Não me ame
2 Mudança
Notas iniciais
Quero agradecer a Natty pelo primeiro comentário que Não Me Ame recebeu. Espero que alguém esteja lendo e caso isso venha ocorrer por favor deixe o seu comentário e favorite, claro, isso é só se você gostar.
As aspas significam que a Rosie está ouvindo o pensamento de alguém.
*BOA LEITURA!
Você não odeia mudança? Também odeio. Novas cidades... Novas escolas... Novos babacas. Você deve estar pensando: " Que coisa clichê. Ela vai se mudar e vai entrar em uma nova escola." Você não acharia clichê se eu te falasse que estou de mudança porque na minha antiga cidade, eu fui tachada de "bruxa". Ninguém me queria por perto. Aqueles que não me maldiziam em alta voz, faziam isso pelo pensamento. E como eu sei ler os malditos pensamentos dos malditos seres humanos, eu então falava alguns palavrões para eles e começávamos uma discussão. Meu pavio é curto... Mas eu venho a alguns dias dizendo para mim mesma que não iria colocar tudo a perder novamente. Estou farta de constantes mudanças.
Não tenho conhecimento se mais alguém da minha família tem poderes como eu. Sou mediadora, porque entre os meus poderes eu tenho o dom de falar com os mortos... Na verdade é eles que falam comigo, e sou conjuradora por causa do outros poderes.Os mortos, na maioria das vezes querem que eu mande um recado para os seus parentes ou que os ajude a encontrar a luz... Me tornei amiga de alguns mas não posso me "apegar" a eles. Pois, logo eles saem da mesma maneira que entraram em minha vida... Rápido e sem explicação. A ultima alma penada que ajudei, queria que eu ajudasse a policia a achar o seu assassino. Foi complicado, porque eu não podia simplesmente falar: "Olá, seu policial. Sou mediadora e um dos mortos falou que eu devia vir aqui denunciar o nome do assassino. O nome dele é João Do Pé de Feijão e mora em La La Land." Que policial ia me dar crédito? Exato! Nenhum. Eu tive que dar alguma ligações anônimas de telefones públicos. E vou te falar, isso foi um saco. Eu tinha que ir para o outro lado da cidade, pertinho de onde Judas perdeu as botas. Ser mediadora não é fácil não. Você nunca sabe quem surgirá e te pedirá ajuda. Nem todas as almas penadas que vem me pedir ajuda são boazinhas. Acredita que um era ladrão de banco? Ele veio pedir a minha ajuda para roubar outro banco. Nem depois de morto ele larga a vida de ladrão... Deu trabalho, mas ele entrou no eixo e sumiu da minha vida. Ele era um bandido mas era super bem humorado. Ele me fazia rir. E isso é coisa rara... Eu estou dentro do carro -á horas, é válido citar- e nós nunca chegamos ao meu destino. Eu amaria ler a mente da minha mãe... Mas ela é a única que sabe dos meus poderes e me proibiu de ler a mente dela. Pelo visto, quando as pessoas sabem dos meus poderes e me proíbem de usa-los com eles, eles simplesmente me bloqueiam... Ou talvez não. Talvez seja só com a minha mãe. Sei lá.–Uma moeda por seus pensamentos. -mamãe falou. Esqueci de citar um comentário super relevante: Minha mãe e comediante. Okay, ela não é profissional mas parece que vive treinando suas piadas comigo. –Sério? Eu não quero moeda nenhuma. Te conto o que estou pensando de graça. Olha só que sortuda que você é... Eu não quero ser a estranha nessa nova cidade... Mas vou ser. Sempre sou... Malditos seres humanos que me fazem enojar só de pensar em suas idiotices.–Nossa. Você é tão exagerada — falou e deu um sorrisinho -Rosie, você é uma ótima pessoa. Se tem alguns seres humanos que não percebem isso é porque no fundo eles sabem que você é melhor que eles.–Mamãe! Você não devia falar isso. Ninguém é melhor que ninguém.- cruzei os braços.–Rosie, me poupe. Eu tento te animar e você com o seu espirito de velha vem me jogar um balde de água fria... –Espirito de velha... E você tem espirito de comediante... A mamãe eu queria tanto que você não fosse mais uma.–Estamos chegando... Largue seu mal humor ai. Você parece até que nasceu dos avessos. Nunca sorri, nunca mostra-se esperançosa... Vive parecendo que vive cercada de E.ts –E não são isso que vocês seres humanos são? -mamãe estacionou o carro.–Chegamos. "Vocês seres humanos"? Você acha que você é o que? Um anjo? O próprio Deus? Tu acha que é o que? Vive reclamando na vida. Nada tá bom, ninguém presta. As vezes chego a duvidar que você me ama... Nunca me diz "bom dia", "boa tarde", "boa noite" ou um simples "Fala ai velha"... Qualquer coisa seria melhor do que ver você viver em um pedestal... Assim você será mais solitária do que já é. Nunca teve amigos... Nunca se apaixonou... Nunca fez nada por outra pessoa além de você mesma.- ela se virou, me encarou e praticamente "cuspiu" essas palavras em mim.–Eu faço sim... Eu ajudo as almas penadas, lembra?–Isso não conta. Aposto que você faz isso para não ter que continuar convivendo com eles. Você faz para se livrar deles, sendo assim faz por você mesma. -ela deu de ombros.–Problem? Nunca me importei com a opinião de ninguém e não é porque a sua vagina me cuspiu que isso quer dizer que a sua opinião importa. Me ame ou me odeie não fará diferença. -peguei meu livro favorito "Dezesseis Luas" e comecei a ler. Ela saiu do carro e não me falou mais nada. Fiquei horas ali dentro lendo e sentindo cada palavras invadir a minha pele... Eu me sentia dentro do livro... Eu sou super sensível aos detalhes. Meus olhos captam o que de outras pessoas não conseguem ver... Meus ouvidos ouvem, conversas a quilômetros de distância. Posso facilmente ouvir o coração dos pássaros batendo dentro do peito deles... Eu me sinto livre. Mas quando o assunto é outras pessoas... Bem eu não sei conversar nem com a minha mãe, imagine com outras pessoas.
Apesar de eu estar distraída com o livro, eu pude captar que alguém se aproximava, por causa dos pensamentos dessa pessoa. ** Quem será os novos vizinhos? Espero que seja um cara e que ele seja gostoso... Olha um gatinho. Ai que fofo. Vem cá gatinho vem vá... Esse gata é do tinhoso... Ufa! Ele não está mais atrás de mim. Espera! Tem gente dentro do carro.** Eu vi uma garota loira, alta -super alta e super magra- ela estava andando normalmente, até que viu um gato, foi em direção a ele e depois saiu correndo e o gato por algum motivo correu atrás dela. Até que ele perdeu o interesse e entrou em uma casa qualquer. A loira azeda pareceu notar a minha presença dentro do carro e veio em minha direção.–Oi -ela deu um sorriso tão grande que tenho certeza que vi todos os dentes dela. Eu ia ignorar essa criatura oxigenada. Mas lembrei que queria passar uma imagem melhor do que a das outras cidades. Eu então respirei fundo e desci o vidro. –Oi. -esperei ela falar mais alguma coisa, porém ela apenas me encarava com o sorriso enorme... Sorriso esse que estava me assustando. **Ela é bonita... Parece ser legal... Ela está lendo um livro. Carro legal. Porque ela esta dentro do carro. Vixi, tenho que pintar as unhas.** Eu revirei ao ouvir os pensamentos dela. Essa dai é doida.–Você quer alguma coisa... Meu nome é Rosie McCoy, é um prazer conhece-la -- milagrosamente eu consegui ser educada. Chupa mãe. **Rosie, nome legal**–Sou a Flora. Você é a nova vizinha -assenti- Legal... Você tem... Digo, você veio com os seus pais? **Diz que tem irmãos... Diz que tem... E que são gostosos... Por favor!** eu gargalhei ao ouvir esse pensamento... Que desesperada. Tá na seca... Nem eu sou assim.–Não tenho irmãos e se tivesse eles não seriam gostosos. Pode apostar, nisso. **Eu... Eu não falei em voz alta**–Quê? — ela me olhou espantada. Ótimo! Parabéns, Rosie. Você consegui, essa será mais uma cidade que você será chamada de "bruxa". Meus parabéns. Toma aqui o seu troféu "A Estupida Do Século"–Eu... Eu... É que você perguntou se vim com os meus pais e bem eu disse que não tenho irmãos e ia falar que meus pais são separados. -falei rápido e gesticulando . Parecia que eu estava tentando voar. Pa-te-ti-co! **Que pena... Eu queria um gostosão como vizinho**–Ah tudo bem... Eu moro na casa ao lado da sua... Você não vai sair do carro? — ela estava inclinada para dentro e eu estava com a minha famosa cara de "Quê?" **Um que fome... Quero biscoito**–Eu tô com fome... Vou entrar sim. É que eu me distrair lendo o livro. -falei.–Também estou com fome. Vou indo, foi um prazer te conhecer Rosie. -ela falou se distanciando do carro **Droga, preciso fazer as unhas. Estou parecendo a Fiona!...** Eu sai do bostamovél -conhecido por "Carro da mamãe" e entrei na minha mais nova casa. –Mãe? — eu nunca tinha vindo aqui então obviamente eu estava perdida dentro da minha própria casa.–Já? Pensei que ia morar dentro do carro. Garota vai tomar um banho! Mendigos fedem menos que você. -falou colocando a mão na nariz.Nariz esse, fino e pequenos graças a cirurgia plástica que ela pagou. Quase vendeu o rim mas consegui mutilar a cara. Parabéns mamãe.–Estou fedendo? Okay. -revirei os outros–Você fez uma nova amiguinha? Vi uma garota loira inclinada na janela do carro. Ela ficou lá por alguns minutos.–Amiguinha? Não obrigada. Ela falou comigo e eu decidi fingir ser educada. Me mostra meu quarto, quero tomar banho. Pois estou fedendo mais que um mendigo. -ela revirou os olhos.–A empresa de mudanças não pode trazer tudo, mas eles prometeram que amanhã trazem o restante. -assenti- Venha, te mostrarei seu quarto. Caixas, caixas e mais caixas. Era isso que se via por toda parte. E vejam que não foi tudo... A empresa de mudanças não trouxe tudo. Legal. Subindo as escadas dei de cara com quatro portas e uma salinha com uma poltrona que parecia fazer parte da janela, ela era tipo acoplada a parede. Era rosa clarinho. Tinha um tapete preto felpudo que se estendia por todo o chão da sala. Já haviam alguns quadros na parede e percebi que um deles estava levemente torto. Andei calmamente até ele e o endireitei. –Aqui é o quarto de hóspedes, esse é o banheiro, esse é o meu quarto e esse daqui é o seu. -falou apontando para todas as portas. Passei por minha mãe e entrei em meu quarto. Chegando lá fiquei de boca aberta. Meu quarto estava todo arrumado. Minha cama estava com o meu lençol de listras zebras, o meu travesseiro estava com a fronha também com listras de zebra. Haviam dois corações de pelúcia. Um roxo e outro rosa. Cores que estavam nas paredes. Meu closet estava perfeito. Roupas e sapatos perfeitamente arrumados. O banheiro também... Enfim, estava tudo perfeito. Minha mãe que fez isso! Okay, nem todos os seres humanos merecem a extinção.–Mãe! — gritei e logo ela apareceu Eu corri até ela e a abracei. Ela entendeu que aquilo era o meu "muito obrigada" então ela me abraçou forte.–Te amo.- falou e depositou um beijo na minha testa. Eu desfiz o abraço e fui procurar por uma roupa para vestir. Mais especificamente, procurei por um short jeans e por uma blusa larguinha e confortável. Meus planos era ajudar a organizar a casa. Tomei banho, me troquei e admirei o meu quarto. Uma frase que estava escrita em uma linda Caligrafia acima da minha cama me fez pensar "I have a Dream..." o quarto estava tão perfeito. Até que eu captei o pensamento de alguém **Ela ainda não me notou aqui?** Me virei e dei de cara com um cara. Eu voltei a olhar para a frase e depois me lembrei do cara e dei um pulo para frente. Que merda! Tem um cara no meu quarto. **Que doida**–Quem... Quem é você? Vai roubar alguma coisa? Nem tente me violentar sexualmente. Sei capoeira.–Sabe capo... Quem? **É de comer?**–Capoeira. É uma arte marcial brasileira. Sou faixa cinza, cuidado comigo. –E tem faixa nesse lance ai também? –Deve ter... Digo, tem sim. Quem é você? ** Eu também queria saber**–Para falar a verdade eh esperava que você me dissesse.–Você é uma alma?–Acho que... -ele passou pela parede do closet e voltou -Sou. **Que legal... Atravesso parede. Podia ter visto ela no banheiro.**–Quê? Nem ouse. –Oi?–Eu leio pensamentos.–Isso não é possível.–Estar morto e estar aqui conversando normalmente é super normal, né?–Eu não estou morto.–Não? Agora estou confusa. — me sentei na minha casa.– Quando eu acordei, eu estava em um hospital... Mais precisamente no chão de um hospital. Tentei falar com algumas pessoas mas ela não me virar. Eu então fui praticamente arrastado por uma força que não sei de onde vinha mas, parecia ser um imã me atraindo. Dei de cara com o quarto 436. Atravessei a porta, quase pari um filho por causa disso, e parei de gritar quando me vi deitado em uma cama... Resumindo, estou em coma e morro um pouco a cada dia. –Ata, é por isso que eu posso ler o seu pensamento. Que coisa. Mas se não está morto não posso te ajudar. A menos que você queira que eu vá ao hospital e desligue os aparelhos... Sempre sonhei fazer isso. Me diz que você quer.–Claro que não. Qual o seu nome? -falou se sentando ao meu lado.–Sou Rosie McCoy...–Essa era a hora que eu dizia o meu... Vou ficar devendo.–Eu não vou ficar te chamando de sem nome... Me diz um nome que você acha legal.–Richard...–Que nomezinho mais ou menos em... Mas tudo bem... Você será o Richard por enquanto. Isso até eu descobrir o seu verdadeiro nome.–Quê? –Eu vou te ajudar... Nunca uma alma penada que ainda não tinha morrido tinha vindo me procurar... Isso entrará para o meu currículo.–Okay... Você é estranha. **Mas é muito gata ... Sei que está lendo os meus pensamentos mas é verdade.–Engraçadinho.
Notas finais
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