Notas iniciais
Oi, tudo bem? Espero que sim �� *Boa Leitura!

P.O.V Narrador

Rosie preparava-se mentalmente para conhecer o internato. Mas, ficou boquiaberta quando o carro de sua mãe parou em frente a uma escola "normal". Beth, mãe de Rosie, passou as mãos nos cabelos pretos da filha, tentando arruma-los. Mas, a jovem era rebelde até nos cabelos. Beth, sorri com seus pensamentos e sua filha a encara.
–Eu iria te colocar em um internato. Sou amiga da diretora e conseguiria uma vaga para você facilmente. Mas, lá só estuda garotas... Você nunca se deu muito bem com outras garotas, isso seria tortura e como eu não quero ser presa...- Beth sempre usou o bom humor para suavizar o mal humor que a filha tinha.
–Agora o real motivo, mamãe. Deve ser algo meloso...- Rosie revira os olhos.
–Querida... Eu sempre tentei manter uma boa relação com você mas tudo o que consegui foi que você se isolasse em seu "mundinho". Ontem enquanto você conversava com aquela garota, eu percebi que se mandasse você para um internato eu te afastaria completamente de mim. Você vai estudar aqui nessa escola... Já matriculei você... Nem me olhe assim, tenho os meus contatos. -Rosie mais uma vez revira os olhos. Quem ficasse mais de 5 minutos perto dela perceberia que isso é uma mania.
–Como assim "tenho os meus contatos"? -falou imitando a voz da mãe
–Eu tenho algo, que você não deve conhecer muito bem... Chama-se internet. Ela é muito usada hoje em dia, por pessoas de todas as idades. Especialmente pessoas da sua idade.
–Você me matriculou pela internet? Nossa. Parabéns. -outra mania era ser irônica em tudo que falava.
–Eu vim aqui, só para te mostrar onde era. As aulas começaram a pouco tempo. Você começa estudar amanhã... -Beth começou a falar alegremente sobre como as coisas seriam diferentes agora, mas mal sabia ela que a filha não estava ouvindo uma palavra sequer. Ela estava distraída ouvindo o pensamento dos estudantes que passavam pelo carro. Até que a atenção dela se voltou apenas para um dos alunos. Ou melhor, uma das alunas. Era a menina que ela havia conhecido no dia anterior.
–Flora... -ela pensou alto demais.
–Quê? -a mãe a olhou confusa.
Rosie não se deu o trabalho de responder, ela nem ao menos olhos para a mãe. Ela ficou observando a loira. Flora vestia um vestido florido, estava com uma sapatilha rosa e os cabelos estavam caídos nos ombros. Ela era linda. Mas, Rosie não conseguia entender o porquê dela ter gastado o seu tempo falando com uma pessoa como ela. Elas pareciam ser opostas.
Nos minutos que ficou parada observando Flora muitas pessoas passaram pela jovem, todos a cumprimentavam e lhe davam beijinhos ou abraços. Flora era popular? Se era, então devia ser como as outras que Rosie conheceu. Riquinha, metida e mesquinha. Fútil, como todas as outras.
–Rosie? — Beth olhava curiosa para a filha.
Rosie estava tão distraída observando Flora que não percebeu que ela também estava sendo observada, pela própria mãe.
–Oi. -foi tudo o que falou.
–Eu vou descer para falar com o diretor... Vai me acompanhar? -Rosie pensou que seria bom ela acompanhar a mãe. Mas depois pensou em todos os olhares se voltando para ela. Ela pensou em Flora, talvez a loira a ignorasse. Ou pior, talvez a loira a ridicularizasse.
–Não. Prefiro ficar onde é seguro... Aqui no carro. -Rosie voltou o seu olhar para onde Flora estava mas ao invés de encontrar a loira conversando alegremente com algumas meninas, como estava a cerca de três minutos atrás, ela agora estava agarrada ao pescoço de um garoto. Rosie bem que tentou mas não conseguiu ler os pensamentos dele. O de Flora porém...
**Será que ele vai me chamar para sair hoje? Poxa, nós nunca tivemos um encontro. Estou sendo enrolada, eu sinto isso... Mas ele é tão gostoso... E essa boca? Ui que tentação...**
Rosie, como sempre, revirou os olhos. Definitivamente Flora não servia para ser amiga dela. Como uma garota aceita ser usada como um objeto qualquer? Bando de estupidas. Rosie não se encaixava em nada. Ela não era como nenhuma delas. Até hoje não havia encontrado alguém que compartilhasse o mesmo pensamento que ela. Rosie chegou a cogitar que se encontrasse alguém que pensasse como ela, ela então se casaria com essa pessoa na mesma hora. Sendo homem ou mulher, pouco importava.
Rosie continuava observando Flora. Ela até tinha tentado se distrair com outra coisa mas ver aquela garota ser apenas mais uma gota em um oceano de adolescentes burras estava a irritando. Rosie olhou para uma posa de água suja que estava acumulada no chão e sorriu diabólica.
–Roupa bonita. Seria uma pena se...- em questão de segundos toda aquela água estava encharcando a roupa e o cabelo de Flora. Todos ficaram boquiabertos. "Afinal, como isso aconteceu?" eles se perguntavam. Rosie não conseguiu segurar a risada. Ela gargalhava. Estava ficando vermelha já. Até que Beth entra no carro, diz algumas palavras e faz o caminho de volta para casa.
–Eu falei com você...- Beth chama atenção da filha.
–Eu acho que vou gostar de estudar naquela escola. -Rosie pensa alto... Alto demais.
–Você viu algum garoto que te interessou? Será que ele é solteiro? Qual a cor do cabelo dele? Ele é alto? E o tipo físico? -novamente a jovem revira os olhos.
–Na verdade não tem garoto algum. Já falei que não vou nunca me relacionar com ninguém. Não existe a pessoa certa para mim porque eu não sou a pessoa certa para ninguém.
–Mas filha, você pode sim se tornar a garota certa. Basta você mudar só um pouquinho. -Beth odiava todo aquele preto que a garota usava e odiava ainda mais o seu comportamento.
–Mãe!
–É serio querida, toda mulher tem que fazer algum sacrifício. Senão como alguém irá te amar? — essas palavras penetraram como facas afiadas no coração da jovem
–Eu não estou nem ai. Que não me ame então. Dane-se tudo. Dane-se todos. -Rosie por fora fingiu não se abalar mas por dentro ela chorava e suas lágrimas eram de sangue.


//


Já em casa, Rosie sem dizer uma palavra, se direciona para o seu quarto. Lá ela encontra Richard.
–Conheceu o internato? -Rosie fingi não ouvir -Ei, estou falando com você garota.
–Eu ouvi, tá legal? Não pense que só porque você tem esses olhos cor de mel que eu vou me derreter toda para você... Mas não vou mesmo. -falou cruzando os braços.
–Oi?
–Esquece. -ela se joga na cama.
–E o internato? -Richard falou se sentando ao lado da jovem.
–Não vou estudar em um internato. Minha mãe me levou para conhecer a minha escola nova.
–Legal. -ele se deitou.
–Onde você estava?
–Aqui? — ele a encara
–Eu me refiro a hora que você fez Puff!
–Ah! Eu fui para o hospital. -olhou para o teto
–Descobriu alguma coisa?
–Não.

//

Ficaram em silêncio por longos minutos até que a voz de Beth gritando pela filha rasga o silêncio. Rosie respira fundo e fecha os olhos. De repente o dia que estava ensolarado e claro torna-se nublado. Ouvi-se trovoadas. Richard levanta-se em um pulo e vai até a janela. Ele fica boquiaberto com a mudança do clima.
–Acho que metade do céu vai cair. -ele comenta

Rosie continua com os olhos fechados, e o que antes era uma chuva passageira torna-se uma tempestade. Ventos, relâmpagos, raios, trovoadas, muita chuva... A jovem estava extravasando o que ela sentia no coração.
–Rosie McCoy. — uma Beth com a voz carregada de raiva surge e abre a porta do quarto
–Não está. Vai deixar recado? -Rosie continua com os olhos fechados.
–Eu não quero saber os motivos dessa chuva. Eu apenas quero que ela acabe... AGORA ROSALINDA! -era obvio que a paciência de Beth tinha ido embora.
E como em um passe de mágica o dia volta a ficar como antes. Não há uma nuvem sequer no céu.
–Assim que eu gosto. Desça para o almoço.
–Não estou com fome. -a jovem finalmente abre os olhos.
–Não? Que engraçado... Você só comeu uma maça ontem e hoje não comeu nada ainda. Você está querendo se matar?
–Não... Apesar que não é uma má idéia.
Richard apenas observa a cena. Ele ainda estava sem palavras. Como Rosie fez aquilo? Ela é mais poderosa do que ele havia pensado.
–Eu. Não. Estou. Com. Fome. -falou pausadamente
–Nunca está.
Assim que a mãe sai do quarto ela encara Richard.
–Me conta como foi o seu sonho... Sabia que almas não sonham? Acho que pode ter sido uma lembrança.
–Pode ser... Parecia que eu estava assistindo um filme em 3D. Foi estranho.
–Vem cá, sente-se aqui e me conte tudo. Quero me livrar logo de você. -ela falou sentando-se
–Você é tão doce. Desse jeito me apaixono. -falou se sentando onde a jovem havia indicado.
–Não faça isso. Esse seria o seu maior erro.
–Não fazer o quê? -as vezes Richard era lento demais e isso fez Rosie revirar os olhos.
–Não me ame.
–Só se você prometer não me amar também. -Richard levou no humor mas Rosie estava dando um conselho para ele.
–Me conte o sonho.
–Okay... Após quase uma hora olhando você dormir, eu decidi me levantar da cama e sair por ai. Não corria o risco de ser assaltado mesmo. Andei sem pressa alguma. Olhei para tudo ao meu redor. Eu parecia querer decorar cada detalhe da cidade. As casas estavam com todas as luzes apagadas... Uma ou outra acessa mas na maioria estava uma escuridão. Eu vi um vulto rápido passar por mim. Decidi segui-lo. Era uma jovem, ela estava assustada e chorava muito. Olhei ao redor e não vi nada, mas ela olhava para um ponto específico e parecia ver algo que eu não via.
–Não... Eu prometo... Ele vai... Por favor... -ela tentava falar mas o choro a atrapalhava. -Eu sei... Tudo bem... Mas e se ele voltar? Austin, você tem que me ajudar... Não... Não lute com ele sozinho.... Austin corre... Austin, cuidado... Socorro! — eu fiquei atônito. Quem era ela? Com quem ela falava? Porque eu não via a pessoa?
Eu fui onde ela estava. Me agachei para ficar face a face com ela. Passei a mão em seu rosto, secando a sua lágrima. Ela então abriu os olhos e por um momento acreditei que ela me via. Mas tudo o que ela fez foi soltar um longo suspiro e olhar para cima.
–Por que fez isso? Ele é uma boa pessoa... Só tentou me ajudar... Michael, você não percebe que isso está indo longe demais? Austin está machucado, senão, morto... Por favor,e deixe ir. — estou começando achar que ela é louca. Quem é Austin? Quem é Michael? -Obrigada... — ela fingiu um sorriso e estendeu a mão para a frente, como se fosse para alguém ajuda-la. Ela então se levanta e bate a poeira da roupa. Eu me sentei no chão e fiquei olhando. Ela deu alguns passos e de repente eu vi algo vermelho se entender por todo as costas dela. A blusa rosa estava agora manchada de vermelho. Ela parou e olhou para trás -É assim que termina um grande amor? Eu te amei, Michael. -ela falou, deu dois passos e caiu no chão. Eu não sabia o que estava acontecendo. Minha visão começou a escurecer e eu fui ficando muito fraco, até que o meu rosto foi ao chão. E pronto. Eu acordei na sua cama e você estava caída no chão.
–Eu acho que foi uma mistura de sonho com lembrança. Tipo, você sonhou que estava saindo da minha casa e quando a garota passou correndo por você dai a lembrança entrou no jogo. Eu acho que descobri o seu nome. -Rosie enquanto falava as vezes fechava os olhos, tentando lembrar de tudo que Richard havia falado.
–Descobriu? -Richard fala confuso.
–Sim. Você é o Austin. Temos que descobrir quem é essa garota e quem é esse tal de Michael. Acredito que ele tenha matado ela e tentado matar você. Por isso você está em coma. -Rosie sorriu orgulhosa de si.
–Nossa. Eu não tinha pensado nisso.
–Eu sei que não, Austin. Eu já sou quase uma detetive. São anos investigando a vida das almas para tentar ajuda-las. Sou expert. -gabou-se
–Eu não gosto de Austin... Prefiro Richard. -falou fazendo bico.
–Você quer que eu continue te chamando de Richard? — ele afirma que sim e ela fala: Que pena. Vou te chamar de Austin.
–Você é irritante.

// No dia seguinte //

O dia anterior havia passado muito rápido. Rosie não tinha se preparado psicologicamente para o seu primeiro dia de aula. Apesar de já ter se mudado varias vezes, ela sempre ficava muito ansiosa quando ia iniciar em uma nova escola.
"Todos vão me odiar. Já sinto isso... Vão me taxar como bruxa. E isso vai me magoar muito." Esse era o pensamento pessimista dela. O otimista era "Todos vão me odiar e eu vou odia-los também..." Resumindo, eles iriam odiar ela. Sempre foi assim, em todas as escolas que passou, essa não seria diferente.
–Que o inferno comece. -falou assim que Beth, sua mãe, para o carro na frente da escola.
"Eles não podem te atingir.... Você é inatingível... Força... Erga a cabeça, garota... Eles vão me odiar." ela entrou em um conflito interno.
Beth, segurou em sua mão na esperança de transmitir alguma esperança para a filha. Rosie respirou fundo e saiu do carro.

Notas finais
Posto pelo celular, então se houver algum erro me perdoe.