Notas iniciais
Olá meninas, como vão? obrigada por me deixarem um recado. Aqui vai mas um capítulo para vcs e espero que gostem. Para aquelas pessas que leem e não deixam recado, por favor deixem recado dizendo sobre o que estão achando da fic, isso me deixaria imensamente feliz. Att

[RECAPITULANDO]

— Cuide apenas de sua recuperação e não se preo­cupe com o resto — disse, ajudando-a a voltar para a cama e ajeitando as cobertas sobre seu corpo. Ti­nha quase certeza de que a Sociedade de Auxílio às Mulheres pretendia fazer alguma coisa sobre o assunto. Pelo menos imaginava que esse era o des­tino dos fundos solicitados por Phoebe Graham. Lydia fechou os olhos assim que se deitou.

— Obrigada, sra. Bingley — Joseph disse ao vê-la vestir a capa para partir. — Especialmente pela ajuda que deu a Lydia.

Ela acenou para as crianças e dirigiu-se à car­ruagem, onde Gruver a esperava.

*****

No dia seguinte Jane mandou toda a roupa suja dos Crane à casa dos Paulson, espantada com as poucas peças possuídas pela família. En­quanto lavava os pratos do almoço e preparava o jantar, pensou em todos os vestidos de Anne pendurados no armário do quarto da casa dos Bingley, vestidos que Jane jamais usaria, e que eventualmente seriam doados.

No outro dia, Penélope, esposa de Gruver, aju­dou-a a embalar todos os vestidos, e Gruver dei­xou-os na sala de estar dos Crane. Lydia já estava bem melhor, e tocou as peças com reverência.

— Tem certeza de que não quer mais estes lin­dos vestidos, sra. Bingley? — perguntou com os olhos brilhantes.

— Pode me chamar de... Anne. E esses são trajes impróprios para uma viúva. — Na verdade, eram impróprios para qualquer mulher com um mínimo de decência, mas não expressou sua opi­nião, Lydia devia ter notado. — Pode desmanchá-los e usar o tecido para o que quiser.

— Vou gostar mais disso do que pode imaginar.

Depois de três dias cuidando da casa dos Crane à tarde, correndo de volta para amamentar a filha e organizando os planos para os hóspedes, Jane quase gemeu de aflição ao perceber que Charles levara Fitzwilliam para jantar certa noite. Apressada, foi dizer à sra. Pratt para pôr mais um lugar à mesa.

Os homens incluíram as mulheres na conversa durante a refeição, algo a que Jane não se ha­bituara na casa paterna. Tentou participar com interesse, mas o cansaço a impedia de raciocinar.

— Está entediada, Anne?

Ela levantou a cabeça e um rubor tingiu seu rosto.

— De jeito nenhum.

Levara Helena à sala com ela, e Mary o tirou do cesto e segurou-o contra o peito. Sorrindo, ela mostrou o bebê aos homens.

— Anne está apenas cansada, querido. Não é fácil passar o dia todo ocupada e acordar no meio da madrugada para amamentar uma criança, Mas logo ela estará dormindo a noite toda, não é, Helena, querida? — Beijou o alto da pequenina ca­beça com adoração.

— Tem se cansado muito durante o dia, não é? — Charles perguntou sorrindo. — Os cardápios para o jantar têm sido excelentes, mas não creio que essa seja uma tarefa debilitante.

Jane não revelara onde passava as tardes, e por alguma razão, preferia manter o segredo.

— Se espera mais de mim, se há mais alguma coisa que eu deva fazer, só precisa dizer.

— Desde que minha mãe esteja feliz e descansada, o resto não importa. E ela me disse que você tem assumido muitas das tarefas que antes eram dela.

Jane olhou para Darcy. Não devia estar em­baraçada, afinal, ele era um amigo íntimo da fa­mília, mas preferia que não houvesse testemu­nhado o tom de desprezo de Charles.

Fitzwilliam brindou-a com um de seus generosos sor­risos, animando-a.

Um som estridente soou na cozinha, seguido pelo barulho de metais se chocando.

— Vou ver o que houve, senhor. — A sra. Pratt, que estivera ajeitando as bandejas sobre o bufê, correu para a porta.

Mary continuou brincando com Helena como se nada houvesse acontecido, mas Charles seguiu a criada.

— Com licença — Jane pediu, levantando-se para acompanhá-lo.

Gargalhadas ecoaram e a sra. Pratt pediu silêncio, agitando os braços com um misto de irritação e ner­vosismo. Jane olhou por cima do ombro de Charles e viu a confusão de saias e saiotes molhados no chão. Rindo e sem notar a presença da outra criada e dos patrões, Penélope libertou-se de onde o marido a mantinha cativa, agarrou uma panela de água com sabão e jogou o conteúdo em Gruver.

Ele se agitou, riu e se levantou como se preten­desse revidar. Penélope gritou e virou-se para fugir, e então viu Charles e Jane pela primeira vez.

O riso morreu em seus lábios e o sorriso transfor­mou-se em uma expressão de surpresa e desânimo.

Gruver pôs-se em pé e ficou parado, olhando como se não acreditasse no que via. Espuma de sabão escorria por seu rosto e pelas roupas, en­sopando o chão.

— Eu... peço desculpas, sr. Bingley — Penélope gaguejou.

— Os Bingley têm um convidado para o jantar. — O tom da sra. Pratt era gelado. — Essa brin­cadeira infantil é mais adequada para os momentos de folga e na privacidade de seus aposentos. — E virou-se para Charles. — Eu cuido disso, senhor.

Charles ficou em silêncio por alguns segundos. Jane podia sentir o medo de Penélope Gruver. Ali o casal gozava de empregos seguros e bem remunerados, longe da pobreza e da insalubridade dos trabalhadores das minas de ferro.

— Perdoe-nos, sr. Bingley — implorou. — Gru­ver estava comemorando. Prometo que isso não vai se repetir.

Gruver parecia atordoado e era com dificuldade que se mantinha em pé.

— O que esteve celebrando? — Charles quis saber, surpreendendo a todos com a pergunta.

— Vamos ter outro filho — o empregado anunciou.

Penélope ficou vermelha e tentou limpar as mãos no avental ensopado.

— Parabéns, então — ele disse, adiantando-se alguns passos para estender a mão ao motorista.

Gruver aceitou o cumprimento com um sorriso aliviado.

— Obrigado.

— Cuide para que sua esposa não seja a respon­sável pela limpeza do chão da cozinha esta noite.

— Não, senhor. Eu mesmo vou cuidar disso.

— E quando terminar, vá ao meu escritório para um cigarro.

— Sim, senhor.

— Creio que estamos prontos para a sobremesa, sra. Pratt — Charles anunciou, mostrando a to­dos que a discussão estava encerrada.

— Imediatamente.

— Obrigada, sr. Bingley — Penélope agradeceu comovida, segurando a saia molhada para sair.

Naquele momento Charles virou-se e descobriu Jane. Segurando seu braço, levou-a para o cor­redor entre a cozinha e a sala de jantar. Lá ele parou e encarou-a com expressão estranha, densa e indecifrável.

— Fitzwilliam costumava fazer isso.

— Isso o quê?

— Brincar daquele jeito. Fazer coisas tolas. Bo­bagens espontâneas e barulhentas... e rir.

— Muitas pessoas riem — ela respondeu.

— Realmente? Pois eu nunca a vi rindo. Nem sorrindo, para ser mais exato.

Podia dizer o mesmo sobre ele, mas não disse.

— Tire alguns minutos para assistir ao banho de Helena e ver como ela molha a sra. Gardiner. Ou quando ela tenta estudar os próprios punhos e só consegue ficar vesgo. Garanto que vai ouvir minhas gargalhadas.

Estavam muito próximos, falando em voz baixa numa atitude quase cúmplice.

A atenção de Jane concentrou-se na boca de contorno firme.

— Isto é um convite? — Charles perguntou.

— Acho que sim.

— A que horas Helena costuma tomar banho?

— Depois do café da manhã.

Ambos sabiam que àquela hora ele costumava sair para a fundição. Mesmo assim, Charles respondeu:

— Eu irei.

Apressados, dirigiram-se à sala de jantar para sentarem-se à mesa antes que a sra. Pratt le­vasse o pudim.