Notas iniciais
Olá, queridas leitoras. Sejam bem-vindas a mais um capítulo dessa fanfic. Dando uma trégua da loira misteriosa, vamos acompanhar uma mudança de pensamento de Regina que pode surpreender até mesmo ela ao se dar conta. Espero que agrade. Façam uma boa leitura.


O.k. dizer que pode ser tarde demais é um erro. Convenhamos que Emma passou por um trauma, e talvez eu esteja ansiosa para realizar seu sonho. Já disse o quanto isso é irônico? Sim, várias vezes, porque meses atrás, meu pensamento era outro. Embora eu ainda precise evoluir muito para me tornar mãe dos filhos que quero ter com Emma, a ansiedade para que esse dia chegue está se tornando algo muito sério.

Passei quase a noite inteira em claro, na mesma posição, enquanto Emma se revirava tendo sonhos que eu esperava que fossem bons por ela ter voltado para casa. Não conseguia parar de pensar no “não sei” de minha mulher, no medo evidente que corroía seu coração toda vez que tocávamos no assunto gravidez. Eu poderia ser mais delicada da próxima vez, ou simplesmente questionar Swan de forma menos objetiva. Me recordo de Emma me pedindo para ser mãe, de alguns leves desentendimentos que tivemos. Tudo leva tempo. Minha loira esperou pacientemente pela minha decisão, nesse momento, quem deve esperar para o trauma passar, sou eu, assim como o jogo sempre virou nesse casamento.

Emma acordou tarde, me levantei antes disso para fazer seu café da manhã. Eu havia deixado meu celular ligado em uma estação de rádio Indie, preparando panquecas e ouvindo Lana Del Rey quando a loira chegou esfregando os olhos e bocejando seu sono de onze horas seguidas.

Ela me beijou no rosto sem dizer uma palavra e a notei por um momento longo. Se as olheiras em seu rosto não eram pelo sono, ela havia passado aquelas duas horas em que a deixei na cama chorando.

— Você dormiu bem, meu amor?

— Oh, sim, muito. — ela assentiu, sabendo que eu estranhei seus olhos pouco úmidos. Foi se sentar à mesa, se servindo do suco de abacaxi que preparamos ontem. — E você? Acordou cedo, hum?

— Eu dormi bem. — menti. — Queria fazer um agrado preparando suas panquecas, você ficou cansada da viagem.

Ela bocejou de novo, mas dessa vez vi que tinha fingido, não sei exatamente porquê.

— É, acho que estou cansada de tudo, das gravações, de viajar. Queria poder ficar mais tempo em casa.

Coloquei mais uma panqueca no prato e me virei para ela.

— Nem preciso dizer que adoro pensar em você ficando em casa, mas vai precisar esperar pelo menos mais um ano para tirar férias.

— Queria não pensar que ainda tenho um seriado para protagonizar quando voltar para cá depois de Vancouver. — ela deu um suspiro.

— Fico cansada por você só de imaginar.

Levei as panquecas para a mesa e me sentei de frente para ela. Pela expressão em seu rosto havia algo de errado. Pensei no que eu disse, se Swan estaria muito ofendida com minha pergunta. O que me ocorria ainda, era que eu não conseguia ficar sem saber o que ela estava pensando.

— Foi algo que eu disse? — fiz a pergunta sem receio.

— Não. — Ela balançou a cabeça

— Tem certeza? Por que eu gostaria de consertar, Emma.

Ela demorou me olhando. Sorriu e franziu suas sobrancelhas de uma forma como se eu estivesse dizendo algo meigo.

— Consertar o quê? Você não disse nada de errado, gatinha. — Emma serviu suco em um copo para mim e pegou uma panqueca.

— Ouça, Emma — me mexi na cadeira, procurando as palavras certas. — Sei que é difícil falar sobre esse assunto, que você está machucada com o que aconteceu, até chateada comigo por ter comentado tão cedo sobre você engravidar. Me perdoe se eu fui evasiva com você, não quero que fique se sentindo culpada por algo que apenas aconteceu, uma coisa que não deu certo. Não significa que quero que você engravide amanhã, jamais vou pedir algo que você não queira, ou que sinta que não vai deixá-la confortável.

No segundo que terminei de falar, Emma ainda me olhava sem piscar uma vez sequer. Conhecia aquele truque, ela mesma me ensinou que para chorar rápido em cena, ficar com os olhos abertos sem piscar faz eles arderem e ficarem vermelhos como uma pessoa prestes a ir aos prantos. Queria não acreditar que ela não estava interpretando como a boa atriz que era. Mas ela não fingiu, ela não chorou, ela se manteve firme.

— Você disse pedir? Então você gostaria que eu engravidasse? — Ela falou, me encarando firme, tive medo.

— Emma, não quis dizer que você precisa fazer isso novamente...

— Responde, Regina, você quer que eu tente engravidar outra vez? — A pergunta soou forte, mas Swan não estava nervosa.

Baixei meus olhos vendo minhas mãos apertarem o tecido do roupão que eu vestia. Eu queria que minha esposa se desse uma segunda chance. Sabia que Henry estava sendo nossa alternativa, porém, antes disso, os momentos em que Emma esperava para gerar um bebê nos marcaram. Era como se eu precisasse dar um presente à ela, e o melhor deles seria aquela alegria, aqueles sorrisos e planos de volta.

Voltei a encará-la.

— Sim. Parece louco, não?

— Um pouco. — Ela passou a mão pelo rosto. — Posso pensar? Você pode me dar um tempo para pensar e superar o que aconteceu da primeira vez?

— É claro que posso. Não vou falar o tempo todo sobre você ter essa criança, eu realmente não desejo deixá-la mal.

— Sei disso. — Emma começou a comer outra panqueca e literalmente detonar o suco de abacaxi da jarra.

— O tempo que você precisar.

— Obrigada. — ela estendeu a mão por cima da mesa, buscando a minha. Entrelaçamos os dedos e puxei sua mão para beijá-los. Ela disse que me amava, sem som, mas eu pude entender.

— Eu também, meu amor, muito.



Aproveitamos o restante do dia juntas, fazendo coisas que Emma normalmente fazia quando estava em casa. Levamos Pongo para dar uma volta no bairro, usamos a piscina, aproveitando o sol de trinta graus da Califórnia naqueles dias de verão. E, para não perdermos o costume, uma boa dose de sexo antes de anoitecer.

Devo ter chegado ao orgasmo três vezes antes de conseguir convencer Emma a ceder. Sua cabeça pesou na almofada enquanto minhas orelhas roçaram suas coxas quentes. Voltei meus olhos para suas reações, e seu corpo não demorou a vibrar depois que coloquei os dedos e a língua dentro dela.

Emma costumava gostar quando eu a lambia lentamente. Descobri aos poucos, explorando cada cantinho de seu sexo. Com o tempo aprendi a agradar Emma nesse sentido. Era mais fácil do que eu pensava quando começamos a namorar, ela sempre gostou que eu curvasse os dedos enquanto entrava e saía dela parcialmente. Uma vez, Swan me contou que não havia brinquedo de sex shop que superasse uma língua e um bom dedo treinados para ir ao lugar certo numa transa, e ela estava certa. Eu também me sentia muito bem apenas com a massagem que a ponta de sua língua traiçoeiramente fazia comigo, e mais ainda quando ela usava seus dedos. De toda forma, eu mudara com o passar do tempo, enquanto minha mulher mantinha sua preferência por fazer amor lentamente. Acabei me acostumando a fazer amor depressa, uma pequena herança da época da crise, em que todas as vezes que transávamos duravam cinco minutos.

Emma arfava. Espiei seu corpo novamente e só de ver seu abdômen vibrando eu sabia que ela tinha sentido prazer.

— Gosta assim? Devagar? — fiz a pergunta só para ouvi-la dizer o que eu já sabia. Beijei seu queixo, puxei seu lábio inferior e repousei por cima dela, me aninhando ali.

— Eu não gosto. Eu adoro. — Emma ainda procurava ar. Me alisou as costas e ficamos quietas por alguns segundos.

— O que gostaria que eu pedisse para o jantar, meu amor?

— Nada. Pensei em aproveitarmos para dar uma volta no shopping. A gente pode jantar por lá.

— Hum, não é má ideia. — alisei seus braços, aquela parte mais forte que eu gostava de passar a mão. — Vamos ao shopping então, estou com vontade de comprar algo para você.

— É mesmo? — Emma se animou.

— Uhum. Da próxima vez que vier você vai usar para mim.

Ela riu.

— Não vai me dizer que quer me dar uma lingerie? Vai me fazer dançar para você?

— A parte de dançar não estava nos meus planos, mas eu gostei dessa ideia também.

Ela sorriu.

Na verdade, eu não iria dar uma lingerie à Emma. Queria comprar uma joia, alguma coisa que ela pudesse levar consigo, no corpo como se fosse um amuleto. Até hoje ganhei muitas lembranças desse tipo de Swan, incluindo o bracelete com a frase romântica que ela me deu no último natal. Eu andava mais sentimental do que nunca, isso era estranho, mas ao mesmo tempo necessário, como se precisasse retribuir meu amor por minha mulher a todo o custo.

Nós andávamos pelo shopping de braços dados, conversando sobre as gravações que Emma teria de fazer, com algumas sacolas já nas mãos, e eu dava graças aos céus por nenhum fã de Emma ter nos parado para pedir um autógrafo.

— Não se esqueça de bater fotos, quero saber como é esse lugar onde vai gravar.

— Prometo que vou tirar uma centena e quando tiver férias te levarei lá, você vai adorar. — ela falou, beijando minha testa, enquanto eu me agarrava em sua blusa branca de manga comprida.

— Tenho certeza de que sim. — sorri ao seu lado e de repente paramos.

Emma se deparou com uma loja de brinquedos, mas não apenas com a loja que chamava a atenção por si só, e sim por conta de algo que viu na enorme vitrine.

Soltei seu braço lentamente. Ela andou até a vitrine se encantando com um carrinho de controle remoto. A olhei bem e franzi o cenho sem entender.

— Você só pode estar brincando, não é?

Ela sequer piscava.

— Regina, é lindo. Eu vou levar! — ela entrou na loja com pressa.

— Emma, espera...

Minha mulher procurou um vendedor e pediu o carrinho da vitrine. O brinquedo era bonito mesmo, amarelo e vermelho, imitando um carro de corrida. Ela o pegou nas mãos e pediu para embrulhar no mesmo momento.

— Eu vou ficar com ele, pode embrulhar, por favor. — pediu ao rapaz da loja.

— Emma, eu não sabia que você gostava de carrinhos de controle remoto. — falei, observando seu sorriso no rosto.

— Não é para mim, meu bem, é para o Henry. É um presente para ele quando for morar lá em casa.

Fiquei surpresa ao ouvi-la. Emma querendo dar um presente ao nosso futuro filho não era improvável, era muito óbvio até. Não sei porque não pensei antes quando percebi todo seu entusiasmo com o carrinho da vitrine.

— Ah, então é para o Henry? — coloquei uma mão na testa e dei risada do pensamento mais tolo que tive, imaginando Emma sentada no quintal da nossa casa com o controle do brinquedo na mão enquanto o carrinho perseguia nosso cão Pongo. — Por um segundo pensei que você queria mesmo um desses.

— Se quer mesmo saber, eu sempre quis um carrinho de controle remoto, mas meus pais preferiam me dar bonecas com as quais nunca brinquei. — se lembrou.

O rapaz trouxe o embrulho e Emma o pagou com cartão de crédito. Vi o preço na nota fiscal quando chegamos em casa. Não foi a coisa mais cara que ela comprou para alguém, porém, duvido muito que os pais verdadeiros de Henry, enquanto vivos, pudessem dar a ele algo do gênero. Então eu estava começando a sentir um pequeno pavor do que Emma poderia fazer quando aquele menino fosse morar conosco, mimá-lo demais. Para a sorte de minha mulher, eu acho, esse pensamento não demorou muito para escapar da minha mente, logo eu queria beijar Swan por pensar em Henry tanto quanto eu.



Coloquei o presente no quarto que estávamos decorando para a chegada de Henry. Até então, já havia providenciado um móvel e em breve um guarda-roupas chegaria para ocupar mais espaço ali dentro. Nós demos uma olhada em algumas camas, cômodas e papel de parede para completar, mas eu precisava saber qual era o super-herói favorito de Henry, se é que ele já não havia me contado essa informação.

Prometi a Emma que perguntaria tudo o que ele gostaria que colocássemos em seu quarto. Minha mulher me deu seu carinho costumeiro e nós caímos no sono juntas.

No final do dia seguinte, Emma tinha de ir embora, assim a levei ao aeroporto, já me preparando para ficar mais um tempo sem vê-la. Ela me entregou o que havia comprado em Vancouver, antes de embarcar. Um pingente em formato de bonequinhos. Eram três pessoas, claramente duas mulheres e uma criança. Ela colocou no colar de coração alado que eu ganhei dela há muitos anos. Sorriu quando o viu pendurado no meu pescoço.

— Sabia que ficaria ótimo em você.

— Por que fez tanto mistério? Nunca pensei que fosse um pingente. — eu disse, olhando a pequena família de metal nos dedos.

— Eu queria que ficasse curiosa. Você gostou?

— Eu gostei sim. Adorei, na verdade. — me estiquei e selei sua boca. — Somos você, eu e Henry.

— Quando vi na loja pensei exatamente a mesma coisa, foi feito para nós. Quero que fique com isso no pescoço e toda vez que sentir saudade de mim, lembre-se que temos uma família agora. Ela pode ainda não ter esse rapazinho aqui, mas sinto que é como se ele já fizesse parte das nossas vidas. — ela olhou o pingente de novo.

— Ele já faz, meu amor.

Abracei minha mulher, encostando a cabeça em seu peito e ficamos unidas até a penúltima chamada de seu voo.

Por fim, ela pegou sua bolsa e acenou para mim. Um aperto estranho me ocorreu e agi por intuição. Precisava dizer algo mal resolvido à Emma.

— Emma — chamei. Ela se virou para mim de novo. — Aquilo que eu pedi a você... Tem todo o tempo do mundo para pensar, está bem? — Ela tentou não fazer aquilo, mas franziu as sobrancelhas. — O que você decidir, eu entenderei.

Emma baixou a cabeça, os olhos e assentiu. Quando tornou a me olhar, disse:

— Te amo.

A voz do aeroporto chamou o voo de Emma pela última vez e ela sumiu no meio das pessoas que entravam na sala de embarque.

Fiquei esperando até o voo decolar e fui embora para casa, pensando no jeito como Swan tentaria lidar com o que lhe pedi. Será que era demais? Será que eu estava errada em querer mais uma criança? Era tão difícil assim para ela compreender que agora eu também precisava ser mãe? Os papéis se inverteram de uma forma completamente inesperada. Eu pagava por tudo o que havia pensado e dito sobre ter um filho com Emma Swan.

No dia seguinte, Maleficent e eu conversávamos no café que havia perto da emissora. O assunto era exatamente minha mudança. Meu medo não estava apenas resumido em assustar Emma com uma nova tentativa, mas medo também de acabar me magoando.

— A vida nos prega peças que às vezes não sabemos como vamos encaixá-las nos lugares certos. Você está apenas sentindo o que Emma sempre quis que percebesse. — falou minha chefe, mexendo em seu café expresso na xícara.

— Não tinha noção do quanto ela sofreu me esperando. Não estou sofrendo agora, Maleficent, estou apenas disposta a ter outro filho com ela, mas é como se soubesse exatamente a angustia que é querer ter algo que não pode.

— Você não pode ser contra ela, não é? Foi o que fiz meu marido sofrer, só que do contrário de Emma, ele não me compreendeu. Gostaria de estar disposta a ser mãe como você fez, Regina, acontece que isso não nasceu comigo, não é para mim. — ela me dizia.

— Entendo você. Seria complicado para Emma se eu não tivesse aceitado adotar.

— Provavelmente sim. Ainda mais complicado.

— Eu quero tanto que Emma se sinta bem. Quero tanto retribuir tudo o que ela me faz, tudo o que me proporciona. Pode ser minha intuição, e algo me diz que esse seria o presente perfeito.

— Por que acha que essa é a única alternativa? Vocês estão adotando um menino nesse momento, para que mais um filho daqui a algum tempo?

Pensei, fitei a xícara de café intocável que estava a minha frente na mesa e meneei a cabeça.

— Necessidade de apagar a decepção que ela sentiu.

Maleficent ficou em silêncio, respeitando minha emoção. Me olhava com uma pontada de pena no rosto.



Duas semanas mais tarde, os últimos detalhes do quarto de Henry estavam quase prontos. Ele me contara que gostaria que seu quarto fosse simples, para não dar trabalho para mim, o que achei muito meigo de sua parte. Acabei colocando uma decoração do espaço nas paredes e quando a cama chegou coloquei lençóis com desenhos de foguetes nela. Quem sabe isso não o inspiraria em se tornar um Astronauta no futuro?

Com basicamente tudo pronto para Henry chegar, agora tudo o que me restava era esperar. Minhas visitas ao orfanato eram semanais, embora eu quisesse muito ir vê-lo todos os dias, mas a senhorita Blue me recomendou que evitasse de fazer isso pois o garoto andava muito ansioso.

Tirando isso, hoje completava um mês que não recebia presentes da admiradora secreta, o que para mim era um tremendo alívio. Pelo visto, a loira misteriosa desistiu de me cortejar, até porque impedi de todas as formas que seus presentes futuros chegassem até mim. Eu andava trabalhando tanto que tinha me esquecido dessa pessoa. Foi uma fase engraçada que parece ter acabado, mas eu ainda gostaria de saber quem é essa mulher.

Falando em loira, Emma me ligou hoje de manhã pelo Facetime, antes de eu apresentar o jornal. Minha maquiadora terminava de dar os últimos retoques nas minhas bochechas e Emma me contava algumas novidades das gravações.

— Doze horas para gravar uma cena de cinco palavras, olha, meu amor, eu te admiro muito por conseguir suportar tanto tempo de pé no frio de Vancouver.

— Não estava assim tão frio, Regina, o que aconteceu é que quando cheguei no hotel, eu não conseguia dobrar os joelhos. — ela riu. Ia voltar a gravar em breve, pois segurava alguns papéis com falas na segunda mão.

— É, também pelo cachê que você vai receber, acho que vale a pena sofrer um pouco. — comentei. A maquiadora terminou e me mostrou o resultado no espelho do camarim.

— Adoro suas ironias, Regina Mills. — falou minha mulher. Alguém gritou seu nome de longe, ela devia voltar para gravar. — O.k. Estou chegando. — respondeu para a pessoa. — Bem, meu amor, eu preciso desligar. Bom jornal e nos falamos logo mais.

— Obrigada, querida, até logo mais, boa gravação pra você também.

Mandei um beijo e desliguei. Me levantei da cadeira e a maquiadora sorria para mim de forma encantada, acho que já sabia por quê.

— Acho muito bonito o relacionamento de vocês duas. Hoje em dia é tão difícil ver casais unidos assim. Ainda mais os que trabalham fora o dia todo e se veem pouco. — comentou a moça.

— Apesar do pouco tempo que temos, Emma e eu aproveitamos da melhor maneira possível. Também acho que acabei dando muita sorte de encontrar uma pessoa como ela, e por tantos anos juntas vivemos muita coisa que nos tornou o que somos hoje uma pela outra.

— Dá para ver nos seus olhos, Regina. Eles brilham quando você fala dela. Se todo o mundo pudesse viver um amor como o de vocês, com certeza tudo seria melhor.

Eu ri achando graça do que ela disse, se bem que era verdade.

— Parando para pensar, realmente seria.

— Sei que é uma pergunta chata, que você provavelmente já respondeu várias vezes, mas vocês duas pretendem adotar uma criança?

— Até que hoje em dia essa pergunta não me incomoda tanto. — cruzei os braços. — Na verdade, demos entrada em um pedido de adoção e falta apenas os últimos detalhes para adotarmos.

— Ah, poxa, é mesmo? Meus parabéns.

— Obrigada.

— Sem querer dar opinião, mas já falando, soube do que aconteceu com Emma quando fizeram a inseminação. Adotar uma criança vai aliviar muito a decepção que ela sentiu. Eu conheço essa situação, minha irmã passou pelo mesmo problema há dois anos.

— Gostaria de pensar da mesma forma, eu espero que alivie sim. — disse, um tanto alheia aonde a conversa estava chegando.

A moça, pegou seu estojo de maquiagens e o arrumou, um pouco receosa se poderia ou não fazer mais uma pergunta.

— Regina, quando Emma soube que não estava grávida, o que você pensou?

Coloquei a parte de cima do terno de trabalho e me virei.

— Que eu me lembre, fiquei triste, não pensei em algo exatamente, mas em confortá-la. Depois, claro, disse que iríamos tentar de novo.

— Então você pensou em ter o bebê por ela?

A fitei sem entender de cara.

— Eu? Não entendi.

Ela reformulou a pergunta.

— Você pensou em engravidar no lugar da Emma?

Não, eu não pensei em engravidar no lugar de Emma. O máximo que poderia fazer era me sentir mal por ela, porém engravidar era de mais, utópico, surreal na minha cabeça. Pelo menos era assim que eu pensava. Queria ser mãe hoje, contanto que não fosse eu a carregar a criança na barriga pelos nove meses.

— Não. Nunca. Eu nunca pensei.

No fundo, era uma pergunta sensata, tanto quanto a resposta que dei à moça.

Depois que ela se retirou do camarim, fiquei sozinha, refletindo. Estaria eu tão egoísta ainda ao ponto de não me colocar no lugar de Emma? Se eu havia mudado uma vez, pode ser que eu mude uma segunda.

Notas finais
Algumas de vocês fizeram para mim essa pergunta já há algum tempo. É possível Regina engravidar? Agora que ela encarou a dúvida, o que seria melhor? Esperar por Emma ou não? Se vocês gostaram já sabem, podem sentar os dedos no comentário. Bom, queria dizer a todas as leitoras que vêm acompanhando desde o começo, e até para quem chegou agora, que essa fanfic inicialmente não teria tantos capítulos. A ideia dela estava mais ou menos certa e concluída. Eu previa cerca de 40 capítulos, mas já passamos dessa marca há algumas semanas. Portanto, decidi esticar muito pelo feedback que recebi e ainda recebo. É muito gratificante mesmo ter opiniões sérias sobre o relacionamento de duas mulheres e seus problemas citados dentro da história. Infelizmente, eu tenho que comunicar que estamos entrando na reta final dessa fanfic, não porque quero, mas porque cheguei no mais longe possível que poderia para encaixar o final que sempre tive em mente para essas duas protagonistas. Algumas águas ainda vão rolar até o fim definitivo, mas saibam desde já que foi um imenso prazer escrever cada capítulo dela. Nos encontramos no próximo, um beijo grande e fiquem bem.