Não me deixe ir
31 Capítulo 31 – O anjo que você não conhece
Notas iniciais
Não me deixe ir
31 – O anjo que você não conhece
Ezekiel, ainda no beco junto da figura misteriosa, olhou para o celular em sua mão, desligando-o antes que Dean começasse a importuná-lo com mais perguntas. Ele precisa de mais algum tempo para entender o que estava acontecendo.
– Relaxe, eu não estou aqui para te delatar. – o homem falou – Mas estou curioso, porque Ezekiel?
– Eles dizem que ele é bom e... Um anjo honrado. – Ezekiel responde.
– Ah! Tudo o que dizem que você não é. Eu vejo seu ponto... Gadreel.
Um frio percorre a espinha do ajo. Fazia tempo não o chamavam por seu verdadeiro nome, ainda mais depois da queda dos anjos, quando ele resolveu assumir a identidade de um de seus irmãos. E ele não gostava da maneira que era lembrado.
– As histórias sobre mim—Não são verdade! – ele brada, estufando o peito.
– Você passou inúmeros milhares de anos trancado na masmorra do Céu. E agora você está se escondendo nesse humano, posando como Ezekiel. – ele balança sua cabeça – Trágico. Quebrou o coração Dele te trancar, sabia? Você era o mais confiável de Deus. Foi por isso que ele te escolheu para proteger o jardim. Sua única tarefa era manter fora o mal... De macular sua preciosa criação, os homens, e você falhou com Ele!
– Não foi minha culpa.
– Bem, de quem quer se seja a culpa, a serpente entrou. A Terra está amaldiçoada com o mal. Alguém tinha de ser o culpado.
– O que você quer de mim, Metatron?
O homem mais baixo sorri, suspirando em seguida.
– Só quero ser seu amigo. Você e eu temos um passado. Fui eu quem te libertou.
– Você?
– Fui eu quem causou a queda aos anjos. Inclusive os prisioneiros. Não tem de quê.
– Não há nenhum anjo no céu?
– Não, e quer saber, de início eu achei que ia adorar. Mas este lugar é grande. Minha solidão está me deixando entediado.
– E então?
– E então... Plano “B”. Reconstruir o Céu como o lugar que Deus visionou, com apenas alguns poucos escolhidos. Não mais imperfeições como Bartholomew. E sem anjos estúpidos. Talvez alguns mais dos divertidos. Você era o mais confiável Dele, Gadreel. Você quer sua reputação de volta? Você quer reivindicar o céu do jeito que ele era? Nós poderíamos fazer isso juntos.
Gadreel franze o cenho, tencionando o maxilar, sem saber ao certo o que responder.
(…)
Na manhã seguinte no motel, Dean sentia-se... Renovado, em parte. O que ele e Castiel... O que ele fez... Quer dizer, ele nunca poderia imaginar-se fazendo aquilo com... Urg! Que seja! Não tinha importância – quer dizer tinha, mas... Ah! Ele ia enlouquecer se continuasse a dedicar tantas horas do dia sobre isso.
Aconteceu, e pronto. Foi bom... Oh, e como! De um jeito que ele sequer imaginara... Céus, sua cabeça estava mesmo uma bagunça, ainda mais por conta de todas as recentes aparições de Ezekiel.
Os problemas com Rick finalmente acabaram, depois de tudo o que se seguiu do ano novo. Infelizmente, as suspeitas tanto de Sam quanto de Cas sobre o ocorrido na última caçada – a então recuperação milagrosa de Castiel – intrigou os dois ainda mais.
Desde que o pai de Louis disse a Sam todas aquelas coisas durante a caçada, seu irmão tornou-se ainda mais questionador. Por sorte, Ezekiel guardava parte dessas memórias consigo, deixando as lembranças de Sam confusas, mas ainda assim volta e meia ele se perguntava por qual razão ele havia desmaiado na caçada, ou como eles derrotaram Rick. Ou indo mais fundo, Sam questionava Dean a, ao vê-lo junto de Cas, porque antes o ex-anjo teve de sair do Bunker; quais foram os seus reais motivos.
Dean viu-se pressionado várias vezes, por Sam na maioria delas, pois Cas achava melhor deixar as coisas abrandarem antes de confrontar Dean. O loiro, por sua vez, apenas desconversava, mudando o assunto sempre que possível. Todavia, um forte incômodo atrás de sua cabeça o dizia que algo ruim iria acontecer em breve.
Dean tinha de enganar aos dois. Ezekiel estava se fazendo uma presença constante também, interferindo nas suas conversas e fazendo novas ameaças.
Para piorar a situação e seu humor, logo após noite passada no motel, Castiel havia decidido levar em consideração todas as palavras de Dean no bar, sobre a sua utilidade para as caçadas em si. Maldito seja ele e sua boca cheia de mentiras. Ele ainda não podia acreditar no que Cas havia lhe dito quando todas as coisas já estavam arrumadas para que voltassem ao Bunker:
– Acredito que não haja mais nada aqui que valha a pena ser investigado.
Dean comenta, passando o cinto por sua calça e a prendendo no lugar enquanto olha no chão por sua camisa. Castiel está sentado na cama abotoando os botões da blusa social.
– Então por hora devemos apenas observar, estou correto? – o moreno indaga.
– Exato. Por isso que é melhor se você ficar no Bunker.
Franzindo o cenho, Castiel se vira para Dean, ficando de pé, enquanto sua voz ganha o seu tom autoritário:
– Eu não serei um inútil, Dean.
O caçador suspira, encaixando os braços na blusa xadrez vermelha.
–Eu não disse isso.
– Mas você quer que eu fique parado, deixando que você e Sam continuem lutando com um problema que é meu para começar.
– Cas já falamos sobre isso. Metatron te enganou quando fez o feitiço para expulsar os anjos.
– Ainda não reduz minha parcela de culpa.
– Cas...
– Não, Dean. Eu entendo a sua preocupação.
– Então você sabe-
– Mas você também deve entender a minha com o que está acontecendo com os anjos aqui na terra.
Aquela conversa não estava lhe agradando nem um pouco.
–... O que você está dizendo? – Dean pergunta vacilante.
– Volte com Sam ao Bunker. – Cas fala e Dean não consegue parar de encará-lo sem palavras para responder – Descubram com calma o que está acontecendo e eu ficarei aqui na cidade mandando informações.
– Cas isso é suicídio, eu não vou-
– Eu vou voltar para o Bunker em breve, Dean. Você me disse que lá também é minha casa... E lá... Lá há o meu quarto, certo? Nosso quarto.
Engolindo seco, os orbes de Dean viajam dum lado a outro das órbitas, apenas fitando a face decidida de Castiel. Não haveria nada que ele pudesse acrescentar ou dizer que mudasse a opinião do ex-anjo.
Castiel sentia-se responsável, e em parte ele o era, pela bagunça que aconteceu no Céu. E por mais difícil que fosse admitir a si mesmo, Dean sabia exatamente como o moreno se sentia, afinal era assim que ele pensava quase na maior parte do tempo.
Meneando a cabeça devagar, Dean passa a mão sobre a boca, virando o torço e andando na direção de sua bolsa, onde começa a jogar suas coisas. Castiel apenas suspira, pondo uma mão sobre o ombro do caçador.
– Será um trabalho de vigia. Nada fora do comum daquilo que você e Sam fazem. Eu ficarei bem.
Silêncio. Minutos de total e completa quietude, até Dean se virar depressa e prensar Castiel contra a parede, lhe roubando um beijo.
O moreno nem sabia como conseguiu ficar de pé. Suas mãos engalfinharam-se nos cabelos de Dean e ele deixou sua língua aproveitar o sabor vindo do caçador, atravessando sua boca e se instalando nela.
Entre as arfadas desesperadas dos dois, Dean recostou a testa na dele, respirando em longos suspiros:
– Se você morrer eu te mato. – Dean fala, e Castiel apenas estica os lábios, concordando com ele.
Era inacreditável, porém ao mesmo tempo Dean não conseguia evitar de pensar que isso fez com que Ezekiel se acalma-se.
Claro, sua preocupação com Castiel era visível. Ele ligava para o ex-anjo de uma em uma hora, pedia que ele também respondesse às mensagens sempre que possível e desse notícias sobre qualquer atividade suspeita. E se algum anjo aparecesse ele tinha de dar o fora, sem discussões.
Ainda assim o peso no peito de Dean só aumentava.
(...)
No quarto de motel em que Castiel ficara para trás para coletar informações sobre o caso, o ex-anjo se encontrava num impasse. Não havia nada de novo nos noticiários, nem em nenhum outro lugar que pudesse revelar a ele e aos Winchesters o que estava acontecendo com os anjos na Terra, as facções... Nada. Eles estavam à deriva.
E numa situação como essa, há de se escolher medidas drásticas. Dean com certeza não aprovaria, porém se Castiel conseguisse algum resultado, então teria valido à pena.
Ajoelhando-se no chão Castiel suspira:
– Okay.
Ele une as mãos e fecha os olhos, ajeitando-se no carpete.
– Eu não sou familiar com... Este processo. Claro, ninguém pode estar ouvindo, uh, mas eu—Eu preciso de assistência.
Após a primeira tentativa frustrada, ele se senta com as pernas cruzadas na cama, mãos sobre cada joelho, os dedões e anelares tocando um no outro numa posição de meditação.
– Eu tenho perguntas, e parece não haver respostas.
Deitando-se no chão dessa vez:
– Eu... Eu não buscaria auxílio se não estivesse desesperado, mas preciso de ajuda.
Erguendo-se, com os olhos fechados e braços estendidos com as palmas para cima ele suspira:
– Estou perdido.
Deitado na cama com as pernas curvadas, ele tem as mãos sobre seus olhos:
– Eu preciso de uma direção.
Ajoelhado outra vez, olhos igualmente fechados:
– Por favor, escute minha prece.
Ele para, e respira fundo olhando a sua volta e notando ainda estar sozinho.
– Eu não sei como os humanos fazem isso.
Desistindo de maneira cabisbaixa, Castiel se senta na cama e tenta ligar a televisão que parece não ter sinal algum. Ótimo.
– Tente ligar na tomada.
Uma voz abafada vem do lado de fora de seu quarto. Castiel franze o cenho, deixando o controle remoto na cama e indo até a porta. Ao abrí-la, se depara com uma mulher de cabelo longo castanho, olhos claros, usando o traje de uma guarda florestal.
– Certamente esta não é a resposta que você esperava.
– Você é um anjo!
Castiel diz em completa e total descrença, e a mulher sorri.
– Muriel. – ela se apresenta, começando a apontar para suas roupas – Não fui eu quem escolheu esta roupa, e...
Ela para por alguns instantes de falar, encarando com calma o rosto de Castiel, até que a revelação aparece em seus olhos arregalados ao notar quem estava diante dela.
– Castiel?!
O moreno silva enquanto a anjo bufa, virando-se para ir embora, irritada só pelo fato de ter encontrado o anjo traidor que ajudou Metatron a expulsar os anjos do Céu.
– Não, espere! – Castiel grita – Por favor, só me escute!
– Não podem saber que eu sequer falei com você! – ela rebate, quase entrando de volta no seu carro.
– Só preciso de um momento. – ele praticamente suplica, e Muriel para, balançando a cabeça.
– Não.
– Por favor. – pede o moreno mais uma vez, deixando as feições as mais sinceras possíveis – Eu só preciso de informação.
Muriel entra no carro, porém não dá a partida nele, entortando a boca enquanto pensa, voltando a encarar Castiel. Suspirando, ela sai do veículo e volta para dentro do quarto, e aquilo Castiel conta como uma pequena vitória.
(…)
Os encontros com Metatron aconteciam em certas horas do dia em que Dean Winchester não notaria a falta de seu irmão. Como de costume, Gadreel e Metatron viam num ponto próximo ao Bunker. Dessa vez eles se viam em um bar de estrada.
– Francamente, eu nunca me acostumei aos humanos. Eu vivi entre eles por séculos. Eu tive de me isolar para me manter são.
– Humanos parecem mesmo caóticos, Metatron. – Gadreel responde.
– O que os fazem fascinantes, mas... Todas essas emoções. Nossa. E o desperdício de energia. É só… Exaustivo.
– Eu entendo. Sam Winchester... É uma bagunça aqui dentro. E o irmão—Eu não sei nem por onde começar.
– Eu posso te livrar deles. De todos eles.
– Você pretende ser o novo líder deste Céu, estou correto?
– Uh... É um martírio ao qual sinto que devo aceitar.
– Então Metatron, isso não faria de você Deus?
– Oh-ho-ho. Semântica. Eu não sei se usaria ESSE nome… Necessariamente. Não. Quando chegar a hora, nós me chamaremos de... “X”.
– “X”?
Metatron sorri, batendo de leve no ombro do anjo.
– Você e eu... Nós podemos ter o paraíso de novo Gadreel.
(…)
Rezar para os anjos não foi a melhor das suas ideias, Castiel consegue admitir isso a realidade, no entanto ele estava com poucas opções. Eles precisavam de informações, saber que inimigo enfrentavam.
Sua sorte foi grande ao se encontrar com alguém como Muriel que não acreditava nas facções. Ela chegou a se convencer de que Castiel fora apenas usado por Metatron, e que o escriba de Deus era o real inimigo. Entretanto eles não tiveram tempo de reagir a nada.
Os homens de Malachi, o líder anarquista da segunda facção que acredita que cada anjo é dono de seu destino os encontrou, levando os dois até o seu esconderijo.
Os lados assim estavam divididos: Metatron, desaparecido, mas um inimigo em potencial, Malachi e os anjos rebeldes que querem a liberdade do Céu, e Bartholomew que deseja reverter o feitiço feito por Metatron.
Era tudo o que Castiel precisava saber e mais. Porém ele não tinha como contatar Dean.
Ele tão pouco tinha condições de salvar a si mesmo. A culpa maior o corroendo nesse instante, na verdade, nem era em torno desses problemas, mas sim da sua ingenuidade.
Malachi, o anarquista que queria manter os anjos na Terra e um de seus seguidores, Theo, estava com ele numa espécie de sala usada para torturas, querendo saber do seu envolvimento com Metraton. Quanto mais que Castiel dissesse a ele que não sabia sobre seu paradeiro, mais Malachi acreditava no contrário. Tanto, que ele acabou assassinando Muriel, apenas por ela estar ali.
– Anjos matando anjos. Foi nisso que nos tornamos? – Castiel pergunta, tendo de cuspir as palavras, uma vez que ele já havia sido esmurrado por Malachi, e sua boca estava inchada e com cortes.
– Estou apenas seguindo seu exemplo, Castiel. – Malachi responde – Quantos você matou no Céu? Quanto mais na queda?
Castiel franze o cenho, encarando Malachi em desconhecimento das palavras dele. O anjo sorri sarcástico.
– Oh, você não sabia? Dezenas de anjos morreram quando caíram; Azrael, Sophia, Ezekiel!
No último nome bradado por Malachi, Castiel arregalou os olhos sem nada entender. “Mas Dean falou que Ezekiel...” Ele pensa, enquanto Malachi continua seu discurso:
– Se bem que “morreram” nem descreve como realmente foi. Devastação. Asas quebradas, uma agonia sem tamanho em suas mãos. Então eu acho que você deve entregar qualquer informação que tenha.
Há uma pausa em suas palavras, porém Castiel continua calado, apenas o encarando.
– Muito bem. – Malachi fala, batendo uma mão sobre o ombro de Theo – Eu vou te deixar nas mãos do artista. E eu não me importo com o que sobre.
Malachi deixa o improvisado calabouço, enquanto Castiel apenas respira fundo, deixando que imagens de Dean preencham sua mente, pois ele conhece o funcionamento dos anjos, e não há como pedir por misericórdia. Castiel não possuiu nenhuma informação sobre o paradeiro de Metatron – a verdade, é que ele mesmo gostaria de saber onde o maldito anjo estava, entretanto, argumentar com Theo era em vão. Nenhum deles acreditava na sua inocência quanto a queda dos anjos. Bem, talvez Muriel acreditasse, mas ela também fora inclusa na lista de dispensáveis...
Então tudo o que Castiel faz é encarar Theo com olhos cansados enquanto pensa no conforto dos braços de Dean:
– Dê-me uma morte rápida.
Castiel fala quando Theo apanha uma ferramenta de tortura da mesa. No entanto, a dor não chega.
– Eu preciso falar com Metatron. Todos sabem que você tem influência.
Atônito, Castiel reabre as pálpebras frente as palavras de Theo, descrente de que ele havia realmente dito aquilo.
– Ele vai te escutar. – Theo continua mirando o cenho franzido de Castiel, soando desesperado – Peça a ele para me erguer ao Céu. Você pode fazer isso Castiel. Eu serei um soldado para Metatron, farei o que ele quiser.
– Você... Serve a Malachi. – Castiel rebate, ainda confuso.
– Eu pensei que ele era a resposta, mas ele é louco.
– Você... Só percebeu agora? – indaga irônico — Você estava mais do que complacente à fazer o trabalho sujo dele.
– Fiz o que tive de fazer.
– Quando você tinha certeza de que ele derrotaria Bartholomew.
– Mas ninguém irá sobreviver a essa guerra.
– Então, você prefere sentar no Céu?
– Posso falar com ele sobre restaurar sua graça.
Castiel começa a calcular todos os arranjos daquela conversa. Ele não tem influência alguma sobre Metatron, fato. Mas Theo, e todos os anjos acreditam nisso...
– Bem, é, uh, é verdade. Metatron e eu temos uma relação de trabalho.
Arriscando todas as cartas que possuiu Castiel escolhe adentrar na astúcia que os humanos possuem para se salvar das piores situações: a mentira. E ele sabe que conseguiu quando Theo sorri a ele:
– Eu sabia! – exclama o anjo em contentamento.
– Você é esperto, Theo. – prossegue Castiel com a encenação.
– Vocês são aliados.
– E Metatron poderia suar um soldado habilidoso como você. – Castiel para, olhando para o chão e parecendo repensar na sua fala – Oh, mas eu não sei...
– E-eu sei trabalhar em equipe, Castiel!
– Certo, e?
Sacudindo de leve seus braços, Castiel faz as correntes que o prendem tintilar. Theo abre um novo sorriso, buscando a chave a soltando os pulsos de Castiel delas, que começa a massagear as áreas maculadas pelo metal.
– Eu-Eu vou precisar de um momento para fazer contato.
Castiel diz, procurando em sua mente por forças, querendo ganhar tempo. No fundo, ele sabia o que devia fazer, ainda que estivesse incerto, odiando-se um pouco por ter chegado a apenas uma solução para seu problema. Mas acima de tudo ele esperava que Dean entendesse.
– Você tem algo de que preciso. – o moreno fala.
– Qualquer coisa.
Theo responde em completa crença, sem notar que as mãos ágeis de Castiel buscaram por uma afiada lâmina na mesa com os materiais de tortura. Sem esperar um segundo à mais, Castiel gira seu braço para o lado, segurando firmemente no cabo da faca, cortando o pescoço de Theo.
O anjo fica absorto, entreabrindo aos lábios ao ver que Castiel segura abaixo de sua recém-aberta ferida, por onde uma luz azulada e intensa – sua graça – escorre, voando como um filete de água até a boca de Castiel, que engole cada pedaço da energia.
Murmurando, a graça preenche Castiel. Seus olhos tornam-se azuis cintilantes, e Theo apenas fita o agora novamente anjo, sentindo suas forças acabarem aos poucos.
Castiel retorna o olhar de Theo, pondo uma palma sobre a testa dele e deixando que a energia pura da roubada graça resplandeça por sua mão. Theo grita e cai ao chão com os olhos em chamas.
(…)
No Bunker, enquanto nada de novo aparece sobre anjos ou qualquer coisa do tipo, Dean anda de um lado à outro, indo até a cozinha onde está Kevin terminando de fazer um sanduíche.
– Ei, você viu o Sam? – Dean indaga, sabendo que não tinha visto seu irmão o dia todo.
– Ele saiu.
– ‘Pra onde?
– Eu não sei. — Kevin responde, dando de ombros — Reparou que ele tem feito isso bastante?
Um tanto quanto pensativo, Dean balança a cabeça, ouvindo o seu telefone tocar antes que possa acrescentar algo á conversa. Kevin morde seu sanduíche se afastando, deixando Dean sozinho.
– Sim? – ele pergunta, uma vez que não reconhece o número na tela.
– Dean, eu não tenho muito tempo, então me escute.
A voz rouca de Castiel estoura do aparelho e Dean sente seu peito apertado tamanha era o alívio em ouvir o moreno após tanto tempo, porém as palavras dele pareciam... Apressadas, como se estivesse perturbado com algo.
– Cas? O que aconteceu? Onde você está?
Sem saber qual das perguntas responder primeiro, Castiel suspira olhando a cidade quase deserta à sua volta, segurando firme no telefone público da onde fazia a ligação.
– Não sei ao certo Dean. – replica ele — Mas só... Me escute, é importante. O líder da facção oposta aos planos de Bartholomew é um anjo chamado Malachi.
Castiel havia ficado para trás a fim de coletar pistas sobre o paradeiro dos anjos, sobre o que diabos estava acontecendo, porém Dean não esperava ter notícias tão depressa. Engolindo seco ele pergunta, por fim, já inseguro da resposta que terá de Castiel:
– Como você sabe disso?
Do outro lado da linha o moreno parece relutar um pouco, mas finalmente diz:
– Ele me capturou. Fui torturado, mas eu escapei.
– Você está bem?!
É a primeira frase que Dean formula, segurando com as duas mãos seu telefone. Sabia que não devia ter deixado Castiel sozinho! A única coisa o impedindo de sair dali correndo era ter a voz do moreno contra o seu ouvido. Ainda assim os olhos verdes se abrem frente ao espanto e a sinceridade bruta de Castiel. Enquanto ele se mantém angustiado, Cas não consegue evitar sorrir com a preocupação do caçador, tornando a falar em seguida:
– Eu estou bem Dean… Eu consegui minha graça de volta. Bem, não a minha exatamente, mas irá servir.
Tantas informações em tão pouco tempo deixaram o cérebro de Dean trabalhando numa velocidade sem igual. Ele precisa se recostar na bancada da cozinha para continuar aquela conversa.
Castiel tinha sua graça de volta.... Aquilo era verdade? Estava mesmo acontecendo? Se sim, o que isso significaria? Em primeiro lugar que eles tinham de volta um anjo completo lutando do lado deles com poderes extraordinários, capazes de pôr um fim aos planos de Metatron.
Entretanto, Dean só conseguia debater em sua mente sobre a segunda implicação: o que isso significava à eles?
Mordendo o lábio inferior ele se retém em fazer alguma indagação sobre isso e deixar-se levar pelo furor do momento, atendo-se apenas ao necessário:
– Como conseguiu isso, Cas?
– Eu... Fiz o que tive de fazer. Me tornei o que eles se tornaram. Um bárbaro.
Estático, o loiro piscou algumas vezes antes de conseguir pôr as ideias no lugar.
– Do que você está-Onde você está, Cas?
– É melhor que eu fique afastado por um tempo Dean, um dia ao menos. Os anjos vão me procurar ainda mais agora. Mas eu ficarei bem.
Demora algum tempo antes de Dean conseguir o contestar, pois o peso daquela informação bate no meio do seu peito feito um tiro o atravessando, um medo sem igual escalando pela sua espinha. Ainda assim ele se mantém firme, deixando o lado de caçador aflorar por todos os cantos de seu corpo.
– Certo... Certo. Mas, Cas... Você vai voltar, não é? Para o Bunker?
Ele tenta, mas é incapaz de não saber disso, de ao menos saber que Castiel.... Que ele irá voltar de alguma forma. O agora anjo outra vez deixa a voz suavizar dessa vez, perdendo parte da dureza fria e calculista que sua essência angelical o proporciona:
– No tempo certo, Dean.
– E você ‘tá bem com isso?
– Se formos para a guerra, eu preciso estar pronto.
Dean fica em silêncio, incerto de como lidar com essa informação.
– Cas...
– Dean, há mais.
Bufando, o caçador esfrega uma mão sobre o rosto, não sabendo ao certo como manejar todas as preocupações que surgem na sua cabeça.
– O que é? – ele pergunta.
– Você disse que Sam foi curado por um anjo chamado Ezekiel?
– Uh, é, porque?
– Ezekiel está morto.
– O que?!
– Ele morreu quando os anjos caíram, Dean.
Piscando os globos, Dean mal podia acreditar no que Cas lhe contava. Se fosse verdade, se um anjo chamado Ezekiel havia morrido há muito, então alguma outra coisa apossou-se de Sam. E Dean trincou os dentes, tentando não aparentar sua surpresa na frente do irmão.
Ele encarou Sam do outro lado da sala, culpando-se por todos os problemas em que havia metido seu irmão. E agora essa! Uma coisa era certa: tinha de expulsar aquele filho da mão de dentro dele.
Ainda assim, no fim das contas, os planos de Dean foram inúteis. O desastre tomou rumos catastróficos.
(…)
Algumas horas atrás, próximo ao Bunker.
Debaixo de uma ponte, Gadrel e Metatron tinham mais um de seus encontros. Após tanto debater nesses últimos dias, Gadrel finalmente tinha uma resposta ao mensageiro do Senhor:
– Eu estive pensando, Metatron. – ele diz – Irei me juntar á você como segundo em comando.
Parecendo aliviado e contente, Metatron sorri, batendo as duas mãos na lateral de seu corpo:
– Bravo Gadrel! Isso irá apagar a marca que te assombra por séculos. O Céu será restaurado, assim como sua reputação como um de seus grandes heróis.
– Eu agradeço por essa oportunidade.
– Só há mais uma coisa.
– Sim.
– Preciso ter certeza da sua fidelidade.
– Você a tem.
– Não, eu quero dizer REALMENTE, certo. Nós temos inimigos que são uma ameaça iminente aos nossos esforços. Eles precisam ser neutralizados.
– Mortos?
– Pode-se dizer que sim.
– Esse... Esse não é quem eu sou.
Metatron puxa um cartão amarelo de seu bolso e diz sarcasticamente:
– É... Aqui está o primeiro nome da sua lista de afazeres.
Escorregando cartão de seus dedos para os de Gafreel, o anjo lê o nome, e suspira, voltando a encarar o escriba de Deus.
– Decida. – Metatron fala.
Frente às palavras de Metatron, Gadrel tenciona a mandíbula desse corpo emprestado, segurando o papel com o nome entre os dedos e o encarando por algum tempo antes de dar meia volta e se dirigir ao esconderijo dos Winchesters.
Tudo ainda lhe parece confuso e complicado. O plano de Metatron parece falho... Mas quem é ele para questioná-lo? Sua própria existência era algo que só trazia desgosto para seus irmãos; depois do que ele fizera; depois do que ele permitiu acontecer no paraíso... Então se com estas ordens de Metatron ele pudesse se redimir ao concertar o Céu... Então ele iria fazê-lo.
Ele iria matar o profeta Kevin Tran.
(...)
Na sala de estudos do Bunker, Kevin estava dormindo sobre alguns livros ao constatar pela vigésima vez que o feitiço lançado por Metatron era irreversível, e as portas do Céu não poderiam ser abertas de novo. Ele descansava minimamente após horas de estudo quando sente seu ombro sendo sacudido por Dean.
– O que?... – ele pergunta sem abrir os olhos.
– Preciso de um feitiço, agora. – Dean fala de uma só vez, soando desesperado.
Ao se sentar, espreguiçando-se, Kevin encara o caçador.
– Todo mundo precisa de um feitiço, e sempre é ‘agora’.
Dean quase bufa, mas se detém começando a falar sem pausas:
– Okay, escuta. Um anjo não pode ser expulso por outro humano. Apenas pelo hospedeiro, certo? Mas, e se tivesse uma maneira de enfraquecer o anjo, para que ele não ficasse no comando por alguns segundos?
– O que?
– Por exemplo, hipoteticamente, se eu quisesse falar com o receptáculo, mas não ter um ouvinte indesejado.
Kevin enruga a testa.
– Porque?
O caçador quase revira os olhos, mas consegue encontrar uma desculpa qualquer para ludibriar o profeta... parecia ser a única coisa que fazia ultimamente.
– Porque? – Dean repete — Kevin, nós temos toneladas de pessoas possuídas por aí. Me entende? E quando os anjos matam uns aos outros, os humanos estão sendo as baixas. Então se eu quiser dar uma pista ao humano lá dentro para ele, ou ela, cuspir o anjo para fora? Isso seria uma coisa boa, certo?
Kevin dá de ombros, achando a lógica do caçador certa, porém estranha:
– Uh, sim?
– Okay, então avante com a Tábua! Vamos!
– Agora?
– ‘Pra ontem, cinderela!
Dessa vez quem fica sem paciência é Kevin, girando na cadeira e voltando a estudar à Tábua. Realmente, a ideia de Dean parecia sensata, contudo quando se tratava de um assunto relacionado aos Winchesters nunca era tão simples assim.
De qualquer forma ele fez o que lhe fora pedido, e após algumas horas, Kevin volta à Dean com alguns desenhos e inscrições que ele pensa que podem funcionar – símbolos em enoquiano.
– Certo, então essa obra de arte que pintamos; vai funcionar, certo? – Dean pergunta.
– Os símbolos devem momentaneamente amarrar o anjo possessor. Se a informação for correta.
– Espera, o que?
– Eu só tive tempo de decifrar poucas coisas da Tábua. O resto veio de um livro velho dos Homens das Letras. Enfim, assim que seu sangue tocar o símbolo ele ativa, e o feitiço começa.
Dean parece compenetrado olhando para o papel em mãos e, antes que ele decida pôr em prática essa ideia – pois é obvio que é isso o que Dean deseja, Kevin pergunta:
– Dean, o que está acontecendo?
– Eu te disse. – desconversa.
– Você me disse hipoteticamente. – Kevin suspira, pondo as mãos na cintura — Dean, nós acabamos de pintas os símbolos no depósito. Que droga é essa?
Engolindo seco, o caçador põe uma mão sobre o ombro do garoto, gesticulando com a outra no ar enquanto o encara seriamente.
– Você vai ter de confiar em mim, okay, confiar que o que eu te disse é tudo o que posso contar por agora.
– Eu sempre confio em você. – responde o garoto.
Dean meneia a cabeça, sentindo-se vitorioso.
– E sempre acabo me ferrando.
Ao completar sua frase e sair da sala de estudos, Dean parece um tanto quanto ofendido pelo comentário final dele, dizendo em seguida:
– Ah, qual é. Nem sempre.
(…)
São horas mais tarde, próximo do início da madrugada, que Sam retorna ao Bunker, trazendo consigo um engradado de cerveja. Dean entra na cozinha onde ele colocava as garrafas na geladeira.
– Ei, por onde esteve? – Dean pergunta num tom casual.
– Ei. Comprar cerveja. – responde o caçula.
– Longa compra de cerveja. – comenta, vendo Sam sorrir – Podemos conversar?
– Uh, sim, claro. – ele dá de ombros, deixando a cerveja de lado.
Dean convence Sam a segui-lo até o depósito sem proferir uma única palavra, onde fecha a porta e para ao lado de uma parede.
– Isso parece sério. –Sam fala brincando, olhando a sua volta com um ar desconfiado.
Enquanto ele analisa as prateleiras e caixas empoeiradas do lugar, Dean puxa uma faca discretamente de seu bolso, cortando sua palma e a batendo com força na porta. Uma intensa luz emana do símbolo antes desenhado ali, e Sam se vira em dúvida, com o cenho franzido e assustado:
– O que está havendo?! O que está fazendo? – pergunta ele em confusão.
– Tenho que te contar uma coisa. Vai te deixar puto. – Dean responde, já antecipando a provável briga que terão.
Balançando a cabeça, Sam espera alguns segundos, até concordar:
– Okay.
Calculando por onde devia iniciar toda a história que vem se desenrolando há semanas – meses – até que desiste de tentar encontrar desculpas: hora da verdade.
– Aqueles testes que você fez te deixaram mal.
– Sim, eu sei disso Dea—
– Não sabe não. – Dean o interrompe apressadamente – Quero dizer, te deixaram mal quase morto. Sem mais aniversários, de volta ao pó. Bem, isso me deixou mal, então eu tive de fazer algo, okay, uma coisa intensa sem falar com você antes, porque você estava em coma.
– Espera, o que? – Sam franze o cenho, atônito — Quando?
– Você ‘tava no hospital, okay? E eles disseram que você ia morrer.
Aquilo não parecia nada bem aos olhos de Sam.
– O que você fez?
Dean pausa por alguns instantes, deixando o peso da confissão atingir seu peito, até chegar à boca.
– Eu deixei um anjo entrar.
– Entrar no que?
– Em você. Ele disse que podia te curar de dentro ‘pra fora, e ele está.
Balançando as mãos no ar, Sam se deixa abater pela notícia como se fosse um soco acertando seu estômago, precisando respirar fundo:
– Ele ainda está em mim? Espera. – Sam ri – Isso é impossível, Dean. Não pode ser. Eu nunca o convidei ‘pra dentro.
– Eu te enganei para dizer “sim”. Parecia ser o único jeito.
Ao admitir aquilo, Dean sabia que havia acabado de jogar fora toda a confiança da qual havia reconstruído com seu irmão. Mas eles iam dar um jeito; sempre davam... Enquanto ele se perde nesses pensamentos, Sam suspira.
– Então... De novo você achou que eu não podia aguentar algo, e tomou as rédeas! – explode o caçula, mudando o temperamento indignado para um de frustração.
– Não, eu fiz o que tinha de fazer! Você nunca teria concordado com isso, e você teria morrido.
– Bem, talvez eu tivesse gostado da escolha, ao menos.
– Podemos fazer isso depois. Você pode chutar minha bunda o quanto quiser. Agora, nós temos problemas maiores.
– Maiores?
– O anjo mentiu ‘pra mim, okay? Ele—Ele não é quem disse que era. Disse que seu nome era Ezekiel. Cara legal, de acordo com Cas, mas não é o Ezekiel.
– Quem é ele? – pergunta Sam, já furioso.
– Eu não sei. Aparentemente, Ezekiel está morto. Quem quer que seja esse cara pode acabar com você num segundo se quiser, então, você tem de chutar ele.
Há uma pausa entre os dois.
– Você ‘tá ouvindo o que eu estou dizendo? Eu acho que você ‘tá bem o bastante agora, mas você tem de expulsar o anjo. Sam? Sam—
Passando por Dean ao andar pelo local, Sam parece pensativo. Dean põe uma mão sobre seu ombro e o vira:
– Ei!
Girando nos calcanhares, ele dá um potente soco em Dean. O caçador vai ao chão sentindo-se tonto, enquanto Sam sai dali, em fúria.
Os passos dele os levam direto até a sala de estudo, onde o profeta Kevin estava. O garoto se levanta com um sorriso torto nos lábios.
– Ei Sam.
Sam para no lugar numa postura rígida, e Kevin continua a falar com um tom pensativo:
– Já notou que o Dean anda meio distraído esses dias? Entre você e eu, eu estou um pouco preocupado com ele.
Gadreel, então, toma a voz de Sam, respondendo ao profeta:
– Não se preocupe com Dean. Dean ficará bem.
Olhando para o garoto por alguns segundos, o anjo pausa e enfim, põe a palma de sua mão sobre a testa dele, agarrando sua cabeça.
No mesmo instante, Dean circula o corredor e chega à tempo de ouvir os gritos de Kevin; o brilho profundo da luz angelical explodindo da mão de Gadreel enquanto os olhos do profeta são queimados, deixando para trás apenas dois fundos buracos negros queimados – apenas a lembrança de Kevin.
– Não!
Dean grita, correndo em dispara até o garoto:
– Não, não, não! Kevin?!
O corpo inerte dele cai no chão, e Dean põe uma mão sobre o peito dele, sentindo o cheiro de queimado e enxergado o menino antes tão energético, sem vida.
– Sam? –Dean balbucia trêmulo, virando-se para encarar o irmão.
Com olhos frios e uma visão calculista ao fitar Dean, Gadreel o responde:
– Não há mais ‘Sam’.
Num grunhindo dolorido, Dean enrosca sua mão ainda mais na blusa de Kevin, tencionando sua mandíbula, incapaz de proferir algo mais.
– Mas creio que o interpretei convincente. Acho.
Comenta o anjo, olhando para baixo e analisando o seu agora novo corpo. Dean apenas gira a cabeça, rangendo os dentes. Ele se ergue num ´pulo, não contendo a raiva dentro de si, porém, antes que possa sequer tocar em Gadreel, o anjo o arremessa contra a parede, constringindo seu corpo com uma força invisível.
Dean grunhe, fechando os olhos e balançando levemente sua cabeça, procurando entender como aquilo aconteceu – como tudo chegou àquele ponto.
– Como você sabia—
– Eu escutei sua conversa com Kevin Tran hoje á noite, horas atrás quando retornei. – Gadreel rebate, o interrompendo — Vocês não notaram minha presença.
Flashes da sua última e derradeira conversa com o garoto veem á mente de Dean e ele só consegue se amaldiçoar ainda mais. As coisas que ele não disse, verdade das quais poderia ter avisado à Kevin e, quem sabe, o deixado alerta sobre o perigo dormente em Sam... Tudo em vão, as mentiras, o medo de contar à verdade a ele, ou mesmo a Castiel.
E Kevin agora estava morto...
– Alterar um símbolo.... Mesmo que um pouco.... Altera o feitiço.
Gadreel comenta, mostrando a ponta de seus dedos sujas com a tinta usada por Dean e Kevin para pintar o feitiço nas paredes do depósito. O caçador estala a língua, punindo-se internamente por não ter percebido nada daquilo antes.
– Desculpe-me por Kevin, mas no final das contas, será para o melhor. Eu fiz o que devia fazer.
Gadreel fala, por fim, apanhando um pedaço de papel amarelo de seu bolso, o depositando sobre o peito de Kevin. Uma última vez ele encara Dean. Depois, para o garoto, permitindo que seus olhos tremam com uma pequena incerteza, antes de retomar seu caminho até a saída. Sua escolha havia sido feita.
Ao subir as escadas do Bunker e deixá-lo, por fim, Dean é solto da pressão invisível, caindo abruptamente no chão. No entanto, ao invés de correr atrás de Gadreel, ao invés de movimentar suas pernas o míni possível, ele permanece estático, encarando o piso de madeira debaixo de suas mãos.
Os orbes verdes ousam erguer-se até a figura sólida de Kevin, deparando-se com o vácuo enegrecido das antes órbitas de seus olhos. Seus lábios tremem ao repetir numa esperança nula o nome do profeta:
– Kevin? Kevin?...
Uma única lágrima escorre dos olhos de Dean, e tudo o que ele pode fazer é baixar sua cabeça em meio à dor e sofrimento; em meio à sua própria ignorância e estupidez... Em meio à mais uma morte em sua vida.
Continua
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