pena que perdesse a chance espetacular de tocar com nossa orquestra porque está desperdiçando seu tempo ajudando meus alunos fora do horário de aula.

— Não se preocupe, eu sei bem usar o meu tempo — Naruto respondeu, sério e completou apenas por educação. — Obrigado pela preocupação, professor.

Orochimaru riu anasalado, sem de fato produzir som.

— Disponha. — Olhou para a sala com os braços cruzados e caminhou até perto das primeiras barras, onde normalmente ficava. — Se não há dúvidas, vamos lá, reverência, não há tempo a perder se quiserem ter alguma chance nas audições.

Naruto lançou um último olhar a Sasuke antes de se virar para o piano. Sasuke demorou a reagir e, quando o fez, foi no automático, o corpo repetindo os movimentos da reverência enquanto a mente tentava buscar um jeito de contornar a própria situação. As audições podiam ser mudadas a qualquer momento, era um risco mesmo, visto que, em tese, elas eram feitas para bailarinos já formados, pessoas que tinham apenas que ver a coreografia e ensaiá-las. Eles não tinham matérias extras, não tinham aulas obrigatórias todos os dias, podiam usar a maior parte do seu tempo na companhia para ensaiar. Além disso, eles possuíam uma facilidade maior naquilo, com a chance de já até mesmo terem apresentado aquelas mesmas obras antes, tendo a coreografia já decorada! As audições eram para eles, não para os não formados, mas era uma oportunidade tão grande, tão maravilhosa, que Sasuke sabia que não podia deixar escapar. Estrear sem estar formado seria o que salvaria sua carreira por assim dizer, corrigiria seu atraso na idade e, por isso, estava se dedicando tanto.

Teria que desistir de um dos papéis… O tempo que tinha restante não era o suficiente para que conseguisse levar à perfeição os dois papéis juntos. Sim, só tinha que aprender uma coreografia de cada obra, mas, mesmo assim, não bastava aprender somente, ele precisava ser perfeito porque nada menos que isso seria aceito! Les Sylphides estaria fora de cogitação então, preferia se focar em Giselle, já havia decorado a coreografia por completo e Naruto o tinha ajudado a solucionar o problema com a música, faltava melhorar as passagens entre os passos de ligação para os giros, a expressão e lidar com o cansaço que a parte que tinha escolhido que causava. Muita coisa para apenas duas semanas.

Para piorar tudo, se ele estava nessa situação, imaginava Ino… Ela teria outra sessão de fotos em breve, para uma campanha que tinha aceitado, e aquilo com certeza a impediria de ensaiar como deveria. O que o acalmava, de certa forma, era que Ino sabia Giselle de cor e salteado, como se a obra já tivesse gravada a ferro e sangue no coração dela e, assim, ela só vinha se preocupando com Les Sylphides, que era o que verdadeiramente desejava.

Ergueu a cabeça, se Orochimaru achava que aquilo o derrubaria, estava mais do que enganado. Teria um dos papéis, nem que tivesse que dar seu sangue para isso. Olhou para o relógio depois de alguns exercícios, mais da metade da aula já havia ido embora, mas ainda era nítido o desconforto que a notícia havia trazido para todos ali. Remexeu-se, incomodado, e xingou sua sorte em pensamento quando Orochimaru anunciou que fariam développés, uma série que consistia, basicamente, em manter a perna estendida e no alto, seja para a frente, para o lado ou para trás. Segurou-se melhor na barra e sentiu a mão tremer pelo esforço que depositava nela. Estava errado, sabia disso, mas seu joelho de apoio de repente doía e usar a barra para aguentar parte se seu peso era a única forma discreta que tinha para alívio enquanto o exercício se seguia. O outro pé que faria o développé arrastava-se pela perna, subindo com a música do calcanhar até o joelho para então a perna se erguer esticada para o lado em cento e vinte graus. Fechou os olhos, o joelho de apoio dava fisgadas agudas, e a coxa da perna erguida ardia com a força que estava tendo que fazer para mantê-la estendida. Para piorar, ele sabia que cento e vinte graus não era um bom ângulo, estava baixo, e isso Orochimaru não deixaria passar.

— Cabeça para frente, Sakura — Orochimaru gritou. — Erga essa perna, Sasuke, nem um aluno do sexto ano faz développé tão baixo!

Sasuke sabia que aquilo era verdade, mas não dava, não conseguiria deixar a perna mais alto que aquilo com o joelho lesionado. A música continuava, os segundos se passavam, e ele teve um breve momento de esperança quando as notas do piano anunciaram a hora de descer a perna para seguirem com o exercício. Finalizou com a postura perfeita, evitou propositalmente olhar para Orochimaru, mas o som do bastão de madeira contra o chão fez com que um arrepio desagradável subisse por suas costas.

— Sasuke, développé lateral agora, por favor — Orochimaru mandou, e Sasuke mudou o peso entre as pernas para tentar amenizar a dor. Orochimaru o faria repetir o maldito développé até que ao menos cento e trinta e cinco graus atingisse.

Posicionou-se, o braço subindo junto com o pé que se arrastava pela perna de apoio, ergueu o braço sobre a cabeça e respirou fundo antes de subir primeiro a coxa e depois esticar a perna o mais alto que podia a fim de acabar logo com aquela tortura. Seu peso estava todo na perna de apoio, não podia usar a barra porque dessa vez Orochimaru notaria, e seu joelho parecia gritar consigo por isso, mas pelo menos os cento e trinta e cinco graus ele tinha conseguido.

— Mantém — Orochimaru mandou, e Sasuke suou frio quando o viu se aproximar.

Seu estômago embrulhou, e a perna vacilou e caiu um pouco, sua respiração sumiu ao sentir a mão de Orochimaru em seu abdômen e a outra em sua panturrilha.

— Arrume sua postura — Orochimaru falou, frio.

Sasuke se esforçou para continuar olhando em frente, sempre em frente, não olharia nem por um segundo que fosse para o professor que agora apertava a ponta de seu pé enquanto elevava sua perna.

— A sua perna tem que estar aqui — Orochimaru falou, e Sasuke fechou os olhos pela dor que o corpo sentiu quando a perna atingiu os cento e sessenta graus, a panturrilha sendo apertada com firmeza pelo outro. — Entendeu?

Assentiu com a cabeça, abrir a boca significaria deixar não só o ar mas todo tipo de xingamento escapar, e não era hora para aquilo. Manteve-se sem o olhar, o corpo rígido, o esforço o fazendo tentar imaginar a música para se distrair de tudo.

— Ótimo — Orochimaru sorriu de canto, e Sasuke abriu os olhos quando a mão dele se afastou. — Desce, e com controle, devagar.

Respirou fundo, travando as costas e o abdômen enquanto mordia a parte interna da bochecha pelo joelho que dava a sensação de que desmoronaria. Desceu a perna, a mão de Orochimaru acompanhando-a de perto, e Sasuke quis estapeá-la para longe quando segurou sua coxa ao chegar a noventa graus, conduzindo o movimento até que ele terminasse.

Não esperou finalizar a posição para dar um passo para trás, o joelho e a mente pedindo por alívio imediato. Orochimaru lhe sorriu, cínico, e Sasuke teve a certeza de saber o que se passava na mente dele.

— Se tivesse feito certo da primeira vez, não teria que repetir.

Não respondeu, engoliu a raiva e apoiou o corpo na barra enquanto o joelho pulsava dolorosamente. Ainda tinha meia hora de aula… engoliu em seco e suspirou de alívio quando Orochimaru liberou cinco minutos para os alunos irem ao banheiro ou tomar água antes dos exercícios que fariam no centro. Sentou-se no chão, Sakura já estava ao seu lado antes que percebesse, as mãos em seu joelho em uma rápida inspeção.

— Quando é a consulta? — ela perguntou baixo, tapando com o corpo a visão de Orochimaru enquanto os dedos buscavam sabe-se lá o que em seu joelho.

— Segunda — respondeu com um gemido dolorido pela pressão que a mão dela fazia. — Eu não cai, não bati, nada, não pode estar tão ruim, pode?

— Sasuke, você cai todo dia, não me vem com essa — ela o repreendeu com um tom preocupado. — Você não vai gostar do que vou dizer, mas, se quiser ainda participar das audições, não vai poder forçar mais do que faz agora, e olha que só o que já ta fazendo é muito e eu pediria para você diminuir.

— O que não vou fazer — ele respondeu de pronto.

— Eu sei que não. — Ela suspirou com tristeza e o encarou. — Mas você não vai ter chance alguma na audição se não puder comparecer, certo? Só tenha mais cuidado e não vá além do seu limite.

— Eu sei o meu limite, Sakura.

— Sabe mesmo? — Ela arqueou a sobrancelha. — Porque eu duvido. Você vai estourar o joelho se não tomar cuidado agora e, acredite, se isso acontecer, adeus à sua carreira, sabe bem do que to falando.

Ele fechou os olhos ao suspirar de alívio com a massagem que os dedos de Sakura faziam e, ao abri-los novamente, percebeu que ela olhava para um ponto distante. De alguma forma, não estranhou ver a atenção de Naruto neles, mas franziu o cenho pela expressão concentrada do pianista.

— Ele também tá sob teste, sabe? — Sakura comentou baixo.

— Como assim? — indagou interessado.

— Ele tocaria com a orquestra nas apresentações, mas houve uma queixa, não consegui saber de quem… agora ele terá que tocar nas audições e ser avaliado, assim como vocês. Por isso Orochimaru falou que o aviso era para todos nós e ficou encarando ele daquele jeito.

— Que queixa? — Estreitou o olhar, e Sakura deu de ombros enquanto dobrava e esticava sua perna.

— Tsunade não me falou, só disse que era uma pena ter que fazer Naruto provar algo que ela sabia que ele era capaz. Ele tava bem irritado com isso.

Sasuke piscou confuso por um momento antes de encarar Sakura e perguntar sem disfarçar a curiosidade:

— E como sabe disso? Ele te falou?

Sakura sorriu, divertida, e soltou seu joelho, levantou-se e estendeu a mão para ajudá-lo.

— Você também saberia se não estivesse evitando o coitado e falasse direito com ele — ela provocou. — Ele me contou quando fui dizer que sentia muito pelo que tinha acontecido. Ele é um cara legal, sabe? Tentou me incentivar a fazer as audições, mas sem chance agora que mudaram as datas.

— Você não deveria desistir — Sasuke respondeu, incomodado, e Sakura revirou os olhos. — Tenho certeza que sabe as coreografias, são suas obras favoritas, Sakura.

— Você ainda não entendeu por que eu não posso fazer a audição, Sasuke? — ela perguntou, e Sasuke sentiu a impaciência e a frustração nas palavras. Ele acompanhou o olhar dela até Ino e então quis se bater por não ter pensado no óbvio. — Somos as melhores da turma, não é? Se forem dar qualquer papel para um não formando, não importa o quão mal eu vá na audição, não será ela a ganhar. E nós dois sabemos que ela merece mais que eu.

— Sakura-

— Não, pode ir parando. — Ela fez um gesto com descaso com a mão. — Vamos pro centro antes que Orochimaru resolva gritar com a gente.

Ele suspirou, andou com calma até sua posição ao centro da sala e olhou o relógio. Ainda tinha meia hora ali, longos trinta minutos… alternou o peso entre as pernas e fez o possível para disfarçar a dor, Orochimaru era um sádico e ficaria com atenção dobrada nele caso percebesse que não estava em condições de seguir a aula. Esperou o professor parar ao centro na frente deles e atentou-se ao exercício que era passado. Conseguiria, não só a aula, mas as audições também, não desistiria tão fácil e faria Orochimaru ter que engolir sua vitória.

Respirou fundo, ergueu a cabeça e então ouviu Orochimaru contar:

— E cinco, seis, sete e oito!

Notas finais
Reviews? Recomendações? Críticas ou sugestões? Para quem tá com saudade do Gaara e da Ino, eles voltam no próximo ♥