Notas iniciais
Olá meninas como vão? Era para eu ter postado ontem, pois na segunda eu fui ao cinema e não tive tempo e ontem eu me empolguei tanto lendo Relíquias da morte e também não deu, mas aqui estou eu. Pois bem, gostaria de agradecer e muito pela recomendação da Fraan Goran, gostei muito mesmo, principalmente da parte que vc mostrou para a sua cachorra, rsrrsrs. Obrigada tbm pelos comentários, eles são muito bons para a minha pessoa. Por favor fantasmas, não custa nada deixar um recadinho né? Deixa de lero lero e vamos ao capítulo.

[RECAPITULANDO]

O homem parecia sincero. Aparentemente, não participara do processo de levantamento de informações sobre Anne. Mas a simpatia e a amizade de Fitzwilliam a deixaram mais confortável do que estivera durante todo o dia.

— O que ele lhe contou a meu respeito?

— Apenas que chegaria com uma criança e es­taria ferida. A menina é encantadora. Fico feliz por vocês estarem bem.

— Tenho certeza de que foi apenas uma medida de precaução. Alguém na posição de Charles tem de estar sempre pronto para proteger a proprie­dade e os investimentos. Qualquer mulher com quem Fitzwilliam tivesse se casado teria sido sub­metida ao mesmo tratamento. Charles mandará investigar o passado da própria esposa, se um dia decidir se casar.

***

A tarde passou depressa. Jane e Mary abriram os presentes e, aos poucos, os convidados foram se despedindo. Pouco depois Mary abraçou Jane, elogiou seu trabalho e foi para o quarto.

Certificando-se de que os criados limpavam a casa depois da festa, Jane também se recolheu. A perna, que havia começado a doer horas antes, latejava intensamente. Exigira demais dela. Pa­rada diante da escada, olhou para cima, prepa­rando-se para o esforço.

— Por que não disse nada?

A voz profunda de Charles pegou-a desprevenida, assustando-a. Ao virar-se, encontrou-o a seu lado.

— Sobre o quê? — perguntou com o coração aos saltos.

Teria descoberto alguma coisa?

Um dos empre­sários presentes à festa podia tê-la reconhecido. Não tinha motivos para temer que um daqueles indus­triais do ferro possuíssem ligações comerciais com seu pai, mas era possível que houvesse recebido al­guns deles em sua casa, em Londres, e esquecido.

— Está sentindo dores na perna. É esse o motivo da ruga em sua testa, não?

Aliviada, apoiou-se no corrimão de madeira polida.

— Não é nada — disse. Especialmente se com­parado aos outros males que a afligiam.

— Não precisa fingir que está bem. É tolice. — Sem preâmbulos, tomou-a nos braços.

Por um momento Jane permaneceu tensa, ten­tando resistir ao impacto provocado pelo contato e à atitude presunçosa. Mas depois dos primeiros degraus foi forçada a reconhecer que se sentia grata por alguém preocupar-se com seu bem-estar.

Jane permitiu-se relaxar nos braços que ofe­reciam conforto, proteção e segurança, como se não precisasse enfrentar o mundo sozinha.

Chegaram ao topo da escada e ela o encarou. Por um momento Charles teve a sensação de que as botas estava presas ao chão. Sentira a resis­tência inicial, mas de repente o corpo tentador e perfumado relaxara em seus braços, indicando que estava mais cansada do que havia percebido.

Apenas algumas semanas se passaram desde o terrível acidente e do parto. Observara-a durante a tarde e sofrera crises de consciência, o que o levara a perguntar-se se não havia sido duro demais com ela. Quem quer que fosse aquela mulher, não tinha o direito de abusar de suas forças ou prejudicar sua saúde.

Levou-a para a cama e depositou-a sobre o col­chão com gentileza. Estava começando a se afastar quando ela gritou e, assustado, Charles percebeu que uma mecha de cabelos ficara presa em um botão de sua casaca. Devagar, sentou-se ao lado dela e estudou o cacho.

— Desculpe-me... — A voz doce e a expressão constrangida o fizeram pensar em cenas eróticas, despertando sensações que só uma mulher era capaz de provocar.

— Deixe-me ajudá-la. Chegue mais perto. — Mas aproximar-se poria toda aquela gloriosa mas­sa de caracóis bem perto de seu rosto.

Ela obedeceu, e Charles tocou a mecha sedosa e libertou-a do botão com imenso cuidado. Era como tocar a mais pura seda. Incapaz de resistir à tentação, manteve-a entre os dedos e prolongou o contato.

Jane levantou a cabeça e foi possível ver todas as questões em seus olhos. Como se tivesse von­tade própria, a mão buscou o queixo de formato harmonioso e sentiu o calor provocado pelo rubor que a coloriu. O hálito quente e doce era como um convite ao pecado, chamando-o e provocando-o. O aroma dos cabelos e da pele o incendiava. Ela respirou fundo, e o desejo de provar o sabor da­queles lábios foi mais forte que o bom senso.

Os dedos mergulharam no oceano de caracóis dourados. Os lábios buscaram os dela. Ela respi­rou fundo mais uma vez, talvez por surpresa ou prazer, não saberia dizer, mas beijou-a antes que houvesse tempo para protestos ou resistência.

Mergulhado nas sensações deliciosas provocadas pelo beijo, Charles levou alguns instantes para per­ceber que a mão em seu peito o empurrava.

O gesto foi como um chamado da realidade e ele interrompeu o contato, levantando-se e sen­tindo a cabeça latejar.

Ela permaneceu sentada, a cabeça baixa, uma das mãos apoiada sobre o colchão para suportar o peso do corpo, a outra ajeitando os cabelos.

— Sinto muito — sussurrou.

— A culpa foi minha — Charles respondeu depressa. Depressa demais. E zangado.

Uma lágrima brotou de um daqueles olhos azuis.

— Desculpe, Anne. Você está vulnerável neste momento. Não me comportei como um cavalheiro honrado. Tem todo o direito de estar aborrecida. Prometo agir com maior discrição no futuro.

Ela se manteve quieta, silenciosa.

— Olhe para mim, por favor. Foi só um beijo.

O pedido foi atendido. E ele lamentou tê-lo ex­pressado. Porque ao ver os olhos cheios de espanto e dor, soube a verdade e sentiu-se o pior dos homens.

Nenhuma negativa seria suficiente para apagar o que acontecera ali.

Não havia sido apenas um beijo.