Notas iniciais
Isso é uma short-fic sequência de "Não me acorde agora", e é meio que obrigatório que você leia antes, vai ser bem melhor de acompanhar.

Espero que gostem disso.

Comentem pelor amor de Merlim! Isso me deixa feliz e me impulsiona a continua à escrever.

Qualquer erro me avisem.

Luke necessitava saber sobre tudo, era um vício quase tão grande quanto o que tinha por cigarros, mas não conseguia evitar a curiosidade obsessiva. Detestava ser feito de bobo e, sabendo de diversos assuntos, nunca seria tachado de burro ou idiota, porém, havia algo – ou melhor, alguém – que conseguia deixa-lo sem reação. E por isso ele se via em uma busca desesperada por conhecimento, queria saber cada nuance de Jayme, cada característica psicótica ou doentia. Aquilo despertava uma sensação de poder e controle dentro de si.

Então assistia com prazer cada ato considerado inútil e tinha diversos fatos inúteis. Sabia que seu Jayme era viciado em sal – agora, quando cozinhava, fazia questão de aumentar drasticamente a quantidade do mesmo. Conhecia os medos mais ridículos; lâminas, ratos, tempestades e diversos outros, contudo, seu objeto de fascínio não fazia ideia do magnetismo de seus atos mais triviais e pacatos. E Luke sentia-se queimar ao perceber que, por mais estranho que isso possa vir a soar, havia descoberto até qual bebida Jayme preferia em cada estado de humor.

E agora ele comprava vinho – nunca foi dito que era caro – nos dias mais melancólicos e deixava a vodca para comemorarem. Sem contar o maço de Malboro que ele sempre carregava consigo, apenas porque era favorito de seu garoto nos piores dias.

Existiam fatos que o irritavam, vários deles, todavia, o sentimento que os havia encontrado era tão satisfatório que chegava a doer. Seus sorrisos também doíam, eram largos demais e os ventos gelados tortuosos, mas ao menos o frio era uma boa desculpa para não sair do apartamento de Jayme e para ficarem mais perto porque o sistema de aquecimento daquela porcaria nunca funcionava como deveria. Entretanto, não era como se Luke estivesse reclamando, alguns de seus melhores momentos foram construídos naquela espelunca de quinta categoria onde o amigo morava.

— Poderíamos ir para Amsterdã. – Sugeriu Luke com um sorriso sugestivo.

— Ouvi dizer que lá a prostituição é legalizada. – Jayme comentou aéreo.

— Você está pensando em me trair com uma puta?! – Era uma brincadeira e logo riam.

— Não. Estava pensando no nosso futuro emprego. – Jayme finalizou o assunto ali.

Sabia que Jayme precisava saber que possuía o controle de qualquer situação que surgisse, e também lhe era conhecido que ele temia tudo o que não podia dominar com as conversas charmosas e as mentiras bem-ditas. Notara, cheio de satisfação e orgulho, que ele o amedrontava e logo descobriu o porquê; na visão do “amigo, era incontrolável, instável e, aparentemente, intocável. Só não o deixaria saber que, por mais alheio que parecesse, estava completamente de quatro a menor das exigências que fizesse, mas nunca aparentaria tal estado, seu ego era grande demais e a sensação de ter algum poder sobre a causa de suas fantasias mais imundas quando todos o satisfaziam era incrível.

Riu ao aperceber-se que Jayme detestava guardar segredos, todavia, milhões deles pesavam em suas costas todos os segundos. Não fale nada dos pecados de Joanne e Charlie. Não conte sobre o que sua mãe faz todas as sextas. Não mencione nada sobre os horários falsos de seu pai. E a lista seguia infinita, contudo, o que ele mais protegia era o local para onde ia quase todos os dias e com quem ficava. Nem ouse falar algo sobre Luke e o

problema que vocês criaram juntos. E o em questão está sorrindo, porque é algo estranho.

Eles estão afundando, inferno, Luke sabe bem disso e, quando ele encara Jayme que tem os olhos avermelhados – não saberia dizer se de sono ou maconha – percebe que acabou forçando-o a decair e ruir junto consigo. Porque ele mesmo já estava fodido e atolado em diversas paranoias, porém, Jayme era Jayme, o garoto que queria cursar astrofísica e que agora nem cogita uma faculdade. E oh sim, acaba se sentindo realizado por saber que existe um louco no mundo capaz de permanecer quebrado, rachado e destroçado apenas por ele, que é ainda mais quebrado, rachado e destroçado.

— E você não pretende cursar faculdade? – Luke perguntou nervoso, temendo ser deixado.

— Fazer faculdade? Eu? – Eram perguntas retóricas, impregnadas de sarcasmo.

— Sim, você. Era astrofísica, não? – Jayme franziu o cenho e tragou mais uma vez.

— Não enquanto essa cidade ainda tiver você. – E mais um fim abrupto e rude.

Luke enxerga os olhos mel se tornarem vermelhos e as risadas serem varridas pelo vento que ruge ininterrupto. Às vezes ele se pergunta por quanto tempo aquilo vai durar, porque alguém vai ter de ir, então, descobre mais um fato, mais um doloroso e irritante fato sobre Jayme: ele iria embora se fosse necessário, mas, como nunca foi até agora, as juras se tornam camufladas por entre os beijos desesperados e as transas rápidas em qualquer lugar possível. Quando resolveram que iniciariam um maldito romance barato e mal escrito?!

— Sua mãe não vai se importar de estarmos transando na cama dela? – Luke ria.

— Se você for rápido, ela nem vai saber. – Retorquiu Jayme com a voz luxuriosa.

— E você não pretende mudar os lençóis? – De novo, Luke questionava, mas sorria.

— Eu? Mas nem morto! – Gargalharam em silêncio, havia gente do lado de fora.

Os fatos que conhecia o deixavam tão na merda que resolveu parar de pensar neles por hoje, apenas abriria algumas latas de cerveja esperando ficar bêbado o suficiente para esquecer dos problemas, contudo, várias batidas céleres na porta o alertaram que aquele dia reservaria mais do que o esperado. O fato delas serem ininterruptas, irritante e impacientes só fez Luke abrir um largo sorriso antes de abrir a porta sem medo. A única pessoa que conhecia com aquelas características era Jayme, e ele nunca o negligenciaria, mesmo se fosse uma questão de vida ou morte.

Notas finais
Espero que tenham gostado e fiquem atentos que os capítulos saíram rapidamente se nada der errado.

Deixem comentários, eles me alegram bastante.

Abraços,
Bastarda de Ned Stark.