Não me deixe ir
25 Capítulo 25 - Experiências passadas
Notas iniciais
Não me deixe ir
25 – Experiências passadas
Louis já havia se acalmado por completo, disso Sam estava certo, pois o garoto tinha parado de tremer. Ainda assim ele se via com dificuldades em se soltar dele, em acabar com aquele beijo que o fazia entranhar as mãos no cabelo negro de Louis e o puxar para mais perto enquanto a outra palma apertava a cintura fina dele.
Ao mesmo tempo Louis enroscava os braços ao redor do pescoço de Sam querendo trazer seu enorme corpo para baixo, o que fazia o tronco dele se envergar à frente, envolvendo por completo o físico franzino do garoto.
A língua de Sam procurou mais uma vez pela de Louis antes de se soltar dele, arfando ainda perto do rosto do menor. Ele lambia os lábios os sentindo inchados, vendo a boca de Louis vermelha e brilhante com a saliva dos dois misturados sobre ela. O pensamento fez Sam grunhir pequeno, antes de se afastar dele.
– Melhor... – ele fala numa voz fraca, tossindo para recuperar o fôlego – Melhor nos acalmarmos... E você ainda tem de comer alguma coisa.
–... Okay.
É tudo o que Louis responde, mostrando um meio sorriso a Sam. Os dois vão à cozinha em um silêncio tranquilo e uma vez lá Sam começa a pensar no que terão para a janta, já que passa das sete da noite. Talvez algo rápido como sanduíches seria o suficiente.
– Quer ajuda? – Louis pergunta ao vê-lo apanhando geleias e condimentos da geladeira.
– Pode fazer um café? A máquina fica no balcão.
Meneando que sim, Louis pula da cadeira e começa a ser guiado por Sam em busca dos materiais pelos armários e prateleiras, ligando a máquina pouco tempo depois. Enquanto a água ferve o garoto fica observando o pequeno vapor subindo dela, com o olhar perdido em algum ponto de suas lembranças.
– Ei Sam... – ele chama o caçador que termina de fatiar alguns pedaços de presunto.
– Sim?
– O quão difícil você acha que vai ser encontrar meu pai?
A faca que Sam usa para na tábua de madeira enquanto ele aperta os lábios um no outro para baixo, sem muito que expor ao garoto:
– É difícil dizer, Louis. Mas nós estamos indo o mais depressa que podemos. Vamos o encontrar antes que algo aconteça, eu prometo.
– Eu sei... Obrigado, de novo. Eu só... – respirando fundo, Louis se vira ficando de costas à cafeteira e de frente a Sam no outro lado do balcão – Eu só acho que tudo isso é um enorme pesadelo... Digo, a minha vida inteira. Daí quando eu finalmente acho que acordei dele, sou puxado de volta.
–... Eu te entendo, Louis. Viver uma vida rodeada pelo sobrenatural... Uma vez que ela te toca é quase impossível de escapar.
Louis baixa a cabeça concordando lentamente com Sam. O caçador, então, rodeia a mesa ficando próximo de Louis, e sentindo-se menos receoso, passa a mão de leve sobre o maxilar dele, fazendo o garoto erguer os olhos a ele.
– Mas eu também já conheci muitas pessoas nesses anos todos que conseguiram se livrar dessa... Mácula. Você também vai conseguir.
O garoto sorri, pondo a mão na cintura de Sam.
– Um dia você também espera sair dessa vida? Ter... Uma casa e alguém para viver com você?
As memórias de Sam o levam de volta aqueles meses com Amélia. Ele tinha tudo naquele tempo. Uma vida calma, o dia a dia de um trabalho comum. Deus, eles até mesmo tinham um cachorro! E por alguma estranha razão, Louis trazia consigo essa mesma calmaria daquele tempo, uma época em que tudo parecia simples. Tencionando o maxilar, Sam abaixa sua mão e volta ao trabalho de cortar o presunto.
– Não acredito muito nisso, Louis, para ser sincero. Além do mais, eu e Dean ajudamos as pessoas, e isso é algo bom demais para simplesmente ignorar.
Concordando, Louis termina de preparar o café e o despeja em duas canecas entregando uma a Sam que já tem os sanduiches prontos. O garoto toma a sua bebida em pequenos goles, pensando nas palavras de Sam.
– Realmente... – ele diz após um longo tempo – Você e Dean fazem a diferença. Uma família como a minha, bem, acho que é o tipo de ‘mácula’ da qual você quer se livrar.
– Louis... – Sam deixa sua caneca no balcão ao notar o timbre tristonho na voz do garoto, se aproximando dele – Você não tem nada a ver com a sua família.
– Ainda não muda o que eu fiz.
– O que muda, — Sam põe a mão de volta no rosto de Louis – é que você está disposto a não ser como eles.
– Sam...
– Você é uma boa pessoa. Nunca duvide disso.
Sorrindo, Louis coloca os braços ao redor do pescoço de Sam e acerca seu corpo do dele, deitando a cabeça sobre o peito dele. Sam engole seco, mas logo relaxa, retornando o abraço.
– Obrigado por acreditar em mim.
Sam sorri, apertando o garoto em seus braços, até que Louis arrasta o queixo para cima até ficar com a visão alinhada a de Sam. O maior desce os lábios até os de Louis, o beijando outra vez.
Se há uma coisa que Sam não pode negar é que essa não é a primeira vez que seu trabalho envolve alguma atividade “extra”, e a atração que ele sente por Louis é algo que o deixa mais leve ao mesmo tempo que o assusta um pouco, afinal, faz muito tempo desde a última vez que ele se envolveu intimamente com alguém.
No entanto essas dúvidas são esquecidas uma vez que Sam tem uma boca molhada e firme pressionada contra a sua, sugando sua língua com uma destreza que o deixa sem chão, sem ar, sem qualquer pensamento coerente que não seja a deliciosa sensação da boca de Louis.
(...)
Castiel usava a calça de seu pijama, mas a blusa escura com o símbolo do Metallica era com certeza de Dean. Ele ia à cozinha em busca dum copo d’água, porém seus pés param na porta ao ver Louis dando um... Beijo em Sam.
Ele, obviamente fica confuso, abrindo a boca e piscando sem parar antes de dar meia volta e sair dali. Uma coisa que ele aprendeu convivendo entre humanos é que eles não gostam de ser pegos de surpresa num momento desses.
Mas claro Sam e seus ouvidos treinados não podiam deixar de notar a presença do ex-anjo, arregalando os olhos e dando um passo para trás ao endireitar o corpo.
– Cas! – Sam exclama e o moreno apenas o olha por cima de seu ombro, girando o corpo devagar para encarar a ele e Louis; que parece igualmente encabulado com a situação.
– Eu posso voltar depois. – ele fala já andando para fora da cozinha.
– Que?! N-não, está tudo bem, só, uh... Louis, você pode nos dar licença um minuto?
– Ah, claro! Er... Bom te ver, Castiel.
– Igualmente Louis.
O garoto sorri amarelo ao ex-anjo, passando direto por ele e indo para fora da cozinha, deixando Sam e Castiel sozinhos.
Sam tem um pequeno discurso em mente já pronto, no entanto, antes que ele possa abrir a boca, Castiel começa a falar sem freios:
– Sam você já havia me avisado sobre isso.
– Uh, sobre?... – indaga confuso.
– Este trabalho é visivelmente estressante, ainda mais com a recorrência dos problemas com o pai de Louis.
– Bom, sim...
– Sendo assim é normal que ele se sinta assustado.
– ...Certo Cas, eu sei disso.
– E ele tende a demonstrar esse afeto de maneiras físicas.
– É eu-ei, espera, o que?
Sam franze o cenho balançando a cabeça começando a ficar ainda mais absorto com o teor daquela conversa.
– Louis sente-se ligado ás pessoas que o ajudam, normal visto que ele não teve esse afeto de sua família.
– Cas, cara eu realmente ainda não entendi do que você está falando.
Inclinando a cabeça um pouco para o lado o moreno aperta os olhos encarando Sam.
– Falo do beijo que Louis lhe deu.
Os olhos de Sam se arregalam na mesma hora, com suas bochechas ficando inevitavelmente vermelhas. Engolindo seco ele olha por cima de seu ombro para ter certeza de que Dean não está por perto ouvindo essa conversa.
– Cas, você... Você viu? — Sam pergunta encabulado, coçando a nuca.
– Como eu disse, eu entendo as razões de Louis ao ter se afeiçoado a você assim como ele o fez comigo.
Certo, aquela com certeza era uma conversa estranha, Sam pensou.
– Ei, Cas, uh... Eu me lembro do que disse a você, mas isso... – Sam aponta para Louis que está distraído com um livro a uma boa distância deles – É diferente...
– Em qual sentido?
– Uh...
Sam não sabia o que responder, porque de fato, em qual nível o que ele e Louis, bem, tinham estava? O que Cas diz não deixa de ser verdade. Os dois se aproximaram por conta do caso em que Sam trabalhava, ficaram amigos, e então... Então tanta coisa aconteceu. As mensagens que eles trocavam eram tão tolas ao mesmo tempo em que carregavam muito mais.
Sam verdadeiramente se preocupava com o bem estar de Louis, porém acima disso ele também havia se afeiçoado pelo garoto – Sam gostava dele, e fazia muito tempo desde que ele se sentira assim por alguém...
– É complicado, Cas. – ele fala após suspirar – Mas eu posso te garantir que não é só algo envolvendo esse caso.
– Certo. Eu apenas queria demonstrar minha preocupação.
Sam tem de rir das palavras dele, porque com Cas humano quem tinha de se preocupar com ele eram Dean e Sam, não o contrário. Esse dia estava ficando cada vez mais louco.
– Obrigado Cas, mas eu estou bem, de verdade.
Passando a mão por seu rosto para espantar a vergonha instalando-se nele, Sam pensa em quantos mais problemas ele pode se meter na próxima hora.
(...)
Ao chegar na sala de estar, Castiel se depara com Louis sentado na mesa balançando as pernas no ar. Ao ver o ex-a njo ele salta ao chão andando devagar até ele.
– Está tudo bem? – Louis indaga um pouco receoso.
– Sim, apenas esclarecendo algumas coisas com Sam.
– ... Certo.
Notando a ainda inquietude dele, Castiel se achega do garoto mostrando uma expressão preocupada:
– Como você está Louis?
– Ah, eu... Melhor, eu acho. Menos nervoso.
– Fico feliz.
E realmente Castiel estava, pois Louis foi uma das poucas pessoas que ele conseguiu ajudar nessa sua nova forma humana. Pensar nisso deixava o moreno um tanto quanto satisfeito, saber que havia feito uma diferença. Deveria ser assim que Dean e Sam sentiam-se ao fim do dia, e o ex-anjo devia admitir que era algo bom.
– Castiel obrigado. Você é muito legal. – Louis diz quando o ambiente entre eles se torna mais brando.
– Não há de que Louis.
Sorrindo, o garoto põe uma mão sobre o ombro de Cas e o aperta gentilmente. O moreno sorri a ele.
– Fico feliz que esteja bem, depois de tudo o que aconteceu. – Louis comenta, pondo as mãos no bolso.
– Sim eu... Eu estou bem.
Castiel não pode evitar as imagens de Dean que vem a sua mente na mesma hora em que pensa nos dias que tem passado no Bunker ao lado do caçador. Parece ainda uma espécie de sonho, ou um daqueles inúmeros universos paralelos; o fato de que ele está ao lado de Dean e que os dois estão... Juntos. O meio sorriso em seu rosto aparece quase que automaticamente, sem passar despercebido por Louis.
– Hm, ver você tão feliz com o Dean me deixa um pouco sem graça. — Louis comenta e Castiel franze o cenho a ele.
– Por qual razão?
Louis dá de ombros, virando o rosto para encarar o chão. Cas está tão compenetrado nele que não percebe Dean retornando da cozinha com uma cerveja na mão.
– Ah, bem, por tudo o que aconteceu semanas atrás quando estávamos tentando resolver os problemas com a minha família e eu, bom, fui meio grudento com você.
Louis arqueia as sobrancelhas e balança a cabeça dum lado a outro. Demora alguns segundos para Castiel compreender do que ele estava falando.
– Oh, está se referindo ao beijo? – Castiel comenta vendo Louis coçar o rosto um pouco encabulado.
– Que beijo?
A voz de Dean surge ao lado do garoto e ele quase pula no lugar afastando-se um pouco do caçador. Ele está bebericando uma cerveja e usando roupas surradas – as mesmas que ele usava no quarto, antes, com Castiel — enquanto olha para ele e Cas esperando por uma resposta.
– Nada! – Louis diz no ato tentando disfarçar, contudo, suas intenções são destruídas e completamente frustradas pela falta de tato do ex-anjo.
– O beijo que Louis me deu.
O garoto vira os olhos arregalados para Castiel, deixando a boca entreaberta e pensando porque ele teve de falar aquilo, porém sua atenção é transferida para Dean, pois ao mesmo tempo ele engasga um pouco com a cerveja, secando a boca com a parte de trás de mão. O pior é que Cas continua parado com a mesma expressão tola de antes, como se nada tivesse acontecido.
– Você beijou o Cas, moleque?! – Dean pergunta piscando os olhos algumas vezes.
– F-foi antes, na cidade! Durante o caso com a minha mãe, e foi só um beijo, eu juro!
Louis começa a tagarelar com as mãos erguidas no ar num gesto de defesa enquanto Dean o encara incrédulo, voltando-se para Cas num milésimo de segundo.
– O filhote de ocultista te beijou? – pergunta num tom ríspido.
– Sim.
Dean o encara ainda mais com a cerveja parada em sua mão, algo difuso passando por seu olhar numa velocidade absurda de sensações, tal que Castiel mal consegue acompanhar o que se passa com Dean, continuando a encará-lo inocentemente.
– Ótimo.
O caçador fala num tom sarcástico, dando meia volta na direção da sala conforme bebe sua cerveja. Castiel fica parado vendo as costas de Dean enquanto ele anda; e o moreno fica visivelmente confuso com o que acaba de acontecer.
– Caramba Cas, porque você disse a ele? – Louis pergunta após recuperar o fôlego.
– Porque é a verdade. Não há razão para esconder. – diz o moreno sem culpa.
– Uh, tá, mas... Sei lá. O Dean parecia chateado.
Castiel franze o cenho novamente.
– Com o que?
– Com o fato de que você ter beijado outra pessoa?
– Eu já beijei outras pessoas antes do Dean. – Castiel retruca não entendendo a lógica do garoto.
– Okay, mas... Isso foi antes, né? Agora vocês estão juntos. Ele deve ter ficado com ciúme.
A interrogação na face de Castiel apenas aumenta. Ele abre a boca para dizer algo, mas as palavras lhe faltam, porque tudo isso parece ser um grande mal entendido, se não um absurdo. Dean não sente ciúmes.
(...)
O caçador não pode ficar muito tempo sozinho – como era de se esperar. Castiel chegou ao seu encontro no meio do corredor nem dois minutos depois, o chamando. Dean nada nada responde com suas costas continuavam voltadas à Cas enquanto ele continuava a caminhar ao seu quarto, até que uma mão pousa sobre seu ombro o obrigando a parar.
– Dean, creio que nós precisamos conversar.
– Sobre o que? – rebate num tom ríspido, girando seu braço para longe dele, fazendo Castiel respirar fundo.
– Sobre a conversa com Louis.
Dean dá uma bufada de escárnio, girando o tronco para fita o ex-anjo.
– Não precisamos não.
–Por favor Dean, preciso que você entenda que não lhe disse antes, pois achei ser algo irrelevante.
– Cas, eu não ‘tô nem aí pro que você faz.
– Aparentemente isso não é verdade.
– Aparentemente, você pode me deixar em paz.
Castiel abre e fecha a boca, bufando ao ficar impaciente com a infantilidade dele.
– Dean achei que já tivéssemos passado desse ponto em nossas conversas.
– Bom, eu também achei muitas coisas antes, mas acho que ‘tava errado.
– Dean-
– Eu vou para o meu quarto.
Dando meia volta o caçador deixa Castiel sozinho no corredor, andando rápido e pesado até finalmente estar na segurança de quatro paredes a sua volta para o esconderem de qualquer tipo de discussão. Ele não gosta de falar sobre esse tipo de assunto, não gosta de parecer incomodado com algo tão banal... Contudo é um pouco difícil a ele não ficar pensando coisas absurdas...
O problema não é Louis... O problema é Dean pensar que Castiel é alguém capaz de se relacionar com outras pessoas.
Porque existem tantos outros melhores do que ele, capazes de dar a Cas uma vida normal, dar a ele a felicidade que o ex-anjo merece agora que é humano. Tudo o que Dean possuiu é uma carga pesada de decepções.
Cassie o abandonou, Lisa o deixou, e Cas vai o fazer também assim que ele perceber que pode fazer melhor. Porque eventualmente todas as pessoas na vida de Dean ou morrem ou o deixam... É a sua sina.
Esses dias de irrealidade do Bunker iam acabar mais cedo ou mais tarde. É bom mesmo que ele encerre tudo de uma vez do que ficar adiando o inevitável.
Bufando, ele passa a mão pelo rosto, deitando-se na cama e pondo seus fones de ouvido com Metallica tocando o mais alto possível. Fechando os olhos, Dean deixa sua cabeça vagar sozinha para longe dali.
Já chega de fingir. Chega de pensar que o mundo ficaria confinado as paredes grossas do Bunker. Dean fora desleixando ao se deixar levar por essas pequenas fantasias do dia a dia com Cas. Suas mãos foram feitas para segurar uma arma, seu corpo é treinado para matar, e da sua alma, ah! Disso ele nem se atrevia a falar, pois ela estava manchada até a última faísca do negro mais puro que existe.
Na terceira música estourando em seus ouvidos, Dean não ouviu a porta do quarto de abrindo, tão pouco notou a movimentação ao redor dele, arregalando os olhos apenas quando sentiu o colchão afundando do outro lado da cama.
– Dean.
O caçador encarou o olhar complacente de Castiel, bufando em seguida. Pena era, com certeza, o que menos queria do ex-anjo.
– Não estou com saco ‘pra conversas, Cas. Aliás, pode passar essa mensagem ‘pro Sam e ‘pro filhote de ocultista também. – falou ajeitando os fones de volta na cabeça.
O moreno respirou fundo mantendo uma pequena distância de Dean, não se atrevendo a pressioná-lo com ações bruscas, porém tentando contornar o mau humor dele.
– Sinto muito por não ter lhe dito antes, Dean.
Agora sim o caçador não consegue se conter, jogando o fone para longe da cama e se sentando abruptamente frente a frente com o moreno, trajando a sua melhor expressão enraivecida.
– Pare de falar merda, Cas. Eu já disse que eu não me importo com isso!
– Então me diga Dean, por favor, qual a razão de tamanho alvoroço?! Me explique!
– Só vai embora Cas! Com ele ou qualquer outra pessoa! Me deixe de uma vez como todos com quem me importo fazem!
Os seus gritos ecoam pelo quarto, mas Castiel nada diz nem se move, apenas continua sentado na cama, encarando Dean que se ergueu em meio a explosão, fechando os punhos sem nem perceber.
– Dean eu vou ficar ao seu lado, assim como eu sempre fiquei.
Num riso de escárnio, Dean coça a ponta do nariz.
– Igual à antes, você quer dizer?
– Não Dean. Nada é igual à antes...
Castiel fala com firmeza se levantando, pondo as mãos no rosto de Dean e o afagando, inclinando o corpo para frente até selar seus lábios aos do caçador e ele não tem forças para repelir Cas, pelo contrário: ele se entrega ao beijo, sugando a língua de Cas par a si o sentindo, guardando esse sabor na memória, a textura da carne dele sobre a sua para que haja algo a se lembrar.
– Não faça isso.
Castiel o repreende ao se soltar do beijo notando as intenções do caçador, já reconhecendo as nuances do seu toque, agarrando firmemente os ombros de Dean e o jogando contra a cama. O caçador xinga voltando o olhar para Castiel, vendo os olhos azuis o encarando em fúria. Dean engole seco, mexendo os orbes verdes dum lado ao outro enquanto a respiração pesada de Castiel bate contra seu rosto.
– Não haja como se tudo fosse ter um fim imutável.
– Você melhor do que ninguém sabe que são assim que as coisas funcionam na minha vida, Cas. – Dean debocha com um sorriso sarcástico.
Apertando as mãos sobre os ombros do caçador ele chia com a breve dor que se instala ali tentando afastar Castiel, porém o moreno apenas o empurra ainda mais contra a cama.
– E você, Dean Winchester, sabe melhor do que ninguém contrariar o destino.
Castiel rosna contra ele, pegando Dean de surpresa com essas palavras.
– É, claro, porque isso sempre dá certo.
– Não importa se dá certo ou não, o que importa é que você não é alguém que desiste, Dean!
Ele está gritando agora, apertando os dedos nos ombros de Dean, o fitando com toda a fúria que ele possuiu por de trás daqueles calmos olhos azuis – que agora esbanjam um poder sem igual, tal com se ainda brilhassem com sua graça. E Dean não consegue desviar seus olhos dele, rebatendo esta visão de Castiel com seu próprio olhar de descrença.
Os dois ficam assim por intermináveis minutos, até que Castiel suspira, afrouxando as mãos e as deslizando sobre os braços de Dean até soltá-lo, afastando seu corpo do dele ao se sentar na cama. Dean nada diz nem se move, apenas observando o moreno. Seus olhos azuis encaram um ponto fixo no chão.
– Antes era eu quem tinha dúvidas... – ele fala num tom cabisbaixo – Eu quem não compreendo essa vida humana por inteiro. Tenho tantas perguntas e incertezas... Sobre mim, você... Nós.
Dean engole seco desviando o olhar do rosto de Castiel. Ele quer mais do que tudo levantar daquela cama e bater a porta do quarto, ir para longe desse tipo de conversa sentimental.
Mas a força da amargura presente nas palavras de Cas o deixa desconcertado para fazê-lo. Aquilo parece o drama com Lisa todo outro vez...
– Ficar perto de você sabendo que teria apenas a sua amizade era o bastante, Dean.
Castiel fala baixando a cabeça num tom resignado, o que surpreende o caçador o deixando confuso, erguendo os cotovelos na cama e se apoiando neles, mas a distância entre ele e Cas parece continuar ainda a mesma se não maior.
– Eu estava satisfeito, pois sabia que a possibilidade de tê-lo de outra maneira era nula. Mas então o destino mudou a sua direção ao me tornar humano, ao me fazer sentir e experimentar este seu mundo... E eu pude... Você me aceitou Dean, e eu pela primeira vez não amaldiçoei a minha nova existência mortal, pelo contrário: eu agradeci por ela me dar a oportunidade de ficar com você.
Dean sente seu rosto esquentar virando a cabeça para o lado, suas mãos coçando para se levantar da cama e sair da frente de Castiel. Ele não gosta de se sentir vulnerável dessa maneira, nem um pouco.
Bufando em impaciência ele finalmente o faz, desvencilhando-se de Cas e indo até a porta a abrindo, mas não antes de ouvir o moreno.
– Você realmente se arrependeu, não é Dean?...
A expressão dura do caçador permanece nula, com seu pescoço tenso, músculos rígidos de quem tem um mundo de palavras a serem ditas, porém continua as refreando, as segurando na garganta não querendo liberar estas emoções confinadas.
O que Castiel lhe pergunta parece ser uma lança atravessando o caçador ao meio, o deixando sem chão. Mas ainda assim ele não consegue se deixar dizer uma vírgula que seja sobre a pequena angústia que ele tem crescendo no peito naquele momento.
A porta do quarto se fecha deixando Castiel com a resposta silenciosa de Dean pairando no cômodo solitário.
Continua
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